Finalmente a escola! – João André Costa

 

Finalmente a escola!

Deixo aqui uma confissão: eu gostava de ir à escola. Ao contrário da maioria dos meus colegas e restantes alunos da Secundária, eu gostava de ir à escola e, apesar dos Verões e do calor, apesar da praia, dos mergulhos no mar e noites sem fim, mal podia esperar pelo regresso às aulas.
Porque nas aulas, na escola, havia um propósito, um objectivo muito claro desde tenra idade, entrar para a universidade, tirar Biologia, e um sonho, salvar os Ursos Polares, sonho proficuamente partilhado na turma e motivo de chacota geral.
Mas de pouco importa a chacota quando em casa temos quem nos apoie entre a minha mãe e os avós, felizes num longo, simples mas inesquecível abraço e beijo a cada nota, a cada excelente, a cada 5 primeiro, a cada 18 depois.
Sim, e se a escola teve um papel preponderante na minha formação, a verdade é que metade do que aprendi, aprendi em casa, na família, pela família, e o sucesso da escola dependerá sempre do bem estar familiar.
E sim, no final de cada Verão ansiava por voltar a ver amigos, aqueles professores mais chegados e, acima de tudo, poder continuar a viver e a sonhar aquela paixão do ano anterior, ainda e sempre por concretizar, pela rapariga mais gira da turma, que entretanto já tem namorado.
Mas eu não queria saber, e escrevia poemas de amor.
A escola foi, e ainda é, a minha vida, hoje como professor. Incentivado, aprendi a importância do saber, da partilha de conhecimentos, experiências, emoções, e sair da escola, partir os muros e saber o mundo, para no fim voltar sempre à escola, depois de mais um Verão, sequioso de viver.

 

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