19 de Março de 2019 archive

Quem nos aconselhou a emigrar? O Passos e o Costa.

Rui Cardoso

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De vez em quando surgem, nas redes sociais, noticias já com algum tempo alusivas ao tema, O Polígrafo foi investigar.

A conclusão não surpreende. Por mais que se diga e desdiga sobre o diz que não disse a diferença está na “Alternativa” e na “Oportunidade”.

 

 

António Costa sugeriu aos professores de português sem colocação que emigrem?

Aliás, dois dias depois de ter proferido essa declaração, perante a controvérsia gerada, por entre comparações relativamente a uma declaração similar de Passos Coelho em 2011, Costa publicou uma mensagem na rede social Twitter a refutar essa comparação, garantindo: “A estrada da Beira e a beira da estrada não são a mesma coisa, pois não? Pois… Eu também não apelei à emigração!

Importa salientar que entre as declarações de Passos Coelho (2011) e Costa (2016), incidindo sobre os professores “sem colocação” ou “ocupação”, a única diferença substancial é que o primeiro sugeriu “o mercado de língua portuguesa” como “uma alternativa“, enquanto o segundo apontou para França como “uma oportunidade“.

Avaliação do Polígrafo:

Verdadeiro

 

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Da apreciação parlamentar à constitucionalidade dos 2,9,18

Rui Cardoso

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O Decreto-Lei 36/2019 foi promulgado e publicado em Diário da República. O texto do mesmo diz-nos muito de quem o escreveu, como o Paulo Guinote o chamou na semana passada no Público Online, é “perverso”, mas isso não nos resolve o problema.

O PCP já requereu a apreciação parlamentar, o BE também já o fez e, pelo que ouvi, o PSD seguirá o mesmo caminho. O CDS quer que, no próximo ano, se regresse às negociações (não têm seguido as sondagens) e o PAN não considera os professores como animais ou parte da natureza, logo nada quer ter a ver com isto.

Se o sr. Presidente não tivesse promulgado o diploma, o parlamento não o poderia apreciar, ou seja, nenhum partido poderia requerer a apreciação parlamentar do “dito”. Se o sr. presidente tivesse requerido ao Tribunal Constitucional que apreciasse a inconstitucionalidade do “dito”, ficariamos uns tempos no “Limbo” à espera que tal organismo se pronunciasse. Não tenho grandes dúvidas que o documento está ferido de constitucionalidade, mas isso sou eu que não sou legislador nem escrivão de diplomas legais. Entenda-se que não estou a dizer que concordo com a forma como o processo decorreu, mas, neste momento esta meia solução até nem é desajustada de todo. Mas uma coisa é certa, o sr. Presidente anda a dar poucas explicações sobre as razões porque promulgou o “dito” e até fez uma pergunta que, como ele bem deve saber, se a pensou não a devia ter proferido.

A Apreciação Parlamentar vai ter lugar. Resta-nos saber se vai ser aprovada e em especificidade, o que decidirão os partidos que a discutirão. Que tipo de recuperação estará na forja, o modo, a forma e o tempo. Essa incógnita está a levar muitos docentes a querer demonstrar o seu descontentamento e a pressionar, os partidos envolvidos, através da Manifestação do dia 23 de março. É mais uma Manifestação, mas pode muito bem ser uma prova de força que poderá levar a um entendimento entre a oposição.

Quanto à constitucionalidade, este diploma não cumpre o princípio de igualdade uma vez que gera ultrapassagens sobre os professores que progrediram em 2018 que, de acordo com o Acórdão n.º 239/2013, do Tribunal Constitucional, é inconstitucional. Da mesma forma que fere o mesmo princípio em ralação aos docentes a exercer nas Regiões Autónomas. Já nem falo do incumprimento do Orçamento de Estado, isso é lei para encher pneus, como se viu este e no ano passado.

Se os partidos da oposição não chegarem a um acordo que, os professores, considerem justo e equitativo, resta aos sindicatos recorrer aos tribunais, nomeadamente ao Tribunal Constitucional.

Para já, embora não fosse necessário (se a lei tivesse sido cumprida), a “bola” foi passada do sr. Presidente para os deputados e serão eles a” chutar” para onde lhes der mais jeito. Esperemos que “chutem” para o lado do que é justo igualitário e equitativo, ou terão de ser os Magistrados a receber a “bola”.

 

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Educação sexual porque sim – João André Costa

Rui Cardoso

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Educação sexual porque sim

Os anos passam, as gerações passam, as décadas também, e as perguntas ficam por responder. As gerações passam, os nossos professores também, os que não sabiam responder às perguntas inquietantes, aos ímpetos inquietantes, às vontades em ebulição dos corações adolescentes, os nossos, os vossos. Agora somos nós os professores e, surpresa das surpresas, continuamos sem saber responder, e no entanto sabemos, experienciámos, aprendemos às nossas custas, por tentativa e erro, batendo com a cabeça na parede e, por vergonha, por falta de à vontade, revelamo-nos tão incapazes como quem nos precedeu para ajudar quem, diante de nós, faz as mesmas perguntas, e outras, vinte anos depois.

Sejamos francos e falemos, portanto e um pouco, sobre educação sexual. Sim, somos todos sexuados desde a nascença. Nascemos com um sexo, fruto do sexo, e preparamo-nos para o sexo. Por uma questão reprodutiva? Não só, por prazer, por amor, porque se o sexo não desse prazer, tanto prazer, a probabilidade de por aqui andarmos seria tão menor. O que é o orgasmo? É o clímax sexual, quando um homem ejacula e uma mulher também e os fluidos assim libertos potenciam a viagem dos espermatozóides ao óvulo, se houver um óvulo, se estivermos a meio do ciclo feminino. É errado um rapaz gostar de um rapaz e uma rapariga gostar de uma rapariga? É a expressão de amor pelo outro errada? Não. É errado gostar-se do sexo oposto? É errado sentir-me do sexo oposto? É errado não me identificar com nenhum dos sexos ou movimentar-me entre os mesmos? Também não. Como é que se faz para evitar uma gravidez? Sabem colocar um preservativo? Então, nada de contacto com a vagina antes de colocarem o mesmo, sob risco de meia dúzia de espermatozóides no líquido seminal. Basta um. E fazer um bebé é o mais fácil. Querem uma rapariga? Tenham relações 4 ou 5 dias antes da ovulação. Querem um rapaz? 2 ou 3 dias antes da ovulação, os espermatozóides Y são mais leves (têm uma perninha a menos) mas duram menos tempo e vice-versa. É possível engravidar se o rapaz e a rapariga estiverem juntos no banho? É, os espermatozóides nadam. Os métodos contraceptivos são 100 por cento seguros? Não. 100 por cento seguro é a abstinência. Quando se faz um aborto estamos a matar um ser humano? Sim. Devemos ir para a prisão por isso? Não, e ninguém aborta porque quer. Em vez de condenar, é preciso apoiar, é preciso educar, para que não se tenha de tomar uma decisão tão difícil. A probabilidade de contrairmos uma doença sexualmente transmissível aumenta com o número de parceiros sexuais? Sim, desde clamídia, gonorreia, sífilis, herpes genital, SIDA, só para citar as mais comuns. Pode-se morrer de SIDA? Sim, mas hoje em dia, e graças ao desenvolvimento da medicina, a SIDA é uma doença crónica. É uma vergonha falar de sexo? Vergonha é não falar e acabar com uma gravidez adolescente e uma criança sem culpa da ignorância dos pais.

Sem amor, o mundo não anda. É preciso amar, e para amar é preciso aprender. É preciso aprender a respeitar o outro, o parceiro, a parceira, o companheiro, a companheira, é preciso falar, ouvir, aprender, ceder, negociar, compreender, desculpar, perdoar, acariciar, abraçar, amar, e o amor, a educação sexual, não é só sobre sexo, é sobre relações interpessoais. Como nos vestir, como falar, como nos darmos a conhecer ao outro, o que se deve dizer e não dizer, o que é insultuoso e o que é socialmente aceite, os direitos das mulheres e os direitos dos homens, os direitos, a liberdade de expressão, a afirmação sexual, a liberdade sexual, o papel da igreja, a castração física, química, social, e por aí fora, há tanto por falar. Acredito como tudo o que fazemos na vida, fazemo-lo por prazer sexual e Freud tinha razão. Sexo em grupo? Troca de casais? É um campo de minas, falem com o vosso parceiro, liberdade sexual sim e respeito também. Qual a idade certa para falar de educação sexual com as crianças? Qualquer idade a partir do momento em que nos compreendem e aos 4 anos as crianças compreendem, e querem compreender, as diferenças sexuais, não sejamos hipócritas e Freud tinha razão. Outra vez.

Vamos falar de sexo, vamos educar para a sexualidade. Não falar de sexo é negarmo-nos, é negar a nossa existência e origem e a razão de ser. 20 anos depois, nós sabemos. Aprendemos às nossas custas. Não há motivo nenhum para não partilhar quanto aprendemos, é nosso dever, é a nossa obrigação, para que os erros básicos não se perpetuem no tempo só porque temos vergonha de falar de, e sobre, educação sexual.

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