Pedro Barreiros, Secretário-Geral da FNE, fez o balanço da reunião desta tarde com o Ministério da Educação, Ciência e Inovação sobre a revisão do Estatuto da Carreira Docente (Mobilidades).
A propósito do estudo (muito inconclusivo, com uma evidente intenção ideológica que recupera o encerramento de escolas como factor de despovoamento do interior e que não relaciona sequer o elementar: quem encerra uma escola básica numa aldeia remota, não ganha um professor de matemática, português, inglês, história, geografia ou física numa secundária de Lisboa) orientado por David Justino, e financiado pela Fundação Belmiro de Azevedo, “Necessidades de Professores: Deficit ou Ineficiência na Gestão da Oferta de Ensino?”, estive ontem pela Antena Aberta da Antena 1 a analisar o estado da falta estrutural de professores. O Gustavo Bastos, da MEP, teve a cortesia de editar um vídeo com as minhas intervenções.
No ano letivo de 2023/2024 a Polícia de Segurança Pública (PSP) foi responsável pela segurança de 3.173 estabelecimentos de ensino, bem como de 902.041 alunos e de mais de 150.000 pessoas do pessoal docente e não docente. A PSP possui 368 polícias afetos às Equipas do Programa Escola Segura (EPES).
No ano letivo de 2023/2024, as EPES registaram 4.107 ocorrências, sendo 2.956 de natureza criminal e 1.151 de natureza não criminal, o que representa um aumento de 7,4% do número total de ocorrências face ao ano letivo 2022/2023. Verificou-se ainda um aumento do número de ocorrências criminais (+9,2%), bem como um aumento do número de ocorrências não criminais (+3,1%). Apesar deste aumento, o número total de ocorrências, bem como o número de ocorrências criminais e não criminais, continuam a ser inferiores à média da última década.
Estas ocorrências podem ser verificadas no interior ou exterior (imediações e percursos casa-escola-casa) dos estabelecimentos de ensino e ainda decorrerem, cumulativamente, em ambos os locais. Das ocorrências criminais registadas, 71,4% tiveram lugar dentro do recinto escolar e 28,6% no seu exterior/imediações. Quanto às ocorrências não criminais, cerca de 70% decorreram dentro do recinto escolar enquanto 30% no seu exterior/imediações.
No ano letivo em apreço, no âmbito do PES, foram contabilizados 3.441 crimes, uma vez que na mesma ocorrência pode ser verificado mais do que um crime, ao passo que no ano letivo 2022/2023 foram contabilizados 3.110 crimes, o que se traduz num aumento de 10,6% do número de crimes. Manteve-se a tendência de predominância dos crimes de ofensas corporais e de injúrias e ameaças, que representam um aumento de 8,8% e 14,7%, respetivamente, em comparação com o ano letivo anterior.
N.º DE CRIMES (POR TIPO)
Ofensas Corporais
Injúrias Ameaças
Furto
Roubo
Vandalismo Dano
Posse e Uso de Arma
Tráfico Estupefacientes
Ofensas Sexuais
Outros Tipos
Total
1.346
946
472
75
144
38
20
87
310
3.441
Em comparação com o ano letivo 2022/2023 registaram-se mais 4 (quatro) ocorrências de posse e/ou uso de armas, nas quais foram detetadas 39 armas (5 armas de fogo, 30 armas brancas e 4 armas de outras tipologias), o que se traduz num aumento de 11,4% do número total de armas detetadas (+4 armas de fogo, +3 armas brancas e -3 armas de outras tipologias).
Por outro lado, registou-se o número mais baixo de crimes de roubo (75) dos últimos 5 anos letivos (exceto o ano letivo 2020/2021 – período da pandemia), representando um decréscimo de 8,5% em comparação com o ano letivo 2022/2023.
As situações relacionadas com bullying e cyberbullying também apresentaram uma diminuição. No ano letivo 2023/2024 registaram-se 134 situações relacionadas com bullying (-5 que no ano letivo anterior) e 30 relacionadas com cyberbullying (-9 que no ano letivo anterior).
Assim, das 2.956 ocorrências de cariz criminal verificadas, 5,5% estiveram relacionadas com estes comportamentos, o que representa uma diminuição em comparação com período homólogo. No ano letivo 2022/2023 o total das situações relacionadas com estes comportamentos (178) representaram 6,6% das ocorrências criminais.
No ano letivo 2023/2024 foram realizadas 11.408 ações grupais de sensibilização que contaram com a participação de 615.739 alunos. Nestas ações foram realizadas 31.920 apresentações temáticas (são abordados vários temas em cada ação) que contaram com a participação de mais de 703.000 alunos, dos quais se destacam o bullying e cyberbullying (6.666 apresentações; representa cerca de 21% do total das apresentações), prevenção e segurança rodoviária (3.221 apresentações), álcool e drogas (2.738 apresentações), utilização segura das novas tecnologias (1.883 apresentações), violência doméstica e no namoro (1.795 apresentações) e direitos humanos (1.466 apresentações).
O Ministério da Educação vai atribui uma verba de 3,7 milhões de euros às autarquias e garante a “entrada imediata” de 226 assistentes operacionais. Em semana de greves, a Associação Nacional de Municípios Portugueses alerta para elevada taxa de absentismo e dificuldades no recrutamento.