As AEC são hoje um excelente exemplo de como uma boa ideia pode transformar-se num problema quando assenta em condições de trabalho pouco realistas. O modelo está claramente a dar sinais de falência. As empresas contratadas pelos municípios enfrentam enormes dificuldades para encontrar técnicos dispostos a assegurar atividades por 10 euros brutos à hora, muitas vezes a recibo verde, sem pagamento de deslocações e para horários reduzidos de uma ou duas horas por dia.
Perante estas condições, quem é que pode estar interessado? Um jovem licenciado procura estabilidade e perspetivas de carreira. Um trabalhador menos qualificado encontra frequentemente melhores condições em setores como o comércio, a limpeza ou a logística, onde, apesar de salários por hora nem sempre elevados, existe um horário completo e um rendimento mensal previsível. Nas AEC, a realidade é muitas vezes a de um trabalho disperso, precário e limitado a cerca de 10 meses por ano.
Não é por acaso que faltam técnicos. O problema não está na falta de pessoas, mas sim na falta de atratividade das condições oferecidas. Durante anos, o sistema foi sobrevivendo porque ainda existiam profissionais dispostos a aceitar esta precariedade. Hoje, essa reserva está a esgotar-se.
Talvez seja tempo de admitir que o modelo chegou ao limite. Num país onde as crianças permanecem cerca de 38,5 horas por semana dentro da escola, a discussão não pode resumir-se a encontrar mais técnicos para preencher horários. É necessário repensar a própria escola a tempo inteiro, definir que atividades fazem sentido, quem as deve assegurar e em que condições. Porque uma resposta educativa de qualidade não pode continuar a assentar em profissionais tratados como mão de obra descartável.




3 comentários
Completamente verdade!
Só para jovens com o 12o ano, sem encargos, a viver em casa dos pais e que queiram ir ganhar uns cobres sem compromisso para gastar em festivais de música ou fazer umas férias.
Depois queixem se das pessoas a quem entregamos as nossas crianças. Sem diplomas. Sem perfil. Sem idoneidade.Como em França. Casos e casos de violência e abusos sexuais sobre as crianças As sociedades ocidentais atingiram o patamar da degradação moral e da decadência . Das outras não sei ..
A solução é as AEC serem como um modelo onde as crianças possam, em momentos, aprender e, noutros momentos, APENAS brincar, sendo sempre supervisionadas por docentes competentes e especializados. Exemplo prático: dou todos os dias AEC, a primeira 1h dou uma aula normal, mas na 2h, a turma brinca, porque brincar também faz falta e também se aprende e muito. Portanto em termos de modelo e contexto prático, a “coisa” pode e deve-se manter. E muitas vezes até faço 2h de brincadeira. As crianças não se sentem cansadas nem parecem exaustas como dizem, apenas porque passam um dia inteiro na escola. Precisamente por isto, conheço muitos docentes que não dão aulas, deixam a turma a brincar a tarde toda e querem que vos diga?! Que alegria é ver as crianças a brincar. A cair, levantar, saltar, rastejar, a criar, competências motoras que devem ganhar precisamente nessa idade. Ah, e estão sempre a ser vigiadas, mas com autonomia.
A questão aqui, de fundo, é mesmo a estabilidade da “profissão” e o salário em si. Conclusão: salário baixos, a recibos verdes, mas mesmo a contrato é tudo a termos certos, acabando logo na primeira semana de julho. Ninguém quer passar o mês de agosto a zeros. O docente tem que ter mais um ou dois trabalhos, estando esgotado fisicamente e psicologicamente. A única solução será aumentar as horas, passando um docente de 10h semanais para 15h. Senão, daqui a uns anos ninguém vai andar a fazer AEC. Onde trabalho, se não são os docentes de Educação Física, nem havia AEC de Ciências ou Artes, porque lá está, os docentes dessas AEC acabam por ficar colocados mais rápidos na escola pública e acaba por ser o docente de EF a “assegurar”.
A solução é simples, paguem mais ou aumentem o número de horas! Porque em termos de metodologia, a mesma está inventada e funciona e as crianças adoram as AEC, acreditem que adoram.
já o disse várias vezes.
os professores das AECs são dos melhores professores que conheci.
Foram sempre professores sub aproveitados.
Tomara que muitos colegas com quem trabalhei, tivessem o conhecimento das áreas que trabalham e que fossem desempoeirados como.os colegas das AECs..
Infelizmente, é o país que temos.
Enquanto houver ” pretogueses””, só que já não.ha pretos gueses!
O 1ociclo ainda é da mentalidade das ex regentes.!