Da Enorme Humildade

Avaliar e monitorizar as condições do E@D por parte dos alunos e professores é importante para melhorar as condições e corrigir problemas. Tenho por hábito realizar inquéritos simples e de fácil resposta em momentos que considero oportunos e fulcrais.

Mas esta resposta chamou-me a atenção pela enorme humildade de quem com pouco recursos se sente bem com o que tem.  Ao contrário de muitos que com bastantes recursos passam a vida a queixar-se.

 

Está tudo bem tenho o telemóvel da minha mãe para assistir ás aulas, a minha mãe vai a papelaria e imprime quando há fichas, mas trabalho quase sempre nos meus manuais da escola por isso não me faz falta nada. Obrigada por se preocuparem comigo e com todos os meninos da escola.

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8 comentários

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    • Antonia Almeida on 14 de Maio de 2020 at 20:12
    • Responder

    Tenho alunos de 9º ano que trabalham com os manuais e com o telemóvel da mãe quando esta regressa à noite a casa… Vão cumprindo dentro das suas possibilidades.
    Alguns revelaram agora a sua generosidade e resiliência. Comovem-me, mas deixam visível as marcas de um tempo que agrava desigualdades profundas, mesmo nas oportunidades.

    • Manuel on 14 de Maio de 2020 at 20:25
    • Responder

    E no entanto, certo banco português recebe mais de 800 milhões de euros num processo pouco claro e que já provocou faíscas entre certas figuras de Estado (Marcelo, Costa e Centeno) ou então foi tudo fogo de vista para disfarçar uma panelinha há já algum tempo preparada…mas que os 800 milhões seriam mais úteis noutras áreas certamente seriam,,.

    • Manuel Guarda on 14 de Maio de 2020 at 20:51
    • Responder

    Determinado aluno da minha direção de turma tem um “telemóvel velho que vai dando para algumas coisas”.
    Na “semana da mãe” pede emprestado o computador do namorado da mãe, na “semana do pai” pede emprestado o computador à namorada do pai, que por vezes lho cede.
    Nem sempre consegue entregar as tarefas no prazo, mas não faltou fazer ou entregar um único trabalho desde o início!…

    • Abrantes on 14 de Maio de 2020 at 21:55
    • Responder

    Grande lição de vida para todos e em especial para os mais “perfecionistas”, que parecem inventar novas estratégias e novos recursos! Haja humidade e bom senso!

    • Matilde on 14 de Maio de 2020 at 22:05
    • Responder

    A humildade desta criança/ jovem a contrastar com a arrogância de muitos, sempre muito cheios de si e com todos os meios ao dispor…

    É muito fácil emitir resmas de orientações quando se desconhece a verdadeira realidade do país e as limitações quotidianas existentes, a vários níveis, no seio de muitas famílias…

    O mundo só é cor-de-rosa para alguns, infelizmente…

      • Paulo Pereira on 17 de Maio de 2020 at 4:06
      • Responder

      Sabia que o perfeccionismo, à luz das novas correntes da psicologia, não é considerada propriamente uma virtude?

      Fiquei estarrecido com a doutrina que os novos psicólogos aprendem nas universidades:
      “Uma revolução teve lugar no vocabulário do self. Palavras que implicam confiabilidade ou responsabilidade – autocrítica, abnegação, autodisciplina, autocontrole, modéstia, autodomínio, autocensura e auto-sacrifício – não estão mais em uso. A linguagem mais favorecida é aquela que exalta o indivíduo: autoexpressão, autoafirmação, autoindulgência, auto-realização, autoaprovação, autoaceitação, egoísmo e a omnipresente autoestima.

  1. E da gratidão!!!

    Depois do toque de saída da última aula antes do confinamento um certo aluno (muito maior que eu), já a dois metros da porta de saída, faz uma parvoíce e eu disse-lhe de imediato: “Tens falta!”. -“Professor desculpe.” – “TENS FALTA!”
    Mais tarde eu disse à DT que lhe ia tirar a falta, mas creio que ele não chegou a saber.

    Partilho apenas a parte final de uma mensagem que esse aluno me enviou, explicando os seus projectos, na sequência do meu interesse (tipo cão que não larga) pelas suas inscrições para exame:

    “(…) Gostava de agradecer ao professor a sua preocupação com o que vai ser do meu futuro e com a preocupação de uma disciplina que não é a sua e estou a ser sincero fiquei mesmo grato não estou a dar gracha ao professor ou algo do género.
    Muito obrigado, comprimentos (…)”

    Assim mesmo.

  2. Grande lição para os que tem tudo e fazem de conta que não tem nada.

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