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Na ausência de um ministro, até a Graça manda e desmanda nas escolas…

Estou a começar a ficar com umas coceiras… devo estar a desenvolver uma alergia qualquer…

 

Direção da Escola
a. Integra nos diferentes documentos da Escola, nomeadamente no Regulamento Interno e demais documentos orientadores, as questões relacionadas com as necessidades de saúde específicas dos alunos,
no caso vertente as Alergias e Intolerâncias Alimentares;
b. Minimiza os riscos de situação de AA, adotando medidas de precaução em todo o recinto escolar, com
particular atenção às cantinas, onde, por exemplo, não deve ocorrer a utilização/disponibilização de
micro-ondas de acesso livre à criança ou jovem;
c. Solicita a intervenção do interlocutor da saúde escolar da sua área, sempre que tenha conhecimento
de uma criança ou jovem com AA;
d. Solicita ao Coordenador da EMAEI que designe os profissionais da escola que participam na elaboração
do PSI, e indica outros profissionais a capacitar, conforme plano de formação disponibilizado pela DGS,
para o acompanhamento da criança ou jovem com AA, assegurando que reconhecem uma reação alérgica/anafilática, que implica a administração imediata de adrenalina (dispositivo de autoadministração);
e. Garante a segurança, saúde e bem-estar da criança ou jovem com AA, informando a cozinha/ entidade/
empresa fornecedora das refeições escolares de que o aluno tem AA, promovendo – no cartão de acesso à cantina escolar – o registo do tipo de dieta que deve ser disponibilizada;
f. Garante a segurança alimentar e um ambiente no local de refeições compatível com a necessidade da
criança ou jovem com AA;
g. Apoia a criança ou jovem com AA, durante todo o período de permanência na escola e nas respetivas
atividades curriculares e extracurriculares, promovendo a sua inclusão e segurança, sendo responsável
por adotar medidas/ criar procedimentos para a alimentação fornecida durante as atividades escolares,
incluindo visitas de estudo ou atividades festivas, como, por exemplo, a celebração de aniversários,
sempre que haja crianças com AA diagnosticada;
h. Garante que materiais utilizados, sobretudo na educação pré-escolar, para atividades – “ciências” / “trabalhos manuais e/ou expressão plástica” – ex. plasticinas – são seguros e não contém vestígios de alergénios de origem alimentar (ex., leite, ovo, …);
i. Promove ações de sensibilização para toda a comunidade educativa, incluindo a prestadora de serviços
alimentares, a realizar pela ESE, alocando tempo do horário dos seus funcionários para essas atividades
formativas;
j. Disponibiliza folhetos (a toda a comunidade educativa) e prepara exercícios de simulação com dispositivos de treino, isto é, sem agulha e sem adrenalina, em articulação com a ESE;
k. Zela para que todo o material informativo referente à criança ou jovem com AA – plano de emergência,
medicação de emergência – esteja guardado em local identificado, conhecido e de acesso fácil e disponível;
l. Informa os pais/EE sempre que haja intercorrências

 

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A estreia de hoje – Coldplay

 

 

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Faculdade de Ciências da U.Porto dinamiza nova edição dos Dias Abertos virtuais 

 

Faculdade de Ciências da U.Porto dinamiza nova edição dos Dias Abertos virtuais 

Inscrições abertas até 17 de fevereiro 

De 21 a 23 de fevereiro, alunos do Ensino Secundário de todo o país vão poder conhecer e explorar os cursos da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) com uma nova edição virtual dos Dias Abertos. 

Na edição deste ano, alunos, mas também professores, psicólogos, famílias e encarregados de educação vão poder esclarecer, via chat, dúvidas com estudantes, alumni e docentes dos vários cursos que compõem a oferta formativa do 1º ciclo da FCUP.  Poderão ainda explorar conteúdos em stands virtuais de cada curso, assistir a palestras temáticas e conhecer com maior detalhe as saídas profissionais das 15 licenciaturas da FCUP. 

Da FCUP, em direto para o país, a iniciativa envolverá também antigos estudantes da faculdade, num momento de troca e partilha de experiências. Para além de uma mesa-redonda virtual com alumni da FCUP, será ainda possível assistir a uma sessão com representantes dos núcleos estudantis da faculdade. Como é estudar na FCUP? É uma das questões que serão abordadas nesta sessão. 

À semelhança do que acontece todos os anos, as tunas académicas da FCUP marcarão também presença e vão dar-se a conhecer aos participantes. 

A edição deste ano é particularmente destinada aos alunos que frequentam os 10.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade, bem como a docentes, psicólogos, famílias e encarregados de educação, permitindo aos participantes consultar a informação mesmo depois do evento terminar.

Esta é a segunda vez que os Dias Abertos se realizam de forma virtual, depois de uma primeira edição de sucesso com mais de 1000 participantes de cerca de 200 escolas de todo o país. 

As inscrições (limitadas) estão abertas e decorrem até ao dia 17 de fevereiro. 

Mais informações aqui.

 

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Apoio às Escolas Para a Norma Travão 2022

Neste artigo de dia 17 de setembro de 2021 elaboramos a lista colorida com os candidatos que reúnem as condições para integrar a norma travão de 2022.

Estes candidatos obtiveram 3 colocações em horário anual e completo e garantidamente estão em condições de ser indicados no apuramento de vagas para a norma travão.

 

Em caso de dúvidas poderão sempre pedir o apoio da DGAE através do E72.

 

 

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Apuramento de Vagas 2022/2023

Encontra-se disponível até às 18 horas de dia 11 de fevereiro de 2022 (hora de Portugal continental), a aplicação eletrónica Apuramento de Vagas 2022/2023, destinada à recolha de dados para apuramento de necessidades permanentes, através da identificação dos docentes que cumprem o previsto no n.º 2 do artigo 42.º, do Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na redação em vigor e no n.º 2 do artigo 16.º do anexo do Decreto-Lei n.º 15/2018, de 7 de março.

Consulte a nota informativa e o manual de utilizador.

SIGRHE – Apuramento de vagas

Manual de utilizador – Apuramento de Vagas 2022/2023

Nota Informativa – Apuramento de Vagas 2022/2023

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Porque as crianças chegam à juventude e querem ser pobres?

 

Educação e indústria, por Henrique Neto

Talvez os leitores não se tenham apercebido, mas o primeiro-ministro António Costa, por vezes, também diz a verdade. Foi o que aconteceu recentemente num dos debates. Quando pressionado pelo seu opositor de que os países da antiga “Cortina de Ferro” produzem mais riqueza do que nós portugueses e fazem crescer mais do que nós o rendimento das famílias, António Costa respondeu que isso acontece porque esses países têm um nível de educação superior ao nosso. É verdade, de facto é o que tenho dito e escrito há anos.

Infelizmente, António Costa não retirou as consequências necessárias dessa realidade durante os últimos seis anos e nada no seu programa eleitoral mostra que compreendeu o desafio. Por exemplo, não é começando a construir o edifício da educação pelo telhado, privilegiando o ensino superior e reduzindo as propinas, em vez de aceitar começar pelos alicerces que são as creches e o pré-escolar. Criando para o efeito edifícios onde as crianças pobres se sintam tão bem como as crianças das melhores famílias nas suas casas, com bons educadores, boa alimentação e o desejado transporte. Porque é essencial que todas as crianças cheguem ao ensino oficial aos seis ou sete anos com iguais níveis de desenvolvimento e não como agora acontece, em que os filhos das famílias mais pobres chegam a essa fase da vida com enormes atrasos no seu desenvolvimento, o que compromete o seu aproveitamento escolar posterior e reduz o seu acesso futuro ao ensino universitário.

Este é o nó górdio do nosso processo de desenvolvimento e a razão de os outros povos nos passarem à frente. As famílias mais pobres e mais ignorantes produzem crianças mais pobres e mais ignorantes do que as famílias com melhores condições económicas, que são geralmente as que tiveram acesso a melhor educação, crianças que vivem em casas onde há livros, aprendem a nadar, por vezes música e fazem desporto. É aqui que o Estado deve intervir, retirando de forma disciplinada as crianças pobres das suas famílias durante grande parte do dia, para as colocar num ambiente físico e educativo de grande qualidade, num meio semelhante ao das famílias ricas, para que quando essas crianças chegarem à juventude não queiram ser pobres.

Presentemente, as crianças das famílias mais pobres não têm livros nas suas casas, não vão à natação e não aprendem música, não vão com os seus pais ao cinema ou para férias e, quando muito, passam o dia em frente à televisão, que os pais das famílias das classes média e alta fazem o possível por evitar. Sendo assim, como pensam os leitores que essas crianças se sentirão quando chegarem ao primeiro ano de escolaridade e forem confrontadas com os seus colegas, com aquilo de que eles falam e com tudo o que eles conhecem?

Repito, esta é a grande medida que o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) deveria estar a construir e não está, porque esta é a única medida que pode interromper o ciclo vicioso da pobreza e de ignorância, cuja inexistência faz com que alguns povos permaneçam atrasados em relação aos outros, como acabou por aceitar António Costa. Também porque é um investimento que se faz apenas uma vez, porque depois essas crianças, quando adultos, tomarão boa conta da educação dos seus filhos.

 

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Exclusão – João André Costa

 

Disseram-lhes que não, que não os queriam, que não gostavam deles, que não eram suficientemente bons, nem bons quando menos suficientes, que o seu comportamento não era aceitável.
Nem aceitável nem compreensível.
E porque ninguém quis compreendê-los, excluíram-nos, expulsaram-nos, rejeitaram-nos e nada custa mais nesta vida do que ter de deixar tudo para trás porque num segundo deixámos de pertencer.
De pertencer a um lugar, a uma escola, a uma turma, a um professor.
E a marca fica lá, na pele, para sempre. Na pele dos excluídos, os miúdos e as crianças excomungadas da sociedade que todos os dias nos passam pelas mãos.
Quando nos entram pela porta a pergunta invariável encontra sempre a mesma resposta: se pudessem, voltavam atrás.
Se pudessem, faziam tudo ao contrário ou não faziam de todo, pediam desculpa apesar de ainda nada terem feito, teriam ficado em casa o dia inteiro à espera que passe o dia por inteiro que uma falta é melhor que este exílio e do falatório nem se fala.
Se pudessem, não fumavam aquilo que fumaram, a faca saía da mochila de regresso à cozinha, eu voltava para dentro da sala de aula e pianinho, sem insultos, sem ameaças, sem esta fúria nos dentes depois do meu pai e da minha mãe ontem à noite e todos os dias à noite porque a escola é pública e é de todos e isto é que ninguém quer ver ou compreender: o sofrimento que trago nas mãos e este grito mudo por ajuda.
O mesmo grito que não vos sai das bocas fruto da inquisição social mais o soslaio do vizinho, a conversa no café a fazer as vezes da igreja e do senhor prior de tempos que teimam em não passar, ou então somos nós que não passamos.
Porque não podemos. Não conhecemos outra realidade. Estamos presos.
E ainda nos damos ao luxo de dizer que a culpa é das crianças.
A culpa é de quem pensa. A culpa é de quem escreve. A culpa é de quem age. Mas nunca é nossa e minha não é de certeza.
Que mundo teimamos em construir em função dos nossos problemas?
O mundo do “porque somos apenas professores, culpamos os alunos”?
Ou o mundo do “porque somos professores podemos, e vamos, mudar o mundo, senão o nosso então o deles”?
Porque expulsar um aluno não é o mesmo que extrair um dente mas às vezes mais parece.
A vida de uma criança não é descartável, mas às vezes parece.
Às vezes parece que o mais importante é exercer este pequeno poder que nos coube em sorte, ou azar, o teu azar, doa a quem doer e a culpa não é minha nem tua, é de quem é mais fraco e está mais a jeito quando se descarregam as frustrações de uma vida.
Todas as semanas chegam-nos às mãos crianças marcadas pela rejeição. Incapazes de compreender o porquê, vivem numa constante culpabilização entre a vergonha e a agressividade.
Acham que o problema está em si e por norma procuram crescer o mais rapidamente possível como se isso fosse a solução, mas não é a solução, é mais um problema e a perda inevitável da inocência e do sorriso que um dia ali morou.
Porque é difícil falar sobre o passado, compreender o passado.
Porque é difícil acreditar num futuro, uma outra vida e outro universo onde os professores não existam para apontar o dedo mas para guiar e educar.
No fundo, é tudo uma questão de prioridades. Enquanto a prioridade de um governo for a apresentação de resultados de desempenho, colocando as escolas sob pressão, os alunos excluídos continuarão a ser uma realidade e este trauma também.
Por isso voto, por isso escrevo, por isso chego à escola todos os dias às 6 da manhã porque já lá estou há mais de uma década e em mais de uma década já perdi a conta aos alunos e famílias capazes de sorrir outra vez e para quem a escola voltou a ser uma casa, a sua.

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Quem não tem carreira tem de ser solidário ao ponto de ser estúpido? Luís S. Braga

Um 1/6 dos professores ganha 1980 euros líquidos e mais de metade menos de 1400. 25% pouco passa dos 1300.
É isto que este gráfico quer dizer.
Mais de metade dos professores, da forma que isto está, não vão chegar sequer ao 8º escalão. Hoje estão nele, ou mais que ele, mais de 25% do total.
Isto são factos e merecem que se olhe mais para quem precisa de salário do que para quem quer reforma, antes dos 65.

Já sei que vou ser chamado de bandalho, canalha, inimigo da santa unidade docente, etc mas isto é factual.

É olhar o gráfico e esquecer fantasias de unidade de interesses, que fazem com que os interesses de 16% pareçam mais prioritários do que os de metade.

Em vez da doutrina sindical da unidade metafísica (em que escalão há mais sindicalizados? em que escalões está a maioria dos dirigentes dos principais sindicatos?) expliquem-me porque é que reformar, mais depressa e antes dos restantes portugueses, 16% dos professores cria mais vagas do que dar condições de trabalho a mais de 50%, repondo, por exemplo, as reduções de tempo letivo de que os potenciais reformados ainda beneficiaram? Aos 40 anos, os que estão agora com 60, já tiveram redução de tempo letivo. Os que têm 49 hoje, já chegaram lá?

Será que me chamam tantos nomes, por ser perigoso para o novo projeto de “vender” os interesses profissionais de metade da profissão numa negociação pela reforma anticipada, dizer estas coisas?

Aos 49 anos, no 4º escalão e com horizonte de não passar do 8º, acho que já não tenho de aturar os que ao falar de unidade falam na verdade do seu umbigo. Quem não tem carreira tem de ser solidário ao ponto de ser estúpido e defender reformas antecipadas que vão justificar não subir salários dos que ficam?

Sabem quem são os únicos do gráfico que estão no escalão “certo”? Os do 10º.Os restantes estão todos 2 ou 3 escalões abaixo.

Quem não gosta destas observações faça como dizia a minha mãe: ponha na borda do prato.

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Para quem ainda pensa que não vão mexer na carreira docente

O fundamental “é que a estrutura de carreira dê o devido reconhecimento ao crescimento profissional do docente”, diz Paulo Santiago, especialista da OCDE.

Como conseguir mais professores? Com uma “estrutura salarial atraente e condições de trabalho favoráveis”

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25 anos e dois meses e levar para casa um salário líquido de 1415 euros.

 

A que pode aspirar um professor?

Imagine um professor de 50 anos, divorciado e com um filho menor. Dá aulas numa escola pública. Tem a experiência de uma carreira de 25 anos e dois meses. Para casa leva um salário líquido de 1415 euros.

Se excluirmos o estado civil e o número de filhos (que neste exercício só importa referir para chegarmos a um salário líquido real, de uma pessoa com um dependente a cargo) este professor, com os seus 50 anos de idade e literalmente metade da vida a dar aulas, corresponde ao perfil de 26% dos docentes. É essa a percentagem dos que estão no 4.º escalão de uma carreira de dez: têm em média 50 anos e 25 de serviço.

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Petição- Novo Concurso Externo e Interno de Professores 2022/2023

 

Por forma a reduzir os efeitos da falta de professores em algumas zonas do país, a contribuir para a possibilidade de aproximação à residência e a diminuir a precariedade, pretende-se um novo Concurso Externo e Interno , de Professores para entrar em vigor no ano letivo de 2022/2023.

Os professores devem ser mais respeitados, valorizados e protegidos.

 

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Falta de Professores? É só procurar nos jornais que encontram muitos…

 

 

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Os professores são uma colectividade pacífica de revoltados

 

“Há nos confins da Ibéria um povo que não se governa nem se deixa governar” Caius Julius Caesar (100-44 AC)

Ainda Cristo não tinha nascido, tratava Júlio César de expandir o Império. Nas incursões para Oeste, durante as guerras púnicas, assentou pés na Península Ibérica. As tribos locais, tradicionalmente aliadas de Cartago, ofereceram feroz resistência. Viriato, que havia liderado fugazmente os resistentes, já havia perecido. Os romanos, habituados a uma organização secular, a uma sociedade estratificada, a um conjunto de leis e regras sociais, rapidamente perceberam a total falta de apetência para que os lusitanos fossem governados. Como a mestria social impõe regras a quem manda, mas também a quem é mandado, rapidamente os romanos deram corda às cáligas e trataram de se por a caminho, deixando-nos abandonados à nossa sorte. Séculos mais tarde, um tal de Afonso, deu duas galhetas bem assentes na tromba da mãe espanhola e por cá nos aguentamos mais uns anos. Lá para fins de 1500, depois de andarmos a fazer filhos lá fora e por linhas genealógicas transversas, levámos com uns Filipes que se puseram a desbaratar a coroa com avidez tal que só encontra paralelo no Sócrates do século XXI. Grosso modo, de forma atómica, pode contar-se assim a História de Portugal. A estória de um povo que não se governa, nem se deixa governar. De um povo que nasce indignado, moureja todo o dia, indignado, come, bebe e diverte-se, indignado. Mas a quem lhe falta o romantismo cívico da agressão. Uma colectividade pacífica de revoltados.

Revoltem-se de uma vez ou resignem-se ao expectável.

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A luta do costume – Luís S. Braga

 

Vai ser a luta pelos do costume ou vai olhar para outros problemas? (e que venham os comentários, que adivinho simpáticos e fofinhos para mim 😁😂….)
Na retórica de Mário Nogueira estranha-se a má percepção da realidade dos professores, que é desfocada pela realidade que o motiva: a dos sócios, dos dirigentes e a própria (de professor de 10º escalão, os únicos professores que estão no escalão certo, criado na altura em que surgiram as vagas do 5º e 7º….).
Quando MN diz, como argumento retórico central, “há muita vontade de sair para a aposentação e isso é muito mau” está a mostrar a sua visão parcial, de quem, há muito, deixou de pensar e de falar de todos e não adapta o discurso às realidades diversas (imbuído do espírito de “unidade”, que só vê certas faces da realidade múltipla dos professores).
Onde estava a “unidade”, de tantos que agora se lamuriam pela reforma, quando foi do exame de acesso à carreira ou da greve às avaliações? Do ut des….
E, lamento para os que acham o contrário, mas reforma não é questão prioritária.
Só quem tenha certa idade tem a possibilidade de pensar na reforma ou ter essa vontade. Os contratados e os 50% estagnados até ao 6º escalão não têm idade ou salário para isso. E quem estiver abaixo do 8º, mesmo com idade, reformado, fica com uma reforma fraca (na linha dos salários de 4º e 5º escalões).
A reforma antecipada, se não for mudança da idade legal, mas benesse provisória para alguns, só interessa a quem estiver no 9º e 10º escalões.
E se a mudança da idade legal for para todos os trabalhadores ainda se entende….
Gente com 45 a 55 anos quer é discutir a estrutura, o salário e condições de trabalho, e não idade de reforma.
E como somos a maioria da classe docente (uns 65%, com uns 30% no 4º e 5º escalão, ) os sindicatos deviam começar a alinhar o discurso pelo real e não pela fantasia de que o grupo que começou a carreira com o ECD atual ainda é a maioria. Para mim e para os da minha idade, a reforma é só daqui a 15-20 anos. Na altura se verá.
Até lá, a discussão que nos interessa é salário e carreira. Se MN quer discutir ajustes grupais na reforma desejo-lhe boa sorte mas que perceba que os problema de menos de 1/3 não podem condicionar a recuperação dos direitos perdidos, face ao percurso desse terço, dos restantes.
No ponto sobre Tiago Brandão acho que toda a gente que tenha relação com escolas concorda. Reconduzir uma nulidade daquelas era, além de tudo, um atentado ao futuro do país.
Este alto minhoto, que não o elegeu, passa bem sem o conterrâneo no governo.

 

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Lista Colorida – RR20

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados da RR20.

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358 contratados na RR20

Foram colocados 358 contratados na Reserva de Recrutamento 20, distribuídos de acordo com a tabela seguinte:

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Recrutamento de Pessoal Docente – Casa Pia

 

Informa-se que se encontra aberto, a partir de 6.ª feira (inclusive), 04 de fevereiro de 2022, pelo prazo de 3 dias úteis, procedimento de seleção e recrutamento de pessoal docente para suprimento de necessidades temporárias, da Casa Pia de Lisboa, I.P., para o ano escolar de 2021/2022 – Contratações a termo resolutivo certo, reserva de recrutamento e termo incerto, para os grupos de recrutamento 220, 300, 330, 350, 500 e 520.

 

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Professores estão cada vez mais envelhecidos

 

 

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A Falta de Professores não é deste Ano, nem é dos Efeitos da Pandemia

Parece que recentemente toda a comunicação social abriu os olhos para a falta de professores, e o CNE descobriu esta carência de professores no sistema de ensino.

Por acaso passei por um artigo meu de 2017 com o título “Não Colocados Após a Reserva de Recrutamento 18” e fui comparar com os dados atuais.

Comecei esse artigo de 2017 assim:

No fim de Janeiro e após a publicação da Reserva de Recrutamento 18 apenas existe um quarto dos candidatos iniciais à contratação por colocar.

Este parece ser o ano de ouro das contratações.

Atrevo-me quase a dizer que quem não conseguir colocação este ano dificilmente a conseguirá nos próximos anos. Desde que analiso estes dados nunca vi por esta altura uma lista inicial de contratação esvaziar-se tão rapidamente.

 

Fica aqui o quadro de 2017, após a Reserva de Recrutamento 18

Fui comparar com os dados deste ano e das 51.505 candidaturas iniciais, estão por colocar à data da Reserva de Recrutamento 18.480 candidaturas (12.835 candidatos) o que representa que ainda estão na lista 35,9% dos candidaturas iniciais. Em 2017 apenas havia 24,17% de candidaturas disponíveis.

 

 

Passaram-se 5 anos e até agora ninguém resolveu este problema que já é antigo e poderá agravar-se nos próximos anos devido ao número de aposentados que se prevê até 2030.

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A Ler – Mas A OCDE (E Até O Próprio CNE) Não Dizia(m) O Contrário, Nem Sequer Há Muitos Anos?

Mas A OCDE (E Até O Próprio CNE) Não Dizia(m) O Contrário, Nem Sequer Há Muitos Anos? | O Meu Quintal

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Listas de mestrados e doutoramentos ― Progressão na carreira docente

 

As listas dos cursos de mestrado ou de doutoramento que foram reconhecidos, para efeitos de progressão na carreira dos docentes dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, foram atualizadas.

Também foram atualizadas as listas dos cursos de mestrado ou de doutoramento que não foram reconhecidos para os mesmos efeitos.

Em tais listas, os cursos encontram-se distribuídos consoante as instituições de ensino superior que os ministram (ordenadas alfabeticamente).

Os cursos estão identificados de acordo com as respetivas denominações e os atos normativos que os regulamentam.

As listas indicam os grupos de recrutamento cujos docentes neles providos ficam abrangidos pelas decisões de reconhecimento ou não reconhecimento (nos termos previstos pelos n.os 1, 2, 3 e 4 do artigo 54.º do Estatuto da Carreira Docente).

Lista de cursos reconhecidos para progressão na carreira docente com indicação dos grupos de recrutamento.

Lista de cursos não reconhecidos para progressão na carreira docente com indicação dos grupos de recrutamento.

 

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Portaria n.º 86/2022 – Regulamentação dos «cursos EFA»

 

Regulamenta os cursos de educação e formação de adultos, designados por «cursos EFA»

Portaria n.º 86/2022

 

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O envelhecimento progressivo dos docentes em números

 

Média de idade e de tempo de serviço de docentes da educação pré-escolar, ensino básico e ensino secundário do quadro, por escalão. Continente, 2020/2021.
  • O número de docentes da educação pré-escolar, dos ensinos básico e secundário e das escolas profissionais continua, em 2019/2020, abaixo do registado em 2010/2011. Apesar disso, os dois últimos anos letivos revelam um ligeiro aumento, relativamente a 2017/2018, na educação pré-escolar, no 3º CEB e ensino secundário e nas escolas profissionais.
  • A evolução da percentagem de docentes, por grupo etário, mostra o envelhecimento progressivo desta classe profissional, em todos os níveis e graus de ensino, em Portugal. A educação pré-escolar e os ensinos básico e secundário registavam, em 2019/2020, uma percentagem superior a 50% de docentes com 50 e mais anos de idade e uma percentagem residual (1,6%) dos que tinham idade inferior a 30 anos. No ensino superior, essas percentagens eram de 45,8% e 4,0%, respetivamente.
  • O recenseamento docente de 2020/2021, no Continente, mostra que uma percentagem ligeiramente superior a 15% dos docentes, da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, tinha 60 e mais anos de idade, o que indicia que nos próximos sete anos, o ensino público poderá perder, por motivo de aposentação, 19 479 docentes. Conforme é referido na análise feita neste relatório (cf. Ensino pós-secundário e ensino superior), o número de diplomados em cursos que conferem habilitação para a docência foi reduzido, em 2019/2020. A manter-se a tendência, poderá haver alguma dificuldade na contratação de docentes devidamente habilitados, num futuro próximo.
  • Refira-se que, nos últimos dez anos, a evolução do número de docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário que se reformaram, depois de uma quebra acentuada, entre 2013 e 2015, motivada pela alteração dos requisitos de aposentação, revela uma subida progressiva, aproximando-se em 2020/2021 do número registado em 2010/2011.
  •  O corpo docente em Portugal é muito qualificado. Na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário, uma percentagem expressiva dos docentes era detentora de uma licenciatura ou equiparado, em 2019/2020. O 3º CEB e o ensino secundário destaca-se com a maior percentagem de docentes (16%) com mestrado/doutoramento. Saliente-se que a larga maioria dos docentes detém uma habilitação profissional concluída em data anterior à implementação do Processo de Bolonha.
  • Em Portugal, a carreira docente, na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário, estrutura-se numa única categoria e integra dez escalões, a que correspondem índices remuneratórios diferenciados. Em 2020/2021, os docentes colocados no topo da carreira (10º escalão) tinham, em média, 60,7 anos de idade e 38,6 anos de serviço. Os que se situavam no 1º escalão perfaziam 15,7 anos de serviço e tinham 45,4 anos de idade. Quase metade dos docentes estavam integrados nos quatro primeiros escalões remuneratórios e 16% estavam no 10º escalão.
Fica claramente demonstrado que a carreira docente é pouco atrativa e as consequências desse facto já se fazem sentir na formação de novos educadores e professores.

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O envelhecimento da classe docente agudiza-se a olhos vistos

 

“A escola pública pode perder quase 19.500 professores nos próximos sete anos, estima o Conselho Nacional de Educação (CNE).

No relatório do Estado da Educação, o CNE fez as contas ao número de docentes com mais de 60 anos. Este órgão consultivo em políticas educativas avisa que o envelhecimento da classe verifica-se em todos os níveis de ensino e que é de prever que as aposentações acelerem nos próximos anos.

Por outro lado, o CNE alerta para a dificuldade em contratar professores devidamente habilitados e que, na última década, os cursos da área da Educação foram os que registaram a maior quebra de alunos, dando como exemplo uma quebra superior a 50% no ano letivo 2019/2020, quando ingressaram no curso de educação básica pouco mais do que 600 alunos.”

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O Estado da Educação 2020

 

O Relatório do CNE – Conselho Nacional de Educação “O Estado da Educação 2020“, edição de 2021, divulgado hoje, é um excelente documento de análise da evolução da Educação, dos seus problemas e perspetivas.
O relatório Estado da Educação 2020, do Conselho Nacional de Educação (CNE), é especialmente dedicado, diria quase que fatalmente, à pandemia, suas vivências e seus efeitos. Mas se esta opção era quase inevitável pelas proporções que a pandemia teve nas nossas vidas e na educação, ela é também uma opção intencional, já que vivemos, em 2020, uma experiência singular, em tempo real, que permitiu testar a resiliência do sistema educativo, mas cujos contornos tenderão a esbater-se com o passar dos tempos e da pandemia. A memória é enganadora e, se não houver registos, partilhas e divulgações, parece esfumar-se sem que dessa experiência se retirem eventuais ensinamentos1 … Cabe-nos, por isso, recolher o máximo de informação possível, de diferentes perspetivas e protagonistas, e refletir, partilhar e divulgar essa informação, o que se fará especialmente nas Partes III e IV deste relatório.

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Estou cansado. Tão cansado! Farto talvez seja o termo.

Muitos anos de ver os melhores serem sempre quebrados, pouco a pouco, com o peso das disfuncionalidades, os obstáculos lançados no seu caminho, com todo o seu esforço ser emperrado e a recompensa zero

Função Pública

Estou cansado. Tão cansado! Farto talvez seja o termo.

A princípio (há tantos anos!), eu ainda acreditava, tinha uma espécie de crença optimisticamente inabalável. Mas agora já não.

Acreditava que as coisas iriam melhorar. Só podiam. Como não podiam?

E a observação diária das disfunções provocava em mim pensamentos automáticos de como as melhorar, resolver. “Se fosse assim”, “mudava-se isto”, “devia ser daquele modo”.

Só que fazer essa mudança nunca dependia de mim. Mas dependia de mim fazer aquilo que eu fazia. E então fazia o meu melhor.

Parvo. O meu melhor!

Sentia que eu fazia algo de diferente, de melhor, acima da média e da mediania. E que isso fazia a diferença e que faria a diferença. E acreditava que cada pequeno problema que o meu fazer melhor solucionava, ultrapassando e derrubando cada disfuncionalidade, alheia e do todo, valia a pena e mudava qualquer coisa, a caminho da tal melhoria que havia de vir.

E encontrava motivação em cada pessoa que ficava mais feliz, satisfeita, melhorada graças ao meu melhor.

Mas agora já não. São já muitos anos de ver que nada muda, tudo permanece na mesma. Ou então pior.

Perdi a crença. A crença no melhor que ainda está para vir. Não há nenhum melhor para vir. É o que é. E o que é é isto.

Para os menos capazes ou incapazes, que fazem pouco, mal, e tarde, não há consequências nem represálias. Somente menos lhes é dado para fazer. Cada vez menos.

Os mais capazes, que fazem mais, bem feito e a tempo, esses têm sempre a recompensa: mais ainda para fazerem. Sempre mais. Com uma pancadinha nas costas. Good boy!

Nenhuma boa acção permanece sem castigo. É mesmo verdade.

Eu sempre recusei, neguei com todas as minhas forças essa verdade e esse caminho. Não seria essa a minha realidade. Continuaria a fazer a minha diferença, pequenina, isolada, mas o meu melhor, e tudo aquilo que posso.

Acreditava que essa minha diferença viesse a ser inspiração, que constituísse exemplo e motivação para outros como eu, e que todos juntos, sendo cada vez em maior número, finalmente operássemos a mudança necessária para que o todo se alterasse.

Eu era novo e não sabia. Que o todo nunca se altera. Que o seu peso é excessivo. E que não há qualquer mecanismo de retorno virtuoso. E que o todo mastiga e tritura o mérito e promove a mediocridade.

Eu realmente via-os, os mais velhos que eram capazes. De olhos baços e sem energia. Eram eles os que mais me espantavam.

Não me surpreendiam os incapazes, aqueles que já eram incapazes quando novos, tinham evoluído incapazes e estavam agora no topo com a mesma incapacidade de sempre.

Eram os outros. Aqueles em que eu reconhecia a capacidade de fazer melhor, em que eu via o saber, e em que havia registos amplos e reconhecidos da sua capacidade e dos seus feitos prévios. Mas que agora já não tinham energia, vitalidade, vontade. O que faziam era ainda relativamente bem feito, mas pareciam procurar não ver o que havia a fazer, e apenas fazer o mínimo. Não tinham brilho nos olhos. Parecia que tinham desistido. Eram capazes, mas não faziam a diferença. Faziam o mínimo.

E agora sou eu. São já muitos anos disto.

Muitos anos de ver os melhores serem sempre quebrados, pouco a pouco, com o peso das disfuncionalidades, com os obstáculos lançados no seu caminho, com todo o seu esforço ser emperrado, com a recompensa zero e o castigo constante de mais trabalho ainda.

E quebrados ainda mais por verem os incapazes caminhando calmamente ao seu lado, os que mais se queixam e menos fazem. E cada vez menos fazem. E mais se queixam. Sem qualquer consequência, e com uma recompensa idêntica. Ou recebendo mais ainda.

Aos incapazes ninguém pede mais nada. Nem mais uma hora, nem mais um dia, nem mais um processo. São incapazes.

E os melhores foram quebrando um a um, ao longo dos anos, sob os meus olhos. A maioria partiu, foi-se embora para onde a sua capacidade fosse reconhecida e recompensada e o seu melhor pudesse dar frutos e ser impulsionado em vez de ser abafado. Os outros, os capazes que ficaram, foram desistindo.

Em terra de cegos, quem tem olho… é cegado pelos outros.

Eu achei que comigo não seria assim. Nem partiria (este sentido de missão será a minha ruína), nem desistiria. A minha motivação seria o trabalho bem feito e as pequenas diferenças que obteria a cada dia. Parvo.

Agora estou cansado e farto. Velho. Também os meus olhos perderam o brilho.

E vejo os novos chegarem, os incapazes e os capazes, e o ciclo interminável recomeçar. Ninguém vê. E os que vêem, fingem que não vêem e não querem saber. Nunca quiseram saber.

Função Pública

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Escolas têm de recorrer a professores sem formação para dar aulas

Faltam docentes para cobrir as baixas e as reformas na Grande Lisboa e no sul. Mais de 30 mil alunos estão sem aulas a pelo menos uma disciplina

Escolas têm de recorrer a professores sem formação para dar aulas

Há três semanas, Teresa (nome fictício), 33 anos, candidatou-se pela primeira vez para dar aulas numa secundária da Grande Lisboa. É licenciada em Filosofia, mas não tem formação pedagógica. Ainda assim, por curiosidade e sentido de vocação, decidiu experimentar sem grande esperança de ser aceite. Para seu espanto, o diretor ligou-lhe no dia seguinte para, de imediato, lhe atribuir o lugar, sem necessidade de entrevista. Bastaria assinar, ela própria, uma declaração a atestar que tinha condições psicológicas para lecionar.

Assim que desligou o telefone, Teresa correu para comprar o manual de Filosofia do 11º ano, cujo programa desconhecia. Poucos dias depois, começou a dar aulas, com a sensação de “estar a ser deixada ao Deus-dará”. “Nada sabia sobre os alunos, os seus percursos educativos ou enquadramentos familiares, se tinham problemas de comportamento ou dislexias, por exemplo. Não sabia quantos eram ou sequer como se chamavam. Nem fazia ideia em que parte do programa tinham ficado. Disseram-me para perguntar à turma, mas os miúdos tiveram dificuldade em dizer”, conta.

Teresa foi contratada por um mês, renovável, para substituir a professora de Filosofia, que entrara de baixa. Na véspera de começar, foi-lhe dito que, além de lecionar a disciplina sujeita a exame nacional, teria de assegurar também a direção de turma, cargo antes ocupado pela docente que foi substituir. O ordenado ronda os €300 brutos por três horas letivas, mais o tempo de preparação das aulas.

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Acabou a pandemia

 

DGS admite fim do isolamento para casos positivos sem sintomas e uso de máscara só em alturas de maior risco

 

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Há professores com 20 anos de aulas que nem a meio da carreira chegaram

 

Eu tenho mais de 20 anos de carreira e ainda me faltam dois escalões para o meio da carreira…

Há professores com 20 anos de aulas que nem a meio da carreira chegaram

“Novo relatório sobre o Estado da Educação mostra como a carreira docente é pouco atractiva e as consequências que tal já está a ter na formação de novos professores.
Ser professor em Portugal também é isto: continuar aos 45 anos no 1.º escalão de uma carreira que tem dez patamares de progressão, já tendo coleccionado em média quase 16 anos de tempo de serviço. É a situação dos professores do quadro em termos de carreira agora apresentada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) no seu último retrato sobre o ensino, enviado esta quinta-feira aos meios de comunicação social, mas que não está ainda disponível no site deste organismo.
Os dados têm na base o Recenseamento Docente de 2021/2022 ou seja, as fichas autobiográficas que os professores têm de actualizar todos os anos. E o quadro apresentado no Estado da Educação 2020 não abona em nada para a atractividade da profissão, cujo reforço passou a ser um mantra quando se fala da necessidade de haver mais professores, face à crescente escassez de docentes nas escolas.
“A necessidade de valorizar a profissão passa por existirem expectativas de progressão”, salienta a investigadora da Universidade do Minho, Assunção Flores. A este factor juntam-se “as condições de trabalho e o estatuto socioeconómico”, acrescenta.
Quanto à progressão referia-se que, apesar do descongelamento das carreiras da função pública concretizado em 2018, quase metade dos professores continuavam no ano passado a marcar passo nos quatro primeiros escalões, a que correspondem vencimentos brutos que oscilam entre cerca de 1500 e 2000 euros brutos. “É um factor que não converge com a necessidade de tornar a carreira docente mais atractiva e que condiciona a realização e a satisfação individual dos professores”, constata Assunção Flores, que tem a formação e o desenvolvimento profissional dos professores entre os seus campos de estudo.
O tempo obrigatório em cada escalão é de quatro anos, menos no 5.º em que este prazo está reduzido a metade. Mas para além desta espera, a passagem tanto para o 5.º como para o 7.º escalões depende sobretudo da existência de vagas, que são abertas ou não pelo Governo.
Antes do descongelamento não havia nenhum professor no 10.º e último escalão da carreira. Agora estão 16% que têm esta característica realçada pelo CNE: “Em média, os docentes no 10.º escalão remuneratório têm 60,7 anos de idade e 38,6 anos de tempo de serviço.”
A estrutura etária do corpo docente é também reveladora dos entraves não só à progressão, como à entrada de novos professores. Só 4% dos profissionais em exercício têm menos de 30 anos, quando a proporção dos que completaram 50 ou mais estava em 2019 nos 45,8%.
Neste cenário não é de estranhar que sejam cada vez menos os que queiram seguir a profissão. “Perguntamos aos nossos alunos e ninguém quer. Eles vêem o nosso sofrimento”, desabafa o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima.
Professores formados não compensam reformas
O que tem esta situação como consequência: o número de diplomados em cursos que habilitam para a docência está aquém do ritmo de aposentação dos professores. De acordo com dados publicados no relatório Estado da Educação 2020, 1525 pessoas concluíram, em 2019/2020, um dos 135 mestrados que abrem as portas para a carreira docente. Durante esse ano civil aposentaram-se 1653 professores.
O que tem esta situação como consequência: o número de diplomados em cursos que habilitam para a docência está aquém do ritmo de aposentação dos professores. De acordo com dados publicados no relatório Estado da Educação 2020, 1525 pessoas concluíram, em 2019/2020, um dos 135 mestrados que abrem as portas para a carreira docente. Durante esse ano civil aposentaram-se 1653 professores.”

 

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E ninguém foi enganado…

 

 

Os resultados de uma eleição democrática têm que ser respeitados e, nesse sentido, a maioria absoluta alcançada pelo PS no último acto eleitoral não pode deixar de ser interpretada como a vontade livre e expressa pelo Povo…

Mas, e independentemente do anterior, não se auspiciam novos tempos, nem melhores tempos, na área da Educação:

 – A Educação continuará refém da alucinação e do delírio…

 – A Classe Docente continuará a ser desrespeitada e vilipendiada: a ADD prosseguirá nos moldes actuais; o tempo de serviço subtraído não será reposto…

 – O modelo actual de administração e gestão escolar não será revogado…

 – A municipalização avançará a todo o gás e com toda a pujança…

 E nenhum profissional de Educação que agora tenha votado no PS, contribuindo para a respectiva maioria absoluta, poderá afirmar que a muito provável concretização do auguro anterior venha a ser uma surpresa ou algo de que ninguém estaria à espera… Muito pelo contrário…

 Independentemente de quem vier a assumir o Ministério da Educação, desta vez, ninguém poderá afirmar que foi enganado ou ludibriado: os desígnios anteriores estiveram sempre bem à vista de todos e nem sequer houve o esforço do PS no sentido de os esconder, disfarçar ou negar…

 Subsistirão, por certo, motivos para que os profissionais de Educação continuem a reclamar, mas desta vez as causas desse descontentamento estarão devidamente legitimadas pelos próprios ou, pelo menos, pela maioria dos próprios, acreditando que o sentido de voto desses profissionais tenha seguido a tendência nacional e contribuído de forma determinante para a maioria absoluta do PS…

 O lado bom da ilusão é que nos torna mais felizes, o lado mau é que não é real…

 

 (Matilde)

 

 

 

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Educação: por onde deve o governo começar? – Alberto Veronesi

 

Dignificar, valorizando, a profissão de professor, onde em primeiríssimo lugar deveria ser encetada uma negociação para que fosse contabilizado o tempo de serviço prestado.

Educação: por onde deve o governo começar?

 

 

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Que (novo) rumo na educação – três inquietações para três compromissos prioritários – Fernando Elias

É de todo urgente atrair e formar os jovens para a formação profissional na docência e, ainda, manter no sistema educativo os professores.

Que (novo) rumo na educação – três inquietações para três compromissos prioritários

O novo Governo, a sair das recentes eleições, salvo melhor opinião, deve encontrar, quanto antes, o momento certo para a assunção de três compromissos estruturantes e prioritários inadiáveis no âmbito da Educação, como resposta a três inquietações prementes.

Vejamos quais são.

Sabemos que a Escola tem prestado cada vez mais um serviço de elevada qualidade, alicerçada em valores como o compromisso, a confiança, a inclusão, a equidade, a iniciativa e a inovação.

A Escola sabe e reconhece que existe para que todos aprendam. Os projetos educativos das escolas, nestes últimos anos, têm configurado essa clara intencionalidade.

A Escola está mais humanista, tolerante, solidária. Faz da ética, da responsabilidade, da cidadania e da solidariedade cada vez mais o objeto e o sentido da sua ação.

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A confirmar-se… continuamos mal e outros vão para pior

 

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A Europa na escola – Formação para professores,

 

A DGE informa que vai realizar-se uma AFCD de 6 horas, intitulada A Europa na escola – Formação para professores, promovida pela Representação da Comissão Europeia em Portugal, em parceria com a Direção-Geral da Educação, tendo por objetivo promover o conhecimento sobre a União Europeia e capacitar os professores dos diferentes níveis de escolaridade (1.º CEB, 2.º CEB, 3.º CEB, ensino secundário e ensino profissional), para o desenvolvimento de atividades de Educação sobre a União Europeia, envolvendo os alunos nos diversos domínios de Cidadania e Desenvolvimento.

Para mais informações, aceda a https://www.aeuropanaescola.eu/formacao/

As inscrições decorrerão entre 01 e 21 de fevereiro de 2022.

Local: A distância

Critérios de seleção: Ordem de inscrição, desde que sejam docentes da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário em exercício efetivo de funções em agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas da rede pública; das escolas públicas portuguesas no estrangeiro e nas escolas europeias; do ensino particular e cooperativo em exercício de funções em escolas associadas de um CFAE.

Para se inscrever, clique aqui.

 

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Missiva do diretor, desta vez, aos Educadores e Professores sobre a ADD

 

Ex.mos/as Senhores/as Educadores/as e Professores/as
 
Em anexo, envia-se a todos os docentes (potencialmente todos/as avaliados/as ou avaliadores/as) um documento remetido, há dias, aos avaliadores/a e membros da SADD relativo à necessidade de fundamentação da avaliação de desempenho.
 
Crê-se que este documento é de interesse de todos/as os/as docentes envolvidos/as no processo de ADD porque precisa uma informação aos avaliadores/as que beneficia a qualidade do processo e as garantias dos avaliados/as (e, mais ainda, a segurança jurídica do processo).
 
O dever de fundamentar os atos que “neguem, extingam, restrinjam ou afetem por qualquer modo direitos ou interesses legalmente protegidos, ou imponham ou agravem deveres, encargos, ónus, sujeições ou sanções” resulta da alínea a) do nº 1 do artigo 152º do Código do Procedimento Administrativo.
 
Sendo a ADD um procedimento administrativo, rege-se por esse código, além das restantes normas, muitas delas, meros regulamentos sempre subordinados à Lei.
 
Os resultados da ADD afetam “direitos ou interesses legalmente protegidos”, entre outros, o direito à carreira, o acesso a funções públicas, à remuneração e até à própria equidade interna do processo (dado que o legislador definiu expressamente a avaliação, ela própria, como direito).
 
Assim, tem de ser, obviamente, bem, e especialmente, fundamentados os resultados que gerem avaliações prejudiciais (Ex: abaixo do nível dito suficiente, isto é, bom), facto que geralmente não suscita dúvidas.
 
Mas também, e isto é generalizadamente esquecido, as que gerem avaliações mais elevadas que resultem em que, outros, que as tenham mais baixas, sejam excluídos da quota disponível para muito bons e excelentes. 
 
Se, tendo um nível de avaliação, mesmo de muito bom e excelente, alguém ficar excluído da quota e descer para a menção de bom tem, obviamente os seus direitos afetados. 
Além, de ter direito de reclamar da sua própria avaliação individual (que será alta e, por isso, sempre de difícil escrutínio) tem o direito de acesso e de escrutínio sobre a avaliação dos restantes, cuja avaliação, por terem sido avaliados com valores mais altos, é a causa da sua não inclusão na quota e descida de menção.
 
A ADD de cada um inclui 2 procedimentos conexos: a avaliação individual (1) e a ponderação das várias avaliações para inclusão ou não na quota (2).
A fundamentação do 2 é a agregação dos resultados do 1.
 
Assim, a correta e sólida fundamentação do 1, em especial dos casos em que os valores altos excluem outros no processo 2 (mesmo com valores altos, mas não suficientemente altos) é essencial e é escrutinável por reclamantes.
 
Isso foi lembrado aos avaliadores, no documento anexo, e recorda-se, agora, a todos os docentes por ser do seu interesse.
 
O texto anexo já foi divulgado em redes sociais e blogues, mas objeto de publicação apenas parcial, tendo sido truncadas, manipuladas com sublinhados e ocultadas partes essenciais à sua compreensão e devida contextualização.
 
Quem ler o texto original e comparar com as citações e comentários que dele foram feitos, percebe instantaneamente que, em alguns locais de divulgação, foi distorcido e manipulado.
 
O dever de fundamentação sustenta um direito dos que são avaliados e, por isso, é do interesse geral insistir nele.
Em algumas publicações refere-se que nelas não se identifica, nem o autor do texto, nem o agrupamento, porque a fonte o pediu, porque “terá receio de represálias.” Considera-se que essa visão constitui ela própria uma distorção bastante ofensiva.
Teve a virtude, contudo, de sinalizar que era útil remeter o texto integral a todos os professores, dado que a defesa da solidez da fundamentação dos processos de ADD, que resultam em exclusões, é de interesse geral. 
 
O texto não é secreto, nem confidencial e é autoexplicativo na sua indicação de que os avaliadores fundamentem bem a avaliação que produzem num determinado domínio específico. 
Por isso, se publica aqui, para que, transparentemente, em vez de ser comentado parcialmente e distorcendo-o, o possam analisar na sua totalidade e dele possam tomar conhecimento pela utilidade patente do que nele se refere.
A informação é remetida a todos os professores/as do agrupamento e deverá ser agendado, a cargo dos respetivos coordenadores, um debate sobre o tema nos órgãos de gestão (Departamentos e Conselho Pedagógico) onde será, como é habitual, neste agrupamento, debatido, em total liberdade e com possibilidade de se manifestar toda a dissidência fundamentada face ao seu teor.

Naturalmente, que o conteúdo e implicações do texto se mantêm vigentes (até porque se trata de uma lembrança do regime legal) e as reafirmo na sua totalidade.

 
Com os melhores cumprimentos,
 
O diretor do agrupamento

 

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Mas quem será, quem será… o ministro da Educação?

 

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A Educação e a natureza humana vistas pela OCDE – Santana Castilho

 

A OCDE apresentou um estudo (Back to the Future of Education. Four OECD Scenarios for Schooling), que estabelece cenários sobre o futuro da educação. Até 2040, a OCDE prevê um ambiente escolar imerso em inteligência artificial (IA) e realidade virtual, com o eventual desaparecimento dos professores, no máximo, e a presença de robôs, para os apoiar, no mínimo. Antes de estabelecer o cenário mais radical, a OCDE admite que os docentes se limitem a conceber conteúdos para serem administrados por robôs, em ambientes com grande redução de fronteiras entre as disciplinas, tal como as conhecemos. O desaparecimento dos sistemas de ensino existentes e a sua substituição por um misto de ensino doméstico e ensino online consta do cardápio futurologista.
O fim da instituição escolar tem sido múltiplas vezes decretado por arautos de pedagogias atrevidas. Mas é surpreendente ver este estudo vir a lume no momento em que vivemos, à escala mundial, um acontecimento único na nossa contemporaneidade: logo que milhões de alunos experimentaram os efeitos do fecho das suas escolas, milhões de pais clamaram pela reabertura das mesmas; os mesmos teóricos e políticos mensageiros da digitalização e do ensino mediado por máquinas acabaram por reconhecer que o ensino presencial e o papel dos professores são insubstituíveis. Insistir assim na omnipresença das tecnologias na escola talvez tenha menos a ver com a qualidade do ensino e mais com a diminuição do conhecimento, necessária à formação de sociedades passivas face aos interesses das mentes gananciosas dos tecnocratas que impulsionam os mercados. Para esses sujeitos, não passamos de máquinas imperfeitas, operadas por softwares cerebrais imperfeitos, que eles podem domesticar com recurso à IA. Esses sujeitos projectam em nós o seu vazio espiritual e o seu existir mecânico, insensível à liberdade, às emoções, à alma, ao belo e ao amor. Não suportam o livre arbítrio dos cidadãos e encaram-nos como meras peças de um enorme tabuleiro de xadrez global, que querem gerir com máxima eficiência e lucro.
Num eloquente livro (A Era do Capitalismo da Vigilância) Shoshana Zuboff refere-se às tecnologias digitais e à nova ordem económica em construção como facilitadoras de ataques à vida privada, à saúde mental das comunidades e à democracia. Aí se descreve, com arrepiantes detalhes, como a vigilância digital exercida sobre os mínimos passos das nossas vidas produz diariamente triliões de metadados, usados pelos novos ditadores para enriquecerem e dominarem os nossos comportamentos. Definitivamente, não quero que a Escola, a que dediquei os melhores anos da minha vida, caia nestas garras. Definitivamente, não quero ver a Escola a formar autómatos, em lugar de formar pessoas.
Há dias, foi notícia desesperantemente triste a morte por hipotermia de um homem de 85 anos, que permaneceu nove horas tombado numa movimentada rua de Paris, sem que ninguém o tenha socorrido. Os algoritmos que comandam as câmaras de vigilância das ruas de Paris não estarão programados para detectar os que tombam. Foi um sem-abrigo que encontrou o homem caído. Infelizmente tarde. Infelizmente, também, os investigadores sociais da OCDE continuarão a planear o futuro da Escola como coisa cada vez mais desumanizada.
Não me aflige que a ciência diga que temos menos genes que a batata e que muitos deles difiram pouco dos genes da mosca da fruta. Mas aterroriza-me a distopia ensaiada, segundo a qual humanos (governados por algoritmos) e máquinas se fundirão em prol da nossa evolução. E derrota-me pensar que muitos tecnocratas, ainda que apoiados pelo avassalador avanço da ciência, comecem a pôr em causa o próprio conceito de humanidade, admitindo que somos simples máquinas, sujeitos, como elas, às mesmíssimas manipulações tecnológicas. E derrota-me ainda mais ver que a ciência e a tecnologia se aliam cada vez mais ao mundo empresarial global para nos subjugar ao capitalismo digital. Com efeito, pese embora o tanto que a psicologia do desenvolvimento e a psicologia cognitiva nos têm decifrado, parece ser a simples natureza humana que explica a razão pela qual as crianças de tenra idade aprendem tantas coisas e de modo tão rápido, antes de saberem ler, escrever ou, sequer, falar.
In “Público” de 2.2.22

 

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Mude-se a escola para que regressem os professores – Paulo Prudêncio

 

É preciso eliminar a armadilha meritocrática na organização da avaliação e da gestão das escolas e perseguir a redução de alunos por turma como critério decisivo da avaliação da municipalização.

Mude-se a escola para que regressem os professores

“Em Nova Iorque, tutores privados para estudantes do ensino secundário cobram 600 a 1000 dólares (530 a 880 euros) por hora. Nas escolas privadas de elite nos EUA o investimento é de cerca de 75 000 dólares (66 200 euros) anuais por estudante, enquanto na escola pública é de apenas 15 000 dólares (13 200 euros). A desigualdade educacional é maior do que no Apartheid americano em meados do século XX. Nas universidades de elite é ainda mais dramático. As faculdades de Harvard, Princeton, Stanford e Yale matriculam colectivamente mais estudantes dos 1% mais ricos do que dos 60% inferiores”

Estes factos, apresentados por Daniel Markovits, professor na Universidade de Yale, são fundamentais para se perceber o aumento brutal das desigualdades educativas. Agrava-se ao concluir-se que o talento e o esforço não são tão decisivos no elevador social como o investimento financeiro. Como a elite investe quantias avultadas e inéditas na educação dos filhos, a diferença entre a classe rica e as restantes aumenta rapidamente em simultâneo com o empobrecimento da classe média; e uma classe média crescente, consistente e maioritária é decisiva na democracia.

Num assunto desta dimensão, Daniel Markovits escolhe o número de alunos por turma como a outra variável educativa que explica o aumento brutal das desigualdades. Por exemplo, a estrutura escolar que desde o pré-escolar desagua na Universidade de Princeton (financiada por uma fundação de caridade isenta de impostos mas que também usa fundos públicos) tem uma média colossal de oito alunos por turma. O primeiro passo na redução das desigualdades seria aumentar para dezasseis – um limite máximo aceitável – deixando oito vagas para os estudantes das escolas públicas da mesma zona geográfica, precedido, obviamente, do aumento do investimento na rede pública de escolas.

E centramos o debate se cruzarmos o que Joseph Stiglitz, Nobel da economia em 2001, descreveu no início do milénio como a exportação da “corrupção ao estilo americano que resultou na luta de classes contra os mais pobres, na depravação moral e na crise de 2007” com a tese de Daniel Markovits que conclui que o ideal meritocrático bloqueou a igualdade de oportunidades e criou uma aristocracia baseada no investimento em educação. Desde os anos oitenta do século XX que os EUA criaram uma hierarquia económica através de uma armadilha meritocrática sustentada em competições na escola e no trabalho que se alastrou às democracias ocidentais. Ou seja, o investimento financeiro acrescentou experiências curriculares mais prestigiadas que, num registo de bola de neve, tornaram a educação no factor determinante do aumento brutal das desigualdades.

Dá ideia que, no mundo global e com o peso das instituições norte-americanas, é muito difícil evitar que outras nações não caiam na desigualdade meritocrática. Mas nada se perde em discutir o assunto. Aliás, o que história nos ensina é que para onde caminharem os sistemas dos EUA irão mais lentamente os europeus. O Reino Unido já navega há muito nos mesmo mares das desigualdades educativas e da falta de professores e a França e a Alemanha vão-se aproximando. Por cá, a contaminação por estas políticas iniciou-se no início do milénio com mudanças bem identificadas na trágica quebra da solidariedade no ambiente escolar: avaliação, e precarização, dos professores numa degradante farsa meritocrática; modelo autocrático de gestão das escolas; rankings de escolas que serviram os interesses comerciais do ensino privado de elites; aumento do número de alunos por turma.

Chegados aqui, impõe-se a interrogação. E nada há a fazer?

Obviamente que há. Há mudanças sustentáveis que se devem dirigir a eixos nucleares com efeito aglutinador: alunos por turma, falta estrutural de professores e requalificação de escolas. Desde logo, eliminar a armadilha meritocrática na organização da avaliação e da gestão das escolas e perseguir a redução de alunos por turma como critério decisivo da avaliação da municipalização.

Por outro lado, pensar o futuro inclui a vigente pandemia. Uma centena dos principais especialistas mundiais em coronavírus exigem outro rumo, que denominam por Vacinas-Plus numa carta aberta à revista British Medical Journal, afirmando com clareza que o vírus se transmite por aerossóis – partículas expelidas ao falar ou respirar e que se mantêm no ar – e que é crucial ventilar e filtrar o ar. E se a pandemia destapou as desigualdades educativas, também o fez em relação à capacidade de sobreviver ao vírus. As zonas geográficas que concentram mais pobreza foram mais atingidas, porque estar horas a fio numa sala de aula com 8 ou 16 alunos é mais seguro do que fazê-lo com 30. Daí a inexactidão do discurso da escola é segura, quando o fundamental era a precaução em relação aos célebres 3 c´s (distanciamento físico – close-contact settings, such as close-range conversations – , arejamento dos espaços – closed spaces with poor ventilation – e aglomeração de pessoas – crowded places with many people nearby –) que aumentava em proporcionalidade directa com o rendimento financeiro.

Por fim, anunciou-se recentemente um investimento de 6 000 euros anuais por estudante na escola pública portuguesa. Foi de imediato considerado elevado e despesista com o argumento de que há empresas privadas de educação que conseguem um valor próximo dos 4 000 euros anuais por estudante, omitindo que o fazem com turmas numerosas (cerca de 30 alunos) e precarização de professores como eternos contratados com turmas sem fim – práticas que se alastraram à escola pública e que contribuíram para a falta estrutural de professores -. Por incrível que ainda pareça, esse argumentário inclui um dos instrumentos educativos mais desiguais: o datado e comprovadamente desastroso cheque-ensino.

Como se conclui, no mundo global é decisivo aplicar políticas que reduzam as brutais desigualdades educativas. Considerar em Portugal 18 alunos por turma no pré-escolar e no primeiro ciclo, 20 nos 2º e 3º ciclos e 22 no secundário (objectivos que devem ajudar a nortear a municipalização), e um investimento de 8.000 euros por estudante até 2030, é não só razoável como elementar para combater as desigualdades, e a fuga a ser professor, e consolidar a democracia.

 

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Despacho que fixa o número de vagas para a progressão aos 5º e 7º escalões a 100% (na MADEIRA)

 

DESPACHO CONJUNTO nº 11/2022 – Fixa o número de vagas para a progressão aos 5º e 7º escalões da carreira, dos docentes que reuniram os requisitos para progressão aos referidos escalões, em 100%.
“Nestes termos, ao abrigo do disposto no artigo 3.’ da Portaria nº185/20I8, de 5 de junho, determina-se o seguinte:
I – O número de vagas para a progressão aos 5º e 7º escalões da carreira, dos docentes que reuniram os requisitos para progressão aos referidos escalões, é fixado em 100%.
2 – A progressão dos docentes abrangidos pelo presente despacho produz efeitos a I de janeiro de 2022.”

 

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«Orçamento Participativo das Escolas» convida alunos a apresentarem propostas

 

E se te dessem a oportunidade de ajudar os teus colegas a recuperar do impacto da pandemia? E se, para isso, bastasse teres uma ideia e reunires apoiantes? São perguntas para os estudantes, no âmbito de mais uma edição do Orçamento Participativo das Escolas.
O #OPEscolas está de volta e, desta vez, traz uma novidade: integrado no Plano 21|23 Escola+, será tematicamente direcionado, desafiando os alunos a apresentarem propostas que relevem para a inclusão e para o bem-estar, com ações específicas que fomentem o envolvimento e a participação dos alunos mais vulneráveis.
Nesta nova edição1 estimula-se um olhar dedicado ao compromisso e envolvimento de todos na recuperação e na mitigação das desigualdades, tendo em vista a promoção de uma escola inclusiva e promotora de bem-estar individual e coletivo.
As propostas podem ser submetidas, a partir desta terça-feira e até ao final desse mês, no site do OPEscolas ou nas secretarias escolares. Depois, após os períodos de campanha e de debate, serão votadas no Dia do Estudante, que se celebra a 24 de março. O #OPEscolas pretende dar voz aos mais de 500 mil alunos do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, contribuindo para o alargamento dos direitos e da participação dos estudantes na vida da Escola.
Com esta iniciativa, o Ministério da Educação incentiva a participação cívica dos alunos e a tomada de decisão, fomenta a melhor compreensão do funcionamento das instituições democráticas e dos sistemas de votação, e estimula o espírito crítico e o debate, sem esquecer a promoção da literacia financeira.
Para executar as ideias vencedores, cada estabelecimento de ensino público recebe uma verba extra – um euro por aluno, com um limiar mínimo de 500€ – tendo já sido executadas milhares de propostas desde 2017, ano em que o Ministério da Educação implementou esta iniciativa.
Em situação de pandemia, tal como em todas as atividades que decorrem em ambiente escolar, seja no período de debates, de campanha ou de votação, serão mantidas todas as regras de segurança em vigor.

 

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