Carta Aberta ao Ministro da Educação

Com pedido de divulgação.

Caríssimo Doutor Nuno Crato,

Antes de mais deixe-me dizer-lhe que o tenho em grande consideração e que fiquei muito satisfeito quando o vi à frente dos destinos do Ministério da Educação e Ciência, pois comungo de muitas das opiniões que me habituei a vê-lo defender antes de assumir o cargo que hoje ocupa. (mesmo aquelas que fazem mossa a muitos colegas como o caso do exame de acesso à profissão)

Sou Licenciado em Ensino de Matemática pela Universidade do Minho e desde 2005 que ocupo lugares como professor contratado em escolas públicas. Ao longo destes anos sempre me envergonhei das entrevistas que nos meses de Setembro inundam as nossas televisões com relatos deprimentes de colegas meus a lamuriarem-se por, sob o fado de serem professores se verem sujeitos a estar deslocados a centenas de quilómetros de casa, ou pior do que isso a sujeitarem-se às mais mirabolantes viagens diárias, querendo (face à opinião pública) culpar o ministério dessa realidade.
NUNCA CONCORDEI COM ISTO!!! A minha postura sempre foi, “só ali foram colocados, porque em fase de concurso EXTERNO a isso se dispuseram, tendo colocado o código(s) de tal situação”

Para nunca incorrer em tal situação sempre fiz os meus concursos sob uma consciência profissional e pessoal assentes na razoabilidade, ou seja quando era mais novo e livre de encargos familiares concorri e estive deslocado em várias zonas do país (ilhas incluídas) por entender que estava disposto a tal. Há medida que os anos foram passando e que as minhas responsabilidades familiares foram aumentado, fui condicionando as minhas opções de concurso. A minha consciência profissional diz-me que não posso querer agarrar uma colocação a qualquer preço. A minha consciência, diz-me que não posso querer agarrar um lugar a 120km de casa e depois acreditar que fazendo 240km por dia posso ensinar Matemática como deve ser, ou posso ter tempo e capacidade para preparar as minhas aulas , ou ainda que o montante que me sobre entre gastos e proveitos me é suficiente para subsistir (conheci um colega que fazia Gaia – Oliveira do Hospital – 175kmX2 todos os dias!!!!!). Sob esta consciência tenho feito concursos que me podem colocar em contratos menos almofadados, mas exequíveis.

Este ano não entendo o que e que o MEC pretende com as novas regras do concurso externo de professores. Qual é o objectivo prático da obrigatoriedade de um número mínimo de escolas, concelhos e QZPs? Já pensou que obrigar profissionais externos aos quadros a terem de se candidatar a um número mínimo de opções seria o mesmo que obrigarmos os nossos jovens candidatos ao ensino superior terem de se candidatarem a um número mínimo de cursos ou Universidades distintas? Acha que isto faz sentido?

O Doutor Nuno Crato que me habituei a ouvir e ler não pode concordar com isto! Tenho a certeza!
Será que tinha real consciências desta situação? Quer um exemplo para que possamos ver e sentir melhor do que podemos estar aqui a falar? Ok… se quiser pode descarregar o mapa anexo para me seguir mais facilmente…

Imaginemos o meu caso (professor de matemática há 7 anos com uma graduação a nível nacional confortável (posição 1000 p.e.)) mas a morar em Castro Marim (cod.0804) e por já estar na tal posição minimamente confortável (no meu grupo) costumo concorrer a 8 ou 10 concelhos em torno do meu de residência num raio de 60km apanhando escolas de 2 QZPs, (08 – Algarve e 02 – Baixo Alentejo) mas não aos QZPs inteiros pq trabalhar em Mértola (cod.0209) é mais vantajoso do que ir para Aljezur (0803). E tenho sempre tido colocação.
Ora este ano, com o mesmo perfil de professor externo sou obrigado a concorrer a 2 QZPs inteiros (cod. 08 e 02 escolhidos por razões óbvias), o que na prática quer dizer que estou disponível para trabalhar por exemplo em Grândola (cod.1505) a cerca de 220km (2:20h) da minha residência! Mas isto não pode ser verdade!!! Eu de facto não estou disponível para tal! A minha graduação por ser confortável vai colocar-me bem posicionado no caso de existirem vagas em Grândola, mas aí eu vou ter de fazer mais de 440km por dia para ir trabalhar ou mudar-me para lá por um ano a troco dos mesmos 1000€!

Está ver o perverso que isto é? Não poderia ficar nessa escola de Grândola o colega que é 1001 e por acaso até mora lá e sempre concorreu para essa escola? Face a esta opção para mim o melhor era mesmo ficar sem escola! Agora desta forma se eu depois de ser lá colocado não me disponibilizar a ir… fico 2 anos sem poder concorrer!

Há quem sugira que estas alterações foram conscientes e propositadas, para que os contratados não concorram (a malta da teoria da conspiração), o que eu não acredito!!!! Acredito mais que quem fez isto só olhou para Lisboa, onde facilmente temos 2 QZPs (cod. 23 e 11) com uma distância máxima de 60km (Cascais – Vila Franca de Xira)

Por isso peço-lhe que olhe para o Decreto-Lei 132 de 06/2012 (que como por magia passou a regular um concurso público que foi aberto pelo MEC a 13 de Abril 2012) com o espírito critico e a inteligência que sempre me habituei a ver nas suas argumentações. Olhe essencialmente para esta questão dos números mínimos obrigatórios e convença-me e convença-nos que há alguma lógica e justiça nesta situação.

Neste momento sinto que, sob a ditadura das aplicações informáticas, há milhares de professores contratados que vão concorrer para centenas de escolas onde não estão dispostos nem capazes de trabalhar criando, pela primeira vez na história dos concursos de professores, argumentos (agora VERDADEIROS) para milhares de dramas profissionais e pessoais dos professores portugueses.

Como profissionais externos a qualquer quadro podemos não ter grandes direitos (mesmo que já o sejamos há 14 anos, como é o caso da minha mulher) mas o mínimo que gostaríamos de sentir por parte do nosso país, em geral, e do governo, em particular, era o mínimo de respeito pelas nossas vidas.

Grato pelo tempo que me dispensou e certo da sua reflexão inteligente sob o exposto,
Com os melhores cumprimentos

Rui Ferreira

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2012/07/carta-aberta-ao-ministro-da-educacao/

37 comentários

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  1. Esta obrigatoriedade é inaceitável….

    • Revoltado on 31 de Julho de 2012 at 11:38
    • Responder

    Revoltante o primeiro paragrafo escrito por este colega. Como é possível este senhor ser a favor da prova de ingresso na profissão e depois vir queixar-se de injustiças como as que mencionou a seguir. Tal como ele, eu sou de longe dos grandes centros do pais e tive que fazer grandes sacrifícios conjuntamente com os meus pais para poder durante 5 anos tirar com todo o mérito uma licenciatura longe de casa, que me possibilitasse leccionar. Agora e depois de vários anos de serviço vem dizer que não presto para dar aulas??? Andaram a enganar-me a mim e á minha família. Acham isto justo? Acham isto bonito? Imaginem que eu tenho um dia mau no dia da prova e não tenho nota suficiente. O que faço a seguir? Já não presto para dar aulas, não tenho formação para exercer mais profissões. É revoltante andarem a enganar famílias inteiras durante estes anos…e agora num ápice poderem ir anos e anos para o lixo! TENHAM VERGONHA E NÃO SEJAM VIGARISTAS.

    • Silva on 31 de Julho de 2012 at 11:40
    • Responder

    Acho engraçado que quem defende a prova de ingresso são aqueles que não têm que a fazer!!!! (se tivessem de a fazer já seriam contra)

  2. É ridícula a Prova de Ingresso, sem dúvida! Frequentei sempre o Ensino Público e uma Universidade Publica, para quê uma prova de ingresso? Não tem credibilidade o Ensino Público? Talvez esta prova fizesse sentido para os “meninos” das Universidades Privadas, que para mim, neste momento, é tudo colocado no mesmo saco: Católica, Lusófona, Lusíada, Moderna, Portucalense, entre outras! Esses sim, deveriam realizar prova de ingresso! Se tiverem alguma dúvida basta constatar as médias finais de curso desses “meninos”! Sempre a passarem-nos à frente!

      • Sandra on 31 de Julho de 2012 at 12:14
      • Responder

      COMPLETAMENTE DE ACORDO! Mas o ME tem medo de distinguir as coisas…os interesses financeiros estão acima do bom senso e do sentido de justiça neste país, é triste!

      • PC_mat on 31 de Julho de 2012 at 12:48
      • Responder

      Mais de acordo era díficil… =)

    • Silva on 31 de Julho de 2012 at 11:58
    • Responder

    Não podemos pensar dessa maneira. A prova é injusta quer para os que andaram numa pública quer para os que andaram numa privada. Temos é que começar a pensar em formas de luta para evitar que a prova seja uma realidade.

  3. Obrigada Rui por teres posto em palavras o que venho balbuciando há mais de uma semana! A mudança é explícita: OBRIGAM-NOS a concorrer a 2 QZP’s, 10 concelhos e 25 escolas e, no fim, colocam o botãozinho com as “palavras mágicas”: “CONFIRMAR SUBMISSÃO”!

    • rita on 31 de Julho de 2012 at 12:31
    • Responder

    Eu concordo com o colega relativamente às preferências dos concursos. Em relação à prova o colega também a devia fazer,talvez assim não falasse da forma que está a falar. Eu penso não a fazer(com mais de 16 de serviço), mas sou contra a prova e compreendo os colegas ,porque esta prova vai ser para eliminar ……. e mais não digo……..

  4. O engraçado no meio de tudo isto é que aos do quadro que estão em mobilidade não são obrigados a colocar estes mínimos e eles têm vínculo com o ministério.Nós, os contratados, que não temos qualquer vínculo obrigam-nos a concorrer a no mínimo 25 escolas/agrupamentos, 10 concelhos e 2 QZP.

    De facto não tem lógica nenhuma e é um atentado à liberdade individual, cada um deve poder concorrer para onde bem quiser.

  5. Relativamente à prova a mesma é uma aberração e um atestado de incompetência às universidades sejam elas públicas ou privadas.

    Isto faz lembrar as provas de ingresso da ordem dos advogados e outras em que só entra na profissão quem passar na prova.

    Esta ideia ridícula deve ter vindo de uma cabeça dessas que quis fazer o mesmo na educação.

  6. Assertivo, o texto, o comentário das públicas e privadas um pouco confuso, se fizerem as provas e a formação das privadas for deficitária e com notas inflacionadas, não será aí que se vê? pergunto. Não devia então o colega, ser a favor da prova? volto a perguntar.

  7. O que me envergonha é a arrogância e altivez deste tipo de discursos quando, no fundo, estamos todos no mesmo barco. O que me entristece é sentir que nos afundamos dia após dia devido à nossa inércia. Mais cedo ou mais tarde todos acabamos por sentir a fragilidade deste sistema e a fragilidade que ele reflecte nas nossas vidas profissionais e familiares.

  8. Obrigada Rui Ferreira por ter escrito estas palavras, com as quais não só eu me identifico, mas outros tantos professores contratados em situações idênticas. Não têm de nos tratar como números, nós temos vida pessoal, família e contas para pagar. Concorrer para longe de casa deveria ser uma opção e não uma obrigação.

    • Miguel Castro on 31 de Julho de 2012 at 13:04
    • Responder

    O Rui tem toda a razão nessa idiotice dos mínimos.
    Só é pena que defenda a parvoíce da prova de ingresso e depois dê erros de Português…

  9. O colega não leve a mal o que lhe vou dizer, mas tem de ser dito: sabe porque razão o ministro faz de si (e de nós) capachos? É por haver tanta gente que se trata a si própria como se fosse capacho de bandidos. Releia a sua carta: ela tresanda a subserviência, bajulação, servilismo, adulação, capachismo. Quer que os outros o respeitem quando nem o colega próprio se respeita? Comungava das ideias de alguém que sempre foi um reaccionário da direita neoliberal? Ficou admirado por ele ter sido coerente e aplicar as medidas reaccionárias neoliberais que defendia? Fica admirado por ele implodir com o ministério da educação depois dele dizer que iria fazer isso? , Trata-o por caríssimo, com muita consideraçãozinha, com amor e carinho e agradece-lhe o tempo dispensado por alguém tão inteligente a si, um pobre capacho? Faz tudo isso enquanto defende provas de ingresso que o defendam da entrada e concorrência de colegas mais novos? Uma prova que você próprio não teve de prestar? Sabe o que cantam nas manifestações, colega? Cantam: “votaste assim, agora toma lá”. O colega tenha mais respeito por si próprio, pare de bajular os superiores, pare com tantas comungações com ideias reaccionárias… e depois mude de queixinhas e pedidos para a luta, a luta que trás resultados e dignidade.

    • paulo on 31 de Julho de 2012 at 13:54
    • Responder

    caríssimo rui… não estimes o nuno crato… quem aceita ser ministro ou qq cargo politico em geral das duas uma… ou é jumento… o q n parece ser o caso… ao contrário do génio q tirou o curso em 3 meses… ou então tem interesses ocultos… é claro como água que a política é mais suja que o esterco…

    • Inês on 31 de Julho de 2012 at 15:08
    • Responder

    Qualquer universidade que tenha o curso homolgado pelo MEC, na minha opinião, quer dizer que o MEC o considera credivel. Logo… para quê mais provas? provas de quê, feitas por quem? por pessoas com ou sem prova? isso é ridiculo.
    Se algum curso está em modo “facilitismo”, deve-se retirar a sua validação perante o MEC, mais nada. o resto é complicar.

      • Sandra on 31 de Julho de 2012 at 17:46
      • Responder

      Também concordo…até porque agora há provas para entrar e para sair no caso de mestrado de bolonha…com as provas para entrar no mestrado eu até concordo…se não tem competência não anda a gastar dinheiro nem tempo à toa…procura outro rumo e deixa esta profissãozeca para procurar uma que lhe dê melhores condições de vida…Agora, fazer uma prova eliminatória no fim de um curso inteiro, depois de prestar várias provas com sucesso para o terminar….HAJA PACIÊNCIA!

  10. Concluindo, as medidas tomadas por este e outros governos são óptimas, só há um “problemazito” – a divisão dos qzps. Eu sugeria até que se fizesse uma petição a pedir a sub divisão dos qzps 8 e 2, para que o colega não tivesse de fazer centenas de quilómetros como fazem os colegas da Guarda, Castelo Branco, Viseu, Vila Real… que, por residirem em locais de fraca densidade populacional não têm outra alternativa ( ou fazem “mirabolantes viagens diárias” ou desistem da profissão).

      • Miguel Castro on 31 de Julho de 2012 at 16:02
      • Responder

      A isa sabe o que significa obrigatoriedade a concorrer a um limite mínimo?
      Não parece.

    • Ana Pinto on 31 de Julho de 2012 at 15:39
    • Responder

    Vá ao Palácio das Laranjeiras,levar a cartita em mão,e quiçá arranje um lugar fofinho,no call center dos admiradores.E assim evita escrever coisas inúteis e ridículas.

      • Miguel Castro on 31 de Julho de 2012 at 16:03
      • Responder

      A única parte ridícula é a referência à prova de acesso.
      Tudo o resto é mais do que válido.
      Ter obrigatoriedade mínima para concorrer é patético e só um atrasado mental se lembraria de tal coisa.

  11. “Ao longo destes anos sempre me envergonhei das entrevistas que nos meses de Setembro inundam as nossas televisões com relatos deprimentes de colegas meus a lamuriarem-se por, sob o fado de serem professores se verem sujeitos a estar deslocados a centenas de quilómetros de casa, ou pior do que isso a sujeitarem-se às mais mirabolantes viagens diárias, querendo (face à opinião pública) culpar o ministério dessa realidade…”
    Estes colegas que viajam centenas de Km por dia fazem-no porque querem ensinar, querem ser úteis e claro porque necessitam de um ordenado para pagar as suas despesas…
    Estas “lamúrias” acontecem porque no final do mês resta muito pouco ou nada e neste caso de mobilidade qualquer docente não recebe subsídio de deslocação, o mesmo não se pode dizer dos deputados da Assembleia da República que auferem ajudas de custo e de deslocação quando são os mesmos que se candidatam para o cargo…
    No que concerne à prova de ingresso…pergunto o que se fez nos quatro ou cinco anos de faculdade…
    Relativamente à mudança das regras do concurso é uma barbaridade mas começamos a ficar acostumados às incongruências por parte do MEC.”

    • Ana Costa on 31 de Julho de 2012 at 16:48
    • Responder

    O que me custa nestes comentários é o facto de os colegas, em vez de se concentrarem na questão – a violência que é sermos obrigados a concorrer para centenas de quilómetros de casa por 1000 euros – preferirem desancar em quem emitiu uma opinião e tomou uma posição. Por isso estamos onde estamos – desunidos e com o Crato a dizer que a contestação não é assim tanta. Enquanto não formos mais inteligentes a direcionar a luta e a identificar os problemas, nunca iremos lá…

    • Elisabete (Liza) on 31 de Julho de 2012 at 17:07
    • Responder

    Concordo com o que está escrito… Pena que só tenham acordado agora… isto já foi proposto no início do ano… 🙁 Eu bem avisei…

    • Maria on 31 de Julho de 2012 at 17:27
    • Responder

    Este menino, para se dirigir ao ministro, teve de denegrir os colegas, apresentando-se como um ser impoluto e cheio de razoabilidade, consciência profissional e por aí fora. Agora já põe a hipótese de ir parar a Grândola e de se queixar… coitadinho. Podia perfeitamente escrever a carta sem os comentários iniciais,onde dizia que tinha vergonha daqueles que eram seus colegas. É subserviente em relação ao ministro, ainda por cima. Infelizmente tenho encontrado vários assim nos últimos tempos. É da crise, temos de nos deitar abaixo uns aos outros.

    Podia escrever só a parte da carta em que critica o concurso, dar-lhe-ia toda a razão.

    • Mat Prof on 31 de Julho de 2012 at 17:36
    • Responder

    Tem ele responsabilidades familiares e temos todos nós, se calhar.
    Eu, pelo menos, tenho e só não tenho mais porque o meu país não deixa.
    E não deixará enquanto estiver no ensino pelo rumo que isto leva.
    A mim parece-me que cada vez mais a docência (pelo menos na escola pública) não se coaduna com aspectos menos importantes da natureza humana como a Família… (espero que compreendam a conceito da ironia).
    Os mínimos e os intervalos de horários, disse eu na altura da discussão do projecto de lei dos concursos, que só tinha desvantagens mas foi apresentado como uma vitória por alguns…
    Assim sendo, vejam lá as vitórias que vêm por aí sobre vinculação de contratados, indemnização por caducidade e outras coisas que tais.
    É difícil manter o optimismo com este panorama…

    • Prof on 31 de Julho de 2012 at 18:45
    • Responder

    Chamar um egoísta mimado subserviente de capacho não é desunir os que lutam, colegas. O egoísta Rui Ferreira sabe muito bem que só pensa no próprio umbigo e que não está em luta nenhuma, está só a pensar nele. Colo se vê pela cartinha bajuladora, ele nem se coíbe de criticar os colegas para mostrar-se como o lacaio que é, disposto a pontapear quem seja por umas migalhas.

    Quanto à luta contra o absurdo dos mínimos, claro que é uma luta importante. Quem critica os lacaios não se esquece de que esta é uma luta nossa. Digo nossa, não dos Ruis Ferreiras, que só pensam neles e que se não tivessem tb de cumprir os mínimos estariam a marimbar-se para os colegas, podem ter certeza. Ele abandonaria a luta no mesmo segundo em que conseguisse instalar-se.

    Esses Ruis Ferreiras sabem que são egoístas, já devem ter sido chamados de egoístas várias vezes pelos que os rodeiam. Eles não lutam, eles, como qualquer lacaio, pisam os de baixo e beijam o rabinho aos de cima.

    • JC Narciso on 31 de Julho de 2012 at 18:54
    • Responder

    Aparece aqui cada um…
    Todos temos a nossa história. Se cada um contasse a sua, daria para argumento de cento e tal mil novelas.

  12. Eu acho que a haver prova de ingresso na docência ela devia ser universal e, inclusivamente, os docentes efectivos também a deveriam fazer porque vê-se por aí muita acomodação, especialmente entre aqueles que estão em lugares mais confortáveis. Agora, acho inaceitável é que hajam professores com atitudes do género das que eu li nos fóruns da especialidade e no Facebook, ainda agora aquando da fase de manifestação de preferências, que coloquem dúvidas absurdas por tudo e por nada que roçam a completa estupidez, que não lêem os manuais dos concursos, que não conhecem a legislação básica, que pedem relatórios de auto-avaliação para não terem trabalho, enfim uma calamidade! Para estes uma prova de ingresso é muito pouco! Até admira como é que estas pessoas conseguiram tirar um curso superior! Que exemplo é que estão a dar aos seus alunos? É muito por causa de casos de incompetência chapada destes que a classe docente é vista pela sociedade da forma que é…

    • Revoltado on 31 de Julho de 2012 at 23:48
    • Responder

    Canalhas estes que querem criar a prova de ingresso! Concerteza que alguém irá ganhar uns “trocos” como fizeram com o Magalhães! Algum lobie vai tirar partido desta prova e encher-se de dinheiro à custa dos outros. Cambada de gatunos e de mafiosos…

    • Manel do Burro on 1 de Agosto de 2012 at 1:59
    • Responder

    O 1º tem razão,”vão para o estrangeiro” pois!!! Assim ficam cá os subservientes, por mesericordia deixem-me trabalhar!!! (todo o individuo tem direito ao trabalho). O desespero pode ser grande, mas temos a nossa dignidade . Por isso os Médicos conseguem e nós só de costas. É por estas que somos uma “classe muito bem vista” e com a dignidade em alta.

  13. HB, leia a legislação e verifique que o que diz não é verdade. “Os dos quadros”, como diz, não concorrem apenas a um QZP. “os dos quadros” são professores igualmente qualificados e mais graduados, com mais anos de serviço e, por isso, ainda conseguiram um vínculo com o ministério.

    • mvieira on 2 de Agosto de 2012 at 16:43
    • Responder

    Não existe classe menos unida e mais egoísta que a nossa.
    Que comentários são estes? Que conversa é esta? É este o objetivo? Insultarem-se? Não se pode concordar ou discordar de forma educada e respeitosa? Não é isso que ensinamos aos nossos alunos?
    E é esta a classe da educação.
    É vergonhoso, isto não se vê nas outras áreas. Que exposição barata!
    Que os alunos não tenham a infelicidade de se cruzarem com estas conversas.

    • Não se educa escondendo a verdade on 2 de Agosto de 2012 at 22:58
    • Responder

    Cara Mvieira. Em primeiro lugar, gostaria de dizer-lhe que acho que é uma boa pessoa e compreendo a sua preocupação em relação à união dos docentes. Mas gostaria, outrossim, de lhe dizer mais isto:
    1) Os professores não são uma classe social, qualquer manual de sociologia pode elucidar isso;
    2) Os professores que criticaram de forma áspera o autor da carta fazem-no porque estão muito muito revoltados. Estão a sofrer imenso com os desmandos e malvadezas deste governo. É natural que estendam a sua pouca paciência aos que representam aqueles que estão a provocar tanto sofrimento nas famílias de milhares de professores. O autor da cartinha, Rui Ferreira parece colega mas não é colega, ele é o próprio Crato. Pode ter certeza que se esse Rui Ferreira estivesse no lugar de ministro (sem ter de também concorrer a 2 QZPs),faria exactamente o mesmo que o CrAtino, cometeria as mesmas crAtinices.

    É por isso, por estarmos a sofrer muito, que não temos paciência para com os Cratos desta vida. Se ao nos propor sermos mais educados tem em vista sermos menos críticos, digo-lhe apenas isto, e não leve a mal: estão a matar-nos, estão a acabar com a nossa vida, já estamos a ser educados “acima das nossas possibilidades”.

    Se os alunos lerem comentários destes terão contacto com a vida real, não com as fantasias cor-de-rosa que muitos pretendem fazer passar por realidade. Quer melhor educação do que dar a possibilidade às novas gerações de ter contacto com os problemas reais, com a vida real, com o sofrimento real? Espero que ninguém, em nome dos bons costumes e do politicamente correcto, se lembre de censurar o livre enfrentamento de ideias com lápis cor-de-rosa. Já nos bastou o lápis azul do tempo da outra senhora, em que eram todos educados para serem ordeirinhos e engraçadinhos e palerminhas.

    De resto, uma abraço e tudo de bom para si. Para si, não para os Rui Ferreiras, esses não consiguiria respeitar por mais que me esforçasse.

    • cascaes on 10 de Outubro de 2012 at 17:47
    • Responder

    Este exame só vem descredibilizar o ensino público superior. Mas se nós tivermos que fazer o exame, que o façamos todos. Quando digo todos, digo todos mesmo! Todas as profissões, inclusive políticos!

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