A Tal Verdadeira Requalificação

… que já por diversas vezes abordei aqui no blog.

Embora preferisse sem dúvida alguma que existisse uma maior aposta no ensino artístico em vez de fazer saltar os professores de EVT para outros grupos de recrutamento.

No entanto parece que neste saco não estão incluídos os docentes de ET, que à semelhança dos docentes de EVT sofreram enormes cortes com a última alteração curricular.

Crato prepara formação para professores do 1º ciclo e de EVT

Ministério está a desenhar formação para que os professores com horário zero possam dar aulas a outras disciplinas.

 

O Ministério da Educação está a preparar uma “formação complementar com estágio” para os professores do 1º ciclo do básico e para os de Educação Visual e Tecnológica (EVT) – que foi extinta na última revisão curricular – que fiquem com horário zero (sem turma atribuída). Com esta formação os professores ficam aptos para dar aulas a outras disciplinas tendo, assim, mais possibilidades de conseguir colocação e evitar o sistema de requalificação (mobilidade especial).

A medida, que vai ser integrada no regime de mobilidade especial, foi avançada ontem pelo secretário de Estado da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, como sendo mais uma ferramenta para evitar o despedimento de professores.
“Temos o diagnóstico feito e há dois grupos disciplinares que nos preocupam com uma prioridade maior, que são os professores de EVT e os professores do 1.º ciclo [do Ensino Básico]. Vamos apostar na formação complementar com estágio para que esses professores passem a ter habilitação para outros grupos disciplinares””, revelou Casanova de Almeida.
Para já o governante recusou revelar mais detalhes da medida que “ainda está a ser pensada”. Ou seja, o Ministério ainda não definiu a forma como será feita esta formação e se excederá os 12 meses, limite de permanência no regime de mobilidade especial que foi ontem aprovado em Conselho de Ministros para ser aplicado a toda a Função Pública.

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23 comentários

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  1. “Com esta formação os professores ficam aptos para dar aulas a outras disciplinas”? Sem querer ofender os colegas do 1.º ciclo e de EVT, alguém acredita que em menos de 12 meses é possível requalificar um docente para lecionar outras disciplinas? Estão-se a ver em menos de 12 meses a lecionar Matemática, Físico-Química, Biologia e Geologia, Português ou TIC? Com tantos professores contratados com Mestrados (pré-Bolonha) e Doutoramentos a solução é colocar professores com uns meses de formação a lecionar “outras disciplinas”?

      • Paula on 7 de Junho de 2013 at 12:45
      • Responder

      Concordo inteiramente. Não cabe na cabeça de ninguém essa solução. Em termos práticos não é solução nenhuma. Não há grupos com falta de docentes. Vão é coloca-los a dar a disciplina que calhar, tudo para não contratar mais ninguém.
      É uma vergonha absoluta.

        • Inês 510 on 7 de Junho de 2013 at 13:28
        • Responder

        Concordo com o que disseram.
        Tenho uma licenciatura em Eng. Química (IST); para poder ter a profissionalização, apesar de me darem equivalências tive que ir de novo para a faculdade (FCUL) e fazer mais cadeiras mesmo na área da química e da física.
        Sem querer substimar ou ofender os colegas do 1.º ciclo e de EVT, não acredito que em menos de 12 meses adquiram os conhecimentos que eu adquiri ao longo de 8 anos ( 5 no IST + 3 na FCUL) para leccionarem Física e Química.
        Também tenho habilitação para dar a outros grupos (230 e 500) mas apenas posso concorrer ao 510,nos concursos!!

          • algarveqe on 7 de Junho de 2013 at 14:35

          Partilho da sua indignaçao. Num sistema em que pessoas que têm habilitaçao para varios grupos apenas podem concorrer a 2 deles… vao apostar na formaçao??? Para quê? Tenho tambem habilitaçao para 3 grupos e nem para me completarem o horario (sou qa em mobilidade interna) quiseram saber da habilitação para os outros 2 grupos. Alem do mais, todos os grupos estao “saturados”, para quê formar para lecionar noutros grupos? Mais areia para os olhinhos?

        • Zaratrusta on 7 de Junho de 2013 at 13:45
        • Responder

        É em prol da qualidade da educação (de nuno crato).

  2. “Ministério da Educação está a preparar uma “formação complementar com estágio” para os professores do 1º ciclo do básico e para os de Educação Visual e Tecnológica (EVT)”

    Será mesmo necessário em todos os grupos? Muitos dos colegas já possuem qualificação para lecionar outras disciplinas mas são obrigados, por lei, a concorrer só ao seu grupo de recrutamento (na 2ª fase do concurso). No meu caso particular em julho/agosto serei obrigada a concorrer apenas ao 1º ciclo porque apesar de tentar mudar de grupo não irei conseguir. Será justo? Se nos fosse dada a possibilidade de concorrer aos outros grupos de recrutamento para os quais possuímos qualificação profissional não existiriam esses ditos horários. Falo do 1º ciclo…

      • Atónita on 7 de Junho de 2013 at 18:06
      • Responder

      Concordo plenamente! No concurso de mobilidade interna para horários zero deviam permitir aos professores concorrer às disciplinas para as quais têm habilitações profissionais, pois já há muitos destes professores que têm especialização em Educação Especial, por exemplo. Era uma forma muito proveitosa de gerir os recursos humanos existentes, já que é neles que querem poupar. No entanto, tal ainda não acontece. Que lhes vale concorrer no seu grupo de recrutamento, especialmente no caso de EVT?!.

  3. Como já disse anteriormente, isto é uma vergonha, uma mentira, uma aberração… Mais um contributo para a perda de qualidade no ensino público… Se os sindicatos, os pais e o docentes aceitarem esta vergonhosa proposta, não terão escrúpulos… Merecerão tudo de mal que o MEC faz… Que me desculpem, mas não é em 12 meses que se obtém aptidão para dar aulas de matemática… Um absurdo.. Como não é em 12 meses que se obtém aptidão para lecionar EVT

    • Miguel Castro on 7 de Junho de 2013 at 13:13
    • Responder

    Já hoje é assim que se faz. Pessoas de outras disciplinas a (fingir) que ensinam áreas para as quais não se formaram (a mando ou conluio dos diretores), só para não ficarem com horário zero.

    • Professor sem formação on 7 de Junho de 2013 at 15:06
    • Responder

    Esta notícia nem merecia comentário possível, no entanto depois de muito refletir sobre a questão, decidi pronunciar-me sobre tal proposta do Mec.
    Como é possível que um Ministro que é também Professor Universitário pode propor que um professor de uma área possa, depois de uma formação de 12 meses, dar aulas numa outra área. Só demonstra que o Ministro desvaloriza por completo o ensino básico e secundário. Quando acha que qualquer um pode dar uma disciplina em 12 meses de formação então também pode achar que qualquer um pode dar aulas no Ensino Superior, com uma formação de 12 meses.
    É um absurdo e bem à imagem do tipo de ensino que o ministro quer. Tanto rigor e afinal para os professores qualquer um pode dar o que quiser.

    • Savana on 7 de Junho de 2013 at 15:08
    • Responder

    Sem querer ofender nenhum colega, como é que esta falta de respeito chega a este despudor de amadorismo, utilizando outros colegas docentes a dar aulas, independentemente que disciplina for, sem um conhecimento aprofundado do assunto, recorrendo-se a técnicas não-profissionais deste género.

    Seguidamente o senhor ministro vem exigir qualidade e rigor no ensino acenando com a prova de conhecimentos para acesso à carreira por parte de pessoas que, estas sim, possuem os conhecimentos e a preparação que uma licenciatura e uma cultura de estudo e meditação sobre a sua área de ensino e estágio profissional lhes outorgou.

    Quer passar por cima de todos estes professores, senhor ministro, dispensando-os desta forma liberal?

    Que hipocrisia, que impostura, que duplicidade…

    • Balofo Mental on 7 de Junho de 2013 at 15:14
    • Responder

    Será que requalificação vai ser “dada” pela escola superior onde o sec. de estado “dá aulas”?!

    • Fátima on 7 de Junho de 2013 at 15:26
    • Responder

    Esta proposta é uma aberração.Eu desde pequena que frequentei uma escola de línguas.Para lecionar Inglês tive que ir para uma universidade.Ao todo estudei vinte e tal anos Inglês.Agora em 12 meses vão estar habilitados para dar o quê?Este País é uma anedota!

    • Luis António on 7 de Junho de 2013 at 16:02
    • Responder

    Interrogo-me que irá acontecer, depois, aos professores que investiram 3 anos numa formação base mais dois anos de mestrado para poderem possuir habilitação profissional e apresentaram-se a concurso. Para além das antigas licenciaturas de 5 anos, em ramo educacional. Uma formaçãozinha e já está, muda-se de grupo de recrutamento, é esta a preocupação com o ensino dos nossos governantes… Para além disso, até parece pressupor-se que existem grupos com carências, mas eu não conheço nenhum grupo em que existam vagas por preencher! Aconteceu durante 2-3 anos com o Espanhol, mas na lista actual existem 531 professores para cerca de 300 vagas (prováveis), contando com a contratação de escola, até porque a predominãncia de profs. de Francês no quadro, forçou a redução de vagas para o Espanhol. Dito isto, este parece-me ser um dos golpes mais rudes deste ministro e assim vai-se, de facto, matar o ensino e o futuro de Portugal.

    • mriba on 7 de Junho de 2013 at 16:09
    • Responder

    Sou professora de EVT há 20 anos. No próximo ano é possível que fique com horário zero.
    NÃO QUERO SER PROFESSORA DE OUTRA DISCIPLINA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Tenham juízo e não fiquem contra os colegas. Mais uma manobra dos “inteligentes”….

  4. Também sou professora de Expressões Plásticas, EVT, EV e Secundário (Grupo 600-Artes Visuais). Só tenho habilitação própria no 1º e 2º Ciclo e qualificação profissional, PAGA POR MIM através de um Mestrado em Ensino, para o 3º Ciclo e Secundário. Agora os meus impostos também vão pagar esta formação/qualificação profissional aos meus colegas de 1º e 2º Ciclo de Ensino, PARA ME IREM OCUPAR OS HORÁRIOS no 3º Ciclo e Secundário? A mim o Estado nunca me deu nada! Quem quer ter emprego que pague as suas formações! — Não é nada pessoal, mas partilho a preocupação de todos os colegas aqui…e eu também sou da área e professora destas disciplinas.

  5. Colega, nada pessoal porque sou da área, mas o que irá acontecer é que irá obter uma formação “instantânea” a custo zero e ir ocupar o lugar dos colegas que já têm a Habilitação Profissional PAGA DO SEU BOLSO no Grupo 600 – Artes Visuais…MUITO INJUSTO !!…A mim o Mestrado em Ensino em Artes Visuais para o 3º Ciclo e Secundário custou-me muito a pagar, e em anos com horário incompleto por Ofertas de Escola..

  6. À classe docente querem tirar tudo e mais alguma coisa, não chega já terem aceite o aumento do número de alunos por turma, o alargamento dos QZP, a constituição de Mega-agrupamentos, ainda querem mais…. Olha que no nº de nomeações para os gabinetes ministerias eles não cortam, não cortam no nº de deputados, não cortam nas regalias que têm. Dou um exemplo muito concreto, um deputado No exercício das suas funções ou por causa delas, os Deputados têm direito a subsídios de transporte e ajudas de custo correspondentes. Com o alargamento dos QZP, os docentes vão ter de se deslicar mais de 100 Km para lecionar, vão ter de pagar essa deslocação do próprio bolso…. estando a prestar serviço público. Este é só um exemplo…. Os Srs ministros têm direito a segurança pessoal, os docentes são agredidos fisica e brevalmente no dia-a-dia, a não têm seguranças…

    • nanda on 7 de Junho de 2013 at 17:45
    • Responder

    Colega,
    algum de vocês já anulou preferências nesta aplicação de reclamação ao concurso? Como procedeu para o fazer? Estou há horas a tentar e nada. Obrigada pela ajuda.

    • Maria on 7 de Junho de 2013 at 19:37
    • Responder

    Esta gente do MEC enlouqueceu! Acho que isto não passa de mais uma manobra de quem não sabe o que anda a fazer!
    Sou do 1ºciclo e compreendo a vossa revolta.

    • Prof. 110 on 7 de Junho de 2013 at 21:19
    • Responder

    Concordo com a Atónita
    No concurso de mobilidade interna deviam permitir aos professores concorrer às disciplinas para as quais têm habilitações profissionais, pois já há muitos destes professores que têm especialização em Educação Especial, por exemplo. E há também muitos colegas que podem lecionar variantes e 1º ciclo e só lhes dão a possibilidade de lecionar num dos grupos de recrutamento.
    Pode ser que mude este concurso de Mobilidade Interna e nos dêem esta oportunidade. Já procurei legislação e não especifica como será o concurso de Mobilidade Interna.

  7. A preocupação do Sr. ministro com a qualidade da educação é…nula! Há efectivamente uma política de ataque à escola pública, amputando-a de recursos materiais e humanos e, com esta medida, amputando-a de qualidade pois, por muito que um colega se esforce e tente dar o seu melhor, dificilmente conseguirá dominar uma nova área científica para o qual não foi formado devidamente. E os pais/EE., tal como já aconteceu noutros países onde a escola pública foi gradualmente desmantelada, vão a “fugir” tentar colocar os seus filhos em escolas particulares (de preferência com contrato de associação para não pagarem) onde supostamente se assegura maior estabilidade e qualidade de ensino!!! A escola pública ficará, assim, uma escola de “filhos de pobres”…e este governo terá atingido o seu objectivo: aumentar o financiamento ao privado (seja através de contratos de associação seja através do tão falado cheque-ensino)… Isto provocará uma “bola de neve” que arrasará todos os grupos… e quem hoje ainda não é um horário 0, poderá vir a sê-lo pois um ex-horário 0 requalificado poderá ficar com determinado horário. Medida para evitar despedimentos?! Pois sim…quando muito medida para atirar para horários 0 docentes de grupos que, até agora, estariam aparentemente “salvos”! No fim, os números dos que devem sair do sistema têm de bater certo com a grelha de do Gaspar…

  8. Nuno Crato já é uma “estrela financeira”. Executou um despedimento colectivo de cerca de quinze mil professores e empurrou mais uns milhares para reformas com forte penalização. Aumentou os alunos por turma e os horários dos professores. É também o governante mais “premiado” no corte de pessoas. Vai à frente e bem isolado. Torna insuportável o exercício dos professores com mais idade e ameaça o grupo profissional com uma mobilidade especial intolerável que se alarga a toda a função pública. Mais uma vez a “festa” da luta começou com os professores e com os seus sindicatos. Os outros grupos profissionais, a maioria com menos voz, esperam pelos resultados. Os professores esperam que os seus sindicatos não os voltem a trair e que quem aspira a governar diga ao que vem e sem mentir.

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