O colega do teu filho reprovar também é um problema para o teu filho
Reprovar um aluno não só é uma medida ineficiente economicamente como ainda estamos a criar um problema maior.
Talvez não tenhas noção, mas, em Portugal, os alunos até aos 15 anos reprovam em média três vezes mais do que a média da OCDE. Vamos a números para clarificar. Em 2019, cerca de 34% dos alunos até aos 15 anos reprovaram pelo menos uma vez, quando a média da OCDE é de 12%. Tinhas noção de que estamos a falar de um em cada três alunos?
Este não é um problema novo, bem pelo contrário. Não é um problema que veio com a troika ou com a pandemia, é um problema muito antigo. Se bem que temos vindo a melhorar nos últimos anos (sim, o cenário era bem pior há uns dez ou 15 anos), não quer dizer que tenhamos resolvido o problema ou que seja um problema menor.
Em 2001, Jimerson, que é uma referência mundial no estudo deste tema, demonstrava numa análise a mais de 60 artigos escritos nos dez anos antes que apenas um deles defendia a retenção, enquanto todos os outros mostravam que a retenção não é, longe disso, solução para o problema das aprendizagens. Já na altura, há cerca de 20 anos, se demonstrava que, apesar da preferência de professores, pais, empregadores e mesmo estudantes em “reprovar do que passar sem saber”, a verdade é que a retenção não se traduz em nenhuma vantagem académica ao aluno.
Resumidamente, quando comparados os alunos em condições semelhantes, o grupo de estudantes que são retidos tem maior probabilidade de abandonar a escola, ter problemas disciplinares e não tem qualquer efeito positivo na aquisição de conhecimentos. Por norma, os alunos retidos são uma minoria, masculina, proveniente de classes económicas mais desfavorecidas.
Uma ideia que pode ser perigosa é a da promoção social, que em teoria teria tudo para ser uma solução perfeita e um argumento válido para a retenção, mas na prática só agrava o problema. A promoção social inerente à passagem de ano, ao invés de reter, e assim criar o grupo dos “bons alunos” e, por sua vez, rotular aqueles que não sabem o suficiente para os acompanhar, faz com que, no ano lectivo seguinte, na mesma sala de aula estejam alunos com diferenças de idade que podem ser significativas e isso não beneficia, bem pelo contrário, os alunos mais novos.
Ou seja, a retenção e a promoção social são estratégias falhadas para o contributo do sucesso dos estudantes, e isso não pode continuar a ser ignorado por ninguém que faça parte da comunidade académica.
Portanto, se quando dizemos que é prejudicial para um estudante perder o seu grupo, os seus colegas, o mesmo se pode aplicar aos colegas que perderam aquele que ficou retido. Pior, existirá sempre um grupo de alunos que, mesmo ainda não tendo contactado com o aluno repetente, estão já a ser prejudicados porque irão partilhar a mesma sala de aula com um aluno mais velho, que estará um ano inteiro a ouvir a mesma matéria, a que adquiriu e a que ficou por adquirir, e que não se vai identificar com aquele grupo.
Há uns anos, quando eu ainda andava na escola, era usual haver uma turma de alunos onde iriam parar todos os repetentes daquele ano, o que está na mesma lógica de guetização. Caso os alunos preenchessem uma turma, tínhamos a turma dos repetentes, caso contrário, tínhamos uma turma com vários repetentes e alguns alunos no seu normal percurso escolar.
A solução não passa por reter e a questão não é entre reprovar ou passar sem saber, é em formar professores para a questão, promover o diagnóstico atempado e munir as escolas de instrumentos que sejam válidos na resposta ao problema. Reprovar um aluno não só é uma medida ineficiente economicamente como ainda estamos a criar um problema maior.




39 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Tá descansado Pedro Perdigão.
Atualmente ninguém chumba , basta dizer presente na aula. Aaaa e se o aluno não for á aula as senhoras do 910 encarregaam-se de passar o menino.
O ME quer mostrar sucesso a todos o custo nem que seja á custa de uma geração de ignorantes.
Depois Pedro Perdigão vou gostar de ver qual o custo de estares numa maca a ser operado por um jovem vindo desta geração de não chumbos.
Esteja descansada Catarina. Esse jovem não irá para medicina. A seleção é feita mais à frente. No entanto, esse jovem como todos tem outras capacidades e poderá desempenhar outras profissões também muito dignas. Agora se o reprovarmos estaremos a aprofundar o problema, pois ele sentirá que não vai ser capaz de fazer nada. É isso que queremos?
Claro que não irá. A ele estar-lhe-á destinado o tráfico, a vassoura na rua, um biscate aqui e outro ali.
Deus nos livre de reprovar alunos; isso irá traumatizar-lhes toda a vida. A sociedade encarregar-se-á, brutalmente, disso. É passá-los a todos… Em suma, já é assim.
O grupo 910 e ensino especial são uma farsa. Quem lá está a lidar com sérios problemas de aprendizagem? Os que com vergonha de estarem no 1o ciclo fazem um cursinho de 6 meses numa privada para assim “ascenderem” a outro patamar. Ser um bom professor do 1o ciclo é do mais meritório que há, mas eles querem ir para outros níveis com a lenga lenga do coitadinho pensam que ajudam alguém em nome da inclusão.
Não é num cursinho de 6 meses que ajudam um autista, um surdo, um mudo, um disléxicoo, um défice cognitivo, um preguiçoso ou um simples mal educado obrigando os outros professores a fazê-lo transitar.
Isto não é incluir, é excluir para o resto da vida estas pessoas com graves problemas que precisam de aprendizagens a sério com técnicos a sério. Aqui está uma grande oportunidade de negócio para os privados com criação de centros especializados fazendo protocolos com hospitais e clínicas , mas não com a falta de qualificações do 910 cujo único fito é a sua própria inclusão em níveis de ensino que eles consideram mais prestigiantes embora não sendo. O que eles fazem com estes problemas complexos nas escolas é manter ocupado e pressionar os conselhos de turma. Para isso, manter entretidos, bastava um auxiliar ou dois, no fundo para tomar conta.
Ensinar Brail, linguagem gestual, técnicas para disléxicoo, capacitar para higiene diária, manter rotinas ou potenciar bons hábitos em autistas implica pessoal médico e muito qualificado, com muita técnica e sem tretas de coitadinho. Dá trabalhio, mas trabalho mesmo.
Não criem balbúrdia nas escolas, maus exemplos de facilitismos e desmotivação para os alunos que realmente se empenham.
Mérito têm os profissionais das APPCDM e outras menos conhecidas
É preciso ver mais além!
Pode não ser a pessoa que o vai operar … mas pode ser a pessoa que lhe vai afinar os travões do carro, instalar a caldeira ou o esquentador, e muitas outras situações.
Todos os ofícios são importantes e todos devem ser respeitados e desempenhados por pessoas capazes, competentes, conhecedoras do mesmo e capazes de saber ler e interpretar documentos relativos a normas de segurança, e saber a implicação do não cumprimento das mesmas (por exemplo).
Só os médicos é que têm de ter uma boa formação?
Pode não ser a pessoa que o vai usar o bisturi para o operar… mas pode ser a pessoa que lhe vai afinar os travões do carro, instalar a caldeira ou o esquentador, e muitas outras situações que implicam segurança e podem levar a acidentes.
Todos os ofícios são importantes e todos devem ser respeitados e desempenhados por pessoas capazes, competentes, conhecedoras do mesmo e capazes de saber ler e interpretar documentos relativos a normas de segurança, e saber a implicação do não cumprimento das mesmas (por exemplo).
Lembre-se disso quando for a uma oficina verificar os travões do carro ou quando contratar alguém para lhe instalar uma caldeira ou esquentador!
Cara Catarina, subscrevo na íntegra aquilo que dizes, o comodismo, facilitismo nunca deram bons resultados e a tendência é sempre piorar e nunca melhorar! As escolas facilitam a passagem de alunos por causa de rankings!
Cara Catarina, concordo em absoluto naquilo que diz! O facilitismo, comodismo não foram bons conselheiros. Infelizmente, as escolas facilitam pela questão de rankings! Facilitam imenso para aqueles que não possuem bases e depois há sempre aqueles que vão para cursos superiores,independentemente de qual seja, sem ter qualquer tipo de noção daquilo que realmente quer. Consequentemente, vão ser profissionais frustrados ou pior ainda não saberem fazer, por exemplo, um simples cálculo, ou pq não possuem espírito crítico ou pq têm falta de bases que deveria ter sido apreendida até ao 12º ano, mas acabou por não ser por ter havido demasiado facilitismo, comodismo ou até mesmo cunhismo!
Concordo em absoluto com o artigo assinado pelo Pedro Perdigão. Estou no 1.º CEB e da minha experiência profissional, as crianças retidas pelas colegas que ficavam comigo outro ano não iam muito mais longe no seu sucesso académico apenas porque ficavam para cumprir o programa das áreas curriculares outro ano. Podiam sim, partilhar de uma dinâmica diferente na socialização com os pares e nas experiências de aprendizagem que eram naturalmente diferentes. Tinha o cuidado de investir em visitas de estudo para os levar a sítios onde as famílias (por privação ambiental) nunca levariam. Dava-lhe a conhecer o concelho ou ia mais longe para lhes mostrar o “mundo”! Faziam projetos de pesquisa e experimentavam a “aula invertida”! Dançavam na sala, ouviam o “Orelhudo” dos Serviços Educativos da Casa da Música, como rotina diária. Localizavam no planisfério o país do compositor/músico/ intérprete que estava tratado no trecho musical. Mobilizavam as competências de português e de matemática debruçando-se sobre as efemérides e produziam textos a partir das vivências do seu quotidiano e não da sugestão do manual, em nada significativas para os alunos. E sim, garanto-vos que ficavam com boas memórias da escola, naquele ano. Agora, que é sempre assim? Não é? E concordo que as retenções pouco ou nada acrescentam a um aluno que tenha de repisar as mesmas estratégias de sala de aula. Quando muito irá lembrar-se da humilhação de ter ficado para trás! Quanto ao não saber o que seria expectável, não partimos todos com o mesmo “software” quando iniciamos a escola, pois não? E não são as colegas do 910 que acodem aos meninos e que os transformam com um golpe de mágica. Não há em Portugal uma política para a infância, concertada, com trabalho de equipa multidisciplinar e em que seja possível mobilizar, prontamente, outras estruturas de apoio. Se eu precisar de uma terapeuta da fala na escola, não tenho. Mandam-me dizer à mãe que procure no Centro de Saúde. A mãe se não estava empoderada para garantir à sua criança uma imagem da escola positiva e capaz de contribuir para a sua ascensão social, também não vai avançar tão depressa como seria necessário. Depois é o Centro de Saúde que não avança. Há listas de espera. Faltam protocolos! E se for preciso um terapeuta ocupacional, a mesma inércia! E se for preciso um psicólogo, dizem-me que a do AE não faz clínica, só orientação vocacional e que tem a seu cargo as básicas todas mais a secundária! E passa-se um ano letivo em que o professor titular mais não pôde fazer senão papéis e “identificação de necessidades de apoio … à inclusão”! Que inclusão? A que eu conseguir fazer sozinha, na sala de aula? Com a minha comunidade de aprendestes? Sim, porque os documentos que eu anexo ao processo do aluno em nada alteram a qualidade das experiências de aprendizagem e não garantem que a mobilização das áreas terapêuticas aconteçam. E assim passam um, dois, três anos letivos!
Cara Catarina, deixe-me dizer-lhe que a menina não compreendeu o artigo do Pedro… e o Pedro não corre o risco de vir a ser operado por um desses miúdos que ficou sem saber nada! Sabe porquê? Porque não são esses que entram em medicina com as médias altamente absurdas que estão instituídas! E um médico demora doze anos na sua formação antes de estar de bisturi no bloco. Isto é tão óbvio!
Exato! A cara condena à partida essas criaturas a nunca poderem pegar num bisturi, porque para elas está destinada a profissão que ninguém mais quer. O ano que passaram consigo foi uma festa e deixou-lhes uma imagem felicíssima da escola. E até aprenderam a localizar a Áustria no mapa naquele dia, para, daí a duas semanas ou um mês, estarem como antes: ignorantes, mas felizes.
É isto o pensamento pacóvio nacional, esquecendo os inúmeros exemplos de alunos que reprovaram e, com essa reprovação, mudaram toda a sua forma de ser e de encarar a escola. É que exemplos há-os para todos os casos, e não apenas para estes fofinhos que vocês procuram vender aqui.
Vocês, com esse pensamento provinciano e paroquial, condenam estes alunos a nunca passarem da cepa torta. Para vocês, não há mobilidade social, por causa do «software” que carregam à partida. Sois patéticos e perpetuadores do «satu quo”. Patéticos paroquiais!
Muito bom , Roberto.
Está tudo dito!!! O Roberto Paulo (mais uma vez!) acerta na mouche. Quantos chumbos há no 1º ciclo? Raros, raríssimos. E como chegam ao 2º ciclo os meninos da escola da felicidade, dos pós-modernismos pedagógicos centrados no aprender a aprender e no saber fazer e saber ser e aulas invertidas e pedagogias não diretivas e o diabo a sete? A maioria não sabe ler nem escrever!!! Arranham sofrivelmente a arte da escrita e da leitura. E a partir daí é o descalabro porque no 2º ciclo há matérias concretas e não há aulas de Introdução à Leitura e à Escrita, já para não falar no cálculo! E depois é um arrastar de misérias, e como já ninguém está para se chatear muito perante um Ministério que só sabe é complicar a vida aos professores com montanhas de burocracia e ainda por cima os desrespeita social e economicamente, os alunos vão passando, até porque em termos burocráticos tentar chumbar alguém é um inferno! E mesmo que tenham 8 ou 9 ou 10 negativas podem passar, a lei assim o permite! Mas a malta não está satisfeita, ainda querem mais, querem que fique na lei que o chumbo acabou de vez, ponto final! E… estupidez da estupidez… vêm justificar isso com os dados internacionais dos países onde não se chumba… e esquecem de forma néscia que nesses países as escolas são de proximidade, as turmas não têm 28, 29 ou 30 alunos e, sobretudo, nenhum professor tem 10, 11 e 12 turmas, podendo assim acompanhar melhor os alunos ao longo do ciclo e dedicar-lhes uma atenção mais individualizada e um apoio mais efetivo com vista à recuperação e consolidação das aprendizagens! Além disso, também não impõem pedagogias aos professores, confiam neles e no seu conhecimento, valor e profissionalismo/profissionalidade!
Disse!
Caríssimo, não sei se já se apercebeu, mas as médias de entrada no curso medicina baixam a cada ano que passa!!! Por isso, preste atenção aquilo que escreve para depois não ser desacreditado!
Eu reprovei no 11º ano e só me fez bem….deu-me a responsabilidade que não tinha!
Cada caso é um caso…a alguns fará bem repetir, a outros fará mal!
Gostava de ler um estudo que revelasse quanto custa ao país o facto da Escola estar a debitar nos últimos anos para o mundo do trabalho imbecis que transitaram todos os anos mas que não têm maturidade para assumir responsabilidades de qualquer tipo e que, com trinta anos ou mais, não trabalham e são dependentes economicamente dos pais e dos avós. Já agora, também gostava de ler um estudo que revelasse quanto custou desde 2008 a Educação Especial e qual o atual grau de integração dos antigos NEEs na sociedade (ou seja, para que serviu o dinheiro gasto na Educação Especial). Mas não tenho esperança que se venham avaliar de forma isenta medidas que são decididas com base em meros critérios de puro fanatismo ideológico.
Não venham com tretas.
Toda esta conversa de “os aluno vão ficar muito afectados se reprovarem, não existindo nenhuma vantagem em os reprovar!” reduz-se, essencialmente, a isto: reprovar um aluno custa dinheiro, portanto vamos arranjar maneira de não gastar senão o estritamente necessário.
Estão todos tapadinhos! O problema é bem maior. Fazem transitar alunos com 4, 5, 6 ou 7 negativas, como eu já presenciei. Os seus colegas, que habitualmente se esforçam, ficam com a noção de que não valerá a pena esforçarem-se tanto, pois veem os seus colegas que passaram o ano sem estudar, a perturbar as aulas, a desrespeitar os colegas, professores e funcionários e ainda assim transitam. Isto sim, faz com que o nível de empenho dos bons e dos médios alunos decresça significativamente. Nós, professores, andamos aqui a esmifrar-nos, trabalhando o dobro das horas, muitas vezes em precariedade laboral contratual há mais de 20 anos. Já passei por dezenas de escolas, em diferentes contextos socioeconómicos e sei muito bem o que se passa em Portugal. E para aqueles que vêm aqui falar das competências profissionais dos meninos, esquecem-se do fundamental da vida, que é o empenho e a responsabilidade. E, ao transitarem, continuarão a pensar que irão novamente continuar a passar de ano sem o mínimo esforço, sem terem que estudar, e continuarão a abandalhar as aulas, prejudicando os seus colegas e os professores, desgastando ainda mais estes últimos (fazendo decrescer, pelo seu desgaste, a capacidade de formar aqueles que querem aprender e que se esforçam, visto que passam mais de metade do seu tempo a tratar destes casos de indisciplina e em recuperações). O que está a acontecer, ao fazerem transitar meninos com 4, 5, 6 ou 7 negativas é, simplesmente, andar a formar jovens irresponsáveis e incompetentes. Tirem o cavalinho da chuva! Estes jovens, quando se candidatarem , nem sequer conseguirão um emprego a varrer ruas. Que empregador irá querer alguém que não tem quaisquer competências? E, pior, que empregador irá querer alguém que chega sempre atrasado, que falta constantemente e que nem sequer respeita os colegas de equipa? Depois de findados os 15 dias à experiência, vão para o olho da rua, e aqueles que conseguirem passar essa fase, em pouco tempo serão dispensados. Com o facilitismo que se tem verificado nos últimos anos, vamos ter um país de incompetentes e irresponsáveis, até mesmo, em profissões como varrer ruas. E, acreditem, os melhores irão trabalhar para o estrangeiro, onde são bem pagos. Venham pseudo-especialistas dizer o contrário, venha quem quiser, pois sei muito bem do que estou a falar. O problema está enraizado na sociedade portuguesa e está-se a agravar. Não sou partidarista, nem me deixo influenciar por cores. Para mim, esquerda ou direita são direções. mas uma coisa é certa, estar a dar subsídios a quem não quer trabalhar e a quem não incute responsabilidade nos seus filhos, é estar a enegrecer o futuro de Portugal.
Uma análise sensata. Vão fazendo falta, nesta sociedade de gente magoada e altamente sensível.
Absolutamente certeiro e eu aplaudo de pé!!! Tenho mesmo de saudar a lucidez e visão absolutamente correta do problema!
Acrescento ainda um ponto: no nosso sistema de ensino há outro mito intocável… os alunos não podem seguir vias profissionalizantes muito cedo porque isso os limita para a vida e se faz uma seleção social que nega a equidade e o elevador social que a Escola Pública deve ser. E assim… vamos todos caminhar para sermos doutores! Nada de mais errado! Conheço diversos casos de alunos que andaram que chumbaram diversas no 2º e 3º ciclo, com comportamentos execráveis, no limite da criminalidade pura e dura, e assim que foram encaminhados para Escolas de índole profissionalizante, com regras e códigos de conduta muito claros e inegociáveis, mudaram radicalmente a sua atitude, tornaram-se alunos empenhados, cumpridores, e aí sim verdadeiramente FELIZES pois encontraram algo que os motivava e que lhes abria uma porta concreta para o futuro, mesmo que isso fosse, tornarem-se jardineiros, mecânicos, cozinheiros, técnicos de património, etc. etc.!
Valia a pena abrir esse debate e rever a mentalidade de muita gente nas escolas e fora delas sobre este assunto!
Mas ainda há reprovações???
Então e as situações de falta de maturidade, em que a retenção talvez fosse dar à criança, mais ferramentas para não sofrer tanto com a mudança de ciclo?
A “retenção não é, longe disso, solução para o problema das aprendizagens”.
Quem diz/defende o contrário?
As retenções já são residuais e, para este choradinho acabar de vez, devem ser rapidamente… revogadas (só em situações de acordo entre encarregados de educação e equipas EMAEI).
Reparem que é coisa que se faz/consegue de forma imediata: basta um decreto.
Agora,
revogar o esforço e a vontade de trabalhar de tantos e tantos alunos… já vai ser mais difícil, lol.
E o mesmo se aplica àqueles que,
por mais inovadoras🤓 que sejam as pedagogias,
não sabem, não querem saber e não gostam de quem sabe.
Pois há imensos profs de 1 ciclo e 910 muito traumatizados! Fartaram-se de chumbar no tempo em que isso era possível e conseguiram chegar a profs. Se fosse agora ainda iam parar à Nasa.
Esta cambada que defende o fim das retenções quer é tachos para terapeutas, psicólogos, nutricionistas, optometristas, PTs, bordadeiras…A escola é o lugar do Ensino. Se querem farra façam-na nos escuteiros, na banda da terra, na romaria, na discoteca, na segurança social, nos consultórios, nos alcoólicos anónimos, na sopa dos pobres, no rancho folclórico, em cada dos pais e dos avós!
Limpem as escolas! Varram-nas dessa gente e tornar-se-á mais respirável, menos burocrática e menos cara.
Trabalhemos a sério e abram escolas especializadas sérias também.
Cada macaco no seu galho e um chumbo é sempre uma oportunidade de melhorar, tal como um revés da vida!
Leciono 3.º ciclo e atualmente os únicos alunos que reprovam são alunos com uma série de faltas disciplinares (e muitas mais que ficam por marcar porque as consequências negativas recaem sobre o professor que as marca) e/ou alunos que não fazem rigorosamente nada. E depois andamos ali feitos palermas a pedir que o aluno entregue alguma porcaria qualquer para podermos dizer nas reuniões o “aluno tal esforçou-se mais neste período, este 3 é para encorajar”.
Que treta de artigo. Estou farta de ler e ouvir opiniões de “experts” que não têm a mínima noção e experiência do que se passa nas salas de aula de hoje em dia. Toda a gente pensa que tendo sido aluno, a sua opinião sobre Educação é perfeitamente válida. Bastava terem que ensinar durante um ano que mudavam logo de perspetiva.
Concordo, PROFET. A esta altura já ninguém reprova alunos por não terem adquirido as bonitas aprendizagens essenciais que valem o que valem. Reprovam (ou reprovariam se a quantidade de negativas com que chegam ao conselho de turma não subissem magicamente) porque para além de não terem atingido qualquer patamar de competências/aprendizagens, o mais baixo que seja, não demonstram responsabilidade, esforço. Muitas vezes características mais importantes que as aprendizagens definidas no programa da disciplina.
Mais uma ”chalupada” pós-moderna, querem acreditar que isto é uma espécie de ciência, dos traumas da retenção. Se não sabe é retido, e??? Sabe o que é um trauma? É não ter que comer, é ver os seus familiares despedaçados por uma bomba na Síria, é fazer umas dezenas de Km a pé para ir à escola, como em muitos países de África! Trauma??? Esta cultura pueril de adultos é muito própria da nova Europa! Olhe para Ásia, e não falo só da China, não há tempo para estas tolices de meninos mimados … Mais, o que vocês fazem , com essa atitude aparentemente boa, benevolente, é uma discriminação dos alunos mais pobres, a quem baixam a exigência curricular para que , sem qualificações, vos vão limpar as latrinas!!!! Fazem lembrar a tia que tem o seu pobrezinho de estimação para expiar os pecados…
Melhorar o rendimento escolar dos mais carenciados não se faz com esse discurso delicodoce de esquerda caviar requentada , mas promovendo o bem estar das famílias, uma distribuição justa de rendimentos (e não falo aqui de comunismo, mas de justiça) , criando riqueza e postos de trabalho pagos de forma justa a gente qualificada… Sem haver medidas a montante, no coração das famíllias, quem promove a verdadeira discriminação e incentiva o trauma, são os que defendem um currículo mínimo para pobrezinhos e um bisturi na mão dos seus rebentos. Tenham vergonha: Aceitar que um aluno chegue ao 7º ano de escolaridade, como agora acontece, sem saber ler nem escrever é que é uma retenção para a vida, além do apoucamento da própria instituição académica e dos seus profissionais!
MUITO BEM!
Fartinha de ouvir estes peritos do facilitismo. É mais caro reprovar, assumam que é isso que pretendem: poupar uns cobres através da lavagem cerebral aos professores. Dou Secundário numa escola boa, mas mesmo lá aparecem uns meninos no 10 ano , habituados aos milagres do terceiro período. Não fazem nada, não querem fazer, mas esperam passar. Aliás, garantem em casa que isso vai acontecer, até porque já aconteceu… Quais são os custos para um país onde se ensina que se pode avançar sem esforço, brio ou mérito? São as Arianas deste país que falam assim, mas de certeza que têm os filhos em colégios onde a mediocridade não é a lei. Querem poupar dinheiro, assumam que é isso.
Bahhhh
Só para descontrair um bocadinho…
Esses alunos mais fraquinhos têm sempre a opção de irem para Professores ahahahah
Tenho um amigo que se virou para mim, SEM QUALQUER MALDADE, que conhecia um amigo que até era bom aluno e, decidiu ir para professor! Disse isto com uma convicção que até fiquei com medo. É assim que somos vistos pela sociedade. Medo. Muito medo.
Eu cá não subo milagrosamente nenhuma classificação. Deixo essa responsabilidade ao C.T. – não sei (nem quero saber/ser responsabilizado) pelo que será o melhor para o futuro do aluno.
Boa Páscoa
O texto de Pedro Perdigão encerra todo o tipo de equívocos. Estaríamos aqui anos a desmontar, tantas são as falácias. A tristeza dos alunos que ficam sem o colega repetente; a tristeza do aluno repetente; a repetência é ineficiente economicamente; enfim… como se alguém (professor incluído) tivessem gosto na repetência.
Mas o equívoco maior é a fórmula que se propõe para resolver o assunto: os professores. Sempre os professores. Precisam de formação para diagnosticar melhor e mais atempadamente as dificuldades dos alunos. Como se faz isso caro Pedro Perdigão? Para além de ter que se munir as escolas com os instrumentos válidos para responder aos problemas. Quais caro Pedro Perdigão?
Estou farto de ouvir e ler ignorâncias.
Ó nascas, seu Atento Pintenhko, hoje não escreves nada? Estás na ocupação habitual e não tens tempo?
Hoje, nas escolas, tolera-se tudo aquilo que as elas, como instituições que formam para a vida ativa, deviam censurar, que é a falta de responsabilidade, falta de trabalho e falta de respeito. Mais fraudulento ainda, as escolas premeiam estes comportamentos com transições sucessivas dos infratores.
Venha quem vier, diga-se o que se disser, mas ao reconhecer o mérito a quem dá 2 erros em cada palavra (quando a escreve), estamos a participar numa mentira monumental, e isto envergonha-me enquanto professor.
Recuso ser a favor ou contra retenções tout court.
Depende dos casos.
E nós, professores, ao longo da nossa experiência feita de casos, sabemos que assim o é.
Certezas à partida revelam pouco discernimento e inteligência.
Só sei que não vou por aí.
Não sei qual é a melhor solução. Alunos que não sabem escrever, não sabem ler … temos alunos a chegar ao 10ªano com muito poucas competências. Urgente tomara medidas. Não querem chumbos, criem outras soluções para este pessoal apreender qq. coisa…. é urgente colocar este alunos a conseguir ler, pensar, escrever.
https://duilios.wordpress.com/2021/04/05/na-minha-escola-quase-ninguem-chumba/
Pode não ser a pessoa que o vai operar … mas pode ser a pessoa que lhe vai afinar os travões do carro, instalar a caldeira ou o esquentador, e muitas outras situações.
Todos os ofícios são importantes e todos devem ser respeitados e desempenhados por pessoas capazes, competentes, conhecedoras do mesmo e capazes de saber ler e interpretar documentos relativos a normas de segurança, e saber a implicação do não cumprimento das mesmas (por exemplo).
Cara Maria.
Lembre-se disso quando for a uma oficina verificar os travões do carro ou quando contratar alguém para lhe instalar uma caldeira ou esquentador!
A figura da retenção tem a mesma função da figura da multa, coima, contraordenação, pena de prisão: dissuadir. Todas são ineficientes economicamente e socialmente, mas nenhuma sociedade prescinde delas, exceto a portuguesa que prescindiu da retenção. Se eliminarem essas figuras, imagine-se o que aconteceria no quotidiano das sociedades…
Agora imagine-se o que acontecerá na sociedade portuguesa daqui a uns anos com a eliminação da retenção…