Sobre as “Mulheres de gravata e homens de collants”, João André Costa diz…

 

A professora pôs-se a jeito (mas o Eduardo sabia o que estava a fazer)

E ainda ninguém quis saber qual a versão da professora. Por uma questão de princípio, justiça e igualdade, direitos defendidos pelo Eduardo. Mesmo sabendo como a professora se pôs a jeito para a bordoada, ou não fosse o Eduardo o mais jovem delegado do Bloco de Esquerda.
Conclusão: versado nos grandes ideias modernos, onde se inclui a identidade de género, o Eduardo sabia muito bem o que estava a fazer. Já tinha visto o exercício e já tinha topado a falha. Atrevido, arrojado e habituado a questionar verdades absolutas e  conceitos adquiridos, o Eduardo não se preocupou em alertar a professora para o exercício de Inglês, exercício esse não só politicamente incorrecto, mas também caduco. Não, o Eduardo é um aluno, a professora é a professora, e a professora é um inimigo e um alvo a abater. Diálogo, zero.
Afinal, lendo o texto é perceptível a “diferença de idades abismal” entre o Eduardo e a professora, assim justificando ainda mais a insolência adolescente do Eduardo ao responder “Both” a todas as perguntas. O isco estava lançado.
E das duas uma, ou a professora fotocopia o mesmo exercício desde 1986, ou a professora não sabe quem é o Eduardo. Estou inclinado para as duas, facto que abona ainda menos a favor do Eduardo, consciente da presa fácil.
Num verdadeiro duelo geracional, o Eduardo desafiou a professora, e a professora, em vez de mostrar jogo de ancas e rins e usar o tema como mote para um debate em inglês, caiu na esparrela, ainda pior fazendo com a ameaça de uma falta disciplinar. Ui, que medo! Agora a sério, pobre professora às mãos do Eduardo, e o país inteiro no chão a rir.
O problema é que o Eduardo não sabe inglês, ou não fosse o exercício em questão digno de uma criança de 11 anos (talvez menos, o inglês já se dá no ensino primário). E o que eu tenho pena é que o Eduardo esteja mais preocupado em afirmar-se como futuro dirigente político ao invés de interpelar a professora sobre a pobreza do ensino de Inglês ao nível de um país inteiro. Mas interpelar, discutir, debater, tudo isso é sobejamente aborrecido e este não foi senão um exercício de afirmação e vaidade às custas de uma professora, professora essa com mais de 40 anos de trabalho em cima do corpo e deserta por uma reforma antecipada que o governo insiste em não dar.
Porque isso, Eduardo, é que é política, daqui a 100 anos já cá não estará ninguém para contar a história, mas se entretanto fizermos algo de realmente útil, então teremos a certeza de um fim, não necessariamente tranquilo, mas digno.
Para a próxima, não custa nada falar com a professora, ela não morde, eu também não, de confrontos já estamos fartos e só no diálogo e na concórdia, com um pouco de boa educação à mistura, podemos construir, juntos, um mundo verdadeiramente melhor e  igual. Um mundo onde os meninos se tornem homens e as meninas mulheres para poderem usar collants e gravatas quando quiserem, onde quiserem, como quiserem.

Mulheres de gravata e homens de collants 

 

 

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1 comentário

    • Álvaro Faria on 12 de Fevereiro de 2019 at 22:17
    • Responder

    Sinto-me na obrigação de colocar isto para conhecimento público, pois também foi pública a minha participação, quer como deputado municipal em Ovar, ou como candidato à Assembleia da República, em 6ºlugar, pelo distrito de Aveiro.
    Já há muito que discordava de algumas atuações do partido, fosse no «efeito Robles», fosse na «estalinização» do aparelho partidário…A «bolha rebentou», quando foram ignoradas manifestações de desagrado para com a atuação de um jovem bloquista…Aqui não estará em causa a razão ou a pouca razão do estudante em causa…está na forma como foi feita e apoiada por dirigentes nacionais ( os deputados Moisés Ferreira e Pedro Filipe Soares)… Para se passar discursos políticos, tentou-se um «Auto de Fé» a um profissional do ensino, que mesmo que pontualmente tivesse errado, não merecia esta exposição pública.
    Não posso deixar passar em claro, a atuação nas redes sociais, de um funcionário/cacique do Bloco, que procurou denegrir a minha imagem e de muitos professores da Escola. Qualquer ligação minha ao BE, terminou e dificilmente voltará a contar comigo. Todos tivessem a minha verticalidade e sinceridade. Não sou um tipo de «esquerda» de efeito proveta. Lutei objetivamente, quando tinha menos de 18 anos contra o verdadeiro fascismo e nunca tive medo de defender a razão. Para terminar… nada pior que um «falso radical» ou um «dogmático perdido»!!!

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