Crónica – Autarquias versus Educação! – Mário Bacelar Begonha

Autarquias versus Educação!

O Ministério da Educação já está a preparar a formação de autarcas que vão ter responsabilidades neste setor, de modo a não haver sobressaltos com a transferência da Educação para as Câmaras Municipais.

Eram dois irmãos nascidos e criados no Distrito de Coimbra, um foi para professor, profissão que sempre quis abraçar, desde criança, o outro foi empresário de sucesso, na sua terra, e criou fama, o que o levou a concorrer a Presidente da Câmara local, já que tinha grandes apoios do meio empresarial, e dos negócios locais. Ganhou a Câmara!

De um dia para o outro foi confrontado com o problema mais sério da vida dele, segundo confessou a amigos íntimos. Não percebia nada da problemática da Educação, foi sempre gestor e homem de negócios, e de repente vê-se no papel de responsável pela Educação, do seu Concelho, depois da aprovação na Assembleia da República da transferência da Educação, nas Escolas Públicas, para as Autarquias. Era a aplicação do projecto de descentralização, que iria abrir caminho à regionalização, única forma de salvar a coesão social do País, e de tornar mais iguais os portugueses, independentemente da zona onde vivem. Claro que o objectivo imediato era salvaguardar e evitar a desertificação do Interior, com a emigração dos jovens que ali nunca teriam futuro, nem possibilidade de emprego e de constituir família.

É de facto um projecto interessante, justo, racional, lógico, desafiante e a única maneira de salvaguardar a unidade da Nação, ou seja, a coesão, a comunhão e orgulho de um passado comum, de um presente comum, e de projectos comuns, para o futuro, como Renan nos ensinou.

É tão justo e lógico que ninguém pode estar em desacordo!

Então o que fez o presidente da Câmara local? Começou por nomear o irmão como seu assessor para o novo pelouro da Câmara, a Educação, e enviou dois autarcas para Lisboa, para frequentarem o novo curso que o Ministério da Educação já está a preparar, para formar os autarcas que vão ter responsabilidades, neste sector, de modo a não haver sobressaltos com a transferência da Educação para as Câmaras Municipais, e tudo isto com o apoio da “C.N.E.” como fruto da antecipação para os problemas futuros, como sempre foi seu apanágio, já que tinha chamado a atenção para esta necessidade muito antes da ideia ter surgido.

Como disse Max Cunha, governar é antecipar o futuro.

Na qualidade de ex-docente, durante várias décadas, no Ensino Superior, e não só, e ainda como sociólogo, regozijamo-nos com toda esta coordenação que antecipou soluções e evitou, com certeza, desarticulação, desnorte, resistências e até “sabotagens”, como é normal, quando surge qualquer projecto educativo, com mudança de tutela, que, por sua vez, exige mudança de atitude mental, com espírito aberto de colaboração e de entreajuda, com todos, e não só, como até agora, só com alguns.

Esta transferência, quanto a nós, é muito positiva, porque despartidariza a Educação Nacional, que deixa de estar nas mãos de um só partido e passa a ser plural e, verdadeiramente, democrática.

Este é o nosso contributo para a questão presente e é uma pequena contribuição, pelo muito que recebemos do Estado.

P.S. – Este artigo é pura ficção, pois nada disto existe na realidade…

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4 comentários

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    • Manuel on 28 de Dezembro de 2019 at 13:52
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    Que deceção. Julgava eu que ainda havia alguns exemplos de boas práticas … 😢

    • Santos Lopes on 28 de Dezembro de 2019 at 16:41
    • Responder

    Pois em Palmela, o presidente da nossa Câmara, é uma excelente pessoa, é também um bom cantor e foi professor de Inglês durante anos, antes de ser Presidente da Câmara.

    • Maria on 28 de Dezembro de 2019 at 20:42
    • Responder

    Pois, mas nada mais errado do que pensar que passar a Educação para as CM. torna o processo mais democrático! Com todos os defeitos (que os tem!) este processo de colocação de professores, é, ainda, o processo mais democrático e isento! Com a Educação nas autarquias nada de mais politizado, só a partidarite a funcionar. Olhem o que se passa atualmente com os concursos de pessoal: cria-se o lugar à medida do apadrinhado! Acreditem que serão nomeados todos os incompetentes, desde que obedientes, e anão adianta ninguém esforçar-se por ser o melhor. Se não estás com o partido, estás excluído! Não, municipalização, não, pelo menos nestes próximos anos! Pensem, por favor! Somos professores, espíritos livres e não lambe-botas de qualquer incompetente investido de poderes que lhes permitem decidir sobre algo de que nada percebem: EDUCAÇÃO!

    • Maria on 28 de Dezembro de 2019 at 23:13
    • Responder

    Porque existem, seria interessante saber quantos docentes exercem cargos políticos como vereadores ou dirigentes nas autarquias.

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