22 de Junho de 2025 archive

Perguntas do exame do 9.º ano partilhadas nas redes sociais

Novo modelo adotado pelo Governo de provas não públicas posto em causa.

Perguntas do exame do 9.º ano partilhadas nas redes sociais

As perguntas da Prova Final de Matemática do 9.º ano, realizada na sexta-feira, foram divulgadas nas redes sociais, comprometendo assim os objetivos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), que introduziu pela primeira vez um modelo de provas não públicas, para poder voltar a utilizar as mesmas questões no futuro.

O MECI confirmou ao CM que “itens da prova” foram “partilhados no domínio público, após a sua realização”. “A situação agora verificada é lamentável, mas não tem qualquer impacto na realização e na validade da prova deste ano, nem nos resultados dos alunos nestas provas. Apenas impacta a elaboração da prova do próximo ano letivo”, acrescenta a tutela.

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Breve história do fracasso do digital na educação – Paulo Prudêncio

Breve história do fracasso do digital na educação

As tecnologias na educação estão a partir do lápis de carvão. Em resumo, a pergunta a fazer é equivalente às guitarras: não me diga a marca da sua guitarra, diga-me antes o que faz com ela.

Na verdade, a educação, que vai muito para além da escola, é a arte do equilíbrio e da sensatez; mas não só. Exige humildade e aplicação diária do mito de Sísifo. As chamadas novas tecnologias estão na educação em duas redes: a de recursos administrativos, mais no universo escolar, e a de recursos educativos, na sociedade e no universo escolar.

A primeira é muito mais exigente na construção de software e muito menos lucrativa para as gigantes tecnológicas. Por isso, o caos no Ocidente na gestão de dados da educação, porque o investimento em software não tem retorno nos curtos e médios prazos. Apesar de serem cruciais para a consolidação da democracia, os tecnocratas desprezam esse objectivo. Aliás, foge-se a ser professor também por causa desse inferno. Não há, em síntese, algo que se assemelhe à rede multibanco, que inclua os homebanking, ou até, no nosso caso, ao portal das finanças.

A rede de recursos educativos é muito lucrativa para as gigantes tecnológicas; mais do que os drones, o comércio eletrônico, o 5G ou a tele-medicina. Recorde-se os mais conhecidos componentes do negócio: um smartphone por aluno e por professor, redes sociais através de aplicativos com software elementar e milhões de portáteis e tablets nas escolas para alimentar a indústria das escolas digitais e antecipar o ensino à distância. Os olhos dos neoliberais até brilham (como sempre, os nórdicos metem pedras na engrenagem).

Claro que o “reconhecimento de padrões” – mais divulgado como Inteligência Artificial (IA) – exige um outro debate. Estamos numa fase em que o pêndulo da condição humana oscila entre o pânico e a apreensão, porque as crianças e jovens das democracias ocidentais estão entregues à selva digital e com falta de professores. Mas sempre se alertou, há mais de uma década, para duas graves consequências do digital na rede de recursos educativos: conteúdos pornográficos e redes sociais; no segundo caso e para além do ciberbullying, foram usados ​​por organizações de extrema-direita com conteúdos xenófobos, racistas, misóginos e violentos e que fidelizaram convocados logo que os jovens chegaram aos 18 anos. 

E se qualquer das crises, selva digital e falta de professores, comprometem o crescimento como pessoas livres respeitadas nos direitos fundamentais, a simultaneidade preocupações com quatro dimensões bem identificadas: internet, recursos digitais para o ensino, “Reconhecimento de Padrões” – mais divulgado como Inteligência Artificial (IA) – e desinvestimento na Educação.

Por outro lado, já vimos que o que aí vem informatizará tudo o que for para informatizar, automatizará tudo o que for para automatizar e que as aplicações digitais usadas para controle e vigilância serão usadas para controle e vigilância. É o nível 4 da transição digital. O nível 5, que será longo e correto, inclui inteligência artificial e robotização. Por exemplo, Luc Julia, um dos criadores da Siri da Apple, diz que não tem a certeza de que gostaria de falar com o seu frigorífico. No universo escolar, também não se terá a certeza de que se queira falar com um robô como se fosse um professor que ensina e ajuda a formar uma personalidade.

Como se percebe, os nórdicos estão a ser sensatos com o digital na educação. Até já regressaram fundamentalmente ao papel. Ou seja, voltarei a passar ao lado de uma vaga neoliberal; um vigente; uma segunda. Como referiram os prémios Nobel da economia em 2024, Acemoglu e Robinson, em “Porque falham as nações”, os nórdicos passaram ao lado da primeira vaga neoliberal iniciada por Thatcher e Reagan e que Clinton, Blair, e Schröder apoiaram. No digital, preocupam-se com as crianças e jovens e têm muito uma educação a tempo inteiro que mitiga a tragédia da escola a tempo inteiro. Estamos perdidos e completamente condicionados pelos interesses da indústria das gigantes tecnológicas que se alastrou às políticas educativas, às leis laborais, ao inverno demográfico, aos fluxos migratórios e, repita-se, à supervisão de movimentos racistas, misóginos, xenófobos e violentos.

Nota: este texto é também uma síntese de textos anteriores onde fui buscar algumas passagens.

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Classificadores notificados para levantar provas à meia-noite

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Com as Tecnologias de hoje, Não me Admiraria Nada

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Divulgação- NOVA AÇÂO -FORMAÇÃO ACREDITADA PARA DOCENTES NA DCP – CFAMM – ASSP

Exmo./a. Professor/a
Junto enviamos a divulgação do Cursos de Formação de 25 horas, acreditado pelo CCPFC, e , destinado a Professores e Educadores, em regime E- Learning (Zoom), dada a pertinência e atualidade da oferta formativa, certos que merecerá a sua/vossa melhor atenção, divulgando o mesmo junto dos professores da vossa Unidade Orgânica/Escola/Instituição.
214 – AMBIENTES INCLUSIVOS E LIDERANÇAS INCLUSIVAS
Registo de acreditação:  CCPFC/ACC-127685/24
Público-alvo: Educadores de Infância e Professores dos Ensinos Básico e Secundário e Educação Especial – Despacho n.º 4840/2023 – Releva na dimensão científico-pedagógica para a progressão da carreira docente
Formadora: Dulce Gonçalves
Início: 03/07/2025
As escolas enfrentam desafios novos e velozes, obrigando a uma capacidade de resposta alargada que assegure qualidade na educação e nas mudanças a introduzir para responder às especificidades de todos e de cada uma das crianças e jovens. Os diferentes diplomas legais e demais quadros normativos que consagram o princípio da inclusão educativa, traduzem inquestionavelmente um investimento de natureza sistémica que pretende orientar a resposta e ser suporte para os reptos com que a escola se confronta enquanto espaço de socialização de culturas, práticas, conhecimentos, princípios, valores que definem uma sociedade que se quer democrática e inclusiva (OCDE; 2022). Almeja-se, pois, uma abordagem organizativa das instituições educativas e do currículo nacional em que os que estão na escola, e em particular, as lideranças, sejam efetivos motores de equidade, justiça e inclusão.
Para mais informações e inscrições: https://cfamm.assp.pt/
 
Com os melhores cumprimentos,
Vanda Gomes
Diretora do CFAMM

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