Quantas horas trabalha um Professor?

Vejamos quantas horas, de facto, um professor trabalha.

Vou tomar como exemplo o horário de um colega meu, que está a meio da carreira e que lecciona 6 turmas: uma do 7.º ano (2 tempos semanais), uma do 8.º (3 tempos semanais), três do 9.º (3 tempos semanais em cada turma) e uma turma do 11.º (6 tempos semanais). Este docente lecciona, portanto, 4 níveis. Vamos considerar que, em média, cada turma tem 28 alunos (como se sabe, há muitas turmas com 32 alunos).
Passemos às contas.

1. Preparação de aulas. Semanalmente, este professor precisa de preparar aulas para 4 níveis. Vou considerar que, em média, a preparação semanal das aulas, para cada um dos níveis, consome uma hora e meia (para as turmas do ensino secundário consome-se bastante mais, mas adiante). Significa que, por semana, despende 6 horas para esse trabalho. Se o período tiver 13 semanas (como foi o caso do 1.º período do presente ano lectivo) o professor gasta (gastou) um total de 78 horas, nesta tarefa.

2. Elaboração de testes. Imaginemos que este professor realiza, em média, por período, 4 testes (entre testes de diagnóstico, formativos e sumativos) em cada turma. Significa que tem de elaborar 20 testes (suponhamos: 12 testes sumativos, mais 4 testes de diagnóstico e mais 4 testes formativos — considerando que dá o mesmo teste diagnóstico e o mesmo teste formativo às três turmas do 9.º ano…). Vamos imaginar agora que ele gasta, em média, uma hora para conceber e redigir cada teste. Quer dizer que consome, num período lectivo, 20 horas, neste trabalho.

3. Correcção de testes. Este professor tem 168 alunos. Isto implica que ele corrige, num período, 672 testes (entre testes de diagnóstico, formativos e sumativos). Os tempos de correcção destes testes variam muitíssimo (em função do tipo de teste e do nível de ensino), mas vamos supor que ele consome, em média, 15 minutos para corrigir cada prova (o que, em algumas disciplinas, seria um autêntico milagre, mas vamos aceitar que sim, que é este o tempo médio, admitindo que os testes de diagnóstico são bastante mais rápidos de corrigir e os restantes mais demorados, em particular, os sumativos), no total gastará 168 horas, para a correcção de todos os testes, durante um período lectivo (672 testes x 15 minutos = 10080 minutos = 168 horas).

4. Correcção de trabalhos de casa. Consideremos que este professor manda realizar trabalhos para casa, em média, duas vezes por mês, e que demora, em média, 5 minutos, a corrigir cada trabalho. Num período com 13 semanas, corrigirá seis trabalhos de cada aluno. No total, consumirá 84 horas nessa correcção (168 trabalhos x 6 x 5 minutos = 5040 minutos = 84 horas).

5. Correcção de trabalhos individuais e/ou de grupo. Vamos supor que este professor manda realizar, em média, um trabalho de grupo, por período, e que cada grupo é composto por 4 alunos, o professor terá de corrigir 42 trabalhos. Vamos imaginar que demora cerca de 30 minutos a corrigir cada um deles, teremos então um total de 21 horas.

6. Investigação. Consideremos que o professor dedica, em média, 2 horas por semana a investigar. Dá, no período, 26 horas (2h x 13 semanas).

7. Acções de formação contínua. Todos os professores têm a obrigatoriedade de frequentar acções de formação. Isto significa que, no mínimo, cada professor consome, por ano lectivo, 25 horas mais as horas de elaboração do trabalho para essa formação (vou considerar 5 horas para esse efeito). Estas 30 horas distribuídas pelo ano, significam, em média, 10 horas de trabalho, por período lectivo.

Vamos agora somar: 78h+20h+168h+84h+21h+26h+10h = 407 horas.

A estas 407 horas têm de ser adicionadas as horas lectivas mais as horas de estabelecimento. No caso concreto deste professor, significa 20 horas lectivas mais 5 horas de estabelecimento (sala de estudo, apoio pedagógico, etc.), o que corresponde a 22 horas (de 60 minutos), por semana. No total do período (13 semanas), perfaz 286 horas.
Somando 407+286h, obtemos o total de 693 horas.
No final de cada período, realizam-se conselhos de turma de avaliação. No mínimo, este professor, que temos estado a seguir, consumiu, em reuniões, onze horas e meia (duas horas em cada conselho de turma do ensino básico e uma hora e meia no conselho turma do ensino secundário). Como também esteve na equipa de conferência dos documentos de avaliação, trabalhou ainda mais quatro horas.
Temos pois de adicionar às 693 horas mais 15 horas — o resultado é de 708 horas.
A estas 708 horas têm de ser acrescentadas, no mínimo, 6 horas relativas a conselhos de turma intermédios (realizados entre Outubro e Novembro) e, no mínimo, cerca de 16 horas relativas a conselhos de turma iniciais e/ou extraordinários, a reuniões de directores de turma e/ou reuniões de grupo disciplinar, realizadas no início do ano escolar e durante o período, e a trabalhos de planificação de médio e longo prazo.
Para ficarmos com um número redondo, vou considerar que este professor trabalhou 730 horas no período passado, isto é, de 1 de Setembro a 31 de Dezembro.
Ora este período de tempo corresponde a 17 semanas de trabalho, o que é o equivalente a 595 horas (35 horas x 17 semanas).
595 horas é portanto o número de horas que um professor teria de trabalhar desde o dia 1 de Setembro até ao dia 31 de Dezembro, todavia, um professor, em média, trabalha/trabalhou, no mínimo, cerca de 730 horas!!
A diferença é de 135 horas a mais, o que significa quase 4 semanas de trabalho suplementar, num só período lectivo!

Contudo, nestas contas, que foram trabalhadas com tempos reduzidos, não entraram as horas suplementares que um professor trabalha quando realiza um visita de estudo, nem as aulas suplementares que voluntariamente lecciona de preparação dos alunos para exame, nem o apoio que voluntariamente presta a alunos e pais, nem os intervalos que deixa de ter para falar com os alunos, nem actividades extracurriculares que desenvolve, nem…
Evidentemente que estes são resultados médios. Evidentemente que há professores que têm um horário ainda mais sobrecarregado (os que estão no início da carreira) e professores que não têm um horário tão sobrecarregado (os que estão no fim da carreira). Contudo, seja qual for a situação, qualquer professor, para cumprir com competência os seus deveres profissionais, trabalha muitas mais horas do que aquelas a que está obrigado e em função das quais recebe o seu vencimento. Os professores são credores de muitos horas de trabalho ao Estado.

Se tivéssemos um governo e um ministro da Educação possuídos de competência e de decência mínimas, teriam feito as contas e saberiam demonstrar que o Estado já tem uma colossal dívida para com os professores e que não é legítimo nem avisado aumentá-la.

 Mário Carneiro

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29 comentários

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    • Maria on 9 de Dezembro de 2019 at 17:02
    • Responder

    Então e o meu caso? Estou prestes a passar ao 10 escalão ( 1/62020), tenho 39 anos de serviço, 63 de idade e leciono 5 turmas de 3 tempos por semana, fora os tempos que passo na biblioteca da escola e a fazer aulas de substituição…..quem está pior?

      • CF on 9 de Dezembro de 2019 at 21:54
      • Responder

      E os que têm 28 anos de serviço, que estão no 4° escalão e nunca chegarão ao 10°?

    • Maria on 9 de Dezembro de 2019 at 17:03
    • Responder

    *1/06/2020, era o que queria dizer….

    • Pardal Dois on 9 de Dezembro de 2019 at 17:49
    • Responder

    15X 45minutos=675 minutos: 60 minutos=11 horas lectivas= 3364 euros. Eu também quero!
    As horas na biblioteca até dá para fazer tricot. As horas de substituição são uma canseira!

      • Maria de Fátima on 27 de Dezembro de 2019 at 22:56
      • Responder

      Pardal dois
      É triste esta rivalidade entre velhos e novos. Nem uns nem outros são culpados do ME e sucessivos governos terem imposto travões e mais travões às progressões. Está a desviar a sua atenção e a por-se contra um colega de profissão, quando o foco da sua revolta deve ser o ME e os ditos governos e é contra esses que deve estar o seu protesto e é a esses que deve fazer as suas (justas) reivindicações. Enquanto não nos focarmos no mais importante (Não perder direitos, nem deixar destruir a carreira) e nos voltarmos contra colegas, não chegaremos a lado nenhum.

    • Jfg on 9 de Dezembro de 2019 at 18:10
    • Responder

    E a juntar a essas horas contamos as horas de viagem ida e volta… ate parece que os dias são de 36 horas

      • Manel on 13 de Dezembro de 2019 at 1:28
      • Responder

      Pardal Dois, se você no seu trabalho é tão incompetente quanto o seu comentário você é daqueles que devia indemnizar a sua entidade patronal ao mesmo tempo que lhe punham uns patins!

    • Pardal on 9 de Dezembro de 2019 at 18:41
    • Responder


    Vamos lá introduzir alguma honestidade intelectual no tema.

    1º) acredito que isto (apenas de uma forma aproximada) ocorra com alguns docentes do ensino secundário de componentes mais teóricas como o Português, Matemática, História, Geografia…

    2º) agora, veja-se educadoras de infância, professores primários, professores de educação física, professores de EVT…. Claro que neste grupo tal não ocorre, nem de perto, nem de longe.

    Há que distinguir também as situações de trabalho acrescido das chefias intermédias de que são exemplo os coordenadores de departamento…

    Isto é uma discussão que irá ser colocada em cima da mesa com a revisão do ECD.

      • Paulo on 10 de Dezembro de 2019 at 19:56
      • Responder

      Ó Sr. Pardal! Vejo, de vez em quando, os seus comentários de quem gosta de mandar umas postas de pescada para o ar ou de quem anda na horta e não vê as couves! Quando não sabe, remeta-se ao silêncio! Diz que os professores do primeiro ciclo não trabalham? Passe lá umas semanitas e depois diga-me alguma coisa. Quando os colegas dos outros ciclos lá passam a fazer uma horitas ou até horários completos, é vê-los a querer dar de frosques com a quantidade de trabalho e burocracia a que um professor do 1.º ciclo está sujeito. Por isso remeta-se ao silêncio quanto ao 1.º ciclo em vez de fazer comentários tristes! Valha-me a ignorância.

      • Paulo on 10 de Dezembro de 2019 at 20:00
      • Responder

      Por último! Se fosses uma pessoa intelectualmente honesta não farias um comentário destes e não colocarias tudo no mesmo saco.

        • Maria on 10 de Dezembro de 2019 at 20:32
        • Responder

        Ó colegas, não liguem a estes palermas que por aqui andam….gostava de os ver a passar 90 minutos dentro de uma sala de aula com adolescentes cheios de bazófia e hormonas aos saltos….davam em doidos e já não queriam lá voltar. Preferem as suas secretárias com ar condicionado e as pausas para ir à máquina do café que eu sei muito bem como é no privado. Tenho um cá em casa!

    • Sindicalizado on 9 de Dezembro de 2019 at 18:52
    • Responder

    Esqueces Pardalito que há uma coisa que arrelia o poder estabelecido , lembras-te da MLR e os professores titulares… ?Tentem lá mexer na carreira , criando várias categorias, e verás como elas mordem… Isto é que doí a ti e a outros como tu… é que, quando chegar a hora, vocês vão pagá-las caras se tentarem fazer as vigarices que pretendem no estatuto e nos próprios concursos … Sim, a bem ou a mal, os professores portugueses são dos mais sindicalizados, e ao contrário do que tu pensas, dos que têm mais consiência de classe… Tentem lá a diabrite e os professores e os sindicatos vão-vos fazer muita azia… O teu camarada Costa não dura lá muito se tentarem o caminho que tu queres.. e isto não é uma questão de opinião ,será um facto… e olha que eu vou andando pelas escolas a dinamitar o que tipos como tu pretendem construir.. e nós não pararemos… nós não parámos!!! Nós não nos rendemos! Nós não somos as marionetas do teu partido, nem de nenhum que nos prejudique!!!

    • Professora on 9 de Dezembro de 2019 at 19:15
    • Responder

    5 Turmas de secundário (mais de 130 alunos), dois níveis, Observatório de Avaliação e Direção de turma… mais de 30 anos de serviço. Número de horas de reuniões a perder de vista desde o Pedagógico, Observatório, e Conselhos de turma, de EE. Para não falar das horas de formação.
    Realmente os colegas de “Ciências” com os turnos, duas turmas preenchem os horários. Fiquem com os cargos também (aqueles cargos que dão trabalho, entenda-se). Ter 130 alunos ou mais, ou ter no máximo 60 não é mais coisa. Programas densos, aulas sem desdobramento, sem horas suplementares como os de “Ciências”, e igualmente com exames nacionais. Acabe-se com as “Letras” de uma vez por todas, basta de “hipocrisias”: “Ah e tal, a autonomia das escolas e as matrizes curriculares e… ”
    Sou a favor da revisão do ECD, porque pior é impossível.

    • Marta on 9 de Dezembro de 2019 at 19:22
    • Responder

    Uma coisa é certa: a partir dos 60 anos/62 , a redução de horário devia ser real, como era antigamente. Eu vou para o 10º escalão, tenho 6 turmas, leciono 3 disciplinas (logo, 3 níveis), Direção de turma, coordeno dois projetos na escola, puseram-me a avaliar colegas noutras escolas…. Acreditem que os meus familiares chateiam-me, dizem para fazer depois… pressionam-me para os acompanhar nos passeios, festas e eu sempre a declinar por causa do trabalho. Eles não entendem. E eu lá vou respondendo como posso, mas a verdade é que cada vez tenho mais dificuldade em trazer o trabalho em dia e os papéis (tanto registo, tanto formulário!) organizados!
    Claro que nem todas as disciplinas são assim, mas no 3º Ciclo e Secundário há muitos colegas assim, sobrecarregados.

    • Vic on 9 de Dezembro de 2019 at 19:31
    • Responder

    Quase que tenho pena. Publiquem os ordenados e as horas que efectivamente passam nas escolas, e já agora o resultado das avaliações.

    • Maria on 9 de Dezembro de 2019 at 19:46
    • Responder

    Realmente os professores trabalham bastante, tenho pena que não esteja aqui um professor do 1.º ciclo para dar o seu testemunho. Por isso fica aqui o meu, ao contrário dos restantes colegas dos outros ciclos não têm tantas turmas, mas seguramente vários níveis de aprendizagem dentro da sala, sem falar da tremenda injustiça que é não terem reduções no seu horário tal como os outros colegas.

      • manel on 13 de Dezembro de 2019 at 2:03
      • Responder

      Maria, antes de mais quero expressar-lhe o meu respeito e consideração pelo importante trabalho desenvolvido pelos professores do 1º ciclo. Mas importa ser objetivo: a maior parte dos professores do primeiro ciclo leciona 1 nível ou 2. Se está a referir-se a diferentes ritmos de aprendizagem/aquisição de competências dentro da mesma sala/turma, elas também existem noutros níveis de ensino e, por isso, é preciso fazer acomodações, avaliação diferenciada, dar aulas de apoio individual e em grupo, apoio em CAA, etc. Claro que o trabalho exigido por grupos de 20 ou 30 alunos é completamente diferente – até em horas de trabalho feito fora da sala de aula, a expensas da vida pessoal (onde incluo a atualização de conhecimentos científicos – não confundir com os cursos de formação de frequência obrigatória para subir de escalão) e familiar de grupos de 80, 100 ou 150 alunos…
      Apesar de OMS considerar, desde há muitos anos, a profissão de docente do ensino secundário uma das mais desgastantes – a par dos controladores de tráfego aéreo- concordo com as reduções de horário dos professores do 1º ciclo a partir dos 60 anos, tal como nos outros níveis de ensino. O que eu acho profundamente injusto é o facto de os colegas do 1º ciclo poderem reformar-se mais cedo – segundo a OMS deveria der o contrário, porque é no nível do secundário que o desgaste é maior!

    • Professor on 9 de Dezembro de 2019 at 20:23
    • Responder

    2horas para investigação por semana!!! 1,5 hora de preparação por nível semanal. Muito mas muito mais que isso.Eu tenho 5 níveis todos do secundário e do ensino profissional. As minhas disciplinas pertencem à componente técnica para a qual não existem manuais. Tenho que preparar absolutamente tudo o que dou aos alunos. Passo imenso tempo em pesquisas, elaboração de power point´s, fichas de trabalho, testes, questões de aula, trabalhos individuais e de grupo, quizes, pois a maior parte dos alunos não está muito virada para o estudo. Ainda sou diretor de turma e tenho um tempo para apoio/substituição. Quando mudo de escola lá vou ter mais 4 ou 5 níveis de outros cursos profissionais/cef´s ou afins com disciplinas técnicas com tudo para preparar.

    O Ensino profissional, nomeadamente, as disciplinas técnicas são uma descriminação por parte de todos. Não há manuais, sebentas, qualquer material de apoio. Apenas é dado ao professor os conteúdos (programa homologado – tipo lista) e agora desenrasca-te, pesquisa, prepara e dá…de forma criativa e motivadora. É injusto, pois o ensino regular tem muito material/manual preparados pela editora.

    • Karin on 9 de Dezembro de 2019 at 21:06
    • Responder

    Resumindo e concluindo, estamos todos muito cansados. Mas não podemos ser egoístas ao ponto de dizer que X trabalha mais que y, ou que eu trabalho mais que tu. Em todos os ciclos há trabalho diferenciado e que exige muita dedicação de cada professor. O importante é sermos unidos, porque não duvidem, cada um com os seus problemas.

      • Maria de Fátima on 27 de Dezembro de 2019 at 23:04
      • Responder

      Tem toda a razão Karin. Assim deveriamos pensar todos, mas preocupamo-nos em atacar os que são de outros ciclos e esquecemos de protestar e atacar o ME que tantas porcarias tem feito em relação à classe. Tenho dito!

    • O jardim do vizinho é mesmo mais verde que o meu? on 9 de Dezembro de 2019 at 21:39
    • Responder

    Professora, eu sou um colega de “Ciências”, tenho três níveis, um profissional que para além de não ser da minha área não tem manuais, um 12 de Física e um 11 de Física e Química A, relativamente às aulas de turnos convém não esquecer que é necessário preparar o material e a pôr tudo a funcionar, no fim há que arrumar. Acresce que sou diretor de turma e diretor de curso.
    Cara colega, cada um dos grupos disciplinares têm características próprias. No entanto, há uma coisa em comum, todos trabalhamos demais para aquilo que recebemos.

    • CF on 9 de Dezembro de 2019 at 21:56
    • Responder

    E os que têm 28 anos de serviço, que estão no 4° escalão e nunca chegarão ao 10°?

    • CF on 9 de Dezembro de 2019 at 21:59
    • Responder

    É necessário que haja quem trabalhe muito e ganhe pouco (professores) para haver dinheiro para pagar aos milhares de xuxas parasitas (tachistas, familiares, afilhados, etc) que vemos por este bananal.

    • Vitor on 10 de Dezembro de 2019 at 0:20
    • Responder

    Não anda muito longe da verdade. O problema é que essas horas não são uniformemente distribuídas, o que faz parecer, na opinião publica, que os professores estão sempre em férias.

    • P.da Silva on 10 de Dezembro de 2019 at 9:33
    • Responder

    A revisão do ECD só pode ter um caminho: salário igual para trabalho igual (onde é que eu já ouvi isto?). Somos todos professores e, com mais ou menos turmas, fazemos todos a mesma coisa ou não? As diferenças salariais entre os escalões devem ser residuais e a compensação do tempo de serviço deve ser feita com redução da componente letiva. Os cargos intermédios, como coordenador, não deve ter compensação remuneratória mas sim redução da componente letiva. O que se passa atualmente é que temos professores no topo da carreira com 14 horas letivas e um vencimento quase em dobro de outro com 22 horas letivas, contratado, quantas vezes longe de casa, com as piores turmas (cef e profissionais) e 4 ou 5 níveis! Isto não é carreira não é nada! As diferenças salariais entre o início da carreira e o topo são discriminatórias para os professores mais novos e não se justificam. Até parecem 2 carreiras paralelas. O ECD deve ser revisto, distribuindo de forma mais equitativa os índices remuneratórios entre o 1º e o último escalão. Convém também não esquecer outra das grandes injustiças provocadoras de desigualdade , desconfiança e revolta – as quotas de acesso aos 5º e 7º escalão. Estas devem ser eliminadas e a primeira das nossas lutas.
    No entanto, com este Governo costista e um ministro da educação invisível parece-me ser difícil evitar a proletarização docente e a degradação irreversível da Escola Pública. Desejo estar enganado!

      • Maria on 10 de Dezembro de 2019 at 20:38
      • Responder

      Desculpe, mas não concordo. Uma carreira tem de ter níveis de remuneração diferentes. Um professor com 15 anos de serviço não pode ganhar o mesmo que um com 40……se assim fosse, não havia uma Carreira Docente. Acontece o mesmo com os médicos, juízes, militares….

    • Zé Castro on 10 de Dezembro de 2019 at 14:52
    • Responder

    Pois, as horas letivas têm 60 minutos, ou são 50? E os cinco minutos de atraso, e os cinco minutos a sair mais cedo, que deveriam ser a excepção, só que, são a regra? São contas muito bem feitas. Só que trabalho numa escola, sou funcionário. Tenho a missão de ” fiscalizar” os horários e as horas. Tenho grandes amigos Professores. Mas há muitos professores, a tal regra que deveria ser excepção, que não têm contas destas. Por amor da santa. Conheço Professores que ao fim de um mês de aulas, têm estruturado, preparado num computador, todo o ano letivo. Depois, bem depois e correcções e avaliações. Só mais uma coisa: sou licenciado mas não ganho o ordenado, mesmo que seja o mínimo, de um qualquer professor. Mais uma, as profissões da minha área, estão “esgotadas”, como aliás, com poucas excepções, está a carreira de professor. Tive de partir para outra. Imaginem…o estado a desperdiçar o investimento na minha formação. E sabem que mais? E precisa de “mão de obra” como a minha.

      • Manel on 13 de Dezembro de 2019 at 1:15
      • Responder

      Ó Zé Castro, pelo que diz acerca do que pensa serem os seus conteúdos conteúdos funcionais de assistente operacional ( fiscal da entrada e da saída dos professores na sala de aula – aulas das quais nem sequer sabe que duram, legalmente 50, 45, 100 ou 90 minutos – sendo os intervalos para desligar datashow, computador, recolher material, supervisionar a saída dos alunos, fechar a sala, deslocar-se para uma sala muitas vezes num pavilhão diferente entre outras tarefas), só posso concluir que a sua “profissão\” é um exemplo cabal de incompetência de gestão e desbarato de recursos financeiros (que podiam ser aproveitados, por exemplo, para pagar aos professores de acordo com as responsabilidades que têm de facto e que a sociedade lhes exige…). … Para fiscalizar a entrada e saída dos professores basta uma máquina de picar o ponto, que fica mais barata que o que você ganha num mês!
      Se é licenciado, porque não procura outro trabalho, mesmo fora da sua área, como fazem montes de professores que não são colocados ou que abandonam o ensino, porque ainda são jovens e não estão para aturar desideratos, nem o pouco trabalho e ordenado chorudo dos professores?
      E já agora, como o seu trabalho de fiscal se resume a trabalhar 5m depois do toque de entrada e outros 5m antes do toque de saída (a acreditar no que diz) o que faz na maior parte do tempo? Faz tricot ou joga ao berlinde?
      Foi por isso que escolheu ser funcionário, mesmo com o “baixo” salário?

        • Zé Castro on 6 de Janeiro de 2020 at 15:08
        • Responder

        Ui, ui, “…sendo os intervalos para desligar datashow, computador, recolher material, supervisionar a saída dos alunos, fechar a sala, deslocar-se para uma sala muitas vezes num pavilhão diferente entre outras tarefas)…” Você faz isto tudo?
        Mau, é mesmo néscio, as escolas que conheço, e acredite são muitas, nenhum professor arruma nada, são os “incompetentes”, como lhe chama, como eu, que arrumam tudo!
        E caro Professor, máquina de picar? Ai de muitos se existissem…esses sim tinham que pagar para ser professores. O senhor professor deve ter chegado de Marte, ou então acha que o mundo que o rodeia é povoado por invisuais, com todo o respeito que merecem! Procurar outro trabalho? Retribuo o conselho que deixou, faça o mesmo, assim não tinha necessidade de estar para aqui a reivindicar/defender os da sua classe.
        Manel, Manel, um canudo não trás tudo aquilo que acha que tem, que não tem. Abraço.

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