Pela importância do Texto de Luís Braga trancrevo-o na integra
Este texto se , apesar da sua extensão, for lido vai agravar o número das pessoas que não gostam de mim. Muitos colegas directores de escola se vão sentir ofendidos (especialmente os que virem os seus critérios aqui criticados). Os que tiverem poder de encaixe para isso podem escrever-me e dizer o que tiverem a dizer. Responderei e talvez não leve a coisa tanto para brincadeira como aqui. Acho que maioria esmagadora dos meus colegas directores são pessoas com valores éticos, esforçadas, mal pagas para o trabalho que executam. Doi-me ver a injustiça com que o nosso trabalho ´e julgado mas quem me conheça sabe que sou pouco corporativo e mesmo quando isso me causa dissabores e contrariedades não me dispenso de ser critico. Infelizmente nesta questão dos concursos de ofertas de escola sou da minoria residual que acha que se foi longe demais na tentativa (por sinal toscamente implementada) de ter as escolas a “escolher os professores”.
Seja como for, na resposta a criticas que possam vir, não vou dizer a hipocrisia, de que não tinha intenção.
Tinha, sim senhor: a intenção de tentar abrir a consciência de alguns para ver se, com esta humilde tentativa, começam a ver que, se os critérios que inventam lhes forem aplicados, talvez percebam as injustiças que andam a fazer. A nova lei de contratação de docentes em oferta de escola pretendia corrigi-las nas intenções mas falhou nos processos (coisa muito comum em Portugal, grandes legisladores de regimes industriais mas péssimos em porcas e parafusos….)
Quem regurgitou a nova legislação das ofertas de escolas também pode ficar ofendido. Espero que não muito porque representa o meu patrão: quem assinou o decreto-lei foi o Ministro da Educação. O tal DL, que fala de 50% de qualquer coisa, somado a 50% de outra, que não se sabe bem o que é, numa escala que cada um define, e que introduz o conceito de “tranches” de candidatos (até então conhecia directamente as de vitela, que consumia com gáudio, e dolorosamente as da Troika) mas, às tantas, o infeliz estrangeirismo até pode estar bem, sendo os contratados carne para canhão do sistema de ensino.
Sendo um homem que tanto fez pela Matemática acho que o ministro não viu todas as implicações matemáticas destes artigos da oferta de escola. Creio que se vir, com atenção, vai perceber que a culpa dos problemas não é só das escolas, como declarou à imprensa, quando se viu questionado.
Mas, na verdade, não creio que venha a ter problemas por escrever isto. Afinal, temos um ministro que muito gostava, e praticava, a liberdade de dar saraivadas ao eduquês, convenientemente parodiado e eu vou tentar dar algumas….
Pena que a abstenção administrativa, que grassa sobre isto nas altas esferas dos concursos no MEC, sob a sua égide, tenha dado azo a que o eduquês magoasse tanta gente, com mérito muita dela, sob a forma de critérios de concurso…. Como aquele ignóbil espectáculo de ajuntamento de centenas de docentes à porta de uma escola de Lisboa, esta sexta-feira.
E sempre se estranha que um liberal acabe a proteger, ainda que por abstenção, mecanismos de selecção em concursos públicos com laivos monopolistas e anti-concorrenciais.
A importância de nos lembrarmos e calçarmos os sapatos dos outros
Finalmente, alguns contratados, menos adeptos do ridendo castigat mores, podem sentir-se ofendidos pelo tom, que tenta ser jocoso, do texto. A esses digo que não os queria ofender, de forma nenhuma, mesmo que a tentativa de mordacidade do texto o possa dar a entender. Ainda me lembro do turismo pedagógico dos mini-concursos e ainda sinto as suas dores de ambulantes escolares. Em suma, ainda me lembro do que é ser professor contratado e acho que, com as diferenças de geração, ainda consigo calçar os seus sapatos e pôr-me no lugar desse “outro”, o que é a base de qualquer atitude ética. E, agora, com a mobilidade, ainda vou acabar por ser um contratado com o nome pomposo de “professor de carreira”.
Então decidi fazer este exercício. Sou professor do grupo 200 (Português e Estudos sociais) com uma graduação na casa dos 27 valores: como seriam para mim as coisas se tivesse de concorrer com os critérios de oferta de escola dos horários do meu grupo que por estes dias saíram para candidatura?
15 Horários vistos com algum detalhe
Pedi a um amigo para verificar, e na data em que escrevo (30/08), constatei que havia 15 horários do meu grupo. Eram, salvo erro, horários das escolas 121617, 145452, 145488, 152213, 170719, 170800, 170859, 171669, 171682, 171773, 171839 e 171888. Poupo-vos à longa enumeração dos nomes mas, com os códigos, quem quiser verificar chega lá.
A seguir, apresento alguns desses critérios e comentários sobre eles. E junto um espaço para a forma como os sofreria e analisaria se fosse candidato. Tento brincar, mas o caso é triste e sério.
Ninguém selecciona médicos ou juízes com conceitos bárbaros destes.
Agora espero sinceramente que este assunto (que é da escola, de quem tem interesse pelo futuro educativo do país e da sociedade) não fique limitado aos contratados. Se algum professor do quadro ler isto que estou a escrever, e seja ou não deste grupo, que lhe parece se lhe aplicarem tais conceitos no próximo concurso? Se acha mal, porque fica calado sobre isto? Ou só vai querer saber do caso, quando a sua própria casa estiver a arder?
E os directores, que tais conceitos expeliram, estariam disponíveis para ser seleccionados, como docentes, desta forma? E ainda se lembram de quando eram contratados? Teriam hipóteses de ter assim para si próprios uma selecção justa, objectiva e que preencha todos os requisitos administrativos, legais e constitucionais?
E os professores dos Conselhos pedagógicos que tais aberrações eduquesas aprovaram que têm a dizer em sua defesa?
Como nota lateral destaco que nos critérios que analiso não consta curiosamente um, patentemente ilegal, mas muito comum nas AEC (morar a uma certa distancia mínima da Escola). Sobre essa pérola gostava só de lembrar que, aí por 1940, o regime salazarista obrigava os professores primários a, sob pena de processo disciplinar, residir a menos de 5 kms da escola. A estupidez manga-de-alpaca nunca muda, e a genética é uma coisa tramada, e um tio-avô meu teve nesse tempo problemas por residir em Viana e dar aulasem Afife. Ia de comboio e era pontualíssimo mas incomodou alguém que o quis tramar. Muito senhor do seu nariz, ganhou a contestação. A Constituição consagra hoje a liberdade de circulação e de escolha de domicilio mas, nesta linha revivalista, até já nem me espantaria que alguém se lembre de reintroduzir a permissão prévia ao casamento dos professores que o Salazar também criou e fazer disso critério de concurso….
Analise de critérios concretos – um menos mau…
Numa escola, que vamos designar por 1, para Entrevista de Avaliação de Competências, a valer 50% de metade da classificação da selecção, surge o critério Conhecimento dos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária
Pouco objectivo. Como se mede o conhecimento referido? Conhecimento de quê? Da Geografia? Da Sociologia? Da História (tratando-se de um horário de História….)E como se graduam os diferentes “conhecimentos” dos vários candidatos que vão ser entrevistados? (TEIP’s há perto de 100) Se fosse eu a concorrer, 5 anos de director de um TEIP e 1 ano a leccionar e como director de turma deveriam dar para o máximo da pontuação. Mas onde está garantido que isso não era considerado equivalente a 1 ano do docente que já está na escola e que conhece aquela em particular (ou que alguém acha que conhece ou que alguém que ele conhece acha que conhece)?
30% iria para o Perfil Profissional. O que é isso? Existe uma definição objectiva? (por acaso existe e está na lei mas é isso que vai ser avaliado numa curta entrevista? Não será ambição a mais?)
Talvez, eu, se concorresse, tivesse a pontuação toda. Estou barrigudo mas o perfil do rosto ainda deve escapar. Se a coisa fosse levada a sério (e o perfil fosse o definido legalmente) acho honestamente que teria boa pontuação. Mas qual dos modelos de perfil será usado? Deduz-se do critério? É que, para usar o legal, falta muita informação.
E, finalmente, o 3º critério a Apreciação Global que vale 4 valores. Critério misterioso que, na verdade, entra naquela categoria que na Biologia acaba bem representada pelo ornitorrinco …. Um critério sem critério. Um “diversos”subjectivo que engloba (daí ser global) o que não se conseguiu tornar definido em estilo mais criterioso…. Se o meu mau feitio (agravado pela leitura destes critérios) aparecesse na entrevista acho que ficava a 0….
O critério do monopólio…. Liberalismo do mercado de trabalho mas com calminha…
Se o primeiro grupo de critérios da escola 1 era dos menos maus vejamos agora do piorzinho que topei. Entrevista na mesma (esta obsessão com entrevistas merecia todo um texto de análise). Critério único: “Continuidade pedagógica”. Em termos simples, fica quem está. Critério manifestamente ilegal (disse-o no ano passado o Provedor de Justiça, não sou eu que digo).
A continuidade pedagógica atrai muita gente, especialmente os que arranjaram um galho, mesmo que não tenha sido por mérito, e é um mito eduquês (e não eduquês) muito popular.
Mas essa ideia de senso comum, baseada no dogma bem português da continuidade e estabilidade (que nos trouxe ao lindo estado em que estamos), retira competitividade ao concurso (que neste caso não e´ de quadro) ao assegurar que quem esteja continua, sem outro motivo que não ter estado.
A consideração, este ano, da graduação criou uma dificuldade a quem pensa assim mas, como todos os pensadores dogmáticos, insistem, ainda que isso obrigue ao triste espectáculo que ainda agora se assistiu à porta de uma escola que me fez lembrar uma cena de filme neo-realista (os trabalhadores alinhados e em magote `a espera da escolha pelo patrão para a jorna).
Um concurso tem de ser algo aberto, em que todos possam concorrer em igualdade com a dignidade do seu mérito intrínseco (a continuidade do passado não é um elemento de mérito intrínseco dos candidatos, e´ um fenómeno conjuntural e, neste caso, se foi gerado no passado por critérios fracos destes, bem arbitrário). Ter estado, pode ter valor mas não pode significar vitória automática, porque isso suspende a evolução. A continuidade aceita-se num quadro de ideias bacocas de aristocracia e com a mania do consuetudinario.
Ao criar duas categorias de candidatos “os nossos” e os “de fora”, um liberal diria que se cria uma vantagem competitiva ilegítima, ou se preferirem, um entrave à concorrência.
Impossível num concurso publico, ao gerar parcialidade embutida no processo. Além disso, e este fenómeno vai ocorrer noutros casos, para quê entrevistar alguém (e gastar tanto dinheiro) para avaliar as suas competências, se basta saber onde esteve colocado no ano anterior para aplicar o critério de escolha?
E, finalmente, porque é a continuidade tão importante, se o mundo muda e temos de aproveitar as “oportunidades” que as crises de mudança nos criam? Não será a continuidade pedagógica uma “lamechice” (lembram-se?) pouco liberal e fechada à competitividade (na verdade, em termos económicos, cria um monopólio daquele posto de trabalho transitório que, mesmo alguém com mérito, mas de “de fora”, nem consegue arranhar).
E quem defende a “continuidade”confunde continuidade com estagnação e confunde-se com o significado jurídico de “renovar contrato”. As renovações do concurso nacional, baseado num critério objectivo, já encerram injustiça quanto mais estas, feitas assim. E já agora que continuidade para os docentes QZP mandados para mobilidade e para os que ficaram em horário zero…..?
Neste critério, fosse como fosse, tinha 0 e de nada vale toda a formação de 17 anos de carreira, cursos, experiência ou até 6 anos de experiência numa escola TEIP com populações em risco de abandono escolar (ou todo o currículo restante). Um professor formado há 2 anos (que empatasse comigo no critério seguinte) conseguia, aqui, para o total final, 6 valores, que somados a 50% da sua graduação lhe davam, se tivesse a mesma nota de curso que eu, 9 valores para o mesmo total final. Ele ficava com 15 e eu com 14. Esta demonstração pelo absurdo mostra como o argumento da continuidade pedagógica viola a própria Constituição. Ou será que alguém acha que 17 anos de experiência valem menos que 2? Podem valer o mesmo, até, mas menos? (Matemática e rigor e ficamos nisto).
A continuidade é um critério camaleão
Numa outra escola o critério foi redigido de outra forma “Conhecimento e participação em projectos efectivados no Agrupamento no ano lectivo 2011/2012.” Vale tal conhecimento 70% de metade da classificação total do concurso. Se fosse eu a concorrer tinha 0. Projectos nunca me faltaram na vida. Não tive foi a subida honra de estar “no” agrupamento, entidade tão divinizada na sua capacidade de criar qualidades intrínsecas de mérito, que acaba designado pelo artigo definido…. “o”, the special one or the only one…. 17 anos de vida e experiência valiam lá 0…..por que não foi lá e no ano santo de 2011/12.
Nessa escola, 20 % da nota final vai para o Conhecimento e experiência pedagógica com alunos em contexto sociolinguístico desfavorável. O que é contexto sociolinguístico desfavorável? Não se explica. Um professor que, como eu, tenha dificuldades em dizer o “L” pode invocar essa experiência? Não se perceber o critério de forma unívoca torna-o equivoco e, por isso, violador das normas de concurso. Mas talvez a natureza dúbia da redacção seja só um sintoma do contexto sociolinguístico desfavorável.
A concorrer a isto estava lixado…. Mas podia ser que os meus 6 anos de trabalho com comunidades bilingues me ajudassem a arranjar uns pontinhos para isto não ser tão escandaloso. Só me questiono é se, do conselho pedagógico dessa escola, terei condições de obter uma definição única para tão original conceito.
O 3º critério seria ter participado em projectos no âmbito da multiculturalidade. Como se calcula uma percentagem disso? O que é multiculturalidade para quem escreveu estes critérios? E sei que a pergunta tem muito de retórica. Mas como se mede e valoriza a multiculturalidade (em tempo de experiência? Em natureza da experiência? E como (não) se diz aos candidatos o que devem destacar das suas experiências de forma mais concreta? Por exemplo, para um candidato que tenha tido namoradas estrangeiras, vai valer alguma coisa? (é uma experiência num projecto de multiculturalidade, afinal). Ter nascido ou vivido no estrangeiro também é (e a nossa vida é um projecto, certo?).
No meu caso tenho uma irmã, que muito me orgulha, nascida e criada no Brasil, até os 16 anos, e cujo final de adolescência e juventude acompanhei (isso conta como experiência? como não dizem, deve contar). Talvez me valesse a minha querida irmã, para ter uns pontitos ….
E a continuidade encapota-se ….
Por exemplo, num critério aparentemente objectivo como “ter leccionado a disciplina nos últimos três anos”, que vale metade de um concurso na 4ª escola. Na pratica a exigência de um mínimo de experiência. Não suscitaria muitas dúvidas nem comentários. Mas, e quem tiver leccionado a disciplina 10 anos, menos no último? Passou-se alguma coisa com o conteúdo da disciplina nos últimos 3 anos que os torne tão especiais? Tinha 0 por ter sido director nos últimos 3 anos e, por isso, não leccionar. Mas os restantes anos anteriores não valem nada?
Outras redacções de continuidade encapotadas: Conhecimento do contexto do Agrupamento -Projeto educativo TEIP – Regulamento interno – Projetos próprios; Projetos/ações/atividades desenvolvidas neste TEIP ou 3- Contributos para a concretização do projeto educativo do agrupamento no ano letivo 2012/13.
A este último responderia, se estivesse desempregado, a concorrer, “Ainda 0 mas cheio de vontade de dar contributos e como sou criativo e inovador” (e cheio de virtudes, que os defeitos tento evitar mostra-los) e talvez conseguisse a pontuação máxima. Isto, se ao explicar a fantasia inventada para o momento, estivesse inspirado….Em 2012/13 ainda ninguém fez nada portanto o critério deve implicar as competências da Maya (e olhem que eu não acho que ela preveja o futuro).
Outra forma de encapotar são os critérios que dão para tudo. Na escola 5 o Relacionamento interpessoal/ Competências de comunicação. Como se faz com que isto não seja apenas a avaliação da simpatia e de elementos externos do “relacionamento”? E sem entrar em dúvidas menos simpáticas ….
Critério 2, por aí, a valer 15%, “Competências especificas e de inovação”E o que é isto? Um professor inventor terá alguma vantagem? Critério impreciso, altamente subjectivo e objectivamente nulo de conteúdo.”Bem, sou muito inovador, é o que me dizem, mas perante a inovação de todos estes critérios (em alguns casos invencionice) creio que ia ter dificuldades em superar o tão alto critério….”
Outra forma de encapotar a continuidade dos que estão é como disse recorrer ao Conhecimento do contexto educativo do projeto TEIP do agrupamento. Critério aceitável, se se precisar o que seja o contexto, e que todos podem cumprir, mesmo os que lá não tenham estado no ano anterior (se estudarem, por exemplo). Estudava e talvez me safasse com metade da pontuação. Se tivesse tempo, e não tivesse 10 entrevistas no mesmo dia, com contextos todos diferentes para estudar (há umas 100 escolas TEIP) e, de certeza, perguntas de detalhe para me perturbar….que sou “dos de fora”.
Estruturas e (des) favorecimentos
Na escola 6 da minha análise 15% iria para a experiência em Escolas TEIP/contextos socialmente desfavorecidos. O que é isso de um contexto socialmente desfavorecido? No senso comum toda a gente tem uma ideia mas um concurso implica rigor e isso obriga a que se diga de partida como se vai distribuir a pontuação, conforme as realidades de experiência que vão aparecer? Um professor que tenha crescido num bairro social vai ter a sua experiência considerada ou não? Acho que devia. Estamos conversados sobre experiência (acho que arranjava maneira de contestar se não tivesse a pontuação máxima). Estragava tudo, por causa disso, na capacidade de relacionamento…. Mas, agora reparo, aqui não conta….
Outro a valer 15 % Participação em projetos estruturantes de Agrupamento. O que são projectos estruturantes do agrupamento? O conceito impreciso, vago e subjectivo inclui, por exemplo, a festa de Natal? E o Carnaval? Uma visita de estudo é um projecto estruturante? O estruturalismo paga as favas que não merece… Em estruturas fraquejo. O meu marxismo mitigado sofre de um sincretismo com o historicismo e o positivismo que se irrita com balelas destas….
Reaparece aqui o Perfil (para trabalhar com alunos com características específicas), a valer 20%. Isto, claro, não quer dizer nada. É eduquês, como alguém diria. Todos os alunos têm características específicas e todos os professores têm perfis para algumas delas. Como não se diz quais sejam …. Dá para tudo….
Hiperactivos, ganhava os pontos todos. Parece que fui desses… Maus alunos era um problema: nunca fui. Às tantas, seria impeditivo para o perfil. Esperemos que olhem para a barriga e vejam a sua solidez de perfil. Realmente, realmente, isto está ao nível de pais que questionam o perfil de um professor que não tem filhos…. Perguntam isso ao pediatra?
E por falar em perguntas, coisa curiosa, ainda ninguém perguntou o que o candidato sabe de Historia que e´ o que vai ensinar.
E para coisas realmente cómicas …
Por exemplo: Experiência lecionação programas. Mau português, mesmo para os telegráficos caracteres que se podem por na aplicação, e o que quer dizer? Algum professor não lecciona com base em programas?
Mede-se em tempo, certo? Ou como se mede? Acho que tenho, ou será que não…. Estes critérios todos já me fazem tresler….
Outro critério“objectivo”: desenvolvimento de projectos.
Projectos de?!? Casas, arquitectura, decoração? Devem ser escolares, mas de quê? Uma visita de estudo será um projecto? Em sentido lato é. Objectivo, isto? “Projectos é o meu nome do meio….e melhores que os que fiz serão os que vou fazer (especialmente se ganhar o concurso)”, dirá qualquer candidato. Como se diz no norte vão fazer falta galochas para tanto que se vai regar.
E por falar em regar. Outrocritério engraçado Capacidade de resposta a situações / ocorrências emergentes. O que é uma situação emergente e como vão avaliar isso? Se tiver uma situação emergente durante a entrevista e a resolver, suspendendo a entrevista, e saindo para evidenciar, em local mais recatado e higiénico, a minha capacidade de resposta, vão dar-me 0 ou pontuar-me com o máximo?
Bem cómico é tambémAptidão para leccionação / funções previstas no horário a concurso. Na tropa recebi a menção de incapaz para todo o serviço militar mas apto para angariar meios de subsistência. Leccionar é o meu meio de subsistência há mais de 15 anos. Devo presumir que vou obter os 10% de máxima aptidão? Ou vou ter de ir buscar o Brigadeiro da Junta do Hospital Militar?
Percorrendo tudo isto, a conclusão é que num concurso destes, apto que estou, eu não tinha hipóteses nenhumas de chegar a ser seleccionado, pela maneira como os critérios são convenientemente direccionados (muitas vezes, ao lado, mas a coisas convenientes). Se fossem os únicos, entenda-se, estava fora sempre. Por isso, a mudança da lei este ano foi no bom sentido, mesmo mal operacionalizada .
A minha graduação profissional é pública (basta verem as listas da DGAE ex-DGRHE) mas, a leccionar desde 1995, com nota de curso bastante alta de qualificação, 3 pós-graduações no ensino superior, 4 anos a ensinar em acumulação numa das melhores escolas particulares do Norte, 4 de experiência em cursos de aprendizagem e formação profissional, coordenador de formação, formador de professores e 6 anos como director e professor de um agrupamento TEIP (com 12% de população cigana e tendo participado em projectos considerados inovadores para esse tipo de escolas), nestes 15 concursos, se fosse contratado, em nenhum teria qualquer hipótese com critérios destes e, só a graduação ser considerada, impedia que ficasse a zero.
Alguém me explica como acontece isto? Esta e outras perguntas ficam à espera de resposta. E o debate vale a pena, acreditem.
(O autor é director de um agrupamento de escolas em que se fazem concursos de oferta de escola. As listas desses concursos, deste ano e anteriores, podem ser consultadas no site
www.escolasdarque.com)
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26 comentários
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Isto sim é um diretor!!!
Vozes destas deveriam ser ouvidas em telejornais! Excelente exposição da situação execrável em que nos encontramos!
Obrigado por desmitificar estes critérios e subcritérios que permitem todo o tipo de injustiças.
Parabéns Luís pelo seu texto. Julgo que está na altura de acabar com a pouca vergonha que é a generalidade das ofertas de escola. Quanto às escolas TEIP’s… haverá aquelas em que as coisas funcionam correctamente contudo, essas são a minoria. É pena que a IGE assobie para o lado.
É verdadeiramente incrível o trabalho que, em conjunto com outras professores, tem vindo a desenvolver. O altruismo está na ordem do dia.
A verdade é que estes critérios de que fala são de um injustiças tremenda e devemos fazer algo para combatê-los. E este ano, até sou um dos beneficiados, pois fui um dos reconduzidos.
Considero, contudo que a graduação profissional não pode ser tudo. Continuam a existir muitos (maus) profissionais (tal como noutras profissões) que se agarraram a um lugar (cativo), não havendo lugar para outros demonstrarem as suas competências.
Penso que seria positivo conseguirmos um plano para acabar com estas (e muitas outras) injustiças no nosso sistema de ensino, afastando-nos dos próprios sindicatos.
1ª Pergunta – porque é que qualquer outra Escola (não TEIP/Autonomia) pode renovar automaticamente e as TEIP/Autonomia não?
2ª Pergunta – Caso fosse possível renovar, e estes renovações fossem feitas automaticamente como todas as outras estava a haver esta confusão toda?
—
Injustiça é eu ter sido corrido de uma escola por causa de um DACL e ver os meus colegas todos renovadinhos apesar de terem pior graduação que a minha….
Pior graduação que a tua ? se quisesses podias lá estar tu… até tens a graduação mais alta. AH! se calhar os teus colegas estiveram mais longe de casa do que tu. Fala-se de injustiça, conheço muitos colegas que quiseram ficar perto de casa e nao arriscaram para longe e agora estão fora e os que foram para longe têm um lugarzito. É complicado julgar… e nao o faço.
Caro C3PO. A renovação na forma como é feita é injusta por natureza, quer seja em escola TEIP/Autonomia ou não.
Nas renovações o critério é único e é ter lá estado a leccionar (ainda pior que os critérios das ofertas de escola que agora já incluem a graduação). A renovação acontece desde que sejam satisfeitos um conjunto de requisitos mas que não incluem a concorrência de outros professores contratados e apenas os do quadro. Nenhum professor contratado com mais anos de experiência passará à frente do contratado em condições de renovação.
A chamada “continuidade pedagógica” que tanto se apregoa e que nem sequer é seguida muitas vezes nas escolas com professores do quadro, como já tenho assistido.
Já assisti muitas vezes a situações não só em termos de leccionação como de direcção de turma em que um professor que lecciona uma turma num ano, no ano seguinte deixa de a leccionar porque alguém achou que aquela turma até é porreira e dá mais jeito ao amigo de quem decide os horários e o mesmo se passa, e neste caso é ainda mais gritante, com uma direcção de turma.
A verdade é que em Portugal em geral a “cunha” continua a ser o principal método de selecção sempre que isso possa ser possível. O triste é isto também acontecer nas escolas. O critério da competência e da experiência são facilmente substituídos pelo critério de “lá ter estado” ou de conhecer a pessoa A ou B.
Para responder directamente à sua 1ª pergunta/afirmação a verdade é que o decreto lei 132/2012 de 27 de Junho já permite que os docentes contratados em regime de contratação de escola possam ver a sua colocação renovada ao abrigo do ponto 4 do artigo 38º do referido decreto lei que transcrevo:
4 — Aos docentes colocados ao abrigo do concurso de
contratação de escola é aplicado o disposto nos n.os 3 a 5
do artigo 33.º, de modo a garantir a continuidade pedagógica.
No artigo 33º pontos 3 a 5 é dito o seguinte:
3 — A colocação em horário completo e anual pode ser
renovada por iguais e sucessivos períodos, até ao limite de
quatro anos letivos, incluindo o 1.º ano de colocação.
4 — A renovação da colocação depende do preenchimento
cumulativo dos seguintes requisitos:
a) Apresentação a concurso;
b) Inexistência de docentes de carreira no grupo de
recrutamento a concurso e que tenham manifestado preferência
por esse agrupamento de escolas ou escola não
agrupada;
c) Manutenção de horário letivo completo apurado à
data em que a necessidade é declarada;
d) Avaliação de desempenho com classificação mínima
de Bom;
e) Concordância expressa da escola;
f) Concordância do candidato.
5 — A verificação dos requisitos das alíneas c) a f) do
número anterior é efetuada num único momento e através
de plataforma eletrónica da Direção -Geral da Administração
Escolar.
Por isso, como vê, já irá ser possível essas renovações o que faz aumentar ainda mais o leque de injustiças e que vai permitir aos directores de escola renovar a colocação dos “que lá estão” em detrimento “dos de fora”, mesmo que estes últimos possam ser mais experientes ou competentes.
Os concursos de escola vergonhosos que temos vindo a assistir, para o ano nem sequer vão existir em muitas (todas?) das escolas TEIP/Autonomia. Já não vai ser preciso fazer espectáculos tristes como o do Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves na Amadora e outros para seleccionar quem eles, os directores, queriam seleccionar, ou seja, “os que lá estão”.
Obrigado pela forma como tão sabiamente expôs a situação.
É bom verificar que há alguém neste país que defende o que é justo e não concorda com sistemas nada claros e compadrios.
Obrigada Sr. Diretor.
Devia ser ouvido por quem de direito, mas acredito que com tal exposição ainda o seja; mesmo por aqueles que não querem ouvir, nem ver e nem sentir o que é verdadeiramente a vida docente. Com os melhores cumprimentos. Marisa
Legalmente o que se pode fazer??
Luís Braga:
Como professora dita “de carreira”, não podia deixar de lhe agradecer pelo difícil exercício que me levou a fazer ao longo da leitura do seu texto, tentando colocar-me no lugar dos milhares de professores contratados que neste momento concorrem aos concursos de contratação de escola.
Eu, tal como o Luís Braga, também não teria a mínima hipótese de ser seleccionada em ofertas que tivessem os critérios que analisou, pelo simples facto de que NÃO SOU a pessoa para a qual aqueles critérios foram definidos.
O facto de ter percebido que há colegas nossos (sejam directores ou membros de Conselhos Pedagógicos, são sobretudo professores) que criam tais situações ou que deixam que estas aconteçam, entristece-me bastante como professora e como cidadã.
Agradeço-lhe por manter a dignidade da classe docente nos critérios definidos na sua escola. Espero que mais directores o façam e que sejam cada vez menos os que ainda tentam contornar a legalidade para favorecerem indevidamente alguém. Espero.
Corajosamente escrito. Basta de mentiras sobre as contratações de escolas.
Autonomia só é verdadeiramente autonomia quando se beneficia alguns.
Basta.
É com enorme tristeza que assisto a toda esta confusão. Eu coloco algumas questões: “Será assim tão grave um diretor reconhecer o travalho de quem esteve a lecionar no agrupamento independentemente de ser muito graduado ou pouco?” Será um docente mais graduado mais competente que o menos graduado? Será justo o docente menos graduado não ter acesso a realizar a entrevista ou apresentar o CV? Não seria justo que a graduação fosse ordenada simplesmente pelo tempo de serviço (visto muitos colegas sairem formados com medias de 16,17,18 e inclusive 19), já que se fala muito do tempo de serviço? Pois bem, recordo o sucedido no Agrupamento em que eu estive colocado, um colega com graduação de 24,… ao ser colocado num determinado Grupo de Recrutamento (visto estar desesperado), ao qual possuia habilitações para tal, olhou para mim com um desplante a dizer que era professor de E.V.T e não de 1º ciclo (grupo onde tinha sido recrutada), pois bem foi o CAOS total, não percebia patavina, do que se pretendia, não se revia nos alunos, não conhecia as metas de aprendizagem do 1º ciclo e vagueava ao sabor do vento, acham mais correto,apropriado e seguro para as aprendizagens dos alunos??? Pois bem, cabe a cada diretor ser justo e sério mas deverá ter em consideração os alunos e qual o perfil que pretende para a população alvo que a sua escola é frequentada.
´DEIXO ESTA QUESTÃO: SERÁ O DOCENTE MAIS GRADUADO, MAIS COMPETENTE QUE O MENOS? PENSEM.
Fossem todos assim e isto não seria a palhaçada que é!
Há dois anos concorri a uma TEIP. Tinha 10 anos de serviço. Entrou um candidato com 4 meses de serviço. VERGONHOSO
Parabéns pelo texto Luís Braga.
Realmente, aquilo que dizes no teu texto («Em suma, ainda me lembro do que é ser professor contratado e … ainda consigo calçar os seus sapatos e pôr-me no lugar desse “outro”, o que é a base de qualquer atitude ética.
») reflete a atitude que sempre observei em ti em relação aos contratados.
Aproveito para te voltar a agradecer a extensa carta que um dia redigiste à Dren para que eu não tivesse que ir para o desemprego em junho, após ter trabalhado o ano todo na escola, em substituição de outro professor que entretanto voltou.
Muita conversa e não os vejo a fazer nada.. Infelizmente já não estamos no tempo em que as palavras serviam como armas contra a injustiça.. Temos definitivamente que as aliar à força física. O resto é conversa, por mais bonita que nos pareça.
Em meu nome quero agradecer o seu depoimento, por exprimir aquilo que eu e muitos colegas de profissão sentimos, diariamente e ao longo de anos, ao sermos preteridos por critérios pouco claros e nada justos. Fossem todos os Diretores de Escola ou Agrupamento assim e o nosso país seria, sem ponta de dúvida, mais produtivo e mais justo. Obrigada.
Em primeiro lugar gostaria de o parabenizar pelo texto aqui exposto no entanto, gostaria de “incendiar” um pouco mais a conversa, já que de conversa não passa, uma vez que este país vive mais da blogosfera do que de actos concretos.
Somos um classe desunida, porque se fossemos unidos nunca tinhamos aceitado/ permitido as “belas” das escolas TEIP, das escolas com autonomia ou mesmo a renovação de contratos. Sim! Naquela altura porque não agimos?! Estariamos mais interessados no facebook, ou talvez naquela rede social mais antiga, que agora não me lembro o nome?! Possivelmente…
Mas agora falando das TEIP…
A partir do momento que permitimos as renovações, porque tornamos apenas as escolas TEIP e com autonomia no único “cavalo de batalha”?! Não sereia melhor também contestar as renovações? Tenho muita gente a renovar à minha frente e muito menos graduada, só porque alguém se lembrou de criar uma lei que permitia renovar a quem ficasse colocado até 31 de dezembro. E se calhar vocês também. Já se deram ao trabalho de analisar as vossas listas?!
Considero também que a graduação não é um posto. Ao longo dos meus anos de trabalho pude verificar que há bons professores de quadro e contratados, mas também os há muito maus. Há professores que não têm perfil nenhum para o ser. Não conseguem ter 28 alunos concentrados e motivados dentro de sala de aula (poderiamos discutir aqui os conceitos de atenção e concentração, mas não me apetece…), não se empenham em criar materiais apelativos e motivadores para os alunos, utilizam o manual como único recurso, dão as aulas sentados, não se preocupam em modificar os métodos de avaliação, etc, etc… Poderia colocar aqui montes de situações que presenciei.
Mas continuamos a permitir isto. Continuamos a ver os nossos filhos a serem ensinados por professores muito graduados e a quem ninguém lhes chega. Será a graduação um posto?
Numa empresa privada de certeza que uma pessoa pouco produtiva seria demitida por justa causa. E porque não o fazem na função pública? Só porque temos o previlégio de conhecer o nosso patrão pela televisão?!
Depois não se pode colocar todas as escolas TEIP e com autonomia na mesma situação. Onde andavam vocês há 3 anos atrás quando as escolas TEIP, por força das circunstâncias, se viram obrigadas a colocar docentes contratados? Eu posso dizer. Estava nos Açores, com um belo horário completo.
Fiz uma opção, concorri a todas as escolas TEIP disponíveis naquele momento. Entrei pela graduação, tal como os meus outros colegas, a 500 km de casa e fiquei penalizada 2 anos nos açores.
Foi cunha? Não. Nem a escola conhecia.
Posso dizer que naquele ano estivemos sem professores em alguns grupos até quase dezembro. Foi o ano que se podia denunciar várias vezes.
Foi um ano bom. Havia muitos horários e portanto as escolas TEIP não interessavam a ninguém.
O problema foi quando houve diminuição dos horários. Aí transformaram as escolas TEIP num “cavalo de batalha”. Mas se as outras escolas renovam porque é que as escolas TEIP e com autonomia não renovam, se são escolas prioritárias e com problemas específicos? Supostamente quem ficou há 3 anos, ficou porque as outras pessoas não as queriam… E não adianta começarem a dizer que estou a defender o meu lugar, porque posso dizer que o meu lugar está ocupado por um DACL, mas não mudo a minha opinião.
Refiro também que nos cursos de educação formação que tive, tinha lá um colega que falava tão baixinho e que estremecia quando um aluno levantava a voz. Era um “festim” aquelas aulas, mas o colega era o mais graduado… E o perfil? E a capacidade de meter uma turma CEF na ordem ou um PIEF? Não se deve avaliar isso?
O que aconteceu ao colega? Foi demitido. Era contratado.
E para os que percebem menos de legislação e são pouco graduados posso dizer que não esperem nada, porque se a lei for aplicada, meus amigos… Não há TEIP ou escola com autonomia para ninguém. E já podem ver que nunca ficam na “tranche” dos primeiros cinco.
Sejamos é uma classe unida e tentemos acabar com as renovações e as escolas TEIP e com autonomia.
Beijos ou abraços.
Alguém me explica como é calculada a classificação final das ofertas de escola, isto é, como se juntam os 50% da graduação profissional com os 50% da entrevista?
Desde já agradeço.
Parabéns da forma como relatou a verdaeira quetão dos professores. Da minha parte tem todo o meu respeito e consideração por saber que aínda existem homens com “H” grande. Obrigada, Muito Obrigada por defender a verdade. Sou contratada já alguns anos, fiquei sem colocação, tenho 48 anos, provas dadas do meu serviço, não posso migrar, resta-me … o quê!!! estes critérios??? pois se tem que ser!!! mas tenho muita vergonha…
Mais uma vez agradeço-lhe pela sua frontalidade, muito Obrigada.
as teips são as más da fita ,existindo tanta injustiça nas reconduçoes e…tudo caladinho;há muitos a saber-lhe bem
enquanto olharem só para o vosso umbigo,não se queixem.
Este ano nem reconduções deveriam haver, quando se altera a estrutura do currículo. Quantos professores menos graduados estão a renovar e os mais graduados estão de fora porque o seu horário foi reduzido para metade… Tudo em nome da estabilidade docente! Qual estabilidade?
Uma questão que também se coloca é o facto de a maioria das escolas estar a solicitar a avaliação curricular (como é explicitado no ponto ii) do ponto 6, alínea b) do Artigo 39 do Decreto-lei nº 132/2012), de forma presencial. Para isso solicitavam o que vem no ponto i) do mesmo artigo, que se refere a entrevista de avaliação de competências. Mais grave que esta má interpretação (a meu ver), é o facto de estarem a chamar quase todos os candidatos (eu já fui chamada para ir a três escolas e na lista estou entre o 94 e o 113) e a escolas a mais de 300 km da minha residência. Assim, é uma forma das escolas eliminarem candidatos, logo à partida e reduzirem o trabalho a ter. Quando somos chamados para entrevista, costumam ser apenas alguns do início da lista. Como não posso andar entre Porto e Lisboa, todos os dias, parece-me que as ofertas de escola morreram para mim…
Tenha calma! aínda há muita água a correr debaixo da ponte!! esteja atenta…
Um dos grandes males que afetam a nossa classe é quem deixou de ser contratado esquece-se que também já o foi. Então a maioria está-se borrifando se o contrato tem ou não colocação e claro há aqueles que pretendem é colocação para familiares ou amigos.
Parabéns Senhor Diretor! É pena que não sejam todos assim. Diretores, professores, pais e alunos deviam ter o seu contributo na sugestão de ideias para melhorar o ensino. Se essa função estiver restrita a quem não conhece nem quer saber das realidades, depois quem está a implementá-las tem muitos problemas e constatará que não traz frutos nenhuns.
No que concerne aos pais e/ou encarregados de educação, aconselho-os a abrir a pestana. O ensino da maneira que está não prejudica apenas os professores que ficam sem emprego ou os que têm que se deslocar inúmeros quilómetros para trabalhar reflete-se nas salas de aula.
Mas como muitos pais e/ou encarregados de educação querem é que o filho/a esteja ocupado das 8 ou 9 h até às 17h e 30 min. não estão interessados na qualidade do serviço prestado.
Por caso já se deram ao trabalho de raciocinar:
Como é que o seu filho vai estudar para os testes se os manuais ficam na escola?
Como é que o seu filho podia ter acertado em determinadas perguntas se aqueles conteúdos nem leccionados foram?
Como é que o seu filho pode melhorar nas áreas em que apresenta dificuldades se os exercícios não são corrigidos?
As ofertas de escola, o ano passado, não correram bem. Mas, este ano, conseguem estar piores. Cabe na cabeça de alguém um professor ter que se deslocar 200 ou 300 Km para chegar à escola e preencher um documento em 5 min. regressando a casa com 99,9% de certezas que não trabalhará lá?
Para mim, acabavam as renovações e as ofertas de escola. Era concurso apenas pela graduação e por listas nacionais.
Eu e muitos professores contratados estamos desiludidos com tudo isto…….
Até podemos ser razoáveis ou excelentes docentes, mas quando o ano letivo termina levamos um chuto e somos apenas mais um números nas estatísticas do Desemprego.
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