Professores e alunos não são irresponsáveis
O plano do Ministério da Educação para o regresso às aulas presenciais para os alunos do 11.ª e os 12.ª anos de escolaridade não será perfeito. Mas classificá-lo como irresponsável e absurdo, como fez o líder do maior sindicato dos professores, é passar um atestado de incompetência aos diretores de escolas, aos professores e também aos alunos.
É certo que o cumprimento das regras anunciadas vai depender em grande parte da capacidade das escolas e dos recursos técnicos e humanos disponíveis. Todos os estabelecimentos de ensino têm as suas particularidades, quer em dimensão quer em contexto social e económico. Todos são diferentes, como o são professores e alunos.
O que é importante é minimizar as desigualdades no ensino. É bom não esquecer que a presença dos alunos não será obrigatória e, portanto, adivinha-se que os estudantes com melhores condições económicas vão socorrer-se de mais explicações, recurso que já seria frequente nesta fase do calendário escolar, independentemente das circunstâncias atuais. Portanto, é necessário garantir aos outros alguma justiça nas condições em que serão avaliados.
Duvidar ainda que os alunos serão capazes de se comportarem dignamente durante os intervalos que terão de permanecer dentro das salas de aulas é tratar, por exemplo, os mesmos jovens que estão na vanguarda da consciencialização ambiental como irresponsáveis.
Os professores estão neste momento à beira de um ataque de nervos. À custa do ensino à distância estão exaustos. Precisam de preparar aulas na Internet, enviar trabalhos, corrigir e responder aos alunos e aos encarregados de educação. E muitos são ao mesmo tempo pais e mães de filhos iguais aos seus alunos.
Argumentar que as escolas não são capazes de garantir o bem-estar e segurança de toda a comunidade é contribuir para a degradação da imagem dos professores construída muitas vezes por quem os representa.
In JN




25 comentários
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Os professores e os alunos não são irresponsáveis (nisso terá razão), o problema é mesmo a irresponsabilidade do Ministério, por muito que isso custe aceitar ao Manuel Molinos…
Lá terá, certamente, os seus motivos…
Concordo plenamente consigo!
Mas maior irresponsabilidade vai ser colocar 25 crianças numa sala do pré- escolar, sem máscaras, todo o dia… juntamente com mais 50 ou 75 de outras 2 ou três salas, com 2/3 casas de banho de uso partilhado pelas salas do pré-escolar; manter a distância obrigatória e a higiene necessária… e evitar o contágio! Vai ser um “barril de pólvora”! Mas, tudo bem, os filhos e netos dos senhores ministros, secretários … andam em colégios particulares … Os educadores e assistentes também estão todos imunes! …
Enfim, são as “mentes brilhantes” que temos!
Concordo, em absoluto, com o artigo.
Apresente os seus argumentos. Ou é com base no achómetro?
Luluzinha, apesar de partilharmos o (bom) gosto pela Hèrmes, o que não deixa de ser digno de registo, não posso, agora, deixar de lhe demonstrar a minha total discordância… 🙂
Lamento…
Como tenho uma mente aberta e democrática, aceito o reparo, Matilde. Apenas uma diminuta correcção: Hermès.
Tem toda a razão, Luluzinha, escrevi mal aquela palavrinha tão importante para nós… :).
E, sim, nem sempre concordamos uns com os outros, mas respeitamos todas as opiniões, comme il fault, em Democracia. 🙂
NINGUÉM DISSE AQUILO QUE ESTE CRÁPULA ESCREVEU.
São os CHULOS do JN ao serviço do Costa.
Chulos pq vivem à custa dos subsídios, a que chamam publicidade, do estado.
Jornalistas Vergonhosos e sem escrúpulos.
Dignos da propaganda nazi.
Mentirosos a soldo.
Pois… Quando lá em cima escrevi isto: Lá terá, certamente, os seus motivos… Passaram-me pelo pensamento coisas muito feias que, diga-se, em abono da verdade, não tive coragem de escrever, mas que o seu comentário, de alguma forma, expressa… Obrigada, por isso.
E depois, dizem que se vendem poucos jornais. Pudera, se são alguns dos maiores jornais a atacarem os professores! Por que será, que o Público não costuma atacar os professores? Porque tem independência económica. É só isso. Não muda, conforme as marés.
A verdade é que, a menos que esteja enganado, há o esquecimento de que o atual “modelo” indicado pelo Ministro ontem… e ainda não chegado às escolas… foi alterado após o que o sindicalista disse!
Haveria contudo formas mais simples de fazer a organização… Mas claro nunca poderia ser feita pois em política não se ouve nem se dá o braço a torcer… faz-se de conta!
Solução com sentido…
– Aulas presenciais com peso de 50% para os alunos que quisessem (e que não têm possibilidade de assistir às aulas síncronas);
– Essas aulas seriam transmitidas via plataformas web (tal como se faz com alunos em casa);
– 50% de trabalho autónomo dos alunos.
No secundário obviamente que funcionaria, sobretudo com os alunos que querem fazer os exames e que estão super preocupados… Os alunos conscientes sabem o muito que têm a perder…
Quem paga as máscaras aos alunos de casa á escola (TP)?
O aluno ou prof que tiver em casa pessoa de alto risco como apresenta atestado?
Não sei….
Mas agora as pessoas com diabetes e hipertensos deixaram de ser grupo de risco….
E quem tem um filho , um pai, ou alguem la de casa com baixa imunidade?
Desde a mentira ( 1 ) que Hitler tinha se suicidado em Maio de 1945 , o Mundo tem aparecido ao povo por parte dos governos como uns autênticos bandidos , onde só interessa a mentira , o engano e a competição de forças entre potencias . Se realmente tivesse cometido suicídio , não teria havido Guerra Fria nem este vírus tinha aparecido . A “rota das ratazanas” levaram que tivesse havido esta divisão , milhares de Nazis super dotados , uns foram encobertos pelos EUA outros pela URSS . Depois de 1945 o Mundo já assistiu a mortalidade maior que a WWII , agora os vírus … mas já nos anos 40 os Nazis faziam expedições na Amazónia procurando o apuramento da raça e experiências do género e tinham uma base secreta na Antártica , a 211 .
1.http://tst.greyfalcon.us/fbi.htm
CARTA ABERTA SOBRE A REALIZAÇÃO DE EXAMES NACIONAIS NO ANO LETIVO 2019/2020
Ex.mo Sr. Presidente da República Portuguesa
Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia da República
Ex.mo Sr. Primeiro Ministro
Ex.mo Sr. Ministro da Educação
Ex.mo Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
Ex.mo Sr. Presidente do Conselho de Ministros
Ex.mo Sr. Presidentes de todos os Grupos Parlamentares
Ex.mo Sr. Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais – CONFAP
Ex.mo Sr. Presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação – CNIPE
Ex.mo Sr. Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas
Ex.ma Sra. Presidente do Conselho Nacional de Educação
Considerando que:
A evolução da pandemia é incerta a nível nacional e internacional;
O pico da doença poderá ainda não ter sido atingido, segundo os especialistas e informação da Direção Geral de Saúde;
Os exames do ensino secundário, neste ano letivo, visam unicamente fazer deles um instrumento complementar de acesso ao ensino superior;
O recomeço das aulas presenciais previsto para maio tem apenas como objetivo a preparação dos alunos para os exames nacionais;
Essas aulas poderão atentar contra a saúde pública de toda a comunidade escolar, expondo-a a riscos desnecessários e de consequências imprevisíveis, tanto mais que os jovens, por serem geralmente assintomáticos, serão potenciais veículos de transmissão de grande risco;
Existem alunos que pertencem a grupos de risco, cujas vidas verão e serão postas em causa ao terem que regressar à escola para terem aulas presenciais. Em contrapartida, a docentes e não docentes pertencentes a grupos de risco é dada a possibilidade de não voltarem às escolas sem mais;
As medidas previstas pelo governo nesse âmbito determinam que o aluno poderá optar por não ter aulas presenciais, se o fizer não estará em igualdade de circunstâncias relativamente aos outros quanto à sua preparação para os exames nacionais. Prova-o a decisão do governo ao ponderar o regresso às aulas presenciais, caso contrário, as aulas a distância, como até aqui, seriam suficientes;
Os alunos, ao voltarem às aulas presenciais, poderão infetar ou contrair a COVID 19, o que os afastará da escola, no mínimo 15 dias, pondo em risco a realização dos seus exames e também os dos seus colegas;
Aos alunos do 12º ano, que faltarem à primeira fase de realização dos exames por consequência da COVID 19, ser-lhes-á impossibilitada a candidatura à primeira fase do concurso ao ensino superior. Significa, na prática, perderem um ano da sua vida, uma vez que na segunda e terceira fases há cursos que não têm vagas sobrantes;
Estes jovens investiram os últimos 3 anos das suas vidas a preparar o seu ingresso no ensino superior, com expectativas, ansiedades e angústias que mais se agravam numa fase tão conturbada como a que vivemos;
A preparação destes jovens deva ser tranquila para que tenham um desempenho à altura de todo o tempo e estudo investidos, é necessário que a conjuntura e o contexto em que estão inseridos não sejam desfavoráveis nem os coloquem em desvantagem;
Ademais, o novo calendário de exames, entretanto estabelecido, irá, inevitavelmente, condicionar o início do próximo ano letivo, não se pode aceitar que a saúde dos jovens seja posta em risco por uma decisão prematura.
Face ao exposto, como Mãe e Encarregada de Educação de um aluno de 12º ano que pertence a grupo de risco, por ter duas doenças crónicas, venho por este meio:
Exigir ao Ministro da Educação o cancelamento do atual calendário de exames do ensino secundário pelas razões acima descritas e à semelhança do que outros países europeus já fizeram.
Solicitar aos Ministros da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior que, em coordenação, elaborem novas formas de acesso ao ensino superior válidas para o corrente ano letivo que não passem pela concretização do estabelecido no Decreto-Lei n.º 14-G/2020.
Apelar à defesa da vida de todos os envolvidos neste processo, mas sobretudo dos mais frágeis, como os alunos pertencentes a grupos de risco.
Porto, 07 de maio de 2020
Ana F.
Ana, a sua diligência e iniciativa são de louvar. Se muitos tivessem a sua atitude, talvez alguma coisa efectivamente mudasse…
Mas, infelizmente, o Zaratrusta tem razão: Por aqui parece que a maioria não aprecia iniciativas alheias e quando alguma se lhes oferece reagem intempestivamente, colocando sempre reservas e defeitos.
Mas não desista por isso, a sua iniciativa tem mérito e espelha a coragem de uma mãe que tenta defender, não só, o seu filho, mas também os filhos dos outros. E, talvez, poucos por aqui se possam vangloriar do mesmo…
EXIGIR?!?!
Como sinto orgulho de pais como a Ana. Também tenho filho no 12ºano e não concordo com a imposição das aulas presenciais a 18 de maio.
Cito seu parágrafo: “Exigir ao Ministro da Educação o cancelamento do atual calendário de exames do ensino secundário pelas razões acima descritas e à semelhança do que outros países europeus já fizeram.” Simplesmente para dizer com toda a minha convicção, que os nossos filhos, tal como os outros jovens dos países europeus, são cidadãos da Europa, cidadãos do mundo! Sendo certo que estão a ser alvo de completa discriminação! Porque enquanto eventuais candidatos, por exemplo, em ofertas formativas/mercado de trabalho internacional, os alunos europeus desses mesmos países lá estarão e sem quaisquer condicionantes, apesar dos seus países terem optado por não os expor ao risco…
Ana, estou consigo! “Exigir” sim! E que muitos e muitos pais e encarregados de educação se juntem à causa!
Admitindo, em tese, que nenhum aluno frequente as aulas presenciais, que plano Z terão os nossos Primeiro Ministro e Ministro da Educação???? Deixo a questão!
A propósito, partilho o comentário que deixei no post acerca da ‘Reabertura da resposta social creche’.
“”””Reabertura da resposta social creche!!!!!!!! Fantástico!!!!!!!!!!!
Clausura nas universidades!!!!!!!!!!!! Igualmente fantástico!!!!!!!!!!! Os alunos universitários são maiores de idade e responsáveis – na sua faixa etária de adultos, mas em casa!
Será que existe algo por trás destes dois panos? Algum estudo oculto sobre tais medidas? “””””
Afigura-se igualmente estonteante, perplexo e incompreensível, as universidades manterem os seus alunos em casa! E os menores, estão na ‘linha da frente’ ,são a carne para canhão como já li neste blog… PORQUÊ?
Muito bem Ana. Mas não espere qualquer resposta. Não se está a dirigir a pessoas racionais.
Será eticamente aceitável retomar aulas como parece estar previsto? – Uma alternativa
A pergunta ética crucial é: o que devemos fazer? Neste caso, o que devemos fazer quanto ao retomar ou não de aulas no ensino secundário, tal como parece estar previsto para breve, a 18 de Maio.
Manifesto a minha perplexidade e preocupação pela decisão desta retoma nas condições que são do conhecimento público, tanto quanto se pode ajuizar pela informação disponível até à data, dado o risco para a saúde pública que é expectável esta decisão implicar, sem que nada de substantivamente equivalente ou mesmo superior se lhe possa contrapor. Isto para já não referir os inúmeros obstáculos “técnicos” que esta decisão levanta. Comece-se por estes últimos – (1) e (2).
(1) Se (i) as orientações emanadas do Ministério da Educação (via Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) para o recomeço das aulas presenciais não determinam um número específico de alunos por sala, já (ii) a Resolução do Conselho de Ministros n.º 33-A/2020, no seu artº 10º, alínea a), especifica uma ocupação máxima por m2, a saber, 0,05[1], o que implica a ocupação, num espaço fechado, de uma pessoa por cada 20 m2.. Se assim for, uma sala com 100 m2 só poderia ser ocupada por 6 pessoas (supostamente 5 alunos e 1 professor, visto a Resolução referir que prestadores de serviços não contam; mas assuma-se que professores e alunos contam como pessoas…)[2]. Porém, este estado de coisas naturalmente levanta sérios problemas quanto à operacionalização de aulas presenciais.
(2) A Resolução em causa também determina a distância mínima a observar entre pessoas: no referido artº 10º, b), lê-se: “A adoção de medidas que assegurem uma distância mínima de dois metros entre as pessoas, incluindo aquelas que estão efetivamente a adquirir o produto ou a receber o serviço, podendo, se necessário, determinar-se a não utilização de todos os postos de atendimento ou de prestação do serviço”. Ora, este último tópico parece enquadrar o caso de atividades letivas presenciais, pois os docentes são prestadores de serviços. Porém, nas Orientações do Ministério apenas se refere a distribuição de um aluno por secretária ou mesa. Se isto assim for, teremos de afastar secretárias ou mesas para que essa distância seja respeitada entre alunos e entre estes e o professor, o que coloca novamente em jogo os problemas de operacionalização supracitados (a “extensibilidade das salas de aulas” assume limites aquitectónicos bem objectivos).
(3) Para além destas anomalias difíceis de ultrapassar, o que se obteria no plano ético? Fazer regressar agora à escola alunos que tipicamente mantêm um número considerável de interações sociais, incluindo não apenas alunos das disciplinas dos anos sujeitos a exame nacional (mesmo aqueles que os não irão realizar), mas também ao que parece alguns alunos dos cursos profissionais (e aqui a incerteza prevalece), parece ser uma decisão irresponsável porque todos estes alunos iriam estar em contacto com uma faixa etária de professores e funcionários, muitos dos quais acima dos 50 anos, alguns com 60 ou mais anos, e alguns com comorbilidades. Isto para além de tais alunos contactarem com pais, encarregados de educação e alguns parentes da faixa etária acima dos 70, havendo ainda comorbilidades que não devem ser, sem mais, lançadas para o conjunto vazio. Logo, se esta decisão parece irresponsável no plano da saúde pública, será também uma decisão que fere a ética, pois previsivelmente coloca em risco a vida de pessoas inocentes. E aqui de pouco serve argumentar a favor da ideia de que esse poderá ser um efeito meramente colateral, mas não pretendido, apesar de expectável.
(4) Um recente estudo da Fundação Champalimaud, envolvendo testes serológicos –
https://www.publico.pt/2020/05/07/sociedade/noticia/covid19-estudo-revela-taxa-infeccao-loule-14-vezes-maior-testes-diagnostico-1915624 – reforça a ideia de que o número de infectados activos, logo, potencialmente contagiosos, e muitos deles assintomáticos, pode ser muito elevado. Dada a amostra – 1235 pessoas –, e mesmo tendo em conta o universo em causa, o resultado obtido foi 14 vezes superior ao que teria sido detectado em testes PCR, para a população testada do mesmo Concelho de Loulé. Ora, isto é um forte indício que apoia a ideia de que este regresso às aulas presenciais, nestas circunstâncias, parece ser de enorme leviandade e, consequentemente, um erro ético que não deve passar em claro.
(5) Como professor do ensino secundário público, estou pronto para assumir as minhas responsabilidades e, creio, que muitos professores, dentro e fora de Conselhos Pedagógicos e de Conselhos Gerais, dentro e fora de Sindicatos, estarão também prontos para assumir as suas, tal como muitos pais e encarregados de educação – parece tratar-se da observação de princípios éticos inescapáveis, na defesa do interesse comum: minimizando estragos que esta pandemia tem provocado e tentado optimizar o ensino e as aprendizagens com os recursos que estão ao nosso alcance.
(6) Mas haverá alguma alternativa credível ao que nos é ministerialmente “proposto”? É que a ética não deve ser advogada tendo por suposto a inexistência de algo fisicamente acessível em termos de melhores alternativas, ou no mínimo menos más para os agentes implicados nestas tomadas de decisão. Ora, parece-me que a resposta é para aquela pergunta é afirmativa, por exemplo, defendendo as soluções expressas publicamente pelos subscritores de Por que não devem reabrir as escolas para o ensino secundário que, neste momento, se constitui como petição que pode ser assinada no site do Parlamento nacional – ver: https://participacao.parlamento.pt/initiatives/1263
(7) Ora, se há melhores alternativas – pelo menos uma! –, e que em nada hipotecam a equidade que deve prevalecer, nomeadamente no acesso de alunos ao ensino superior, por que razão persistir num erro que pode custar o sofrimento de vidas inocentes que poderiam não ser sacrificadas, caso se mantivesse o actual regime de Ensino Remoto de Emergência que, não negligenciando óbvias dificuldades, até se tem comportado com razoabilidade? Só porque tecnicamente já não estamos em estado de emergência? Isso é, para já, seguro. Mas também será muito provável que decisões irresponsáveis possam vir a assumir-se como calamitosas, esteja ou não legalmente decretado o estado que esteja.
João Paulo Maia, professor da Escola Secundária Cacilhas-Tejo
Almada, 7 de maio de 2020
[1] “Artigo 10.º – Regras de ocupação, permanência e distanciamento físico
1 — Em todos os locais onde são exercidas atividades de comércio e de serviços nos termos do presente regime, sejam estabelecimentos de comércio, por grosso ou a retalho, ou grandes superfícies comerciais, conjuntos comerciais, mercados, lotas ou estabelecimentos de prestação de serviços, devem ser observadas as seguintes regras de ocupação, permanência e distanciamento social:
a) A afetação dos espaços acessíveis ao público deve observar regra de ocupação máxima indicativa de 0,05 pessoas por metro quadrado de área; (…)”.
[2] Com efeito, pode ler-se no mesmo artº 10:
“2 — Para efeitos do disposto na alínea a) do número anterior:
a) Entende -se por «área», a área destinada ao público, incluindo as áreas de uso coletivo ou de circulação, à exceção das zonas reservadas a parqueamento de veículos; b) Os limites previstos de ocupação máxima por pessoa não incluem os funcionários e prestadores de serviços que se encontrem a exercer funções nos espaços em causa.”, o que parece incluir, se se for consistente, professores.
Brilhante
Dá-me pena ver jornalistas com responsabilidades acrescidas, como a deste senhor, visto ser Diretor-Adjunto do JN, vir de forma tão ligeira, misturar conceitos e responsabilidades, atribuindo-as, em concreto aos professores.O problema já está inquinado à nascença, a obstinação com os exames. Eu concordo com eles, mas o tempo em que vivemos necessitaria de soluções mais inovadoras para este problema concreto. Os exames, nesta situação de pandemia, não são de todo a melhor, talvez seja a mais fácil para aqueles que estão de rabo sentado nos gabinetes a escreverem “tratados” tolos e que só funcionam no papel. Quando chegamos à implementação de medidas verificamos, vezes demais, que não fazem qualquer sentido. O Decreto-Lei n.º 14-G/2020, é um bom exemplo disso. E que vai ficar desmontado, logo que ocorram os primeiros contágios.
Porque será que por toda a europa foram encontradas soluções alternativas? Ficaremos na “fotografia” como os burros ou os inteligentes?! A ver vamos, mas temo que vamos borrar a pintura, algum tempo depois de, por essa europa fora, termos sido apontados como um bom exemplo no combate à pandemia.
Em primeiro lugar, quem tem a responsabilidade de organizar, a nível escolar as demandas desvairadas do ME, são os Diretores Escolares. As escolas há muito que deixaram de ser um espaço democrático. Os Diretores são, na sua maioria, uns mandantes acríticos de tudo aquilo que o ME lhes diz para fazer. Transformaram-se numa espécie de servidor de correio eletrónico institucional do ME.
Vem este senhor falar nas responsabilidade dos jovens que abundam nas nossas escolas, muito conscientes e responsáveis, ambientalmente falando, mas que são os mesmos que ao fim de semana, no Bairro Alto, ou na Ribeira do Porto deixavam as ruas cheias de garrafas e de outras porcarias. São também os mesmos que participaram numa manifestação, muito “gira”, em prol do planeta mas que deixaram as ruas, à sua passagem, todas sujas de papeis e cartazes que depois das tv`s passarem já pesavam muito e foram abandonados. Evidentemente que existem muitas e boas exceções, não são é a maioria, como todos nós desejaríamos. A Escola faz o que pode, quer nas aulas de cidadania quer em todas as outras disciplinas, onde cada professor dá o seu melhor para uma formação integral do aluno como pessoa e cidadão responsável e critico. Falta é muito deste diálogo ao nível das famílias, para 1+1 ser = 2. Por outro lado, este senhor já se deve ter esquecido do “modus operandi”, destes mesmos jovens muito “responsáveis” que tiveram nas faltas de respeito que graçaram por este país fora nas aulas de ensino à distancia, nas salas de aula virtuais. Estamos as falar dos mesmos jovens, ou será que não?
Depois, diz: “Argumentar que as escolas não são capazes de garantir o bem-estar e segurança de toda a comunidade é contribuir para a degradação da imagem dos professores construída muitas vezes por quem os representa”. WHAT!? Ele acredita mesmo no que está a dizer?! Então se nos hospitais continua todos os dias a haver médicos, enfermeiros, assistentes, a serem infetados pelo covid-19, não será lógico perceber que numa estrutura como uma escola, muito menos preparada quer em conhecimentos, quer em material, quer em procedimentos e práticas que demoram imenso tempo a serem interiorizadas e serem executadas de forma consistente, o risco de contágio não será muito mais facilitado? Este senhor refere-se ao mesmo vírus que assola todo o planeta nos dias que correm?! Um vírus altamente contagioso e invisível, capaz de utilizar as práticas mais desleais, como usar os jovens assintomáticos para atingir vitimas mais frágeis, como aquelas que estes jovens têm à sua espera em casa, ou os docentes na faixa dos sessenta anos!Mas para este senhor Diretor-Adjunto tudo é fácil, parece que estamos a montar uma estratégia de combate à processionária e não a um vírus.
Depois, temos outra questão, basta haver um contágio para a igualdade entre alunos, que ele no seu artigo proclama como justificativo para o início das aulas para o 11º e 12º anos, ser tudo posto em causa. Ou seja, os alunos caso testem positivo, ficarão obrigatoriamente em quarentena. Logo, ficarão sem aulas. Lá cai por terra, mais uma vez, a “politica da igualdade”. Mais, multiplicaremos as desigualdades. Isto porque, vão naturalmente existir escolas onde os procedimentos de segurança biológica, postos em prática serão iguais, mas no final, haverá escolas onde, com toda a certeza existirão infeções por covid-19, e noutras, poucas, não! Isto porque é impossível controlar todos os comportamentos de menor ou maior risco, da comunidade escolar, fora da escola. O que fazer depois? Com já referi, os alunos e professores vão ficar de quarentena, como vão poder acompanhar a matéria os alunos doentes? E aqueles que optarem por não irem à escola ficam sem a opção de terem as aulas do ensino à distância. Logo, a preocupação em relação a igualdade entre alunos, principalmente os mais carenciados também se desvanece. Uns poderão continuar a recorrer a explicações, já uma grande maioria da população estudante, NÂO!
Será que também se vem justificar com a tão inovadora lembrança de que os alunos podem responder apenas a um leque de perguntas, não havendo perguntas obrigatórias…blá…blá. No final, não haverá perguntas nem exames que resistam a tamanha e dispare desigualdade com que os alunos por este pais fora se irão apresentar a exame.
Neste sentido, e para finalizar, o que está aqui em causa não pode ser nunca equacionado como uma questão de assuntos relacionados apenas com a educação e como a única, possível e derradeira solução para definir a entrada dos jovens no ensino superior. Mais do que tudo, devia ser visto como uma situação de saúde publica que volta a ser posta em causa pela teimosia de quem nos governa.
Concordo com tudo, com uma pequena exceção: não concordo com os exames. São o maior atestado que se pode passar à incompetência dos professores.