Diretores antecipam que provas de aferição reflitam a dificuldade em recuperar aprendizagens

Diretores antecipam que provas de aferição reflitam a dificuldade em recuperar aprendizagens

 

A normalidade começa a voltar às escolas, mas os primeiros meses ainda foram afetados pela pandemia, dificultando a recuperação das aprendizagens como deverão mostrar as provas de aferição, antecipam diretores.

Em setembro, as escolas tinham nas mãos um plano desenhado pelo Ministério da Educação com algumas medidas e orientações para apoiar na recuperação das aprendizagens prejudicadas pelo ensino a distância.

A ideia do “Plano 21 | 23 Escola +” era que durante dois anos letivos se apostasse em recuperar desses prejuízos, diversificando também as estratégias de ensino e investindo no bem-estar social e emocional. Mas setembro chegou, as aulas começaram e a pandemia não tinha desaparecido.

“As circunstâncias em que decorreu o primeiro semestre das atividades letivas foram muito semelhantes à dos anos anteriores. Foi um vaivém constante de alunos e professores a irem para casa”, recordou o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), explicando que essa instabilidade dificultou o trabalho.

É que além de consolidarem as matérias dos anos anteriores, os alunos tinham de aprender os conteúdos do novo ano e, apesar do esforço das escolas, a pandemia teimava em não tornar a tarefa fácil ao obrigar por vezes turmas inteiras a voltarem para casa.

Ainda assim, o Ministério da Educação decidiu retomar as provas de aferição dos 2.º, 5.º e 8.º anos, que nos últimos dois anos foram suspensas, bem como as provas finais do 9.º ano, que não vão contar para a nota final.

“Num tempo de recuperação, não darão os resultados que nós gostaríamos”, antecipou Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), admitindo, por outro lado, que possam servir para “perceber exatamente como estão os nossos alunos”.

Também Filinto Lima, da ANDAEP, apontou essa vantagem do regresso das provas de aferição, sobretudo para repensar o tal plano de recuperação que chega ao fim no final do próximo ano letivo.

Sobre esse tema, a professora de Matemática Sónia Soares Lopes recordou também os primeiros meses de aulas e o diagnóstico que fez às turmas no início do ano para justificar as dúvidas de que a recuperação esteja concluída até 2023 que, sublinha, “está já aí”.

Sónia Soares Lopes mudou este ano de escola e quando recebeu as turmas novas percebeu que das matérias anteriores “ficou alguma coisa, mas muito pela rama” e seria preciso consolidar tudo. Mas, como outros colegas, teve por diversas vezes a sala incompleta, com alunos em casa a cumprir isolamento.

“O facto de, volta e meia, estarem alunos em casa diminuiu muito o ritmo de trabalho”, explicou, apontando que apesar do esforço dos professores para assegurarem o acesso às aulas `online` e das iniciativas da escola para dar apoio adicional, foi desafiante e “muitos alunos perderam muita coisa”.

Para já, numa fase em que a preocupação ainda é recuperar do tempo perdido, a professora disse que se abre uma janela para os docentes repensarem a forma como lecionam e adotarem estratégias diferentes, que valorizem a participação e interação com e entre os alunos.

“Eu acredito que o aluno aprende melhor quando trabalha com o seu par. Foi uma das coisas que nós tivemos de parar durante muito tempo, o trabalho de grupo em sala de aula, e eu tenho plena certeza que eles aprendem muito quando trabalham juntos”, exemplificou.

Já o diretor Manuel Pereira, que desvaloriza o aproximar do prazo do plano de recuperação, vê a melhor solução na confiança: “As escolas são todas diferentes e é preciso que, no âmbito da sua autonomia, definam planos de acordo com a sua realidade e que o Ministério aceite e respeite essa autonomia e dê recursos de acordo com as necessidades”.

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3 comentários

    • Alecrom on 21 de Março de 2022 at 18:56
    • Responder

    Não há aí um equívoco?
    As aprendizagens não foram já totalmente recuperadas, consolidadas e largamente ultrapassadas?
    Escola de excelência…

    • maria on 21 de Março de 2022 at 19:00
    • Responder

    Provas para que vos quero

    Segundo o sr. director Pereira, servem “para percebermos exactamente como andam os nossos alunos “. A sério ?!
    Sabendo-se que as ditas não contam “p`ra nada”; que , dizem, são efectuadas no período de férias , com as notas já na pauta e todos passados ,leia-se transitando, que motivação e empenho se esperará dos alunos? Dizem, alguns, que vão entregar a folha em branco ( “não estou para me chatear” ) ; outros, ao que afirmam, “nem lá ponho os pés” , visto não haver consequências (estes seriam grandes amigos dos professores, poupando-lhes trabalho na correcção e afins) .
    Não obstante, o sr. pereira vê no exercício uma soberana maneira de” perceber EXACTAMENTE como andam os nossos alunos” . Arre!!

    • Fernando on 22 de Março de 2022 at 14:07
    • Responder

    Os directores barrem o lixo para debaixo do tapete, a culpa não é da pandemia, bem sabem que os professores andam desmotivados, revoltados com e não há ambiente colaborativo nas escolas. A indisciplina é a norma, os alunos não querem estudar, o vicio dos telemóveis corrompe o ambiente na sala de aula e os pais, uma boa maioria, não quer saber da escola dos filhos… A avaliação docente corrupta, o facilitismo, o autoritarismo dos Diretores estão a causar enorme prejuízo aos portugueses e ao futuro de Portugal… não querem provas para não se revelar quanto mal esta a escola publica…Estão frustrados com o governo que sabem tem colaborado com esta situação impedindo reformas na avaliação dos professores e a progressão nas carreiras… A “escola de excelência” é palavreado à Putin, mentira para poderem continuar a reinar nas escolas…Estão com medo e com razão, caso as provas não sejam muito fáceis vai ser um enorme desastre… O Governo fugiu para a frente, esperemos que estes resultados que todos esperem sejam muito maus, obriguem a grandes mudanças nas políticas de educação…

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