Todos reconhecem o excesso de manuais escolares e a rapidez com que novas edições são feitas ou alteradas definitivamente devido a novos programas e hoje o público dá destaque a esse tema.
Porque não começar a questionar porque antigos secretários de estado orbitam à volta desses grandes grupos editoriais?
Manuais escolares, um problema português
Todos os anos, escrevemos neste jornal sobre a dificuldade que os pais têm, em Portugal, em reutilizar os manuais escolares que herdaram de irmãos, primos ou amigos. Foram aparecendo ideias novas, como o Clube dos Livros Escolares, que em 2008 tinha um serviço online de venda de manuais em segunda mão, mas que rapidamente foi obrigado a fechar por causa de uma providência cautelar da Texto Editores, do grupo Leya. Ou os bancos de trocas, que este ano tiveram muita procura. Há avanços e recuos.
Este ano, gastámos três borrachas a apagar manuais para nada
Em nome da liberdade de escolha, criámos um monstro. Só para o 2.º ciclo há 178 manuais escolares: 14 são de Educação Física.
Página a página, estes manuais escolares são quase 80% iguais
Quem já tentou usar manuais escolares de irmãos, amigos ou bancos de trocas sabe que as novas edições são muito parecidas. Mas exactamente quanto e em quê?

Prepare-se: este é um texto monótono. Vamos comparar, página a página, duas edições de Diálogos 5, o manual de Português do 5.º ano, de Fernanda Costa e Luísa Mendonça, editados pela Porto Editora em 2011 e em 2015.




5 comentários
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Os manuais escolares só são um problema porque o criaram e, como é habitual entre nós, se permitiu que se instalasse um grande negócio onde alguns tubarões terão muito a perder com a mudança de regras. Sendo assim acabam os pais e o Estado a sustentar essa gente.
A verdade é que se um governo de 4 anos não passa sem mexer nos programas, e se estes são de tal maneira pormenorizados em relação ao que os meninos devem aprender o como o têm de fazer, então não faz sentido pretender que os manuais durem 6 anos.
Desconhecia que o Pedreira é agora quadro dirigente da Leya, e isso é muito significativo. Mas há outras coisas que parecem não incomodar quase ninguém, como a
cartelização ao nível dos preços dos manuais escolares. Enquanto não houver concorrência de preços os manuais continuarão a custar muito mais do que efectivamente valem.
Desenvolvi o assunto em https://escolapt.wordpress.com/2015/11/01/manuais-escolares-o-eterno-problema-2/
Mais um dado…
O MEC determina o reaproveitamento dos Manuais escolares para os alunos abrangidos pela ASE.
Linhas gerais, um manual é desvalorizado em 30% e “reintroduzido” no sistema. Poupança para o país ou reforço da ASE.
MAS…exatamente…há o problema relatado pelo “Público”.
Como o MEC resolveu
http://www.agvaf.edu.pt/feijo/avisos/Resposta%20ao%20Pedido%20de%20Esclarecimento.PDF
Não sei se esta informação é aplicada de forma generalizada. Suspeito que não pelo teor dos artigos do “Público” e protestos que leio nos blogues.
Sei que há AE que a aplicam com protestos:
-dos Enc. Educação dos alunos da ASE (que se sentem discriminados)
-dos prof. que reclamam ter mais que uma versão do manual
-de prof. que insistem em marcar “falta de material”
Para terminar, uma outra questão sobre o reaproveitamento dos manuais da ASE:
Havendo a restituição dos livros no final do ciclo, esta obrigação obriga a que um manual do 7ºano adquirido no 1º ano de adoção, apenas seja reutilizado UMA VEZ num ciclo de 6 anos.
Esta limitação (sem questionar o motivo que está na base) limita o reaproveitamento que poderia ser de 5 vezes a, em certos casos, 1 vez!
Relembro que o MEIC/ME/MEC tem uma editorial que nos anos 80 editava livros destinados aos alunos.
Mais em:
http://www.sol.pt/noticia/412669/manuais-escolares-sob-suspeita
Não se justifica a compra de livros todos os anos. Aguarda-se que o novo governo ponha termo a esta “vergonha” por parte das editoras.
Tudo isto é uma vergonha. O Grupo Leya (ASA, Texto Editores, Sebenta…) e o Grupo Porto Editora (Porto Editora, Areal Editores, Raiz Editora…) são extremamente poderosos. Este negócio envolve anualmente muitos Milhões de Euros.
O Mercado do Livro Escolar é apetecível.
Adotem o exemplo de outros países europeus como a França em que os Manuais Escolares são reutilizados ano após ano. Nós portugueses – uns pelintras – adquirimos livros NOVOS todos os anos.
Isto é uma das maiores vergonhas e tem o apoio da maioria dos professores que até vão a umas apresentações de manuais a Hoteis de Cinco Estrelas e ficam todos com o EGO maior que um elefante….Uma VERGONHA
http://vespaaabrandar.blogspot.pt/2015/11/sobre-os-manuais-escolares.html