Category: Rui Cardoso

O DL 54/2018 não se aplica aos exames, foi preciso um estudo…

Dois investigadores açorianos participaram no estudo que analisou uma década de exames nacionais do 12.º ano e revelou que estudantes neurodivergentes, com Perturbação de Aprendizagem Específica ou PHDA, partem em desvantagem, por não serem permitidas as adaptações que existem na avaliação interna

Neurodivergentes com acesso dificultado ao Ensino Superior devido a exames padronizados

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Professores alarmados com o discurso de ódio: “O ar que se respira está mais pesado”

Diretores, professores e associações alertam que o discurso de ódio, sobretudo misógino, está a aumentar nas escolas, à boleia das redes sociais, influenciadores e do Chega. Cresce a preocupação com casos de misoginia contra raparigas, que proliferam de norte a sul do país.

Professores alarmados com o discurso de ódio: “O ar que se respira está mais pesado”

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Quem nunca se sentiu como um “idiota útil”? – Paula Dias

Os profissionais de Educação são aquelas pessoas que, no exercício das suas funções docentes ou não docentes, se vêm obrigadas a pôr em prática as medidas da política educativaque vão sendo emanadas por sucessivos Ministérios da Educação…

Metaforicamente, e por outras palavras, ao longo dos anos, os Governos vão passando em cortejos engalanados e os profissionais de Educação vão assistindo a esses desfiles, cientes de que, depois de os séquitos passarem, alguém terá que varrer o chão, limpar os despojos deixados por tais passagens e arrumar todos os apetrechos usados nasglamorosas festividades…

No âmbito anterior:

Quem nunca se sentiu como um “idiota útil”, no exercício das suas funções profissionais em contexto escolar?

No geral, existem dois tipos de “idiotas úteis”:

– Há os que desempenham esse papel, sem consciência da manipulação a que estão ser sujeitos;

– E há os que desempenham esse papel, conscientes de que estão a ser usados para finalidades que, muitas vezes, lhes levantam muitas dúvidas e reservas e que suscitam, até, a sua discordância…

No universo de profissionais de Educação, quantos já se sentiram na pele de “idiotas úteis”, com consciência de que estão a ser usados para finalidades de eficácia duvidosa ou até mesmo contrárias àquilo que consideram ser o melhor para a Escola Pública?

Quantas vezes, no exercício de funções docentes ou não docentes, se ajuda a credibilizar e a legitimar más medidas educativas, concebidas por terceiros?

Quantas vezes, no exercício de funções docentes ou não docentes, se ajuda a encobrir os problemas existentes em tantas realidades inconvenientes do contexto escolar?

Os profissionais de Educação andam, há anos, a “puxar mantas pequenas”, que deixam sempre alguém com os “pés de fora”; a tentar remediar os erros concebidos pela Tutela ou a “tapar os buracos” abertos pela mesma…

Muitas vezes, chega a parecer que a própria Tutela olha para os Profissionais de Educação como se os mesmos fossem “idiotas úteis”, postos ao seu serviço e sempre ao seu dispor

E quando é que deixaremos de ser vistos pela Tutela como “idiotas úteis”?

– Quando conseguirmos demonstrar que não somos manipuláveis, nem fantoches ao serviço de vontades políticasque vão mudando, conforme os Governos e ao sabor de muitas vaidades e de outros tantos egos inflados

Problema: Os profissionais de Educação, docentes e não docentes, estão “a milhas” de conseguirem alcançar a união de classe, necessária e imprescindível para conseguirem demonstrar que não são submissos, silenciosos, nemmanobráveis…

E, para mal dos nossos pecados, a Tutela sabe isso muito bem…

Portanto…

Passados cinquenta e dois anos desde o 25 de Abril de 1974, uma parte significativa dos profissionais de Educação continua presa e amordaçada, não em Caxias ou no Tarrafal, mas sob o jugo do conformismo, da apatia, do alheamento e da obediência acrítica…

Muitos desses profissionais de Educação parecem ter optado pelo conforto e pela segurança proporcionados pelo hábito, pelo ritual e pela acomodação, preferindo não se comprometer com qualquer ruptura, mudança ou progresso, adaptados que estão à previsibilidade das suas (agonizantes) rotinas…

 

O primado da sobrevivência sobrepõe-se, muitas vezes, ao da dignidade e é dessa forma que nas escolas se vai aceitando praticamente tudo o que vem da Tutela

 

Muitas vezes, sem acções conscientes e intencionais e sem pensamento crítico, os automatismos comportamentais sucedem-se e repetem-se, num círculo vicioso de trabalho insano que aprisiona e se mostra praticamente impossível de quebrar…

Passados cinquenta e dois anos desde o 25 de Abril de 1974, ainda nos deixamos anular e silenciar, aceitando, consciente ou inconscientemente, o papel de “idiotas úteis”…

(Ao longo de mais de vinte e nove anos no exercício da função de Psicóloga em contexto escolar, já me senti, algumasvezes, como uma “idiota útil” e confesso que também me sinto cansada de lutar contra isso, quase sempre pouco acompanhada).

Paula Dias

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A indisciplina nas escolas públicas – ou o sentimento de impunidade dos alunos – Carmo Machado

 

“Os procedimentos de sanção disciplinar apresentados no Estatuto do Aluno são tão complexos e burocráticos que impedem a aplicação correta e atempada das medidas disciplinares. Sem a simplificação de todo este processo, sem a responsabilização dos pais e encarregados de educação, sem a criação de equipas especificas nas escolas que direcionem a sua atividade não letiva exclusivamente para esta agilização, a aplicação das medidas disciplinares continuará a ser impraticável e sem quaisquer resultados palpáveis na diminuição dos comportamentos disruptivos.”

A indisciplina nas escolas públicas – ou o sentimento de impunidade dos alunos

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Perde-se a memória do 25 de abril

Há um silêncio estranho a instalar-se nas margens da nossa memória coletiva. Um silêncio que não é feito de ausência de palavras, mas de excesso de versões, de repetições gastas, de narrativas embaladas para consumo rápido. Falo do 25 de Abril de 1974, não o da efeméride, não o dos cravos estilizados nas lapelas institucionais, mas o outro, o vivido, o imperfeito, o humano.

A memória viva está a desaparecer. Não de forma abrupta, mas como quem se retira devagar de uma sala, fechando a porta sem ruído. São os homens e as mulheres que souberam o que era medir as palavras, desconfiar das paredes, sentir o peso da censura antes mesmo de ela se materializar. São aqueles que sabiam o que significava viver numa ditadura sem precisar de o explicar, porque o corpo já o sabia.

Hoje, até aqueles que rondam os cinquenta anos vivem numa espécie de fronteira nebulosa. Nasceram demasiado tarde para recordar, demasiado cedo para não ouvir. Cresceram com fragmentos: histórias contadas à mesa, relatos emocionados ou ressentidos, versões que se contradizem e que, no fundo, revelam mais sobre quem as conta do que sobre o que realmente aconteceu.

E depois há a narrativa oficial. Aquela que se repete, ano após ano, com a solenidade de um ritual. Uma história limpa, organizada, quase confortável. Uma história onde os papéis parecem definidos com clareza: heróis de um lado, sombras do outro. Mas a História, a verdadeira , raramente é assim tão linear. E, ainda assim, insistimos em ouvi-la como se fosse.

Há interesses, claro que há. Há sempre. Partidos, ideologias, agendas que se apropriam do passado para legitimar o presente. E, nesse processo, a memória transforma-se em instrumento. Molda-se, seleciona-se, simplifica-se. Porque uma história complexa incomoda; uma história simples mobiliza.

É aqui que a velha máxima ganha corpo: da História consta, muitas vezes, a versão dos vencedores. Não porque seja necessariamente falsa, mas porque é incompleta. Porque deixa de fora as zonas cinzentas, os dilemas, as contradições humanas que não cabem em discursos comemorativos.

O problema não é apenas esquecer. É lembrar mal. Ou lembrar de forma condicionada. Quando a memória viva desaparece, ficamos dependentes do que foi registado, e do que foi escolhido para ser registado. E isso exige de nós um esforço maior, quase arqueológico: escavar, comparar, duvidar.

Talvez o maior desafio do 25 de Abril, hoje, não seja celebrá-lo, mas compreendê-lo. Não como um símbolo imóvel, mas como um acontecimento vivo, feito de múltiplas experiências. Um dia que não pertence apenas aos livros, mas às pessoas, às que ainda podem falar e às que já só sobrevivem nas palavras dos outros.

Porque, no fim, a liberdade que tanto evocamos também passa por isto: pela liberdade de questionar a própria memória.

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 IA: são os professores dispensáveis? – Paulo Prudêncio

Dificilmente as democracias ocidentais e as suas escolas públicas regressarão à primazia da busca desinteressada do saber. Este modelo inscrevia a matriz greco-romana na “Ideia de Europa”, tornava a profissão de professor indispensável e entusiasmante e influenciava a maioria das escolhas dos estudantes na segunda metade do século XX.

 IA: são os professores dispensáveis?

Mas tudo mudou com a crise petrolífera de 1973 e com as políticas de Thatcher e Reagan para cortar o financiamento das políticas públicas e desregular os mercados e os impostos dos mais ricos. Iniciou-se aí a crise do exercício de professor e da generalidade das profissões da administração pública. Portugal chegou com 20 anos de atraso a este fenómeno.
Estes factos empurraram, poucas décadas depois, os países ocidentais para algumas encruzilhadas:
1. A consolidação da perda de atractividade da profissão de professor;
2. A entrega de crianças e jovens à selva digital;
3. A crise de 2008, com a solução perversa, e politicamente devastadora nas escolhas dos eleitores, de entregar os volumosos financiamentos salvíficos aos causadores da catástrofe — a banca;
4. E os avultados investimentos na inteligência artificial (IA) que não estão a gerar a necessária comercialização em massa que a torne rentável e lucrativa.
Chegados aqui, há sinais preocupantes que requerem toda a atenção também dos sistemas educativos e de quem contrata professores e organiza a sua carreira.
Por exemplo, Daron Acemoglu, que considera excessiva a euforia sobre a relação entre o crescimento económico e a IA, defende que não se deve centrar o uso desta tecnologia na automação e substituição de trabalhadores, mas sim no aumento da sua produtividade. Sami Mahroum acrescenta que a IA potencia três formas distintas e incompatíveis de organizar a vida económica — tempo de máquina, tempo pessoal e tempo de relógio — que terão efeitos na organização do ensino.
Além disso, perante os crepúsculos da democracia liberal e do capitalismo de mercado, surgem novos e poderosos conceitos interessados na “uberização” dos professores: a supremacia do capital-nuvem, dos cloudistas e das rendas (onde o dólar e o yuan já dividem o domínio mundial); a monarquia tecnológica; e o tecnofeudalismo.
Por outro lado, recorde-se que um líder da China, Deng Xiaoping, declarou em 1978 o célebre “ser rico é glorioso”, que transformou uma economia agrícola fechada num colosso industrial capaz de ultrapassar, poucas décadas depois, as democracias ocidentais em domínios como a IA, a robótica, a computação avançada e as novas gerações de redes digitais. O desenvolvimento tecnológico na Ásia é, efectivamente, incomparável.
Em termos educacionais, a China anuncia uma remodelação do triângulo escolar composto por professor, alunos e conhecimento. Este último, historicamente apoiado em ferramentas tecnológicas, é substituído pela proclamação da máquina e da IA como o novo vértice essencial na relação do professor com os alunos.
Ou seja, a China, os EUA e alguns governantes das democracias ocidentais advogam, como em 1980 e através da proletarização dos professores, cortes significativos nos orçamentos da Educação. Talvez isso dê sentido à afirmação do ministro da Educação de Portugal no Parlamento: “a educação tem um número de profissionais cinco vezes superior ao do maior empregador privado, o Pingo Doce”. Aliás, o mesmo gabinete governativo anunciou a desistência, para esperar pela IA, no apuramento do número de alunos sem professor e sustenta uma profecia de que a IA permitirá “aprender três vezes mais rápido”.
Em regra, este novo extremismo liberal cita muito o pai da corrente, Adam Smith, mas parece não ter lido dois avisos na página 80 da “Riqueza das Nações” (ed. Gulbenkian de 2010). Primeiro, que os gestores profissionais tendem a concentrar-se nos seus interesses e a desvalorizar os dos proprietários das empresas (transpondo para a educação: o interesse de professores, alunos e sociedade). Segundo, como afirmou Smith, “as pessoas não são alfinetes” (ou seja, as escolas não são empresas).
Em suma, afastamos gravemente o humano do centro do organismo social. Acentua-se a desvalorização do ensino, especialmente nas humanidades, nas ciências sociais e nas artes, que se poderá agravar à medida que as consequências da IA no futuro das profissões se tornem mais nítidas.
Aliás, a Ministra da Educação da Estónia, o país mais digital da Europa, sublinhou recentemente a prudência elementar, como fariam os seus colegas da Finlândia ou de Singapura (três países dos primeiros lugares nos resultados PISA): confiança nos professores, turmas de 15 alunos e políticos “longe da sala de aula”. É que, e ainda segundo estudos da OCDE, os três países estão nos lugares cimeiros, e, nisso acompanhados por Portugal, na lista de países com mais professores jovens que pensam desistir da profissão.
Contudo, não acompanham Portugal, bem pelo contrário, na lista de países onde há mais indisciplina nas salas de aula por perda de autoridade pedagógica dos professores. No fundo, Portugal chegou tarde a estas políticas mas acelerou a descredibilização dos serviços públicos perante um mundo que teima em ditar, obsessivamente: “diz-me quanto vales em dólares ou em yuans e dir-te-ei quem és”.

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Não falta competência. Há coragem para sair do automático… e haja paciência para aturar quem nunca construiu nada mas acha sempre que sabe como devia ser feito – Alfredo Leite

Criticam projetos porque “não se aprende”, mas os alunos estão verdadeiramente envolvidos. E o cérebro, quando está envolvido, aprender e deeenvolve competências.

Semana da cultura. Projetos. Atividades. Pensar, decidir, falhar, negociar, apresentar…

E há sempre os mesmos a dizer: “isso não é escola, é perda de tempo, só a matéria é que importa.”

A aprendizagem significativa acontece quando o cérebro liga emoção, ação e contexto. O conhecimento fixa-se quando é usado, não quando é decorado. Transferência de aprendizagem exige contexto real, não folhas repetidas até à exaustão…

O problema é que isto dá trabalho.

Planear, coordenar, gerir comportamento, ajustar no momento. É mais fácil mandar abrir o manual e depois criticar quem faz diferente.

E os adultos que ficam de fora? E os egos?

Os céticos são previsíveis: não organizam nada, mas têm sempre opinião sobre quem organiza.

E sim, estes projetos têm riscos.

Alunos pouco treinados para participar vão gerar conflitos, dispersão, momentos de caos. Claro que sim.

É precisamente aí que está a aprendizagem que nunca cabe numa ficha: autorregulação, comunicação, responsabilidade em tempo real.

Quem acha que isto é perda de tempo está, no fundo, a pedir uma escola silenciosa… e cognitivamente vazia, não é?

Há dias estive nA EBI Manuel da Maia e vi uma coisa que ainda parece incomodar algumas pessoas: alunos a trabalhar a sério… sem estarem sentados calados a copiar do quadro.

Vi adultos, docentes, diretores e parceiros a darem exemplo de dinamismo e até de vulnerabilidade. Que coragem!

Alguns vão pensar: “isso é giro, mas no exame ninguém avalia projetos”, “os miúdos precisam é de matéria”, “isso é brincar às escolinhas modernas”… a esses nem vale a pena responder, porque não estão interessados em crescer l, estão interessados em ter razão.

Agora, para quem está vivo: aprendizagem profunda exige envolvimento ativo, prática deliberada e contexto significativo.

Saber repetir não é saber usar.

E a escola que só treina repetição está a formar memória de curto prazo com prazo de validade ridículo.

Projetos bem feitos não substituem conteúdos, integram-nos. Obrigar um aluno a aplicar conhecimento em situações reais ativa funções executivas, consolida memória de longo prazo e desenvolve competências que nenhum teste isolado consegue medir: tomada de decisão, autorregulação, comunicação sob pressão.

E sim, dá mais trabalho. Exige professores preparados, atentos, com capacidade de ajustar em tempo real. Ou seja, exige profissionalismo a sério. Não o mínimo olímpico.

Se quer alunos calados, previsíveis e esquecidos em duas semanas, continue só com fichas.

Se quer alunos envolvidos, capazes de pensar e agir, aguente o desconforto dos projetos e aprenda a liderá-los bem.

E uma coisa que irrita muita gente admitir: a escola portuguesa tem professores com capacidade para isto. Não falta competência. Há coragem para sair do automático… e haja paciência para aturar quem nunca construiu nada mas acha sempre que sabe como devia ser feito.

 

Alfredo Leite

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PEV será ouvido na Assembleia da República

O movimento PEV – Professores pela Equidade e Valorização será ouvido no próximo dia 28 de abril, pelas 15h00, na Comissão de Educação, Ciência e Inovação da Assembleia da República, no âmbito do seu Projeto de Lei que visa corrigir as ultrapassagens na carreira docente.
A audição surge numa fase particularmente relevante do processo legislativo, após a admissão da iniciativa legislativa, subscrita por mais de 24 mil cidadãos, e a conclusão da respetiva nota técnica.
De acordo com esse documento oficial, a iniciativa não suscita quaisquer objeções constitucionais ou regimentais, tendo sido admitida sem reservas. Este dado assume especial importância, uma vez que valida, do ponto de vista jurídico-formal, a proposta apresentada pelo movimento.
O enquadramento técnico reconhece igualmente que a aplicação das regras de reposicionamento, nomeadamente no contexto da legislação em vigor desde 2018, originou situações de ultrapassagem na carreira docente, com impacto significativo em milhares de profissionais. Este cenário deu origem a múltiplas ações judiciais, intervenções do Provedor de Justiça e sucessivas orientações administrativas, evidenciando a persistência do problema.
A nota técnica destaca ainda a existência de jurisprudência consolidada em torno do princípio da igualdade remuneratória, sublinhando que situações em que trabalhadores com maior antiguidade auferem remuneração inferior, sem justificação material, podem configurar violação desse princípio constitucional.
Para o movimento PEV, estes elementos confirmam que estamos perante um problema estrutural, amplamente reconhecido, tanto do ponto de vista jurídico como institucional.
Enquanto porta-voz do movimento, José Pereira da Silva considera que:
“O que está hoje em causa já não é o reconhecimento da injustiça, esse está feito. O que se exige agora é uma decisão política que corrija uma situação que afeta milhares de professores e compromete a equidade na carreira docente.”
A audição parlamentar permitirá ao movimento apresentar diretamente aos deputados os fundamentos da proposta legislativa, num momento que poderá revelar-se determinante para o futuro do diploma.
O PEV considera que este é um passo decisivo num percurso marcado pela mobilização de professores de todo o país, reiterando que a correção das ultrapassagens é essencial para garantir justiça, respeito pelo tempo de serviço e valorização da profissão docente.

José Pereira da Silva
Porta-voz do PEV

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Alguém se lembrou do aluno invisível nos exames e provas MODA?

Há um novo “aluno invisível” nas escolas portuguesas. Não se senta na cadeira, não levanta o braço, não pede para ir à casa de banho. Mas responde, e responde bem. Demasiado bem. É silencioso, eficiente e, ironicamente, pode estar a quilómetros de distância. Bem-vindos à era da prova feita por controlo remoto.

Imaginemos então o cenário: prova de avaliação em curso. Ambiente supostamente controlado. Um aluno pousa o seu computador da chamada Escola Digital sobre a mesa, esse mesmo computador que o Ministério distribuiu com pompa tecnológica e fé pedagógica. Tudo normal. Ou quase.

O que ninguém vê (nem o professor, nem o vigilante, nem o sistema) é que, do outro lado, alguém já entrou. Através de um software de acesso remoto, previamente instalado e discretamente ativo, uma terceira pessoa assume o controlo. O rato move-se sem mãos visíveis. As respostas aparecem com uma fluidez suspeita. O aluno limita-se a assistir — talvez nervoso, talvez aliviado. A prova deixa de ser dele.

E agora? Que meios tem a escola, ou o IAVE, para impedir isto?

A resposta curta é desconfortável, poucos. Ou, sendo mais rigoroso, pouco eficazes sem uma mudança estrutural na forma como se encara a avaliação digital.

Os computadores da Escola Digital, salvo exceções pontuais, não estão configurados como dispositivos de exame seguro. Não há um “modo de prova” universal, inviolável e auditável. Não há garantias de que softwares de acesso remoto, como AnyDesk, TeamViewer ou semelhantes, estejam bloqueados ou sequer monitorizados. E mesmo que estivessem, bastaria um mínimo de engenho técnico para contornar muitas dessas barreiras.

“Ah, mas há vigilância!”,  dir-se-á. Sim, há olhos na sala. Mas os olhos humanos não veem processos em segundo plano, nem detectam ligações remotas cifradas. O professor pode suspeitar de comportamentos, rapidez anormal, ausência de interação com o teclado, respostas demasiado “perfeitas”, mas suspeitar não é provar.

E o IAVE? Poderia impor plataformas de exame fechadas, com bloqueio de aplicações, registo de atividade, e até monitorização em tempo real. Poderia, mas isso implicaria investimento.

Passemos então às consequências.

Para o aluno, se apanhado, o cenário é claro, anulação da prova, eventual processo disciplinar, e um registo que dificilmente se apaga da memória institucional. Para a escola, o dano é mais difuso, mas não menos grave: perda de credibilidade, fragilização do processo avaliativo e uma sensação crescente de que o sistema é permeável, para não dizer ingénuo.

Mas há uma consequência mais profunda, quase invisível: a erosão do valor da avaliação. Quando uma prova deixa de garantir que mede aquilo que pretende medir, o conhecimento do aluno, torna-se um ritual vazio. Um teatro onde todos fingem que a nota corresponde a mérito.

E as implicações? São incómodas.

Primeiro, a desigualdade: quem tem acesso a apoio externo (e conhecimento técnico) parte em vantagem. Segundo, a desresponsabilização: o aluno aprende que o sistema pode ser contornado. Terceiro, a desvalorização do esforço honesto: quem estuda vê-se equiparado a quem “subcontrata” a inteligência.

Como evitar, então, que tal aconteça?

Não há solução única, mas há caminhos e exigem coragem.

1. Ambientes de exame seguros: dispositivos configurados exclusivamente para provas, com bloqueio total de software externo e acesso à internet controlado ou inexistente.

2. Plataformas dedicadas: sistemas de avaliação que registam atividade, impedem multitarefa e sinalizam comportamentos suspeitos.

3. Provas híbridas ou presenciais com papel: sim, o velho papel continua a ter uma virtude inegável — não aceita ligações remotas.

4. Avaliação contínua diversificada: reduzir o peso de momentos únicos e apostar em múltiplas evidências de aprendizagem, mais difíceis de “terceirizar”.

5. Literacia digital crítica: não apenas ensinar a usar tecnologia, mas também a compreender os seus riscos e as suas tentações.

6. Responsabilização clara: regras explícitas, consequências aplicadas, e uma mensagem inequívoca de que fraude tecnológica é fraude, ponto.

No fim, a questão não é tecnológica. É cultural.

Enquanto persistir a ideia de que a avaliação é um obstáculo a ultrapassar e não um processo de aprendizagem, haverá sempre quem procure atalhos. A tecnologia apenas sofisticou esses atalhos.

E talvez o mais mordaz disto tudo seja o seguinte: distribuímos computadores em nome da igualdade de oportunidades, mas esquecemo-nos de garantir igualdade nas condições de avaliação. Criámos um sistema moderno na aparência, mas vulnerável na essência.

O aluno invisível não veio do futuro. Foi o sistema que o convidou.

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Alguém no IAVE previu isto???

E amanhã falamos mais sobre o assunto…

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Reserva de Recrutamento 52 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 14 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quinta-feira, dia 23 de abril, até às 23:59 horas de sexta-feira, dia 24 de abril de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 52

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Professores portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos

mas são dos mais mal pagos…

Segundo um estudo da OCDE, os portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos, seguindo-se depois os professores da Polónia, Croácia, EUA, Chile, África do Sul, Marrocos e Arábia Saudita.

Professores portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos

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Inícia o Período de Matrículas para Educação pré-escolar e 1.º ano do Ensino Básico

A partir do dia 22 de abril, o Portal das Matrículas abre para o ano letivo 2026/2027, dando-se início ao período de matrículas para a educação pré-escolar e para o 1.º ano do Ensino Básico.

processo de matrícula é realizado exclusivamente por via eletrónica, através do Portal das Matrículas.

As matrículas para o ano letivo 2026/2027 decorrem de acordo com quatro períodos distintos, conforme disposto no Despacho n.º 4472 A/2026.

Calendário das matrículas 2026/2027

  • Pré-escolar e 1.º ano do Ensino Básico | 22 de abril a 1 de junho
  • 6.º ao 9.º ano e 11.º ano | 16 de junho a 29 de junho
  • 2.º ao 5.º ano do Ensino Básico | 1 de julho a 13 de julho
  • 10.º e 12.º anos do Ensino Secundário | 15 de julho a 22 de julho

cumprimento rigoroso dos prazos estabelecidos é essencial para assegurar a adequada organização do próximo ano letivo. Recomenda-se, por isso, que os encarregados de educação procedam à submissão dos pedidos dentro dos períodos definidos.

Toda a informação necessária para o correto preenchimento do processo de matrícula ou de renovação de matrícula encontra-se disponível no Portal das Matrículas.

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Houve milhares que quiseram ser professores

O ministro da Educação, Ciência e Inovação (MECI), Fernando Alexandre, esteve reunido com os sindicatos de professores para discutir uma proposta da tutela que prevê a criação de um novo concurso nacional que está sempre aberto para ir dando resposta às necessidades diárias das escolas.

Existem “em Portugal, milhares de pessoas que querem ser professores, mas nós não tratamos bem essas pessoas”, afirmou Fernando Alexandre, dando como exemplo os jovens que, após terminarem o mestrado de ensino, têm de esperar quase um ano para começarem a dar aulas.

“Há muitos candidatos a professores que desistem de ser professores, precisamente porque demoram demasiado tempo a ser colocados numa escola”, disse o ministro em declarações aos jornalistas no final das reuniões sindicais no âmbito da revisão do Estatuto da Carreira Docente.

A proposta tenta resolver o problema dos alunos sem aulas e de atrair quem está pronto a dar aulas, já que “alguém que acaba o curso de mestrado de ensino pode, no dia a seguir, ir ao Ministério da Educação ver que oportunidades têm para dar aulas. E isto muda completamente”, disse.

Além destes jovens com mestrados em ensino, há “muitos milhares” com habilitação própria, a quem a tutela oferece a profissionalização: “Nós temos muitas pessoas que reúnem as condições para dar aulas de Português, para dar aulas de Inglês, Matemática, Física, mesmo não estando profissionalizados”, lembrou Fernando Alexandre.

A ideia é que este concurso nacional contínuo responda aos pedidos de necessidades temporárias, que “são milhares” e surgem durante o ano em escolas de todo o país, reconheceu o ministro, admitindo que se continua a “demorar demasiado tempo a colocar os professores” deixando os alunos “sem aulas durante muito tempo”.

O que convém que se diga também é isto.

Desde 2005 que consistente se destruiu a profissão docente. Sucessivos governos fizeram-no.

Se demorámos vinte anos a degradar a profissão, não será em dois ou três diplomas, ainda que bem-intencionados, que a vamos recuperar. Serão necessários, no mínimo, outros vinte anos de políticas consistentes, de valorização real e de respeito efetivo pela carreira para que o ensino volte a ser visto como uma escolha desejável e estável.

Até lá, convém abandonar a ilusão confortável de que existem “milhares” à espera de entrar.

Houve  milhares que quiseram ser professores. Houve gerações inteiras que escolheram a profissão por vocação, por compromisso cívico, por acreditar que ensinar era construir futuro. Mas esses milhares não são os mesmos que hoje o ministério invoca com aparente tranquilidade. Esses milhares foram, ao longo de duas décadas, submetidos a um processo sistemático de desgaste, desvalorização e, em muitos casos, humilhação profissional.

Foram empurrados para uma precariedade crónica, saltando de contrato em contrato, de escola em escola, de distrito em distrito, adiando vidas pessoais, adiando estabilidade, adiando tudo. Foram alvo de reformas sucessivas que lhes retiraram tempo de serviço, progressões, dignidade. Foram transformados em números,  curiosamente, antes de serem descartados como irrelevantes.

Existiram. Foram maltratados. Saíram. E não voltarão apenas porque agora o sistema decidiu, finalmente, funcionar um pouco melhor.

Porque a verdade,  essa que não cabe nos comunicados nem nos modelos de concurso, tem memória. E, sobretudo, tem consequências.

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Outro problema que a escola vai ter que resolver

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Só isto não chega para valorizar e atrair milhares…

Amanhã eu explico porquê.

 

Noutro plano, quando questionado sobre como pretende tornar a carreira de docente mais atrativa, o ministro da Educação reafirma que “os primeiros escalões serão claramente valorizados e que vamos acabar com as quotas de acesso ao quinto e ao sétimo escalão”.

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Balanço da reunião negocial FNE/MECI

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Reforma aos 60 anos para professores e educadores – dignidade, respeito e justiça

Uma petição pública que defende a reforma aos 60 anos para professores e educadores de infância, sem penalizações, reuniu já 19.045 assinaturas e será dirigida ao Presidente da Assembleia da República, com o objetivo de impulsionar mudanças no regime de aposentação destes profissionais.

No documento, os subscritores apelam à criação urgente de um regime específico que reconheça a docência como uma profissão de desgaste rápido. Argumentam que os professores enfrentam níveis elevados de stress, carga burocrática crescente e exigências cada vez maiores no contexto escolar, fatores que, ao longo de décadas, afetam significativamente a sua saúde física e mental.

A petição sublinha que muitos docentes acumulam mais de 35 ou 40 anos de serviço e considera “inaceitável” que sejam obrigados a permanecer em funções até aos 66 ou 67 anos, como atualmente previsto no regime geral. Segundo os proponentes, esta realidade compromete não apenas o bem-estar dos profissionais, mas também a qualidade do ensino e o acompanhamento dos alunos.

Entre as principais reivindicações estão o reconhecimento formal da profissão como de desgaste rápido, a possibilidade de aposentação aos 60 anos sem cortes e a valorização dos longos anos de carreira já cumpridos.

O texto termina com um apelo direto à ação política, defendendo que está em causa “a dignidade de uma classe essencial à sociedade” e alertando para a necessidade de garantir melhores condições para o futuro da educação em Portugal.

 

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Esqueçam as comemorações do 25 de Abril! – Paula Dias

Afinal, a liberdade, alegadamente conquistada pelo 25 de Abril de 1974, parece que não será bem igual para todos!

Na passada semana, ficou a conhecer-se um parecer da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), enviado à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP), sobre o financiamento dos Partidos Políticos, em concreto a identidade dos respectivos doadores:

A CADA considerou que a divulgação da identidade de doadores de partidos políticos e campanhas eleitorais deve ser restringida, mesmo quando solicitada por jornalistas ou investigadores, por envolver dados pessoais sensíveis que podem revelar convicções políticas, segundo o parecer enviado à ECFP.(Jornal ECO, em 16 de Abril de 2026).

– “No centro da análise está a natureza da informação em causa. A CADA conclui que a identificação de doadores – associada aos montantes entregues – não é um dado neutro. Pelo contrário, “a associação de um donativo a determinado partido político ou candidatura é, em regra, suscetível de revelar, direta ou indiretamente, as opiniões ou convicções políticas do doador”, integrando assim uma categoria de dados “particularmente sensíveis”. Na sequência desta posição, a ECFP reviu uma prática com cerca de duas décadas e passou a restringir o acesso às listas de financiamento privado.(Jornal ECO, em 16 de Abril de 2026).

A decisão impede, assim, o escrutínio público sobre quem financia os partidos, dificultando a identificação de eventuais conflitos de interesses entre doadores e beneficiários políticos.(Jornal ECO, em 16 de Abril de 2026).

Em resumo, não pode deixar de causar muita apreensão, a todos os cidadãos, a possibilidade de não se conhecerem os financiadores dos Partidos Políticos e de poderem existirconflitos de interesses entre doadores e beneficiários partidários, sem qualquer escrutínio público.

Num país onde frequentemente falta “maturidade democrática” e onde o lobbying raramente é assumido de forma transparente e lícita, o mais comum é criarem-se teias de interesses, de influências e de pressões, quase sempre exercidas na tentativa de interferir na tomada de determinadas decisões, com o intuito previsível de conseguir obter vantagens ou benefícios, individuais ou de grupo, muitas vezes ilegais e clandestinos.

 

Num país de “comadres e de compadres”, costuma ser muito fácil resvalar para o estabelecimento de relações duvidosas, obscuras e “perigosas”, frequentemente dominadas por interesses do clientelismo partidário.

 

Nos termos anteriores, será possível, à partida, confiar na idoneidade, nos princípios éticos e morais, na credibilidade e na boa-fé dos Partidos Políticos e dos respectivos doadores/financiadores?

Com toda a franqueza, confiaria mais numa hiena do que no anterior…

Paradoxalmente, se um cidadão comum receber algum donativo, por transferência bancária, dinheiro ou cheque, superior a 500 euros é obrigado a declará-lo às Finanças, ficando o mesmo sujeito a Imposto de Selo. (Polígrafo, em 29 de Março de 2023).

Apenas ficam isentos casos em que a doação é feita entre o casal, entre pais e filhos e avós e netos. Se a doação for entre irmãos, a mesma não fica isenta: se alguém quiser dar uma prenda superior a 500 euros a um irmão, por exemplo a propósito de uma celebração de casamento ou baptizado, a quantia fica sujeita ao imposto de 10% e deve ser declarada.(Polígrafo, em 29 de Março de 2023).

Portanto, parece que as obrigações do cidadão comum, relativas a donativos, serão bem diferentes das dos Partidos Políticos, se o referido parecer da CADA passar a vigorar.

A identificação de doadores, no caso do cidadão comum, não levanta qualquer renitência, ao invés dos Partidos Políticos. Em relação a essa discrepância, pergunta-se: o cidadão comum não terá o direito de saber quem financia os Partidos Políticos? Num regime democrático é aceitável que não se conheçam os financiadores dos Partidos Políticos? Esse eventual encobrimento servirá a quem?

Numa altura em que estamos quase a entrar na época oficial” das cerimónias públicas e dos incontáveis discursos de circunstância, laudatórios a25 de Abril de 1974, sempre quero ver que Partidos Políticos se mostrarão disponíveis para aprovarem na Assembleia da República alterações legislativas que permitam compatibilizar o princípio da transparência do financiamento político com a protecção dos titulares dos dados pessoais.

A Liberdade implica responsabilidade e transparência.

Nenhum cidadão está desobrigado do dever de responsabilidade e de transparência, sem o qual muito dificilmente se poderá usufruir do direito de liberdade.

Os Partidos Políticos, enquanto representantes dos cidadãos, não podem deixar de dar o exemplo na defesa da transparência, do rigor e da honestidade, se pretenderem o respeito dos seus concidadãos.

Aguardemos para ver quantos Partidos Políticos o farão…

Se o referido parecer da CADA passar a vigorar isso significará que não houve da parte dos Partidos Políticos qualquer vontade ou interesse de proceder a alterações legislativas que permitissem aos cidadãos o escrutínio do financiamento partidário.

Se o referido parecer da CADA passar a vigorar isso significará que caminhamos a passos largos para a abolição da transparência em termos de financiamento partidário e que estaremos cada vez mais afastados daquilo que é um regime democrático.

Se o referido parecer da CADA passar a vigorar, então esqueçam as comemorações do 25 de Abril! Ou será que essas comemorações também servirão para disfarçar a falta de Princípios éticos dos Partidos Políticos?

Se o referido parecer da CADA passar a vigorar, estaremos a abrir caminho à “oficialização” da aceitação de eventuaisrelações duvidosas, obscuras e “perigosas”, frequentemente dominadas por certos interesses do clientelismo partidário.

Estaremos, obviamente, também, mais próximos de uma Ditadura, onde o Poder costuma ser exercido de forma discricionária, autocrática e arbitrária e onde as ilegalidades ou ilicitudes pura e simplesmente não existem Não existemporque a “lei” é feita com esse propósito… Ainda que só para alguns, claro está…

Se o referido parecer da CADA passar a vigorar, então esqueçam as comemorações do 25 de Abril!

Comemorar exactamente o quê?

Que houve um Homem chamado Salgueiro Maia, corajoso e íntegro, que acabou traído, em 2026, pelos Partidos Políticos que representam os seus concidadãos?

E, por favor, não perguntem por quem é que os sinos dobram… Eles dobram por todos os cidadãos que (ainda) acreditam numa Democracia pautada pela Ética, desde logo ados Partidos Políticos… O assunto é efectivamente grave e merece a atenção de todos os que (ainda) se preocupam com o estado da nossa pretensa Democracia.

E, por favor, não perguntem o que é que este assunto tem a ver com Educação ou com Escola Pública…

Será possível exigir transparência, rigor, ética, honestidade à Escola Pública e não o fazer, também, em relação aos Partidos Políticos?

Ainda para mais sabendo que as medidas educativas dependem, sobretudo, de Partidos Políticos?

Paula Dias

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Crónica de uma formação contínua – João André Costa

 

Há em Portugal, como há tantas coisas em Portugal, e, aliás, há tudo em Portugal incluindo não só a árvore dos Patafúrdios, mas também uma engrenagem invisível a exigir aos docentes, na delicadeza burocrática de um carimbo, uma formação contínua e incessante, eterna, e o saber, ou a falta dele, é uma dívida para sempre por saldar.

Dizem-lhes: é um direito e um dever. E a frase, tão redonda, tão perfeita, é uma armadilha.

É uma patranha. Das grandes.

Porque se o direito vem com o reconhecimento, já o dever é esta hera a crescer pelas paredes da vida, a nossa vida tantas vezes espoliada e vilipendiada noite dentro e depois das horas de trabalho, quando o corpo, e com o corpo a cabeça, grita por silêncio e repouso.

Qual repouso? Não há repouso.

A lei, discreta como um burocrata a evitar olhar-nos de frente, sublinha ser a formação contínua essencial para a qualidade do ensino, para a melhoria dos resultados, para o aperfeiçoamento permanente do docente.

E ninguém discorda.

E todos anuem.

Atire a pedra o primeiro professor contra o aperfeiçoamento!

E o problema não está na ideia, mas na geografia da mesma: cursos espalhados pelo país, inscrições pagas do próprio bolso, deslocações a somar quilómetros como contas de um rosário, horas roubadas ao jantar, aos filhos, ao sono.

Professores a conduzir a noite, faróis como pequenas confissões na estrada a caminho de uma outra escola ou um qualquer centro de formação no meio de um baldio no meio de nenhures, Bem-Vindo a Nenhures, para ouvir falar de metodologias activas enquanto o sono cabeceia contra a parede mais o meu reino por uma cama, o meu reino por uma cama e o meu reino por uma cama agora.

Uma formação independente das necessidades da escola e dos alunos, ao invés liberalizada e transformada num verdadeiro mercado pago por quem ensina para poder progredir na carreira. E há nisto há qualquer coisa de ironicamente cruel: para ensinar melhor é preciso primeiro sobreviver ao sistema concebido para ensinar melhor.

Depois atravessamos o mar, esse intervalo salgado a separar não só territórios, mas maneiras de pensar, e encontramos o Reino Unido, onde a palavra formação não vem carregada de culpa, mas de calendário.

Ali, cinco dias por ano, cinco dias inteiros, são retirados às aulas como quem abre as janelas de uma casa fechada. Chamam-lhes “INSET days”, dias sem alunos, dias nos quais os professores continuam a trabalhar mas trabalham para si próprios, para a escola, para o colectivo. Não são horas clandestinas roubadas à noite, são horas reconhecidas, inscritas no tempo de serviço e no horário de trabalho.

Nesses dias, a escola pára para pensar. A Direção observa, escuta, decide quanto faz falta aprender, não por capricho mas por necessidade real, alinhando a formação com os alunos, com as dificuldades concretas, com o futuro possível daquela comunidade. Não é o professor quem anda à procura da formação como quem procura água no deserto, é a formação ao encontro da escola numa resposta organizada.

E talvez o mais estranho para nós seja isto: não pagam por isso. Não pagam para aprender aquilo exigido pelo sistema. Não atravessam o país em peregrinação pedagógica. Estão no seu horário, no seu espaço, no seu lugar.

E no meio disto tudo fica uma pergunta por enunciar em voz alta, talvez por pudor, talvez por hábito: desde quando o tempo dos professores não tem valor? Desde quando alguém confundiu vocação com disponibilidade infinita?

E assim, os professores neste Portugal dos Pequenitos, continuam a ensinar, com uma coragem silenciosa, quase teimosa.

O contrário é esta ideia a preto e branco e em papel à espera da sua hora lusitana: cinco dias por ano, cinco dias apenas, um gesto de respeito, uma pausa para reconhecer como ensinar também é aprender, e aprender não é um castigo.

João André Costa

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Reserva de Recrutamento 51 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 13 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira, dia 20 de abril, até às 23:59 horas de terça-feira, dia 21 de abril de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 51

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Listas provisórias-Concurso Pessoal Docente 2026/2027 – Açores

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Nova ronda negocial entre FNE e MECI

 

 

Nova ronda negocial entre FNE e MECI sobre a revisão do modelo de recrutamento e colocação de docentes – Tema 2 (ECD)

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Guia de Matrículas 2026/2027, para Encarregados de Educação

 

 

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Audição na AR da AJDF

AJDF – Contribuição para o Estatuto da Carreira Docente na Audição da Comissão de Educação e Ciência da AR.

Audição

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A *AJDF*, hoje, pelas 14 horas, será ouvida *na Assembleia da República, na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência*

A *AJDF*, *hoje, pelas 14 horas*, será ouvida *na Assembleia da República, na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência* (CEC), no âmbito do Grupo de Trabalho constituído para o *processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).*

*A delegação da AJDF faz-se acompanhar pelo Doutor Ricardo Nascimento*, da *Pragma Advogados*, responsável pela elaboração do *documento que contém as propostas da AJDF*.

*Acompanhe em:* https://canal.parlamento.pt/

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Reserva de Recrutamento 50 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 12 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quarta-feira, dia 15 de abril, até às 23:59 horas de quinta-feira, dia 16 de abril de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 50

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Concurso Nacional Interno e Externo 2026/2027 – 1.ª Validação

Encontra-se disponível até às 23h59 horas de 20 de abril de 2026 (hora de Portugal continental), a aplicação eletrónica para efetuar a 1.ª Validação para o Concurso Nacional Interno e Externo, destinado a Educadores de Infância e a Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

SIGRHE – 1.ª Validação 2026/2027

Nota de Anexos

Legislação

Outros

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Alterações nas Matriculas

Procede à quinta alteração ao Despacho Normativo n.º 6/2018, de 12 de abril, com a redação dada pelo Despacho Normativo n.º 2-B/2025, de 21 de março.

Despacho Normativo n.º 7/2026, de 14 de abril

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Se fosse só uma questão financeira estaria a coisa resolvida

O problema vai muito para lá disso…reuniões para aprovar candidaturas, prazos, burocracia, candidaturas, concursos para elaborar projetos, burocracia, projetos, concursos de adjudicação, burocracia, mão de obra… e podíamos continuar por mais 3000 caracteres e não acabava o processo.

 

Fernando Alexandre elogiou descentralização educativa, mas admitiu falhas na relação entre municípios e escolas e alertou que as 500 escolas a precisar de obras não se resolvem de uma vez.

“Não há recursos para 500 escolas de uma vez”: ministro defende descentralização mas reconhece aspetos a melhorar

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Apuramento de Vagas – Ensino Artístico

Encontra-se disponível, até às 23:59 horas do dia 16 de abril de 2026 (hora de Portugal continental), a aplicação informática Apuramento de Vagas, destinada à recolha das necessidades permanentes dos estabelecimentos de ensino artístico especializado.

SIGRHE – Concurso Ensino Artístico 2026/2027 – Apuramento de vagas

 

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Tentem consultar o vosso RITS… ou pesquisar as listas do ano passado da DGAE

 

 

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O “erro moderno” repete-se com fatos novos – Alfredo Leite

Confesso uma coisa que me inquieta cada vez mais quando entro em escolas e falo com professores. Há um cansaço novo no ar.

Não é só o cansaço das reuniões, dos relatórios, dos conflitos, das turmas difíceis ou das famílias em sofrimento. É outro.

É o cansaço de ouvir, mais uma vez, que a solução vem aí embrulhada em tecnologia, com promessa de futuro, brilho de palco e linguagem de revolução…

E, no meio disso tudo, muitos professores olham para a inteligência artificial e pensam uma coisa muito simples e muito séria: outra vez a mesma história, mas agora com máquinas a fingir que nos compreendem.

Eu percebo esse medo. E seria intelectualmente desonesto não o dizer. Porque há perguntas que já estão a crescer dentro das escolas,…

Se um aluno usa IA para pensar, escrever e organizar ideias, o que é que ele está realmente a aprender?

Se a escola proíbe ou condena esse uso nos alunos, mas celebra esse mesmo uso nos adultos, que mensagem moral está a passar?

Se começamos a delegar na máquina aquilo que antes exigia esforço cognitivo, hesitação, tentativa, erro e reformulação, não estaremos a treinar uma geração para parecer competente sem ter construído competência verdadeira?

E a mais incómoda de todas: quando a inovação começa a substituir o juízo do professor, ainda estamos a modernizar a escola ou estamos a desautorizar, devagarinho, quem a sustenta ?

O meu receio não é a tecnologia em si.

O meu receio é a velha tentação humana de chamar progresso àquilo que apenas reduz esforço imediato e aumenta dependência futura.

Já vi isto antes com outras modas educativas. Chegam com palavras grandes, prometem libertar tempo, democratizar aprendizagem, personalizar ensino, revolucionar tudo.

Depois, no terreno, sobra muitas vezes mais confusão, mais desigualdade e mais pressão sobre os mesmos de sempre.

E por isso compreendo perfeitamente o professor céptico que pensa: lá vem mais uma vaga tecnossalvacionista, cheia de entusiasmo, mas sem uma resposta robusta para a pergunta decisiva. Isto melhora mesmo o pensamento das crianças e dos jovens ou apenas melhora a aparência de modernidade dos adultos?

Talvez o ponto mais perigoso seja este: podemos começar a confundir fluidez com inteligência.

Um texto rápido não é necessariamente um pensamento profundo.

Uma resposta correta não é o mesmo que uma mente formada.

Uma ferramenta poderosa não substitui carácter, discernimento, leitura lenta, escrita sofrida, silêncio intelectual e confronto honesto com a dificuldade.

E quando uma escola perde respeito por esse processo, perde muito mais do que método.

Por isso, antes de celebrarmos a IA como salvação pedagógica, talvez devêssemos ter coragem para fazer perguntas menos confortáveis e mais adultas.

Quem fica mais forte com isto?  O professor ou o sistema?

O aluno ou a sua preguiça cognitiva?

A aprendizagem ou apenas a produção?

A ética ou a conveniência?

A liberdade interior ou a dependência elegante?

Há alturas em que a tecnologia não entra na escola como ferramenta. Entra como atmosfera. E quando uma atmosfera se instala sem pensamento sério, o perigo maior não é substituir professores. É substituir lentamente a ideia de que pensar custa, demora e forma a alma.

E, por vezes, estas tecnologias chegam-nos embrulhadas em excesso de marketing, interesses pouco transparentes e uma coreografia de palco demasiado previsível.

São apresentadas como inevitáveis, quase redentoras, muitas vezes por alguém mais treinado para impressionar do que para compreender verdadeiramente o que se passa numa sala de aula real.

E é precisamente aí que o professor desconfia, e bem: quando há demasiado brilho no discurso e pouca seriedade nas consequências, o mais prudente não é a rendição. É a lucidez.

Uma escola que troca relação humana por fascínio tecnológico arrisca cair numa deriva tecnocrática, esquecendo que educar não é acelerar produção, é formar pessoas.

Eu diria que a verdadeira inovação não vem do brilho da ferramenta, mas do interior da prática pedagógica, e que o digital só tem valor quando reforça a educação como bem público em vez de enfraquecer o lugar do professor.

Porque uma cultura que confunde fluidez com inteligência está a correr um risco sério, porque carácter, discernimento e confronto com a complexidade não se descarregam de uma máquina.

Se a escola continuar a substituir experiência vivida por soluções fáceis e ecrãs sedutores, teremos crianças cada vez mais adaptadas à passividade e cada vez menos preparadas para explorar, frustrar-se, pensar e crescer a sério.

O “erro moderno” repete-se com fatos novos. Sempre que uma ferramenta começa a seduzir mais do que a verdade difícil do crescimento, o adulto sensato abranda e faz perguntas.

 

Alfredo Leite

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Os objetivos de Fernando Alexandre

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A escola é, cada vez mais, como um ex-amor… – Paula Dias

 

A escola é, muitas vezes, como aqueles parceiros de uma relação que abusam, agridem, manipulam e controlam os seus pares… 

Gritar, humilhar publicamente, culpar e acusar de forma despropositada e excessiva, ignorar o diálogo, desferir críticas destrutivas ou agir de forma discricionária e autoritária são exemplos de alguns comportamentos manifestados pela escola, dentro de cada escola…

 

A escola tem uma interacção perturbada e conturbada com os seus parceiros de relacionamento… Não existe nessa relação a serenidade e o apaziguamento necessários para o estabelecimento de compromissos leais e justos, entre as partes envolvidas…

Na escola, muitas vezes, a paz é falsa e simulada, a tranquilidade é aparente e decorre apenas da inacção, do evitamento ou da indiferença…

A relação tóxica e abusiva, muitas vezes estabelecida entre a escola e os respectivos parceiros, ilustra bem a perturbação relacional existente…

A rejeição ou o divórcio entre a escola e os seus parceiros parece inevitável: 

– Os que ainda permanecem na relação anseiam por poder sair dela o mais rapidamente possível e libertar-se da asfixia constante a que são sujeitos;

– Grande parte dos possíveis novos parceiros desiste da relação, mesmo antes de a ter experimentado… 

Lidar com o desapego e o desencanto dos primeiros e com a rejeição explícita dos segundos talvez não seja fácil para a escola, mas também não a faz mudar a atitude prepotente e doentia, frequentemente observada…

A escola trai, engana e ludibria os seus parceiros de relação. Também não os reconhece nem os valoriza…

A infidelidade é prática comum e corrente, existem muitos parceiros que são despudoradamente “encornados” pela escola… No fundo, a escola adora “saltitar de nenúfar em nenúfar”…

A escola gosta de “flirtar”, mas não tem coragem para assumir compromissos sérios e consumar algumas relações. Para a escola, não há ninguém insubstituível, nem amores incondicionais…

Todos, num certo momento, podem ser descartados, rejeitados, preteridos ou trocados. E sobre isso que não haja qualquer ilusão ou engano…

A escola não sabe namorar porque não consegue manter com os seus parceiros uma relação afectiva baseada no comprometimento, na cumplicidade e na confiança…

Não há reciprocidade de sentimentos entre a escola e os seus parceiros… A escola perdeu a capacidade de seduzir e de atrair. A escola tolera-se, mas não se deseja…

A escola não quer saber de relações saudáveis, nem de Ideais ou de Princípios…

Esses ficam apenas muito bem descritos e defendidos em compêndios teóricos, elaborados por “sábios” que nunca pisaram numa escola, a não ser, talvez, em ilustres cerimónias de inauguração ou em visitas previamente agendadas, sempre muito bem encenadas, dominadas pela artificialidade e preparadas com todo o brilho e devoção…

A escola é como um amante manhoso, interesseiro e desleal: as juras de amor e a sedução só duram o tempo necessário para se encontrar um substituto…

A escola rege-se por aquela desculpa esfarrapada, frequentemente utilizada para justificar o fim de um relacionamento e para esconder ou mascarar a rejeição: “o problema não és tu, sou eu”…

Dessa forma, a escola procura o indulto, ao mesmo tempo que assume uma postura profundamente egocêntrica, hipócrita e cobarde… Trata-se de uma estratégia ardilosa que, à primeira vista, pretende suavizar a culpa dos parceiros e retirar-lhes o ónus da responsabilidade da separação, mas, também, e intencionalmente, esvaziar de pertinência qualquer argumento apresentado com o objectivo de reverter a ruptura e o afastamento…

Nessas condições, não há reatamento possível porque não há nada que os parceiros possam fazer para evitar a separação, a causa da mesma não é controlável por eles, está fora do seu alcance…

Mas a submissão que a Escola exige aos seus parceiros é tão intolerável quanto o é a inércia e a resignação destes últimos face a tal exigência…

Na escola não se vive, funciona-se e nem sempre se sobrevive…

A escola, como muitos agressores, regozija-se e “esfrega as mãos de contente” pelo silêncio tácito dos que permanecem neutrais e conta com a sua irrevogável cumplicidade e conivência…

A escola não é um parceiro de Bem e por isso não é recomendável… Como se fosse um parceiro clandestino, a escola, cada vez mais, se confronta com dificuldades para ser vista como alguém que se apresenta à família ou que se assume perante os amigos…

A escola espera ser amada, mas não consegue amar ninguém… A escola só ama a si própria…

Mas essa condição também não impede que se estabeleça com ela uma espécie de relação amor-ódio, repleta de ambivalência emocional e de sentimentos contraditórios, que naturalmente tendem a entrar em conflito… 

Não adianta romantizar a relação com a escola:

– No momento actual, a escola é um agente potencialmente patogénico, para aqueles que com ela se cruzam…

E espanta a forma como, muitas vezes, se reage à intimidação ou à agressão, perpetradas pela escola: 

– Idolatria, cumplicidade e dependência face aos agressores, plausivelmente pelo medo de eventuais retaliações… 

Raios partam a tolerância à manipulação e a atração por relacionamentos abusivos e tóxicos, evidenciadas por tantas pessoas…

Raios partam a hipocrisia, a cobardia e a ausência de solidariedade, tantas vezes observadas, quando algum parceiro tenta libertar-se do agressor, recusando “vender a alma ao diabo”… 

Sendo este texto um assumido devaneio, saturado de metáforas, pergunta-se:

– Quem nunca fingiu prazer, tendo a escola como parceiro?

Cada vez mais, o “casamento” com a escola se parece com isto:

– “Casaste por amor ou por interesse?”

– “Deve ter sido por amor, que interesse não lhe vejo nenhum…”

A escola perfeita não consome álcool, não fuma, não ingere açúcar nem gorduras saturadas, não engana, não mente e, principalmente, não existe…

A escola é, cada vez mais, como um ex-amor:

“Gostaria que tu soubesses

O quanto que eu sofri

Ao ter que me afastar de ti”

Nos desgastamos

Transformando tudo em dor

(Martinho da Vila, Ex-Amor).

Escrevi este texto há alguns anos, em circunstâncias muito particulares. O Blog DeAr Arlindo publicou-o, pela primeira vez, em Agosto de 2023. Relendo-o hoje continua a fazer sentido para mim, ainda que as circunstâncias que me levaram a escrevê-lo se tenham alterado…

Fará sentido para mais alguém?

Paula Dias

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Pais em “modo avião” (Parte II)

Há uma tendência curiosa, para não dizer trágico-cómica, nas sociedades modernas: quanto mais complexos se tornam os problemas das crianças, mais rapidamente os adultos olham para a escola como se fosse uma espécie de centro de reparação universal. A criança não respeita regras? A escola que resolva. Está viciada no telemóvel? A escola que proíba. Não sabe lidar com frustração? A escola que ensine. Em breve, se o miúdo não comer a sopa, ainda se pede ao diretor de turma que intervenha com um plano estratégico.

A frase de Kristina Kallas cai como uma pedra neste lago de ilusões: “a responsabilidade parental é menos discutida do que a responsabilidade dos professores.” E é difícil não concordar, ainda que isso doa um bocadinho, sobretudo a quem já delegou metade da educação dos filhos no Google Classroom e a outra metade no TikTok.

Vivemos na era do “pai em modo avião”. Está presente, mas não responde. A criança cresce com autonomia — não aquela autonomia saudável, mas uma versão premium de “faz o que quiseres enquanto eu trato da minha vida”. Depois, quando inevitavelmente algo corre mal, entra em cena o clássico: “A escola devia ter feito mais.”

Devia? Talvez. Mas fazer o quê exatamente? Ensinar matemática, português, ciências… e, já agora, valores, limites, empatia, gestão emocional, nutrição, cidadania digital e, se sobrar tempo, como dizer “não” sem fazer birra. Tudo isto com turmas de vinte e tal alunos, cada um com a sua história, e com uma burocracia que faria um funcionário das finanças pedir baixa por stress.

Entretanto, o professor tornou-se uma figura quase mitológica: uma mistura de psicólogo, assistente social, mediador de conflitos e, ocasionalmente, docente. Falta-lhe apenas capa, embora, sejamos justos, muitos já andem em modo sobrevivência, o que é uma espécie de superpoder moderno.

O problema não está apenas na exigência. Está na transferência silenciosa, e confortável, de responsabilidades. Educar dá trabalho. Dá conflitos. Dá cansaço. E, sobretudo, dá aquela coisa pouco popular chamada coerência. É muito mais simples esperar que a escola faça o “trabalho difícil” e depois aparecer nas reuniões para perguntar por que razão o filho não respeita regras… regras essas que nunca existiram em casa.

Claro que isto não significa absolver a escola de tudo. Nem cair na tentação fácil de culpar os pais por todos os males do mundo. Há desigualdades, contextos difíceis, realidades complexas. Mas uma coisa é certa: nenhuma política educativa, nenhum decreto, nenhum projeto inovador substitui aquilo que acontece, ou não acontece, dentro de casa.

E aqui entra o paradoxo delicioso: exige-se cada vez mais da escola, enquanto se esvazia progressivamente o papel educativo da família. Resultado? Professores exaustos, pais indignados e crianças… confusas. Muito confusas.

Talvez esteja na altura de um pequeno ajuste civilizacional. Nada de revolucionário, apenas recuperar uma ideia antiga, quase vintage: os pais educam, a escola ensina. Simples, não é? Quase suspeito de tão simples.

Mas enquanto isso não acontece, continuaremos neste espetáculo peculiar: pais em “modo avião”, professores em “modo super-herói” e alunos a assistir, entre um scroll e outro, a ver quem ganha esta batalha de expectativas.

Ninguém ganha. Mas dá um excelente material para crónica.

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Reserva de Recrutamento 49 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 11 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de sexta-feira, dia 10 de abril, até às 23:59 horas de segunda-feira, dia 13 de abril de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 49

 

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“Mais de 10 mil professores do Norte não estão disponíveis para vir para Lisboa”

Fernando Alexandre aponta desigualdades entre Norte e Sul do País que colocam em causa missão da escola pública.

“Mais de 10 mil professores do Norte não estão disponíveis para vir para Lisboa”, garante ministro da Educação

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Andaep culpa sucessivos Governos pelo “desprezo” à carreira docente

“Nós sabemos que a escassez de professores é um problema estrutural de Portugal, da Europa e do Mundo. E porque chegamos a esta situação? Chegamos porque os sucessivos Governos desprezaram a carreira docente, quer o Governo de esquerda, quer o Governo de direita”, disse Filinto Lima.

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Calendário de matrículas

a) Entre 22 de abril e 1 de junho, para a educação pré-escolar e para o 1.º ano do ensino básico;

b) Entre 16 de junho e 29 de junho, para os 6.º, 7.º, 8.º, 9.º e 11.º anos de escolaridade;

c) Entre 1 de julho e 13 de julho, para os 2.º, 3.º, 4.º e 5.º anos do ensino básico;

d) Entre 15 de julho e 22 de julho, para os 10.º e 12.º anos do ensino secundário.

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