Rui Cardoso

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A escola madrasta – José Afonso Baptista

O meu neto João é um gajo porreiro. Simpático e tudo. Verdade que não foi um estudante brilhante, mas para mim, que até sei umas coisitas de educação e vivo nessa praia há largas décadas, o que aconteceu foi que a escola nunca conseguiu descobrir aquilo em que o João é mesmo bom. Este é um dos maiores buracos da escola, mesmo aqui em Portugal, onde somos os melhores do mundo em quase tudo, dizem eles, a verdade é que a nossa escola, dá, dá, dá matéria para os entreter, mas quando é preciso um diagnóstico assim mais especializado, de olho vivo, com psicólogos, sociólogos, orientadores profissionais, gente que saiba ver: “este gajo tem pinta para isto ou para aquilo”, aí o que temos, é o deserto. A escola sabe bué de matemática, de português e tudo por aí fora, mas quando se trata de descobrir se são génios da música, ou talentos da informática, ou do desporto, portas que por vezes se abrem e entusiasmam para cumprir sonhos, aí a escola, nicles. Uma desilusão.
Os últimos anos de escola regular até tiveram lugar numa escola geminada com uma escola de música, talvez os músicos profissionais pudessem jogar os dados, ou as cartas, ou experimentar com fumos de trovisco, talvez tivessem alguma maneira de ver as inclinações do rapaz que hoje até tem como hobby a produção musical. Mas não, nada, e eu próprio me indignei um dia com a diretora de turma (DT) que me disse logo à entrada “que ainda havia de vir ao mundo alguém que a ensinasse a ela a ensinar”. Aí, pensava ela, era mestra, mas eu pensava o contrário. Era mesmo boa a embirrar, quando algum aluno espirasse na sala, sentava-se à secretária e não abria a boca em toda a aula. A sério. Podia dizer o nome, mas não digo, não vá ela ter mais uma birra e dar mais uma seca aos alunos. Não sei se era casada ou solteira, se tinha ou não tinha filhos e netos. Se tinha, não os merecia. E era DT!
Além desta “excelente” escola que só não sabia ensinar nem diagnosticar e orientar os alunos, o João não desistiu da escola, foi a escola que desistiu dele e o enviou para um curso profissional de cozinha, financiado pela UE, claro, convém sempre, onde aprendeu o que eram tachos e panelas e frigideiras e ao fim deram-lhe um diploma para ir aprender cozinha num restaurante. E foi, que o João não é de amuar e parar como a DT, aprendeu uns rudimentos e foi trabalhar já com contrato, salário mínimo, onde ganhou tarimba para novos voos. Tomou balanço e voou mesmo para Londres, três dias em casa da tia, arranjou logo alojamento e empregou-se num restaurante/pastelaria no centro da capital, com total autonomia financeira. Aqui, sim, tornou-se profissional, sem deixar o seu hobby musical, já com abundante produção no Youtube, e entendeu que agora já tinha trunfos para trabalhar nos melhores hotéis de Londres. Queria trabalhar com o Chefe de Cozinha mais famoso. Para aprender.
E vai daí, foi a esse hotel munido do seu CV e disse: “Quero trabalhar neste hotel como cozinheiro. Têm aqui o meu CV. Se estiverem interessados, liguem-me”. Ficaram de olhos esbugalhados, mas ligaram. Menos de oito dias depois, foi contratado com um bom vencimento, já foi aumentado, ganha agora 35000 Libras por ano, tem o seu apartamento e vive bem. O estudante não reconhecido soube dar a volta por cima e ter uma vida digna e confortável.
A escola nem sempre é um bom filtro nem sabe descobrir as forças e fraquezas das pessoas. Aos indefesos, aos não formatados, a única porta para que aponta é a da exclusão. Quando os excluídos têm forças e vontade, conseguem descobrir o caminho, a saída para o sucesso. Há sempre um caminho desconhecido que espera por nós. Pena que a escola não tenha um bom GPS para o descobrir. Foi o caso do João, que vos está a incitar: se a escola desistiu de ti, não te rendas, luta e descobre por ti o que a escola não soube descobrir.
2022.07.19

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Um professor nunca tem férias – João A. Costa

 

Minto. No meu caso, as férias de Verão são sempre a primeira semana, semana essa durante a qual verificar o e-mail de manhã e todas as manhãs não é apenas expectável mas obrigatório.
Porque as vidas dos nossos alunos não tiram férias. Porque a fome continua e a necessidade de vouchers do banco alimentar emitidos pela escola, ergo por este que vos escreve, se não são diários são, pelo menos, semanais.
Por bastar um fim-de-semana, e um fim-de-semana são apenas dois dias e três noites, para passar a Segunda-feira de manhã no posto de polícia e os pais nem vê-los enquanto, um a um, resgato filhos.
Agora imaginem seis semanas disto e o Verão por inteiro.
E se durante os confinamentos muitas foram as escolas de portas abertas, braços abertos e pratos na mesa, o único prato de um dia inteiro e os petizes já a pensarem na refeição de amanhã, não creio ser este mundo melhor quando a escola é o único refúgio, a segurança, a certeza de como nada de mal pode acontecer, o aconchego, a amizade, o apoio, alguém com quem falar que nos ouça, às crianças, alguém que não critique, não castigue, não magoe e às vezes, para não dizer muitas vezes, pergunto-me que sociedade é esta teimosamente a gerar crianças com o único fito de perpetuar, repetir, o sofrimento e o professor bombeiro a apagar os inevitáveis fogos do Verão.
E assim se explica o porquê de um professor nunca tirar férias: por amor, por preocupação e dever, responsabilidade, porque nos dá um aperto no coração, por gostarmos genuinamente dos nossos alunos, mesmo quando não gostamos, mesmo quando estes nos dão um coice, porque são crianças e às crianças tudo se perdoa.
Não é possível desligar. Relaxar? Um pouco. É preciso. Mas não desligar. Dormimos com um olho aberto, sempre à espera que algo aconteça. Não estamos lá, e as crianças à deriva na vida.
As férias de Verão? São só a primeira semana e na primeira semana lá temos um dia sem nada na caixa de correio electrónico. E sim, basta virar a página da primeira semana para tudo acontecer. E como tudo acontece, o professor passa facilmente as férias de Verão a bater à porta de alunos e respectivas famílias, porque o professor já todos sabem quem é, por haver uma relação, confiança de parte a parte, a tal aldeia necessária para se criar uma criança.
E depois há esta necessidade inata de aprender, interrogar, questionar no sentido de ensinar quem a nosso lado se senta para perguntar perguntas de todos os géneros e feitios. Independentemente da idade.
Sim, a culpa é nossa. Se calhar somos nós quem se recusa a ter férias. Parece fazer parte de nós, agora faz parte de nós, somos professores e os professores nunca tiram férias.

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Meia jornada – Nota Informativa – Ano Escolar 2022/2023

Informa-se por este meio que se encontra aberta aplicação informática no SIGRHE, no período de 18 de julho até às 18h de 31 de agosto de 2022, para solicitar o pedido de prestação de trabalho na modalidade de meia jornada para o ano escolar de 2022/2023.

Encontra-se disponível a aplicação para a Meia Jornada no SIGRHE.

Nota informativa – Modalidade de horário de trabalho – Meia jornada.

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Reformas de professores em máximos de nove anos

Desde o início do ano já se aposentaram 1416 professores e até dezembro devem sair mais de dois mil.

Reformas de professores em máximos de nove anos


No mês de agosto, vão reformar-se 174 professores e educadores de infância, de acordo com as listagens já divulgadas pela Caixa Geral de Aposentações. O total de docentes já aposentados este ano atinge assim os 1416 nos primeiros oito meses, segundo os cálculos efetuados pelo Correio da Manhã.

Em média, reformaram-se 177 professores em cada mês, valor que constitui um máximo desde 2013.

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Alteração à MPD… quem perde são os alunos

Um grupo de encarregados de educação enviou, esta semana, uma carta aberta e um abaixo assinado a vários governantes e entidades estatais a apelar pela manutenção do posto de trabalho de uma professora do ensino básico no Centro Escolar Ilídio Sardoeira, em Amarante, cuja permanência afirmam estar “em risco” com as recentes alterações ao regime da mobilidade de professores por doença.

Encarregados de educação apelam a manutenção de docente no Centro Escolar Ilídio Sardoeira

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Medidas na Educação para a Capacitação e Inclusão

Demasiadas vezes, na Capacitação para a Inclusão, os alunos são auxiliados ao longo do seu dia por pessoal não especializado, com um efeito devastador no aumento de casos de indisciplina.

Medidas na Educação para a Capacitação e Inclusão

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Audição Escrita – Concurso Externo

Encontra-se disponível a aplicação que permite aos docentes colocados no Concurso Externo efetuarem audição escrita em conformidade com o disposto na alínea c) do n.º 1 do art.º 18 do Decreto-Lei n.º132/2012, de 27 de junho, na redação em vigor.

SIGRHE – Audição Escrita – Concurso Externo 2022/2023

 

A quem se aplica esta audição escrita?

Aos docentes que não aceitaram a colocação no concurso externo e que ficam impossibilitados de serem colocados no ano letivo 2022/2023.

 

Artigo 18.º
Deveres de aceitação e apresentação

1 — O não cumprimento dos deveres de aceitação e apresentação é considerado, para todos os efeitos legais, como não aceitação da colocação e determina a:
a) Anulação da colocação obtida;
b) Instauração de processo disciplinar aos docentes de carreira;
c) Impossibilidade de os docentes não integrados na carreira serem colocados em exercício de funções docentes nesse ano, através dos procedimentos concursais regulados no presente decreto-lei, após audição escrita ao candidato a seu pedido, no prazo de 48 horas.

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Para inglês ver…

 

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Manifestação de preferências para contratação inicial e reserva de recrutamento

Informamos que se encontram disponíveis as aplicações que permitem aos docentes efetuarem a candidatura à mobilidade interna e a manifestação de preferências de Contratação Inicial/Reserva de Recrutamento, entre o dia 14 de julho e as 18:00 horas do dia 20 de julho de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa e o manual de instruções da aplicação.

SIGRHE – Manifestação de preferências para CI/RR 2022/2023

Nota Informativa – Manifestação de preferências para CI/RR 2022/2023

Manual – Manifestação de preferências para CI/RR 2022/2023

Códigos AE/ENA

Códigos das escolas de hotelaria e turismo com horários disponíveis

Códigos dos estabelecimentos militares de ensino com horários disponíveis

Protocolo de cooperação entre o Ministério da Educação e o Ministério da Economia e da Transição Digital

Protocolo de cooperação entre o Ministério da Educação e o Ministério da Defesa Nacional

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Alteração do aviso de abertura dos concursos

Aviso n.o 13993-A/2022

 

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Não trabalhamos onde moramos, moramos onde trabalhamos.

 

A partir de setembro, o Ministério da Educação vai também iniciar o processo de concertação social sobre a revisão do modelo de recrutamento e colocação de professores, com o objetivo de criar “condições para a fixação de mais professores em quadro de escola, de forma permanente e com perspetiva de estabilização da sua vida pessoal num território”.

Relativamente às alterações que estão em cima da mesa, o ministro foi depois questionado pela deputada social-democrata Carla Madureira sobre quais as medidas previstas para resolver a situação dos professores já vinculados, mas colocados longe de casa.

“Não trabalhamos onde moramos, moramos onde trabalhamos. O que não é racional é dizer às pessoas que têm de trabalhar em sítios diferentes a cada três ou quatro anos”, respondeu o ministro, acrescentado que o objetivo é assegurar uma maior estabilidade aos docentes.

Quanto a formação de professores, o ministro da Educação indicou que está a ser preparada a revisão das habilitações para a docência, e vai ser criado um grupo de trabalho com vista a uma revisão dos requisitos de acesso aos mestrados em Educação.

O mesmo grupo ficará também encarregue de propor modelos de profissionalização em serviço “que poderão envolver modalidades diferenciadas de frequência da formação profissional e de disponibilização de oferta de formação para profissionais que desejam voltar à profissão”.

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Querem combater as baixas fraudulentas?

Apliquem o ponto 3 do artigo 20 da LTFP.

 

Artigo 20.º
Verificação domiciliária da doença
 
1 – Salvo nos casos de internamento, de atestado médico passado nos termos do n.º 2 do artigo 17.º e de doença ocorrida no estrangeiro, pode o dirigente competente, se assim o entender, solicitar a verificação domiciliária da doença.
2 – Quando a doença não implicar a permanência no domicílio, o respetivo documento comprovativo deve conter referência a esse facto.
3 – Nos casos previstos no número anterior, o trabalhador deve fazer acompanhar o documento comprovativo da doença da indicação dos dias e das horas a que pode ser efetuada a verificação domiciliária, num mínimo de três dias por semana e de dois períodos de verificação diária, de duas horas e meia cada um, compreendidos entre as 9 e as 19 horas.
4 – Se o interessado não for encontrado no seu domicílio ou no local onde tiver indicado estar doente, todas as faltas dadas são injustificadas, por despacho do dirigente máximo do serviço, se o trabalhador não justificar a sua ausência, mediante apresentação de meios de prova adequados, no prazo de dois dias úteis, a contar do conhecimento do facto, que lhe é transmitido por carta registada, com aviso de receção.
5 – Se o parecer do médico competente para a inspeção domiciliária for negativo são consideradas injustificadas todas as faltas dadas desde o dia seguinte ao da comunicação do resultado da inspeção, feita através de carta registada com aviso de receção, e considerada a dilação de três dias úteis, até ao momento em que efetivamente retome funções.

 

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Agora a culpa é das baixas…

 

Ministro da Educação está a ser ouvido no Parlamento: falta de professores e aprendizagens dos alunos em foco. João Costa aproveitou para dar conta de que os mestrados de ensino estão ter um “grande aumento” da procura e acusou a directora da Pordata de produzir estimativas “grosseiras” sobre a falta de professores no próximo ano lectivo.

Carência de professores tem sido provocada por baixas médicas em quase 90% dos casos

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Como se mede o trabalho de um professor?

 

Um pedreiro faz um muro e o muro lá fica; um marceneiro constrói uma mesa e passa-se o mesmo. O trabalho das artes manuais é duradouro.
Há quem seja avaliado pela performance. Um atleta, um advogado ou até mesmo um médico podem apresentar o resultado do seu trabalho em quantidades.
E há quem venda produtos. Para estes também se pode medir a capacidade de trabalho em horas e receitas.
E um professor? Como se mede o trabalho de um professor?

Vem esta reflexão atrelada ao facto de ter concluído a formação de uma turma do ensino profissional que acompanhei do 10º ao 12º ano. Consultados os meus apontamentos, foram mais de 500 horas com cada um dos alunos só em sala de aula, sem contar com outros contextos, como estágio, trabalho de projeto final, recuperações, etc.
Chegando ao fim deste ciclo, pergunto-me: o que fiz eu que fosse mensurável, que se possa quantificar, que objetivamente tenha feito a diferença?

Eu costumo dizer, meio a brincar mas muito a sério, que uma peculiaridade do trabalho de um professor é que, quando cumprimos bem a tarefa, os clientes não ficam satisfeitos! É necessário, antes de mais, uma grande resistência à frustração para esta constante negociação – queremos sempre que os alunos deem um bocadinho mais de si, e eles esperam quase sempre fazer um pouco menos.

Por outro lado, uma porção significativa do trabalho passa-se fora das salas de aula; e mesmo fora da escola. É sozinho que um professor planeia as suas atividades e avalia os resultados delas. Sem relógio de ponto.

Então, se não temos produto para mostrar, não geramos performances que se vejam, não temos receitas, não podemos fazer inquéritos de satisfação dos clientes nem podemos consultar a quantidade de horas gastas, como é que medimos o trabalho de um professor?

Há poucas décadas descobriu-se nas escolas um bicho chamado “evidências”. Uma evidência (não é complicado lá chegar) supostamente traz ao de cima as atividades do professor. Normalmente num formato impresso e registado. São as tais grelhas, relatórios e planos de que tanto se falam.
Há obviamente, evidências que já se produziam antes, mas com outros nomes. E há evidências novas que até são úteis. E reconheço que a grande maioria são, chamemos assim, inócuas.
O problema é que há muitas que não são. Há relatórios que se fazem porque sim, grelhas de grelhas e planos que mal saem da impressora já estão a ser colocados no arquivo morto.
Mas ainda pior é que muitos professores convenceram-se que as evidências são um bom meio para medir o trabalho docente. Que uma reunião só fica bem feita se produzir uma ata de não-sei-quantas páginas, mesmo que o seu conteúdo não reflita nada do que lá se passou. E que mais importante do que aquilo que efetivamente se faz é a forma como se regista.
A escola até pode ter gerado grandes “evidenciadores”. Mas serão estes os melhores professores para os nossos miúdos? Confesso que não sei responder.

Eu li este trecho num relatório da Prova de Aptidão Profissional de um dos meus alunos, na parte dos agradecimentos. Por acaso até nem tive de intervir muito no trabalho do rapaz. Se eu precisar de uma evidência na minha avaliação, é esta que vou pôr. E acho que não fico mal. Como é que os meus alunos mediriam o meu trabalho?

Alexandre Mano

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Novas tabelas de retenção de IRS

Alteração às tabelas de retenção na fonte, que se encontram em vigor para o continente no ano de 2022, relativamente aos rendimentos de trabalho pagos ou colocados à disposição a partir de 1 de julho de 2022

 

Tabelas de Retenção da AT – Mês de julho e seguintes

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Medidas excecionais e temporárias para a satisfação de necessidades de recrutamento

Decreto-Lei n.º 48/2022

O XXIII Governo Constitucional assumiu, no seu Programa, como compromisso garantir à escola pública, de forma sustentável, os professores em número e qualidade necessários à prossecução da sua missão.

Para atingir este objetivo, encontra-se prevista, entre outras medidas, a alteração do regime de recrutamento, com a introdução de fatores de estabilidade reforçada no acesso à carreira e no desenvolvimento dos projetos pedagógicos.

O diagnóstico de necessidades docentes a curto e médio prazo num horizonte a 5 e a 10 anos implica a adoção de políticas públicas capazes de dotar as escolas dos recursos humanos de que carecem, assegurar a continuidade pedagógica nos processos de ensino/aprendizagem, bem como a estabilidade e valorização dos seus profissionais.

Em linha com estes objetivos, o presente decreto-lei vem aprovar medidas excecionais e temporárias para a satisfação de necessidades de recrutamento de docentes para o ano escolar de 2022-2023, enquanto se preparam as alterações ao regime de recrutamento de docentes. O referido regime alarga a possibilidade de renovação dos contratos aos docentes contratados para horários incompletos, de duração anual ou inferior, desde que o termo dos seus contratos ocorra a 31 de agosto e tenha pelo menos 180 dias de duração, caso seja do seu interesse, e reduzir o tempo de acionamento do procedimento de contratação de escola, quando não existam candidatos nas reservas de recrutamento. Esta medida contribui, assim, para a estabilidade dos recursos humanos no que se refere aos docentes, permitindo ainda a continuidade pedagógica dos processos de ensino/aprendizagem.

Foi ouvido o Conselho das Escolas.

Foram observados os procedimentos de negociação coletiva decorrentes da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, aprovada em anexo à Lei n.º 35/2014, de 20 de junho, na sua redação atual.

Assim:

Nos termos do artigo 24.º do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 139-A/90, de 28 de abril, na sua redação atual, e da alínea a) do n.º 1 do artigo 198.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:

Artigo 1.º

Objeto

O presente decreto-lei aprova medidas excecionais e temporárias para a satisfação de necessidades de recrutamento de docentes para o ano escolar de 2022-2023.

Artigo 2.º

Renovação de contratos no ano escolar de 2022-2023

1 – Sem prejuízo do disposto no Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na sua redação atual, para o ano escolar de 2022-2023, o contrato a termo resolutivo certo pode ainda ser renovado quando resulte de colocação, em horário completo ou incompleto, obtida:

a) Através de reserva de recrutamento, desde que se encontrem preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos:

i) Se mantenha o horário letivo apurado na data em que a necessidade é declarada e esta subsista até ao final do ano escolar;

ii) Se encontrem preenchidos os requisitos previstos nas alíneas a), c) e d) do n.º 4 do artigo 42.º do Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na sua redação atual; e

iii) O seu termo coincida com o final do ano escolar;

b) Através de contratação de escola, desde que o docente seja titular de habilitação profissional para esse grupo de recrutamento e se encontrem preenchidos cumulativamente os requisitos previstos na alínea anterior.

2 – Sem prejuízo do disposto no Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na sua redação atual, para o ano escolar de 2022-2023, as necessidades de serviço docente podem ser asseguradas pelos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas, mediante contrato de trabalho a termo resolutivo certo a celebrar com pessoal docente, em resultado de uma não colocação na reserva de recrutamento referente ao mesmo horário, a efetuar através do procedimento de contratação de escola.

3 – Sem prejuízo do disposto no Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na sua redação atual, para o ano escolar de 2022-2023, sempre que a aplicação do procedimento de reserva de recrutamento previsto nos seus artigos 36.º e 37.º já não garanta, designadamente por inexistência de candidatos na reserva de recrutamento, a satisfação das necessidades dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas, o diretor-geral da Administração Escolar pode suspender parcialmente o procedimento por grupo de recrutamento e/ou intervalo de horários.

4 – A sucessão de contratos de trabalho a termo resolutivo celebrados com o Ministério da Educação na sequência de colocação obtida nos termos do número anterior não pode exceder o limite de dois anos ou uma renovação.

5 – Aos contratos a que se refere o número anterior aplica-se, com as necessárias adaptações, o disposto nos n.os 1, 5 a 8, 15 e 16 do artigo 42.º do Decreto-Lei n.º 132/2012, de 27 de junho, na sua redação atual.

Artigo 3.º

Norma revogatória

É revogado o Decreto-Lei n.º 10-B/2021, de 4 de fevereiro, na sua redação atual.

Artigo 4.º

Entrada em vigor

O presente decreto-lei entra em vigor no dia útil seguinte ao da sua publicação.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 7 de julho de 2022. – António Luís Santos da Costa – Mariana Guimarães Vieira da Silva – Fernando Medina Maciel Almeida Correia – João Miguel Marques da Costa.

Promulgado em 8 de julho de 2022.

 

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A escola na linha da frente contra os gangues – João A. Costa

 

Gangue, significado de gangue, quadrilha ou corja, conjunto de bandidos ou malfeitores.
Não que eu fosse chamar aos nossos alunos de corja, não são, longe disso.
A pergunta, no entanto, é a mesma: o que fazer quando os gangues são o dia a dia das nossas crianças?
Lidar com a realidade dos gangues é como olhar para uma casa e restar apenas o telhado. Já não há paredes nem porta de entrada, já não há cama nem afecto, os alicerces há muito desaparecidos e a família em parte incerta.
A família mas também os apoios sociais, as colectividades de tempos já idos e portas abertas e um lugar de encontro para crianças e jovens onde há sempre uma palavra amiga, jogos e actividades, apoio na procura de emprego, música e demais actividades artísticas.
Infelizmente, com a queda do banco “Northern Rock” em 2008 veio a austeridade e na austeridade o fim de todo um programa de apoios sociais onde se incluíam abonos para as famílias mas também as colectividades.
E, consequentemente, o desemprego, a violência doméstica, famílias desestruturadas, os bancos alimentares sem mãos a medir nem alimentos que cheguem, consumo de drogas, pais, irmãos, primos, avós presos.
E a polícia como inimigo, não o estado que o estado, o governo, é em si uma entidade tão distante como alienígena e um indivíduo pode nascer, viver e morrer no mesmo subúrbio de Londres sem nunca conhecer o estado mas em confronto directo com a polícia todos os dias.
Rejeitadas pelas famílias, vítimas de agressões físicas e emocionais, negligenciadas, esquecidas, as crianças de hoje não são senão o retrato repetido ao longo dos séculos e tão bem descrito nos Meninos Perdidos da Terra do Nunca em pleno período Vitoriano.
Perdidos, sem ter para onde ir, com famílias ainda hoje em crise e na ausência de uma casa, de um lar, que responda pelo nome, sem um futuro, sem pertença, sem um grupo, sem identidade, as crianças e jovens voltam às ruas.
É um ciclo vicioso. E sim, para criar uma criança é preciso não uma aldeia mas uma cidade inteira. Sem a cidade, ou antes com a cidade ao redor mas as portas fechadas, as crianças não ficam ao Deus-dará, ficam entregues a si.
E na procura de afecto, de segurança, amizade e pertença juntam-se em grupos à deriva na corrente das ruas.
Neste momento ainda não podemos chamar gangue a este ajuntamento. São um grupo de jovens e o seu intento é ainda desconhecido.
Mas a seguir aos pais não há como a escola para conhecer uma criança, sendo preciso estar atento ao uso de símbolos como os lenços onde as cores identificam o gangue, muitas vezes discretos nos bolsos das calças.
Mas também a linguagem e o uso de calão, o desenho de “tags” nos cadernos, o tipo de música e mensagens veiculadas nas letras, a actividade nas redes sociais e o tipo de vídeos e imagens partilhadas na escola entre o “Instagram”, o “TikTok” ou o “Snapchat” onde se glorificam os gangues e o estilo de vida associado.
A criança falta às aulas? Porquê? A família sabe onde está? A que horas volta a criança para casa? Se não voltou e está ausente e incomunicável, é vital comunicar o seu desaparecimento à polícia e aos serviços sociais.
Num autêntico trabalho de detective, entrevistam-se familiares e amigos e desenham-se redes sociais com a criança ao centro. Com quem se relaciona? Quais as suas amizades? Para onde se desloca depois da escola ou ao invés da escola?
Como se comporta na escola e em casa? Há alterações recentes de comportamento? Está mais triste, retraída, agressiva? Há alguém na família ou na escola em quem confie para poder falar?
A criança possui vários telemóveis? Usa roupa e calçado de marca quando a condição económica não o permite? Começou a consumir tabaco, álcool, substâncias ilícitas? Há a possibilidade de andar armada com uma faca?
Já está referenciada pela polícia e pelos serviços sociais? Foi presa por tráfico, perdeu o produto e agora tem cabeça a prémio?
A realidade dos gangues é a dos casos de polícia e a escola no meio de um problema sem fim à vista, problema esse ainda mais grave com a chegada dos períodos de férias e as crianças sem ter para onde ir senão de volta às ruas.
Incapazes de denunciar outros elementos do gangue por medo de represálias, muitas vezes só é possível quebrar o ciclo quando famílias inteiras se propõem a mudar de morada, de cidade ou região ou não tivesse Londres atingido o número recorde de 30 adolescentes assassinados em 2021, vítimas de esfaqueamento.
O que fazer quando a proliferação de facas nas ruas é o maior medo para as crianças do 1° Ciclo? Inseguras, são presa fácil para os gangues, tantas vezes inimputáveis e, por conseguinte, essenciais nos meandros das ruas.
E não, a solução não passa pela contratação de batalhões de polícias, não diante de crianças a pedir pouco mais para além de um lar, afecto, compreensão, inclusão, uma segunda oportunidade.
Os gangues são os tais bandos de pardais à solta. Saibamos responsabilizar os cabecilhas enquanto, uma a uma, devolvemos às crianças e respectivas famílias um futuro, educação, emprego, um lar, outra vez um lar.
Foi em casa que tudo começou. É em casa que tudo começa, uma e outra vez.
Se este é um trabalho de anos? É, já o fazemos há 14 anos na escola e nas ruas, na sala de aula e em casa, dia após dia a viver a escola como verdadeiro agente social e na linha da frente contra os gangues.

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Petição pública quer limitar diretores de escolas a três mandatos consecutivos

 

Se o presidente da República só pode ficar no cargo durante dez anos, porque é que um diretor escolar pode ficar 16 anos? O argumento é invocado numa petição pública que pede a limitação dos mandatos dos dirigentes de agrupamentos escolares que deu entrada no Parlamento. A iniciativa, até agora subscrita por 420 pessoas, reclama a limitação a três mandatos (em vez de quatro) da permanência de um diretor à frente de um agrupamento.

Luís Sottomaior Braga, professor de História e subdiretor do Agrupamento de Escolas da Abelheira, em Viana do Castelo, é o primeiro peticionário e avançou com esta iniciativa para promover a reforma do sistema de gestão das escolas.

Petição pública quer limitar diretores de escolas a três mandatos consecutivos

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Professor entra no quadro aos 68 anos

Colocados 3 259 com média de 45 anos. Vinculam 88 docentes com mais de 60.

Professor entra no quadro aos 68 anos

Um professor com 68 anos é este ano o mais velho a entrar no quadro do Ministério da Educação. Trata-se de um docente de Economia colocado na Escola Júlio Dantas, em Lagos, apurou o Correio da Manhã. Entre os cerca de 56 mil candidatos ao concurso externo, perto de 800 tinham 60 anos. Destes, houve 88 que conseguiram vincular, dos quais 15 têm mais de 65 anos, segundo as contas do blog especializado ‘Arlindovsky’.

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Do manicómio dos rankings e quejandos – Jorge Bento

 

Mais uma vez, a comunicação social, cumprindo o ritual inscrito no evangelho desta era insana, inunda-nos com a droga dos rankings das escolas. O que fazer? Fechar os olhos e sacudir os ombros ou denunciar a manobra opiácea?
Os padrões instituídos para avaliar as instituições de educação, formação e investigação, os docentes e pesquisadores são parte do sofisticado arsenal de técnicas de cosmética e propaganda, promovido pela globalização neoliberal. Não são indicadores fiáveis ou louváveis da qualidade do labor desenvolvido, do bem ou mal-estar sentido; enviesam problemas de fundo, devido à falta de escrutínio esclarecido.
Não, não pode ser! A escola não é fábrica taylorista; não existe para juntar alunos e professores e pô-los a trabalhar, numa competitividade infrene, para os rankings. Que loucura! A sua incumbência social é outra. É uma entidade humanógena, vocacionada para educar Seres Humanos genuínos, não para produzir o animal eficiens e laborans, nem vermes ou insetos ou outros entes rastejantes e subjugados. Deve ser estruturada para honrar e corresponder ao significado etimológico do termo escola (‘scholé’): lugar de admiração e aprendizagem do belo, elevado e nobre, da bondade e generosidade, para lá do útil e do necessário. Nela deve haver espaço e tempo para descobrir e celebrar a Humanidade compartilhada, para cantar e exaltar a vida, cultivar a calma e demora no conhecer e pensar, para tornar familiares as bitolas inspiradoras do aperfeiçoamento da civilização e existência, para contemplar as coisas superiores e virtuosas, o fulgor da verdade e da beleza. Para semear a ilusão e colher vivências de felicidade.
Utopia? Sim, é! Mas os caminhos, que desviam dela, levam à catástrofe. Muita gente parece cega ao óbvio; tem cura, conquanto tome remédios adequados. Um deles é a leitura de livros que pensam e respiram fora da caixa oficial (p. ex., ‘A Tirania do Mérito’, de Michael Sandel). Para quê? Para abrir vias não trilhadas, em vez de prosseguir no mesmo. A procura de saída do ambiente mórbido é, desde logo, um sinal de sanidade.

Jorge Bento

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Aceitação da Colocação do Concurso Externo, Verbete e Recurso Hierárquico

Encontra-se disponível a aplicação que permite ao candidato efetuar a aceitação da colocação do Concurso externo, das 10:00h do dia 8 de julho até às 18:00h de Portugal continental do dia 14 de julho de 2022.

Pode consultar o verbete definitivo do candidato.

Caso pretenda interpor recurso hierárquico, a aplicação encontra-se disponível das 10:00h do dia 8 de julho até às 18:00h de Portugal continental do dia 14 de julho de 2022.

SIGRHE – Aceitação da Colocação do Concurso Externo, Verbete e Recurso Hierárquico

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Calendário Escolar 2022/23 e 2023/24

Despacho n.º 8356/2022

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Ranking Escolas 2021

O Expresso divulga o ranking das escolas secundárias, ordenadas pelas médias nos exames nacionais.
Pode pesquisar por distrito e concelho, escolher só escolas públicas ou privadas e olhar para o indicador calculado pelo Ministério da Educação que permite identificar os estabelecimentos de ensino que ajudam os alunos mais vulneráveis a ir mais além. Se carregar no nome de cada escola verá a habilitação média dos pais ou a taxa de chumbos. Também há dados sobre o ensino profissional

Rankings das Escolas: veja o mapa interativo de todas as secundárias

Amplie o mapa e escolha os marcadores coloridos para saber mais sobre cada uma das 645 escolas secundárias, públicas e privadas, onde se realizaram exames nacionais em Portugal e no mundo
Ministério perdeu controlo sobre as notas dadas pelas escolas privadas

Mudança das regras de acesso ao Ensino Superior fez com que os colégios deixassem de comunicar as notas internas à tutela.

O diretor-geral de Estatísticas da Educação, Nuno Rodrigues, confirma que a atual recolha de dados junto das escolas privadas não inclui essa informação. “Neste momento, para efeito da produção das estatísticas oficiais, não lhes são pedidas as notas internas dos alunos a cada uma das disciplinas.

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Docentes dos Açores passam a receber sempre que se verifique caducidade de contrato

Foi aprovada, por unanimidade, no Parlamento Regional, uma alteração ao Estatuto de Pessoal Docente, para que os professores e educadores dos Açores tenham direito a compensação por caducidade de contrato, apresentada pelas bancadas parlamentares do PSD, CDS-PP e PPM.

Docentes dos Açores passam a receber sempre que se verifique caducidade de contrato

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A víbora – José A. Baptista

 

Não vou nomeá-la, os filhos e netos estão aí, mas vou defini-la: uma víbora é uma professora ou um professor que adora chumbar os alunos. Calhou-me em sorte no quarto ano do liceu, eu era uma criança, e doeu-me. Acho que foi o meu sofrimento de então que me despertou, que mais me transportou do estado de criança para o jovem consciente dos perigos que é preciso enfrentar com inteligência.
Como um mal nunca vem só, calhou-me novamente no 6ºano, atual 10º, e logo a duas disciplinas, Filosofia e Organização Política e Administrativa da Nação. Não pensei muito, o inimigo, se não tens condições para o vencer, o melhor é contornar. Fui à secretaria do liceu e pedi a anulação da matrícula nestas duas disciplinas, um suicídio, diziam-me os mais próximos, mas aí eu já conhecia bem as regras do jogo e tinha a confiança em mim próprio de que faria melhor sozinho do que com as regras e humilhações da víbora.
A OPAN resumia-se a decorar um pequeno manual, coisa de uma semana de empinanço, nem tanto, e assim foi, nos três dias anteriores ao exame li e reli de trás para a frente e da frente para trás, dormi com o livro debaixo da almofada, confiante na osmose, fiz o exame e tive 18. Dispensado da oral, um problema resolvido.
O autor do manual de OPAN era António Martins Afonso, professor, escritor e advogado, também autor da Breve História de Portugal, durante muitos anos Inspetor Geral da Educação, natural de Juncal do Campo, concelho de Castelo Branco, e isto é o mais importante, precisamente a minha aldeia. Morava na minha rua, escassos 100 metros acima, e era aqui que passava as suas férias.
A Filosofia as coisas foram mais complicadas, mas o outro professor nesta disciplina, que lecionava as classes de Ciências, eu conhecia-o bem, ele era o treinador e eu jogador da equipa de futebol do liceu, autorizou-me a frequentar as suas aulas quando quisesse e foi ele que me orientou sobre os livros a ler e a estudar. Tive 13 na escrita, quem classificou as provas foi a víbora e 13 foi a nota mais alta que deu.
A pauta geral de todas as disciplinas foi afixada, ansiedade à sua volta, a víbora passou, viu-me e, antevendo o desastre, perguntou: “então Afonso, como correram as coisas”. Pensava que me humilhava e eu respondi: pode ver aqui, as notas já saíram. Viu, ficou aturdida quando viu que eu tinha 18 não apenas a OPAN, mas também a Grego e a Francês, 15 a Latim e quem ficou humilhada foi ela porque nenhum dos seus alunos fez melhor do que eu. E rematou: “Não se esqueça que até ao lavar dos cestos é vindima”. E eu pensei, estou tramado, é ela que me vai fazer a prova oral a Filosofia. Falei com o reitor para me dar outro examinador, foi simpático, mas isso não podia fazer. Entendi.
Voltei para o Juncal, era aí que me isolava para preparar os exames, e os astros estiveram ao meu lado. Quem estava ali, passando as suas férias, numa boa relação de vizinhança? O Inspetor Geral, Martins Afonso, e eu vi a luz salvadora do desastre iminente, se ele aceitasse assistir à minha prova oral. O meu pai falou com ele: “não, nem pensar, não posso interceder em questões particulares”. Desgosto, medo de um ano perdido por uma disciplina, com uma média superior a 16. No dia da prova, logo pela manhã, quem bate à porta? O Inspetor, pensou melhor, eu vou convosco, preparem-se, vão no meu carro. E assim foi.
O Inspetor entrou comigo na sala, o júri, de pé, “fez a continência”, insistiu para que se sentasse na mesa, recusou, foi sentar-se numa carteira lá atrás. O júri ligou as pontas, dois Afonsos, não havia dúvidas, estava ali por minha causa. E não se enganou. Logo que acabei a minha prova levantou-se, “portaste-te bem rapaz”, e saímos, com as vénias da praxe, e eu a pensar, desta já me livrei. Passados uns dias, cruzei-me com a víbora no centro da cidade e não resisti a um impropério de má educação: “Assim é que elas se enxofram”.
Curiosamente, quando voltei ao liceu na qualidade de professor, quem me saiu na rifa como aluno? O filho da víbora e aí, sim, veio a minha vingança definitiva: era uma criança adorável, saía ao pai, capitão do exército, que bem conheci, era um ótimo aluno, mantivemos uma excelente relação de proximidade e cumplicidade, teve boas notas, a víbora respirou de alívio, aproximou-se de mim, e mantivemos uma grande cordialidade nos dois anos que ali fui professor. Motivo para repetir: “Assim é que elas se enxofram”.
Relembrando este episódio, agora não como aluno, mas como profissional da educação e antigo dirigente do ME, parece-me que ele tem todos os condimentos do improvável e inaceitável em instituições de educação. O que me leva a pensar que o Inspetor, homem respeitável e maduro, pode ter tido outras razões que o impulsionaram para este cenário de inspeção. Quem sabe?

07-07-2022 | diário as beiras

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A injustiça teima em reinar na monodocência

Os professores monodocentes trabalham semanalmente mais 6h 40m que os colegas do 2.º e 3.º ciclos e do secundário, o que significa no final da carreira contributiva mais de 18 anos de serviço.

A injustiça teima em reinar na monodocência

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A educação como a utopia em ação

 

Uma utopia: um “Erasmus nacional” que potencie o estreitamento de laços e o estabelecimento de parcerias entre escolas, com a mobilidade de professores e de alunos portugueses em território nacional.

A educação como a utopia em ação

Assisto na escola à ditadura da fragmentação do tempo cronológico: aos primeiros cinquenta minutos do primeiro bloco letivo seguem-se-lhe outros tantos, cirurgicamente compartimentados por entre pavilhões de aulas segundo o ritmo de uma velocidade enfurecida e envelhecida. Almeja-se uma educação holística, integral, com um ensino cronometrado e disciplinar. Não será a “ocupação plena dos tempos letivos na escola” uma necessidade de apropriação e de controlo do tempo? Não deveriam os alunos propor sistematicamente projetos para dinamizar? Haverá tempo fora deste tempo cronológico? Como recuperar o tempo processual da construção, criação e intervenção, segundo o “elogio da lentidão” (Milan Kundera) ou da fruição?

O professor encontra-se refém de instrumentos, tarefas e reuniões demasiado burocráticas. E, à medida que os níveis de escolaridade vão aumentando, vai decrescendo a sua autonomia, porque as metas que convergem na lógica dos resultados dos exames nacionais vão-se aproximando e vão-no afunilando. É possível autonomizar o aluno, quer dizer, promover uma educação que desenvolva o pensamento crítico e criativo e, simultaneamente, heteronomizar a ação do professor?

Neste contexto, reflito no perfil do professor como aquele que possui uma atitude filosófica, ou seja, que tem a capacidade de despertar o espanto, a surpresa e a curiosidade nos alunos; que sabe escutar a suas vozes, que adora partilhar conhecimentos mas que tem a abertura para se deixar surpreender e a humildade para ser um eterno aprendiz, a inventividade para trilhar novos e outros caminhos com os seus conteúdos, mesmo quando a sua voz é minoritária e a sua práxis aparenta ser inútil, assume-se como um resistente. Um “indisciplinado criativo” que de forma endogenamente colaborativa desafia e é desafiado pelos seus alunos e pares, contribuindo para a criação e divulgação de conhecimentos, experiências e afetos, dentro e fora da sua escola, dentro e fora da sua comunidade. Um “indisciplinado criativo” que, paradoxalmente, se torna num modelo de ação ético-moral, paciente e resiliente, porque a educação-ação é uma tarefa incessante e apaixonante de contrariedades, de conquistas e de criação de utopias.

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Costa anuncia medidas para atrair professores

 

Por outro lado, Costa reconheceu que o país tem “um problema sério em matéria de professores” e anunciou a aprovação de um diploma no Conselho de Ministros de quinta-feira com “duas medidas da maior importância”.

“Uma fixação à escola de todos os professores que tenham sido contratados para preencher horários que estavam e continuam vagos e, em segundo lugar, permitir à escola abrir concursos para horários completos nos grupos de disciplinas e nos territórios onde se verificou carência, de forma a que, havendo horários completos, sejam mais atractivos”, disse.

Costa anuncia medidas para atrair professores

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As estranhas liturgias no bananal

Vivemos uma crise (a do custo de vida e correlata agitação civil), que sucede a duas outras crises (pandemia e guerra na Ucrânia). Para muitos países, mais pobreza e mais agitação social estão garantidas (o massacre de Melilla é exemplo próximo). O aumento da polarização política, as perdas económicas generalizadas e a corrida ao rearmamento são perturbadores e vão aumentar muitos dos abismos sociais existentes, tornando mais instáveis as democracias que conhecemos.
Mas, entre nós, o alarme dos últimos dias não foi devido a estes problemas, sequer ao aumento da pobreza, da dívida pública, da inflacção e dos preços dos combustíveis. Outrossim, teve origem em estranhas liturgias no bananal em que o Governo se transformou, isto é, nos atropelos de Pedro a Costa e de Costa a Pedro. Com efeito, ao aeroporto de Lisboa não bastava o recente rótulo de um dos piores do mundo, as longas horas de espera que são impostas aos utentes e a catadupa de cancelamentos diários de voos. Faltava-lhe ser pano de fundo de um dos episódios mais grotescos da política portuguesa, com António Costa a humilhar o seu ministro das Infraestruturas e da Habitação e a deixar bem à vista a irresponsabilidade e o amadorismo com que o Governo tratou um assunto de tão grande interesse nacional.
A coberto desta trapalhada, o desagregar dos sistemas de saúde e educação passou para segundo plano. Na Saúde, onde segundo a OCDE (Health at a Glance 2021), somos o terceiro país da Europa a despender mais recursos financeiros privados (39% da despesa total), os serviços de urgência encerram em cascata, cresce o número dos portugueses sem médico de família e a directora-geral recomenda que não se adoeça em Agosto.
Na Educação, desde que António Costa é primeiro-ministro, aboliram-se os mecanismos fiáveis de avaliação de resultados e a produção de dados comparáveis. A reprovação, que antes era um estigma de aluno, é hoje um estigma de professor. A escola imprepara as crianças e arruína os professores, enquanto crescem as medidas sem lógica nem critério, a saber e a título de exemplo:
– Professores com doenças graves foram tratados como lixo. Na prática, o que se fez foi transformar a satisfação de uma necessidade de saúde num concurso, por via de regras absurdas. Com o novo regime de mobilidade por doença, as baixas médicas de longa duração aumentarão. Com elas, aumentará a necessidade de substituições temporárias, cada vez mais difíceis de conseguir, e, consequentemente, o número de alunos sem aulas.
– O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior deu orientações às respectivas instituições para aumentarem o número de vagas de acesso aos cursos de Educação. Só que o problema reside na procura e não na oferta, já que o número de alunos em cursos para a docência caiu 70% nas duas últimas décadas, ficando, ano após ano, por preencher as vagas postas a concurso. O problema é o acumular de erros, desde Maria de Lurdes Rodrigues, tornando a carreira docente cada vez menos atractiva, num vórtice de desgoverno, que culminou há pouco com a soez referência de João Costa aos professores: “…foram formados para serem professores de bons alunos. Era como formar médicos para verem só pessoas saudáveis”.
– Conclusões recentes do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) disseram-nos que a maior parte das crianças do 2º ano do ensino básico não entende o que lê e não sabe escrever.
Os dados relativos às reprovações e abandono escolar de 2020/21, divulgados pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, embora mostrem uma ligeira subida desses indicadores no ensino básico, face a 2019/20, exprimem, globalmente, sucesso. Todavia, quando cruzados com a análise que o IAVE fez sobre o que os alunos demonstraram realmente ter aprendido, a perplexidade ressalta: os indicadores das provas de aferição não são coerentes com os dados das reprovações e abandono. Donde, a pergunta legítima: o que mede o sucesso? O que os alunos realmente aprendem, ou a estatística (construída) sobre os chumbos?
Ora a resposta é simples: aquilo que é apresentado aos portugueses não são os factos ocorridos. É, antes, a perspectiva, naturalmente interessada e ficcionada, que o Governo tem sobre esses factos. A esta forma de os tratar, frequentemente triunfalista, chama-se propaganda.

In “Público” de 6.7.22

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Novo prémio vai distinguir professores pelo seu contributo no ensino da Matemática

 

A Sociedade Portuguesa de Matemática e a Associação Álvaro Gonçalves lançaram esta terça-feira um novo prémio que pretende distinguir professores pelo seu contributo para o ensino da disciplina e agradecer o trabalho dos docentes.

 

Novo prémio vai distinguir professores pelo seu contributo no ensino da Matemática

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Informação sobre datas para requerer manuais escolares

 

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Mobilidade de docentes por motivo de doença 2022/2023 – Determinação da capacidade de acolhimento do AE/ENA

Aplicação eletrónica disponível entre o dia 05 de julho e as 18:00 horas de 08 de julho de 2022 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Determinação da capacidade de acolhimento -2022/2023

 

 

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Professores primários por turnos

O professor primário é, precisamente, este misto de didata, tutor, guia, amigo e confidente. É aquele que recebe na sua sala e na sua vida as crianças pequeninas vindas do jardim de infância – algumas ainda com cinco anos – e as inicia nas aprendizagens mais exigentes e sistemáticas, as ajuda a estarem mais tempo sentadas e concentradas e a organizarem-se para funcionarem como um novo grupo de trabalho, de aprendizes e de amigos.

Professores primários por turnos

Ontem foi a festa de finalistas do 1.º ciclo de um dos meus filhos. Foi emocionante assistir ao carinho com que todos os alunos e pais se dirigiram à professora que os acompanhou ao longo destes quatro anos. Nas mensagens que lhe escreveram, os alunos agradeceram por lhes ter ensinado a ler, a escrever e a fazer cálculos. São as primeiras aprendizagens formais do mundo dos crescidos e que serão essenciais para o resto do seu percurso escolar e da vida. E eles sabem disso. Referiam também com igual convicção (e comoção) o carinho, a atenção, a dedicação e a ajuda em todos os momentos, até a superar as situações mais difíceis. Sabemos bem como os professores às vezes ultrapassam bastante as suas funções, chegando até a intervir com as famílias mais frágeis.

O professor primário é, precisamente, este misto de didata, tutor, guia, amigo e confidente. É aquele que recebe na sua sala e na sua vida as crianças pequeninas vindas do jardim de infância – algumas ainda com cinco anos – e as inicia nas aprendizagens mais exigentes e sistemáticas, as ajuda a estarem mais tempo sentadas e concentradas e a organizarem-se para funcionarem como um novo grupo de trabalho, de aprendizes e de amigos.

Este é um percurso longo, com avanços e retrocessos, que exige muita dedicação e uma atenção e conhecimento permanentes de cada aluno, com as suas especificidades. Por tudo isto deveria ser obrigatoriamente um compromisso de quatro anos. Mas muitas vezes não é assim que funciona e nesta altura do ano surgem as incertezas, as injustiças e para alguns é tudo uma questão de sorte ou de azar. É a altura em que alguns alunos e professores se despedem sem saberem se continuam juntos no ano seguinte, continuando na dúvida quase até ao início das aulas.

Esta semana uma amiga que é professora primária partilhou nas redes sociais um bilhetinho que uma aluna lhe tinha escrito. Com a sua letrinha redondinha cheia de corações dizia que tinha adorado o ano letivo que passou com ela e que ficaria muito feliz se pudessem continuar juntas no próximo ano.

Além de injusto, faz toda a diferença perder um professor de quem se gosta no final de cada ano. Se em termos de aprendizagens é evidente que será sempre melhor ter um professor que conhecendo os seus alunos vai adequando o ensino ao longo de todo o primeiro ciclo, no que toca à relação afetiva que estabelece com os aprendizes este laço é fundamental. Ainda mais em crianças com vidas muito difíceis que chegam a ter o professor como o seu maior apoio e o seu porto de abrigo.

Há quem defenda que não há problema em mudar de professor todos os anos porque a vida adulta também é inconstante e assim já estarão preparados. Mas isto não faz qualquer sentido! Para estarmos preparados para a inconstância e imprevisibilidade – ou para o que quer que seja – temos de ter bases sólidas e seguras.

Se considerarmos a constância, a consistência e a solidez valores importantes no percurso escolar, na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida de cada aluno, então devemos repensar esta modalidade de professores por turnos ao longo do primeiro ciclo.

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O problema da Educação

‘É verdade que temos muito boa educação na Constituição, no aperto de mão, quando acorremos a um irmão ou saudamos a procissão, se contestamos a perseguição e criticamos a delação. Mas infelizmente…’

 

 O problema da Educação

Antes de aqui chegar, tinha estado a conferenciar com alguns mestres e entendidos na matéria e pareceu-me observar uma espécie de acordo tácito quanto à necessidade de chegarmos a uma conclusão. As cabeças pensavam e depois abanavam, o que permitia deduzir que todos concordavam. Finalmente era verdade. Era verdade o que eu pensava, era verdade a verdade que eu achava ser a mais verdadeira de todas as verdades. Ora, saber que uma coisa é verdade é já um bom começo para um princípio de tarde.

Presumo que neste momento alguma curiosidade possa ter-se instalado nesta sala pois, como é natural, não servem as palavras para outra coisa senão para cumprirem esse destino fatal. Aguçar a curiosidade e, no contexto em que nos sentamos, desencadear a gula que é esse desejo insano de comer dez pães com marmelada como se isso não fosse nada. No caso presente não trataremos de pães nem de feijões, mas de opiniões. Tenhamos no entanto cuidado com as palavras, porque nem tudo está ao nosso serviço e por elas recebemos às vezes o aviso de alguém que não acha bem. Quem não acha bem acha mal e isso parece ser coisa natural.

Pois, pois, mas de que aviso se trata afinal?

Exactamente, tem toda a razão. Vamos lá então saber de que trata a dita coisa e se ela constitui o sinal de alguma coisa especial. Para responder com propriedade a Vossa Mercê, eu diria apenas que falar de aviso foi um processo de linguística geral que não tem nada de especial. Pode o caro cidadão dormir descansado que por esse lado não vem qualquer mal que possa importunar o santo Natal. Aliás o último sinal já tem dois mil anos e tal e toda a gente continua a considerar que ele constituiu um aviso essencial.

Vamos lá saber então de que trata o intróito. Até aqui tudo nos pareceu uma grande confusão e nós queríamos ouvir falar sobre o problema da educação.

Tem muita razão o Senhor Marquês e eu vou procurar falar em bom Português. Sou no entanto obrigado a avisar que tudo farei para manter os mistérios no seu lugar e não é sem emoção que juro solenemente e jurarei que usarei de toda a cautela para revelar hoje, em primeira-mão, a solução.

Muito bem, muito bem dizem os amigos que se encontram nos bastidores. Uma ou outra palma se ouve que ecoa por esta sala.

Muito e muito obrigado, fico muito contente, com este ambiente que começa a ficar deveras quente. Hoje viemos aqui, a estes altos lugares a que chamamos da Falperra, olhamos para um lado e viramos para outro, vemos duas cidades ao largo, a do berço e a do terço e… Ó divina inspiração que sobre nós desce e nos vai ajudar a resolver a equação! Não, não é para falar de união entre o que está aqui e o que está ali, para isso não serve a reunião. Viemos, sim, trazer-vos a solução para a vossa aflição, a solução, enfim, para o problema da educação.

Confesso que era minha intenção demorar um pouco mais nesta espécie de introdução. Esse tempo servir-me-ia, ó maravilha, para enganar esta azia que trago comigo e que me tem dificultado a digestão. Mas vamos à questão. A minha tese é esta e pode ser dita em poucas palavras:

O povo merece, mas não tem culpa do que acontece.

Quem tece e entretece não é o povo e já nem sequer é o polvo que esse anda lá na toca e está-se nas tintas, às vezes até choraminga, pois nem sempre consegue disfarçar o seu próprio ar. O problema é outro e desta vez é novo e redondo como um ovo. Perguntam-me se é da criação que venho falar? Não, caro Senhor, não é isso minha Senhora, Excelência por quem sois ou me tomais, eu vos juro, Senhor Embaixador, que o caso é muito mais.

Minhas senhoras e meus senhores, caríssimas autoridades, pecadores e outros doutores: todo o discurso tem uma parte que pretende submeter o ouvinte à boa arte. É conveniente também lembrar que a saborosa retórica, por mais doce que pareça, não se assemelha a um refresco de groselha e muito menos se aparenta com mexidos ou com enchidos.

O problema da educação é uma falsa questão. Ora aí está. Nos dias que correm, a malta está perfeitamente informada, tudo se sabe não falta nada e quando não é em português a educação existe, dá-se, mostra-se ou faz-se em inglês. Agora, cócegas toda a gente tem, gases também. O que é que falta então à nossa educação para que se possa dizer com orgulho que a nação está em franca evolução?

Eu cá para mim só deviam falar os da televisão. Eles é que sabem, os outros não. À beira deles eu sinto-me perdido, despido, esquecido. Não, não é por causa da imagem, é porque lá é que a coisa se dá. Aqui tudo é mentira, tudo parece uma avaria, um engano que o Senhor Deus se atreveu a magicar só para nos arreliar. E já é possível imaginar a primeira conclusão. Já todos adivinham, não é? É claro que é isso. Para resolver o problema da educação precisamos de muito mais televisão.

Vamos agora em directo para a segunda premissa que faz lembrar o que se ouve na missa e que é a seguinte:

Ele há muita realidade por esse mundo fora que além de não servir para nada estraga a juventude com ideais erradas acerca da verdade. Comecemos com um exemplo tirado da natureza. Vai uma vaca solta pelo monte, mú, mú, mú, aquilo são bifes ilegais que não respeitam os sinais e que fazem as suas necessidades sem observar a qualidade ambiental e a boa educação em geral. Come tudo quanto nasce da boa terra, engole todo o tipo de erva e quando chega o fiscal, o ruminante oferece-lhe uma cornada real. Se for do Barroso o animal, o dito fiscal vai mesmo parar ao hospital.

Com a passarada, a falta de respeito é exactamente igual, embora mais leve e manifestando-se através de outro canal. Como é possível andar a voar nestes tempos em que é essencial haver uma concentração total da nação em geral? Não, não é por causa do Natal, evitemos as confusões, é porque os pássaros são os grandes responsáveis do défice das exportações. O povo fica triste a vê-los voar. Então eles lá em cima voam quando querem, mudam de lugar, passam a vida a apanhar ar e nós é vê-los ir sem termos para onde fugir. Aliás, qualquer animal tem mais sorte do que nós. Um crocodilo até chora por engano sem ter de fazer o décimo segundo ano. Enfim, acredito mais depressa na cegonha do que no processo de Bolonha.

Outro aspecto muito importante desta profunda reforma que vai tornar Portugal um país sem igual é a necessidade absolutamente imperial da mudar a maneira de falar. Isto de cada um dizer o que quer e de se achar o rei do lugar vai ter de acabar. É necessário proibir as variações, as modulações e as reconstruções. A fala não é para estar à janela nem para a gente se servir dela. A fala é para a gente se calar e não há cá A nem meio A. Os bês são todos bês e os efes são todos iguais. Isto de uns falarem com b de gato outros com f de tripa ou z de espinafre não dá. Os tês são todos de panela e os vês são à moda de Vizela, de Penela, da Gandarela, de Vouzela e da Venezuela. Vamos comer todos pela mesma medida, se queremos uma Europa bem cozida.

Queremos também um país com velocidades automáticas e projectos originais para jantes especiais. Com ideias para todos, simpatia a rodos, juventudes em movimento, um Pirinéu para cada cidadão e um grande amor ao sentimento e ao parlamento.

O amor continua a ser respeitável e até obrigatório nos locais habituais, desde que haja duas partes iguais e o todo não ultrapasse a soma das partes. Nesse caso, o infractor estaria sujeito a uma coima d’amor que poderia custar muita dor. O ministério das relações bilaterais prevê um grande incremento no estudo das lágrimas, dos choques, das emoções, das vibrações e das ilusões, no sentido de encontrar o justo equilíbrio entre o deve, o haver, o receber e o perder.

O problema da educação resolve-se sem qualquer confusão. Há coisas que não custam nada e que podiam ser perfeitamente resolvidas à porrada. Não era preciso muito. Com umas galhetas por causa das tretas, já estaríamos muito mais adiantados. Ao mesmo tempo, oferecia-se um computador a quem quisesse ser doutor, uma volta na universidade e um fato no Cardoso da Saudade.

Quanto à imagem era preciso mudar a aragem. E é para já. Fica então proibido palitar os dentes de cima e os de baixo – exceptuam-se os que estão a abanar – arranhar o couro cabeludo, coçar todo o tipo de olho, franzir o sobrolho nas horas de expediente, cheirar o sovaco próprio ou do cliente em espaços com menos de 30 m2, fazer rodinhas de fumo, oferecer enchidos e outras peças fálicas sem estarem devidamente embaladas e analisadas, bem como comer à tripa forra ou a modinho tudo o que levar sangue além de vinho.

É necessário implementar novas áreas de estudo e de formação. O primeiro objectivo é controlar a comichão. De seguida, teremos de ensinar os jovens a não cuspir para o chão, para o ar ou para o lado e muito menos em andamento. Finalmente, e esta é a medida mais urgente para diminuir drasticamente os acidentes, vamos acabar com a aceleração geral que atravessa as estradas de Portugal, tornando obrigatório andar no conservatório para realizar estudos musicais e aprender a buzinar como deve ser.

Cremos ter chegado agora ao aspecto central da nossa comunicação. Quando é que os efeitos desta autêntica revolução no panorama da educação se vão começar a notar?

É verdade que temos muito boa educação na Constituição, no aperto de mão, quando acorremos a um irmão ou saudamos a procissão, se contestamos a perseguição e criticamos a delação. Também é verdade que me seria muito grato prometer-vos a solução disto tudo para antes do Entrudo. Mas infelizmente deverei ficar por aqui, deixando a resposta para uma outra ocasião; mesmo a terminar e antes de vos saudar, lamento informar que a solução para o problema da educação nunca fez parte desta lição que não pretendeu fazer mais lei do que uma fatia de bolo-rei.

In Vila Nova

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Lista Provisória do Concurso de Afetação dos docentes dos Quadros de Zona Pedagógica – 2022/23 | RAM

 

Lista Provisória do Concurso de Afetação dos docentes dos Quadros de Zona Pedagógica para selecção e recrutamento do pessoal docente da educação, dos ensinos básico e secundário e do pessoal docente especializado em educação ensino especial da Região Autónoma da Madeira, para o ano escolar de 2022/23.

Listas do concurso:

– Lista ordenada provisória de candidatos admitidos – 2022/07/04:

https://www.madeira.gov.pt/Portals/16/Documentos/Docente/Concurso/ListaProvAdmitidosAfetacao_20220704.pdf?ver=2021-06-29-145248-487

– Formulário de reclamação;

Os candidatos dispõem do prazo de cinco dias úteis para reclamar (ficheiro em anexo), a partir do dia seguinte ao da publicitação das listas, para verificarem todos os elementos constantes das mesma, ou seja , de 5 de julho ao dia 11 de julho de 2022, enviando a respectiva reclamação através do seguinte e-mail: [email protected]

Relembramos que a Lista Definitiva e de Colocação está prevista para o dia 12 de agosto de 2022.

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Faltam professores, não faltam vagas para professores

 

No dia após o anúncio de não um, mas dois aeroportos, por parte do ministro Pedro Nuno Santos, pergunto-me que prioridades têm os governantes para o país. Para a educação e saúde, nunca há dinheiro; para tudo o resto, arranja-se sempre.

 

Faltam professores, não faltam vagas para professores

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Baby P – João André Costa

 

Deixar enfermagem e regressar ao ensino não foi apenas uma fuga para a frente mas também o fugir da morte e sofrimento inerentes à saúde.
Convenhamos, uma escola não é um hospital e, por conseguinte, na escola não se morre.
Aliás, na escola em Portugal pode acontecer de tudo e mais alguma coisa, e acontece, mas não se morre.
Ou assim pensava na minha inocência.
Chegar a Inglaterra em 2007 foi chegar a uma nação a lidar com a recente morte de “baby P”, de seu nome Peter Connelly.
Peter morrera em Haringey, Londres, aos 17 meses de idade vítima de 8 meses de agressões contínuas às mãos da sua mãe, do seu parceiro e do irmão deste.
Apesar de repetidas hospitalizações e da intervenção dos serviços sociais, a não partilha de informações entre as várias entidades levou sempre ao retorno de Peter para a mãe que em última instância lhe causaria a morte.
A perda inadmissível de Peter Connelly levou à criação de várias comissões de inquérito com a demissão final da chefia dos serviços sociais de Haringey.
E se a condenação e encarceramento dos agressores foi igualmente célere, nada do que façamos trará Peter de volta.
Diante do luto irreparável, restou-nos a aprendizagem e como professores temos uma posição privilegiada através do contacto diário com as crianças que são os nossos alunos.
Conclusão: na escola também se morre e a realidade em Portugal está infelizmente bem presente depois da morte da pequena Jéssica, vítima inocente num mundo onde a miséria e a ignorância estão cada vez mais presentes.
E sim, é preciso sublinhar: numa sociedade construída em função de relações de poder, as crianças estão ainda mais vulneráveis, nunca sendo demais apelar aos professores para a importância do seu papel como cuidadores e protectores, tantas vezes a última linha antes que seja tarde.
Sim, dependemos todos uns dos outros e nunca como agora foi tão importante a partilha de informações em tudo o que à criança diz respeito.
Se o aluno chega à escola com uma nódoa negra é preciso perceber porquê. Se o aluno está retraído, triste e reticente, é preciso perceber porquê. Se o aluno não vem à escola é preciso perceber porquê. O aluno tem fome? E os cuidados de higiene? O aluno tem roupa adequada para se vestir? Os pais têm emprego? Qual o agregado familiar e qual a história da família? Quais as companhias do aluno dentro e fora da escola? Há bullying online? Quão activo está o aluno nas redes e qual a sua pegada digital?
É preciso perguntar, telefonar, falar com o aluno individualmente, falar com os amigos, ligar para casa se não há um perigo imediato para a criança e fazer a ponte com a polícia e os serviços sociais sempre que preciso.
Porque somos todos responsáveis pelo bem-estar dos nossos alunos. Porque antes do “baby P” já Victoria Climbié havia perdido a vida aos 8 anos às mãos da sua tia diante da inoperância das autoridades e depois de “baby P” ainda assistimos à perda de Tia Sharp aos 12 anos de idade, vítima de repetidos abusos sexuais e físicos da parte do parceiro da avó.
E reclamar por mais apoios sociais agora que tempos (ainda mais) difíceis se adivinham e quem fica a perder é sempre quem menos tem e menos pode.
E reclamar, ainda mais, por mais apoio para a escola pública quando a prevenção é sempre preferível agora que os resultados estão à vista de todos.

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41 mil horas extras de estudo

Professores asseguraram um total de 36.397 tempos suplementares, e os técnicos 5.388.

O agradecimento por esta dedicação  foi o mesmo de sempre…

Plano pós-pandemia das escolas envolveu 41 mil horas extras de estudo


O Plano 21/23 Escola+, para recuperação das aprendizagens perdidas durante a pandemia de Covid-19, significou 41 785 horas suplementares de estudo nas diversas ações implementadas pelas escolas desde 2021. De acordo com o segundo relatório de monitorização do plano, 36 397 tempos suplementares foram garantidos por professores e 5388 por técnicos.

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5 ideias singelas para a avaliação e mudança das CPCJ – Luís S. Braga

5 ideias singelas para a avaliação e mudança das CPCJ.:

1. Mudar a lei no capítulo que obriga ao consentimento dos pais para intervenção das CPCJ. Faz sentido pedir consentimento a quem suscita dúvidas sobre o cumprimento dos seus deveres? Porventura, o fisco pede consentimento ao contribuinte para auditar contas?

2. Criar critérios mais objetivos para escolha dos membros das Comissões (na educação, por exemplo, talvez as CPCJ não devam ser alternativa à mobilidade por doença, como ainda há dias aconteceu numa próxima de mim e sei que acontece em muitas).

3. Mudar o lugar das CPCJ no contexto da administração pública. Em vez de um organismo com lugar confuso e estatuto difuso (baseado no lirismo da “parceria” e outras ideias poéticas e pouco operativas) criar um instituto público nacional autónomo com recursos e meios (o serviço de proteção de crianças e jovens). A regionalizar quando essa reforma chegar. A base municipal, de parceria e comunidade são ideias giras mas não estão a funcionar.

4. Desmunicipalizar as comissões e integrar processos, com informática a sério e numa gestão baseada no acompanhamento em qualquer ponto do território, evitando as falhas de quando há mudanças entre concelhos.

5. Dar poder mais coativo às comissões, recuperando para o seu presidente o conceito de magistrado administrativo. Ou criando mecanismos mais eficazes de coordenação de ação com os tribunais (as comissões têm de ser contactáveis 24 horas e não só no horário de uma secretaria e a chegada das quaetoes ao tribunal tem ser à velocidade dos casos juidicias em que há arguido preso).

Escusado será dizer que estas opiniões dum parolo de Viana, mesmo com 25 anos de experiência, nunca passarão de um lamento numa rede social.

Os “parceiros” instalados das comissões, em que “bom clima de parceria” é mais importante que a dialética, que faz mudar, ainda dirão que isto tudo é reaccionário.

 

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Taxas de retenção e de abandono no ensino básico voltam a níveis anteriores à pandemia

Depois da queda a pique em 2019/20, indicadores sobem pela primeira vez em oito anos. O 12.º ano é o único em que há uma diminuição dos “chumbos”, resultado das regras dos exames.

Taxas de retenção e de abandono no ensino básico voltam a níveis anteriores à pandemia

As taxas de retenção e abandono subiram em todos os níveis de ensino, à excepção do 12.º ano, em 2020/21. É a primeira vez em oito anos que estes valores sobem, mas a percentagem de alunos que não concluíram o ano está em linha com o que verificava antes da pandemia de covid-19 e consegue manter a tendência positiva que vinha de trás.

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