Concorrência Desleal

Chegou-me por mail este caso.

Em Monção, onde existe um agrupamento, cuja escola secundária tem desde há muitos anos cursos profissionais e uma escola profissional tem agora a feroz concorrência de uma empresa de formação, que pasme-se, oferece além de inúmeras regalias, ainda a oferta da carta de condução. E parece que em outros concelhos, com outras instituições acontece algo semelhante. O que parece estar na moda é oferecer cartas de condução.

 

 

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    • trill on 21 de Junho de 2013 at 21:05
    • Responder

    Há uma professora da Escola EB 2+3 de Moura em greve de fome desde 3ªfeira à noite. Susana Valente tem 41 anos é professora de Português e Inglês e decidiu avançar com este protesto para dar visibilidade à luta dos professores que, na sua opinião, vivem neste momento uma situação de desespero devido às politicas seguidas pelo ministério tutelado por Nuno Crato.Ainda segundo Susana Valente os professores têm sido “desautorizados” e “enxovalhados”, por isso, apela à luta e à união dos seus colegas de profissão.

    http://www.vozdaplanicie.pt/index.php?go=noticias&id=411

  1. O tal ensino-dual: para aqueles que quiserem seguir a via “profissionalizante” oferecem (quase) tudo. Estas empresas pagam aos formadores entre 5€ a 10€ hora e estes:não podem ficar doentes; não podem fazer greve; não podem contestar o quer que seja; não têm subsídio de férias;a generalidade (ainda) não têm direito a subsídio de desemprego; pagam IRS e segurança social do bolso deles (e eventualmente iva) e recebem, se chegarem a receber, quando a entidade decide (a desculpa oficial é sempre as famosas “cativações” de pagamentos do POPH)
    Isto é aquilo que uma ampla maioria política (incluindo algumas facções do PS) quer como modelo de “escola pública”: concessionada a terceiros; sem chatices com greves e manif’s do professorado; toda a gestão intermédia a dizer a uma só voz “yes!”; custos unitários de trabalho com professores mais barato que com a senhora a dias dos “doutos” e “engenheiros” deputados.
    Se forem ver ao diário da república vão ver que existem centenas, senão milhares de entidades, na esfera da educação/formação, que “sugam” paletes de verbas provenientes de fundos comunitários.

    Depois, «vivemos acima das nossas possibilidades» pois «não há dinheiro» e, como tal, «os professores têm de fazer mais com menos». Ou seja, numa linguagem muito simples: corta-se parte substancial do financiamento da escola pública, esvazia-se de professores com capacidade reivindicativa e, no fim, a única solução possível é vendar a retalho aos tubarões que pacientemente esperaram por um negócio com uma renda vantajosa e garantida.

    É por isto que fiz, até hoje, greve às avaliações e greve ao exame nacional no dia 17.

    Declaração de interesse: sou professor contratado há 10 anos, sem filiação ou simpatia partidária e não sindicalizado.

  2. «serviços administrativos da Tríade»?

    Em Macau e na China, as Tríades são organizações mafiosas…

    • Revoltado on 21 de Junho de 2013 at 22:11
    • Responder

    E ando eu aqui a gastar dinheiro com vários cursos superiores. Há dez anos que ando a requalificar-me…a gastar dinheiro para nada. Para o ano vou ficar desempregado…vou ver se me aceitam num desses cursos…pelo menos não morro à fome!!!!

    • Shue on 21 de Junho de 2013 at 22:17
    • Responder

    Ó Arlindo!
    Sinceramente… que esperavas de uma “sociedade” denominada Tríade?
    Não vês filmes?!

    😆

    • Maravilhas on 21 de Junho de 2013 at 22:33
    • Responder

    Na minha escola, em LISBOA, puseram uma dessas escolas profissionais dentro do mesmo edifício da escola!
    Com a mesma oferta curricular de cursos profissionais, e a oferecer bolsas e passe e afins.
    Dentro do mesmo edifício!
    Uma das festas da (…) Mª de Lurdes Rodrigues.

  3. Uma coisa me espanta… é uma escola privada, oferece cursos com as regalias que podemos ver, provavelmente com o uso de dinheiros públicos. Os sindicatos não aproveitam este caso para encher manchetes dos meios de comunicação e alertar para este possível caso de corrupção e/ou péssima gestão de dinheiros públicos.
    Parece-me que vivemos numa sociedade onde imperam os lobbies, a nossa classe não consegue entrar nesta actividade e fazer pressão ao poder político como deveria.

    Fiz greve, farei greve durante os próximos dias mas parece-me que de pouco valerão. Em Setembro já ninguém se lembrará do que se está a passar agora. Ainda por cima, estas manifestações estão associadas a ideais de esquerda e pouco efeito têm na maioria da opinião pública. Seria muito mais eficiente entrar nestes sistemas de interesse, usando-os a nosso favor…

    Com os meios de comunicação que existem agora, com a facilidade de trocar informação e com a quantidade de elementos da nossa classe, seria bom criar uma associação, APARTIDÁRIA, sem fins lucrativos, constituída por voluntários, que começassem a trabalhar nesse sentido. Começaria-se por reunir listas de contactos, de todas as áreas de interesse. Depois começar a recrutar elementos próximos dos contactos. O passo seguinte seria fazer passar informação de interesse. Como exemplo: já repararam na quantidade de dias que passa nos noticiários matutinos informação sobre uma doença, ou sobre um medicamento? Aposto que é uma associação deste tipo a mostrar trabalho!

    O passo seguinte seria fazer pressão agressiva ao próprio poder político, desde a direita à esquerda.

    O nosso ministro movimentou-se em tempos muito bem neste mundo dos lobbies! Na altura parecia que defendia o ensino português. Agora verifica-se facilmente que apenas fazia trabalho em benefício próprio e dos seus amiguinhos do ensino superior. Os sindicatos também têm interesses pessoais e partidários, nunca conseguirão fazer este trabalho.

    Dito isto, concluo que, a não existir movimentações neste sentido, estaremos condenados a sucumbir como cordeiros a lobos…

    1. Concordo contigo nos seguintes pontos:
      -> «Parece-me que vivemos numa sociedade onde imperam os lobbies, a nossa classe não consegue entrar nesta actividade e fazer pressão ao poder político como deveria.»
      -> «Fiz greve, farei greve durante os próximos dias mas parece-me que de pouco valerão. Em Setembro já ninguém se lembrará do que se está a passar agora.»

      No entanto, julgo não ser possível a criação de uma associação nos moldes como defendes pois, em Portugal, não existe uma democracia universalmente participada mas sim uma “partidocracia” participada por alguns. Como tal, esses alguns, são os veículos privilegiados (senão mesmo exclusivos) com capacidade suficiente para passar informação em “grande escala” e, desta forma, a influenciar a opinião pública e o poder político. Daqui decorre que, em Portugal, para se conseguir fazer lobby, são precisos estes “alguns”.

      A Lei Base do Sistema Educativo, elaborada em 86 por Roberto Carneiro, criou viveiros para o crescimento destes “alguns” no setor do ensino. 25 anos depois, eles são enormes, de dentes afiados e sempre de olho na presa: a «escola pública».

      A associação que defendes precisa, a meu ver, de ter “peixes de águas profundas” ligados às máquinas partidárias do arco governativo. São estes que conseguirão convencer o poder político que a «escola pública» tem pernas de maratonista. Só precisa que a deixem correr!
      Claro que não existem almoços grátis: a escola pública “partidocratiza-se”. Aliás, se olharmos para a generalidade dos diretores da «escola pública» percebemos que este movimento está em marcha já há alguns anos e bastante generalizado.

      Deixo-te um exemplo real do poder dos peixes de águas profundas:
      Numa das maiores escolas de ensino cooperativo do país a cúpula dirigente é constituída por 2 elementos ligados ao PS, 1 do PSD e um do CDS (todos a operar nos bastidores do teatro político). No tempo da Maria de Lurdes Rodrigues, aquando da assinatura de um protocolo, estiveram presentes os 2 elementos do PS, o secretário de estado (PS) e o então governador civil (PS). Três anos depois, num novo protocolo, 2 elementos da “direcção” (1 PSD e o outro CDS) e um secretário de estado adjunto (CDS). A notícia de uma simples assinatura protocolar foi transformada pelos dois jornais regionais num significativo evento para a região. Adivinha lá quem controla indiretamente cada um destes jornais?
      Mesmo ao lado, uma escola pública não conseguiu ver publicado uma simples notícia que as obras de remodelação tinham terminado e que a escola estava apetrechada com bons laboratórios e uma nova oficina…

      Fica, à consideração dos leitores, o potencial polémico da minha opinião.
      Cordialmente

      1. O exemplo que dizes reforça a ideia da necessidade de tomar uma atitude séria e centrada no que realmente interessa à classe. É necessário ter “peixes de águas profundas”, claro. Numa instituição privada é fácil aceder a esse peixe porque o engodo dos subsídios e corrupção atraem esse peixe e ao qual a escola pública não tem acesso. Mas continuo a afirmar que seria possível…

        Este blog é um bom exemplo disso, apesar de centrar o foco para o seu criador e nos seus interesses pessoais. Se um blog deste tipo fosse mantido por um grupo bem estruturado, se o dinheiro da publicidade fosse na totalidade para a causa, talvez se começassem a dar passos nesse sentido. No brasil a revolução começou assim… por passos pequenos de um grupo de pessoas anônimas.

    • Maria on 21 de Junho de 2013 at 23:58
    • Responder

    Queremos ouvir NUNO CRATO. Será este tipo de oferta que Nuno Crato ambiciona para os nosso alunos?? será que esta escola vive do dinheiro dos contribuintes ? quanto custa ao estado esta “brincadeira” ? quem são os diretores/administradores deste Centro ? O ensino tornou-se uma “palhaçada” que se resumo compre UM e leve DOIS. Onde está o Ministro da Educação…

    1. Está feliz da vida… está à espera que venha justificar o que acha bem? O Nuno Crato e o Passos sempre defendeu a privatização do ensino. isto é o neoliberalismo a funcionar…

    • maria silvia on 22 de Junho de 2013 at 9:27
    • Responder

    Esta situação “vergonhosa” não ocorre apenas em Monção. Por todo o país, de norte a sul, proliferam este tipo de “escolas” com ofertas aliciantes para os jovens (onde se incluí o IEFP) com cursos concorrentes aos oferecidos pelas escolas públicas da mesma cidade. Devemos estar bem atentos a esta situação, pois a curto prazo veremos a nossa população escolar reduzida para metade e os nossos dirigentes a afirmarem que terão de dispensar professores visto que o número de alunos diminuiu. Estas situações, de entre outras, são as que nos deverão levar a alertas e manifestações de protestos.

    • Cristina de Brito Lourenço Fernandes on 22 de Junho de 2013 at 10:44
    • Responder

    Para Filipe Filipe
    Estou plenamente de acordo com a tua estratégia.Podes contar comigo para o desenvolvimento da mesma. e apelo a que outros se associem.

    • PipaII on 22 de Junho de 2013 at 18:13
    • Responder

    No meu agrupamento a direção regional só autoriza a abertura de 1 curso profissional no próximo ano e não pode ter formador externo.
    As escolas profissionais mais próximas ficam a 50 Km, mas se oferecem isto tudo os alunos nem pensam dus vezes.
    Agora como é que têm dinheiro para tudo isto é nas escola nem sequer se pode contratar um formador externo, o fundo de financiamento não é o mesmo?

    • Zaratrusta on 23 de Junho de 2013 at 10:41
    • Responder

    É a educação à La Crato.
    Os sindicatos o que têm a dizer? É que são “pequenas” coisas destas que vão destruindo a Educação. A mobilidade especial é apenas o resultado natural de todas estas medidase e, no lugar de se atacarem as causas, estão-se a atacar as consequências.

    Uma palavra para o matematicus e para o Filipe: é bom ver por aqui opiniões esclarecidas e comentários com pés e cabeça. Bem-vindos.

    • maria on 23 de Junho de 2013 at 11:42
    • Responder

    Esta instituição de “vão de escada” faz concorrência desleal à escola pública! Se é grave a “oferta” mais grave é o facto de pelo menos um curso existir na escola pública e uma das sócias da empresa ser subdiretora da própria escola pública! Um verdadeiro escândalo.

    • Dália on 23 de Junho de 2013 at 16:13
    • Responder

    Maria
    Os professores do público também são sócios do setor privado da educação quando aí acumulam, tirando emprego a jovens que querem trabalhar e não têm oportunidades.
    Para não falar dos professores reformados que trabalham nos colégios privados!

  1. […] em Junho tinha postado isto sobre Monção e ao que parece o feitiço ainda por lá […]

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