A questão da aposentação dos docentes deve estar na ordem do dia por 3 razões fundamentais, a saber:
1º) importa realizar a renovação do quadro de docentes do Ensino Público na medida em que apenas só 0,5% dos professores têm menos de 30 anos, isto é, o corpo docente encontra-se envelhecido e o acesso à carreira docente por jovens professores encontra-se completamente bloqueado;
2º) Os docentes encontram-se sujeitos a elevado desgaste físico e psíquico devido à massificação do ensino e à sua obrigatoriedade até aos 18 anos de idade. Significa isto, a Escola possuir um conjunto muito alargado de alunos que só lá andam porque são obrigados e, por isso, vão para as aulas como se fossem para o circo, infernizando a vida aos professores e não deixando aqueles que querem aprender, aproveitar as aulas. Refiro-me em concreto a turmas de Percursos Curriculares Alternativos, de Cursos Vocacionais…
Face a este ambiente de enorme adversidade (e, até agressividade, quer fisica bem como psíquica – muita dela abafada e que não vem para a comunicação social) quanto maior é a faixa etária do docente mais difícil se torna manter-se no ativo.
3º) É, também, natural que os alunos tenham mais gosto em ter professores mais jovens do que mais idosos (velhinhas e velhinhos). É natural que gostem mais das aulas dadas por docentes mais jovens…
Porém, a idade legal de reforma encontra-se nos 66 anos e 2 meses e com tendência para subir tendo em conta o fator de sustentabilidade. Por outro lado, as penalizações para quem pedir a reforma antecipada são brutais (6% por cada ano em falta) a que acresce o fator de sustentabilidade (cerca de 13%).
Significa isto quem solicite a reforma aos 55 anos de idade (porque perfez 30 anos de descontos nesse momento e, por consequência, possui as condições para se aposentar) é-lhe retirado, grosso modo, ao vencimento ilíquido 79% (11 anos X 6% por cada ano em falta = 66%) + (13% do fator de sustentabilidade).
Ou seja, o Docente passaria a ter um rendimento ilíquido mensal na ordem dos 21% daquilo que possuía no ativo.
Face a estas circunstancias é natural que cada vez sejam mais os docentes que se arrastam pelas Escolas o que não é bom para ninguém.
Não é bom para os docentes que por lá se arrastam
Não é bom para os docentes mais jovens que saem das faculdades
E os professores do 1.º ciclo e as educadoras de infância que trabalharam sempre mais horas, não tinham redução de horas letivas viram retrar-lhe o regime especial de aposentação. Atualmente têm 1500 minutos letivos semanais, mais 400 min que os restantes colegas e para efeito de aposentação são metidos no mesmo saco quando mereciam uma discriminação pela positiva. Sindicatos são uma treta, não sabem tratar com equidade a sua clientela.
Ser “baby sitter” ou “ama” como lhe chamavam vai uns anos não é a mesma coisa que “dar aulas” a indivíduos de 14/15/16/17/18 e mais anos. O desgaste é muito maior, sendo que alguns destes indivíduos são autênticos delinquentes. A preparação académica necessária para o fazer também é completamente diferente.
Argumento de vacuidade extrema. Faz lembrar aqueles que defendem que um pediatra merece ganhar menos que os outras especialistas em medicina, pois trabalha com crianças. Tenho muito respeito pelos colegas de todos os níveis de ensino e só gostaria de acrescentar que a preparação pedagógica e académica do 1º ciclo é sem dúvida a que se vai repercutir de forma mais marcante no percurso escolar de cada indivíduo.
Desejo-lhe boa sorte AAA e também reconheço que não será muito fácil de lidar com certos jovens
A FNE tem petição? Fui ao site e não encontro nada, nem este documento que aqui foi postado. Há link?
Mas, ainda bem que são vários sindicatos com propostas semelhantes, porque a proposta da FNE era diferente desta. Falou-se disso aqui no blogue há cerca de um mês.
Concordo plenamente com a )8e mesmo assim há muitos colegas que saem com 60 e mais anos. Faça-se alguma coisa por amor de Deus! Os mais velhos já se arrastam pelas escolas. Muito desânimo e muito cansaço! Dê-se lugar aos jovens professores e aos que procuram aproximar-se da sua residência.
8 comentários
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A questão da aposentação dos docentes deve estar na ordem do dia por 3 razões fundamentais, a saber:
1º) importa realizar a renovação do quadro de docentes do Ensino Público na medida em que apenas só 0,5% dos professores têm menos de 30 anos, isto é, o corpo docente encontra-se envelhecido e o acesso à carreira docente por jovens professores encontra-se completamente bloqueado;
2º) Os docentes encontram-se sujeitos a elevado desgaste físico e psíquico devido à massificação do ensino e à sua obrigatoriedade até aos 18 anos de idade. Significa isto, a Escola possuir um conjunto muito alargado de alunos que só lá andam porque são obrigados e, por isso, vão para as aulas como se fossem para o circo, infernizando a vida aos professores e não deixando aqueles que querem aprender, aproveitar as aulas. Refiro-me em concreto a turmas de Percursos Curriculares Alternativos, de Cursos Vocacionais…
Face a este ambiente de enorme adversidade (e, até agressividade, quer fisica bem como psíquica – muita dela abafada e que não vem para a comunicação social) quanto maior é a faixa etária do docente mais difícil se torna manter-se no ativo.
3º) É, também, natural que os alunos tenham mais gosto em ter professores mais jovens do que mais idosos (velhinhas e velhinhos). É natural que gostem mais das aulas dadas por docentes mais jovens…
Porém, a idade legal de reforma encontra-se nos 66 anos e 2 meses e com tendência para subir tendo em conta o fator de sustentabilidade. Por outro lado, as penalizações para quem pedir a reforma antecipada são brutais (6% por cada ano em falta) a que acresce o fator de sustentabilidade (cerca de 13%).
Significa isto quem solicite a reforma aos 55 anos de idade (porque perfez 30 anos de descontos nesse momento e, por consequência, possui as condições para se aposentar) é-lhe retirado, grosso modo, ao vencimento ilíquido 79% (11 anos X 6% por cada ano em falta = 66%) + (13% do fator de sustentabilidade).
Ou seja, o Docente passaria a ter um rendimento ilíquido mensal na ordem dos 21% daquilo que possuía no ativo.
Face a estas circunstancias é natural que cada vez sejam mais os docentes que se arrastam pelas Escolas o que não é bom para ninguém.
Não é bom para os docentes que por lá se arrastam
Não é bom para os docentes mais jovens que saem das faculdades
Não é bom para os alunos por razões óbvias
Não é bom para o País….
A petição do SPN
http://www.spn.pt/Artigo/peticao-aposentacao-voluntaria-com-36-anos-de-servico
E os professores do 1.º ciclo e as educadoras de infância que trabalharam sempre mais horas, não tinham redução de horas letivas viram retrar-lhe o regime especial de aposentação. Atualmente têm 1500 minutos letivos semanais, mais 400 min que os restantes colegas e para efeito de aposentação são metidos no mesmo saco quando mereciam uma discriminação pela positiva. Sindicatos são uma treta, não sabem tratar com equidade a sua clientela.
Caro jcc
Ser “baby sitter” ou “ama” como lhe chamavam vai uns anos não é a mesma coisa que “dar aulas” a indivíduos de 14/15/16/17/18 e mais anos. O desgaste é muito maior, sendo que alguns destes indivíduos são autênticos delinquentes. A preparação académica necessária para o fazer também é completamente diferente.
E por aqui me fico…
Caro AAA, não querer entrar em polémicas, além da falta de respeito tem falta de conhecimento do que é um 1ºciclo.
Boa sorte para si.
Argumento de vacuidade extrema. Faz lembrar aqueles que defendem que um pediatra merece ganhar menos que os outras especialistas em medicina, pois trabalha com crianças. Tenho muito respeito pelos colegas de todos os níveis de ensino e só gostaria de acrescentar que a preparação pedagógica e académica do 1º ciclo é sem dúvida a que se vai repercutir de forma mais marcante no percurso escolar de cada indivíduo.
Desejo-lhe boa sorte AAA e também reconheço que não será muito fácil de lidar com certos jovens
A FNE tem petição? Fui ao site e não encontro nada, nem este documento que aqui foi postado. Há link?
Mas, ainda bem que são vários sindicatos com propostas semelhantes, porque a proposta da FNE era diferente desta. Falou-se disso aqui no blogue há cerca de um mês.
Concordo plenamente com a )8e mesmo assim há muitos colegas que saem com 60 e mais anos. Faça-se alguma coisa por amor de Deus! Os mais velhos já se arrastam pelas escolas. Muito desânimo e muito cansaço! Dê-se lugar aos jovens professores e aos que procuram aproximar-se da sua residência.