Ribadouro. Ministério abre processo a colégio por inflação de notas

Ribadouro. Ministério abre processo a colégio por inflação de notas

 

Diretora pedagógica do Externato Ribadouro, um dos maiores do país, enfrenta processo disciplinar

O Externato Ribadouro, no Porto, um dos maiores do país, com cerca de 1400 inscritos só no secundário, é conhecido por figurar habitualmente no topo dos rankings e por ser, a nível nacional, um dos colégios que mais alunos consegue fazer entrar em Medicina. Mas também tem sido notícia por indícios de inflação de notas. As suspeitas sobre a atuação do Ribadouro originaram já este ano dois processos de inquérito, conduzidos pela Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) e que foram recentemente concluídos. Um aguarda decisão da tutela, o outro levou à abertura de um processo disciplinar à diretora pedagógica da escola.

Em relação a este último está em causa a atribuição de um “número significativo de classificações elevadas em disciplinas do 12º ano não sujeitas a exame nacional”, explica ao Expresso o Ministério da Educação. Mas esta concentração de notas altas também se repetiu em turmas do 10º ano, em Educação Física, disciplina que voltou a contar para a média final do secundário e para o acesso ao ensino superior. O estranho caso das nove turmas do Ribadouro onde 95% dos alunos tiveram 19 e 20 valores nesta disciplina e a classificação mais baixa foi de 18 valores, isto no final do 2º período do passado ano letivo, foi tornado público em maio no blogue “Com Regras”, dedicado a temas de educação e criado por Alexandre Henriques.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2019/12/ribadouro-ministerio-abre-processo-a-colegio-por-inflacao-de-notas/

5 comentários

Passar directamente para o formulário dos comentários,

    • Paulo Anjo Santos on 1 de Dezembro de 2019 at 13:26
    • Responder

    No fundo eles estão muito à frente, se a ideia é toda a gente passar, para que alguns passem teremos de inflacionar as notas de todos os outros 🙂

    Por acaso, na 6ªfeira estive numa reunião com vários elementos da Direção Regional e da inspeção, porque a escola onde estou começou este ano um Plano de Inovação… a certa altura uma das colegas da DR disse que não havia, nem ia haver, nada que obrigue a que todos passem… e é o que eu acho que vai acontecer, mais ou menos o que o Rui Rio disse, nunca vai haver legislação que diga que os alunos têm de passar todos, mas vão continuar a criar instrumentos que dificultam o uso da retenção.

    • Cláudia on 1 de Dezembro de 2019 at 16:52
    • Responder

    O principal problema deste e de outros colégios privados tem a ver com o fato de, ao inflacionarem as notas dos seus alunos, irem impedir que alunos de escolas públicas, provavelmente mais bem preparados, mas sem as ditas notas, se vejam impedidos de escolherem o curso para o qual se sentem verdadeiramente vocacionados.
    O ensino público, em Portugal, é, na sua maioria, de grande qualidade, embora os nossos (des)governantes, o vão tentando destruir, ano após ano.
    Impõe-se uma verdadeira e forte união entre pais e escolas públicas, para bem de todos.

    • Alexandra Almeida on 1 de Dezembro de 2019 at 17:26
    • Responder

    Com o facto, Cláudia. A letra c é audível. Só foram suprimidas as letras não audíveis, como Direção.
    Somos professores. Eu sou de Português, tive de estudar as regras do disparatado (des)acordo ortográfico.

    Lecionei ao 3º ciclo durante 25 anos nos Salesianos de Lisboa e tive de sair em 2004 (com a devida indemnização) quando me puseram a dar aulas ao Secundário e não me deixavam atribuir as notas reais. Os alunos até tinham todos 20 a Educação Física!… Enfim. Que era para ajudar a média… diziam eles.
    Eu escrevi para o ME na altura, denunciei a situação e nada aconteceu.
    E foi precisamente por causa da minha filha mais nova estar na altura na Vergílio Ferreira empenhadíssima em arranjar média para entrar na faculdade que eu não “alinhei”. Percebi que era injusto para os alunos da escola pública, como diz a Cláudia. Saí, vim para o público, passei 2 anos na 2ª prioridade, consegui sempre colocação com horário completo perto de casa, entrei em Quadros no tempo do Passos Coelho, e consegui singrar. Deus ajudou-me contra a injustiça que me foi feita mas o ME, com o seu “deixa-andar” não está a fazer justiça aos alunos do público.

      • N.Ribeiro on 2 de Dezembro de 2019 at 20:16
      • Responder

      Temos que compreender que uma grande parte dos alunos provenientes da “elite” (económica e política) portuguesa frequentam o ensino privado.
      Logo se levantam interesses maiores…

        • Paulo Anjo Santos on 2 de Dezembro de 2019 at 20:19
        • Responder

        A sério?! Ainda não tinha pensado nisso ;)))))

Deixe um comentário

Your email address will not be published.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Blog DeAr Lindo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading