Bom dia,
O Governo que passou a ser um grupo de convívio de ‘family and friends’ já ultrapassou todos os limites do aceitável numa democracia liberal (que ainda somos). A sucessão de casos de nomeações de familiares diretos e de amigos próximos destrói qualquer regime de boa governação da coisa pública e aproxima-nos de regimes com outros valores, daqueles que não queremos ter.
Na última remodelação governamental, o primeiro-ministro ‘meteu’ o PS dentro do Governo, partidarizou o que deveria ser um Governo acima dos interesses do partido. A pensar nas eleições, a pensar na utilização do Governo e do Estado ao serviço do partido. Mas, para os comentadores do Twitter, qual era a surpresa pelo escolha de socialistas para um governo socialista… afinal, se calhar, havia algum problema, que dá agora origem a outro, ainda mais fundo. Agora, as decisões políticas decidem-se à mesa do jantar ou numa roda de amigos.
Mais impressionante do que a desfaçatez de quem entende que pode fazer isto é mesmo a passividade da sociedade civil – e do Presidente da República – perante a violação dos mais elementares princípios de boa governação. Será que os conflitos de interesse não são óbvios? Em situação de conflito, como é que pai e filha, marido e mulher, decidem? Mas se é possível algum escrutínio ao nível dos membros do governo, isso não é possível na forma de exercício de funções ao nível dos gabinetes e de alta administração pública. Porque estes nomeações estão literalmente a transformar a governo, o Estado e o PS numa mesma coisa.
Agora, a estratégia dos defensores públicos e privados desta (falta de) vergonha é a justificação com o passado. Sempre foi assim, mas agora há mais escrutínio. Não, nunca tal aconteceu com a mesma dimensão e profundidade. Mas vamos admitir por um momento que este promiscuidade – acompanhada de cartas de amor, em vez de declarações de incompatibilidade – não é nova. Não a torna melhor. Foi também por causa da perpetuação de um regime de interesses familiares e de amizade, de mercados fechados e só ao alcance dos que estão dentro do circuito, que o país está em situação de estagnação económica e social há 20 anos.
Em: ECO Login por António Costa, Publisher
PS:
Mulher e irmão de Marcos Perestrello nomeados pelo Governo – ECO
Oposición y socios parlamentarios cargan contra los lazos familiares entre miembros del Gobierno portugués
En el Ejecutivo de António Costa hay un matrimonio y un padre y una hija tras la última remodelación
(…)
Já agora:
Um passe social de Freixo de Espada à Cinta para Lisboa
O subsídio dos passes sociais foi apresentado ao país como custando 65 milhões por ano. Seis meses depois, já vai num custo de 140 milhões, pago por todo o país. E a medida ainda nem arrancou. É obra.
Continua em: Um passe social de Freixo de Espada à Cinta para Lisboa – ECO
PS2:
E este se tivesse caladinho fazia melhor figura:
Carlos César: “Grupo Parlamentar do Bloco tem ligações familiares diretas e abundantes.” Terá? – Polígrafo
Mar 26 2019
Um governo de ‘family and friends’
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1 comentário
Uma vergonha…
E para meu espanto os Boys, acabados de sair das faculdades, mas com grande conhecimento técnico vão ganhar cerca de 3700€ por mês mais as ajudas de custo e outras benesses. Um professor no topo de carreira com 40 anos de experiência ganha pouco mais de 3300€
O que me espanta também é a desfaçatez do César, que tem vários familiares diretos no poleiro dos Açores…
Haja decoro meus caros políticos do PS e timoneiro Costa.