Lamento intimista de um cidadão professor português roubado – Luis Braga

Lamento intimista de um cidadão professor português roubado

Os episódios desonestos no parlamento, sindicatos e comunicação social à volta e contra a ILC do tempo de serviço docente fizeram-me descrer da Democracia. Dos deputados, do parlamento e dos sindicatos. O impacto pessoal, na minha visão particular, do que se passou é muito profundo. Deixei de acreditar na capacidade de o sistema político e social português se regenerar sem um movimento social que ultrapasse o institucionalismo vigente. Em termos pessoais, essa visão é todo um novo horizonte de vida.

A ILC é um projeto generoso e corajoso de muitas pessoas, que muito me honra que tenham depositado em mim confiança para os representar em vários momentos.

No vídeo do que disse no parlamento creio que se vê essa desilusão pessoal e até emoção pessoal, por trás do esforço de fazer bem o papel que me atribuíram.

Porque havia uma carreira e certos direitos…..Roubaram-ma.

Querem os melhores na profissão? É isso? E que tal pagarem com o mesmo ângulo com que pagam aos “melhores gestores”.

Os meus alunos têm resultados comigo (por seu mérito, mas também porque, pelo menos, façam-me essa justiça, não os estrago…). Podem dizer-me o mesmo dos que gerem ou geriram os bancos e empresas que tanto reverenciam?

Se eu for multado na estrada que me leva à escola posso meter a multa à escola? Pois não…. Isso era roubar.

 

Rui Cardoso

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5 comentários

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    • Orquídea neves on 12 de Março de 2019 at 11:53
    • Responder

    Existem mais histórias. Na maioria, dolorosas e que nos põem a questionar sobre os valores de políticos e afins. Fazem-nos questionar sobre se vale a pena o esforço, a honestidade e a entrega a esta profissão. Mal remunerados, desrespeitados pela generalidade da sociedade e até pelos próprios colegas por força de uma competição incompreensível, e, agora, desrespeitados pelos sindicatos.
    Adoro a minha profissão mas, já não sou feliz com ela há anos. Lamento o meu estado de alma, lamento o que fizeram a esta tão digna profissão. Há tanto para dizer, há tanto para lamentar.

    • Maria Castro on 12 de Março de 2019 at 14:13
    • Responder

    Lamentavelmente, é este, também, o meu estado de espírito e o de milhares de professores que hoje, apesar de terem escolhido esta profissão, se sentem tristes, desiludidos, desalentados, desencantados… e que, se nada se alterar, em nada vai poder contribuir para fazer da Escola um lugar feliz para todos. Porque, não tenhamos ilusão: ninguém trabalha sem motivação, sem alma, sem por paixão naquilo que se faz!….

    • Jorge Costa on 12 de Março de 2019 at 16:15
    • Responder

    Luis
    Foi este estado de alma que me fez descrer no que já descria quando em 2010 lutei com uma petição na AR pelos profs contratados. Mas não desarmei e entalei estes políticos de meia tigela e sindicatos de coisa nenhuma que ainda andam por aí, e eis que a malta vínculou. Não todos, mas até uma norma travão chegou. Não desarmes Luís, os argumentos e os instrumentos é que têm de mudar. Há que entalá-los onde lhes mais lhes dói! …

      • violante on 12 de Março de 2019 at 16:52
      • Responder

      Grande dívida de gratidão que todos os contratados de então têm para contigo! És um alento para todos nós!

    • Miguel Andrade on 13 de Março de 2019 at 15:18
    • Responder

    Em pouco tempo disse mais do que muitos sindicatos!!
    Claramente onde lhes doí mais é no voto, pelo que julgo importar fazer sentir a estes partidos de palavras simpáticas para com os professores, que ou atuam em conformidade com as suas palavras ou não votamos neles…

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