13 de Junho de 2025 archive

20.060 Reservas para Todo o Ano Letivo 2025/2026

Na lista de ordenação ao Concurso Externo de 2025 existem 37.372 candidaturas validadas, sendo que a grande maioria delas são de docentes na 3.ª prioridade (21.810 candidaturas).

AO remover os candidatos que concorrem a mais do que um grupo de recrutamento fico com 26.231 docentes nesta lista de ordenação ao concurso externo.

 

 

Se retirar os 6.171 docentes que vincularam no concurso externo vão restar 20.060 docentes como reservas para as colocações na Contratação Inicial e restantes Reserva de Recrutamento.

20.060 “reservistas” para 2025/2026 é um número muito reduzido para suprir ausências temporárias ao longo do próximo ano letivo.

E isto é muito preocupante.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/06/20-060-reservas-para-todo-o-ano-letivo-2025-2026/

Consulta Nacional sobre a carreira docente e as condições de trabalho no ano letivo 2024-2025

 

Aberta a Consulta Nacional sobre a carreira docente e as condições de trabalho no ano letivo 2024-2025

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/06/consulta-nacional-sobre-a-carreira-docente-e-as-condicoes-de-trabalho-no-ano-letivo-2024-2025/

A culpa é dos educadores? José Afonso Baptista

A culpa é dos educadores?

Dizemos às crianças para serem boas pessoas. Ensinamos valores, apelamos à honestidade, pregamos a paz, a justiça e a fraternidade. Esta mensagem percorre a escola, a casa e a igreja. Repetimos os mesmos mandamentos: não roubarás, não matarás, respeitarás o outro.

Mas o que vemos no mundo real? Vemos o contrário: guerra em direto, ódio espalhado Urbi et Orbi, corrupção legalizada, desigualdade gritante. Se educamos para o bem, por que triunfa tantas vezes o mal?

O contraste é tal que a pergunta se impõe: será a educação uma fraude? A culpa é dos educadores? São incompetentes os que ensinam?

Educamos para a virtude mas o vício alastra. Ensinamos a paz mas continuamos a enterrar mortos. Falamos de democracia mas impõem-se ditaduras. Acreditamos na igualdade mas florescem racismo, sexismo e exploração. Onde está a falha?

O nosso discurso na escola é como a “Carta dos Direitos Humanos”: nobre, necessário, mas tantas vezes traído.

Talvez o problema esteja menos na escola e mais na própria condição humana. Educar não é programar. O ser humano não é uma tábua rasa nem uma máquina. Somos seres contraditórios, livres, instáveis. Dentro de nós coexistem o bem e o mal, a compaixão e a crueldade, o desejo de justiça e a tentação do poder. A história da humanidade não é uma linha reta de progresso, mas uma luta constante entre elevação e queda.

Os grandes educadores sempre souberam disso. Só os ingénuos acreditam que basta ensinar a virtude para que ela floresça. Hannah Arendt mostrou como os maiores crimes podem ser cometidos por homens “normais” que apenas obedecem a ordens. Camus evocava a peste para testar a fibra dos que nela vivem. Paulo Freire insistia que ninguém educa ninguém sozinho; os homens educam-se uns aos outros, em comunhão, num processo inacabado.

A escola tenta. As famílias educam, tantas vezes com palavras do bem e exemplos do mal. As igrejas pregam a fraternidade, mas o que vemos é culpa e exclusão. Os meios de comunicação educam, mas cultivam o consumo, o medo e o sensacionalismo. E os líderes políticos? Também educam pelo que dizem e pelo que fazem. E o que mostram muitas vezes? Que vencem os espertos, os violentos, os oportunistas.

É nesse caos que se reconhece o valor da verdadeira educação. Educar é propor direção num mundo sem bússola. É resistir ao mal quando parece mais fácil. É despertar no outro a possibilidade de escolher, mesmo sabendo que pode errar. É um trabalho lento, frágil, sujeito ao fracasso, mas essencial.

Não é justo culpar os educadores. A escola não pode substituir a sociedade inteira. Mas também não deve isentar-se. É preciso exigir mais: mais coragem para enfrentar conflitos reais, mais espaço para a formação ética, mais diálogo entre saberes e gerações. A escola não deve ser refúgio do mundo, mas ensaio para o enfrentar.

No fundo, educar é uma batalha contra a nossa própria sombra. É lutar contra o egoísmo com a força da empatia. É resistir ao ódio porque sabemos amar. É ultrapassar o imediatismo porque temos memória, razão e imaginação.

A perfeição não é deste mundo. Mas a educação existe porque acreditamos que podemos aproximar-nos dela. Cada gesto de justiça, cada palavra de bondade, cada ato de escuta é um passo nesse caminho. Mesmo quando caímos, levantamo-nos e é isso que ensinamos.

O ser humano falha. Mas também resiste, perdoa, aprende. E é essa frágil, imperfeita, mas teimosa capacidade de crescer que dá sentido à educação.

Não somos deuses, nem anjos, nem demónios. Somos humanos. E é por isso que educar continua a ser possível e indispensável.

José Afonso Baptista

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/06/a-culpa-e-dos-educadores-jose-afonso-baptista/