Crenças e limites da ciência e do conhecimento – Jorge Bento

 

A indagação de Thomas Elliot (1888-1965) é hoje mais pertinente do que nunca: Onde está a sabedoria que perdemos com a acumulação de tanto conhecimento? Onde está o conhecimento que submergiu nas ondas de tanta informação?
Herdamos do Humanismo e do Iluminismo uma crença exagerada na ciência, esperando dela respostas para questões que não são da sua conta. O resultado do equívoco está bem à vista na atualidade. O conhecimento não desbancou o senso-comum, não guia a Humanidade em todos os domínios, nem acaba com os ídolos da tribo e as credulidades mais inanes. Estamos submersos em formas várias de irracionalidade, de superstição e aversão à razão, de fanatismo, intolerância e obscurantismo.
A incerteza não se deixa dominar e problemas importantes da existência humana – os de matriz ética e estética, injustiças, desigualdade de oportunidades, exclusão, pobreza, fome, doenças, insegurança, perseguições, guerra e barbárie – estão longe da resolução. Continua por alcançar a relação de reciprocidade entre ciência e bondade, sabedoria, democracia e cidadania, na qual Newton (1643-1727) acreditava piamente. Ou entre conhecimento e conduta ética, altruísmo, moralidade e felicidade, como imaginaram Espinosa (1632-1677) e Voltaire (1694-1778) .
A ciência é instrumentalizada como meio de poder. Não se opõe, por vezes é conivente e auxiliar, a sistemas de opressão e exploração. Ademais, o ‘cientismo paperista’, em voga nas instituições académicas, encoraja certezas fáceis, mata o pensamento e a visão sapiencial. Quem dá o sentido para a existência nesta época de sombras e conotações medievais? A ciência não-pensante tem pouco a dizer sobre a condição ontológica e metafísica do Ser, e até sobre o significado das realidades que investiga e manipula. É, pois, urgente a necessidade de avivar a curiosidade científica e de a casar com o espírito filosófico. Os protagonistas das entidades universitárias e afins tardam em acordar da dormência e em reconhecer o clamoroso falhanço da ordem vigente.

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5 comentários

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    • Orquídea neto de o. Neves on 4 de Junho de 2021 at 13:06
    • Responder

    Pois tem toda a razão. Infelizmente ainda não há vacina para o mau caráter. Seriam precisas milhões.

      • tiberium on 5 de Junho de 2021 at 0:21
      • Responder

      Nem para a imbecilidade dos portugueses.

      Como é que as escolas recuperam psicologicamente as famílias, mas esta cambada de imbecis sabe porventura do que falam ?
      :Como se isto nao bastasse ainda vem a tal de articulação. “de forma articulada”, que ninguém entende objectivametne o que raios e corriscos tal blasfémia significa; será para resolver um problema ou criar mais?

      Estamos num pais de atrasados mentais.

  1. – Houve um ano que meti atestado para deixar de dar “Automação e Comando” … enfim – robótica
    – Não me sentia bem a ensinar adolescentes a criarem máquinas que têm como objetivo tirar força humana às empresas.
    – Soube que o professor que me foi substituir, também não lhes ensinou nada de jeito nessa área – o que me deixou muito satisfeito.
    Acho que dei um bom contributo à sociedade.

      • Tenrou on 5 de Junho de 2021 at 0:26
      • Responder

      A robótica não tira emprego a ninguém, cria outro tipos de emprego e requer pessoal mais qualiicado.. O que retira emprego, é a entrada de milhares de estrangeiros sem controlo, rebentar a economia por nao se saber governar, etc etc..

      Nos paises desenvolvidos , a robótica nao tira emprego a ninguém, alias a taxa de desemprego até diminui.

        • Orquídea neto de o. Neves on 6 de Junho de 2021 at 20:57
        • Responder

        Sim, é facto. A tecnologia não retira do mercado empregos. Cria outros adequados ao progresso do mundo tecnológico. Cria, também, outras formas e conteúdo de formação
        Se pensarmos bem e retrocedendo no tempo, muitas das profissões desapareceram com a primeira industrialização. Os tempos mudam e, com ele, a variância profissional.

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