Como Avalio Este Ministério da Educação?

Depois da reunião entre Ministério da Educação e Sindicatos chegamos praticamente ao fim do ano lectivo e importa agora fazer um pequeno balanço deste mandato de Tiago Brandão à frente do Ministério da Educação.

As expectativas para a sempre difícil pasta da educação eram altas e o facto de termos um Ministro jovem com esta difícil tarefa criou algum alento na classe docente.

O mandato praticamente começou com a anulação de algumas medidas inúteis de Nuno Crato que criavam grande contestação.

A anulação da PACC, não sendo de sua autoria, acaba por marcar esse ponto de viragem, seguiu-se depois a anulação da BCE para 2016/2017 e a eliminação dos exames de 4º e 6º ano, sendo que para este ano apenas existiu voluntariamente para que o diploma não ser vetado pelo Presidente da República, ao mesmo tempo foram introduzias as provas de aferição nos 2º, 5º e 8º anos, também voluntariamente para este ano lectivo.

À anulação da BCE atribuo nota 5 ao Ministério da Educação. Esta é sem dúvida uma medida inteligente que vai permitir uma abertura do ano lectivo 2016/2017 sem problemas de maior. A dança de cadeiras que existia com uma panóplia de concursos em simultâneo provocava um atraso inútil na colocação de professores. Mas veremos o que será negociado em Setembro no novo diploma de concursos para ver se esta coragem toda terá ou não continuidade.

Sobre a anulação de alguns exames e a introdução de provas de aferição já atribuo uma nota inferior e não é negativa porque existiu para este ano um regime de voluntariado quer para exames quer para provas de aferição. Foi pena não se deixar tempo de debate para que a decisão fosse feita junto da comunidade educativa. Aqui um 3 baixinho. Se a decisão final fosse a mesma e tivesse havido este debate daria um 4 ou um 5.

Outra grande medida emblemática deste ministério foi a quebra de contratos de cooperação para turmas em início de ciclo com uma grande quantidade de escolas particulares. Apesar de ser compreensível que não deva haver contratualização com escolas particulares onde o serviço público exista, julgo que foi uma decisão muito precipitada e sem grande estudo dos impactos que podem vir com esta decisão. Tenho a certeza que o principal objectivo que o Ministério da Educação queria atingir (redução de despesa) vai produzir uma situação inversa (aumento de despesa). Pela coragem mostrada nesta área dou positiva, nota 4, pelo processo dou negativa, nota 2.

Não há muito mais a avaliar até aqui e o que se prevê que venha para 2016/2017 será alvo de avaliações futuras. O sucesso dos alunos parece estar garantido com a introdução de mecanismos que vão falsear a avaliação dos alunos nos anos intermédios de ciclo e vamos lá ver se mesmo nos anos terminais do 1º e 2º ciclos os alunos vão estar sujeitos a algum tipo de retenção, porque nos últimos tempos têm-se voltado a discutir  o preço das retenções e as metas orçamentais para 2017 não devem melhorar em relação a 2016.

A minha avaliação final é positiva, mas tanto pode cair para negativa como subir para um bom e tudo depende como a educação venha a ser tratada a partir de Setembro e do peso que Tiago Brandão vai ter junto do Governo para aumentar as verbas da educação no próximo orçamento de estado.

 

Deixem aqui a vossa nota e se quiserem podem também dar a vossa opinião na caixa de comentários.

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22 comentários

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    • Ricardo on 29 de Julho de 2016 at 23:29
    • Responder

    Pela 1ª vez ao longo destes últimos 12 anos, considero este ministro o mais assertivo e coerente. Por mim leva nota 4+. Só não leva 5 porque ainda não mexeu no fim das renovações de contrato ; e tb os QA não poderem concorrer em 1ª prioridade na MI.


  1. Foram várias as medidas positivas, a destacar:
    1. Anulação da BCE
    2. Anulação da prova
    3. Redução dos contratos
    Alguns aspeto a melhor:
    – terminar com as renovações de contrato
    – descontos para a segurança social dos prof. contratados deve ser feito com base nos 30 dias.
    Eu dou 5 Valores.

    • Filipe Tuga on 30 de Julho de 2016 at 4:13
    • Responder

    Ui que este blogue não gostará da resposta. Por aqui, tal como pela FNE, gostava-se mais do crato e da PAF.


  2. De facto, este foi o melhor ministro desde que comecei a trabalhar, nos anos 90.
    No entanto, não o considero nível 5. Primeiro terá de acabar com as injustiças dos concursos criadas pelos sindicatos e pelo anterior governo. Refiro-me à prioridade dada aos professores do ensino privado, fazendo com que ultrapassem os professores do ensino público empurrando-os para o desemprego depois de “penarem”, durante anos, pelas escolas do país. É injusto que os professores dos colégios recebam fortunas em indemnizações (aos contratados do ensino público nem a caducidade querem dar) e, ainda por cima, um lugar nas escolas do Estado e, inclusivamente, a vinculação.
    Espero que este governo crie políticas justas e de proteção aos eternos contratados do ensino público.

      • Ngola on 30 de Julho de 2016 at 13:14
      • Responder

      Deves ter andado no privado…


      1. Achas? deves ter sido um do beneficiados, não?

          • Ngola on 30 de Julho de 2016 at 18:13

          Sim!
          Seja lá o que queres dizer.

      • Goma on 6 de Agosto de 2016 at 12:51
      • Responder

      Concordo. Tb tenho apreciado a posição do novo ministro. Mas este aspeto de permitir renovações sucessivas de contratos deve ser concluído. Todo o docente contratado deve ser submisso a um concurso anual, ou se é contratado ou se é vinculado.
      A situação dos colegas dos privados, tem tb de ser controlada. Não é correto passarem-nos à frente e vincular imediatamente, nem mesmo os mais velhos. Todos sabemos a luta que tem sido para nós conseguir uma colocação no ensino público…tantas vezes destruindo os nossos laços familiares, lutando, lutando ano após ano, vítimas de tamanho stress que nos arruinou a saúde! A fila está organizada, quem quiser entrar deverá tirar a senha e esperar pelo seu n.º, nem que tenha 60 anos. Nós com 30 e 40, também temos que sobreviver, os nossos filhos têm direitos iguais e temos uma vida já destruída em termos de passado, temos direito a um futuro com dignidade!

    • José Bernardo on 30 de Julho de 2016 at 16:40
    • Responder

    …para mim têm sido somente bolas à trave! o tempo passa e está visto que não é desta! (O eterno contratado)

      • Filipe Tuga on 31 de Julho de 2016 at 1:54
      • Responder

      PAF, PUF… LOL! Faz lá a fase do luto e avança.

        • anónimo on 31 de Julho de 2016 at 11:46
        • Responder

        Que comentário mais alienado.
        Não esperava isso de si, Filipe.
        Para ter uma noção da realidade, vá às listas de graduação ver as idades e as classificações dos primeiros, em vez de dizer atrocidades…
        Não sabe que a realidade é muito diferente consoante os grupos de recrutamento?

          • Filipe Tuga on 1 de Agosto de 2016 at 1:36

          Não diria alienado, não sou louco, mas é verdade que o comentário saiu um pouco fruto de sentimentos exaltados.

          Mas é dificil de negar a mensagem que ele transporta. O problema maior que os vários ministros têm causado está mais na formação e nos lobbies inteligentes e fortes das universidades…. Se a formação fosse rigorosa e fossem formados professores de acordo com as necessidades das escolas em detrimento dos interesses das instituições do ensino superior haveria menos contratados com mais de 40 anos no ensino.

          Quanto aos grupos de recrutamento, não sei ao certo mas parece-me ser correto que os mais problemáticos são os mesmos com mais oferta formativa nas instituições de ensino superior! Ou não?

          É claro que há outras medidas para diminuir o problema (como diminuir o nº de alunos por turma) mas ele continuaria lá na mesma.

        • Acorde on 2 de Agosto de 2016 at 17:24
        • Responder

        Existem muito e com muito tempo de serviço e estão nos primeiros lugares das listas de graduação à espera de um lugar nos quadros que os sindicatos lhes querem oferecer … são em geral (salvo alguma disciplina mais técnica) docentes que saíram do ensino privado agora com indemnizações elevadas e que se querem reformar no ensino público.

    • José Bernardo on 30 de Julho de 2016 at 16:44
    • Responder

    …parece-me mais o baile dos barbudos: vira o disco e toca o mesmo! o que se passou foi da cassete pirata ao digital – é mais fino!

      • Filipe Tuga on 31 de Julho de 2016 at 1:52
      • Responder

      Pela conversa, ou vens do seminário ou de um Piaget. Se usas o digital com tom depreciativo, és daqueles para quem o mais importante no mundo são os lusíadas e a semântica!

      A questão de o pessoal trabalhar até aos 65 é uma chatice…fica-se cansado! não é? A reforma nesta fase da vida já sabia bem!

      Acertei?

    • Sílvio Miguel on 30 de Julho de 2016 at 18:44
    • Responder

    Arlindo, não sei como esqueceste a revogação da Requalificação de Docentes! Imperdoável!!!
    Será que foi por sermos poucos no meu ano letivo 2014-2015 (15 docentes)?
    Olha que, este ano letivo teriam sido muito mais (cerca de 200, salvo erro)!
    Pois eu, vítima desses cromos do governo anterior PSD/CDS e, em particular, das medidas implementadas pelo nuno crato & Companhia nunca vou esquecer nem perdoar as ilegalidades e irregularidades cometidas comigo nesse processo e no concurso de professores desse ano. Gentinha miserável e incompetente que quiseram destruir a minha vida profissional mas não o conseguiram dada as ilegalidades e irregularidades cometidas.
    Na minha opinião, quanto às medidas tomadas por este governo embora tenham sido implementadas algumas no início da legislatura não estou muito satisfeito com esta estagnação relativamente a tantas outras situações que gostaria de ver resolvidas tanto a nível dos professores como dos alunos. Elogiei-os no início, mas agora estou expectante para ver o que vão alterar futuramente.


    1. De facto esqueci-me mesmo da requalificação docente que também é uma medida do ME. Merece aplauso e nota 5 por essa decisão. Mas… A mobilidade especial continua e vamos ver como vai terminar para os docentes.

        • Filipe Tuga on 1 de Agosto de 2016 at 1:44
        • Responder

        A mobilidade especial faz muito mais sentido que a requalificação. Enquanto que a requalificação é extremamente punitiva para os seus destinatários a mobilidade até poderá ser positiva. Se for encontrado um caminho alternativo para quem tem sofrido tanto nesta carreira não podemos ver mal nisso! As pessoas apenas necessitam de se sentir úteis e ter meios de subsistência estáveis, o que poderão sentir e ter fora da carreira docente! Até acho que a mobilidade especial poderia ser a solução ideal para acabar de uma vez com o problema dos horários 0!

    • Manuel on 30 de Julho de 2016 at 20:03
    • Responder

    Continuamos parados no tempo, quando é que descongelamos? Para que serve o Estatuto da Carreira Docente se depois no que mais interessam que são os salários estamos sempre congelados. Os deputados, os médicos, os juízes têm conseguido subir os salários, com complementos, com horas extra, nós nem acumular 2 horas noutra escola do ensino público podemos. Uma vergonha.

      • Filipe Tuga on 31 de Julho de 2016 at 1:53
      • Responder

      Isso não é da pasta deste ministro. É do das finanças… ele é que manda.

        • Vanda on 2 de Agosto de 2016 at 17:28
        • Responder

        As regras das acumulações, muito restritiva e contrário do que acontece nas outras profissões, são apenas medidas negociadas pelos sindicatos pois não tem qualquer impacto orçamental.


  3. eu conheço professores com outros empregos. Isso é possível neste novo quadro legislativo? Alguém sabe responder-me ?

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