A Xicolinha…

 

“A Xicolinha
Era uma vez uma Xicolinha muito bonita e arranjadinha, nela tinha estudado o senhor do pão, o senhor arquiteto, o pai, a mãe, a avó, o avô, o senhor da mercearia e até o senhor ministro!
A Xicolinha andava cansada e tossia muito…estava sempre a espirrar. NÃO ERA NORMAL!
Foi ao médico e ele deu-lhe uns xaropes para aliviar os sintomas, mas disse-lhe que o caso era grave e que não estava nas mãos dele resolver o problema. NÃO ERA NORMAL!
A Xicolinha foi a um padre e este disse-lhe que não era caso de morte até porque não faltava quem nela quisesse aprender. Não lhe faltavam prémios e troféus… NÃO ERA NORMAL!
A Xicolinha, já de cabeça perdida, foi à bruxa, mas esta, a esfregar as mãos de contente por ter tal cliente, só arrotou e defumou. NÃO ERA NORMAL!
A Xicolinha, muito triste e já com pouco ar, foi ao regedor que muito bem nutrido e arejado lhe disse para ir a outro presidente. NÃO ERA NORMAL!
Já sem grande esperança e cada vez mais abafada, a Xicolinha lá foi.
Alvissaras, alvissaras: a solução estava à vista!
Era ano de eleição!
Serás a minha paixão! Disse ele.
A Xicolinha estranhou, o último que se tinha apaixonado por ela foi viver no meio dos refugiados e depois, com a bênção de Deus, foi para as Nações Unidas. Só que nunca mais quis saber dela para nada! E beijava bem. Se beijava!
Bem, nada disto ERA NORMAL, mas, como não há fome que não dê em fartura, a Xicolinha lá vestiu roupa nova e preparou-se para festejar. Afinal o apaixonado arranjou-lhe um cirurgião conceituado que lhe traçou um plano de intervenção e ainda uma fada madrinha para pagar uma boa parte da operação.
A fada madrinha chamava-se Europa, uma das filhas do rei da Fenícia, irmã de Cadmo e há muito raptada por Zeus. Lá onde vivia, no palácio do rapto, pagava em euros todas as próteses que a Xicolinha ia precisar, só não pagava os pensos, as gazes e a tintura de iodo…Vai daí o apaixonado disse: EU PAGO A TINTURA DE IODO! A Xicolinha cantou, dançou e uivou: IA FICAR COMO NOVA!
Espera um dia, espera dois dias, uma semana, duas semanas, um mês, dois meses, um ano, dois anos…e a Xicolinha já em grande agonia grita, chora, berra e desespera.
Face a uma velhinha bonita e arranjada no meio de tanta agonia ninguém fica indiferente!
Enganar uma velhinha, NÃO É NORMAL!
O Luizinho, a Mariazinha, a Julinha, o Zequinha, o senhor do pão, a avó, o avô, o senhor juíz, o senhor da mercearia e até o senhor ministro numa só voz disseram:  _ENGANAR VELHINHAS RESPEITÁVEIS E QUE DÃO EDUCAÇÃO NÃO É DE HOMEM com H!
_ NÓS VAMOS PAGAR A TINTURA DE IODO, OS PENSOS e AS GAZES antes que a Europa se evapore com as próteses!
Agora a Xicolinha está muito mais feliz à espera que tu também te lembres de como foi boa a educação que recebeste.
O NORMAL é respeitar quem dá educação.
O NORMAL é respeitar os mais velhos.
O NORMAL é não faltar à palavra.
O NORMAL é ajudar quem precisa!”

Rosa Maria

 

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