Os resultados de um inquérito do movimento Missão Escola Pública são avassaladores: a maioria dos casos dizem respeito a agressões verbais, mas também há casos de ameaças, coação e até agressões físicas. Os alunos são mesmo os principais agressores.
Mais de metade dos professores já foram vítimas de bullying, mas a maioria “sofreu em silêncio”. “Um colega relatou ter sido ameaçado com uma arma de fogo”
Pelo menos 59% dos professores ouvidos num inquérito do movimento cívico de docentes Missão Escola Pública (MEP) revelam já se terem sentido vítimas de bullying no exercício da sua profissão. Quinze por cento admitem mesmo já terem estado de baixa médica por causa do bullying que sofreram enquanto professores.
“Estes 15% de baixas médicas provocadas por situações de bullying é um dado muito importante, porque a falta de professores que existe leva a que seja muito difícil substituir estes docentes, agravando ainda mais a falta de profissionais qualificados nas escolas”, sublinha Cristina Mota, porta-voz do movimento, em declarações à CNN Portugal.
Apenas 18% dos inquiridos revelam ter reportado os incidentes à Escola Segura ou a qualquer outra autoridade. A ausência de denúncia, garante o movimento, deve-se ao sentimento de desamparo e de falta de apoio institucional sentido pelos docentes. “O estudo revela também que, embora a maioria dos professores reconheça o impacto do bullying no seu bem-estar e saúde mental, 70% dos docentes afirmaram que não existem medidas eficazes por parte das instituições para lidar com estas questões, o que aumenta o cansaço e a frustração profissional”, nota o movimento Missão Escola Pública, nas primeiras conclusões divulgadas esta sexta-feira e a que a CNN Portugal teve acesso em primeira mão.




8 comentários
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O que não é suficientemente referido neste relatório é o bullying feito entre os próprios professores. O chamado assédio moral.
Com a lecionação de disciplinas feitas em conjunto, como acontece nalgumas do ensino básico e nos cursos profissionais, e em práticas de carater duvidoso do ponto de vista pedagógico, travestidas de modernas, há várias escolas que colocam dois professores na mesma sala de aula com a mesma turma.
Há casos em cursos profissionais em escolas de Lisboa onde isso acontece até na mesma disciplina.
O resultado é louco. Dois professores com práticas diferentes a dar aulas aos mesmos alunos ao mesmo tempo, ou em turnos ao mesmo tempo, é só estragar as aulas. Nenhum curso profissional funciona bem desta forma, e é um desperdício de horário dos alunos e dos professores.
São estas modernices pseudo-pedagógicas que empestam o ensino e provocam o desgaste nos profissionais e nos alunos.
Há escolas que as praticam com resultados de treta. Algumas dentro da cidade de Lisboa e outras noutros pontos do país.
O ministério tem fechado os olhos a isto há anos, porque parece dar jeito. Mas está a pôr em causa as aprendizagens dos alunos.
Os pais são enganados com isto.
Isso de ter aulas assistidas à força durante o ano inteiro é realmente sádico. A indisciplina aumenta, as aprendizagens diminuem e os professores coadjuvantes são normalmente tão queridos que ainda comentam as aulas que assistem, em tom de crítica, conforme já ouvi várias vezes. Impressionante.
Normalmente os novatos têm as aulas assistidas e “os da casa” são os coadjuvantes, para terem menos trabalho e assuntos de conversa…
Quem ainda pensa em ingressar na carreira do ensino, pensem muito bem. A perversão começa nas leis do ME, continua nos diretores, nos conselhos do faz de conta e passa para os professores. Com tanta miséria também não se pode esperar grande coisa dos alunos, que na verdade acabam por ser o melhor da escola, das poucas coisas que se aproveita.
Ás vezes é o contrário.
Nalguns casos os novatos é que são os “coadjuvantes” e ainda criticam de forma nojenta os da casa, apelidando-os em surdina de incompetentes e de não saberem nada. Quando é exatamente o contrário.
Nalguns casos ainda se arrogam no direito de fazerem queixinhas aos outros colegas de grupo e “batem” todos no mesmo.
Um nojo.
Mas isso só acontece porque há diretores que gostam da festa.
Como o primeiro comentador disse, conheço escolas em Lisboa onde isto acontece, no regular e nos cursos profissionais. Ás vezes assumidamente e outras está disfarçado no horário.
Até há aqueles que colocam meio turno com um professor e outro meio com outro professor, ambos da mesma disciplina do curso profissional, e depois andam a comparar as formas de lecionar e os resultados, para darem num professor.
É a isto a que chegou o ensino.
Não sei como ainda há quem queira vir para a profissão com isto a acontecer.
Dois professores na mesma turma ao mesmo tempo?!
E depois dizem que não há professores.
É um gozo este ministério.
O que me espanta e me deixa perplexo é que só agora se fale destas coisas… que acontecem há cerca de 20 anos para cá!!
É a realidade das escolas portuguesas mas no meio dos professores ninguém se atreve a falar disto! parece que é tabu!! Ninguém mexe no pântano!
E depois claro… ministérios, diretores e outros que tais estão do lado dos alunos, eles é que mandam (desde há muito)!
Qualquer coisa quem é punido é o professor não é o aluno! Até porque coitado do diretor que se atrevesse a punir o aluno e respetivo encarregado de educação.
Não é novidade para quem anda nestas lides. Não só os alunos mas tb os Diretores de Turma que entram nesta brincadeira ou seja para ficarem bem com os EE dos meninos e não levantarem muitas “ondas” enterram os colegas . Assim não dá.
Para mim, o maior “bullying” que tenho deparado em vários Agrupamentos, entre profissionais, é feito pelos Diretores das Escolas.
Muitos tem um comportamento de “pequenos ditadores” e são prepotentes.