Reações Sindicais à Prova de Conhecimentos

FNE contra proposta do Governo que prevê nota mínima para professores lecionarem

 

O secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE) manifestou-se hoje contra a proposta do Governo de que os professores têm de ter 14 valores numa prova de avaliação para lecionarem, considerando que “põe em causa” a formação inicial.

O Ministério da Educação e Ciência disse ter enviado aos sindicatos três diplomas destinados a “implementar a prova de avaliação de conhecimentos dos candidatos aos concursos de seleção e recrutamento prevista desde 2007 na legislação em vigor, a adaptar o estatuto da carreira docente a essa implementação” e a regulamentar a formação contínua de professores.

A FNE mantém uma total oposição à realização de uma prova depois da formação inicial de professores feita em instituições de ensino superior, que reconhecem através do respetivo diploma que aquela pessoa reúne conhecimentos e competências para poder ser professor”, disse à agência Lusa João Dias da Silva.

O secretário-geral da FNE criticou que, depois da certificação feita pelo ensino superior, “haja uma prova com a duração de duas horas que põe em causa tudo aquilo que foi o percurso realizado na formação inicial”.

O sindicalista lembrou que a ideia desta prova foi estabelecida no estatuto da carreira docente, na revisão que foi promovida pela então ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues.

Nós sempre nos manifestámos contra a existência de uma prova desta natureza”, frisou, adiantando que o ministério quer fazer aquilo que nunca foi feito até agora, a regulamentação dessa norma do estatuto da carreira docente.

Para o sindicalista, “não há qualquer razão” para a existência desta prova, defendendo outra solução: Quando o professor é colocado numa escola deve ter um “período de indução” de um ou dois anos e ser acompanhado por um docente com “mais experiência e qualificações que o ajude a ultrapassar as dificuldades do dia-a-dia de ser professor”.

No final desse período, verificar-se-á se o docente reúne as condições para continuar na carreira docente, explicou.

Esta seria uma solução preferível a esta solução que é iminentemente teórica e com uma duração de apenas duas horas que não nos parece suficiente para estar a determinar se uma pessoa reúne o conjunto de competência para ser professor quando isso já foi feito pelas instituições do ensino superior”, reiterou.

Por outro lado, “também não achamos correto que um professor que serviu o sistema educativo durante 10, 15 anos seja agora sujeito a uma prova desta natureza”, disse, afirmando que “é uma forma de desconsideração do percurso de formação inicial e das instituições de ensino superior”.

A proposta do Governo prevê um regime de exceção para o “candidato com dez ou mais anos completos de serviço docente efetivo que não obtenha aprovação na prova”, que “poderá repeti-la uma única na vez na edição seguinte, sem prejuízo da admissão ao concurso de seleção e recrutamento de pessoal docente imediatamente subsequente à data de realização da primeira prova”.

 

 

FENPROF denuncia postura persecutória do MEC aos professores contratados e desempregados

 

O desrespeito que o MEC de Nuno Crato revela pelos professores é enorme e, então, se for pelos professores sem vínculo (contratados ou desempregados), é total.

Depois de decidir não pagar a compensação por caducidade dos contratados, de apenas colocar 3 em 45.431 candidatos e de anunciar a não realização de uma importante fase do concurso, a “contratação inicial”, o MEC aprofunda a perseguição ao professor sem vínculo, agora com a intenção de promover um exame de acesso à profissão que se destina, inclusivamente, a professores com 20 ou 30 anos de serviço, avaliados de Bom ou classificação superior.

É uma vergonha esta postura do MEC, como também é vergonhosa a intenção de “negociar” esta matéria em pleno período de férias dos professores. Se já era baixa a credibilidade política da atual equipa ministerial com estes procedimentos fica de rastos essa credibilidade.

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10 comentários

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    • Leonor on 24 de Julho de 2013 at 16:24
    • Responder

    A revolta é indescritível. Porque não obrigar os políticos à realização de testes?

    • prof on 24 de Julho de 2013 at 16:40
    • Responder

    Não consigo abrir o quadro 2 e 3…

    1. Experimenta clicar com o botão direito do rato e depois guardar como.

    • Paula on 24 de Julho de 2013 at 18:28
    • Responder

    Os miseráveis dos políticos que temos arranjam sempre maneira para distorcer a realidade.

    É sabido que colegas professores dariam ao país mais, em termos de profissionalismo, a cavar batatas do que no ensino.
    O problema não está nos professores que frequentam cursos em instituições de ensino superior que não têm qualidade nenhuma. A resolução deste busílis está a montante da questão: na formação e na facilidade com que se obtém um diploma nas instituições privadas de ensino superior; para tal basta ter as propinas em dia. Se houvesse uma inspeção séria da qualidade destas instituições de ensino superior, não se estaria a falar em prova de conhecimentos.
    Este governo é exímio em atirar as culpas para cima de outrem. É compreensível toda esta confusão: quem nunca teve uma formação exigente (que é o caso dos miseráveis políticos que nos calharam na rifa) encontra sempre uma solução que recaia nos outros.

    Viva a horda e corja de políticos que temos. Roubam-nos, ofendem a nossa dignidade, deixam-nos na miséria e continuam no poder. São mesmo bons!

      • Renato M on 25 de Julho de 2013 at 1:10
      • Responder

      Lamento, mas devo contrariar o que disse, já que coloca “tudo no mesmo saco”, ou seja, quem fez o seu curso no ensino privado “não presta! Errado! Também “os há” no público, e infelizmente muitos, digo isto com conhecimento de causa, já que a experiência de um curso no ensino privado/cooperativo e três no público merecem que faça este reparo. Lamentavelmente sabemos que existem “universidades” que “oferecem” os seus cursos originando aquilo que sabemos, ausência de rigor, profissionalismo e até “sapiência”!
      Mas concordo com o que referiu relativamente aos políticos… aqueles que chegam ao poder sem nunca saber o que é o “valor do trabalho”, apenas andaram ao sabor do vento, dos partidos, das “cunhas”… e agora estes energúmenos (des)governam o país (nunca obtiveram o meu voto!)
      Lamento que se discutam assuntos que nada dizem respeito ao ensino e que a classe dos professores não seja unida, se assim fosse nunca seríamos vencidos e a educação poderia estar no lugar que merece! Infelizmente interessam apenas os “euros” para pagar um despesismo extremo de muitas décadas…

  1. E com a negociação sindical vamos conseguir chegar a uma nota mínima de 13,8… (depois de alguns dias e noites de negociação)

    • Professora e prima do Crato on 24 de Julho de 2013 at 19:10
    • Responder

    Completamente de acordo com a posição da FNE.
    A sugestão da avaliação é sem dúvida bem mais justa, credível, e a única que pode, de alguma forma, ser usada para avaliar com substância o desempenho/competência do candidato para a docência.

    Espero, portanto, que os sindicatos sejam intransigentes nesta matéria.
    Ninguém, na sua boa fé, pode defender esta prova como forma de selecionar os candidatos a professores.

      • Maria on 24 de Julho de 2013 at 21:41
      • Responder

      É a primeira pessoa que vejo aqui defender a avaliação, já que o que se lê com mais frequência é que é injusta, não premeia mérito nenhum… Enfim, já nos entendíamos todos, não?

    • FarinhaDoMesmoSaco on 24 de Julho de 2013 at 21:02
    • Responder

    É pena que a FENPROF esteja no gozo de férias… os contratados não são nada para eles, infelizmente!

      • Nuno coelho on 25 de Julho de 2013 at 9:04
      • Responder

      ´É pena que não lei tudo

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