A medicação de crianças com NEE, refletida por David Rodrigues.
Medicalização da Educação
Eu, à semelhança de muitos portugueses, tenho excesso de peso.
Este excesso de peso afecta-me em variadas áreas da minha saúde, da minha funcionalidade e, helas, da minha estética. Tenho tentado perder peso mas… por cada meio quilo que perco, logo um quilo inteiro vem apressadamente colmatar a ausência do meio quilo perdido. E assim, os meus esforços não têm sido muito bem-sucedidos. Sou bombardeado com produtos para emagrecer: “perca três quilos numa semana sem dieta nem exercício”, “chega de excesso de peso: perca cinco quilos em duas semanas”. Confesso que são propostas sedutoras. E são sedutoras porque me prometem eliminar as consequências sem ter que intervir nas causas.
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7 comentários
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Se é verdade que há excesso de medicação em alguns casos diagnosticados de hiperatividade, também é verdade que este discurso de “o problema é a escola não o aluno” também não leva a lado nenhum. Há casos em que é necessário de facto a medicação. São casos graves e que sem esse reforço nunca progredirão nas aprendizagens. Este tipo de artigos escrito por senhores professores universitários, no conforto dos seus gabinetes, só vem colocar em causa o trabalho de médicos e semear a dúvida em famílias que lutam pelo melhor para os seus filhos.
Agora relativamente aos restantes casos, os falsos hiperativos, também não vi o senhor professor adiantar soluções. É preciso uma nova escola. Brilhante. Eu agora escrevo “é preciso reinventar a família” e também quero aplausos. O que eu queria eram soluções concretas. Estratégias. O que fazer quando numa sala de 30, há um menino que nem sentado consegue estar? Que está sempre a ter intervenções descabidas que o tornam o alvo de gozo dos colegas e impedem uma aula normal? Que não conseguem cumprir a instrução mais básica? Conversa da treta estamos todos fartos. Não as alimentamos nós.
O artigo é interessante porque é um tema do quotiano das escolas mas é teoria e mais teoria, tudo muito bonito, eduquês “do bom”.
Isto de querer ensinar tudo a todos faz com que a maior parte dos alunos saiba pouco de quase tudo, isto porque a escola portuguesa não dá as competências que deveria dar aos alunos em muitas áreas.
Um aluno que faz o 12.º ano, por um percurso regular, está completamente limitado, formatado, impreparado para entrar neste mercado de trabalho de Portugal do século XXI, 2015.
Fazer das crianças e jovens, toxicodependentes precoces é o educacionalmente correcto?
Não.
Fazer da escola, uma escola diversa é o caminho a seguir.
Por exemplo, não vale a pena ensinar a resolver equações a quem não quer aprender ou não simplesmente não consegue.
Os pais, professores e teóricos da educação deviam meter isso na cabeça de uma vez por todas.
“Não vale a pena ensinar a resolver equações a quem não quer aprender ou não consegue”…Eu defendo que é preciso demonstrar na prática a utilidade de aprender determinados conteúdos, ou seja é preciso motivar estes alunos demonstrando que saber resolver equações, neste caso, vai facilitar e melhorar a eficácia de uma determinada tarefa nas suas vidas práticas..DAR EXEMPLOS CONCRETOS!! Ninguém é burro! Uns têm apenas mais dificuldades e ritmos diferentes e precisam de verem “in loco” para que serve o que estão aprender! E preciso explicar o objectivo (para que serve isto ou aquilo…) para que haja real interesse em aprender…
Perfeitamente de acordo! Devemos entender que os nossos alunos já não se contentam apenas com o que dizemos, já não acreditam piamente em nós… É preciso demonstrarmos que sabemos e que o que dizemos é válido, é a verdade… Só aí ganhamos a confiança dos alunos, a sua estima, o seu apoio. Mas também é preciso demonstrar-lhes que o trabalho feito por nós foi fundamental para sabermos o que sabemos, para que eles possam fazer um trabalho semelhante… senão, desmotivamo-los.
Parece-me importante refletir o que este artigo refere. O primeiro problema surge logo nas turmas c 30 alunos que dificultam a diferenciação pedagógica. Quem conhece o trabalho do professor David Rodrigues, sabe que ele dá, por norma, sempre propostas práticas, exemplos que pedagogicamente podem ser aplicados. Os anteriores comentadores, porém, referem dois aspetos igualmente interessantes – por um lado, a persistência dos eduquês de teóricos de gabinete – não é o caso de DR, – por outro lado, as próprias famílias que, de olhos fechados, se entregam aos médicos sem ouvir, por exemplo, os professores que trabalham diretamente com estes alunos e que não conseguem impor regras porque elas tb n existem em casa. Há que mudar a escola, há que mudar as famílias, ha que mudar os médicos, há que criar uma rede de interação entere todos e, sobretudo, há que reduzir o nº de alunos por turma. É inacreditável a exigência do mEC de turmas com Nees sem redução…
queremos propostas concretas para estes problemas: O que fazer quando numa sala de 30, há um menino que nem sentado consegue estar? Que está sempre a ter intervenções descabidas que o tornam o alvo de gozo dos colegas e impedem uma aula normal? Que não conseguem cumprir a instrução mais básica?
Excelentes questões!
Andamos todos a fazer de conta: o MEC a fazer de conta que se preocupa com as aprendizagens quando permite turmas de 30 alunos…
Do conhecimento que eu tenho, há turmas de 30 alunos, mas também há turmas de 15 ou 16 alunos…
As crianças e jovens são extremamente crueis com os seus colegas que são, por algum motivo, diferentes.
Os professores, cansados de tudo, das burocracias, das papeladas, dos 30 alunos a falar ao mesmo tempo, a mexer nos telemóveis, a rir, a levantar-se, sem qualquer propósito razoável, enfim, de tudo, começam a deixar andar, a apenas reagir ao que vai acontecendo.
Os médicos e os “psis”, não querendo pôr em causa o funcionamento da família, sugerem medicação para a criança, porque é o caminho mais fácil… é bem mais difícil dizer aos pais… “Bom, a causa destes problemas do seu filho é a maneira com o senhor/a se relaciona, ou não se relaciona, com ele.”
E os teóricos da educação fazem de conta porque é isso que sabem fazer, formaram-se nessa área…