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Proibição de smartphones nas escolas diminui bullying e aumenta socialização dos alunos

O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, apresentou hoje as razões para a proibição do uso de smartphones por alunos até ao 6.º ano de escolaridade, aprovada no Conselho de Ministros de 3 de julho de 2025.
Fernando Alexandre lembrou as conclusões do estudo do Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas, que encontrou uma relação entre a proibição do uso de telemóvel e a diminuição do bullying, da indisciplina e dos confrontos, e o aumento da socialização entre os alunos, da atividade física e do tempo passado nas bibliotecas, numa avaliação dos resultados das recomendações feitas em setembro passado sobre o uso de smartphones.
O Ministro afirmou que, quando a prova “existe de forma tão clara, o Estado tem a obrigação de regular”.
Mantêm-se as exceções previstas nas recomendações emitidas em setembro passado, relacionadas com a utilização de smartphones para fins pedagógicos ou de telemóveis sem ligação à internet.
Nos próximos dias, o Governo vai reunir-se com representantes dos diretores escolares sobre a aplicação da medida, para depois definir orientações para a implementação nas escolas e concluir o processo legislativo para as novas regras.
Cidadania e Desenvolvimento
A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento vai contar, a partir de setembro, com novos documentos que regulam os conteúdos, anunciou também Fernando Alexandre, em conferência de imprensa, em Lisboa.
“São matérias essenciais e não podem depender da escola ou do professor”, disse, acrescentando que a disciplina estava “desregulada” até agora.
Os anteriores documentos orientadores serão substituídos por Aprendizagens Essenciais, em linha com uma nova Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania, documentos que irão a consulta pública.
O objetivo é “garantir que um conjunto de temas, que são considerados essenciais para a formação dos alunos, são lecionados de uma forma estruturada e essa lecionação é definida com um modelo comum a todas escolas”.
Até agora, a disciplina contava com 17 domínios, embora apenas alguns fossem obrigatórios.
O Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, referiu que passa a haver oito dimensões obrigatórias, quatro das quais em todos os anos de escolaridade (Direitos Humanos, Democracia e Instituições Políticas, Desenvolvimento Sustentável e Literacia Financeira e Empreendedorismo).
As restantes (Saúde, Media, Risco e Segurança Rodoviária, e Pluralismo e Diversidade Cultural) são de gestão flexível, devendo ser lecionadas em, pelo menos, um ano de escolaridade até ao final do 1.º ciclo, um ano ao longo do 2.º e 3.º ciclos e um ano durante o ensino secundário.
As famílias vão ser ouvidas na definição da estratégia de educação para a cidadania da escola e na elaboração dos planos de turma, bem como na escolha de entidades externas para participar nas aulas.
Contudo, “os pais não vão intervir no currículo e nas aprendizagens essenciais”, disse o Ministro. A participação de certo tipo de entidades externas gerava “situações de alarme” e, “numa disciplina tão importante como esta, é preciso acabar com esse alarme”.
“As regras para uma entidade externa poder entrar na sala de aula” serão clarificadas, acrescentou.
Aprendizagens Essenciais
O Governo vai igualmente rever as Aprendizagens Essenciais das restantes disciplinas em todos os anos de escolaridade, com a introdução de descritores de desempenho.
Está concluída a revisão dos documentos para o 1.º, 3.º, 5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridade e em setembro 10 escolas vão aplicar os novos documentos curriculares para testar os respetivos descritores.
Até dezembro, será concluída a revisão das Aprendizagens Essenciais para os restantes anos de escolaridade e entre janeiro e abril os documentos serão colocados em consulta pública, para entrarem em vigor no ano letivo 2026/2027.
Manuais Digitais
As escolas a partir do 2.º ciclo vão poder optar por utilizar manuais em papel ou digitais, mas terão de justificar a decisão se escolherem o formato digital, afirmou também o Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, na mesma conferência de imprensa.
Há um ano, o Ministério decidiu manter o projeto-piloto lançado em 2020 de manuais escolares digitais, ressalvando que a sua continuidade seria decidida com base na avaliação do impacto nas aprendizagens. Um estudo da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) concluiu que não existem efeitos significativos nos resultados dos alunos, pelo que o Governo vai manter a possibilidade de as escolas utilizarem os manuais em formato digital.
“A partir do 2.º ciclo, as escolas poderão adotar os manuais digitais, mas com condições”, explicou Alexandre Homem Cristo. As escolas podem aderir aos manuais digitais “mediante justificação de adequação pedagógica”, ficando sujeitas a monitorização.
A partir de 2026/2027, o Governo vai reforçar as condições de participação, passando a prever um plano de formação de professores e alunos, o envolvimento dos encarregados de educação e, no caso do ensino secundário, dos alunos, a garantia das condições técnicas necessárias e, no caso de se candidatarem à continuidade, as escolas ficam sujeitas a parecer positivo da Direção-Geral da Educação, na monitorização dos anos anteriores.
O 1.º ciclo fica excluído da medida por tratar-se de uma “fase crítica” nas aprendizagens da leitura e da escrita, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade, sublinhou Alexandre Homem Cristo.
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Se Dúvidas Houvesse Quanto à Cessação dos Contratos…

Elas ficam esclarecidas nesta Circular da DGAE.

Porque parece que muitos estavam a fazer uma leitura menos abrangente dos e-mails da DGAE:

 

Conclusão

Os contratos de trabalho em funções públicas a termo resolutivo incerto, celebrados com fundamento na substituição temporária de trabalhador docente, devem manter-se em vigor até 31 de agosto de 2025, sempre que o docente titular se apresente ao serviço após o termo das atividades letivas. Esta medida visa garantir o normal funcionamento de todas as atividades até ao termo do ano escolar, a continuidade das tarefas pedagógicas e administrativas, e a promoção de uma cultura de reconhecimento, estabilidade e compromisso com a qualidade do ensino. Ao garantir que todos os profissionais têm condições para concluir o ano letivo e preparar o seguinte, reforça-se a confiança no sistema educativo, promove-se a justiça laboral e investe-se na atratividade de uma carreira essencial ao futuro do país.

 

 

 

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Montantes dos Apoios no EPE

 

Despacho n.º 7654/2025

Sumário: Define os termos e os montantes de apoios a que têm direito os membros das direções das escolas portuguesas no estrangeiro, os respetivos adjuntos e os docentes que se deslo- quem de Portugal para o exercício de funções nessas escolas.

 

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Professores avançam com Projeto de Lei pela Equidade

Escrevo-lhe em nome do grupo PEV — Professores pela Equidade e Valorização, para solicitar a divulgação, no seu prestigiado Blog do Arlindo, da nossa Iniciativa Legislativa de Cidadãos, recentemente aceite pela Assembleia da República.

 

PROFESSORES AVANÇAM COM PROJETO DE LEI PARA ACABAR COM AS ULTRAPASSAGENS NA CARREIRA!

Depois de 7 anos de injustiça, milhares de docentes integrados antes de 2011 continuam a ser ultrapassados por colegas com menos tempo de serviço.

No passado dia 6 de março, a nossa petição foi aprovada por todos os partidos, mas, até à data, nenhum apresentou um projeto de lei vinculativo que responda à situação.

Face a isso, o grupo PEV decidiu avançar com uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, que se encontra neste momento em fase de recolha de assinaturas no portal da Assembleia da República.

 

 Assina, Apoia e Divulga através do link:
https://participacao.parlamento.pt/initiatives/5195

 

Este é um momento decisivo para milhares de professores e para a justiça na carreira docente. Contamos com a sua colaboração para mobilizar todos os cidadãos com recenseamento eleitoral a assinar e partilhar esta iniciativa.

 

 ALERTA: Sem professores motivados e respeitados, não há escola. E tudo indica que o próximo ano letivo será ainda mais difícil, com mais abandono, falta de docentes e sobrecarga nas escolas.
Esta é uma oportunidade concreta para corrigir uma injustiça estrutural e evitar o colapso silencioso do sistema educativo.

Acreditamos que, com o alcance do seu blog, podemos chegar mais longe e envolver a comunidade educativa e a sociedade civil nesta causa que é de todos.

Gratos desde já pela atenção e apoio.

 

Com os melhores cumprimentos,
João Carlos D’Almeida
Pelo Grupo PEV – Professores pela Equidade e Valorização

 #EquidadeDocente #ReposicionamentoJusto #PEV #IniciativaLegislativa

 https://www.facebook.com/reposicionamentojusto

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Dirigentes sindicais podem voltar às escolas

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Manual de Instruções – Dispensas Sindicais 2025

Encontra-se disponível a aplicação para as dispensas sindicais, disponível de 07 de julho até às 18h00 de 17 de julho de 2025.

SIGHRE – Aplicação Dispensas Sindicais

Manual – Dispensas Sindicais

 

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Novas regras para a mobilidade estatutária de professores

A medida irá reduzir em 35% mobilidades estatutárias já no próximo ano letivo. Objetivo é “combater escassez de professores”.

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208€ por criança é insuficiente para manter um criança no Pré-Escolar

É importante esclarecer que, em Portugal, a educação pré-escolar na rede pública é gratuita para as famílias, embora existam custos associados a serviços complementares (como alimentação e prolongamento de horário) que podem ser comparticipados pelas famílias de acordo com os seus rendimentos, através da Ação Social Escolar.
No entanto, o Estado tem um custo significativo por cada criança no pré-escolar e nos outros níveis de ensino. Estimar um valor exato para o pré-escolar isoladamente é complexo, pois os orçamentos e as despesas são frequentemente agregados.

Embora os dados específicos para o pré-escolar sejam difíceis de desagregar, podemos ter uma ideia do investimento total do Estado na educação:
– Em 2021, o ministro da Educação referiu que a despesa média por aluno na escola pública (considerando do pré-escolar ao secundário) era de cerca de 6.200 euros por ano. Este valor tinha aumentado significativamente em relação a 2015, quando era de cerca de 4.700 euros.
– Outros dados indicam que, em 2018, a despesa média per capita em educação, por aluno do pré-escolar ao final do secundário, era de aproximadamente 5.700 euros/ano.
– Numa perspetiva mais abrangente, em 2019, Portugal gastou 10.854 euros por estudante desde que entra na escola até ao 9.º ano, sendo a média da OCDE de 12.353 euros por aluno nesse período.
Estes valores incluem os custos com pessoal (professores e não docentes), infraestruturas (manutenção e construção de escolas), material pedagógico e didático, e outros apoios.

É fundamental realçar que, para as famílias, a frequência da educação pré-escolar em escolas públicas não tem custo de mensalidade. No entanto, podem existir valores a pagar por:
– Alimentação: Ação Social Escolar prevê comparticipações ou isenções para famílias com menores rendimentos.
– Atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF): São os serviços de prolongamento de horário e atividades complementares, que também podem ser comparticipados ou gratuitos consoante o escalão de rendimentos.
– Material escolar: Também existem apoios da Ação Social Escolar para a aquisição de material, com valores que variam consoante o escalão.

O Orçamento do Estado inclui verbas para a educação pré-escolar, ensino básico e secundário, ação social escolar, entre outros. O Governo tem vindo a reforçar a aposta na universalização do pré-escolar para crianças a partir dos 3 anos, o que implica investimentos na criação de novas vagas e no alargamento da rede. Mas atribuir 208€, por criança para contratos de associação, parece uma pequena esmola. As instituições podem concorrer para a abertura de salas de Pré-escolar, que no máximo atingirá os 5200€ por mês. Isto fará com que muitas instituições ou prestem um serviço deficiente ou tenham que arcar com parte das despesas que inevitavelmente serão cobradas aos pais.

Em resumo, a medida está condenada a não ser um sucesso.

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Sugestão de leitura – O AYMAN CHEGOU – Alberto Veronesi

O livro conta a dura jornada de Ayman, um menino afegão de 8 anos que é forçado a fugir da guerra com o pai, deixando a restante família para trás. A procura de um destino seguro leva-os por caminhos perigosos através do Iraque, Turquia e Grécia, locais onde é obrigado a viver em condições precárias, até finalmente chegarem a Portugal.

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A Música, Inclusiva, do Blog

Não deixa de ser uma das minhas grandes referências musicais de todos os tempos.
E não sei por mais quanto tempo irá subir a um palco, mas esta semana subiu e encantou, à sua maneira.

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A Música, Sentida, do Blog

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Em nome do bem-estar mental dos professores

 

O Luís não tem com quem falar quando o dia chega ao fim ou a semana acaba e isto não é novidade.
Já aqui o disse.
Mas trabalhando o Luís com alunos com necessidades educativas especiais seria elementar, para não dizer óbvio, um mínimo de apoio psicológico para quem lida regular e diariamente com emoções, insultos, agressões, violência doméstica, criminalidade juvenil, automutilação para não dizer tentativas de suicídio e a lojinha dos horrores continua.
Não, a função do Luís é ensinar e se dúvidas tiver sobre o ensino, as dificuldades de aprendizagem de determinado aluno ou os métodos e estratégias a usar, então sim, todo o apoio e mais algum, até chegarmos aquela parte das cadeiras e carteiras a voar mais o olho negro e as equimoses e hematomas pelo braço acima e a conversa, inopinadamente, chega ao fim.
Porque este é o trabalho e a expectativa e as crianças não têm culpa.
E o Luís concorda e não disputa se o instinto natural de quem foi rejeitado a vida toda é, precisamente, rejeitar quem agora se propõe a dar a mão até, e às vezes dura alguns meses, ao dia no qual o petiz apreende finalmente a presença contínua deste adulto para, aos poucos, estender igualmente a mão.
Na verdade, a grande dificuldade do Luís é ser lembrado constantemente pelos demais colegas e direção sobre a premência de não falar, comer e engolir até chegar ao fim do dia e ao café da esquina e então sim, poder deitar tudo cá para fora.
Houve uma altura na vida do Luís onde o mesmo se interrogava sobre a possibilidade de sofrer de alcoolismo e se juntarmos a isto o facto de no dia a seguir os mesmos colegas do café voltarem à conduta autónoma e automática de todos os dias então não vale a pena ir ao café.
Mais, era precisamente no café onde a coragem ébria revelava mais pormenores sórdidos sobre a vida destas crianças e lá vai o Luís com um litro e meio de cerveja em cima telefonar para os serviços sociais.
Estão a ver o lindo resultado, não estão?
Em nome do bem-estar pessoal mais o bem-estar das crianças, hoje o Luís deixou de ir ao café e quanto às cervejas só ao fim-de-semana, preferindo literalmente estar só, resguardado e distante.
Pelo menos até fechar os olhos e dedicar as noites a sonhar estar na escola a resolver os problemas dos alunos, a resolver os problemas dos pais e dos outros professores cheios de problemas também e todos os alunos, pais e professores a correrem para apanhar o Luís e o Luís a privar-se de dormir.
Solução da direção: para promover o bem-estar mental dos professores, na terça-feira durante a reunião semanal sobre o bem-estar dos alunos, a direção contribuirá do seu salário para comes e bebes com álcool à discrição ao fim do dia no refeitório da escola.
“É um truque?”, interroga-se o Luís, para depois afirmar veementemente ser um truque ou não estivessem as câmaras de circuito fechado em todo o refeitório e basta aparecer para se perder o emprego.
Ou então o mundo está mesmo do avesso e sabe Deus quanto sairá daquelas bocas enquanto se desbragam sobre o bem-estar, ou a falta dele, dos alunos e respectivas famílias e todos os comentários, opiniões e quebras de confidencialidade devidamente registados na acta pela colega da secretaria devidamente instruída para apenas beber sumo de laranja.
Em nome do seu bem-estar mental, o Luís não estará presente na reunião semanal, invocando uma indisposição ou uma urgência familiar.
Para poder continuar na certeza de quem sabe, e vê, no seu trabalho, não todos os dias mas todos os meses, o regresso de um sorriso ao rosto de uma criança e ninguém perdoa como as crianças perdoam.
Um dia chegará o dia sem mais crescidos na Terra depois de uma virose misteriosa (até porque as guerras dão muito trabalho) e as crianças, com o mundo nas mãos e entregues a si mesmas, brincarão felizes para sempre.

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Revogue-se, revogue-se, revogue-se…

 

Os profissionais de Educação, sobretudo os Professores, foram muito maltratados pelos Governos do Partido Socialista, em particular pelos Governos liderados por José Sócrates e António Costa, mas também pelo Governo PSD/CDS chefiado por Passos Coelho, sobre isso não parece que possam existir grandes dúvidas ou reservas, a não ser que se sofra de alguma “cegueira partidária”, que leve alguém a manifestar-se como indefectível defensor desses Partidos Políticos, façam eles o que fizerem…
E foram tão maltratados, durante tantos anos, que isso parece ter-se tornado num péssimo hábito, difícil de abandonar… Um hábito, uma prática tão comum, que acabou praticamente por ser interiorizado, talvez até aceite como um novo “normal”… Sobretudo desde 2005 tem sido assim…
Pelo menos através das palavras, o Governo da AD liderado por Luís Montenegro parece apostar na cordialidade e na gentileza no trato com os profissionais de Educação: – Já são vários os e-mails e cartas dirigidos pelo Ministro Fernando Alexandre aos Professores e a outros profissionais de Educação, todos primando pela cortesia…
Se tal forma de tratamento é ou não é genuína e condizente com a acção futura do Governo, havemos de aferir à medida que a mesma se for desenrolando, sobretudo quando se entrar na abordagem e na concretização de medidas relacionadas com temáticas potencialmente difíceis e controversas, como a revisão do Estatuto da Carreira Docente ou a alegada intenção de aprofundar a transferência de competências para as autarquias…
Aguarda-se, assim, com alguma expectativa, para confirmar se esta é ou não é uma manifestação de um estratégico “marketing político”, eventualmente sem correspondência com a efectiva prática governativa…
Com franqueza, espera-se que não o seja e que se esteja perante um comportamento consentâneo com a acção futura do Governo, que não se quer impositiva nem dogmática, mas antes dialogante e disponível para tomar em efectiva consideração diferentes pontos de vista…
Para já, fica bem ao Ministro Fernando Alexandre mostrar-se cordato e respeitoso face àqueles que tutela…
A esse propósito, e não sendo Professora, devo dizer que foi a primeira vez que um Ministro me escreveu… Ou melhor dizendo, foi a primeira vez que uma “máquina” me escreveu, em nome de um Ministro… De resto, o mesmo terá sucedido com muitos outros profissionais de Educação…

Perante o repto lançado pela Tutela, relativo a contributos para “a simplificação e digitalização dos procedimentos necessários às rotinas diárias de funcionamento das escolas”, conforme consta no e-mail recebido, talvez seja adequado dizer-se o seguinte:
– Dado o desencanto, a desesperança e, sobretudo, o "supremíssimo cansaço, íssimo, íssimo, íssimo cansaço" (alusão a Álvaro de Campos), que acometem a maioria dos profissionais que
desempenham funções na Escola Pública, parece muito difícil acreditar que tal desafio, aparentemente bem-intencionado, lançado pelo Ministro,   possa ter uma adesão significativa por parte daqueles a que se destina…
– Os profissionais que desempenham funções na Escola Pública assemelham-se, cada vez mais, a um “coro dos escravos” (alusão a Nabucco, Giuseppe Verdi) mas, e ao contrário do original, com pouca esperança e já com parca capacidade de resistência…
– Depois de consecutivas desilusões e de contínuos maus tratos, ao longo de muitos anos, torna-se cada vez mais difícil responder aos pretensos “desafios” lançados pela Tutela, porquanto se antecipa quase sempre a inutilidade prática de tais respostas e uma inerente perda de tempo… E é assim que parte significativa dos profissionais de Educação já não se dá sequer ao trabalho de responder a tais missivas…
– É um facto que nas escolas não se vive sem Burocracia, aquela Arte de “converter o fácil em difícil, através do inútil” (roubado da Internet, de autor desconhecido)…

O consumo compulsivo de burocracia nas escolas chega mesmo a assemelhar-se a uma qualquer dependência e, neste momento, é praticamente impossível conceber uma escola sem procedimentos redundantes, de tão enraizados que os mesmos se encontram…
Muitas vezes, formulam-se exigências, seguidas de mais exigências, sem utilidade prática reconhecida e sem se saber para que servirão tais imposições ou que eficácia ou pertinência terão…
No fundo, estamos a falar de verdadeiras inutilidades, produzidas “em linha”, “em série” ou “em massa” de documentos que praticamente ninguém lê, ou se lê, na verdade, não releva…
Por absurdo, patético e paradoxal que pareça, habitualmente é assim em muitas escolas…
E pior ainda é quando se constata que muitas panóplias desses documentos não têm correspondência com as acções, ou seja, quando mostram apenas um conjunto de intenções que, efectivamente, não teve qualquer relevância em termos concretos e práticos…
Numa escola frenética, não é possível existir a tranquilidade nem a serenidade, imprescindíveis a todos os processos cognitivos… Numa escola assim não há espaço para a reflexão, nem para a discussão, nem para o pensamento crítico, nem para cimentar ou amadurecer qualquer ideia…

E também chega até a faltar a disponibilidade mental para lidar com o que mais deveria relevar: o trabalho com os Alunos…
Há, enfim, muitas ideias e medidas avulsas e “mantas de retalhos”, traduzidas por muita entropia… E o frenesim e a vertigem continuam, continuam, sem cessar…
Se o actual Ministério da Educação estiver realmente empenhado no combate aos procedimentos burocráticos inúteis e desgastantes, existentes em muitas escolas, deixa-se aqui esta sugestão:
– Rever os principais normativos legais publicados por vários Governos desde 2005 e ter a coragem política de revogar todos aqueles que têm tido consequências desastrosas para a Escola Pública, tanto os que afectam sobretudo os Alunos, como aqueles que atingem de modo particular os profissionais que aí trabalham…
Revogar, revogar, revogar, é isso que realmente importa…
Sem essa imprescindível revogação, qualquer medida que agora venha a ser tomada não passará de mais um “remendo” numa “manta de retalhos” que já não tem conserto…
Sem essa imprescindível revogação, qualquer medida que agora venha a ser tomada não passará de um mero paliativo…
Deite-se abaixo uma casa que está a cair de podre e que já não tem reconstrução possível e construa-se uma nova, a partir dos alicerces…
A actual Equipa Ministerial saberá, com certeza, quais serão os principais normativos legais que praticamente todos os profissionais de Educação desejariam ver revogados…
A propósito da identificação do elenco de normativos legais que deveriam ser revogados, adapta-se aqui uma conhecida frase de Maria José Nogueira Pinto, aplicando-a, inevitavelmente, ao Ministro Fernando Alexandre…
– “Eu sei que você sabe que eu sei que você sabe…” (Maria José Nogueira Pinto, dirigindo-se a Lobo Xavier, num Congresso do CDS em 1995)…
No caso presente:
– “Eu sei que o Sr. Ministro sabe que eu sei que o Sr. Ministro sabe” quais são os normativos legais que a maioria dos profissionais de Educação gostaria de ver revogados…

Revogar, revogar, revogar, é isso que realmente importa, só assim existirão condições para que a Escola Pública se consiga tornar mais saudável, justa e democrática…
Sem isso, continuaremos a fazer de conta que se muda alguma coisa, para que, na realidade, nada de relevante se altere…
Resta saber o que se pretenderá:
– Continuar a mascarar a realidade existente, contribuindo para a prisão num círculo vicioso de trabalho insano e para a derrocada da Escola Pública, ou criar uma nova realidade, expurgada, o mais possível, de vícios de funcionamento?

Paula Dias

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Eu Podia Elencar Uma Quantidade Enorme de Problemas Para Isto

E começava logo pela exigência de muitos destes pais a quererem colocação onde muito bem entendem, mudando de residência apenas com este propósito, escolhendo as escolas com melhores respostas para estas crianças.

Falta de apoios dos CRI por falta de Terapeutas da Fala, Terapeutas Ocupacionais e equipas multidisciplinares pelo baixo salário que recebem e que deixam estes Centros de Recursos para a Inclusão sem estes técnicos, porque acabam por receber muito mais quando optam por clínicas privadas.

Falta de Assistentes Operacionais, docentes da Educação Especial e Técnicos Especializados nas Escolas para dar resposta a estes alunos especiais.

Saturação dos espaços em algumas escolas do país, enquanto outras só se mostram inclusivas no papel para receber os alunos “normais” e muitas vezes andam à procura destes alunos com bons resultados.

E ausência de vontade política de colocar muitos destes alunos em escolas especiais que acabam por ter melhores condições físicas para os receber.

O que existe atualmente é uma inclusão disfarçada e que sobrecarrega algumas escolas, alguns professores, alguns assistentes operacionais e que dá um imenso trabalho diário, sem qualquer contrapartida das estruturas superiores.

 

Pais de alunos com necessidades específicas exigem mais apoio

 

Um grupo de pais de alunos com necessidades educativas específicas manifestaram-se à porta do Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares do Norte (DGEstE Norte), por sentirem que os seus filhos não estão a receber o acompanhamento devido por parte das escolas.

A instituição garante que vai resolver os problemas com a maior brevidade possível.

Branca Célia Dias, representante da dezena de encarregados de educação que se juntaram para expor a situação, reuniu com o delegado regional de educação do Norte, Luís Carlos Lobo, mas revela que a esperança entre os seus representados não é muita. “A DGEstE Norte prometeu resolver os problemas dos alunos cujos pais estavam presentes no imediato. Pediram os contactos e garantiram que vão redigir um documento, que será enviado ao Ministério da Educação”, começou por explicar.

Segue-se a Justiça

 

Branca é também professora e acredita que estas medidas só vão resolver os problemas a curto prazo. O próximo passo dos manifestantes poderá ser a Justiça.“Os pais estão cansados e não sabem a que porta bater a seguir. A próxima deverá ser a da Justiça, até porque as respostas que recebemos é que não há técnicos suficientes nas escolas com capacidades para lidar com este tipo de alunos”, salientou.

Uma das mães presentes na manifestação foi Sílvia Ramos, que relatou vários casos preocupantes com o seu filho de oito anos, que é autista. “Alguns professores insultaram o meu filho várias vezes, além de, enquanto sob os seus cuidados, o terem deixado numa arrecadação [da escola] que continha produtos tóxicos”.

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Projeto C.A.F.E. – Procedimento concursal 2026

Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto Centros de Aprendizagem e Formação Escolar (Projeto C.A.F.E.), em Timor-Leste, em 2026.

A aplicação para a formalização da candidatura está disponível das 10:00h do dia 7 de julho de 2024, até às 23:59h do dia 18 de julho de 2025 (hora de Portugal Continental).

Consulte o aviso de abertura e respetivos anexos, bem como outra documentação disponibilizada.

Aviso de Abertura

Anexo I

Anexo II

Despacho de constituição dos júris

Nota Informativa

Questões Frequentes

Minuta de consentimento de notificações

Minuta de consentimento de dados pessoais

Minuta de aceitação de declaração

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Mobilidade Estatutária 2025/2026

 

A submissão da(s) proposta(s) de mobilidade estatutária de docentes, nos termos previstos nos artigos 67.º e 68.º do Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de Infância e dos Professores do Ensino Básico e Secundário, decorrerá de 07 de julho às 18h de 08 de julho, impreterivelmente.

O prazo para a aceitação por parte do(s) docente(s) decorrerá de 07 de julho às 18h de 09 de julho, impreterivelmente.

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Concurso Interno e Concurso Externo de vinculação de docentes às EPERP – Análise das reclamações e Classificação das candidaturas

 

Encontra-se disponível a aplicação eletrónica que permite ao estabelecimento de ensino efetuar a análise das reclamações dos candidatos e a classificação das candidaturas ao concurso interno e concurso externo de vinculação de docentes às EPERP, em conformidade com o artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 139-B/2023, de 29 de dezembro.

Manual de utilizador – Análise das reclamações e Classificação das candidaturas

 

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Comunicado do Conselho de Ministros de 3 de julho de 2025

O Conselho de Ministros, reunido no dia 03 de julho de 2025, na Residência Oficial do Primeiro-Ministro:
2. Aprovou a revisão da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, com entrada em vigor a partir do ano letivo 2025/2026;
3. Aprovou o Decreto-Lei que regula a utilização, no espaço escolar, de equipamentos ou aparelhos eletrónicos com acesso à internet, como smartphones, proibindo o seu uso pelos alunos do 1.º e do 2.º ciclos do Ensino Básico, a partir do próximo ano letivo. A adoção de medidas de proibição ou de restrição tem em conta os resultados do estudo do Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas sobre as recomendações emitidas pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, em setembro de 2024, relativas à utilização de smartphones nos recintos escolares;

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Não Tenho Dúvidas Que a Nova Orientação da Finalização dos Contratos Também se Aplica a Quem Já Entrou de Férias

Se os docentes da Educação Pré-Escolar, 1.º Ciclo, Inglês do 1.º Ciclo e muitos docentes da Educação Especial apenas terminam por estes dias a avaliação dos alunos, já muitos docentes dos outros níveis de ensino terminaram as suas reuniões pelos dias 18 ou 19 de junho, e devido ao regresso do titular do horário alguns destes docentes já entraram de férias.

A nova orientação da DGAE que chegou hoje por e-mail às escolas com o fundamento da atratividade da carreira e da valorização dos docentes que prestaram funções ao longo do ano letivo vem prolongar estes contratos até ao 31 de agosto de 2025.

Por isso, esta medida também se deve aplicar aos docentes que já marcaram as suas férias e nesse sentido as suas férias devem ser suspensas de forma a permiti-los participar nos trabalhos de final de ano letivo com vínculo contratual até ao 31 de agosto de 2025.

Esta é de facto uma excelente medida pela valorização dos professores contratados.

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Esclarecimentos relativos ao final do ano letivo/escolar (Nova Informação Sobre o Fim dos Contratos)

Exmo/a. Sr/a Diretor/a / Presidente de CAP,

No seguimento do email enviado pela DGAE no dia 23 de junho de 2025, relativamente à subalínea ii. da alínea c), tendo em consideração a atratividade da carreira e a valorização dos docentes que prestaram funções ao longo do ano letivo, vimos por este meio informar que os contratos de trabalho em funções públicas a termo resolutivo incerto celebrados com fundamento na substituição temporária de trabalhador, realizados em 2024/2025, em que os docentes substitutos desempenharam funções até ao final do ano letivo, devem ser finalizados a 31 de agosto de 2025.

Esta decisão visa garantir a estabilidade das equipas pedagógicas e o cumprimento das tarefas adstritas aos docentes após o ano letivo, reforçando e reconhecendo o papel fundamental dos docentes substitutos.

Para esclarecimentos adicionais poderá V. Ex.ª enviar mensagem via E72 para Área “Aplicações eletrónicas” > Tema “Finalização da Colocação”.

Com os melhores cumprimentos,

A Subdiretora-Geral da Administração Escolar,

Joana Gião

 

O que dizia a subalínea ii) da alínea c) do e-mail do dia 23 de junho?

 

c) Quanto aos contratos de trabalho em funções públicas a termo resolutivo incerto celebrados com fundamento na substituição temporária de trabalhador ausente, esclarecemos que:

 

ii.     Caso se trate de substituição de docentes que se encontram no AE/EnA sem componente letiva, ou com redução desta, tais colocações não se mantêm até 31 de agosto, cessando no final das atividades letivas/reuniões de avaliação, nos termos do disposto no n.º 11 do artigo 42.º do Decreto-Lei n.º 32-A/2023, de 8 de maio, na redação atual;

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Aprovadas alterações à disciplina de Cidadania e Proibição de telemóveis

 

O Ministro da Educação fará a declarações, na próxima semana, sobre o aprovado, hoje, em Conselho de Ministros.

 

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Reforme-se o estado com o aluno definitivamente no centro da educação – Paulo Prudêncio

O artigo 74.º da Constituição da República Portuguesa (CRP), no seu número 1, é claríssimo: “Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar”. Por isso, todos os alunos têm direito a ter professores. Mas a professores que ensinem e que não se limitem à guarda de crianças e de adolescentes enquanto a sociedade labora. Aliás, a CRP, no seu artigo 43º, consagra outro direito fundamental: a liberdade de aprender e ensinar. E só a conjugação em qualidade destes direitos é que terá reflexos positivos ao longo da vida.

 Reforme-se o estado com o aluno definitivamente no centro da educação

E quando se anuncia, pela enésima vez, a reforma que definitivamente desburocratizará o país – portanto, os serviços públicos e as empresas públicas e privadas -, recorde-se que a educação vai na terceira e risível proclamação dessa intenção desde a Covid-19. Por isso, cumpra-se o dever de participação e proponha-se a deslocação do aluno definitivamente para o centro da educação. Será dois em um. Facilita-se a tarefa do Governo e vai-se muito além dela.

De facto, há história mais do que suficiente sobre o modo de mover o aluno para o centro. Desde logo, exige professores confiantes. Que não prestem diariamente provas infernais, inúteis e burocráticas da sua profissionalidade – uma espécie de inversão de ónus da prova -, e com carreiras que excluam ambientes de parcialidade, de autocracia e de farsa administrativa na avaliação do desempenho. Acelera-se todo o processo se se eliminar os mega-agrupamentos de escolas, a começar pelos que agregam mais do que uma escola com 2º e 3º ciclos e ensino secundário. Esta simples decisão porá termo à sobreposição da ilusão do controlo e eficiência administrativas sobre a identidade democrática de cada organização – e que contribuiu para o caos na gestão de dados da educação que destapou a impreparação de quem governa -, e deslocará o aluno para o interior do núcleo onde se aprende e ensina.

Por outro lado, incluir o aluno no centro requer currículos completos, com equivalência entre as letras e as ciências, e uma avaliação dos alunos exigente e contínua apoiada numa sólida avaliação externa das aprendizagens. Assegurar-se-á a distinção entre aprender porque se tem curiosidade e se quer saber mais, e não apenas porque se quer ser melhor do que os outros, porque há um teste ou uma recompensa material. Efectivamente, só os professores podem ser os guardiões desse património.

Além disso, localizar o aluno no centro reclama que seja o “outro” e não o “igual” na relação com professores e encarregados de educação. De facto, a formação da personalidade assenta na sua própria negação. Melhora a relação com os pares e atenua o bullying. A proibição do não, essa histórica herança da Revolução Francesa, gerou equívocos educacionais. A criança-rei submeteu os encarregados de educação à desvalorização dos professores e nivelou por baixo o clima das escolas. Esta demissão educativa global empurrou, durante mais de uma década, o poder político para o silêncio sobre a falta estrutural de professores, sensivelmente o mesmo período temporal em que se assistiu de braços cruzados à imperdoável exposição de crianças e de adolescentes à selva digital.

É um péssimo legado. A casa arde e já é elementar exigir que o aluno conheça e respeite os direitos e deveres fundamentais na sociedade e na escola, para que não se apresente como eleitor racista, misógino, xenófobo e violento.

Por fim, a centralidade do aluno rejeita uma cultura escolar que escolhe os alunos com base nos resultados académicos esperados e que é igualmente evidente na formação de turmas. Este laboratório com material explosivo solicita que também se actue na gestão do território. As políticas que enfrentem a crise da habitação podem ser uma oportunidade. É crucial contrariar guetizações, aglutinando diversos grupos sociais nas mesmas escolas e turmas.

Alerte-se, e para que daqui a uma década não se diga que não havia dados, que cresce um desdém pelos fracos enaltecido nas rotas neoliberais mais intelectuais. Aceitam-se teses que associam a inteligência – medida em testes de quociente de inteligência – à herança genética e às linhas raciais, como critérios de sobrevivência ao próximo político-económico. Será o mundo dos “biologicamente ricos” no seu esplendor.

Em suma, aclame-se que inscrever o aluno no centro da educação reconduz-nos para os princípios fundadores da Europa e da ciência que nos ensinou quem somos e quem nos rodeia. Não se tema o movimento. Tudo devemos fazer para que a colaboração, o pensamento crítico e a criatividade se imponham definitivamente à violência, à amestração e ao consumo.

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Se Não Fosse Tão Sério, Até Achava Que Era Uma Piada

Reforço do pré-escolar: privados candidatam-se a contribuir só com 28 salas novas

 

 

Ministério quer 200 novas salas a reforçar rede pública. Abriu concurso para 6000 vagas. Privados candidataram-se a preencher 1700, a maioria em turmas que já existem. Sector social continua à espera.

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Ministro da Educação avança com reforma do sistema de informação

O ministro da Educação quer garantir dados exatos sobre o número de alunos sem professor. Avança, por isso, com uma reforma do sistema de informação do setor.

Fernando Alexandre anuncia ainda contratos programa para responder à falta de docentes nas Regiões de Lisboa, Setúbal e Algarve.

Anúnciosa feitos no programa É ou não é?, da RTP.

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RAA – 𝐂𝐨𝐧𝐜𝐮𝐫𝐬𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐟𝐞𝐭𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐐𝐮𝐚𝐝𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐙𝐨𝐧𝐚 𝐏𝐞𝐝𝐚𝐠𝐨́𝐠𝐢𝐜𝐚 𝟐𝟎𝟐𝟓/𝟐𝟎𝟐𝟔

 

A Direção Regional de Administração Escolar da R.A. Madeira informa a todos os interessados, que a lista dos docentes vinculados aos quadros de zona pedagógica/Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng. Luiz Peter Clode, será publicada, hoje, dia 2 de julho de 2025.

Mais se informa, que os docentes vinculados aos quadros de zona pedagógica, deverão ser opositores ao concurso de afetação para o ano escolar 2025/2026, que decorre de 𝟐 𝐚 𝟒 𝐝𝐞 𝐣𝐮𝐥𝐡𝐨 𝐝𝐞 𝟐𝟎𝟐𝟓.

– Candidaturas por via eletrónica através da Aplicação de Gestão Integrada de Recursos (AGIR), em https://agir.madeira.gov.pt/

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PROFESSORES BIBLIOTECÁRIOS – AE/EnA com procedimento de recrutamento externo

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Uma Petição Para Duplicar/Triplicar os Peticionários

Pelo Fim dos Descontos da ADSE no Subsídio de Férias e de Natal

 

 

Para: Assembleia da República, Exmo. Sr. Presidente da Assembleia da República, Exmo. Sr. Primeiro-Ministro, Exmo. Sr. Ministro das Finanças, Exmo. Sr. Ministro da Presidência, Exmo. Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Exmo. Sr. Ministro Adjunto e da Reforma do Estado Exma. Sra. Ministra da Saúde, Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE e Exma. Sra. Presidente do Conselho Diretivo da ADSE

Vimos por este meio expressar a nossa profunda insatisfação e exigir justiça na forma como os descontos para a ADSE estão a ser aplicados aos beneficiários do sistema.

Atualmente, os descontos para a ADSE incidem sobre 14 meses de remuneração anual (12 meses de salário base, mais o subsídio de férias e o subsídio de Natal), quando, na prática, os beneficiários apenas usufruem do sistema durante 12 meses por ano. Esta situação constitui uma injustiça clara.
Não há qualquer razão legal que justifique que os subsídios de férias e de Natal sejam considerados para efeitos de desconto, uma vez que:
-O custo real do serviço é anual e não proporcional a 14 meses;
-Os restantes sistemas de saúde privados ou públicos não aplicam este tipo de cobrança sobre subsídios pontuais.

Exigimos, por isso, que o Governo e a Direção da ADSE tomem medidas imediatas para:
– Pôr fim à cobrança da ADSE sobre os subsídios de férias e de Natal
– Promover maior transparência na forma como são geridos os recursos da ADSE, garantindo justiça contributiva para todos os beneficiários.

A ADSE é um sistema de saúde financiado pelos seus beneficiários. É inadmissível que se mantenham práticas que prejudicam financeiramente quem contribui.

Apelamos à vossa responsabilidade e sentido de justiça para corrigirem esta situação.

Assinam esta petição cidadãos e beneficiários da ADSE de todo o país, em nome da equidade, da transparência e da justiça contributiva.

 

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É de louvar, mas… burocratizemos!

A opinião dos professores é mais do que necessária para que as escolas possam adotar medidas de desburocratização, mas têm que perceber do que estão a falar.

O ministro veio, e muito bem, pedir a opinião aos professores. Um gesto louvável, dizem uns. Outros, mais atentos, perguntam-se: quantos professores saberão ao certo do que é que ele estava a falar

Na sala de professores, ecoa o refrão: “Temos de acabar com os papéis!”
Sim, os famigerados papéis — essa entidade quase mística, omnipresente, mas raramente identificada com clareza.
Mas que papéis, colegas? Os da avaliação? Os dos projetos? Os planos de turma? Os relatórios de tudo e mais alguma coisa que ninguém lê?

A verdade, crua e sem verniz, é esta: a esmagadora maioria dos professores preenche toneladas de papelada (ou pior: plataformas digitais labirínticas) sem fazer a mais pálida ideia do porquê, para quê, ou para quem.
Fazem-no como quem carimba a sua própria inutilidade profissional. Obedecem, entregam e suspiram. E o sistema agradece: burocratas felizes, professores dobrados.

Escrevem frases com laivos de poesia pedagógica, copiadas e recicladas de documentos anteriores, com adjetivos sonantes mas sem alma. Porque ninguém se atreve a perguntar ao autor da exigência burocrática: “Para que serve isto?”
A resposta seria um eco ou um ficheiro Excel.

Caímos no buraco negro do desinteresse burocrático, onde se faz porque sim, porque “é preciso”, porque “vem de cima”.
Um sistema que produz profissionais exaustos, repetitivos, cínicos  e que depois lhes pede “colaboração” e “visão” para o “futuro da escola”.

Sr. Ministro, a solução não está em mais inquéritos com checkbox com limite de caracteres.
Está em mandar os senhores dos gabinetes, de fato cinzento ou azul céu e PowerPoint na mão, para dentro das escolas. Não para fazer visitas guiadas com direito a foto de grupo — mas para ouvir os professores que suam a camisola entre reuniões, aulas e plataformas que falham.

Talvez assim percebam — ainda que de forma fragmentária — o que realmente sufoca as escolas: não é o excesso de papel. É a ausência de propósito.

No final contabilizarão umas centenas de opiniões de um público de mais 120 mil docentes…

 

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1 de julho de 2025: Mais um passo na recuperação do tempo de serviço – FNE

1 de julho de 2025: Mais um passo na recuperação do tempo de serviço
O processo de recuperação do tempo de serviço dos professores regista hoje mais um avanço significativo, na sequência do acordo histórico celebrado em 21 de maio de 2024 entre o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) e a Federação Nacional da Educação (FNE). Este acordo, alcançado após um processo de diálogo e negociação construtivos, constituiu um marco determinante na vida de milhares de professores e educadores.

O decreto-lei aprovado concretiza a recuperação do tempo de serviço que esteve congelado, num total de seis anos, seis meses e 23 dias, equivalentes a 2.393 dias. Essa recuperação decorre de forma faseada, a um ritmo médio de 25% por ano, entre 2024 e 2027, com a seguinte distribuição: 25% a 1 de setembro de 2024; 25% a 1 de julho de 2025; 25% a 1 de julho de 2026; e 25% a 1 de julho de 2027.

Hoje cumpre-se o marco da segunda tranche, um momento que merece ser destacado por representar não apenas mais um passo na reposição do tempo de serviço congelado, mas também pela concretização da dispensa de vagas para acesso aos 5.º e 7.º escalões a todos os docentes abrangidos por este processo.

Para a FNE, este acordo constitui um ato de justiça para os docentes, resultado do compromisso e do diálogo que permitiram alcançar uma solução justa, equilibrada e sustentável. Representa também um avanço com impacto real na vida dos professores, traduzindo o reconhecimento e a valorização do trabalho que desenvolveram ao longo dos anos.

Esta medida foi possível graças ao acordo alcançado entre o MECI e sete das doze organizações sindicais representativas dos docentes, tendo sido determinante o entendimento celebrado com a FNE, que permitiu desbloquear um processo há muito reivindicado pelos professores e educadores.

Porto, 1 de julho de 2025
A Comissão Executiva da FNE

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Validação de recuperação de tempo de serviço – Artigo 3.º do Decreto-Lei 48-B/2024, de 25 de julho

Recordamos que a 1 de julho de 2025 produz efeitos a contabilização de tempo de serviço, nos termos da alínea b) do nº 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 48-B/2024, de 25 de julho.

Neste contexto, os docentes, em função da análise particular do seu processo de recuperação, sempre que da contabilização do tempo de serviço a recuperar a 01/07/25, cumpridos os restantes requisitos, resultar uma alteração de escalão, deverão aceder à plataforma do IGEFE, para efetuar a respetiva validação.
Artigo 3.º 
Contabilização do tempo de serviço 
1 — A recuperação do tempo de serviço cuja contagem esteve suspensa, a que se refere o n.º 1 do artigo 1.º, efetua-se nos seguintes termos:
a) Em 1 de setembro de 2024, 599 dias;
b) Em 1 de julho de 2025, 598 dias;
c) Em 1 de julho de 2026, 598 dias;
d) Em 1 de julho de 2027, 598 dias.

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Tão Só e Apenas Isto

 

Sendo que em cada campo abre um espaço livre para 1000 carateres para dar a sugestão de melhoria.

Os leitores do blog com ideias sugestivas podem enviar para o e-mail do blog. 🙂

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Mais um E-mail do Ministro…

Concordo com a ideia, com os princípios mas resta saber se terá qualquer efeito este pedido.

 

Caro/a Diretor/a,

 

O Governo e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação estão conscientes da sobrecarga administrativa que afeta as escolas públicas e, nesse sentido, lançamos o desafio a toda a comunidade educativa para contribuírem para a simplificação e digitalização dos procedimentos necessários às rotinas diárias de funcionamento das escolas.

Esta transformação, que se pretende iniciar já a partir de setembro, pretende tornar o trabalho diário mais ágil, reduzir a burocracia e valorizar o tempo dedicado ao acompanhamento dos alunos.

Os vossos contributos e sugestões poderão ser submetidos, até ao próximo dia 9 de julho, através do formulário “Simplificar e Desburocratizar” disponível na  plataforma SIGRHE (SIGRHE > Geral > Inquérito: Simplificar e desburocratizar).

Conto com o vosso envolvimento para, juntos, fazermos a diferença no combate à burocracia.

Aproveito esta ocasião para agradecer o vosso empenho ao longo de todo o ano letivo, fundamental para o sucesso dos nossos alunos.

Até breve!

 

Fernando Alexandre

(Ministro da Educação, Ciência e Inovação)

 

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Como pode ser operacionalizada a Proibição de smartphones nas escolas?

A proibição do uso de smartphones nas escolas só terá força obrigatória a nível nacional se for estabelecida por lei ou por norma legal com valor equivalente.

As liberdades individuais dos alunos e encarregados de educação estão protegidas pela Constituição e pela lei, e só podem ser restringidas com base num fundamento legal claro. Um regulamento interno da escola ou uma orientação da Direção-Geral da Educação não tem, por si só, força legal suficiente para impor restrições gerais e obrigatórias em todas as escolas do país.

Em Portugal, a proibição do uso de smartphones nas escolas não pode ser decretada unilateralmente por um membro do Governo (como o Ministro da Educação) através de uma simples Portaria, e só pode sê-lo por Decreto-Lei se existir habilitação legal ou autorização legislativa prévia da Assembleia da República.

Para que a proibição do uso de smartphones seja legalmente vinculativa, clara, e aplicável a todas as escolas em Portugal, tem de ser publicada em lei aprovada pela Assembleia da República ou em decreto regulamentar do Governo. Só assim se garante a segurança jurídica, uniformidade na aplicação, respeito pelos direitos constitucionais e clareza para alunos, pais e professores.

O Governo pode aprovar um Decreto-Lei com força de lei se tiver habilitação legal em matéria de educação. No entanto, como se trata de uma questão com impacto direto em direitos fundamentais (liberdade individual, direito à educação, acesso à informação), o mais seguro e legítimo é que essa proibição seja feita por uma Lei da Assembleia da República.

 

Aguardemos para ver como se vai efetivar…

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Novidades para o próximo ano letivo, em breve

Estamos a preparar o início do próximo ano letivo e, muito em breve, daremos notícias, informação às escolas, à sociedade, sobre a forma como estas medidas vão ser implementadas e os prazos”, indicou.

Questionado sobre o estudo da revisão dos currículos no ensino obrigatório, que estava a ser feito antes da queda do governo e que seria implementado no próximo ano letivo, o ministro da Educação informou que “as aprendizagens essenciais estão a ser avaliadas” e que em breve darão notícias a este propósito.

“Elas ainda não estão concluídas, houve um ligeiro atraso na equipa que foi contratada para fazer esse estudo, mas em breve daremos novidades sobre isso: onde vai haver alterações e onde vão ser adiadas para o próximo ano letivo”, disse.

in JN

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Proibição do uso do telemóvel é para alunos do público e privado

Ministro da Educaçõa esclareceu que no ano passado a recomendação da proibição serviu de preparação para a proibição.

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Relatório Balanço Anual da Educação 2025 – Edulog

Penso que ainda não tinha publicado este estudo aqui no blog.

 

Deixo-o junto desta pequena entrevista à Cristina Mota.

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Balanço da Fenprof ao Ano Letivo

Um ano letivo em que o acumulado de alunos com falta de professores é superior ao verificado no ano anterior

 

O ano letivo de 2024/2025 chegou ao fim, mas deixa para trás um rasto preocupante: a crónica falta de professores nas escolas voltou a marcar negativamente a vida de muitos alunos. A promessa de garantir estabilidade no corpo docente e reduzir os períodos sem aulas não se concretizou. Pelo contrário: o problema agravou-se.

De acordo com os dados da FENPROF, estima-se que, ao longo do ano, tenham sido registadas quase 1,4 milhões de ocorrências de alunos sem aulas a pelo menos uma disciplina. Só no 1.º período, o número ascendeu a 826 mil; no 2.º foram 402 mil e, no 3.º, cerca de 150 mil. É certo que estes números incluem duplicações — alunos que ficaram sem vários professores ou em vários momentos —, mas o cenário que revelam é inequívoco: o sistema não está a responder às necessidades mínimas.

O Ministério da Educação chegou a definir metas ambiciosas, como a redução de 90% dos casos de alunos sem todos os professores até ao final do 1.º período. A meta ficou longe de ser atingida. Pior: a própria divulgação de dados oficiais acabou por ser posta em causa, obrigando o ministro a encomendar uma auditoria externa à KPMG. As conclusões deveriam ter sido conhecidas até abril, mas continuam por divulgar, revelando uma preocupante falta de transparência e responsabilidade política.

Na tentativa de minimizar os efeitos da carência de docentes, recorreu-se a soluções improvisadas: professores a adiar a reforma, contratação de não profissionalizados, atribuição de disciplinas fora da área de formação, redistribuição de serviço, técnicos especializados a assegurar horários incompletos. Em muitos casos, estas estratégias permitiram apenas adiar ou disfarçar o problema, sem o resolver.

Ao mesmo tempo, os números de docentes disponíveis continuam aquém das necessidades.

Lisboa, Setúbal e Faro continuam a ser as zonas mais atingidas, mas este ano nenhum distrito escapou à instabilidade. O resultado é um sistema educativo que, por força das opções políticas seguidas nos últimos 20 anos, apesar dos avisos, passou a ser mais desigual e incapaz de garantir a todos os alunos o direito a uma escola pública de qualidade.

A FENPROF suspeita que o problema se agravará no próximo ano letivo. O número de docentes não colocados no Concurso Externo de 2025 é pouco superior a 20 mil professores,  sobretudo nos grupos curriculares da Educação Pré-Escolar, 1.º Ciclo do ensino básico, Educação Especial e Educação Física. Neste caso, ainda que ligeiramente abaixo do valor do ano anterior, este número é revelador de um défice estrutural de recursos humanos e da ausência de uma política eficaz de atratividade e fixação na profissão.

Perante o estado das coisas, como pode agora o XXV Governo Constitucional e consigo o mesmo Ministro da Educação, volvido um ano de governação, afirmar que vai agora: «Identificar as necessidades de professores para a próxima década, por grupo disciplinar e região (…)» [cf. Programa do XXV Governo Constitucional, p. 28]?

Como há muito a FENPROF tem afirmado, é urgente passar das palavras aos atos. Valorizar a profissão docente, garantir condições de trabalho dignas e atrativas e assegurar estabilidade nas escolas são medidas que não podem continuar a ser adiadas, sob pena de milhares de crianças e jovens continuarem a ser altamente prejudicadas. O próximo ano letivo começa a ser preparado agora — é tempo de escolher entre continuar a tapar buracos ou enfrentar o problema de frente.

 

O Secretariado Nacional

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Pais em Modo Avião

Ser pai ou mãe no século XXI implica conhecer os riscos do mundo digital. A ignorância, neste caso, não é desculpa: é abandono.

Pais em Modo Avião

Nos últimos anos, assistimos a um fenómeno crescente, silencioso e preocupante nas escolas portuguesas: o uso descontrolado de smartphones por crianças e pré-adolescentes sem qualquer acompanhamento parental. O cenário repete-se de norte a sul — alunos com 9, 10 ou 11 anos que acedem a redes sociais, jogos e sites não adequados à sua idade, muitas vezes envolvendo-se em situações de risco que vão desde o ciberbullying até ao contacto com conteúdos impróprios ou mesmo com as autoridades.

Tudo começa, quase sempre, com a oferta de um smartphone. Um presente cada vez mais precoce, normalizado pela desculpa “porque todos os colegas já têm e o meu filho não pode ser diferente”. O problema não reside no objeto, mas no vazio que o acompanha. São oferecidos dispositivos poderosos sem qualquer tipo de formação, limites ou supervisão parental. E assim, entregamos uma porta aberta para o mundo a crianças que mal sabem interpretar o que veem e que ainda não sabem como agir ou reagir quando alguma coisa corre mal.

Na escola, os professores, directores e assistentes operacionais veem-se forçados a lidar com as consequências desta negligência digital. São chamadas de atenção por mensagens impróprias, grupos de WhatsApp onde circulam agressões e humilhações, vídeos publicados no TikTok sem consentimento, e perfis falsos criados para insultar colegas. A escola é empurrada para um papel de pai, polícia e terapeuta, muitas vezes sem os meios nem legitimidade para isso.

Entretanto, muitos pais mostram-se surpreendidos: “Eu não fazia ideia.”, “Eu não sabia.”. A verdade é que deviam fazer, deviam saber. Ser pai ou mãe no século XXI implica conhecer os riscos do mundo digital, tal como, noutros tempos, implicava ensinar a atravessar a rua e a andar de bicicleta. A ignorância, neste caso, não é desculpa: é abandono.

Não se trata de proibir a tecnologia, mas de educar para o seu uso consciente e responsável. Tal como ensinamos regras de convivência e respeito no mundo físico, temos de ensinar regras para o mundo digital. Há idades mínimas para aceder a redes sociais por alguma razão. Há limites para o que uma criança deve ver, dizer e partilhar com amigos ou com desconhecidos, que estão a ser ignorados.

A parentalidade digital exige tempo, atenção e presença. Não se resolve com filtros automáticos nem com a esperança de que “ele sabe mais de tecnologia do que eu”. Porque saber usar não é o mesmo que saber escolher. E é aí que os adultos fazem falta.

Vivemos numa era em que os filhos estão sempre “ligados”. O que falta, muitas vezes, é a ligação com os pais.
Está na hora de sairmos do modo avião.

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Duas más medidas a caminho?

Depois de ter colhido o reconhecimento e de ter sido agraciado com rasgados elogios da Classe Docente pela recuperação do tempo de serviço dos Professores, o Ministro Fernando Alexandre parece, agora, determinado a implementar duas medidas que, expectavelmente, não suscitarão um apreço generalizado

Primeira má medida:

Conto com todos neste caminho do digital!, escreveu o Ministro da Educação numa carta que dirigiu aos Professores e aos Directores em 27 de Junho passado, a propósito das Provas Finais do 9º Ano de Escolaridade, realizadas em formato digital…

Por essa afirmação, depreende-se que não haverá a menor intenção de retroceder ou de revogar o formato digital na realização dessas Provas, apesar dos muitos problemasocorridos no presente ano lectivo, em particular o sortido variado de constrangimentos de ordem técnica…

Por outro lado, em evidente contra-ciclo com alguns Países Nórdicos, como a Noruega, a Finlândia ou a Suécia, de resto, muitas vezes tidos como vanguardistas em termos pedagógicos,e que se esforçam no presente para reduzir drasticamente a dependência de todos os formatos digitais nas escolas, a Tutela portuguesa parece convicta das (pretensas) virtudes desse modelo didáctico

Fruto de uma discussão aberta, e honesta, que tem vindo a ser fomentada nos referidos países, parece ter-se concluído que os prejuízos, nomeadamente em termos de desenvolvimento cognitivo e de saúde mental das crianças e dos jovens, anulam e superam de forma notória os benefícios de qualquer formato digital utilizado em contexto escolar Perante tais conclusões, o caminho que tem vindo a ser percorrido vai naturalmente no sentido de restringir ao máximo o seu uso nas escolas…

Por cá, em vez de se encetarem esforços para progressivamente abandonar a sujeição aos formatos digitais existentes nas escolas, que ademais funcionam muitas vezes de forma deficitária, parecem ignorar-se as decisões em sentido contrário de outros países, assim como os respectivos fundamentos

Fundamentos, esses, que não deveriam ser desvalorizados ou desconsiderados e muito menos ignorados ou negligenciados…

Mas, e na realidade, não há dúvida de que estão a serdesvalorizados, desconsiderados, ignorados ounegligenciados…

Lamentavelmente, por cá, parece pretender-se uma irreversívelcontinuidade dos formatos digitais em contexto escolar, atribuindo-lhes, além disso, uma virtude que noutros países está a ser amplamente refutada: “… a tecnologia pode ser potenciadora das aprendizagens e do desenvolvimento das crianças e jovens em condições de equidade.” (Carta do Ministro Fernando Alexandre aos Professores e Directores, em 27 de Junho de 2025)…

De forma simplista, “teclar” não é sinónimo de saber ler, escrever e contar… E também não é sinónimo de pensamentoreflexivo e crítico…

Nesta situação, como em muitas outras, adivinha-se que pouco ou nada se fará para evitar o aparecimento de maiores problemas do que aqueles já existem, decorrentes da dependência tecnológica… O mais certo é correr-se, posteriormente, atrás dos respectivos prejuízos…

Nada de novo, portanto… Continuamos na senda da fantasia e do pensamento mágico…

No fim, os principais destinatários dessa insensatez acabarão por ser obviamente os Alunos: crianças e jovens que vão sendo sucessivamente enganados pela ideia de “facilitismo”, praticamente desde que iniciam a sua escolaridade…

Segunda má medida:

Aprofundar a descentralização de competências para as autarquias terá sido uma das prioridades elencadas pelo Ministro Fernando Alexandre, a propósito da Conferência “Educação e Futuro”, promovida pela Fundação Belmiro de Azevedo (Jornal Público, em 26 de Junho de 2025)…

Antes de mais, pergunta-se:

Que avaliação terá sido feita (e, já agora, por quem) acerca da descentralização/transferência de competências para as autarquias, vulgo “municipalização”, operada nos últimos anosna Área da Educação?

Que evidências/resultados existem no sentido de justificar e de fundamentar a disposição de dar continuidade à sua implementação, como agora foi explicitado pelo actual Ministro da Educação?

Que vantagens/benefícios deverão ser reconhecidos a essa descentralização; que ganhos obteve o serviço público, prestado pela Escola Pública, por via dessa transferência de competências?

Sem respostas cabais às anteriores perguntas, dificilmente se compreenderá a pretensão de continuar a aprofundar, cada vezmais, a transferência de competências para as autarquias…

A não ser que os motivos para esse aprofundamento sejam de natureza estritamente ideológica… Mas, e a ser assim, por uma questão de honestidade intelectual e de boa-fé, espera-se que, no mínimo, tal justificação seja explicitamente assumida por quem a defenda

Por outro lado, quando se fala em descentralizar a Educação é praticamente impossível não falar de politização/partidarização da Escola Pública…

 

Quando se fala sobre esse tema, também costuma ser praticamente impossível que não se levantem dúvidas e suspeitas quanto à integridade e idoneidade de muitos autarcas,que têm a seu cargo a gestão de quantias avultadas de dinheiro público, tantas vezes, alegadamente, desbaratadas em contratos celebrados com entidades “iminentemente pardas” ou na aquisição de serviços de duvidosa utilidade, transparência ou eficiência, entre outros…

 

Nesse âmbito, uma das alegações mais comuns costuma ser esta:

A descentralização da Educação, tão apregoada e defendida por sucessivos Governos, tem submetido a Escola Pública a interesses sombrios, muitas vezes, tornando-a refém da politização/partidarização e de teias de relações duvidosas, obscuras e perigosas…

 

Dito de outra forma, os “elevados padrões deontológicos”, explicitados na “Estratégia Nacional de Combate à Corrupção 2020-2024”, pretensamente exigíveis a todos os que desempenham funções na Administração Pública, nem sempre têm norteado determinadas condutas, levando ao conflito de interesses e a incompatibilidades legais de diversa ordem…

A ilustrar o anterior, o Relatório Anual 2024 do MENAC (Mecanismo Nacional Anti-Corrupção), dá conta do seguinte:

A corrupção, o peculato, incluindo o peculato de uso, a prevaricação e o abuso de poder são os crimes maioritariamente denunciados e investigados, surgindo associados a cerca de 75% (3 em cada 4 casos) dos processos criminais relativos ao quadro de crimes em consideração.” (página 65)…

A grande maioria das comunicações (cerca de 89%) associa-se a entidades de natureza pública;” (página 66)…

Tal como se tem verificado nos anos anteriores, a Administração Pública Local representa mais de metade do universo das entidades de natureza pública (cerca de 52% do total;” (página 67)…

A própria Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, presente na Conferência sobre “Obrigações, Desafios e Boas Práticas no Contexto das Autarquias Locais” (Pombal, em 9 de Dezembro de 2024) admitiu a criação de um núcleo na Inspecção-Geral das Finanças “dedicado exclusivamente às autarquias”, “criar uma entidade nova” ou “atribuir essa função a uma entidade que já exista.” (Rádio Renascença, em 9 de Dezembro de 2024)…

O sucesso da nossa acção será maior se não dermos condições para que a corrupção aconteça… (Ministra da Justiça, citada pela Rádio Renascença, em 9 de Dezembro de 2024)…

Do anterior, infere-se o reconhecimento da existência de um problema real e grave, relacionado com determinadas más práticas ao nível autárquico…

Assim sendo, não pode deixar de se perguntar: 

– Com tantas suspeitas que, no geral, recaem sobre a Administração Pública Local poderá alguém ficar tranquilo,quando se pretenda entregar a essa entidade parte significativa da gestão da Escola Pública?

Obviamente que o universo de elementos da Administração Pública Local não será todo igual, nem estará todo sob suspeita… Mas, e ainda assim, quando se transfere para as autarquias determinadas competências não se distingue entre as que possam ter condutas duvidosas e as que agem de forma íntegra

Mais uma vez, nada de novo, portanto… Continuamos na senda da fantasia e do pensamento mágico…

Se as duas (más) medidas aqui abordadas forem concretizadas, dir-se-á que estaremos perante um potencial “xaque-mate” à Escola Pública e que os aplausos e os elogios, inicialmente endereçados ao Ministro Fernando Alexandre, poderão dar lugar a uma estrondosa decepção ou a uma monumental pateada

Paula Dias 

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E Sobre a Organização do Ano Letivo 2025/2026 Ainda Não Há Novidades?

Estamos no final de junho e até ao dia de hoje não se ouviu nenhuma informação sobre a Organização do Próximo Ano Letivo.

O ano passado lá saiu uma nota informativa dando conta que a Organização do Ano Letivo para 2024/2025 seria de acordo com o Despacho Normativo n.º 10-B/2018, de 6 de julho e até saiu um guião com algumas orientações para 2024/2025.

Mas este ano ainda não houve qualquer referência à preparação do próximo ano letivo.

Será para represtinar o despacho e o guião?

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