
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/professores-do-1-ciclo-vao-poder-usufruir-de-formacao-em-didatica-da-leitura-e-escrita/
Dez 03 2025
É de informar que isto já está em andamento nas escolas.
Fernando Alexandre garante que até final de 2026 haverá 50 mil alunos de 1.º ciclo que terão biblioteca nas escolas, num investimento de mais de 3 milhões de euros
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/ministro-da-educacao-anuncia-mais-434-bibliotecas-escolares/
Dez 03 2025
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/a-paixao-pelas-bibliotecas/
Dez 03 2025
Aplicação eletrónica disponível entre o dia 3 de dezembro e as 23:59 horas do dia 5 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental) para efetuar o Aperfeiçoamento da candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.
FAQ – Aperfeiçoamento da Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026
SIGRHE – Aperfeiçoamento da Candidatura ao Concurso Externo Extraordinário 2025/2026
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/concurso-externo-extraordinario-2025-2026-aperfeicoamento-da-candidatura/
Dez 03 2025
Por: Lina Fernandes ( Professora de Educação Especial do Agrupamento de Escolas do Paião – Figueira da Foz)
Iniciemos este trabalho, não com uma celebração, mas com uma sensibilização, assumindo a data que nos convoca: o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Usamos este termo, muitas vezes camuflado e suavizado por eufemismos, porque a verdadeira mudança e a construção de uma escola inclusiva genuína não se fazem evitando os conceitos, mas confrontando a realidade que eles espelham. É essa realidade complexa e, por vezes, brutalmente caótica que nos remete para o famoso quadro de Pablo Picasso, Guernica .
A tela, com as suas figuras retorcidas, bocas abertas num grito mudo e a sensação de desmembramento, simboliza o estado de angústia e asfixia de muitos alunos e, também de inúmeros professores, perante o novo e nobre paradigma da escola inclusiva. O ideal é luminoso, mas a prática é sombria: queremos e tentamos corresponder às necessidades daqueles que nos são “entregues”, corresponder à imensa diversidade dos alunos, incluindo aqueles com necessidades que o termo “deficiência” tão inequivocamente define, mas mesmo conseguindo recarregar diariamente a bateria da empatia, sentimo-nos esmagados pela falta de apoios e sufocados numa espiral de burocracia que nos impede de ser quem devíamos ser.
A escola, transformada num espaço aberto à “total diversidade”, como defende o jurista Laborinho Lúcio (2018), exige do docente uma postura de permanente reinvenção. O desafio não reside na vontade de incluir – que é inegável – mas nas condições sistémicas para o fazer. Como Laborinho Lúcio alerta: “Aos professores pode pedir-se muito. E pede-se. Mas não pode pedir-se tudo” (2021). O nosso grito de Guernica nasce da exaustão em tentar dar tudo sem ter as ferramentas necessárias. A realidade dos professores, perante este novo paradigma, não é linear. O foco na diferença e na individualidade pressupõe tempo, recursos e autonomia, elementos que escasseiam. A burocracia excessiva faz-nos sentir como as figuras fragmentadas da tela, desprovidas de foco e de força para a ação transformadora.
É neste contexto de complexidade que o professor é urgentemente chamado a adotar uma postura dinâmica e a integrar as mais variadas metodologias ativas. Não podemos continuar a ser meros transmissores de conteúdos; a inclusão exige que sejamos orientadores e facilitadores da aprendizagem.
As metodologias ativas – como o trabalho por projetos, a aprendizagem cooperativa ou a diferenciação pedagógica – são as chaves para responder à diversidade. Contudo, esta mudança de paradigma choca de frente com as restrições impostas e com a dura realidade vivida pela nossa sociedade em geral e pelos nossos alunos em particular.
António Sampaio da Nóvoa alerta precisamente para o perigo do professor ver o seu “espaço vital de ação” diminuído, correndo o risco de se tornar no “professor micro-ondas, ‘aquecendo’ e ‘servindo’ a pedagogia e os conteúdos preparados por outros” (2025). O paradoxo é cruel: somos impelidos a ser dinâmicos e facilitadores, mas o sistema confina-nos a um papel de executantes burocráticos. A energia que deveria ser canalizada para a diferenciação e para o desenho de caminhos ativos para o aluno com deficiência (e para todos os outros) é gasta a preencher relatórios e a lutar por recursos básicos.
O ideal da inclusão, segundo Luís de Miranda Correia, exige que a escola seja um guia para educadores e professores, munindo-os de estratégias para que o aluno se sinta verdadeiramente incluído (2016). Mas como implementar estratégias eficazes de diferenciação sem tempo para planear, refletir e cooperar? Conclusão: Da Denúncia de Guernica à Construção da Paz O quadro Guernica é uma denúncia. O nosso ensaio é uma denúncia. Não podemos construir uma escola inclusiva fingindo que o desafio da deficiência e da diversidade se resolve com a suavização da linguagem ou com normativos sem sustentação real. A verdadeira escola inclusiva passará por reconhecer e valorizar a postura dinâmica do professor enquanto orientador. Passará por investir na formação e na redução da burocracia que nos retorce o espírito. O fim da angústia do professor – o fim do nosso Guernica – só será possível quando o sistema sair da inércia, protegendo o tempo e a autonomia dos docentes para que possam, de facto, ser os arquitetos da inclusão que os nossos alunos merecem.
É tempo de dar forma à paz e à esperança que, mesmo no caos da tela, se insinua. É tempo de transformar a denúncia da dor (o Guernica) na ação concertada que tornará o princípio inclusivo numa realidade escolar sustentável
Lúcio, J. H. L. (2018). O Lugar do Não-Saber: Ensaios sobre a Escola, a Família e a Cidadania. Edições Afrontamento.
Lúcio, J. H. L. (2021). A Escola e a Construção da Confiança. Edições Afrontamento.
Nóvoa, A. S. (2025). Professores: Imagens do Futuro Presente. Edições Educa.
Correia, L. de M. (2016). Inclusão e Necessidades Educativas Específicas: Um Guia para Educadores. Porto Editora.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/o-guernica-do-professor-e-a-urgencia-da-acao/
Dez 02 2025
Medida foi anunciada pelo Governo em junho de 2024, como parte do plano “+ Aulas + Sucesso”, mas não saiu do papel. Representante dos diretores escolares alerta para o “cansaço extremo” dos docentes.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/promessas-que-ficaram-na-gaveta/
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/informacoes-prova-2025-2026/
Dez 02 2025
Por Paulo Prudêncio
“A indisciplina reina nas salas de aula e coloca Portugal no primeiro lugar do tempo perdido para começar uma aula. Os seus professores são, na Europa, os mais desgastados e os que mais preenchem burocracia inútil. São vítimas de uma organização de trabalho que os adoece, mas são os melhores a adaptar as aulas às necessidades dos alunos.” Estas conclusões têm cerca de uma década.
Ora, a mesma OCDE conclui em 2025 (“reportado por 62,1% dos professores, sendo muito mais alto, 73,6%, entre quem tem 5 ou menos anos de experiência”): “barulho e interrupções: Portugal é dos países onde os professores mais se queixam da indisciplina. A sua maior fonte de stress é o trabalho administrativo. Em nenhum país a taxa é tão alta.”
E o que mais impressiona nestes 10 anos de intervalo, é o silêncio do MECI e o desprezo do mundo político. Quando muito, a direita, que inclui a extremada, finge que acompanha os protestos dos professores quando a esquerda governa e vice-versa. Logo que se passa para governo ou para suporte parlamentar, assume-se a condição de amnésico. Além disso, um manto de mutismo caracteriza as campanhas eleitorais.
Aliás, ser professor tornou-se, há muito, uma gestão do desgaste, da mágoa, da revolta contida e da possibilidade da baixa médica. Acima de tudo, uma sociedade adoeceu quando mais de metade dos professores relata “agressões físicas ou verbais por parte dos alunos”. Apesar de, e como já escrevi, ser injusto generalizar até pela dificuldade dos estudos empíricos: “cada aluno não é um potencial agressor, nem cada professor um provável agredido.”
E o pior é o vigente cruzar de braços. Mas há soluções e sumarie-se duas ou três.
Mude-se radicalmente (e este radical é no mais sensato registo) o trágico, e populista, “estatuto” que fez do encarregado de educação um “cliente que tem sempre razão” na escola, com a habitual alegação indisciplinadora que os miúdos, as crianças-rei, percebem desde cedo: – Se a professora não se portou bem, diz que eu vou à escola.
Este clima é uma das consequências da burocracia, da autocracia desastrosa nos mega-agrupamentos, da avaliação dos professores e do que converteu em “castigo” as horas de redução por idade e tempo de serviço dos seus horários – é até degradante quando a “pena” cai nas mãos de pequenos tiranetes.
Na verdade, recorde-se que a maioria dos professores viu a idade da reforma passar dos 52 (pré-escolar e primeiro ciclo) ou 57 anos de idade (restantes ciclos), para os recentes 66 anos e 11 meses. E como nunca se criaram equipas educativas para leccionar o primeiro ciclo – o professor da turma finge que lecciona todo o currículo e não tem redução de horário com a idade -, infernizou-se os horários dos restantes ciclos – nivelando por baixo e estimulando a divisão da classe – com inutilidades destinadas aos excessos e aos dogmas na avaliação dos alunos, na interdisciplinaridade e nas articulações horizontal e vertical. Como tudo isto se tornou monstruoso sem sistemas de informação modernos e com avaliações externas inspiradas em meados do século XX, a redução transformou-se num “castigo” e num dos principais contributos para o desgaste que dificulta a liderança em ambientes de indisciplina e para a “fuga” ao exercício.
E, claro: se temos anos a fio de ciberbullying e dos algoritmos do ódio (as crianças crescem, desinformam-se e indisciplinam-se num país deslaçado, agressivo e violento), também temos uma maioria política desinteressada em limitar o acesso a redes sociais com o argumento surreal da censura às crianças e jovens. Aliás, veja-se a indiferença da sociedade com a crescente doença silenciosa dos quadros de mérito académico ou de valor até em crianças do primeiro ciclo e pré-adolescentes (no desporto, já se fazem Campeonatos do Mundo para miúdos de 10 a 12 anos de idade). Para além da tensão relacional entre os miúdos após as primeiras publicações e da violação dos direitos fundamentais, a OMS já inclui o bournout precoce na prevenção da saúde pública (e, no mínimo, reflicta-se com Roy Baumeister ou Michael Sandel). E apesar desta pandemia ainda se sustentar na ditadura portuguesa, a obra fundamental “Nenhuma medalha vale a saúde de uma criança”, de Jacques Personne, descreve a tragédia na União Soviética e na RDA. Os quadros e medalhas, equiparados à exploração do trabalho infantil, destinavam-se à arrepiante promoção de dirigentes, médicos, treinadores, professores e políticos, e, tantas vezes, à “sobrevivência” dos progenitores (e também ao ego).
De facto, e em síntese, a prevalecente imaturidade pedagógica, que estimula a indisciplina nas salas de aula, espelha-se em gritantes irresponsabilidades da seguinte família: publicitar informação crítica, e detalhada, sobre as formas de ciberbullying no mesmo espaço escolar onde se divulga quadros de mérito.
Nota: por falar em silêncio e mutismo, registe-se o apagão mediático quase generalizado da seguinte notícia do Público de 24 de Novembro de 2025: “Tolentino de Mendonça partilha Prémio Eduardo Lourenço com a “classe dos professores em crise”. O cardeal e poeta falou da “precariedade nas condições de trabalho”, da “complexidade sempre maior dos requisitos burocráticos” e de “uma espécie de solidão social” que afectam tantos professores. Diz-se hoje que são uma classe em crise e que perdeu o prestígio social que lhe estava associada. São preocupantes, em muitas partes do mundo, os indicadores do desgaste, desmotivação e burnout entre os professores.(…)”Numa época de acelerada transformação, como a que vivemos, onde se inauguram tantas possibilidades, mas também tantas incógnitas, como o impacto da inteligência artificial, a omnipresença da tecnologia, a crescente incerteza e vulnerabilidade entre os jovens, precisamos de potenciar o papel dos professores como indispensáveis mediadores culturais e humanos.(…)O professor “não é uma profissão do passado, é uma missão indispensável ao futuro”, porque é necessária a existência de “mestres e educadores, não só para encontrar respostas, mas para formular perguntas”.”
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/portugal-e-dos-paises-onde-os-professores-mais-se-queixam-da-indisciplina-concluiu-a-ocde-ha-uma-decada-e-repetiu-o-este-ano-em-que-a-idade-da-reforma-volta-a-aumentar/
Dez 01 2025
As educadoras de infância deste país avançam para os 66 anos a trabalhar como quem sobe uma colina íngreme carregando às costas vinte e cinco pequenas forças da natureza entre os três e os cinco anos. A cada manhã entram na sala como heroínas silenciosas, mas o corpo já não acompanha a coragem e a cabeça já não caminha à velocidade de um tablet de última geração. Espera-se delas um vigor atlético que nem atletas profissionais mantêm aos cinquenta, quanto mais na casa dos sessenta, e ainda se exige que sorriam com graça enquanto equilibram choros, birras, recortes, plasticinas, reuniões, relatórios, legislação mutante e plataformas digitais que mudam mais depressa do que os cabelos ficam brancos. Diz-se que envelhecer é um privilégio, mas tentar acompanhar vinte e cinco mini-furacões quando o corpo protesta em todas as articulações ultrapassa o privilégio e entra diretamente na categoria de teste de resistência absurda.
É curioso como o sistema educativo finge não ver o óbvio: a partir de certa idade, por mais boa vontade que haja, a reciclagem tecnológica torna-se uma gincana digna de reality show. As novas metodologias chegam embrulhadas em jargões pedagógicos que parecem ter sido escritos por um algoritmo histérico, e muitos esperam que estas profissionais as dominem com a naturalidade com que uma criança domina um ecrã táctil. Mas a verdade é que há um limite biológico, emocional e cognitivo que não desaparece com formações obrigatórias ou com manuais de inovação. Fingir o contrário é apenas uma maneira elegante de não admitir que estamos a pedir o impossível.
Permitir que estas educadoras se reformem mais cedo não seria um luxo nem um capricho, mas um ato elementar de lucidez. Ganharíamos todos: elas recuperariam o direito a envelhecer com dignidade, o sistema deixaria de se apoiar na exaustão disfarçada de vocação e as crianças teriam quem as acompanhasse com energia genuína em vez de esforço hercúleo. Mas continuamos a tratar o desgaste como se fosse parte natural da profissão, uma espécie de taxa inevitável, como se fosse perfeitamente razoável esperar que alguém com mais de seis décadas de vida acompanhe o ritmo de vinte e cinco seres humanos cuja energia desafia as leis da física.
No fundo, empurrar estas profissionais até aos 66 é uma forma particularmente refinada de sarcasmo institucional: exige-se-lhes o impossível, finge-se que é perfeitamente normal e ainda se aplaude como se fosse prova de resiliência nacional. Talvez um dia o país perceba que manter educadoras exaustas em serviço não é poupança, é teimosia disfarçada de gestão. E até lá, elas continuam, heroicas e cansadas, a segurar com as próprias mãos um sistema que insiste em fazer de conta que não está a desmoronar.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/12/a-idade-das-educadoras-de-infancia-nao-conta-para-nada/
Nov 30 2025
Há muito que se percebeu que a sociedade que aí vem informatizará tudo o que for para informatizar, automatizará tudo o que for para automatizar e que as aplicações digitais usadas para controle e vigilância serão usadas para controle e vigilância. É o nível 4 da transição digital. O nível 5, que será longo e incerto, inclui a inteligência artificial (IA) e a robotização (já usei estes argumentos noutros textos).
E escute-se um dos criadores da Siri (“a Siri é um assistente virtual da Apple que ajuda a realizar tarefas com comandos de voz: fazer chamadas, enviar mensagens, definir lembretes, procurar informações na internet e controlar dispositivos domésticos inteligentes”. Para interagir com a Siri, pode-se, portanto, falar ou digitar os comandos. A Siri foi criada pela SRI International e adquirida pela Apple em 2010).
Um dos criadores da Siri, Luc Julia, e a exemplo de outros criadores deste universo que se afastam com mais ou menos humor, diz que não tem a certeza que queira falar com o seu frigorífico e afastou-se. Além disso, os dissidentes são muito críticos dos algoritmos que varrem instantaneamente toda a internet e produzem (IA-Generativa) informação sem distinguir o que é verdadeiro ou falso. Agrava-se porque o algoritmo privilegia, na exibição aos utilizadores de todas as idades, os conteúdos que geram ódio e irritação, e que viciam, e que têm privilegiado os políticos que banalizam o mal, as mentiras constantes e a violência.
No universo escolar, também é muito questionável que se queira falar com um robô como se fosse um professor que ensina e ajuda a formar a personalidade (as redes sociais, tão caras à demagogia estridente, já o estão a fazer, até com as crianças e pre-adolescentes, há quase uma década, mas o intelectualismo vintage estava tão inebriado com as tecnologia que nada via).
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/luc-julia-diz-que-nao-tem-a-certeza-que-queira-falar-com-o-seu-frigorifico-paulo-prudencio/
Nov 30 2025
Uma das coisas mais divertidas nas contradições ideológicas das escolas é ver os que defendem que os alunos “excelentes” devem ter as notas exibidas ao mundo”para seu bem” (e elas não são obtidas com comparação), em quadros de emulação, que, ao mesmo tempo, acham que as notas dos “excelentes professores” devem ser altamente secretas….
E, nem com a Comissão Nacional de Proteção de Dados, a dizer que as devem entregar aos outros avaliados, o fazem…..
E dizem e teimam, contra a lei e pareceres feitos por Juízes Conselheiros do Supremo Trinunal Administrativo, que não devem ser publicadas, divulgadas, ou sequer comunicadas, aos que são puxados para baixo por esses “ilustres profissionais” terem excelente ou muito bom.
Os argumentos peregrinos para exibir quadros de mérito dos alunos não justificariam fazer quadros de mérito dos “celentes” docentes do percentil?
Eu gostava de saber quem são os excelentes professores da minha escola e, por exemplo, se, entre eles estão os que apoiaram o plágio do diretor anterior, em apatia na participação nos órgãos.
Como alguém pode ter 10 na sua avaliação (ou excelente), que implica nota alta no item participação, a atuar anos com comportamentos que levaram à dissolução dos órgãos em que (não) agiu?
A nota dos alunos não é privada (mas só a eles diz respeito porque não afeta outros), mas a dos professores, que lha atribuem (que afeta a de outros por comparação em quotas com efeitos na carreira e salário), é secreta.
Não é, mas as escolas incumprem a lei.
O desvalor de menores de idade é público, o de adultos responsáveis é secreto e impenetrável, até para reclamar ou recorrer na defesa de direitos.
E nem se comunica a quem tem prejuízo com ela…..
Os quadros de mérito supostamente são coisa boa, mas para os professores, que defendem tal coisa, o “mérito” é segredo….
Portugal medíocre no seu melhor…..
Há excelências que pensam tão mal….
Luís Sottomaior Braga
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/a-excelencia-nao-e-coerencia/
Nov 30 2025
É praticamente impossível não se ficar atordoado com notícias como as que vieram a público nos últimos dias, dando conta de certos actos bárbaros, ilustrativos da bestialidade humana,completamente desprovida de empatia pelo outro:
– Onze elementos dos Bombeiros Voluntários do Fundão estão acusados de várias agressões, entre as quais, violação sexualcolectiva e coacção sexual. Essas agressões, gravadas porcâmaras de vigilância e pelos próprios agressores, terão sido perpetradas contra um jovem de dezanove anos de idade da mesma corporação. Alegadamente, um dos agressores desempenhava inclusive o cargo de “Chefe” na citada instituição;
– Dez militares da GNR e um agente da PSP estão acusados de exploração/escravização de imigrantes. Segundo um relatório publicado pela Polícia Judiciária em 25 de Novembro passado:
“Em causa está uma organização criminosa que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.
Através de empresas de trabalho temporário, criadas para o efeito, aproveitava-se da vulnerabilidade dos mesmos, explorando-os, cobrando alojamentos e alimentação e mantendo-os sob coação através de ameaças, havendo mesmo vários episódios de ofensas à integridade física.
Ao longo de vários meses, a PJ realizou inúmeras diligências investigatórias que permitiram obter indícios e elementos incriminatórios, bem como traçar o quadro geral do funcionamento deste grupo violento, de estilo mafioso.”
Tanto no primeiro caso, como no segundo, dominam a maldade, a crueldade, a violência e as agressões, praticadas contra seres humanos em situação de incapacidade de defesa e/ou de fragilidade, o que torna a cobardia e o sadismo destes agressores em algo absolutamente monstruoso e repugnante.
No caso dos bombeiros do Fundão, e ao que tudo indica, a maldade e a crueldade terão sido praticadas de forma gratuita,para gáudio e divertimento dos agressores.
No caso dos militares da GNR e do agente da PSP, terão sido praticadas, sobretudo, com o objectivo de enriquecimento ilícito, à custa da escravização de seres humanos.
Em ambos os casos, os alegados agressores não são crianças ou jovens, eventualmente sem noção das consequências ou da gravidade dos actos praticados. São adultos. Adultos.
São adultos, em quem, à partida, se deveria poder confiar e com responsabilidades sociais acrescidas, uns enquanto bombeiros, os outros enquanto agentes de autoridade.
Estes dois acontecimentos, onde estão bem espelhadas a monstruosidade e a perversidade de alguns pretensos seres humanos, não pode deixar de nos preocupar, mas, tambémenvergonhar, a todos, enquanto cidadãos, enquanto agentes educativos e enquanto mães ou pais…
No sentido anterior, não podemos ignorar nem escamotear nenhuma das bárbaras agressões recentemente conhecidas, sob pena de nos tornarmos potenciais cúmplices, coniventes com manifestações de abominável violência.
Admitindo que, em ambos os casos, alguns dos alegados agressores possam ser pais, que exemplo estarão a dar aos seus próprios filhos?
Como conseguirão encarar os seus próprios filhos?
Subjugar, agredir e/ou humilhar costuma ser típico de criaturas monstruosas, más, cruéis, selvagens, que não são dignas de serem apelidadas de “humanas”.
Há que ter a coragem e a frontalidade de reconhecer a existência de tais criaturas e de defender que tudo deverá ser feito para as erradicar do mundo onde vivemos, desde logo, afastando-as, para sempre, de todas as funções públicas ou de interesse público que exerciam e punindo-as legalmente por todos os crimes praticados.
Convirá não esquecer que a credibilidade e a idoneidade das instituições onde militam os acusados também dependem do anterior.
O pior que poderá acontecer a estas vítimas é serem duplamente penalizadas:
– Penalizadas por a sua dignidade ter sido vilipendiada e penalizadas por não verem a Justiça ser aplicada…
Da dor já ninguém as poderá livrar, mas que, pelo menos, consigam ver punidos os seus brutais agressores…
Não podemos deixar que o mal triunfe, não podemos deixar que o mesmo se “normalize”. Não é possível ficar em silêncio perante tamanhas aberrações comportamentais, opostas à racionalidade e à humanidade.
Hoje as vítimas são as que se conhecem, amanhã poderemos ser nós ou algum dos nossos… O mal não acontece só aos outros…
Afinal, o “homem das cavernas” não desapareceu. Anda por aí e pode revelar-se nas mais variadas circunstâncias…
A “civilização” ainda não conseguiu anular a perversidade e a maldade patentes em algumas mentes ditas “humanas”…
Afinal, a natureza humana nem sempre é naturalmente boa, como defendia Rousseau: “O homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”…
Ainda que todos os acusados possam gozar do princípio jurídico da presunção de inocência, à luz do que já se conhece, torna-se praticamente impossível acreditar que nestes dois episódiospossam existir efectivos “inocentes”…
Inocentes só mesmo as vítimas…
A “normalidade” não pode ser isto…
Estamos a criar monstros, em vez de seres humanos?
Paula Dias
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/estamos-a-criar-monstros-em-vez-de-seres-humanos/
Nov 29 2025
A discussão sobre o aumento da idade legal para a reforma tem ignorado um factor crucial e cientificamente comprovado a idade biológica da população que trabalha. Enquanto os critérios actuais se baseiam estritamente na esperança média de vida e na consequente idade cronológica o corpo humano está a apresentar um envelhecimento acelerado em comparação com os anos que celebramos o que torna o adiamento contínuo da reforma insustentável e injusto.
O caso dos professores serve como um exemplo paradigmático deste desfasamento. Estes profissionais estão sujeitos a um stress cognitivo e emocional elevado ao longo de décadas de serviço que se manifesta não só em problemas de saúde mental mas também num desgaste físico evidente. A idade biológica destes indivíduos muitas vezes ultrapassa significativamente a idade cronológica devido a fatores como as longas horas de trabalho a correção noturna de testes o esforço vocal constante e o ambiente de trabalho por vezes exigente. Forçar um professor a prolongar o seu tempo de serviço apenas porque a idade cronológica legal aumentou ignora a realidade da sua capacidade funcional e o esgotamento acumulado.
Estudos recentes na área da epigenética utilizando ferramentas como os relógios epigenéticos têm demonstrado que o ritmo a que as células envelhecem é altamente variável. Estes relógios que medem a metilação do ADN um marcador molecular do envelhecimento fornecem uma estimativa mais precisa da idade biológica de um indivíduo do que o simples número de aniversários. A investigação aponta para o facto de que fatores como o stress crónico a exposição ambiental e o estilo de vida aceleram este relógio biológico. O prolongamento da vida útil da população não significa necessariamente um aumento de anos saudáveis. Viver mais tempo com mais doenças e menor capacidade funcional é o que a ciência está a indicar para muitos profissionais. Por exemplo artigos científicos demonstram que altos níveis de stress ocupacional têm um impacto negativo direto nos biomarcadores de envelhecimento celular.
Defender que a idade da reforma deve ser revista tendo como referência a diminuição da idade biológica em vez do aumento da idade cronológica é uma questão de justiça social e racionalidade económica. Manter trabalhadores altamente desgastados em funções por mais tempo conduz a uma diminuição da produtividade a um aumento do absentismo e a custos significativos para o Serviço Nacional de Saúde devido ao agravamento de doenças crónicas. A lei deveria reconhecer o desgaste diferenciado de cada profissão e de cada indivíduo. A introdução de um Fator de Desgaste Biológico no cálculo da idade de acesso à reforma seria um mecanismo justo que permitiria a reforma antecipada sem penalização para aqueles cujo corpo já atingiu um nível de envelhecimento biológico que compromete a sua qualidade de vida e capacidade de trabalho. A reforma deve ser uma recompensa pelo serviço prestado e pelo desgaste inerente não um alvo móvel ditado por uma estatística cega.
Venham mais uns anos… Quem tem, hoje, 50 anos, se fizer uma simulação simples no site da CGA, descobrirá que só se poderá reformar aos 68,5 anos… por agora!
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/o-desgaste-oculto-e-o-engano-da-idade-cronologica-na-reforma-dos-professores/
Nov 29 2025
A falta de vagas deixa os candidatos sem saber quais os passos seguintes, sem informação sobre alternativas e sem garantias quanto à sua situação profissional imediata e futura. Para a FNE, esta ausência de orientação é inaceitável e contraria os princípios de transparência, previsibilidade e estabilidade que devem nortear a política de recursos humanos na educação.
A FNE considera urgente e indispensável que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) esclareça, com carácter de urgência, como pretende resolver este problema e quais as medidas previstas para garantir a abertura das vagas necessárias para assegurar a profissionalização de todos os candidatos que reúnem as condições exigidas, a definição de um calendário claro e público, que permita aos interessados tomar decisões informadas, e a garantia de que nenhum docente será prejudicado pela insuficiência de resposta administrativa.
Estes docentes têm desempenhado funções nas escolas, contribuindo diariamente para o funcionamento do sistema educativo e para a aprendizagem dos alunos. Não podem agora ser confrontados com um vazio de informação e com o risco de ficarem numa situação profissional indefinida.
A FNE reitera a sua total disponibilidade para colaborar na construção de uma solução que respeite os direitos destes profissionais e assegure a estabilidade necessária ao sistema educativo. O MECI deve, sem demora, prestar uma resposta cabal e responsável que dê segurança aos docentes e garanta que nenhum fica para trás.
Porto, 28 de novembro de 2025
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/fne-exige-resposta-urgente-do-meci-sobre-a-falta-de-vagas-para-a-profissionalizacao-em-servico/
Nov 29 2025
Por ser Sexta-feira à tarde e à Sexta-feira à tarde a Directora pega na pastinha e vai para casa toda laroca à hora de almoço.
Diz ser o seu dia livre, o dia de ir ao mercado e, por conseguinte, a sua mera presença na escola é em si um grande e excelso favor pelo qual o povo e os súbditos devem estar eternamente agradecidos, incluindo o Luís.
O Luís ao fim do dia por sua conta e sozinho de vigia à paragem de autocarro e a razão é simples quando se quer garantir um fim-de-semana com um mínimo de paz, a começar logo pela Sexta-feira.
O contrário mais a sua ausência de plantão à paragem de autocarro não é senão o catalisador para a pancadaria geral da populaça estudantil, resultado directo da aridez vocabular quando as emoções estão à flor da pele.
E com a pancadaria e pela pancadaria a certeza de ficar para trás a trabalhar na escola até às tantas enquanto se separam alunos e contendas mais os primeiros-socorros da praxe e os telefonemas para os pais imediatamente acusatórios da falta de vigilância da escola e a culpa é do Luís.
E, portanto, lá vai o Luís feito emplastro para a paragem de autocarro, uma delas pelo menos, até porque os alunos não moram todos no mesmo lugar e essa é a ordem natural das coisas.
O pior é tentar explicar isto à Directora já em casa de pantufas e vinho branco na mão, e não literalmente na mão caso contrário era para sorver mas no copo e o copo na mão, enquanto vê as tardes da Tânia e a vida é bela.
Isto porque a porrada pode mesmo ser o verbo do dia, ou da tarde, na outra paragem distante de oitocentos metros e a obrigação do Luís é a de ser omnipresente ou então partir-se em dois enquanto corre de uma paragem para a outra com a mesma celeridade das mensagens de texto enviadas para o telemóvel da Directora.
Hoje a missão do Luís é simples: garantir a ida para casa de dois alunos desavindos em autocarros separados e já lá vem o primeiro cachopo a atravessar a estrada a caminho da paragem mais distante.
O segundo aluno ainda está na escola e tudo estaria bem caso o Luís soubesse de cor onde cada aluno mora e como o primeiro já vai a caminho, o Luís indica por telefone à Luísa na escola estar o caminho não apenas livre mas seguro.
Sete minutos depois chega o segundo cachopo e o galo do Luís ao vê-lo atravessar a mesma estrada em direção à paragem mais distante.
E o Luís no seu encalço enquanto no telemóvel chovem ameaças e condenações e a certeza de um processo disciplinar na Segunda-feira.
A culpa é do Luís e o Luís devia saber de cor cada morada, cada rua, cada porta, a cor de cada casa e se tem um cão ou um gato.
E sim, o fim-de-semana inevitavelmente perdido enquanto o Luís deita os bofes pela boca mesmo a tempo de chegar à outra paragem onde os dois rapazes não só estão juntos como se preparam para entrar no mesmo autocarro daqui por dois minutos.
A ordem no telefone é só uma e aqui vai o Luís para dentro do autocarro a caminho da Picheleira.
Mas o autocarro está à pinha e o Luís não tem onde se agarrar, a porta não fecha, o motorista tenta uma, duas, três vezes, o Luís empurra uma, duas, três caneladas e o Luís aos pulinhos de dor para fora do autocarro mesmo a tempo de ver fechar as portas e o Luís para trás a chuchar de dedo na boca.
E agora explicar isto à Directora? De paralítico do cérebro para baixo, a Directora chamou-lhe de tudo entre raios, relâmpagos e trovões, e não só os raios, relâmpagos e trovões do lado de lá do telefone mas deste lado também numa daquelas bátegas de água impossíveis, e como o Luís não trouxe o guarda-chuva a certeza é só uma e esta é, definitivamente, uma Sexta-feira memorável.
E se a vontade de chegar ao fim da semana já era pouca, ainda para mais quando se tem o emprego de pai e a catraiada toda em casa à espera, agora é zero.
A pancadaria a bordo do autocarro foi épica, rapidamente alastrando-se pelo bairro da Picheleira fora mais os bombeiros, policia e jornalistas e a tromba do Luís no Pasquim da Manhã do dia seguinte: “Professor tresloucado incita batalha campal”.
O Luís acorda de repente, ainda a suar e como de costume a suar quando o Luís se esquece de tirar as meias.
E quando o Luís se esquece de tirar as meias, a noite é como o dia e recheada de pesadelos.
O Luís pega no jornal.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/as-vezes-esqueces-te-todos-os-dias-do-porque-de-ser-professor-joao-andre-costa/
Nov 28 2025
Publicação das Listas Definitivas dos candidatos admitidos, selecionados e excluídos ao Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste, em 2026.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/projeto-c-a-f-e-procedimento-concursal-2026-listas-definitivas/
Nov 28 2025
Desde há muitos anos que se repete a ideia de que a escola é responsável por formar cidadãos, mas a verdade é bem mais simples e muito menos confortável. A educação não começa no portão da escola e muito menos termina nos horários letivos. Começa em casa, entre rotinas apressadas, conversas à mesa e atitudes que as crianças absorvem antes mesmo de perceberem o significado das palavras. São esses pequenos gestos que moldam a pessoa que irão ser muito antes de aprenderem as capitais da Europa ou o ciclo da água.
A escola esforça-se, cria projetos, promove campanhas e inventa formas de explicar civismo, empatia e respeito. No entanto, o que uma criança vê em casa supera qualquer manual ou projeto. Uma criança que cresce a observar boas atitudes acabará por entender a importância do diálogo. Uma criança que presencia gritos como método de resolução de conflitos aprende a gritar ainda antes de saber argumentar. Uma criança que vê portas a serem fechadas com violência acabará por crescer com a mesma incapacidade de lidar com frustrações. Não é magia, é repetição.
Muitos pais continuam a acreditar que basta deixarem os filhos na escola para que esta corrija o que não se faz em casa. Como se o simples facto de a frequentar fosse garantia de se tornar uma boa pessoa. A escola faz o que pode e, por vezes, tenta fazer o que não pode. Mas nenhum professor consegue desfazer em algumas horas diárias o que se constrói em anos e anos de rotinas familiares de todo o tipo.
Os adultos que hoje criticam o mundo e a vida que levam raramente percebem que grande parte dos seus comportamentos são reflexos diretos da infância que tiveram. Repetem relações falhadas, atitudes destrutivas, vícios herdados e padrões de vida que lhes estão colados à pele. Crescem à espera que o futuro seja diferente, mas continuam a percorrer os mesmos caminhos que os pais lhes mostraram e nada fazem para o alterar.
Se queremos realmente uma sociedade mais justa e humana, a mudança não começa na escola. Começa no seio familiar. É aí que se aprende a partilhar, a pedir desculpa, a ouvir, a esperar, a cuidar e a respeitar. É aí que se forma o carácter. A escola pode reforçar valores e ensinar a viver em comunidade, mas não substitui o exemplo diário dos pais. A cidadania nasce muito antes de se aprender a conjugar verbos ou a resolver equações, vem do berço.
Chegou o momento de muitos pais reconhecerem que o futuro dos filhos depende menos do que eles exigem à escola e mais do que fazem em casa. Se quiserem filhos adultos diferentes daqueles que hoje criticam, terão de começar por ser diferentes enquanto pais. Porque o verdadeiro ciclo que vale a pena quebrar é o que transforma erros antigos em heranças inevitáveis.
A sociedade constrói-se com professores dedicados, sim, mas sobretudo com famílias que assumem a sua parte do trabalho de educar os seus filhos dentro de padrões de aceitáveis pela sociedade e para a sociedade. É na soma desses dois mundos que se forma um cidadão capaz de pensar, sentir e agir com consciência e bom senso. E é essa responsabilidade partilhada que decide o tipo de pessoas que deixamos para o futuro.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/um-cidadao-forma-se-em-casa-atraves-do-exemplo-dos-pais/
Nov 27 2025
Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 21.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026.
Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de sexta-feira, dia 28 de novembro, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 2 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental).
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/reserva-de-recrutamento-21-2025-2026/
Nov 27 2025
“O não cumprimento da legislação por parte da tutela relativamente ao pagamento do subsídio de instalação [ao qual consideramos ter direito] levou a esta paralisação”, referem os professores em nota.
Um grupo de professores da Escola Portuguesa de Díli realizou esta quinta-feira uma greve para exigir o pagamento de subsídio de instalação, que lhes foi inicialmente atribuído e terão agora de devolver.
“O não cumprimento da legislação por parte da tutela relativamente ao pagamento do subsídio de instalação [ao qual consideramos ter direito] levou a esta paralisação e resulta da necessidade de manifestar preocupação e descontentamento face à situação laboral que nos tem afetado nos últimos meses, bem como defender os direitos e garantias que a legislação portuguesa consagra para os trabalhadores em funções públicas“, referem os professores numa nota à imprensa.
O grupo de 31 professores esteve a dar aulas na Escola Portuguesa de Díli em mobilidade estatuária, tendo terminado funções a 31 de agosto de 2025.
Os professores concorreram ao concurso interno, realizado em julho de 2025, mas o resultado e a respetiva aceitação só aconteceu, quando já estavam de férias em Portugal.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/grupo-de-professores-de-escola-portuguesa-de-dili-em-greve/
Nov 27 2025
O poder, quando é mal usado, tem um sabor frio. Não se mede pelo que se constrói, mas pelo que destrói: reputações, confiança e dignidade. Há quem o use para ferir, manipular a verdade, para tornar a mentira realidade. Pergunto-me muitas vezes que prazer encontra quem segue esse caminho… Que ganho há em tentar esmagar um colega, em distorcer o que é evidente, em humilhar e dominar?
E depois estão os que observam. Que veem, sabem, mas escolhem não agir. Alguns passam ao lado, indiferentes, como se nada lhes dissesse respeito. Outros, pior ainda, decidem apoiar quem abusa, ajudando a perpetuar injustiças, compactuando com mentiras, colaborando com a perseguição. O silêncio e a cumplicidade transformam-se em armas poderosas, que fortalecem o opressor e prolongam o sofrimento e a injustiça.
Mas nem tudo se perde. No meio do medo, da mentira e da conveniência, há quem resiste, não se curva, não desiste, mesmo quando está só, porque sabe que a verdade e a razão estão do seu lado. A coragem é ausência de medo, é decidir agir, permanecer firme, defender o que é justo, mesmo quando é difícil e não se tem apoio dos pares.
A escola não pode ser apenas um lugar de transmissão de conhecimentos. Deve ser um espaço de valores, de exemplo, de cidadania e de resiliência. Cada gesto, escolha, silêncio, cumplicidade, transmite uma lição invisível, mas real. A responsabilidade é de todos nós: o que toleramos, defendemos, compactuamos, molda o ambiente que deixamos aos que aprendem conosco.
No fim, ser educador é, sobretudo, viver aquilo que se ensina. É ter coragem quando é mais fácil silenciar. É resistir quando tudo parece inclinar-se para o erro. E confiar que, mesmo no meio de injustiças e cumplicidades, a integridade, a verdade e a razão continuam a existir, e que é nelas que reside a esperança de uma escola justa e humana.
José Pereira da Silva
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/o-peso-do-silencio-e-da-cumplicidade-na-escola-jose-pereira-da-silva/
Nov 27 2025
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/66-anos-e-11-meses-e-a-idade-da-reforma-em-2027/
Nov 27 2025
Sempre defendi que o modelo pedagógico ideal para o primeiro ciclo era simples. As aulas acontecem de manhã, quando o cérebro das crianças está acordado, pronto para aprender, e a tarde fica reservada para outras actividades (AEC), de preferência com sentido. Mas, em Portugal tem-se uma capacidade espantosa de complicar. Em vez de pensar nas aprendizagens, pensa-se no depósito de crianças. A escola a tempo inteiro não serve as crianças nem os professores, serve sobretudo a logística familiar e uma espécie de repouso social. A escola passa a ser o prolongamento de casa, a incubadora pós-moderna onde as crianças são estacionadas até que alguém as venha recolher ao fim do dia.
O problema é, que continuam a confundir a escola com um abrigo infantil. Como se uma escola pudesse substituir aquilo que se constrói na sala de estar, ao jantar, numa conversa sobre o mundo, ou num não na hora certa. Depois admiram-se quando os resultados não acompanham as elevadas expectativas. Não percebem que não se trata de quantidade de horas, mas da qualidade da relação com o saber e da segurança do ambiente familiar.
Mas se isto fosse, apenas, uma questão pedagógica, seria fácil. A coisa torna-se verdadeiramente surreal quando olhamos para as Atividades de Enriquecimento Curricular. Querem música, dança, karaté, mandarim e robótica, tudo por valores simbólicos, mas depois espantam-se quando não conseguem contratar técnicos. Há quem pense que um profissional da área vai abandonar tudo para ganhar umas horas avulsas que mal dão para pagar o combustível. Municípios e empresas de AEC andam numa caça ao tesouro que, obviamente, não tem frutos. O mercado de trabalho não se rege por voluntariado. Há quem tenha contas para pagar.
E é aqui que entra a ironia do costume. Portugal congratula-se por ter a escola a tempo inteiro, mas esquece-se de que funciona num país a tempo parcial. A exigência é grande, mas a remuneração é pequena. A procura é alta, mas a estabilidade não existe. Depois perguntam por que razão não há técnicos interessados. Talvez porque ninguém consegue viver com salários que parecem calculados por quem nunca fez um orçamento doméstico.
A cereja no topo do bolo é acreditar que tudo isto acontece em nome das crianças. As crianças ficam saturadas, passam dez horas, ou mais, na escola e aprendem menos do que poderiam aprender. Criámos um sistema que serve mais os adultos que os alunos. Um sistema que empurra profissionais para horários impossíveis e famílias para a ilusão de que tudo se resolve com mais tempo na escola.
O país gosta de se convencer de que tem uma educação moderna e virada para o futuro. Mas modernizar não é esticar horários até ao limite e chamar-lhe evolução. Modernizar é respeitar ritmos, contratar com dignidade, evitar que as escolas funcionem como armazéns de crianças e ter a coragem de assumir que a pedagogia não deve ser construída em função das necessidades da agenda dos pais e encarregados de educação.
Enquanto insistirmos na fantasia de escola a tempo inteiro, nos moldes atuais, continuaremos a formar alunos cansados, professores exaustos e técnicos inexistentes. E depois admiramo-nos que o sistema falhe. Talvez seja porque anda a funcionar a tempo inteiro, mas sempre em esforço, e com recursos a tempo parcial.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/a-escola-a-tempo-inteiro-e-o-pais-a-tempo-parcial/
Nov 27 2025
Diretora e Associação de Estudantes da Escola Secundária Gil Vicente garantem que a informação veiculada pela deputada do Chega “é falsa”. A deputada diz que recebeu uma “denúncia” de um encarregado de educação.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/antes-de-abrir-a-boca-deve-se-confirmar-qualquer-denuncia/
Nov 26 2025
A DGAE desde 2023 tem notificado as escolas, no fim da primeira semana de dezembro, que estariam impedidas de finalizar os contratos dos docentes até ao início de janeiro sem efeitos retroativos.
Esta medida é devido à necessidade do docente para ser candidato à vinculação dinâmica ter contrato ativo no dia 31 de dezembro. E como as reservas são suspensas em grande parte do mês de dezembro, os contratos, mesmo que finalizados, são prolongados até ao primeiro dia útil de janeiro.
Em 2023 a informação foi dada no dia 6 de dezembro e em 2024 no dia 7 de dezembro.
O que prevjo é que a mesma informação seja dada por essa altura e semelhante aos anos anteriores.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/sobre-a-finalizacao-dos-contratos-no-mes-de-dezembro/
Nov 26 2025
Muito dificilmente alguém com responsabilidades na área da Educação poderá deixar de reconhecer a importância do Ensino Profissional nas escolas públicas, desde logo pela sua natureza essencialmente prática e predominantemente orientada para a inserção no mercado de trabalho.
Os “doutores e engenheiros” fazem falta ao país, mas não bastam para satisfazer as necessidades do mercado de trabalho, em todas as suas vertentes.
O Ensino Profissional deve ser reconhecido e valorizado? Deve.
O Ensino Profissional permitiu reduzir o abandono escolar? Permitiu.
Permitiu reduzir o abandono escolar, mas…
Ao mesmo tempo que o Ensino Profissional tem permitido reduzir o abandono escolar nas escolas públicas, também se foi tornando no “parente pobre” das vias de ensino, frequentemente olhado como a derradeira alternativa/oportunidade para conseguir manter muitos alunos na escola, tendo como principal objectivo o cumprimento da escolaridade obrigatória.
Para muitos alunos, a frequência de um determinado Curso Profissional não é uma questão de vocação ou sequer uma escolha consciente, mas antes a única forma de continuarem na escola até aos 18 anos de idade e, se possível, concluírem o Ensino Secundário.
Dadas as incontornáveis dificuldades de aprendizagem experimentadas no Ensino Básico, um número significativo de alunos acaba por enveredar por Cursos Profissionais, muitas vezes convictos de que os mesmos serão mais fáceis do que as alternativas existentes no dito “Ensino Regular”.
O principal resultado do anterior costumam ser Turmas repletas de alunos, mas nem sempre os próprios saberão bem o que ali estão a fazer.
Muitos desses alunos têm, à entrada para o 10º Ano de Escolaridade, 16, 17 anos de idade, consequência mais óbvia do insucesso escolar ocorrido ao longo do Ensino Básico.
O Ensino Profissional acaba, assim, por ser encarado como uma escapatória, sobretudo para os alunos que, à saída do Ensino Básico, apresentam um perfil plausivelmente incompatível com a frequência de Cursos Científico-Humanísticos.
Por vários motivos, poderá ser difícil assumir o anterior e reconhecê-lo, mas na prática, no quotidiano das escolas, acaba por ser essa a crença vigente.
Mas o Ensino Profissional existente nas Escolas Públicas não pode continuar a ser visto como uma via de ensino “enjeitada”, sobretudo destinada aos “perdedores”.
Enquanto subsistir essa convicção, muito dificilmente se poderá valorizar, de forma efectiva, o Ensino Profissional e promover a dignificação que o mesmo merece, sem esquecer que, diariamente, muitos alunos e profissionais de Educação dão o seu melhor, na prossecução de bons resultados.
Sobretudo pela especificidade inerente a qualquer Curso Profissional, não fará qualquer sentido deixar de lado ou ignorar a necessária vocação/aptidão, para a respectiva área de actividade.
No momento actual, e já há vários anos, parece que se inverteu a lógica do Ensino Profissional:
– As imprescindíveis vocações/aptidões tendem, cada vez mais, a serem desvirtuadas e substituídas por outros factores que, na maior parte dos casos, nada têm a ver com escolhas conscientes e intencionais, por parte dos alunos.
O Ensino Profissional não deveria ser isso. A mentalidade não pode ser essa.
Reduzir o Ensino Profissional a um meio pelo qual se cumpre a escolaridade obrigatória e se diminui, artificialmente, o abandono escolar, como muitas vezes acontece, é subverter a sua essência e a sua finalidade…
Há alunos francamente empenhados e motivados nos respectivos Cursos Profissionais e que conseguem obter resultados escolares consonantes com a sua dedicação, mas esses estão muito longe de ser a maioria.
A maioria vai-se arrastando pelos corredores das escolas, uns à espera que chegue a maioridade, outros à espera de alcançar “o mínimos dos mínimos”, comummente designado por “sucesso escolar”…
Mas no fim o que realmente conta e importa serão os dados fornecidos pelas estatísticas oficiais, tantas vezes irreais e enganadoras, traduzidas por taxas de sucesso a rondar os 100%…
O que poderá estar mal nos Cursos Profissionais quando as respectivas taxas de sucesso rondam a plenitude?
Certamente, tudo estará bem quando uma taxa de sucesso ronda a plenitude…
Ou será que não?
Paula Dias
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/inverteu-se-a-logica-do-ensino-profissional/
Nov 25 2025
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/nota-explicativa-do-meci-sobre-o-oe-2026/
Nov 25 2025
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/school-advisor-uma-ferramenta-para-avaliar-escolas/
Nov 25 2025
A frequentar aquele estabelecimento de ensino há cerca de dois meses, a aluna já se terá envolvida noutros desacatos, no final do mês de outubro
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/aluna-corta-se-em-vidro-partido-durante-troca-de-agressoes-na-escola/
Nov 24 2025
O Movimento PEV vem, por este meio, reafirmar a sua missão, princípios e objetivos, bem como informar a comunidade educativa e a sociedade em geral sobre o trabalho desenvolvido até ao momento em defesa da justiça e da dignidade da carreira docente.
1. Quem somos
O Movimento PEV é um grupo nacional de professores, totalmente independente de sindicatos, partidos políticos ou outras estruturas formais. Surgiu da união de docentes que, desde 2018, têm sido prejudicados pelas ultrapassagens e desigualdades no reposicionamento docente.
A nossa ação assenta em princípios de equidade, transparência, rigor legal, participação democrática e valorização da profissão docente.
2. A razão da nossa luta
Milhares de professores foram afetados por injustiças profundas no reposicionamento na carreira. As regras aplicadas desde 2018 criaram desigualdades, permitindo que professores com menos tempo de serviço ultrapassassem colegas mais antigos.
O Movimento PEV luta por:
Uma lista nacional única de reposicionamento por tempo de serviço;
Eliminação das ultrapassagens entre docentes;
Aplicação uniforme e clara das normas;
Reconhecimento integral do tempo de serviço;
Valorização efetiva da carreira docente.
3. O nosso percurso
Desde a sua criação, em 1 de agosto de 2024, o Movimento PEV tem vindo a crescer de forma contínua, reunindo milhares de professores de todo o país.
Principais marcos:
Organização de 3 concentrações nacionais
A primeira em 6 de setembro de 2024 e a última em 5 de setembro de 2025, frente ao Ministério da Educação;
Entrega de uma petição com mais de 10.000 assinaturas na Assembleia da República que originou projetos de resolução da direita à esquerda e todos aprovados na Assembleia da República;
Recolha e entrega de 24.608 assinaturas para uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos a aguardar discussão na AR e com grande possibilidade de se tornar lei;
Acompanhamento permanente da evolução política, jurídica e institucional do tema;
Mobilização e esclarecimento diário da classe docente.
4. Independência e colaboração
O PEV afirma a sua total independência organizativa. O movimento é composto exclusivamente por professores e coordena-se de forma horizontal, democrática e transparente.
Destacamos o contributo fundamental de vários docentes que têm assegurado a mobilização, esclarecimento e organização interna desde o início. A força do PEV assenta no compromisso, dedicação e sentido de justiça dos seus membros.
5. A nossa visão
O Movimento PEV defende uma carreira docente:
Justa e equitativa;
Respeitada e valorizada;
Livre de interpretações arbitrárias;
Sustentada por políticas educativas que reforcem a autoridade do professor e a qualidade do ensino.
Para além do reposicionamento, o Movimento PEV pretende contribuir para uma discussão séria sobre condições de trabalho, indisciplina, estabilidade profissional e respeito pelo papel do professor na sociedade.
6. Próximos passos
O Movimento PEV continuará a acompanhar todos os desenvolvimentos junto da Assembleia da República, dos partidos políticos e das entidades competentes, até ver o problema resolvido, ser feita justiça.
7. Conclusão
O Movimento PEV representa a união e a determinação de milhares de professores que exigem dignidade, respeito e justiça. A nossa força vem da verdade, da transparência e do compromisso com todos aqueles que foram injustiçados.
🔗 Junta-te ao grupo PEV (escolhe apenas um dos dois):
🟢 Grupo 1: https://chat.whatsapp.com/ET7xPMJZinU0QEVSWlREtg?mode=ac_t
🔵 Grupo 2: https://chat.whatsapp.com/Ebdx9ZdMC4qAwkhDJ0qmcN?mode=ac_t
Continuaremos firmes, unidos e mobilizados.
José Pereira da Silva,
Porta voz do Movimento PEV🫂💪
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/comunicado-oficial-movimento-pev-professores-pela-equidade-e-valorizacao/
Nov 24 2025
Aplicação eletrónica disponível entre o dia 24 de novembro e as 23:59 horas do dia 2 de dezembro de 2025 (hora de Portugal continental) para efetuar a validação das candidaturas ao Concurso Externo Extraordinário, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.
SIGRHE – Concurso Externo Extraordinário 2025/2026 – 1.ª Validação
FAQ – Concurso Externo Extraordinário 2025/2026 – 1.ª Validação
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/validacao-do-cee-entre-24-de-novembro-e-2-de-dezembro/
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/361-pedidos-de-subsidio-a-deslocacao-invalidados/
Nov 24 2025
… porque ninguém sabe se está em vigor ou não a reinscrição de docentes na CGA.
Ao que parece por este comunicado estamos na fase de não estar em vigor.
A FENPROF requereu ao Procurador-Geral da República (junto do Tribunal Constitucional – TC) que promovesse, junto daquele Tribunal, a declaração de inconstitucionalidade da norma constante do artigo 2.º, n.ºs 1 e 2, da Lei n.º 45/2024, de 27 de dezembro, que visa impedir a reinscrição de trabalhadores, maioritariamente professores, na Caixa Geral de Aposentações (CGA), na sequência do que o TC já decidiu favoravelmente em mais de uma dezena de processos interpostos por docentes apoiados pela FENPROF. Esta iniciativa foi tomada em defesa dos direitos dos associados e da generalidade dos docentes, que vinham sendo diretamente prejudicados pela incorreta aplicação do disposto no n.º 2 do artigo 2.º da Lei n.º 60/2005, de 29 de dezembro, e poderiam continuar a sê-lo pela manutenção em vigor da citada norma da Lei n.º 45/2024.
Como organização sindical representativa dos professores, a FENPROF tem o dever constitucional e legal de intervir sempre que estejam em causa os direitos, garantias e legítimas expectativas dos trabalhadores que representa. É isso que decorre dos artigos 55.º e 56.º da Constituição da República Portuguesa e dos artigos 338.º e 339.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas.
Ao longo dos últimos anos, dezenas de professores viram os seus processos, em diferentes instâncias, afetados por interpretações e decisões contraditórias sobre a reinscrição na CGA. A situação criada pela nova lei veio agravar este cenário, violando princípios fundamentais, como a proteção da confiança e a estabilidade jurídica e profissional dos trabalhadores.
Perante esta realidade, a FENPROF considerou indispensável agir. O pedido apresentado ao Procurador-Geral da República junto do Tribunal Constitucional visa repor a justiça, garantir o respeito pelos direitos legais dos professores e pôr fim à insegurança jurídica que afeta milhares de trabalhadores.
A posição da FENPROF é clara: não aceitaremos que normas que prejudiquem os docentes e contrariem a Constituição se mantenham em vigor. A defesa dos trabalhadores da Educação é, e continuará a ser, a razão primeira da nossa intervenção sindical.
Lisboa, 24 de novembro de 2025
O Secretariado Nacional da FENPROF
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/as-normas-que-andam-a-deriva/
Nov 24 2025
Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 20.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026.
Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de terça-feira, dia 25 de novembro, até às 23:59 horas de quarta-feira, dia 26 de novembro de 2025 (hora de Portugal continental).
SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato
Listas – Reserva de Recrutamento n.º 20
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/reserva-de-recrutamento-20-2025-2026/
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/a-escola-publica-esta-em-queda-e-o-pais-resignou-se-paulo-prudencio/
Nov 24 2025
Há professores que ainda aguardam pela validação do subsídio de deslocação e, por isso, podem não receber o apoio no salário deste mês. Em causa estão divergências no cálculo das distâncias. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) revelou, em resposta ao JN, que das 5836 candidaturas submetidas, 361 foram invalidadas pelo facto de “a distância ser inferior a 70 quilómetros”.
O problema é que há docentes que ainda não conseguiram submeter as candidaturas, garantem professores e diretores, por a plataforma onde inserem os dados não reconhecer como válidas as coordenadas ou por atribuir uma distância menor aos trajetos. Este ano, o apoio foi alargado a todos os docentes colocados a mais de 70 quilómetros de casa. E os procedimentos mudaram: os professores passaram a colocar as coordenadas GPS da residência e da escola, em vez de indicarem as moradas, e têm de entregar declarações de não propriedade de imóveis no concelho onde estão a lecionar.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/professores-queixam-se-de-perder-apoio-pelo-calculo-das-distancias/
Nov 23 2025

A notícia é, obviamente, falsa, mas retrata bem o problema.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/ja-que-maume-nao-vai-a-montanha/
Nov 22 2025
É de manhã e o cenário começa sempre da mesma forma. Antes de o sino tocar já um pequeno nevoeiro se ergue à porta da escola, não vindo do clima mas dos cigarros que alunos de 13 ou 14 anos seguram com a mesma naturalidade com que deviam segurar um caderno. A imagem está tão banalizada que parece quase uma tradição local, como se fumar à porta da escola fizesse parte do currículo nacional.
Portugal não tem falta de leis sobre o tabaco. Pelo contrário, a legislação é clara e abundante. A chamada Lei do Tabaco, a Lei n.º 37/2007 e respetivas alterações, proíbe fumar não só dentro dos recintos escolares, mas também nos seus espaços exteriores. A venda de tabaco a menores de 18 anos é igualmente proibida. Existem ainda regimes contraordenacionais que preveem coimas tanto para quem vende como para quem permite ou não fiscaliza. No papel, o sistema é sólido. Falta apenas a parte mais simples e difícil: aplicá-lo.
Quando se olha para a realidade, percebe-se que a fiscalização é praticamente inexistente. A pergunta costuma ser quem está a controlar estas situações. A resposta, observando o quotidiano, parece ser ninguém. As autoridades, que poderiam atuar, teimam em manter uma presença discreta, quase ausente, como se tivessem recebido instruções para não perturbar o ritual matinal dos cigarros à porta da escola.
As consequências previstas pela lei, que incluem multas, ações de sensibilização e até alguma responsabilização dos encarregados de educação em casos repetidos, raramente saem do papel. São intenções bem escritas mas pouco praticadas. A sensação geral é de que se criou um entendimento informal: os jovens fumam como se fossem adultos, as autoridades fingem que não veem e todos seguem a vida como se esta normalização não tivesse efeitos reais.
O resultado é a transformação de um comportamento ilegal em rotina quotidiana. Quando um aluno do primeiro ciclo acende um cigarro diante da escola e ninguém intervém, a mensagem transmitida é simples: as regras servem para existir, não necessariamente para ser cumpridas. E assim se educa, ainda que involuntariamente, para a ideia de que a legislação é algo decorativo e de que a autoridade existe mais para ser citada do que para ser exercida.
No fim de tudo, é evidente que há falhas generalizadas, mas a falha maior recai sobre quem tinha meios e dever para agir e optou por não o fazer. Não é a lei que falta, não é o conhecimento do problema que escasseia, nem é a inexistência de queixas que explica o fenómeno. É a ausência de presença, de fiscalização, de prioridade. Enquanto os alunos fumam cigarros, parece que as instituições continuam a fumar tempo.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/fumar-a-porta-da-escola-a-arte-nacional-da-inoperancia-oficial/
Nov 22 2025
Uma auxiliar de ação educativa foi agredida de forma violenta e teve de receber assistência hospitalar, na quinta-feira à tarde, numa escola em Setúbal. A agressora é mãe de uma aluna e foi identificada pela PSP.
As agressões ocorreram à porta da Escola Básica 2/3 Luísa Todi, no Bairro da Camarinha, na cidade de Setúbal. Na sua origem esteve um desentendimento entre uma auxiliar de ação de educativa e a mãe de uma aluna sobre as saídas e entradas na escola.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/funcionaria-agredida-por-mae-de-aluna-por-causa-das-saidas-e-entradas-da-escola/
Nov 21 2025
Ministro defende o investimento no ensino profissional, já que “permite a obtenção de competências muito importantes para o mercado de trabalho”. Fernando Alexandre relembra que este caminho escolar conseguiu “reduzir muito o abandono escolar em Portugal”.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/ministro-da-educacao-diz-que-desvalorizar-ensino-profissional-foi-um-erro/
Nov 21 2025
Perdoe-me a ignorância, mas que eu ainda saiba não existem serviços mínimos na área da educação, com exceção nos dias de exames nacionais.
Deixei assinalado a vermelho o que o representante sindical da FESINAP referiu nesta entrevista.
A greve da função pública estava, às 09h00 desta sexta-feira, a registar uma adesão de cerca de 60 por cento nos setores da Educação e Saúde, com uma maior expressão na zona norte. Ao fim da manhã, os sindicatos já indicavam que chegava aos 80 por cento.

A greve da função pública registava às 11h15 uma adesão de cerca de 80 por cento em todos os serviços.
“Temos 80 por cento [de adesão] em todos os serviços da administração pública”, afirmou o dirigente da Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesinap).
Os setores da saúde e da educação são os mais afetados.
No hospital de São João, no Porto, as cirurgias programadas são as que estão a ser mais afetadas devido a esta paralisação. Até às 10h00 da manhã ainda não tinha havido nenhuma cirurgia.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e Identidades com Fins Públicos afirma estar contra o pacote laboral, alegando que as medidas “não são as ideais para os trabalhadores”.
Em Oeiras, na escola básica Conde de Oeiras, não há aulas. A escola está encerrada, como confirmou o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Estado.
Apesar de ainda ser cedo para fazer um balanço à adesão, Carlos Machado assumiu que se prevê que a “paralisação seja elevada, na ordem dos 80 por cento”.
“A adesão à greve ronda os cerca de 60% sobretudo na saúde, nas escolas e nas IPSS, mas está a ter maior expressão no norte do país. Ainda estamos a recolher dados de todos os setores”, disse o secretário-geral da Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (Fesinap), Mário Rui.
A greve, convocada pela Fesinap, e que tem serviços mínimos, abrange os trabalhadores de todas as carreiras da administração pública sejam gerais ou especiais.
Mário Rui remeteu para mais tarde dados mais concretos sobre a adesão à greve contra o pacote laboral apresentado pelo Governo.
A retirada imediata da proposta de reforma laboral, pedir uma reunião urgente com o Governo sobre a reforma “Trabalho XXI”, o fim da discriminação sindical praticada pelo executivo e participação efetiva da Fesinap nas negociações laborais são os motivos da greve, de 24 horas.
Em declarações à agência Lusa na quinta-feira, o secretário-geral da Fesinap, Mário Rui, disse que a educação, incluindo professores e pessoal não docente, e a saúde, incluindo médicos e enfermeiros “poderão ser os setores mais afetados na sequência da paralisação”.
Mário Rui adiantou também que a greve visa igualmente denunciar a discriminação sindical praticada pelos consecutivos governos, acrescentando que foram decretados serviços mínimos para todas as instituições públicas.
Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2025/11/hoje-tambem-houve-greve-com-servicos-minimos/