“Não estou a prejudicar a greve, estou a ser justo”, diz dirigente de Carcavelos e responsável da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, que convocou todos os professores a apresentarem-se ao serviço.
1 – Aos trabalhadores em funções públicas de órgãos e serviços ou subunidades orgânicas que sejam objeto de reorganização ou de racionalização de efetivos previstos no Decreto-Lei n.º 200/2006, de 25 de outubro, aplicam-se os procedimentos previstos nos artigos seguintes.
2 – A racionalização de efetivos é realizada nas situações a que se refere o n.º 4 do artigo 3.º e o artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 200/2006, de 25 de outubro, bem como por motivos de redução de orçamento do órgão ou serviço decorrente da diminuição das transferências do Orçamento do Estado ou de receitas próprias, de necessidade de requalificação dos respetivos trabalhadores, para a sua adequação às atribuições ou objetivos definidos, e de cumprimento da estratégia estabelecida, sem prejuízo da garantia de prossecução das suas atribuições.
3 – A racionalização de efetivos ocorre ainda, nos termos de diploma próprio, por motivo de redução de postos de trabalho ou necessidades transitórias decorrentes, designadamente, do planeamento e organização da rede escolar.
4 – Na aplicação da presente lei às instituições de ensino superior públicas são salvaguardadas, quando necessário, as adequadas especificidades em relação ao respetivo corpo docente e investigador, nos termos dos respetivos estatutos.
… que passa à história porque o sonho de concretizar os serviços mínimos desapareceu.
Da mesma forma que a decisão do Tribunal Constitucional marca uma viragem nas opções do governo a decisão do Tribunal Arbitral tem de marcar uma nova viragem.
E o que se exige no mínimo é que o Governo agende novas reuniões com os sindicatos para desbloquear este impasse.
… e da requisição civil que não pode ser decretada sem a existência de serviços mínimos.
Justiça feita tarde sobre uma decisão de Maria de Lurdes Rodrigues em decretar os serviços mínimos em 2005. Como se costuma dizer, mais vale tarde que nunca.
O Colégio Arbitral decidiu que não seriam estipulados serviços mínimos para a greve dos professores, segundo confirmação da Fenprof. Pode seguir-se a requisição civil.
Fenprof e FNE decidiram uma greve dos professores que coincidisse com a realização dos exames nacionais, como forma de protestar contra aquilo que qualificam de despedimento de dezenas de milhar de professores que o Governo ameaça colocar no regime de mobilidade que agora é chamado “requalificação”.
O ministro da Educação, Nuno Crato, prometia há dias garantir a realização dos exames nacionais por todas as formas legais a que pudesse recorrer para evitar que os alunos fossem prejudicados pela não realização dos exames.
Sem que as partes [sindicatos e Ministério da Educação] conseguissem chegar a um acordo quanto a serviços mínimos, recorreu-se a um Colégio arbitral. Os sindicatos alegavam que legalmente não seria possível estipular serviços mínimos para a greve dos professores no que eram contrariados pelo Ministério.
Esta terça-feira foi conhecida a decisão do Colégio Arbitral. Não serão definidos nenhuns serviços mínimos para a greve dos docentes. Parece pois ter vingado a posição dos sindicatos contra a defendida pela tutela. Resta ainda, ao Ministério da Educação, recorrer à requisição civil. É um instrumento que Nuno Crato nunca afastou do seu seu horizonte e que continua por isso como hipótese de trabalho.
Fica este post para ser editado com os dados que me chegarem. Ao final da noite faço o quadro estatístico por distrito e concelho.
NOTA: este formulário pede o número de reuniões realizadas das que foram agendadas. Digo isto porque vi agora uma escola com 5 reuniões agendadas e 5 realizadas e como pode ter sido engano deixo aqui o aviso. Caso sejam colocados novos dados da mesma escola elimino a primeira introdução de dados.
Chegou-me, através deste formulário, resposta de 202 escolas com os dados das reuniões de avaliação marcadas e realizadas no dia 7, que teve uma percentagem de adiamento de reuniões quase a chegar aos 95%.
O número de respostas representa uma boa amostra e tendo em conta que a marcação de reuniões de avaliação do 3º período apenas pode ser feita no fim das atividades letivas (existem sempre umas más exceções) é muito provável que estejam aqui identificadas entre 20% e 30% das reuniões de avaliação realizadas no dia 7 de Junho.
Como a maioria das reuniões serão realizadas no dia de amanhã conto apresentar logo ao início da noite de amanhã os dados do dia 11 de Junho.
Para isso agradeço que identifiquem o número de reuniões marcadas e realizadas, neste formulário. Para os dados serem mais precisos identifiquem apenas ao final do dia com os totais.
Entretanto podem ir dando conta do número de reuniões que estão marcadas nas vossas escolas e como estão a correr.
Podem também dizer na caixa de comentários se alguma das reuniões adiadas do dia 7 foi marcada para o dia 11 ou se a marcação aconteceu para o dia 12.
O próximo quadro apresenta o QZP de provimento de todas as candidaturas do concurso interno, incluindo também dos docentes QA/QE.
Transpus a escola de provimento dos docentes de QA/QE para o QZP de onde é essa escola, assim é possível ter uma melhor noção de onde são os docentes de QA/QE.
Para acederem à lista já com o QZP de provimento de todas as candidaturas clicar aqui. São 603 páginas em pdf com as 31761 candidaturas.
Se me der na cabeça ainda faço a lista dos QA/QE por concelhos.
Carta aberta ao Senhor Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho
Exmo. Sr. Primeiro-Ministro.
Não sei se lerá esta missiva. Por certo, os seus afazeres governativos o impedirão de prestar a mais básica e elementar atenção às linhas que aqui lhe deixo. Lamentarei por isso. Tanto mais que trabalho, semana após semana, bem mais que as quarenta horas que quer impor à minha classe, aos meus colegas, a quem dá tudo o que é humanamente possível para se fazer cumprir o mais alto desígnio da humanidade: a Educação. Ainda hoje, domingo, estive trabalhando todo o dia. Trabalhando em torno dos papéis e da burocracia que o senhor e o seu ministro prometeram combater. É claro que não devo ser piegas, pois certamente o senhor também prescindiu do contacto directo com os seus familiares para estar num canto de sua casa em torno de papéis.
Devo-lhe dizer que votei em si. Sim, eu fui um dos que acreditou nas suas palavras, no seu projecto. Hoje sou um dos milhares de desiludidos consigo e com a sua actuação. Vossa excelência optou pelo caminho do suposto cumprimento íntegro do acordo com o triunvirato internacional (expressão cara ao seu parceiro de coligação). Digo suposto, porque vossa excelência sabe que na Educação não tem sido assim.
Recordo-lhe, antes de mais, o que está escrito no famoso memorando: “Reduzir custos na área de educação, tendo em vista a poupança de 195 milhões de euros, através da racionalização da rede escolar criando agrupamentos escolares, diminuindo a necessidade de contratação de recursos humanos, centralizando os aprovisionamentos, e reduzindo e racionalizando as transferências para escolas privadas com contratos de associação.” Sublinho, em primeiro lugar, o valor monetário de 195 milhões de euros. Era esse o compromisso estabelecido internacionalmente. Quanto cortou o senhor e o seu governo? Só para 2012, o senhor previu um corte de 600 milhões de euros. O triplo, portanto, do que seria necessário em todo o programa de ajustamento. E para 2013? Na proposta do defunto orçamento de estado estavam estabelecidos cortes de 703 milhões de euros… Mas não falo mais de números, pois esses são certamente conhecidos por si e pelo seu genial ministro das finanças, mais do que por mim.
Mas… Se por um lado foi mais longe do que o estabelecido no memorando de entendimento, por outro lado ficou aquém. Onde estão os cortes no financiamento ao ensino particular, aos contratos de associação, senhor primeiro-ministro? Onde está o fim do esbanjamento de recursos de todos os portugueses em grupos económicos? Porquê continuar ilegalmente a financiar os lucros privados em colégios com contrato de associação, quando a poucos metros existem escolas públicas vazias? Não espero que me responda, pois qualquer tipo de resposta que me pudesse dar seria fugaz e superficial. Na Educação, qualquer resposta a qualquer questão deve ser aprofundada e reflectida. Nunca meramente tratada do mesmo modo como se introduzem valores e fórmulas numa qualquer folha de cálculo, vulgarmente conhecida por Excel.
Mudando um pouco o assunto, permita-me dizer-lhe que desgostou-me a sua intervenção acerca das greves dos professores. Este sentimento deve-se essencialmente ao facto de jamais esperar semelhante posição de si. Acusou toda uma classe profissional com o mesmo estilo, que tantas vezes criticou, do seu antecessor. Continuou a incendiar a opinião pública contra uma classe que deveria ser respeitada e acarinhada, pois é nela que reside o futuro e a esperança de um país melhor. Somos nós quem tem a missão de dar aquilo que, não tendo valor, é dos bens mais valiosos: o conhecimento. Não estamos a fazer dos nossos alunos reféns, muito pelo contrário. É pensando neles e no empobrecimento cultural que lhes parece querer impingir, que nos levantamos e nos erguemos.
Não lhe tomo muito mais tempo, porque provavelmente já escrevi demasiado e o senhor é um homem ocupado. Gostaria, contudo e se me for permitido, de lhe deixar um desafio: um debate entre a minha pessoa e vossa excelência, com projecção nacional, onde fosse permitida a discussão de factos e argumentos frente-a-frente. Eu bem sei que será possível, devido aos seus compromissos de agenda, mesmo que eu trabalhe bem mais do que as quarenta horas e não contabilizando as quatro horas diárias de deslocação entre a minha habitação (perdão, a dos meus pais) e a minha escola.
Para finalizar, gostaria de lhe dizer que mais importante do que não deixar qualquer encargo financeiro às gerações que nos seguem é não deixar-lhe uma dívida traduzida numa condição de ignorância e de miséria. O senhor, mais do que nas urnas, será um dia julgado pela História. Irremediavelmente, ficará conhecido por um dos coveiros culturais e educacionais de Portugal. Lamento que assim seja, quando noutras ocasiões tanto se orgulhou de ter sido professor.
Sem mais assunto, os meus mais cordiais cumprimentos.
Anexo ao presente e-mail a minha crónica de ontem no Jornal Público, na secção “Debate”, intitulada “Nuno Crato e a implosão definitiva da excelência”, refletindo acerca do processo de requalificação profissional docente, que, segundo a tutela, permitirá docentes de um grupo de recrutamento obterem habilitação profissional para outro grupo, que não o seu (num curtíssimo espaço de tempo).
Poderemos estar diante da transfiguração total das listas de graduação como as conhecemos até então!
Nas listas provisórias de ordenação encontram 12815 candidaturas de docentes que são dos quadros de zona pedagógica do continente e que são de 11469 candidatos. O que quer dizer que existiram 1346 candidaturas a grupos diferentes do grupo de provimento do docente de QZP.
A distribuição das candidaturas das listas provisórias dos docentes de QZP do continente é a seguinte:
Durante o mês de Abril já fiz vários estudos sobre as novas zonas pedagógicas e os lugares que têm sido ocupados ao longo destes últimos 4 anos por docentes contratados, bem como com o número de docentes em horário zero nessas zonas.
Para acederem à lista apenas dos docentes em QZP das listas provisórias em formato Excel clicar aqui.
Quem não tem as listas de ordenação provisórias e de excluídos em formato excel pode ir ao Fórum retirar o link para baixar o documento. Precisam de estar registados no Fórum para acederem a essa informação.
Ao concurso Interno/Externo 2013/2014 concorreram 77701 candidatos, sendo que 73083 candidatos tiveram a sua candidatura valida.
No total contabilizei 101937 candidaturas, das quais 95252 candidaturas encontraram-se validas nas listas de ordenação provisórias de 3 de Junho.
As 6685 candidaturas excluídas são de 4618 candidatos.
Existe no conjunto das listas de ordenação definitiva e na lista de excluídos 24235 candidaturas duplicadas que são de docentes que concorrem a dois ou mais grupos de recrutamento.
Mais número menos número estes são os dados gerais das listas publicadas no passado dia 3 de Junho.
Com a publicação da lista de ordenação provisória confirma-se o que já esperava quanto à expectativa de algum docente de Quadro de Zona Pedagógica poder entrar em QA/QE.
Tendo em conta o reduzido número de vagas positivas e o elevado número de vagas negativa, existem poucas probabilidades de algum docente de QZP passar para QA/QE. No entanto, o próximo quadro identifica os grupos com maior probabilidade disso acontecer.
Estão identificados neste quadro os docente de QZP melhor graduados de cada grupo de recrutamento e o número de vagas positivas de cada um dos grupos. Sombreei a vermelho os grupos que não terão qualquer probabilidade de algum QZP passar a integrar um QA/QE e a verde os grupos que poderão ter alguma possibilidade.
Obviamente que esta análise depende em muito das opções que os docentes QA/QE fizeram nas suas preferências, mas é quase certo que apenas os grupos identificados a verde poderão sonhar em vir a ocupar um lugar de QA/QE.
A aposta que faço para algum QZP entrar em QA/QE é que seja entre 0 e 4 docentes.
No formulário que se encontra neste post foram já identificadas 685 reuniões marcadas para o dia 7 de Junho de 190 escolas/agrupamentos e apenas se realizaram 33 reuniões.
As escolas que estão identificadas no formulário com 10 ou mais reuniões no dia de ontem são as que se encontram na imagem de baixo.
No topo desta lista encontram-se três escolas secundárias e no total de 112 reuniões marcadas para ontem nestas escolas apenas se realizaram duas, que representa 98,2% de reuniões que tiveram de ser adiadas.
Podem aqui relatar o que está a acontecer nas vossas escolas e indicar o número de reuniões agendadas para hoje e número de reuniões que foram adiadas.
Entretanto podem usar o seguinte texto para colocar na acta, no caso das reuniões serem adiadas.
A reunião foi adiada, por se ter verificado a ausência imprevista da (o) docente da disciplina de __________, o que, nos termos do disposto no n. 3 do artigo 15. do despacho normativo n. 24-A/2012 (para o ensino básico)/ nos termos do Agosto no n. 3 do artigo 19. da portaria n. 243/2012, de 10 de Agosto ( para o ensino secundário), obriga ao adiamento da reunião e a uma nova convocatória da mesma no prazo máximo de 48 horas. Deste facto foi de imediato dado conhecimento à Direção/ à Comissão Administrativa Provisória.
Embora preferisse sem dúvida alguma que existisse uma maior aposta no ensino artístico em vez de fazer saltar os professores de EVT para outros grupos de recrutamento.
No entanto parece que neste saco não estão incluídos os docentes de ET, que à semelhança dos docentes de EVT sofreram enormes cortes com a última alteração curricular.
Ministério está a desenhar formação para que os professores com horário zero possam dar aulas a outras disciplinas.
O Ministério da Educação está a preparar uma “formação complementar com estágio” para os professores do 1º ciclo do básico e para os de Educação Visual e Tecnológica (EVT) – que foi extinta na última revisão curricular – que fiquem com horário zero (sem turma atribuída). Com esta formação os professores ficam aptos para dar aulas a outras disciplinas tendo, assim, mais possibilidades de conseguir colocação e evitar o sistema de requalificação (mobilidade especial).
A medida, que vai ser integrada no regime de mobilidade especial, foi avançada ontem pelo secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, como sendo mais uma ferramenta para evitar o despedimento de professores.
“Temos o diagnóstico feito e há dois grupos disciplinares que nos preocupam com uma prioridade maior, que são os professores de EVT e os professores do 1.º ciclo [do Ensino Básico]. Vamos apostar na formação complementar com estágio para que esses professores passem a ter habilitação para outros grupos disciplinares””, revelou Casanova de Almeida.
Para já o governante recusou revelar mais detalhes da medida que “ainda está a ser pensada”. Ou seja, o Ministério ainda não definiu a forma como será feita esta formação e se excederá os 12 meses, limite de permanência no regime de mobilidade especial que foi ontem aprovado em Conselho de Ministros para ser aplicado a toda a Função Pública.
… que vamos fazer as reservas para o Burj Al Arab em plena época de conselhos de turma e exames.
Foram usadas as chaves dos comentários 10, 30, 50, 70 e 90, que são do(a) SB, do Prof.Infinito, do(a) Scpalways, do Fernando, da anas1869 e da Vânia, respetivamente.
O Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, assinou um despacho com o objetivo de «permitir a mobilidade interna dos professores dos quadros da rede pública de Portugal e das Regiões Autónomas por motivo de doença sua ou de familiares», segundo comunicado de imprensa do Ministério da Educação.
Desta forma, dá-se «a possibilidade de – na gestão anual das necessidades docentes – serem prioritariamente mobilizados os professores que comprovadamente necessitem de deslocação do local de exercício para aquele onde os cuidados de saúde impreteríveis são prestados», explica o comunicado.
Esta mobilidade poderá ser requerida «pelos docentes portadores de doença incapacitante nos termos do Despacho conjunto nº A-179/89-XI, de 22 de setembro, ou que tenham a seu cargo cônjuge, pessoa com quem vivam em união de facto e descendente ou ascendente a cargo nas mesmas condições». Desta forma, «as doenças consideradas são as definidas na lei como incapacitantes», refere o despacho.
Do despacho constam os mecanismos de controlo e verificação das situações, aguardando este documento publicação em Diário da República.
A entidade responsável pelos procedimentos relativos à mobilidade por doença é a Direção Geral da Administração Escolar.
A Fenprof insistiu que só haveria acordo se fosse consagrado que a mobilidade especial não se aplicaria de todo aos professores. A FNE foi mais longe e estendeu esta exigência a toda a administração pública.
E no entanto algumas garantias foram dadas à FNE que a Fenprof não teve conhecimento.
Antes do final das rondas negociais, o líder da Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva, já tinha dado conta aos jornalistas da disponibilidade do MEC para criar “condições especiais” de aplicação deste regime aos docentes, nomeadamente a garantia de que pelo menos até 2015 nenhum deles entrará em mobilidade.
O líder da Fenprof, quando questionado pelos jornalistas, afirmara que nada disso lhes foi comunicado e que na versão final do projecto de mobilidade especial, entregue aos sindicatos à noite, o MEC se limitou a mudar um “em” e a acrescentar uma linha com a correcção de um “erro jurídico”.
… que são os professores que estão a prejudicar o futuro dos jovens com taxas de desemprego jovem que quase chegam aos 50%.
E porque se fala em jovens coloco hoje a carta de um estudante Grego que tem circulado nos últimos dias na caixa de comentários daqui do blog e já foi publicada no blog aventar.
Aos meus professores… e aos outros:
O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.
Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.
A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual “estaria em causa” devido à greve.*
De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?
Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
– Quem construiu o futuro do meu avô? Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
– Quem governou mal e estripou este país?
– Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
– Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
– Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
– Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
– Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
– Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
– Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
– Quem lançou tanta gente no desemprego?
– Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
– Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas?
Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?
Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:
Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.
Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.
Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:
Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?
Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?
Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?
Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?
Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?
Finalmente, quereis que vivamos como escravos?
De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: “Avançar e derrotar a tirania fascista!”
Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.
PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que “só quero escapar às aulas”: Comportamento do aluno: “Muito Bom”. Classificação média: 20 (“Excelente”) [a nota mais alta nos liceus gregos].
O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, quer que qualquer escola pública possa “escolher quem contrata e quem demite, com base no mérito”. O problema da educação não é a falta de dinheiro mas de objectivos, revela, esta quarta-feira, numa entrevista à revista brasileira Veja, que tem uma tiragem de 1.169.488 exemplares.
Também andei à procura do vídeo do António José Seguro na Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, em Coimbra no dia 19 de Janeiro, para fazer a comparação com as declarações do Ministro à revista Veja, mas não o encontrei.
Acho os discursos muito parecidos e a tentativa de se acabar com os concursos nacionais está cada vez mais próxima seja do lado de quem governa ou de quem espera vir a governar.