Um Ministro da Educação que vive noutro Planeta…
Desde o dia 17 de Julho passado, a propósito da divulgação dos resultados dos Exames Nacionais, o Ministro da Educação tem-se desdobrado em entrevistas, difundidas em vários meios de Comunicação Social…
Detenho-me em três declarações suas, sobejamente divulgadas:
– “Não tenho percepção de qualquer intranquilidade.”
– “Nenhum aluno será prejudicado.”
– “O Estado falhou nos exames.”
Pelas três afirmações anteriores, o mínimo que se poderá concluir é que o Ministro da Educação viverá noutro Planeta, que não a Terra…
O seu alheamento face à realidade é de tal ordem evidente que chega a parecer que existe uma certa desfaçatez, traduzida pela pretensão de impor as suas próprias “verdades”, tentando substituir os factos materiais por determinados “factos alternativos”…
Quando a realidade, desde o passado dia 17 de Julho, desmente cabalmente, todos os dias, a ficção que tem sido sucessivamente apresentada pelo Ministro, a conclusão inevitável será naturalmente esta:
– Ou o Ministro não tem consciência da realidade ou a sua percepção se encontra de tal forma perturbada e alterada que isso o leva a fazer interpretações completamente erradas e enviesadas da realidade existente…
Em qualquer dos casos, estaremos sempre perante uma visão anómala e grave, plena de ilusão, de certa forma também desconcertante, veiculada pelo próprio Ministro, sobretudo se tivermos em consideração, entre outros, estes factos indesmentíveis:
– Existem Alunos cujos Exames ainda não foram encontrados; muitos outros que se confrontaram com Exames em suporte de papel que, total ou parcialmente, não eram os seus; reclassificação de mais de 6.000 provas nas Disciplinas de Física e Química A, Geografia, História A e Português Língua Não Materna, por erros identificados nos parâmetros de classificação; cerca de 60.000 alunos que ainda não conseguiram aceder aos respectivos Exames físicos…
Neste imbróglio relativo à classificação digital dos Exames, tem-se encontrado um pouco de tudo…
E a verdade, neste momento, é que já não há ponta por onde pegar neste novelo de fios emaranhados, que tem como principal consequência a irrefutável descredibilização dos resultados obtidos nos Exames Nacionais…
A sucessão de erros impossíveis de emendar é de tal forma acentuada que já não se consegue distinguir entre o que poderá corresponder à verdade ou à mentira nesta classificação digital dos Exames…
Olhando para todas as falhas já detectadas, alguém conseguirá assegurar que existe correspondência fidedigna entre o desempenho dos alunos nos exames e a classificação que lhes foi atribuída?
Neste momento, poderão existir alunos que terão sido beneficiados pelo caos da classificação, mas, de facto, existirão muitos outros comprovadamente prejudicados por este processo de digitalização dos Exames, o que desmente cabalmente a afirmação do Ministro, segundo a qual nenhum aluno seria lesado…
A falha não foi do “Estado”, como pretenderia o Ministro…
A falha foi inequivocamente do próprio Fernando Alexandre e da sua equipa ministerial que, do alto da sua obstinação, se mostraram incapazes de antecipar as possíveis consequências de um processo digital gizado à pressa e em “cima do joelho”…
A falta de credibilidade, de fiabilidade e de transparência inquinam todo o actual processo de classificação de Exames, inviabilizando a efectiva observação do princípio da igualdade entre todos os Alunos…
A validade, incluindo a jurídica, destes Exames Nacionais fica, assim, irremediavelmente posta em causa…
Fernando Alexandre, que tudo tem feito para não assumir esta realidade, a todos os níveis inadmissível, paradoxalmente, criada pelo próprio e pela sua equipa ministerial, tem que “descer à Terra”, sob pena de a sua imagem ficar reduzida à de um Ministro da Educação “especialista em balelas”…
Muito dificilmente se poderá reabilitar a imagem de alguém que criou um caos impossível de ignorar ou escamotear, desde logo porque afecta milhares de pessoas, mas que em simultâneo se mostra incapaz de o assumir…
Neste momento, em que já não é possível consertar as inúmeras iniquidades encontradas ao longo do processo de classificação das provas, não se vislumbra outra alternativa que não seja a da anulação destes Exames, acompanhada da demissão do Ministro que, para todos os efeitos, é o principal responsável político por todo o caos instalado…
Neste momento, essa será, talvez, a única forma ao dispor de Fernando Alexandre no sentido de salvaguardar a sua própria dignidade e de evitar a difusão de uma imagem cada vez mais penosa e descredibilizada…
Paula Dias




3 comentários
A rapariga está mal. Negativista. Devia ir ao médico…
Mal andas tu, laranja podre a mandar bitaites na reforma de director da treta
Por acaso, o Agnelo Figueiredo conhece-me de algum lado, para tecer sobre mim essas considerações ou usar esses termos? Não me parece que alguma vez nos tenhamos cruzado e se tal tivesse acontecido, não creio que pudesse ter sido uma casualidade prazerosa…
Mas, e já agora, deixe-me dizer-lhe que, para alguém que foi Director, a sua linguagem e o seu estilo “burgesso marialva” não lhe ficam nada bem, deixam muito a desejar e nem sequer confluem a seu favor… Obviamente que esse será um problema só seu, desde que tais atributos não sejam dirigidos à minha pessoa…
Imagino que ter sido preterido em diversas ocasiões não tenha sido uma experiência agradável, mas, que diabos, o Agnelo também já tem idade para ter juízo e para saber lidar com a frustração eventualmente suscitada por uma rejeição…
É a vida, Agnelo. Habitue-se.
Tenha um bom serão, Agnelo e, se for capaz, faça por ser respeitado.
Paula Dias, cordialmente.