Directores dizem que concurso dificulta substituição de professores de baixa
Associação Nacional de Dirigentes Escolares quer que o próximo Governo encare o concurso para professores sem vínculo como uma prioridade.
O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (Ande), Manuel Pereira, afirmou nesta segunda-feira que há escolas com professores em falta “durante largas semanas”, devido à ineficácia da Bolsa de Contratação de Escola. “O próximo Governo tem de encarar este problema como uma das prioridades na área da Educação, porque são muito mais os alunos prejudicados do que se pode imaginar”, afirmou.
Em causa está o concurso através da qual são colocados docentes sem vínculo nos 304 agrupamentos de escolas TEIP (Território de Intervenção Prioritária) e com contrato de autonomia, a BCE. Segundo Manuel Pereira, “a comparação com o caos que se verificou em 2014 com aquele concurso fez com que se desvalorizassem, este ano, muitos outros aspectos em que ele se mostra ineficaz”.
“A colocação inicial correu bem, comparando, lá está, com o que ocorreu no ano anterior. Mas as substituições de professores por baixa médica transformou-se num pesadelo”, enfatizou. No agrupamento que dirige, em Cinfães, faltam dois professores, um para o ensino básico e outro para a formação de adultos. Num caso os alunos estão sem aulas desde Setembro e no outro desde Outubro. “A falta de dois professores só parecerá pouco a quem não fizer contas. Um professor dá aulas, em média, a cinco turmas. Se cada uma tiver entre 25 a 30 alunos estamos a falar de muitas centenas de pessoas prejudicadas”, disse.
Na prática, a BCE não consta de um concurso, mas de muitas centenas: tantos quantos os agrupamentos de escolas e, em cada uma destas, o número de grupos disciplinares. No limite, um mesmo professor pode concorrer a cada uma das 304 escolas do país e a vários grupos de disciplinas, sendo que em cada escola ocupará lugares diferentes nas listas, de acordo com a sua graduação profissional e os critérios definidos pelas direcções dos estabelecimentos de ensino. Pode, também, ficar colocado simultaneamente em várias escolas e enquanto não escolhe um dos lugares (para o que tem um prazo de 24 horas) bloqueia todas as vagas, impedindo que os directores chamem os seguintes nas listas.
A questão, diz Manuel Pereira, é que à medida que os professores mais bem colocados entram nas escolas as dificuldades de contratação aumentam. Isto porque quando é necessário substituir um docente, as escolas não podem chamar o primeiro “não colocado” da lista. “Têm de regressar ao primeiro e contactar todos, sucessivamente, para saber se desejam o lugar, já que durante 15 dias (se o horário for temporário) ou um mês (se for anual) após o primeiro contrato, os profissionais podem optar pela segunda colocação”, explicou.
O MEC tomou medidas para retirar da lista professores colocados, mas estes podem reverter o processo e manter-se em concurso, o que muitos fazem, na esperança de obter uma situação mais favorável ou devido ao risco de uma substituição temporária terminar.
“Tanto na minha escola como noutras aconteceu professores aceitarem o contrato e depois denunciá-lo. Isso faz com que tenhamos de esperar que decorra a reserva de recrutamento, que é semanal, e, depois, recomeçar o processo do zero, o que é uma loucura”, comentou Manuel Pereira. Considera “especialmente “ridículo” que, nestas circunstâncias, os directores continuem a receber quatro e-mails por dia dos serviços do Ministério da Educação, enviados de forma automática pelo sistema informático, alertando-os para a necessidade de preencherem as vagas.
O presidente da ANDE diz aguardar “uma solução definitiva para o Governo para falar com o titular da Educação” alertando-o para a necessidade de encontrar uma solução “que respeite a autonomia das escolas e seja eficaz na colocação de professores”.




8 comentários
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Com muito respeito mas também como toda a clareza e sinceridade, na minha opinião, e daquilo que conheço (que com certeza não será tudo), muitos destes diretores estão apenas a “deitar-se na cama que eles próprios quiseram fazer”, a propósito da autonomia.
Desde o início de tudo isto, que começou com as contratações de escola, que eu digo o mesmo. Foi uma forma de em muitas escolas serem colocados aqueles que os diretores queriam, enquanto contratados, a pretexto de definições de perfis duvidosos, em muitos casos, por demais denunciados e noticiados. No entanto, este argumento da escolha destes perfis caía logo por terra quando nos horários eram colocados professores com vínculo, cujo perfil, fosse qual fosse, a escola tinha que aceitar e era (é) com esse professor que tinha (tem) que trabalhar e esse professor adaptar-se às situações, como sempre vamos fazendo.
Agora, com a BCE, a escolha de determinados professores mediante certos perfis, também ficou bastante condicionada, não podendo, apesar de tudo, os lugares, em muitos casos, já estarem mais ou menos destinados, como inicialmente muitos pretendiam. A par disto e doutras complicações, e atrasos que este concurso acarreta, os Diretores já não estão a concordar com ele. Percebe-se!… O poder discricionário que muitos puseram em prática, durante muito tempo, está a esvair-se…
Além de todas as injustiças que isto (a par das reconduções) tem provocado ao longo dos tempos para muitos professores contratados, com ultrapassagens flagrantes que permitiram a entrada nos quadros de muitos com graduações muitíssimo inferiores a outros que ficaram de fora.
Mas sobre estas questões, também nunca se ouviram os sindicatos a debater e reivindicar como para outras situações… Embora, apesar de tudo, tenha sido “um bocadinho” mais visível nos últimos tempos…
Plenamente de acordo!!
Estou de acordo com tudo o que disse.
Arlindo
Tem algum motivo para ficar satisfeito?
Pensa que estão a defender o concurso nacional???
Se pensa deve ler com muita atenção o ultimo paragrafo!!!
“O presidente da ANDE diz aguardar “uma solução definitiva para o Governo para falar com o titular da Educação” alertando-o para a necessidade de encontrar uma solução “que respeite a autonomia das escolas e seja eficaz na colocação de professores”.
o que eles querem é autonomia… para colocar os amiguinhos nos lugares, qual autonomia qual que.. o que é preciso é um concurso único que respeite o tempo de serviço de cada professor… é que a educação atual não é para quem quer é para quem tem padrinhos….
oh, the irony…
Graduação profissional – ainda é o melhor indicador. Tudo o resto é uma grande trapalhada. Desgaste Ministro e não é uma mais valia para as escolas. Esta BCE criou muito trabalho para as direções, injusta entre pares, ineficaz na seleção do candidato, uso de critérios duvidosos…. enfim. Está aqui alguém que me consigo defender esta BCE!!!! gostaria de ouvir outras opiniões.
https://oduilio.wordpress.com/2015/11/17/por-que-tem-os-professores-contratados-uma-associacao/
Depois no 1º ciclo o professor de apoio substitui o professor em falta… não há apoio e segue para bingo!