Tag: educação

Sobre a alteração de 4 diplomas referentes a estágios e afins… Carlos Ceia

Para minha boa surpresa, chega-me o pedido de parecer do muito aguardado projecto de revisão das 4 leis que actualmente regulam os mestrados em ensino. Já tinha criticado a demora política para resolver a confusão que reina no nosso quadro legislativo, incluindo os dois decretos que o governo anterior tinha publicado na sua saída, contribuindo para engrandecer significativamente a confusão.

Não podendo aqui divulgar esse projecto de lei de revisão, mas certamente alguém irá divulgá-lo por aí, porque está em discussão pública, permito-me divulgar o resumo das alterações que propõe:

“Destaca-se no presente diploma a eliminação dos componentes de formação específicos para os detentores do grau de mestre ou de doutor, deixando à Instituição de Ensino Superior o ónus da análise de cada caso, para que deste procedimento seja mais adequada a distribuição de créditos; o reforço da autonomia das escolas para a constituição dos núcleos de estágio; as alterações referentes ao professor orientador, que passam pela opção por um suplemento remuneratório ou pela redução da componente letiva do trabalho semanal (que acresce à redução estabelecida no n.º 1 do Artigo 79.º do Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de abril, na sua redação atual – ECD), de acordo com as necessidades da escola e da formação; o incremento conferido à prática de ensino supervisionada, principalmente tratando-se da prática autónoma (para o efeito, foram efetuadas alterações no número de alunos por professor orientador de acordo com as características da escola); o aumento das horas de exercício efetivo de atividade autónoma com os alunos, atendendo às características de cada escola e estudante; e a eliminação dos contratos de estágio.”

Tenho de aplaudir de pé a nova versão proposta, como antes critiquei bem alto algumas outras versões e decretos.

Optou-se por não só corrigir os erros dos dois decretos socialistas como se pretendeu seguir o caminho do respeito pela autonomia universitária para a maior parte das decisões.

Simplificou-se até onde era possível o DL 79/2014, o que se aplaude de novo. Uma lei reduzida ao essencial é meio-caminho para que seja bem aplicada.

Sobram alguns pormenores que espero ainda que sejam afinados até à versão final, sobretudo a porta demasiado aberta ao reconhecimento de diplomas estrangeiros, o que pode pôr em causa alguma injustiça com os portugueses que obtiveram um mestrado em ensino em condições de grande exigência nem sempre reconhecíveis em outras formações estrangeiras, sobretudo quando se resumem a licenciaturas que estão longe do nosso sistema com licenciatura e mestrado para obter a habilitação profissional.

Os professores cooperantes ficarão satifeitos com a justiça de ficar previsto que sejam remunerados pelo seu serviço, o que é mais do que justo.

Vamos ver como fica o texto final, mas o que li é toda uma nova esperança.

Depois, só ficará a faltar o reforço do financiamento do ensino superior para que seja possível recrutar mais professores para a formação inicial sem o que será impossível aumentar as vagas existentes.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/sobre-a-alteracao-de-4-diplomas-referentes-a-estagios-e-afins-carlos-ceia/

Do Óbvio

Mais de metade dos docentes do básico e secundário têm redução de aulas — a maioria por causa da idade

 

Mais de metade dos docentes do básico e secundário têm redução de aulas — a maioria por causa da idade
Numa década, o número de professores contratados aumentou significativamente, o que poderá ser em parte explicado pelas substituições por baixa médica. Apenas 2,4% dos docentes têm menos de 30 anos.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/do-obvio-2/

Não se ensina uma criança a andar cortando-lhe as pernas

 

A incidência e influência do smartphone e da Internet na geração Z são inegáveis, como demonstra à exaustão Jonathan Haidt n’ A Geração Ansiosa (D. Quixote, 2024). A melhor solução será retirar os telemóveis da escola? Impedir as crianças e adolescentes de os usarem? Não estaremos a tentar resolver um problema – que é real – com um problema ainda maior?
A indústria e o mercado acabarão, mais cedo ou mais tarde, por decidir pela escola. Os grandes problemas nunca são criados nem resolvidos no seu interior. As grandes soluções vêm de fora. A escola, em todo o mundo, é hoje um dos mercados mais apetecíveis. É o espaço onde passa e permanece toda humanidade. As soluções erradas são muitas vezes um excelente negócio. O caso dos surdos é um bom exemplo. No fundo é um problema de mercado.
Por um lado, as novíssimas tecnologias e a IA são a resposta mais poderosa para o crónico e grave problema de um ensino igual e uniforme para pessoas tão diferentes. Por outro lado, o saber, todo o saber, outrora privilégio exclusivo dos professores, está hoje todo online e à distância de um clique, o que permite libertar o professor de repetir vezes sem conta as mesmas lições para se concentrar mais nas pessoas dos alunos, respondendo mais e melhor aos problemas de cada um. Estão criadas as condições para a maior autonomia dos alunos, a iniciativa, a curiosidade, o espírito crítico. Os aprendentes têm agora a oportunidade de deixar de ser meros gravadores de som, meros discos de memória, sempre limitada, para assumirem o papel de autofalantes e altifalantes, com voz própria. As motivações e talentos de cada um encontram agora respostas e descobertas que o ensino tradicional não podia oferecer.
Retirar da escola o acesso direto ao saber disponível online é estimular o regresso ao ensino oral, expositivo, repetitivo, enfadonho e pouco eficaz da escola tradicional. É voltar ao séc. XIX. É verdade, as crianças precisam de brincar, de jogar, de exercitar o corpo; de relações pessoais que estimulem os afetos, o sentido de cooperação e de solidariedade; precisam de amigos verdadeiros, de carne e osso, e não apenas de amigos virtuais, desconhecidos e voláteis, como defende Haidt na obra referida. O diagnóstico de Haidt é perfeito, mas o “Guia de tratamento” está errado. É preciso promover e programar a escola como espaço para o crescimento saudável, física e mentalmente, de relações humanas saudáveis e permanentes, mas não pode ser à custa do sacrifício e do desprezo da maior fonte de enriquecimento que conheceu até hoje. Como refere insistentemente o mesmo autor, a criança tem de aprender a enfrentar e a superar os problemas. Este é apenas mais um. É aí que devem centrar-se as apostas do presente.

 

José Afonso Baptista

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/nao-se-ensina-uma-crianca-a-andar-cortando-lhe-as-pernas/

Oito dias depois do arranque do ano letivo, aluna ainda não tinha escola

A mãe da jovem de 14 anos queixa-se de ter tentado, sem sucesso, uma resposta da DGEsTE. Ao fim de uma semana, a aluna continuava em casa.

Oito dias depois do arranque do ano letivo, aluna ainda não tinha escola

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/oito-dias-depois-do-arranque-do-ano-letivo-aluna-ainda-nao-tinha-escola/

Podem Confirmar se É Verdade?

Habilitação Própria c/ licenciatura pré-Bolonha impedido de concorrer Concurso Extraordinário

 

 

Queria apenas partilhar o que me sucedeu ao tentar concorrer ao último concurso lançado agora.
Sou licenciado em Tradução variante Inglês, curso pré-Bolonha de 2004. 
Tenho lecionado sempre com habilitação própria, exclusivamente o Inglês ao 1º Ciclo desde 2009 nas AEC , acumulando desde 2022 horários no grupo 120 até hoje, totalizando 2105 dias de tempo de serviço .  Estava super motivado para concorrer a este concurso quando deparo-me com uma injustiça tremenda.
Na habilitação própria dividiram os cursos pré-Bolonha e os cursos pós-Bolonha, isto é,  o sistema só me permite concorrer ao 120 como uma habilitação própria pós-Bolonha.  Estou assim impedido de concorrer quando estou há tantos anos a lecionar apenas Inglês ao 1º ciclo.
Pela lógica, não poderia então dar aulas no grupo 120 através das contratações de escola como tenho feito nestes últimos 2 anos. Se as escolas permitiram tal situação, não consigo entender.
É de lamentar.  Significa que uma pessoa licenciada pós-Bolonha com um curso igual ao meu de 3 anos pode concorrer. Eu, que tenho uma licenciatura de 5 anos e com algum tempo de serviço acumulado, não posso concorrer porque o curso é pré-Bolonha. Basicamente, posso concorrer aos grupos 220 e 330 dos quais não tenho qualquer interesse, mas que constam na lista dos cursos de habilitação própria pré-Bolonha.
Resumidamente, posso concorrer para o Inglês do 3º ciclo e secundário mas 1º ciclo , que é apenas a minha experiência e vocação, não posso.
Não posso sequer tirar um mestrado profissionalizante para o grupo 120 porque tenho tido sempre horários completos e na zona centro de Portugal onde resido, a faculdade mais próxima que ministra esse curso situa-se a 150 km, exigindo aulas presenciais.
Que triste país. Sinto-me, simplesmente, usado por este sistema que não me quer.  Com isto, só me resta finalizar o ano letivo e desistir deste sonho, regressando à minha atividade anterior.  Depois não venham dizer que há falta de professores.
Peço desculpa pela desabafo.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/podem-confirmar-se-e-verdade/

Mostra Cinema Sem Conflitos 2024 – Açores – Reservas até 15 de outubro – Edição anterior #2

 

Como foi a edição anterior?

 


Mostra Cinema Sem Conflitos 2024 – Açores

📅 de 21 a 31 de outubro   📍São Miguel, Terceira, Faial, Pico e São Jorge

Evento gratuito com reserva obrigatória ☞ https://cinemasemconflitos.pt/

Direcionado para alunos do 3º ciclo e secundário (M/12) ✔

Temáticas — ambiente; amor e sexualidade; bullying; dilemas sociais; doença mental; drogas; família; racismo; relações interpessoais; religião e cultura; violência.

#mostracinemasemconflitos2024       |     ✉ [email protected]

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/mostra-cinema-sem-conflitos-2024-acores-reservas-ate-15-de-outubro-edicao-anterior-1/

Filipe do Paulo – O novo ano letivo e o novo ministro da Educação

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/filipe-do-paulo-o-novo-ano-letivo-e-o-novo-ministro-da-educacao/

Propostas da FNE para o OE2025

Secretariado Nacional da FNE aprova documento com propostas da Federação para o Orçamento de Estado 2025

 

O Secretariado Nacional da Federação Nacional da Educação (FNE) reunido hoje em Lagoa, Algarve, aprovou por unanimidade um documento com as propostas da FNE para o Orçamento de Estado 2025 (OE2025).

Infelizmente, os últimos Orçamentos de Estado não corresponderam à necessidade de priorizar investimentos na área da Educação, não permitindo assim inverter o ciclo de desvalorização deste setor e dos seus profissionais.

Por isso o Secretariado Nacional da FNE avançou com este documento que tem o objetivo de contribuir ativa e responsavelmente para o encontro de soluções e a resolução dos problemas que a Educação enfrenta, com a FNE a propor neste documento um conjunto de medidas indispensáveis para o Orçamento de Estado 2025, visando a valorização da Educação e dos seus profissionais.

O desinvestimento, a ausência de uma planificação rigorosa das necessidades de recursos humanos e a perda de atratividade da profissão docente ao longo dos últimos anos, está a repercutir-se de forma particularmente grave nas nossas Escolas, assistindo-se a uma falta crescente de professores, facto que compromete a qualidade de ensino e das aprendizagens dos alunos.

E são os alunos oriundos de famílias mais desfavorecidas os mais afetados pela menor qualidade do serviço público de educação, por isso, uma verdadeira política de valorização da Educação implica um esforço concertado para garantir a equidade no acesso à mesma, garantindo uma educação inclusiva e justa para todos.

O Orçamento de Estado para 2025 tem que refletir uma mudança de política que permita inverter o ciclo negativo de desvalorização do setor, consagrando a Educação como uma prioridade nacional.

Lagoa, 20 de setembro de 2024
O Secretariado Nacional da FNE

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/propostas-da-fne-para-o-oe2025/

Aluno de 12 anos que esfaqueou colegas em escola na Azambuja colocado em centro educativo

 

O menor recebeu a medida de coação mais gravosa para crimes cometidos por crianças entre os 12 e os 16 anos. As autoridades acreditam que o atacante se deixou “influenciar pelo ideário nazi”

Aluno de 12 anos que esfaqueou colegas em escola na Azambuja colocado em centro educativo

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/aluno-de-12-anos-que-esfaqueou-colegas-em-escola-na-azambuja-colocado-em-centro-educativo/

Candidatura – Concurso Externo Extraordinário 2024/2025

Candidatura – Concurso Externo Extraordinário 2024/2025

 

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 20 de setembro e as 18:00 horas de 26 de setembro de 2024 (hora de Portugal continental) para efetuar a candidatura ao Concurso Externo Extraordinário, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

Nota Informativa – Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2024/2025

Manual de utilizador – Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário  – LSVLD

Manual de utilizador – Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário  – Externo

Decreto-Lei n.º 57-A/2024

Aviso de Abertura n.º 20830-A/2024/2

Decreto-Lei n.º 80-A/2023

Portaria n.º 211-A/2024/1

Despacho n.º 10971-B/2024

Decreto-Lei n.º 51/2024

SIGRHE

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/candidatura-concurso-externo-extraordinario-2024-2025/

Calendário do Concurso Externo Extraordinário

Os meus parabéns por esta iniciativa.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/calendario-do-concurso-externo-extraordinario/

Aviso de Abertura do Concurso Externo Extraordinário – 20 a 26 de Setembro

Aviso n.º 20830-A/2024/2

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/aviso-de-abertura-do-concurso-externo-extraordinario-20-a-26-de-setembro/

Jovem entrega-se após alegada ameaça com arma junto a escola de Lisboa

Um jovem “terá exibido uma arma de fogo” num acerto de contas entre alunos junto a uma escola em Benfica, em Lisboa, hoje à tarde, e entregou-se depois na esquadra local, revelou a PSP, referindo não haver feridos.

Jovem entrega-se após alegada ameaça com arma junto a escola de Lisboa

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/jovem-entrega-se-apos-alegada-ameaca-com-arma-junto-a-escola-de-lisboa/

A Antecipar a RR4 no QZP09

São 218 horários enviados para a RR4 no QZP09, sendo que 28 são de duração anual.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/a-antecipar-a-rr4-no-qzp09/

Mostra Cinema Sem Conflitos 2024 – Açores – Reservas até 15 de outubro – Edição anterior #1

Mostra Cinema Sem Conflitos 2024 – Açores – Reservas até 15 de outubro – Edição anterior #1

 

Como foi a edição anterior?

 


Mostra Cinema Sem Conflitos 2024 – Açores

📅 de 21 a 31 de outubro   📍São Miguel, Terceira, Faial, Pico e São Jorge

Evento gratuito com reserva obrigatória ☞ https://cinemasemconflitos.pt/

Direcionado para alunos do 3º ciclo e secundário (M/12) ✔

Temáticas — ambiente; amor e sexualidade; bullying; dilemas sociais; doença mental; drogas; família; racismo; relações interpessoais; religião e cultura; violência.

#mostracinemasemconflitos2024       |     ✉ [email protected]

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/mostra-cinema-sem-conflitos-2024-acores-reservas-ate-15-de-outubro-edicao-anterior-2/

Deve Estar Para Muito Breve

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/deve-estar-para-muito-breve/

É tão fácil julgar…

 

É tão fácil julgar, muitas vezes, sem fundamentos credíveis e sem conhecimento de causa…

Na Escola Básica da Azambuja, um aluno terá esfaqueado seis colegas, por motivos, objectivamente, desconhecidos à data da ocorrência… Perante esse episódio, em relação ao qual se têm feito muitas conjecturas e tecido inúmeras especulações, mas que obviamente não deixará ninguém indiferente, parecem existir apenas três certezas:

– Trata-se de um acontecimento potencialmente gerador de alarme social…

– A gravidade do acto praticado pelo aluno agressor não pode ser ignorada, nem escondida, nem escamoteada, nem desvalorizada…

– Nem sempre é possível prever e evitar este tipo de ocorrências em contexto escolar… Ainda não se encontrou o “Santo Graal” do funcionamento da mente humana, que permita identificar, sem margem de erro, que “gatilhos” poderão desencadear um fenómeno desta natureza… Assim sendo, torna-se muito difícil prever com precisão a ocorrência deste tipo de episódios violentos, mesmo que previamente possam existir alguns indícios de risco… A existência de indícios não significa que, obrigatoriamente, se venham a concretizar ou a consumar actos violentos… Ao invés, também é possível que a inexistência de indícios de risco nem sempre impeça a prática de acções violentas, num determinado momento… Cada caso é mesmo um caso e dificilmente sairemos dessa inevitabilidade…

E a partir daqui podem surgir muitas perguntas de difícil resposta:

– Como se caracteriza a família do agressor, em particular as dinâmicas relacionais existentes no contexto familiar? Que contributo poderá ter tido o ambiente familiar no desencadeamento deste episódio?

– O agressor sofre de alguma patologia mental, diagnosticada ou por diagnosticar à data da ocorrência?

– O agressor é ou foi vítima de bullying em contexto escolar?

– O que terá levado o agressor a desferir golpes com uma arma branca naqueles que se cruzaram no seu caminho? O que espoletou tal expressão de agressividade?

O acto praticado pelo aluno tem que ser compreendido, isto é, têm que se perceber as razões, conscientes ou inconscientes, que o levaram a agredir de forma bárbara várias pessoas…

Porque compreender o acto praticado por este aluno é também contribuir para a prevenção deste tipo de ocorrência em contexto escolar…

A propósito deste acontecimento na Escola Básica da Azambuja, leram-se muitos julgamentos e juízos de valor nas ditas “redes sociais” que visaram, sobretudo, a família do aluno agressor, mas também a Direcção do estabelecimento de ensino…

Que dados factuais existem para se poderem fazer tais juízos?

Enquanto não existirem respostas concretas e credíveis, o mais avisado será, talvez, que cada um se abstenha de julgar terceiros, evitando comentários levianos, sem fundamentos objectivos e sem conhecimento de causa, que em nada ajudarão a compreender o problema e a agir face à gravidade do mesmo…

Introduzir mais ruído, absolutamente desnecessário e contraproducente nesta situação, por si mesma já suficientemente grave e complicada, não faz qualquer sentido…

Em qualquer caso, vítimas, agressor e restante comunidade educativa carecem de uma intervenção sistémica e especializada que, com certeza, já estará em curso…

Dada a idade do aluno (12 anos), competirá ao Ministério Público a instauração de um inquérito tutelar educativo que, por essa via, efectuará as diligências necessárias para a obtenção de informação completa…

 

Paula Dias

 

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/e-tao-facil-julgar/

Analise comparativa da carga horária dos docentes

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/analise-comparativa-da-carga-horaria-dos-docentes/

Mas Estas Escolas São Carenciadas em Quê?

Resolvi contabilizar as Contratações de Escola em concurso ao longo do ano 2023/2024 e também em 2024/2025 para as 234 escolas carenciadas.

Ordenei as escolas pelo número mais baixo de horários em concurso ao longo de todo o ano passado e até ao dia 20 de setembro de 2024 e tirei os seguintes dados:

Estas escolas “carenciadas” tiveram ao longo do ano passado menos de 10 horários em concurso na Contratação de Escola e este ano ainda nenhuma pediu 10 horários neste concurso.

Ao contrários destas escolas que sendo carenciadas tiveram o ano passado 60 ou mais horários em concurso.

 

 

É de perguntar qual é a carência das escolas da primeira imagem.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/mas-estas-escolas-sao-carenciadas-em-que/

A “Mostra Cinema Sem Conflitos 2024” está a chegar às ilhas de São Miguel, Terceira, Faial, Pico e São Jorge

Datas, locais e reservashttps://cinemasemconflitos.pt/

Direcionado para alunos do 3º ciclo e secundário (M/12) ✔

Temáticas — ambiente; amor e sexualidade; bullying; dilemas sociais; doença mental; drogas; família; racismo; relações interpessoais; religião e cultura; violência.

À exibição das curtas-metragens, com uma duração total de 45 minutos, seguir-se-á um debate em que os alunos são convidados a interagir e a expressar as suas perspetivas, num diálogo enriquecedor e estimulante que visa contribuir para o desenvolvimento da Educação para a Cidadania em Portugal.

#mostracinemasemconflitos2024     |    ✉ [email protected]

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/a-mostra-cinema-sem-conflitos-2024-esta-a-chegar-as-ilhas-de-sao-miguel-terceira-faial-pico-e-sao-jorge/

Regulamentação atribuição de serviço docente a aposentados

Despacho n.º 10982-A/2024

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/regulamentacao-atribuicao-de-servico-docente-a-aposentados/

As Escolas Carenciadas

Foi hoje publicado o Despacho n.º 10971-B/2024 com a identificação dos 234 AE/ENA considerados carenciados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação,

Lembro que a alínea b) do n.º 1 do artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto define  «Escolas carenciadas», aquelas em que no próprio ano letivo e nos dois anos letivos anteriores se verificou a existência de alunos sem aulas durante, pelo menos, 60 dias consecutivos.

Contudo o n.º 3 do mesmo artigo diz:

Sem prejuízo do disposto no número anterior, o membro do Governo responsável pela área da educação, ciência e inovação pode, mediante proposta da Direção-Geral da Administração Escolar devidamente fundamentada e através de despacho, reconhecer outros grupos de recrutamento deficitários e outras escolas carenciadas.

 

Assim, nesta lista existem escolas que não se verificou a existência de alunos sem aulas durante, pelo menos, 60 dias consecutivos. Mas também não se conhecem os critérios que levaram algumas destas escolas a serem consideradas carenciadas.

Distribuição das 234 escolas carenciadas por QZP

As escolas carenciadas foram definidas em 117 Concelhos. Ver aqui a lista por Concelho.

Pelo que dá a entender procurou-se arranjar uma escola por QZP em quase todos os QZP do norte do País e no QZP09 uma escola por Concelho.

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/as-escolas-carenciadas/

Proposta para um “Nova” Carreira Docente e de Diretor/Direção

Com base no que já se conhece das intenções do Ministro da Educação, da sua equipa e baseado nas declarações de Fernando Alexandre, podemos depreender que o escalão de entrada na carreira docente vai ser alterado. O objetivo é tornar mais atrativa a profissão.

Em relação aos Diretores, a intenção é criar um Estatuto próprio e consequentemente uma tabela remuneratória. Os suplementos de Direção de AE/ENA, não são atualizados desde 2008, mas as responsabilidades e o volume de trabalho imputado às direções são atualizados a cada passo legislativo.

Com base no “dito” e da análise de outras carreiras proponho e deixo para que emitam a vossa opinião as seguintes propostas:

O Prémio de Desempenho já foi motivo de discussão e no ECD da MLR até se encontrava citado. A proposta é que seja incluído novamente e posto em prática, mas para isso é necessário ter conhecimento da nova ADD e dos seus critérios.

Para as direções o Prémio de Desempenho deve ser baseado nos resultados que vão constar no Estatuto do Diretor.

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/proposta-para-um-nova-carreira-docente-e-de-diretor-direcao/

Grupos de Recrutamentos e Escolas Carenciadas

Começa logo pela Escola da Abelheira, em Viana do Castelo…

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/grupos-de-recrutamentos-e-escolas-carenciadas/

O Que Já Sabemos Sobre o Novo Concurso Externo Extraordinário? v2

Com a publicação do Decreto-Lei n.º 57-A/2024, de 13 de setembro e com a publicação das 2.309  vagas, este concurso irá abrir no dia 18 de setembro de 2024.

E quem poderá concorrer?

1 — Podem ser opositores ao concurso previsto no n.º 1 do artigo 1.º, em 1.ª prioridade, os candidatos que, à data da abertura do concurso, possuam habilitação profissional para o grupo de recrutamento a que se candidatam e preencham os demais requisitos previstos no artigo 22.º do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado em anexo ao Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de abril, na sua redação atual (Estatuto).

2 — Podem ainda ser opositores ao concurso previsto no n.º 1 do artigo 1.º, em 2.ª prioridade, os candidatos com habilitação própria para a docência nos termos das disposições legais e regulamentares em vigor.

Para que tipo de quadro entram os docentes?

O concurso externo extraordinário destina-se ao recrutamento de candidatos que, reunindo os requisitos previstos no artigo anterior, pretendam ingressar na carreira, através do preenchimento de vagas de quadro de zona pedagógica (QZP).

Quando abre o concurso e por quanto tempo?

O concurso abre no dia 18 de setembro de 2024. A candidatura decorre num prazo mínimo de cinco dias úteis.

A candidatura efetua-se, exclusivamente, em suporte eletrónico disponibilizado pela DGAE, acessível através do respetivo sítio eletrónico e do Portal Único de Serviços (isto não sei o que é).

Que vagas vão abrir?

As vagas destinadas ao concurso são fixadas por grupo de recrutamento, através de portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças, da Administração Pública e da educação, ciência e inovação, publicadas hoje.

Entrando em QZP como se vai proceder à colocação dos professores?

Haverá um concurso de mobilidade interna que se destina aos candidatos colocados em QZP no concurso externo extraordinário regulado no presente decreto-lei, respeitando as seguintes prioridades:

a) 1.ª prioridade — docentes com habilitação profissional;

b) 2.ª prioridade — docentes com habilitação própria para a docência nos termos das disposições legais e regulamentares em vigor.

As colocações de docentes de carreira referidos no n.º 1 caducam no final do ano escolar.

Como devo concorrer na Mobilidade Interna?

1 — Para o efeito de colocação na mobilidade interna, os docentes manifestam as suas preferências de acordo com o disposto no artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 32-A/2023, de 8 de maio, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.

2 — Os docentes a que se refere o n.º 1 do artigo anterior manifestam as suas preferências para os AE/EnA da área geográfica do QZP a que se encontram vinculados e da área geográfica de, pelo menos, dois QZP limítrofes.

3 — Sem prejuízo das preferências manifestadas nos termos dos números anteriores, considera- se que, no caso de a candidatura não esgotar a totalidade dos AE/EnA do âmbito geográfico dos QZP a que o docente concorre, este manifesta igual preferência por todos os restantes AE/EnA desses QZP, fazendo-se a colocação por ordem crescente de AE/EnA.

Quando é esse concurso da Mobilidade Interna?

O procedimento de mobilidade interna é aberto pela DGAE pelo prazo de cinco dias úteis, após a publicação do aviso da lista definitiva de colocação do concurso externo.

Como são publicadas as listas de colocações na Mobilidade Interna?

As listas de colocação de mobilidade interna são publicitadas em simultâneo com as listas de colocação do procedimento de reserva de recrutamento aberto através do Aviso n.º 6468-A/2024/2, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 60, de 25 março de 2024, enquanto existirem candidatos por colocar em mobilidade interna.

Só nesta altura iremos ter conhecimento das escolas que têm carência efetiva de professores com as regras determinadas pelo MECI. 

Quando tem efeitos a vinculação em QZP?

Os docentes colocados em resultado do concurso externo regulado pelo presente decreto-lei que, à data da colocação, sejam detentores de habilitação profissional para a docência ingressam na carreira docente, nos termos do artigo 36.º do Estatuto, com efeitos à data da publicitação das listas definitivas de colocação, desde que cumpram os deveres de aceitação e de apresentação.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/o-que-ja-sabemos-sobre-o-novo-concurso-externo-extraordinario-v2/

2.309 Vagas de QZP (Tudo a Partir do QZP 40)

… menos o QZP 43.

Era expectável que as vagas de QZP a abrir para o concurso externo extraordinário fossem todas para a zona Sul do Pais (entenda-se Lisboa como Sul, claro).

Já não era expectável que todos os QZP a partir do 40 tivessem vagas de QZP, mas tendo em conta que os candidatos na Mobilidade Interna terão de concorrer também  a dois QZP adjacentes já se pode compreender melhor esta decisão.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/2-309-vagas-de-qzp-tudo-a-partir-do-qzp-40/

Contratações de Escola Após a RR3

Começa a ser maçador estar sempre a dizer a mesma coisa.

Mas ficam os dados dos horários em Contratação de Escola após a RR3.

1.º Lisboa

2.º Setúbal

3.ª Faro

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/contratacoes-de-escola-apos-a-rr3/

Portaria Vagas – Concurso Externo Extraordinário

 

Portaria n.º 211-A/2024/1, de 17 de setembro

 

Fixa as vagas dos quadros de zona pedagógica para o concurso externo extraordinário de seleção e de recrutamento do pessoal docente, a realizar no ano letivo de 2024-2025.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/portaria-vagas-concurso-externo-extraordinario/

6 alunos esfaqueados por colega em escola na Azambuja

Triste notícia que nos faz lembrar outros países… mas foi em Portugal!

“Vi alunos cheios de sangue e as crianças todas a chorar”: o cenário de “pânico” em escola da Azambuja

Seis alunos entre os 12 e 14 anos foram esfaqueados por um colega na escola básica da Azambuja.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/6-alunos-esfaqueados-por-colega-em-escola-na-azambuja/

LISTA COLORIDA – RR3

Lista Colorida atualizada com colocados e retirados na RR3.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/lista-colorida-rr3-9/

1801 Contratados colocados na RR3

Foram colocados 1801 contratados na Reserva de Recrutamento 3, distribuídos de acordo com a tabela abaixo.  Apenas 260 professores ficaram colocados em Lisboa, Alentejo e Algarve…

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/1801-contratados-colocados-na-rr3/

Petição Aberta ao público em defesa da Carreira Docente e Equidade

Estamos a entrar em contacto consigo, para solicitar a sua ajuda na divulgação de uma causa que impacta diretamente a classe docente e, consequentemente, todo o sistema educativo em Portugal e 120 mil alunos sem professor a pelo menos 1 disciplina! Exigimos JUSTIÇA e EQUIDADE!.

Estamos a mobilizar a comunidade docente e a sociedade em geral para a assinatura da petição intitulada “Participa na Petição pela Equidade no Reposicionamento Docente e Correção de Ultrapassagens na carreira docente”.

Esta petição visa corrigir as injustiças que afetam a progressão na carreira dos professores, uma consequência de políticas mal direcionadas nos últimos 20 anos. A falta de reconhecimento do tempo de serviço dos professores e as ultrapassagens injustas têm resultado numa saída constante de profissionais da educação, o que está a agravar o problema da falta de docentes em escolas por todo o país.

É urgente que consigamos reunir 7500 assinaturas, mas até ao momento, conseguimos apenas 596 até ao momento.

A sua colaboração na divulgação desta iniciativa através do seu blog seria de grande valor para chamar a atenção de mais colegas e cidadãos para esta causa tão relevante.

Aqui estão as principais ações que estamos a promover:

  1. Assinar a petição: O link direto para a petição é https://peticaopublica.com/?pi=PT122245.
  2. Aderir ao grupo Profs pela Equidade: Um grupo de professores que está a crescer e onde discutimos estratégias e formas de atuação. Atualmente, somos apenas 1400 membros de um universo de 56 000 professores. Link: https://t.me/+fLKdPKxuFsllMzhk.

A sua ajuda na divulgação deste Cartaz sobre a petição é fundamental para que possamos fazer ouvir a nossa voz e lutar pela justiça e equidade na nossa profissão.

Ficamos à disposição para qualquer esclarecimento adicional.

Agradecemos desde já pela sua atenção e pelo apoio que nos puder dar.

Com os melhores cumprimentos,

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/peticao-aberta-ao-publico-em-defesa-da-carreira-docente-e-equidade/

Reivindicações dos Técnicos Superiores com funções docentes e dos Técnicos Especializados para formação

Dado que o Sr. Ministro da Educação continua, aparentemente, a esquecer-se de nós, atualizamos as nossas reivindicações. Assim, vimos pedir, caso seja possível, a publicação do texto que anexamos no ficheiro em word e em pdf (Têm o mesmo conteúdo).
Muito obrigada!

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/reivindicacoes-dos-tecnicos-superiores-com-funcoes-docentes-e-dos-tecnicos-especializados-para-formacao/

Carta aberta ao Exmo. Senhor Ministro da Educação, Ciência e Inovação:

É longa e por isso a etiqueta Ler Mais

 

Ondas de paixão, ou pequeno ensaio de como fazer o mesmo e esperar diferente

 

Caro senhor Ministro Fernando Alexandre,

Peço desculpa pela longa missiva, que apenas remotamente tem o potencial de chegar às suas mãos/olhos, tendo em conta o corporativismo e falência que assolam as nossas instituições públicas.

Além da experiência em não obter resposta, pois não é esta a primeira missiva que lhe endereço, (nem será a última a não obter qualquer tipo de resposta), estou já habituado à gradual repetição de omissão de resposta ou identificação dos operadores/técnicos, que são contactados por correio electrónico seja para a DGES, seja para a DGAE. Além disso, posso-lhe garantir, que o afluxo de solicitações para os canais de atendimento, faz com que os ‘tickets’ criados, sejam por vezes fechados, sem qualquer satisfação para com quem os criou. Sem qualquer resposta. Creio que apenas para ‘fechar trabalho’ nos canais de suporte, a braços, creio, também com a pressão de estatísticas no trabalho que se sobrepõem ao esclarecimento cabal, mais personalizado de quem indaga naquelas paragens.

Não queria aborrecer com esta referência aos serviços, mas serve perfeitamente para introduzir o tema desta maldita massificação acompanhada por despersonalização, com que a classe docente tem sido agraciada dos dois lados da corda, seja a montante por parte da tutela, seja a jusante, por parte das direcções de escola e até dos discentes.

Para o caso de chegar de facto a seus olhos, peço que considere alguns dos pontos que tento focar a partir da minha perspectiva dos últimos 30 anos, frequentando o sistema de ensino nacional. Não por algum capricho meu, mas por causa de uma remota e hipotética sensibilização para erros, intencionais ou não, que poderão ser repetidos pelo Ministério que tutela, e não sobrevalorizando a minha opinião sobre este assunto.

Continue reading

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/carta-aberta-ao-exmo-senhor-ministro-da-educacao-ciencia-e-inovacao/

Contigente dos Aposentados Para 2024/2025 (200)

Fixa o contingente anual dos docentes aposentados ou reformados a contratar para a satisfação de necessidades temporárias de pessoal docente, nos termos do Decreto-Lei n.º 51/2024, de 28 de agosto.

 

Despacho n.º 10878-A/2024

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/contigente-dos-aposentados-para-2024-2025-200/

Reserva de recrutamento 2024/2025 n.º 03

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 3.ª Reserva de Recrutamento 2024/2025.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de terça-feira dia 17 de setembro, até às 23:59 horas de quarta-feira dia 18 de setembro de 2024 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 03

Listas – Reserva de recrutamento n.º 03

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/reserva-de-recrutamento-2024-2025-n-o-03/

Resumo da Semana das Contratações de Escola

Retomo os artigos que habitualmente costumo fazer no início do ano letivo com o resumo dos horários em concurso na contratação de escola.

Ao domingo irei apresentar durante umas semanas o resumo da semana anterior e a antevisão da semana seguinte quanto ao número de horários em concurso.

Ao longo da semana anterior apareceram 1635 horários em concurso (desconheço quantos já tiveram o professor colocado) e até à próxima quarta-feira existem 307 horários em concurso.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/resumo-da-semana-das-contratacoes-de-escola-2/

JN – Entrevista com o Ministro da Educação

Fernando Alexandre: “Vamos melhorar as condições salariais dos professores nos primeiros escalões”

 

A Escola Secundária Alves Martins, em Viseu, que está a celebrar 175 anos, foi o palco da conversa em que o ministro da Educação abordou as medidas a tomar para garantir aulas a todos os alunos e as reformas a fazer até final da legislatura.

Fernando Alexandre quer incluir no estatuto da carreira docente incentivos para quem ensina em áreas desfavorecidas e promete melhorar os salários nos primeiros escalões. Os exames do 11.º e 12.º anos vão ser feitos em papel, mas as avaliações serão totalmente digitais. Em relação ao bloqueio de estrangeiros nos cursos de Medicina, as regras mudam já no próximo ano letivo.

Escreveu esta semana uma carta aos professores dizendo que conta com eles neste ano letivo e também escreveu um artigo reconhecendo que a educação é a esperança das famílias e do país. Esta esperança não esbarra na realidade, com escolas sem professores, professores sem escola e alunos sem aulas?

Muitas famílias de facto veem frustrada a esperança que colocam na educação, e o enorme investimento e muitas vezes sacrifício que fazem para que os seus filhos possam estudar, na expectativa de que possam melhorar a sua vida. Fizemos progressos extraordinários nos últimos 50 anos de democracia, mas continuamos a ter muitas falhas numa dimensão essencial para a equidade, que é o acesso à educação de qualidade para todos, em igualdade de oportunidades, e essa não está garantida. Vemos de uma forma muito positiva a atenção que os média estão a dar a este problema, porque acreditamos que só com a mobilização da sociedade para este problema vamos conseguir resolvê-lo. Ele existe há muitos anos e não tem sido resolvido precisamente porque as dezenas de milhares de alunos que são afetados por esta falha da escola pública são alunos, são famílias que não têm voz, vêm dos contextos socioeconómicos mais desfavorecidos e esta é uma falha muito grave da escola pública.

Vamos falar sobre algumas das medidas para tentar resolver esse problema. Tem números, por exemplo, sobre professores reformados que decidiram regressar ou sobre aqueles que estão a adiar a aposentação?

Não, neste momento ainda não temos. Sabemos que há centenas de professores que pediram informação sobre as condições para poderem regressar ou continuar, no caso daqueles que estão a atingir a idade de aposentação, mas só durante o mês de outubro e agora na segunda metade de setembro é que vamos ter, depois da consolidação do preenchimento dos horários com o concurso que ainda está a decorrer. Os diretores vão ter a possibilidade, de forma autónoma, de convidarem docentes que conhecem que se aposentaram, por exemplo, no ano passado, há poucos meses, que estão ainda em boa forma física, que gostavam e gostam daquilo que fazem, que é o que acontece à maior parte dos professores. Os professores estão na profissão por paixão, porque é uma profissão que tem essa dimensão de vocação, e vão ter um instrumento e um incentivo para regressar à escola. Da mesma forma, professores que estão a atingir a idade da reforma têm um incentivo adicional para continuar, porque vão ter um acréscimo salarial de 750 euros e aqueles que não estão no topo da carreira vão ter a oportunidade de beneficiar da recuperação de tempo de serviço que estamos a fazer e que depois os poderá também beneficiar na reforma.

E espera atingir os objetivos com estas medidas?

Nós temos uma meta, no caso dos reformados, de 200 aposentados. O que nós já percebemos, e isto está identificado há muitos anos, é que o concurso centralizado, da forma que existe, não responde às necessidades do sistema educativo. Temos professores com horário zero, ou seja, são colocados e não têm alunos. Depois temos alunos que não têm professor em determinadas disciplinas e escolas. E continuamos a ter milhares de professores desempregados ou numa situação muito precária. Por isso, o que é que temos de fazer? Temos de mudar os incentivos. Não estamos a dizer que vamos acabar com o concurso centralizado.

Ou seja, o modelo de colocação não vai sofrer alterações de fundo?

Vai sofrer mudanças, aquilo que nós aprovámos em Conselho de Ministros na quinta-feira já é uma mudança muito grande, ou seja, é um concurso extraordinário, externo, para pessoas sem vínculo neste momento, que vai permitir a vinculação em determinadas escolas, não é um concurso nacional para todos.

Essa será a tendência, um processo cada vez mais localizado?

Quando temos evidência, com o concurso nacional, de que não conseguimos colocar professores em determinadas escolas, não podemos aceitar que os alunos continuem sem aulas, sem ter a escola a fornecer aquilo que as famílias esperam. E por isso temos de ter outros instrumentos, temos de ter concursos desenhados especificamente para essa realidade.

https://asset.skoiy.com/jnrcnjwljorqgsbu/tx8o3kfqwcal.jpg
Foto: Leonel de Castro

Mas convivendo com o concurso nacional?

O concurso central vai ter de continuar a existir. Porque há uma dimensão institucional e que tem a ver no fundo com a credibilidade do Estado e a confiança das pessoas. Se acabássemos com o concurso centralizado estávamos a frustrar expectativas de milhares e milhares de professores que durante anos e anos andaram a mudar de escola na expectativa de um dia se poderem aproximar da residência. Se acabássemos com o concurso centralizado, era uma injustiça enorme. O que é que temos de fazer? Temos de compatibilizar esse concurso centralizado com concursos que depois são direcionados para escolas cujas condições estão identificadas. São escolas onde temos alunos sem aulas durante 60 dias no ano em particular ou nos últimos dois anos, e vamos ter um despacho que as identifica e essas escolas vão ter dois tipos de instrumentos adicionais. Um deles é precisamente este concurso extraordinário e outro o apoio à deslocação, que também é só para essas escolas.

Como é que reage às críticas a essa seleção, criando uma discriminação em relação a outros professores deslocados?

Não há discriminação mais grave do que ter alunos que têm aulas e outros que não têm. Se eu privo alunos de ter aulas, digam-me qual é a discriminação mais grave do que esta.

E a única forma de a resolver é com incentivos financeiros?

Eu penso que posso dizer isto: os sindicatos estão recetivos, ou seja, reconhecem, obviamente, que os alunos não podem estar sem aulas e por isso nós temos de ter alguns incentivos que, aliás, já existiram na carreira. Não existem no atual estatuto, que vamos rever, mas já existiram numa versão anterior, em que para determinadas zonas desfavorecidas havia uma majoração. Temos de ver qual é a forma agora na revisão do estatuto para acautelar essa situação, mas à semelhança do que existe em muitos países, se não conseguimos colocar professores em determinadas escolas, ou seja, condenando determinadas regiões e pessoas de determinadas regiões a não conseguirem sair de uma situação socioeconómica muito frágil, estaríamos a reconhecer como país que não conseguimos cumprir a Constituição, porque a Constituição determina a igualdade de oportunidades de acesso à educação. Tenho dito isto várias vezes e disse aos sindicatos, se não conseguirmos como sociedade resolver este problema, temos de mudar a Constituição. Não me passa pela cabeça mudar a Constituição nessa dimensão!

Tem insistido na meta de 90% a menos de alunos sem aulas até ao final do primeiro período. Quantos professores é que vão ter de chegar ao sistema para que essa meta seja cumprida? E de onde é que eles vêm?

Estamos a tomar medidas novas, que nunca foram experimentadas. Começámos com 15 medidas, já somámos mais duas, e medidas com bastante impacto.

Impacto orçamental?

A dimensão orçamental obviamente é muito relevante, este Governo tem uma grande responsabilidade orçamental. O apoio à deslocação tem um custo estimado de 10 milhões de euros, não apresentamos medidas sem fazer contas. Mas esses 10 milhões de euros, se conseguíssemos resolver o problema dessa forma, era baratíssimo, porque o custo de ter milhares e milhares de alunos sem aulas é enorme. São pessoas que vão ficar com o percurso escolar interrompido, vão ficar muito aquém do seu potencial e o país vai ficar muito aquém do seu potencial.

Estava previsto um concurso para 140 técnicos superiores apoiarem as turmas sem professores. Já foi lançado?

Vamos lançar. A segunda reserva de recrutamento ficou fechada na segunda-feira. Vamos consolidar os dados, publicar o despacho com as escolas e são essas que vão ter direito ao técnico superior para apoiar os diretores de turma, que têm uma carga burocrática grande. São medidas destas adicionais, incrementais, que vamos ter de tomar até acabarmos definitivamente com esta situação que é inaceitável em 2024.

Há pouco já indicou um ponto a rever no estatuto, cujas negociações estão apontadas para outubro. Quais são as prioridades do Ministério para essa revisão?

O estatuto da carreira docente é uma manta de retalhos. No processo da recuperação do tempo de serviço, fica evidente porque é que não se pensou sequer em mexer na carreira. Porque quando fizemos o que fizemos, garantir a recuperação total do tempo de serviço, eliminando o travão que existia no acesso ao 5.º e ao 7.º escalão, aquilo que observamos é que a maior parte dos professores se vão encostar aos escalões mais elevados, ou seja, vão ter a progressão que quando entraram na carreira esperavam ter. Vão-se cumprir as expectativas, tardiamente, que os professores alimentaram quando decidiram ser professores. Para não ter esse custo orçamental que vamos ter com a recuperação do tempo de serviço, estava-se a destruir uma carreira.

É sobretudo de valorização salarial que estamos a falar na revisão do estatuto?

Essa parte, em grande medida, ficou resolvida. Onde é que temos de atuar? Em primeiro lugar, temos de tornar a carreira previsível. Quando alguém decide ser professor, tem de perceber a progressão que vai fazer e as condições.

https://asset.skoiy.com/jnrcnjwljorqgsbu/6qcuytzm73ae.jpg
“Não podemos aceitar que os alunos continuem sem aulas”
Foto: Leonel de Castro

Mas a progressão será igual para todos? Sem quotas ou valorização dos que mais investem na qualificação?

As condições não têm de ser iguais para todos. O que o professor tem de saber é que condições tem de cumprir para conseguir fazer um determinado percurso. Eu não estou a dizer que vai ser igual para todos, também não estou a dizer que vai ser diferente, vamos ter de negociar. Tem de haver algum incentivo a que os professores melhorem, que façam formação. Mas temos, sobretudo, isso é evidente nas análises internacionais, de tornar a carreira muito mais atrativa à entrada. O valor à entrada para quem entra na carreira é muito baixo. Isso é algo que eu vos posso dizer aqui: vamos ter de melhorar as condições salariais dos professores nos primeiros escalões.

Os estágios vão manter-se remunerados? Prevê alguma alteração?

Vamos alterar e temos já uma proposta para discutir ainda este mês com os sindicatos, para alterar as regras de formação de professores e, a partir dos estágios, como é que eles se integram na carreira. O governo anterior fez duas revisões quase seguidas desse decreto-lei num espaço de meses, mas não conseguiu ainda assim ter a aceitação de nenhuma instituição de Ensino Superior, o que não é possível, ou seja, temos de fazer essa definição das condições de formação de professores com as instituições de Ensino Superior, porque são elas que vão definir a oferta. Se temos um enquadramento legal que não é aceite pelas instituições, não vai funcionar, que era o que estava a acontecer, basicamente todas eram contra. Temos já uma versão de decreto-lei para negociar e vamos mudar as condições. Não vos vou dizer aqui, porque vamos informar primeiro as instituições e os sindicatos.

Este ano foram preenchidas na primeira fase todas as vagas para cursos de educação básica. Há margem para aumentar vagas?

Sim, já no próximo ano letivo. Vamos acabar com o numerus clausus na região de Lisboa, ajustando a oferta à procura.

Para quando será a fusão dos dois primeiros ciclos do Ensino Básico?

Isso implica alterar a Lei de Bases e por isso não está nas nossas prioridades para o próximo ano.

Mas está no programa do Governo para esta legislatura.

Que vai até 2028.

Portanto, segunda metade da legislatura.

Sim, será na segunda metade. Temos um conjunto de reformas que já estamos a fazer.

O que vai propor mudar na Lei de Bases?

Há muitas dimensões a mudar na Lei de Bases, que envolve até o Ensino Superior. É um trabalho que ainda não está feito, ainda não começámos.

Este ano vamos ter exames em ambiente digital? E qual a visão mais vasta que tem sobre o digital e o papel na escola?

Temos um compromisso total com o digital. É impensável pensar a educação sem o digital, sem inteligência artificial, sem usar essas ferramentas. Se tivermos um sistema educativo onde essas ferramentas não fazem parte da aquisição de competências, os estudantes vão ficar para trás em relação aos outros países. Mas não podemos ter um comprometimento com o digital sem pensarmos em cada momento do ciclo de aprendizagem quando é que ele funciona bem e quando é que não funciona. Por exemplo, anunciámos no último Conselho de Ministros as recomendações do Governo em relação aos telemóveis, que é uma dimensão digital muito importante. O telemóvel pode ser um recurso para ensino-aprendizagem e é usado, em particular nas universidades. Mas sabemos que nos primeiros ciclos, em particular no primeiro e no segundo, a evidência que existe – e nós vamos estudar quais é que são os efeitos em Portugal na nossa população -, mas os estudos internacionais mostram que no primeiro e no segundo ciclo as consequências, quer para a aprendizagem quer para o bem-estar dos alunos, podem ser muito negativas.

Incluindo na avaliação.

De tal forma que na avaliação externa que propusemos, em que alterámos as provas de aferição para as provas ModA, que são provas de monitorização das aprendizagens, no quarto ano e no sexto a avaliação vai ser digital. O digital, por exemplo na avaliação, tem enormes vantagens, em particular para o tipo de exame que definimos, que vai permitir a comparabilidade e verificar a evolução das aprendizagens. Para que os alunos possam fazer essas provas digitais, têm de ter condições não apenas de equipamentos e de conectividade, mas também na prática dentro da sala de aula. Aliás, nós vamos ter um exame-ensaio prévio à prova ModA, em janeiro, se não me engano, e por isso temos de dar competências digitais mesmo no 1.ºº e no 2.ºº ciclo. E os exames do 9.º ano vão ser digitais, este ano. É um enorme desafio, porque tem a ver com a relação com as autarquias, com o processo de descentralização, mas vamos ter de o conseguir fazer em equidade, que era algo que não estava garantido no ano letivo passado.

Porque as escolas não tinham condições?

As escolas tinham condições muito desiguais e os alunos tinham tido condições muito desiguais na preparação para esses exames. Uma parte muito significativa da população portuguesa tem acesso à conectividade, a computadores pessoais, tablets, smartphones, mas há outra que não tem. E quando definimos uma prova que conta para a avaliação, que é o que acontece no 9.º ano, não podemos gerar iniquidade a partir das condições socioeconómicas dos alunos. Também decidimos que os exames do 11.º e do 12.º ano vão ser feitos em papel, não em formato digital como estava previsto pelo governo anterior.

Aí a desigualdade ia ser mais visível?

Mais visível num momento que é absolutamente decisivo para a vida das pessoas. Ter mais umas décimas num exame nacional sabemos que pode mudar a vida. Mas na correção dos exames, na avaliação, vamos dar um enorme peso ao digital. E vamos tornar a correção muito mais rigorosa e poder avaliá-la, que é algo que neste momento não é feito.

Mas estarão todos numa base única?

Os exames vão ser todos digitalizados e os professores avaliadores só vão corrigir uma parte do exame, uma pergunta, não vão corrigir o exame todo. E por isso nenhum professor sozinho vai determinar a nota do aluno. Vamos poder identificar o viés que os professores têm na avaliação, porque vamos ter vários professores a avaliar a mesma prova, o que vai permitir uma avaliação com mais qualidade. Isso ajuda o próprio avaliador a melhorar o seu trabalho. Em todos os ciclos, temos um conjunto de projetos PRR de centenas de milhões de euros no Ministério, que vem de trás, que vai reforçar imenso os recursos digitais para a educação.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/jn-entrevista-com-o-ministro-da-educacao/

O que poderá correr mal?

 

O Ministro Fernando Alexandre encontra-se em funções há pouco mais de cinco meses e parece ter começado bem o seu mandato, apesar de algumas expectativas iniciais que o davam como um “perigoso neoliberal” ou como acérrimo defensor das políticas económicas ultraliberais…

Durante esse tempo que, de modo objectivo, ainda é pouco, tem, mesmo assim, demonstrado um esforço notório no sentido de apaziguar aqueles que tutela, dando sinais de estar empenhado em alterar a representação negativa que a maioria dos profissionais de Educação detém acerca do Ministério da Educação, certamente construída e interiorizada pela sua experiência ao longo dos últimos anos…

Até agora, o actual Ministro da Educação tem manifestado respeito pelos profissionais de Educação, vontade de valorizar o trabalho docente e, sobretudo, tem evidenciado honestidade intelectual, qualidade imprescindível ao saudável funcionamento das relações institucionais, que se quer assente na boa-fé e na confiança recíproca…

Honestidade intelectual que é, sem grande dúvida, a “mãe” de todas as virtudes, particularmente vital quando se pretenda a criação de um ambiente favorável ao diálogo franco e à negociação séria entre o Ministério da Educação e os profissionais por si tutelados…

Em jeito de balanço, em pouco mais de cinco meses, Fernando Alexandre conseguiu, entre outros, devolver (faseadamente) o tempo de serviço dos Professores, abolir o insano Projecto MAIA e atribuir aos docentes deslocados um subsídio, medidas essas há muito tempo ambicionadas…

Em jeito de balanço, em pouco mais de cinco meses, Fernando Alexandre tem mostrado uma acção governativa norteada pela honestidade intelectual, pela transparência e por uma perspectiva humanista da Educação…

A forma como tem vindo a atender certas reivindicações docentes, compreendendo e aceitando as respectivas justificações, é disso uma prova…

Objectivamente, pelas medidas que já foram tomadas, poder-se-á afirmar, sem grandes reservas, que o Ministro Fernando Alexandre conseguiu, em pouco mais de cinco meses, realizar mais e melhor do que os dois últimos Governos de António Costa, em oito anos…

Bastará recordar que António Costa/Tiago Brandão Rodrigues/João Costa sempre consideraram a satisfação das principais reivindicações docentes como algo impensável e inconcretizável, chegando mesmo, em 2019, a realizar uma inadmissível chantagem, ameaçando com a demissão do Governo, se a Assembleia da República aprovasse o Diploma que previa a recuperação integral do tempo de serviço dos Professores… Este é, de resto, o exemplo mais paradigmático dessa obstinação em lesar a Classe Docente…

Haverá, ainda, muito a fazer e a melhorar, mas, neste momento, a avaliação do exercício de funções do actual Ministro não poderá deixar de ser positiva, a não ser que, por razões meramente ideológicas ou partidárias, muitas vezes dogmáticas, se opte por enjeitar o reconhecimento de determinados méritos…

A respeito do reconhecimento do trabalho positivo do Ministro, também se percebe que uma parte significativa dos Professores tende a evidenciar uma certa dificuldade em admitir essa avaliação…

Por vezes, chega mesmo a parecer que se sente uma certa perplexidade e estranheza quando se é bem tratado, provavelmente, porque se estará habituado a ser recorrentemente desrespeitado e agredido, das mais variadas formas…

Por outras palavras, muitos Professores parecem ter-se habituado a ser maltratados por sucessivos Governos, acabando por interiorizar essa forma de tratamento como “a normal” e única expectável ou possível…

Mas essa forma de tratamento nunca poderá ser vista como aceitável ou como a “maneira normal” de tratar quem quer que seja…

Em resumo, o Ministro Fernando Alexandre conseguiu, até agora, escutar e olhar de frente aqueles que tutela, incutir a esperança de que é possível mudar a Escola Pública para melhor, ao mesmo tempo que se tem abstido de proferir discursos irrealistas, destinados a iludir e a ludibriar…

A diferença de atitude entre o actual Ministro da Educação e o anterior, João Costa, é deveras avassaladora…

Feito o justo reconhecimento ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Ministro Fernando Alexandre, assomam, contudo, algumas incertezas, quanto ao futuro mais próximo:

– Com a publicação recente do documento “Aprender Mais Agora”/”Recuperar e Melhorar a Aprendizagem” ficaram a conhecer-se as linhas gerais de intervenção, previstas pela Tutela para a Escola Pública…

No último Ponto desse documento, denominado “Processos a iniciar em setembro”, referem-se, entre outros, estes dois aspectos que se destacam, por parecerem absolutamente fulcrais para a prevalência da paz nas escolas ou, pelo contrário, para o retorno da crispação face à Tutela:

– “Novo regime de autonomia e organização dos AE, incluindo o Estatuto dos diretores”;

– “Revisão do Estatuto da Carreira Docente”…

Tudo leva a crer que a verdadeira “prova de fogo” deste Ministério passará, indubitavelmente, pela forma como se processará e como se concluirá a implementação dos dois desígnios anteriores…

Se essa implementação correr bem, então a actual equipa que tutela o Ministério da Educação conseguirá, com forte probabilidade, alcançar um feito verdadeiramente inédito e histórico: contribuir de forma preponderante para a criação de condições que permitam trabalhar com efectiva serenidade nas Escolas Públicas, ao invés de se apresentar como o principal obstáculo à observação desse bom ambiente…

Se correr mal, esperar-se-ão certamente novos protestos e muita contestação, que naturalmente acabarão por fazer esquecer tudo o que de bom possa ter sido realizado pela Tutela até esse momento…

E para correr bem, não poderão deixar de ser observados os seguintes critérios:

– Possibilitar a existência de uma Escola democrática, há muito tempo desejada;

– Possibilitar a existência de uma Carreira Docente justa, linear, transparente, sem subterfúgios e sem remendos…

A principal responsabilidade para que corra bem competirá naturalmente ao Ministro da Educação e ao 1º Ministro, dos quais se espera a continuidade do bom senso e da valorização da Escola Pública, até agora demonstrados…

Para que corra bem também se espera que o Concurso Nacional de Professores continue centralizado; que não se ceda à tentação de generalizar, sem critério, a “municipalização” de serviços educativos; e que Avaliação de Desempenho Docente seja, finalmente, expurgada dos seus aspectos mais escusos…

Espera-se, convictamente, que o mês de Outubro não se venha a revelar como um mês de grandes desilusões ou decepções…

Até porque os profissionais de Educação estão realmente cansados de lutar pela sobrevivência diária e é impossível que a resiliência não se acabe…

É preciso viver, em vez de sobreviver…

Mas para isso os profissionais de Educação não podem continuar a ser vítimas da obstinação, da censura, da incompetência, do desrespeito ou de tentativas de humilhação, com certeza sentidos por muitos no passado mais recente…

Depois de alguns elogios à acção, até agora conhecida, do Ministro Fernando Alexandre, que objectivamente se justificam, fica também uma nota de cariz mais informal, mas simultaneamente respeitosa, certamente subscrita por muitos profissionais de Educação:

– Senhor Ministro, “we are watching you!”…

(Por uma questão de facilidade de escrita, a actual designação “Ministério da Educação, Ciência e Inovação” foi substituída pela abreviatura Ministério da Educação).

Paula Dias

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/o-que-podera-correr-mal-2/

O que poderá correr mal?

O Ministro Fernando Alexandre encontra-se em funções há pouco mais de cinco meses e parece ter começado bem o seu mandato, apesar de algumas expectativas iniciais que o davam como um “perigoso neoliberal” ou como acérrimo defensor das políticas económicas ultraliberais…

Durante esse tempo que, de modo objectivo, ainda é pouco, tem, mesmo assim, demonstrado um esforço notório no sentido de apaziguar aqueles que tutela, dando sinais de estar empenhado em alterar a representação negativa que a maioria dos profissionais de Educação detém acerca do Ministério da Educação, certamente construída e interiorizada pela sua experiência ao longo dos últimos anos…

Até agora, o actual Ministro da Educação tem manifestado respeito pelos profissionais de Educação, vontade de valorizar o trabalho docente e, sobretudo, tem evidenciado honestidade intelectual, qualidade imprescindível ao saudável funcionamento das relações institucionais, que se quer assente na boa-fé e na confiança recíproca…

Honestidade intelectual que é, sem grande dúvida, a “mãe” de todas as virtudes, particularmente vital quando se pretenda a criação de um ambiente favorável ao diálogo franco e à negociação séria entre o Ministério da Educação e os profissionais por si tutelados…

Em jeito de balanço, em pouco mais de cinco meses, Fernando Alexandre conseguiu, entre outros, devolver (faseadamente) o tempo de serviço dos Professores, abolir o insano Projecto MAIA e atribuir aos docentes deslocados um subsídio, medidas essas há muito tempo ambicionadas…

Em jeito de balanço, em pouco mais de cinco meses, Fernando Alexandre tem mostrado uma acção governativa norteada pela honestidade intelectual, pela transparência e por uma perspectiva humanista da Educação…

A forma como tem vindo a atender certas reivindicações docentes, compreendendo e aceitando as respectivas justificações, é disso uma prova…

Objectivamente, pelas medidas que já foram tomadas, poder-se-á afirmar, sem grandes reservas, que o Ministro Fernando Alexandre conseguiu, em pouco mais de cinco meses, realizar mais e melhor do que os dois últimos Governos de António Costa, em oito anos…

Bastará recordar que António Costa/Tiago Brandão Rodrigues/João Costa sempre consideraram a satisfação das principais reivindicações docentes como algo impensável e inconcretizável, chegando mesmo, em 2019, a realizar uma inadmissível chantagem, ameaçando com a demissão do Governo, se a Assembleia da República aprovasse o Diploma que previa a recuperação integral do tempo de serviço dos Professores… Este é, de resto, o exemplo mais paradigmático dessa obstinação em lesar a Classe Docente…

Haverá, ainda, muito a fazer e a melhorar, mas, neste momento, a avaliação do exercício de funções do actual Ministro não poderá deixar de ser positiva, a não ser que, por razões meramente ideológicas ou partidárias, muitas vezes dogmáticas, se opte por enjeitar o reconhecimento de determinados méritos…

A respeito do reconhecimento do trabalho positivo do Ministro, também se percebe que uma parte significativa dos Professores tende a evidenciar uma certa dificuldade em admitir essa avaliação…

Por vezes, chega mesmo a parecer que se sente uma certa perplexidade e estranheza quando se é bem tratado, provavelmente, porque se estará habituado a ser recorrentemente desrespeitado e agredido, das mais variadas formas…

Por outras palavras, muitos Professores parecem ter-se habituado a ser maltratados por sucessivos Governos, acabando por interiorizar essa forma de tratamento como “a normal” e única expectável ou possível…

Mas essa forma de tratamento nunca poderá ser vista como aceitável ou como a “maneira normal” de tratar quem quer que seja…

Em resumo, o Ministro Fernando Alexandre conseguiu, até agora, escutar e olhar de frente aqueles que tutela, incutir a esperança de que é possível mudar a Escola Pública para melhor, ao mesmo tempo que se tem abstido de proferir discursos irrealistas, destinados a iludir e a ludibriar…

A diferença de atitude entre o actual Ministro da Educação e o anterior, João Costa, é deveras avassaladora…

Feito o justo reconhecimento ao trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Ministro Fernando Alexandre, assomam, contudo, algumas incertezas, quanto ao futuro mais próximo:

– Com a publicação recente do documento “Aprender Mais Agora”/”Recuperar e Melhorar a Aprendizagem” ficaram a conhecer-se as linhas gerais de intervenção, previstas pela Tutela para a Escola Pública…

No último Ponto desse documento, denominado “Processos a iniciar em setembro”, referem-se, entre outros, estes dois aspectos que se destacam, por parecerem absolutamente fulcrais para a prevalência da paz nas escolas ou, pelo contrário, para o retorno da crispação face à Tutela:

– “Novo regime de autonomia e organização dos AE, incluindo o Estatuto dos diretores”;

– “Revisão do Estatuto da Carreira Docente”…

Tudo leva a crer que a verdadeira “prova de fogo” deste Ministério passará, indubitavelmente, pela forma como se processará e como se concluirá a implementação dos dois desígnios anteriores…

Se essa implementação correr bem, então a actual equipa que tutela o Ministério da Educação conseguirá, com forte probabilidade, alcançar um feito verdadeiramente inédito e histórico: contribuir de forma preponderante para a criação de condições que permitam trabalhar com efectiva serenidade nas Escolas Públicas, ao invés de se apresentar como o principal obstáculo à observação desse bom ambiente…

Se correr mal, esperar-se-ão certamente novos protestos e muita contestação, que naturalmente acabarão por fazer esquecer tudo o que de bom possa ter sido realizado pela Tutela até esse momento…

E para correr bem, não poderão deixar de ser observados os seguintes critérios:

– Possibilitar a existência de uma Escola democrática, há muito tempo desejada;

– Possibilitar a existência de uma Carreira Docente justa, linear, transparente, sem subterfúgios e sem remendos…

A principal responsabilidade para que corra bem competirá naturalmente ao Ministro da Educação e ao 1º Ministro, dos quais se espera a continuidade do bom senso e da valorização da Escola Pública, até agora demonstrados…

Para que corra bem também se espera que o Concurso Nacional de Professores continue centralizado; que não se ceda à tentação de generalizar, sem critério, a “municipalização” de serviços educativos; e que Avaliação de Desempenho Docente seja, finalmente, expurgada dos seus aspectos mais escusos…

Espera-se, convictamente, que o mês de Outubro não se venha a revelar como um mês de grandes desilusões ou decepções…

Até porque os profissionais de Educação estão realmente cansados de lutar pela sobrevivência diária e é impossível que a resiliência não se acabe…

É preciso viver, em vez de sobreviver…

Mas para isso os profissionais de Educação não podem continuar a ser vítimas da obstinação, da censura, da incompetência, do desrespeito ou de tentativas de humilhação, com certeza sentidos por muitos no passado mais recente…

Depois de alguns elogios à acção, até agora conhecida, do Ministro Fernando Alexandre, que objectivamente se justificam, fica também uma nota de cariz mais informal, mas simultaneamente respeitosa, certamente subscrita por muitos profissionais de Educação:

– Senhor Ministro, “we are watching you!”…

(Por uma questão de facilidade de escrita, a actual designação “Ministério da Educação, Ciência e Inovação” foi substituída pela abreviatura Ministério da Educação).

Paula Dias

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2024/09/o-que-podera-correr-mal/

Load more