Parecer muito crítico aponta que exame aos docentes é “iniciativa isolada” e que só se justifica se Governo desconfiar da formação inicial.
Um parecer do Conselho Científico do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) defende que a prova de avaliação docente não é “válida e fiável” no objectivo a que se propõe, tendo como “propósito mais evidente” impedir o acesso à carreira docente. O presidente da Associação Nacional dos Professores Contratados, César Isarel Paulo, afirma que o documento “atinge profundamente os alicerces da prova e torna inevitável a decisão política da sua anulação”, que é defendida também pelas mais representativas federações sindicais de professores.
“O Conselho Científico considera que nenhuma avaliação pontual, realizada através de uma prova escrita ‘de papel e lápis’ com a duração de duas horas, é efectivamente válida e fiável se não for integrada numa estratégia global e contínua de formação e avaliação”, lê-se nas considerações finais do parecer daquele órgão, que é composto pelos representantes de todas as associações e sociedades científicas e pedagógicas das disciplinas a que respeitam os instrumentos de avaliação.
No documento, datado de Novembro de 2014, o mês anterior à realização da segunda edição da prova, afirma-se que nas condições em que se realiza, a PACC afigura-se “como uma iniciativa isolada, cujo propósito mais evidente parece ser o impedimento ou obstaculizar o acesso à carreira docente”. O Conselho Científico considera que a prova falha no objectivo essencial: “Em nenhum momento a PACC avalia aquilo que é essencial: a competência dos professores candidatos para esta função”.
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5 comentários
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A questão que se levanta agora não é se a prova é inútel ou não. Sempre se pensou isso. Depois, a questão também não é se a PACC servia ou não o propósito para que foi criada. Também se sabe que não. A questão, a meu ver, é que, mesmo sendo uma inutilidade, fez com que viesse ao de cima a divisão que existe entre os professores, a classe docente. Uma classe desunida, onde muitos (os que já têm um lugar no quadro) se julgam acima dos outros (os ‘pobres’ contratados que ainda lutam por ter umas horas, algures), servindo para isso ir vigiar e avaliar os ‘colegas’, a troco de uns ‘euros’. Se muita ‘coisa’ se pode apontar contra esta prova, ela teve, pelo menos, o ‘dom’ de mostrar e provar que, no ensino, é o ‘salve-se quem puder’, onde os que têm maior graduação (e,sabe-se lá como a conseguiram) se julgam acima daqueles que, por contingências da vida, profissional em particular, não tiveram tanta ‘sorte’. Não tiveram tanta ‘sorte’ em fazer a sua formação inicial numa escola superior (onde as classificações são inflaccionadas e os estágios uma aberração), em que a progressão na carreira foi feita à custa de concorrer a grupos de recrutamento que lhes permitiram subir a gradução (entenda-se os ‘célebres’ professores do ensino especial, por exemplo), horários atribuídos de forma duvidosa, apenas, porque conheciam alguém na secretaria da escola e viram os seus contratos serem renovados ano após ano… E poderia continuar…
A PACC teve esse mérito…muito embora de nada sirva porque nunca vai aparecer alguém que tenha a coragem para ‘mexer’ onde deve…para que tudo mude no ensino, de forma a tornar todo o ‘sistema’ mais justo e mais funcional. ‘Mexer’, implica retirar ‘benefícios’ a quem sempre se serviu de ‘expedientes’ da lei (legislação criada ao sabor dos tempos e que, em determinados momentos, beneficiou uns e, depois outros). E não se julgue que são apenas alguns. Não! Todos beneficiaram! São décadas de ‘reformas’ e de leis que serviram os interesses de uns e de outros e ninguém está isento dessa ‘culpa’. Ninguém!
Esta prova PACC é inútil? Apenas é útil para descartar os professores mais vulneráveis que não tiveram oportunidade de serem colocados anos a fios como os outros e assim verem aumentar a sua graduação profissional (…) visto que é sempre os mesmos a serem colocados devido a uma forma de colocação que dá relevância ao tempo de serviço em detrimento de outros factores mais importantes para o exercício de funções docentes., esta forma de ordenar candidatos é que deveria ser revista, sim! Quanto à PACC é uma falácia, injusta, incoerente pois é só para 5% dos docentes que raramente são colocados e agora sem aprovação, nem podem concorrer às ofertas de escola com horários pontuais nem para “tapa buracos” podem concorrer…Esta prova nunca deveria ter sido implementada pois prejudicou imensos professores que merecem ter oportunidade de concorrer como os outros e são essenciais para o sistema funcionar pois durante o ano lectivo são aqueles que substituem os outros em baixas médicas ou outras situações pontuais! Este (des)governo não pensa…
É preciso votar num partido que seja contra esta merd* de prova! António Costa já se pronunciou e pretende eliminar esta prova, há opção e vamos votar ou PS,BE, PCP todos são contra. PSD/CDS/PP NUNCA MAIS!!
Não se vê isto em mais nenhuma outra profissão….
Esta é uma excelente resposta para a FNE!!! Meditem no que fizeram…é o mínimo que podem fazer!!! Afinal a vossa função não é defender os interesses de toda a classe? Pois, parece que não…provou-se que não, já que foram vocês que ajudaram a que a PACC fosse implementada, sacrificando alguns colegas (tal como se fazem aos carneiros em prol do rebanho). Tristeza de quem nos representa…