Avaliar e monitorizar as condições do E@D por parte dos alunos e professores é importante para melhorar as condições e corrigir problemas. Tenho por hábito realizar inquéritos simples e de fácil resposta em momentos que considero oportunos e fulcrais.
Mas esta resposta chamou-me a atenção pela enorme humildade de quem com pouco recursos se sente bem com o que tem. Ao contrário de muitos que com bastantes recursos passam a vida a queixar-se.
“Está tudo bem tenho o telemóvel da minha mãe para assistir ás aulas, a minha mãe vai a papelaria e imprime quando há fichas, mas trabalho quase sempre nos meus manuais da escola por isso não me faz falta nada. Obrigada por se preocuparem comigo e com todos os meninos da escola.“




8 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Tenho alunos de 9º ano que trabalham com os manuais e com o telemóvel da mãe quando esta regressa à noite a casa… Vão cumprindo dentro das suas possibilidades.
Alguns revelaram agora a sua generosidade e resiliência. Comovem-me, mas deixam visível as marcas de um tempo que agrava desigualdades profundas, mesmo nas oportunidades.
E no entanto, certo banco português recebe mais de 800 milhões de euros num processo pouco claro e que já provocou faíscas entre certas figuras de Estado (Marcelo, Costa e Centeno) ou então foi tudo fogo de vista para disfarçar uma panelinha há já algum tempo preparada…mas que os 800 milhões seriam mais úteis noutras áreas certamente seriam,,.
Determinado aluno da minha direção de turma tem um “telemóvel velho que vai dando para algumas coisas”.
Na “semana da mãe” pede emprestado o computador do namorado da mãe, na “semana do pai” pede emprestado o computador à namorada do pai, que por vezes lho cede.
Nem sempre consegue entregar as tarefas no prazo, mas não faltou fazer ou entregar um único trabalho desde o início!…
Grande lição de vida para todos e em especial para os mais “perfecionistas”, que parecem inventar novas estratégias e novos recursos! Haja humidade e bom senso!
A humildade desta criança/ jovem a contrastar com a arrogância de muitos, sempre muito cheios de si e com todos os meios ao dispor…
É muito fácil emitir resmas de orientações quando se desconhece a verdadeira realidade do país e as limitações quotidianas existentes, a vários níveis, no seio de muitas famílias…
O mundo só é cor-de-rosa para alguns, infelizmente…
Sabia que o perfeccionismo, à luz das novas correntes da psicologia, não é considerada propriamente uma virtude?
Fiquei estarrecido com a doutrina que os novos psicólogos aprendem nas universidades:
“Uma revolução teve lugar no vocabulário do self. Palavras que implicam confiabilidade ou responsabilidade – autocrítica, abnegação, autodisciplina, autocontrole, modéstia, autodomínio, autocensura e auto-sacrifício – não estão mais em uso. A linguagem mais favorecida é aquela que exalta o indivíduo: autoexpressão, autoafirmação, autoindulgência, auto-realização, autoaprovação, autoaceitação, egoísmo e a omnipresente autoestima.
E da gratidão!!!
Depois do toque de saída da última aula antes do confinamento um certo aluno (muito maior que eu), já a dois metros da porta de saída, faz uma parvoíce e eu disse-lhe de imediato: “Tens falta!”. -“Professor desculpe.” – “TENS FALTA!”
Mais tarde eu disse à DT que lhe ia tirar a falta, mas creio que ele não chegou a saber.
Partilho apenas a parte final de uma mensagem que esse aluno me enviou, explicando os seus projectos, na sequência do meu interesse (tipo cão que não larga) pelas suas inscrições para exame:
“(…) Gostava de agradecer ao professor a sua preocupação com o que vai ser do meu futuro e com a preocupação de uma disciplina que não é a sua e estou a ser sincero fiquei mesmo grato não estou a dar gracha ao professor ou algo do género.
Muito obrigado, comprimentos (…)”
Assim mesmo.
Grande lição para os que tem tudo e fazem de conta que não tem nada.