Rui Cardoso

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Concurso Externo / Contratação Inicial / Reserva de Recrutamento 2022/2023 NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO DA RECLAMAÇÃO

 

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Nota informativa – Notificação da decisão da reclamação

 

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O desprezo, a empatia e a disciplina de português – Luís S. Braga

 

Terminei o ano letivo a tratar de um caso em que um grupo de alunos deixou de falar com um deles, durante semanas. Conheciam-se de sempre e não se dirigiam a palavra, fosse em que meio fosse. O excluído estava desfeito.
Não se pode obrigar a falar, mas pode-se fazer refletir.

A arma social do desprezo e da indiferença é hoje comum e usada com displicência., mas não é nova. O efeito agrava-se com as redes sociais.

Há um quadro de Veronese, que se chama mesmo “Desprezo” e “Le mépris” (desdém ou desprezo), além do livro de Moravia é um filme genial de Godard, com a lindíssima Brigitte Bardot e uma desprezível discussão de 34 minutos. O tema tem larga representação artística.

O desprezo de hoje tem nova escala.

A minha avó, quando me portava mal, “dava-me ao desprezo” uns dias. Não ouvir nada de alguém de quem gostava era um castigo terrível e angustiante para uma criança.
Preferia que me batesse, coisa que não fez. E muito me esforçava por obter uma palavra qualquer que fosse.
Ainda hoje o desprezo, mesmo momentâneo, de quem goste ou só estime me faz reviver esse tempo de angústia infantil.

A minha avó não conhecia a palavra empatia, mas usava um truque pedagógico essencial e que me fez ser mais empático: a indiferença e o desprezo dos outros, de quem gostemos, vêm de algum lado e é preciso dialogar para o resolver. E a um miúdo que foi abandonado pelo pai (me desprezou) a coisa batia forte. E acho que me fez melhor pessoa.

O problema é que isso da empatia dá trabalho, constrange e é difícil ensinar aos miúdos, como vi no caso concreto.

Além de terem dificuldades com a língua, não são treinados para ver o ponto de que o desprezo se deve evitar. E depois de entrar por aí é difícil sair, porque é preciso a empatia dos outros. Isto é, não nos darem ao desprezo.. E de desprezo em desprezo o mundo ficará desprezível.

No caso concreto falaram e fez algum efeito. Por isso Português não pode ser só gramática.

 

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Em Portugal paga-se mal

Em comparação com os restantes Estados-membros, Portugal é dos que paga pior e tem menor produtividade.

O relatório “Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal” revela que a pandemia dificultou a entrada dos jovens no mercado de trabalho e o ensino à distância provocou perdas de aprendizagem que podem ser irreversíveis.

Ter canudo compensa? Salários de licenciados caíram 11% em 10 anos

A má notícia é que o salário médio, nestes dez anos, só aumentou para quem tinha o ensino básico. Uma subida na ordem dos 5%, puxada pelo aumento do salário mínimo.

Quem tem o ensino superior perdeu 11% do rendimento, quem concluiu o secundário, viu o salário médio cair 3% em dez anos.

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Já ninguém faz copianços como antigamente


PSP detém duas jovens por falsificação de identidade nos exames nacionais

PSP confirma detenções e em breve divulgará um comunicado sobre a operação.

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Listas ordenadas definitivas dos candidatos admitidos e excluídos, e de colocação relativas ao concurso externo

 
 

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Reuniões de avaliação resultantes do projeto Maia ou Ubunto ou pipi ou cocó ou whatever

A esfera deu a volta completa ao sol e estou de regresso à trágico-cómica última reunião de avaliação. Com tantos assuntos sérios que podem acabar com a guerra, a fome e a seca, como a vida amorosa e artística de Maria Leal, as aparições públicas de José Castelo Branco e as frases de elevado recorte intelectual das personalidades do “Big Brother”, e andamos aqui nós a perder o nosso precioso tempo com estas coisitas de notas. Enfim…
Bem, manhã cedo, rumo a uma escola despojada de alunos, entro na sala onde esperava encontrar almas moribundas, mas, surpreendentemente, encaro com a felicidade celestial de pessoas com aspeto de quem tomou calmantes na mesma ordem de racionamento com que os miúdos devoram M&M’s.
No entanto, noto uma dupla personalidade no secretário, cuja parte do corpo vestida com camisa e blazer, veio para uma reunião presencial, enquanto os membros inferiores, vestidos com boxers, parecem acreditar piamente estarem ainda nas reuniões online. A colega de Educação Musical, ainda com os rolos no cabelo, dividida entre documentos e biberões, acampou ao fundo da sala com um rancho de filhos à volta, porque acabaram as aulas e não tem com quem os deixar. No meio de duas professoras a tentarem ressuscitar com auxílio de café forte, está sorridente um colega com uma peúga de cada cor e outro, ainda com a espuma na parte da barba que deixou por fazer, a enfardar um generoso pequeno-almoço à inglesa.
(que fique bem claro que, por minha conta e risco, me internei voluntariamente na sala onde iria decorrer a derradeira reunião daquele conselho de turma do ensino básico)
Atolada num respeitável arsenal de documentação a forrar a sua mesa e arredores, descubro a diretora de turma escondida atrás de um portátil da escola que, depois de consideráveis peripécias para encontrar carregador e extensão e em conseguir pô-lo a funcionar, agora paralisou sem ligação à internet. O recente anúncio ao mundo pelo 1º ministro da chegada da transição digital foi demais para os poucos bites do microchip emocional da pobre máquina, porque, ao que parece, a coisa morreu, nem liga nem desliga.
Verifico que a colega que mora no outro extremo do país já cá está faz tempo e o que vive do outro lado da rua, por razão desconhecida, chega já no limite do período de tolerância sendo bem recebido pelo grupo de bons cristãos que lhe fazem uma espera com olhares mais do que afetuosos.
Alguém incontactável – que certamente terá desaparecido da superfície terrestre – aumenta a demora até que a presidente resolve, finalmente, dar início à reunião.
A coisa ia bem lançada quando chega o colega desaparecido obrigando a começar tudo de novo. Mal se sentou já pergunta pela folha de presenças para assinar, deixando a DT capaz de bater em alguém… e ainda reunião não começou.
Cantadas as notas, eis senão que chega o instante pelo qual todos esperavam: o confessionário – ocasião propícia para a má-língua, o queixume e a autopunição, demonstrando com evidências os sacrifícios a que se sujeitaram para serem merecedores de elevação ao estatuto de santo (ou, na ausência de melhor, a uma cotazita que lhes permita subirem de escalão).
Durante o relato do mau comportamento de um aluno em particular, lá vem a professora de ciências – muito inconvenientemente – interromper, contradizendo “comigo porta-se muito bem!”, uma bela candidata ao beatífico altar, não fosse segredo para ninguém que, nas aulas a esta turma, os gritos dela se escutavam do outro lado do atlântico. Começam, então, a enovelar-se episódios ocorridos na sua aula e, a certa altura, quando todos querem partilhar experiências libertadoras, depressa a reunião transforma-se numa mistura de muro de lamentações com um consultório de psicanálise, mas sem divã nem psicanalista.
Até aqui as coisas até nem iam mal de todo com a discussão a manter-se ainda ligeiramente acima do nível de novela mexicana; até que chega o tão temido momento em que é preciso «fermento» para que certas notas possam levedar e manda-se chamar o professor de EMRC que está noutra reunião. Sabemos que a nossa liberdade, definida pelo woke-washing do ministério, de podermos dar as notas que quisermos, é mais ou menos como o livre-arbítrio dado por Henry Ford aos seus clientes quando lhes dizia que “O seu Ford Modelo T pode ter qualquer cor, desde que seja preto”.
Bom, assim que surge o professor de «moral», com um terço na mão e ar de quem acabou de assistir a um exorcismo noutra reunião – mas nada de grave que possa comprometer a preservação da espécie humana ou o seu bilhete de entrada no reino dos céus – eis senão quando aparece uma funcionária a tentar arrancar daqui, à força de braços, o professor de TIC para ir urgentemente a outro conselho de turma onde já correm lágrimas e gritos. Está visto que todos nós levamos tudo isto muito a sério, porque, pasme-se, os alunos visados devem estar imensamente preocupados nas piscinas e praias, atrás de um ecrã de telemóvel, tv ou de jogos de computador, ou nas bicicletas em enorme ansiedade relativamente à injusta possibilidade de «chumbarem», quando até fizeram um enorme esforço de irem aparecendo na escola.
Mais tarde, depois de acesa, prolongada e inútil discussão acerca da nota e do mérito de alguns alunos com resmas de negativas, recorre-se ao muito pedagógico «nivelar por baixo» (mesmo rente às unhas dos pés) uma vez que hoje em dia quase todos os alunos são abrangidos pelas milagrosas Medidas de Suporte à Aprendizagem e Inclusão. Finalmente, conclui-se que ninguém irá merecer nível dois, uma vez que uns foram dando sinal de vida aparecendo na maior parte das aulas, outros até trouxeram material escolar (os quais merecem subida para o nível quatro) e, por uma questão de justiça, sobe-se para «cinco» aqueles que mantiveram os olhos abertos, abriam o caderno diário e não emitiam nenhum som perturbador.
Neste momento, no meio de enorme tensão de uma tribo de mulheres na menopausa agitando violentamente os seus leques e uma minoria de homens à janela encurralados entre o frenesim daqueles abanicos e o ar abrasador, o professor de ET, aflito, confessa ter um aluno que conseguia utilizar mais do que o polegar e o indicador quando manipulava ferramentas, a quem não sabe que nota dar, pois a escala termina no «cinco». A colega de Cidadania admitiu que quer dar nível seis a um aluno que, muito contra vontade, numa aula acabou por demonstrar uma atitude altamente altruísta emprestando uma borracha a um colega. Eis senão quando a professora de Inglês explode: “Se esses têm «seis», então que nota vou dar aos dois alunos que sabem mais do que os outros que só sabem dizer “OK”? O colega de Matemática conclui: “Referes-te aos ucranianos?”. Sem que tivesse tempo para responder, todos os outros colegas acenam afirmativamente com a cabeça.
A professora de Cidadania insiste que fique registado em ata o pedido para que, a nível excecional, possa atribuir um «sete» a estes dois alunos, pois são extremamente educados, cumpridores, respeitadores, dão os bons dias, agradecem, cedem passagem aos professores, pedem desculpa, estão prontos a partilhar e a ajudar, não dizem palavões nem perturbam a aula, têm iniciativa e participam de forma responsável… mas é logo interrompida pela colega que tem a ingrata missão de tentar ensinar a língua de Camões: “Eu também lhes quero dar o nível sete, pois ao fim de três meses em Portugal, já falam e escrevem melhor português do que os restantes alunos da turma”. Perante aquela bizantinatentativa de rebentar com a escala oficial por parte de todas aquelas almas pacíficas que estão capazes de fazer um motim, a DT, num colapso nervoso, desata num pranto, desabafando por entre um rio de lágrimas sobre as pressões que tem sido alvo por parte dos pais desde que estes alunos vieram para esta escola. Então, lá ficou registado em ata que estes alunos deverão moderar a sua participação nas aulas e as suas atitudes excessivamente disciplinadas com padrões morais utópicos que provocam bullying psicológico sobre os colegas, uma vez que há pais que se vêm queixando que, desde que estes ingressaram na turma, o nível de exigência dos professores aumentou consideravelmente. É ver a resma de registos de observação, grelhas de avaliação e portfólios de evidências de aprendizagem que se preencheram, a irem agora com os porcos, para se imaginar que não haverá candidatos a se atreverem a redigir outra pilha documental para justificar a retenção de um aluno.
A colega de ciências, inconsolável, vocifera: “Então, para quê que preenchemos tantos documentos para os maus alunos se depois isso são detalhes absolutamente irrelevantes, porque, no fim, mesmo que eles não se esforcem, passam todos? Como de costume, continuamos a castigar os professores e os alunos esforçados e a premiar os preguiçosos!”. Faz-se um silêncio conformado logo abafado pelo murmúrio de satisfação por mais uma candidata às míseras cotas de avaliação de desempenho que foi de vela.
Na realidade, depois daquela balbúrdia, o aproveitamento global ficou ali a uma ou duas décimas de ser considerado «Muito Insatisfatório» (o que nos levaria a todos a sermos dizimados por um batalhão de inspetores adeptos das novas doutrinas pedagógicas), mas oficialmente, com notas em segunda mão, ficou-se pelo «Muito Bom» com a maioria da turma a figurar no honroso quadro de excelência. A medo, a colega de ciências questiona como se irão justificar aquelas notas e como iriam convencer os pais de que os seus filhos eram uns génios. O professor de «moral» tenta fundamentar “E quem somos nós para julgar os outros, santo Deus?”. Em seu auxílio, rendido às evidências de toda aquela matemática quântica avançada que acabáramos de assistir, o colega de Matemática acrescenta “Segundo, o princípio da incerteza de Heisenberg em que as grandezas não podem ser medidas simultaneamente com exatidão, claro que uma percentagem de 21%, bem vistas as coisas, pode muito bem corresponder a 50%. É o projeto MAIA e o programa de capacitação Escolas Ubuntu a funcionar em pleno!”, concluindo embevecido “Somos muito à frente!”. Todos concordaram (mesmo desconfiando que o colega estaria a falar em código – bem poderia estar a mandá-los todos prás urtigas – pois não perceberam peva, nada, zero), o que mereceu uma unânime e extasiante ovação de pé até as mãos ganharem calos, ficando estas palavras citadas em ata.
Embora os alunos saibam cada vez menos, o importante para a felicidade e autoconfiança dos jovens e do crescimento económico do país, neste maravilhoso sistema de educação inclusiva, é que todos passem, que a imagem externa da escola fique abrilhantada e a taxa de sucesso escolar se situe no ponto ideal definido pelo ministério para que possa mostrar o quanto contribui para termos a geração mais bem formada de sempre!
Ultrapassado o clímax orgástico com laivos de tragédia grega, sente-se uma paz e um alívio libertador e, a certa altura, a presidente deste meeting apercebe-se que está a falar para ninguém; uns, considerando que a reunião acabou li, ficaram em pleno transe emocional a fixar o infinito, outros estão no face (provavelmente quem está a ler isto – este é o momento que todos se entreolham e tentam disfarçar), outros a verem a imprensa da manhã e, porque por aqui é tudo gente jovem, a maior parte entretém-se a mostrar as fotos dos netos.
Felizmente, houve quem não tivesse falado durante toda a santa reunião; estivera todo o tempo de boca cheia a avaliar os dotes culinários da DT que não conseguiu disfarçar as olheiras de uma noite a preparar a reunião, suponho que dividida entre papéis, computador e tachos.
A manhã já ia imensa quando finalmente se escutam as benditas palavras “a reunião terminou, podem sair”. Quando já estão todos à porta, eis que a colega que não tugiu nem mugiu de tão ocupada a limpar pratos e travessas com a língua, revelando uma clara falta de vontade de ir para casa aturar o marido, resolve abrir a boca, mas desta vez para falar, reclamando todos de volta às cadeiras de pau (os quais agora exibem uma vontade férrea de irem buscar um caldeirão, lenha e fósforos para cozinhar uma «Muamba de galinha à moda da Tia Manela»… ou, talvez lhes bastasse ir ao bar e trazer algo comestível para a calar outra vez).
«Angústia» é a palavra que eu escolheria para qualificar o sentimento da DT e do secretário quando se aperceberam que, assim que terminou a reunião e todos saíram daquela atmosfera densa, ficou um documento por assinar, outro por preencher e outros, ainda, que não lhe foram entregues. Começa, então, uma autêntica perseguição aos professores que estão noutras reuniões, dos que ainda estão na escola, daquela que está de regresso a casa a meio país de distância e, para desespero da DT, daquele colega que voltou novamente a ficar incontactável, devendo ter remigrado da face da terra e, provavelmente, estará agora no planeta vermelho a beber uma bejeca ao lado de Elon Musk.
Nada que uma dose extra de Xanax não possa resolver!

Carlos Santos

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Dispensas Sindicais

 

Encontra-se disponível a aplicação para as dispensas sindicais de 20 de junho até às 18h00 de 27 de junho de 2022.

Manual
SIGRHE

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COISAS QUE OS PROFESSORES TÊM PERDIDO

  • Com a redução do tempo de serviço os professores mais velhos iam para casa com essas horas de redução. Agora, mesmo aos 60 anos de idade ou mais, muitos com mais dificuldade em preparar as aulas, por vezes com três níveis de Ensino, e com mais dificuldade em ler os testes, em vez de terem realmente essas horas de redução, têm de ficar na mesma na Escola, aguentando nessa idade o ambiente stressante dos adolescentes.
  • As reduções letivas por idade começavam as 40 anos, agora só começam aos 50 anos
  • Os professores tinham direito a 5 dias para formação, e portanto podiam ir a congressos e a conferências, sem terem de descontar esses dias nos dias de férias
  • Havia 10 dias por ano para faltar ao abrigo das férias (artigo 102)
  • Não se descontava 3 dias de salário, nos 3 primeiros dias de atestado médico
  • Os professores do Ensino Secundário tinham mais 2 horas semanais, no seu horário, para prepararem as aulas e corrigirem os testes. Não é a mesma coisa preparar as aulas e corrigir os testes de alunos do 4º, 5º. ano, e preparar e corrigir os testes dos alunos do 12º. e 11º. ano, pois requer muito mais tempo.
  • Os professores tinham dois dias sem atividades na Escola, que lhes eram concedidos para elaborarem as provas de exame e de equivalência à frequência
  • A correção das provas de exame era paga (esse pagamento, embora não fosse muito, era acrescentado ao salário mensal do professor)
  • Os professores classificadores de exames podiam ir de férias no início de Agosto, pois os exames não se prolongavam tanto até ao final de Julho.
  • Dantes, se o professor tivesse sido assíduo, e lecionado o programa conforme lhe competia, de tantos em tantos anos ia progredindo na carreira. Agora, para se progredir na carreira é obrigatório fazer ações de formação (e pagá-las)
  • Quando as formações de professores eram à noite, davam direito a subsídio de jantar no dia da formação
  • Dantes havia ano sabático, isto é, de tantos em tantos anos os professores que quisessem podiam fazer uma interrupção de dar aulas, para uma atividade cultural ou humanitária, ou para uma investigação, e esse ano era-lhes pago pelo próprio Ministério
  • Dantes havia equiparação a bolseiro, isto é, os professores podiam concorrer a bolsas do Ministério, para fazerem uma investigação, uma formação de um ano (por exemplo o Mestrado), e esse ano era-lhes pago pelo próprio Ministério
  • Quem estivesse em substituição, se estivesse ainda a trabalhar dia 31 de Maio, tinha direito a ficar até ao final do ano letivo, isto é, 31 de Agosto.
  • Quem tivesse tido um contrato até 31 de Agosto e fosse colocado até 31 de Dezembro, tinha direito a ter contado o tempo de serviço entre o fim do contrato anterior e o início do contrato seguinte
  • Quem entrava em QZP, no ano seguinte ficava em quadro de Escola. Agora fica-se vários anos em QZP.
  • Os professores do 1º. ciclo e os educadores de infância iam para a reforma 4 ou 5 anos mais cedo porque o seu horário é maior e essa diferença era reposta no final da carreira.
  • As horas não letivas eram efetivamente não letivas, e como tal, sem alunos
  • As aulas de substituição eram pagas como horas extraordinárias
  • Os professores de educação especial recebiam um subsídio de especialização, mensalmente. Agora não.
  • Dantes as horas para coordenar um projeto eram descontadas no horário letivo, agora são acrescidas
  • Nas saídas do Desporto Escolar os professores tinham direito a um lanche da manhã, assim como todos os alunos envolvidos
  • Nas Escolas onde há aulas de noite, o trabalho noturno começava às 19 h, e por cada hora de trabalho pagava-se mais a partir do momento em que se começava a trabalhar às 19 h. Agora só consideram trabalho noturno a partir das 22 h
  • A idade para a aposentação era mais cedo do que atualmente. Os professores dos 2º.,3º. ciclos e Secundário aposentavam se com 58 anos de idade e 36 anos de serviço. Agora trabalham mais de 42 anos
  • Dantes, devido ao desgaste desta profissão, os professores mal atingissem os 40 anos de serviço podiam reformar-se sem penalização independente da idade
  • Antigamente havia pré-reforma para quem atingisse os 60 anos de idade
  • Os professores dantes tinham a Caixa Geral de Aposentações, agora progressivamente vão passar a ter a Segurança Social, vindo a sofrer mais cortes nos subsídios por doença
  • Dantes havia mais possibilidade de deslocação e melhores condições para os professores em mobilidade por doença
  • Os professores contratados mesmo com horários incompletos, e que iam às Escolas todos os dias da semana, descontavam o proporcional a 30 dias para a segurança social, agora só alguns dias lhes são contados como descontos.
  • Não havia professores a avaliar os próprios colegas, professores esses muitas vezes com menos habilitações e com menos anos de serviço do que os colegas que eles avaliam
  • Não havia quotas para se progredir na carreira, como agora há nos 4º. e no 6º. escalão
  • Todos os professores que não tivessem faltado, atingiam o topo da carreira, enquanto hoje só uma minoria o atinge
  • Dantes os professores não tinham de justificar e explicar porque davam mais de 50% de classificações negativas
  • Dantes não se desconfiava da palavra dos professores
  • Dantes os professores tinham muito mais autoridade
  • Dantes os professores reforçavam mais a palavra dos colegas e colaboravam mais mutuamente em prol do respeito pelos professores
  • Dantes não havia tantas reuniões
  • Dantes não havia tanta burocracia e tantas grelhas para preencher

Primeiro Ciclo (Duilîo)

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Quando serão revogados os Planos de Contingência das Escolas?

Ser atropelado ou ser contagiado na rua será sempre muito melhor do que dentro da escola. Já os alunos que pagam um extra para entrarem antes das 9h15m parecem estar imunes…

Os mistérios da covid-19

Todas as manhãs, quando vou levar um dos meus filhos à escola, tenho de esperar no carro pela hora certa para ele entrar. Em 2020, quando a escola reabriu depois da pandemia, foi decretado que todos nos contagiaríamos menos se os alunos não esperassem pelo início das aulas no recreio, mas sim no meio da rua. A rua é estreita, não tem passeio, os carros passam com dificuldade, mas certamente o amontoado de crianças (e adultos) que esperam num espaço reduzido pela abertura da porta – faça chuva ou faça sol – estará muito mais seguro ali fora do que a brincar no recreio como fará, de qualquer forma, ao longo do dia. Ou seja, ser atropelado ou ser contagiado na rua será sempre muito melhor do que dentro da escola. Já os alunos que pagam um extra para entrarem antes das 9h15m parecem estar imunes.

Embora todas as manhãs me enerve ter de compactuar com aquele absurdo, agora que as aulas estão quase a acabar penso que pode ser que o próximo ano traga o bom senso de volta a quem ainda não o recuperou.

 Mas o que dizer das cerimónias fúnebres que ainda não voltaram à normalidade? É que os meus filhos vão andar na escola por muitos mais anos, se Deus quiser, mas o velório de um ente querido é uma coisa que acontece uma vez na vida. Depois de os velórios terem sido proibidos durante muito tempo, neste momento são permitidos em alguns casos e de acordo com algumas regras como o limite máximo de pessoas na sala, cumprimentos de distanciamento social ou utilização de máscara. Tudo coisas que fazem imenso sentido quando se precisa de um abraço apertado ou um beijinho.

Se não fosse o caso de ser aconselhado o caixão estar fechado, concluiria que todas estas regras seriam para não infetar o defunto, sendo que os vivos podem estar livremente em jantaradas, discotecas e bares sem terem de cumprir distanciamento ou usar máscara.

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Oportunidades perdidas – Carlos Santos

Saí para esvaziar a cabeça de preocupações e regressei a casa com os bolsos vazios… passara por uma gasolineira. Não sendo exclusivo da profissão, como professores, tortura-nos cada vez mais essa arte de contar o valor a pagar cada vez que vamos encher o depósito de combustível, sobretudo quando esse é um preço pago para podermos ir trabalhar. De resto, a nossa itinerância e instabilidade profissional representa para as gasolineiras e para o governo uma fonte de lucro direto, ou indireto através dos impostos sobre os combustíveis, pelo que, para uns e outros, interessa-lhes que, maioritariamente, continuemos a trabalhar longe da nossa residência. Não bastando serem mal pagos, para poderem chegar ao local que providencia o seu ganha-pão, os professores ainda têm de se submeter a serem roubados.
Face a esta situação, não sei do que hei de falar primeiro, se da indiferença social para com os problemas dos docentes, se do desapontamento face ao egoísmo dentro da própria classe.
Ora, vejamos… Creio ser do conhecimento generalizado o lamento dos professores para com a falta de ajudas de custo para suprir despesas de contexto no exercício da profissão, assim como sobre o excesso de burocracia e de trabalho. Porém, quando surge uma boa oportunidade de minorar alguns destes males, eis quando, uma vez mais, a classe volta a desapontar-se a si mesma.
De entre tanta desgraça, um dos únicos aspetos positivos que a pandemia trouxe para as escolas e para a vida dos docentes, foi a possibilidade de se fazerem as reuniões online. Uma oportunidade que trouxe consigo variadíssimas vantagens: as reuniões tornaram-se mais breves e eficientes; deixou de haver conversas paralelas; os intervenientes possuem consigo (no seu PC ou em casa) toda a informação necessária e aquela que, inesperadamente, possa vir a ser solicitada; sobretudo, os professores que residem longe da escola, não precisam de se deslocar, poupando tempo precioso para estar com a família, economizando despesa em combustível, evitando os riscos inerentes à sinistralidade rodoviária e poupando horas de espera nos furos sem reuniões ou após o horário letivo. Isto já para não mencionar as conjunturas que obrigam docentes com o domicílio muito longe do local de trabalho a se verem obrigados a dormir em casa arrendada ou a deslocação de centenas de quilómetros num só dia, apenas com o desígnio de comparecer numa ou duas reuniões num curto espaço de tempo.
Batemo-nos tanto por termos ajudas de custo para deslocações, mas quando podemos proporcionar que dezenas de milhar de colegas consigam evitar a estrada, simplesmente, ignoramos. Um contrassenso que ajuda a explicar o motivo de já ninguém nos levar a sério.
Acontece que, num momento em que o preço dos combustíveis está mais alto do que nunca, com tendência de subida vertiginosa e com a possibilidade de escassez num horizonte próximo, num cenário em que os governos europeus já apelam aos cidadãos a contenção no consumo de combustível, por cá, não bastando a circunstância de a maioria dos professores terem de se deslocar dezenas ou centenas de quilómetros diariamente (pagando a despesa do seu próprio bolso), ainda somamos 120 mil docentes a cumprirem deslocações para reuniões durante semanas, as quais poderiam perfeitamente ser evitadas.
Não obstante a incongruência de tudo isto, este acréscimo desnecessário de poluição automóvel irá contribuir ainda mais para as alterações climáticas que estão a destruir a passos largos o planeta, causando secas (o nosso país é dos mais afetados), aumento das temperaturas, fenómenos atmosféricos extremos e imprevisíveis, escassez de recursos naturais, insuficiência de alimentos e fome.
Perante esta realidade, andarmos ainda a insistir na insensatez de fazermos reuniões presenciais, configura uma enorme inconsciência social, económica e ecológica, além de ser reveladora da nossa avultada falta de organização, de sentido coletivo e cívico, tão longe dos padrões educacionais e civilizacionais das culturas mais evoluídas.
Mas o palavrório que a classe política dissemina sobre o enorme investimento da “bazuca financeira” vinda de Bruxelas numa pretensa transição digital, somado às milhentas formações que os professores são obrigados a frequentar sobre as novas tecnologias e plataformas digitais, comparadas com este retrocesso no desaproveitamento daquilo que as novas tecnologias podem proporcionar quando precisamos de nos reunir, leva-me a pensar que não faltará muito para regressarmos à redação de atas em papel. Isto é quase como se investíssemos anos numa formação culinária e numa cozinha de «chef» e depois optássemos por mandar vir todos os dias refeições de fora.
Em abono da verdade, bem sei que existe um número restrito de professores que adora reuniões, uns por não quererem ir para casa aturar os cônjuges/filhos, outros por não terem ninguém em casa e ser na escola que encontram ocupação, outros porque têm nas reuniões um dos pontos mais altos do ano para convívio e outros, simplesmente, porque não dominam minimamente as novas tecnologias.
Contudo, é incompreensível que se desperdice o que as ferramentas tecnológicas proporcionam para a eficiência laboral, assim como se desconsidere os colegas de profissão que residem longe da escola e que possibilitaria uma poupança financeira para uma classe tão mal paga e um bem-estar fundamental para aliviar o cansaço e o desgaste profissionais.
Se barafustamos tanto e viramos costas às oportunidades quando estas surgem, então, de quem é a culpa senão de nós mesmos?

Carlos Santos

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Onde estudam os filhos do PS?

 

Onde estudam os filhos do PS?

O fado de ter filhos que percorrem há anos o sistema de ensino doutorou-me em educação e em Educação. Apanhei a manhas do sistema, sei distinguir o trigo do joio, aprendi onde gastar as energias e o que devo relativizar, quais as batalhas a travar e aquelas que temos de dar como perdidas, quais as estratégias a seguir para ajudarmos os nossos filhos a entrarem para os cursos e como os devemos ajudar a escolher, e qual a altura certa para fazer essa escolha. Sei distinguir preguiça de dificuldades de aprendizagem e sei que os miúdos são vampiros quando apanham um professor sem vocação pela frente. Tinha como princípio que a relação hierárquica é sagrada, mas já não tenho – só não digo aos meus filhos que mudei de princípio.

Vivo há mais de uma década entre escolas públicas e privadas, creches e jardins de infância, universidades e muitos explicadores. Já fiz trabalhos de todo o tipo e em várias línguas, manuais e digitais (até costurei! – eu, que nem sei o que é ponto cruz), ajudei a escrever contos, a resolver problemas de matemática e dei uma ajuda a ensinar a ler em tempos de pandemia. E ainda me faltam nove anos de escola. Nove.

Se há pessoa viciada no sistema de educação sou eu. Há mais manuais espalhados pelas estantes de minha casa à espera de reutilização do que areia na praia. Pela minha vida já passaram dezenas e dezenas de professores: uns que ainda hoje evitam o meu mau feitio, a minha forma tempestiva de falar de coisas banais; outros que eu adoro e que me ajudaram e ensinaram a ser mãe. Associo a data de entrada dos meus filhos na escola ao ministro da tutela da altura, sendo que cada um teve direito ao seu. Cada um teve o seu ministro, o seu sistema de exames, o seu currículo, uma forma diferente de fazer contas dividir, e, claro, o seu manual. E olhem que tive filhos, em média, de dois em dois anos.

De tudo isto, de todos estes anos aos encontrões no sistema de ensino, aprendi várias coisas e constato outras. Aprendi que é na escola que se pode estragar o gosto pela aprendizagem e que sem ele nada há a fazer. Não há explicações, dinheiro, castigo, incentivo ou remédio que os façam aprender seja o que for. Quem não quer ser ensinado não aprende. E é lá, na sala de aula, com professores motivados, pedagogos formados, que a vontade nasce, cresce e dá frutos. Aprendi que cada um tem o seu ritmo e o seu tempo: o percurso escolar é uma maratona, não uma corrida de 500 metros.

Constatei que quanto menos se pede aos alunos menos eles dão, de menos se consideram capazes e menos o serão. Há alunos que acabam os 12 anos de escolaridade sem saber fazer contas de dividir, sem nunca terem lido um livro, sem falar inglês ou ter feito uma apresentação oral. E não é uma minoria que não preenche pelo menos um destes itens.

O sistema de ensino é hoje um gueto de desigualdades, feito de escolas para ricos e para pobres, conforme as zonas onde estão localizadas, se são privadas ou públicas. A partir do 10.o ano, o estudo, é um treino apenas para a entrada na universidade, como se os miúdos fossem cavalos de corrida. Ou isso ou o ensino profissional, como se fosse a segunda escolha do remediados. No acesso às melhores universidades essa desigualdade é latente: quem tem dinheiro paga aos explicadores, que se multiplicam para preparar os alunos para um 18 ou 19 no exame de Matemática e o passaporte para um dos melhores cursos. Quem estuda sozinho e sempre estudou numa TEIP nem sabe onde fica a Nova SBE.

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A decência para a Monodocência

 

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O Ensino Profissional 

 

Comecei a trabalhar na área de Formação de Jovens e Adultos com 24 anos.
A turma de Adultos que recordo com carinho foi a turma, que sugeriu que eu poderia ter uma carreira militar com sucesso. Na altura expliquei que não tinha altura para ingressar nas Forças Armadas e tinha muito a fazer na sociedade civil.
A turma de Jovens que mais saudade me deixou, o Curso de Aprendizagem de Assistente Familiar e Apoio à Comunidade, foram três anos de trabalho. Todos terminaram com sucesso. Cerca de 50% dos alunos concluíram o Ensino Superior. Tenho a recordação de uma aluna que me olhava zangada porque era corrigida e terminou o módulo com 15 valores  hoje é Enfermeira.
Já passaram  28 anos, e  todos os anos leciono turmas de Ensino Profissional,
Segundo a Recomendação do Conselho Nacional da Educação, “Perspetivar o futuro do Ensino Profissional”,  “O ensino profissional enfrenta uma histórica desvalorização, em boa parte resultante de se lhe ter associado a imagem de um tipo de ensino destinado a alunos com um menor desempenho escolar no ensino geral, predominantemente oriundos de meios mais desfavorecidos.
A taxa de conclusão do ensino secundário, no  ano letivo 2019/2020  foi de 87% nos Cursos Científico-Humanísticos  de  79.9% nos Cursos Profissionais,
Na minha opinião, os Cursos Profissionais, deveriam fazer parte da oferta formativa de todas as Escolas Secundárias.
A taxa de conclusão do ensino secundário, no  ano letivo 2019/2020  foi de 87% nos Cursos Científico-Humanísticos e  de  79.9% nos Cursos Profissionais,
O mesmo documento, foca um  aspecto muito importante:  A reconfiguração necessária,  a Territorialização, garantindo respostas educativas atualizadas e articuladas entre os parceiros socioeconómicos e educativos de cada comunidade local; e a Empregabilidade, fornecendo uma qualificação técnica que seja não só adequada às necessidades e potencialidades das organizações sociais e das empresas, como com estas construída.
Ao nível do território, existem Escolas que distam no máximo 2 quilómetros e oferecem o mesmo Curso Profissional.  A auscultação das necessidades do mercado de trabalho deveriam regular as ofertas do Ensino Profissional.
Elisa Manero

 

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Quando se deixa de ser professor não se volta à profissão

Desencantou-se pela precariedade no ensino. Em Lamego, há um professor de Educação Física que abandonou de vez a escola, para se dedicar à produção de cereja. Sabe que há muita concorrência no concelho, mas o truque é apanhar o fruto da árvore e ir entregar o mais rapidamente possível ao consumidor. José Costa não tem saudades do tempo em que era professor.

A carreira de ensino não conseguiu atrair e fixar José Costa, que há mais de 10 anos, e após três anos consecutivos de instabilidade, decidiu mudar de rumo. Hoje tem a certeza que já não volta atrás e o futuro é mesmo como agricultor.

Colhe o fruto e, depois, distribui e vende diretamente da árvore para os minimercados. Esse é o truque do antigo professor de educação física, de 37 anos, para fintar a concorrência.

“Eu e o meu pessoal começamos a partir das 6h30 a colher o fruto até às 11h30 e depois eu vou entregar diretamente às mercearias. É diferente da rota comercial da cereja, que passa por duas, três mãos”, revela José Costa, insistindo que “as cerejas vão diretamente da árvore para os minimercados”.

Ainda que habituado desde sempre a ver os pais a trabalhar na agricultura, na Quinta do Casal, em Lamego, ao terminar o ensino secundário José Costa decidiu enveredar pela licenciatura em Educação Física, com o objetivo de um dia dar aulas.

“Os meus pais queriam algo mais seguro para mim”, recorda. Mas passados três anos de instabilidade no ensino, sem número de horas que justificasse, José Costa decidiu mudar de vida e hoje trata as cerejas por tu.

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Falta de Professores – Elsa Manero

 

A falta de Professores no terceiro ciclo e secundário é notória.

As Universidades, responsáveis pela formação de professores, não têm feito um investimento na abertura de Cursos de Mestrado em Ensino.

Os Cursos de Mestrado em Ensino constituem um elemento importante na formação de professores, uma vez que visam a aquisição de habilitação profissional para a docência. Um licenciado que pretenda fazer o Mestrado em Ensino tem de frequentar o Mestrado na Universidade do Porto ou na Universidade de Lisboa. Nem todas as Universidades Públicas têm Mestrado em Ensino. As Universidades Públicas deveriam investir nos Mestrados em Ensino dos grupos de recrutamentos mais deficitários, que são, segundo estudo do Conselho Nacional de Educação, são Educação Tecnológica, Economia e Contabilidade, Filosofia, História e Geografia, as áreas em que deverá haver mais reformas no 3º ciclo e secundário.

Fazendo uma pesquisa, a única Universidade que leciona o Mestrado em Ensino em Economia e Contabilidade, é a Universidade de Lisboa.

Segundo o CNE, a maioria dos docentes das escolas poderá estar reformado até 2030:

Até 2024, deverá haver menos 17.830 professores, nos cinco anos seguintes serão menos 24.343 e finalmente, entre 2029 e 2030.

O Governo terá de deixar de reconhecer a falta de Professores, deve agir para mitigar o problema a médio e longo prazo.

Elisa Manero

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O ensino (cada vez menos) público no Reino Unido – João Costa

E se a direcção de uma escola pública inglesa recruta professores e pessoal auxiliar, quem recruta o director? Os “governadores” da escola, mais precisamente o governing body, o qual é composto por representantes não remunerados da comunidade em redor. Sim, leram bem, não remunerados e, no entanto, com o dever último de gerir uma escola.

O ensino (cada vez menos) público no Reino Unido

Sim, existem linhas curriculares orientadoras, mas nem por sombra sonhem com um Governo a ter uma palavra a dizer sobre o currículo ministrado em cada escola, num país onde a cada corpo docente cabe a responsabilidade de decidir sobre os conteúdos mais adequados em função dos alunos em mãos.

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Viva “la vida loca”…

 As aulas terminaram oficialmente, mas o frenesim e a vertigem continuarão, incessantemente, em cada escola…

As aulas terminaram, mas começou, entretanto, uma corrida verdadeiramente desenfreada, frenética e vertiginosa, tendo como meta um derradeiro clímax, atingido pela prescrição de inúmeras e, muitas vezes, incompreensíveis tarefas. Tarefas sempre imperiosas, urgentes e prioritárias, como se isso fosse lógico ou possível…

Bateladas de solicitações, muitas vezes redundantes e absolutamente irrealistas, sem fim à vista e sem um propósito claro ou definido, mas impossíveis de ignorar…

E o mais certo é ficar-se preso num círculo vicioso de trabalho insano e de automatismos comportamentais, repetindo-se até à exaustão todos os vícios e erros de funcionamento, sem que surja algum tipo de pensamento crítico, contestatário ou inconformado, capaz de interromper esse movimento errático e ecolálico…

Age-se, frequentemente, em modo de “piloto automático”, empreendendo a maior parte das acções sem verdadeira intencionalidade e sem plena consciência… Na condição de “adormecidos e entorpecidos”, tende a aceitar-se todas as decisões tomadas por terceiros e a deixar-se de procurar soluções para os problemas, como se se tivesse abdicado da capacidade de pensar por si próprio…

O mais importante parece ser continuar a cumprir todas as “orientações”, mesmo que o absurdo seja notório ou até embaraçoso…

Aparecem, assim, e como que por uma inverosímil geração espontânea, convocatórias para inúmeras reuniões, disto, daquilo e daqueloutro; catadupas de pedidos de elaboração de registos e relatórios, da mais variada ordem e natureza: estratégias, procedimentos, metodologias, para tudo e para todos; análises de resultados por disciplinas, por turma, por ano, por altura e peso dos alunos e pela cor dos respectivos olhos; pareceres sobre tutorias, cidadanias, mentorias, articulações várias, entre muitos outros; estratégias de remediação por aluno, por turma ou pelo que se queira…

Acresce-se que o que está enunciado nessa panóplia de documentos e de registos nem sempre corresponde ao que na prática foi realizado, servindo apenas como adorno ou como tentativa de mostrar uma “realidade” que efectivamente não existe…  

Tudo isto, muitas vezes, sem nexo e sem “fio condutor”, mas com muita fantasia, traduzida por uma enorme capacidade inventiva e criativa…

Tanta pretensa proactividade, tanto suposto trabalho colaborativo e tanto dinamismo ilusório! E é simplesmente assim, porque sim…

A alucinação, o desvario e o frenesim são notórios:  formulam-se exigências, seguidas de mais exigências, muitas vezes, inconsistentes e atabalhoadas, sem se saber para que efectivamente servem ou que eficácia ou pertinência têm…

No fundo, espera-se que outros demonstrem um elevado “espírito de missão” (raios partam o “espírito de missão”!)  e confia-se no seu expectável conformismo e silêncio, que certamente os levará a cumprir um número infindo de tarefas, ainda que desnorteadas e absurdas…

E não pode deixar de se perguntar:

– Que diabo andam a fazer alguns órgãos de coordenação e de supervisão pedagógica de muitos Agrupamentos? Terão plena consciência das orientações por si emanadas?

– Não são esses órgãos que apreciam e validam a maior parte das decisões e orientações pedagógicas? Não querem, não sabem ou têm medo de agir e de contrariar esta insuportável “normalidade”?

E todo o frenesim, entropia e vertigem, gerados por esta espécie de delírio, assentes em percepções alteradas da realidade e traduzidos por inúmeras medidas avulsas e “mantas de retalhos”, vão sendo aceites e interiorizados, como se fossem uma “fatalidade irreversível” ou uma “realidade normal”…

Durante o próximo mês, viver-se-ão dias de muita “vida loca” em praticamente todas as escolas… E não será, por certo, no sentido da diversão, da folia ou da farra (antes fosse!), mas antes da insanidade, alienação e desvario…

As reclamações ou contestações, essas, obviamente, poderão esperar e ficar para depois, como quase sempre ficam… Agora não há tempo, agora estão todos demasiado ocupados a cumprir um sem número de tarefas iminentemente insanas…

Num Agrupamento de Escolas, quantas reclamações ou protestos são formalmente endereçados ao Conselho Pedagógico ou ao Conselho Geral, quer por Grupos de Recrutamento, Departamentos ou por alguém em termos individuais?

Havia duas maneiras de partir: uma era ir embora, outra era enlouquecer” (Mia Couto, “Terra Sonâmbula”).

Nas escolas não faltam motivos para “enlouquecer”: desde o confronto com insanáveis injustiças (ADD, mecanismos de progressão na Carreira, entre outras), até atitudes déspotas e ditatoriais por parte de alguns superiores hierárquicos, passando pela insustentável carga burocrática, pela “roleta russa” dos Concursos ou pela obrigação de satisfazer algumas pretensões fantasiosas e devaneios alheios, de que é exemplo paradigmático a execução do Projecto MAIA…

Vamos embora ou enlouquecemos? Ou fazemos alguma coisa para não ir embora, nem enlouquecer?

No pior dos cenários, e ainda que não se tenha ido embora, talvez alguns já tenham “partido” há muito, desistindo de si próprios e dos outros, sem se darem conta disso…

Quem pára esta alucinação?

(Matilde)

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Concurso Pessoal Docente 2022/2023 – Listas Ordenadas – Açores

PROJETO DE LISTA ORDENADA DE GRADUAÇÃO DOS CANDIDATOS AO CONCURSO INTERNO DE AFETAÇÃO PARA O ANO ESCOLAR DE 2022/2023

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Já o defendi em várias reuniões, PRA até 2024/25

Plano de Recuperação das Aprendizagens acaba no próximo ano, mas diretores defendem uma extensão.

Escolas querem mais tempo para minimizar o impacto da pandemia Covid-19

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TODOS REJEITADOS

Projeto de lei n.º73/XV do PCP Votaram a favor: PCP, BE, PAN, LIVRE, PSD e IL. Absteve-se o CH. Votou contra: PS.

Projeto de lei n.º106 do CH Votaram a favor: CH e BE. Abstiveram-se: PCP, LIVRE, PAN e IL. Votaram contra: PS e PSD.

Projeto de resolução n.º80 do BE Votaram a favor: BE, PCP, PAN, e LIVRE. Abstiveram-se: PSD, IL e CH. Votou contra: PS.

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As novas regras da MPD destinam-se…

“Temos algumas escolas que recebem em mobilidade por doença mais de 100% do seu corpo docente, por vezes vindos de escolas de muita proximidade”, esclareceu João Costa, revelando que 18% dos casos são de mobilidade dentro do mesmo concelho.

O decreto-lei “visa, essencialmente, conseguir um equilíbrio entre a garantia de que os docentes podem exercer o seu direito de mobilidade para efeitos de prestação de cuidados de saúde, e uma distribuição mais eficaz e racional dos recursos humanos da educação”, explicou o ministro da Educação, João Costa.

As novas regras da MPD  destinam-se aos professores com doenças incapacitantes mas também aos que têm familiares próximos nessa situação, definindo-se regras como a delimitação geográfica da medida.

Agora, os professores só podem pedir transferência para escolas “cuja sede esteja situada num raio de 50 km, medidos em linha reta, da sede do concelho onde se localiza a entidade prestadora dos cuidados médicos ou a residência familiar”.

Por outro lado, só podem requerer mobilidade para escolas cuja sede fique a mais de 20 quilómetros da sede do concelho do agrupamento de escolas ou escola não agrupada de provimento.

Estas são as principais alterações ao decreto lei da MPD.

 

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Hoje votam-se regras para à MI NA AR

Na  4ªf (15/06) foram discutidos na Assembleia da República a Petição (199/XIV – Concurso de Mobilidade Interna).
Tendo em vista a resolução desta questão e de outros problemas concursais (e não só), o PCP e o CH apresentaram, respetivamente, os projetos de lei n.º73/XV e n.º 106, e o BE o projeto de resolução n.º 80, que serão votados hoje na generalidade.

VOTAÇÃO NA GENERALIDADE Projeto de Lei n.º 73/XV/1.ª (PCP) – Garante a inclusão de todos os horários no procedimento de mobilidade interna do concurso interno de professores

VOTAÇÂO NA GENERALIDADE
Baixa à 8.ª Comissão
DELIBERAÇÃO
Projeto de Resolução n.º 80/XV/1.ª (BE) – Pela revisão do regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente dos ensinos básico e secundário.

VOTAÇÂO NA GENERALIDADE
Baixa à 8.ª Comissão
Projeto de Lei n.º 106/XV/1.ª (CH) – Atribui ajudas de custo a professores do ensino básico e secundário que se encontrem deslocados.

 

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Decreto-Lei n.º 41/2022 MPD

Estabelece o regime de mobilidade de docentes por motivo de doença.


Decreto-Lei n.º 41/2022

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Tiro ao lado

 

O delito de opinião felizmente não é figura jurídica, masera importante pensar muito bem em quem “batemos com mais força” pois insistimos na mesma falácia: virar professores contra professores e esquecer os grandes problemas. É o chamado “tiro ao lado”!

Se há erro que o Dr. Domingos Fernandes (MAIA) e do Dr. José Verdasca (PNPSE) fizeram, foi o de desafiarem as escolas a melhorar e de acreditarem que, sem verdadeira autonomia e lideranças locais fortes, se podem fazer projetos locais/ descentralizados. Ambos conseguiram numa fase inicial mobilizar muitos professores e diretorese, ambos acabaram, mais tarde, julgados em praça pública, pelos erros cometidos de forma natural em processos de melhoria de cada escola (só não erra quem não faz!).

Nestes dois projetos nacionais o racional foi devolver à escola o poder de decidir e construir o seu próprio caminho em função das dificuldades dos alunos, dos problemas da organização, dos profissionais disponíveis,… Mas quem tomou todas as decisões destes projetos foram “professores que acreditaram” e que se colocaram do lado da solução, mas que nem sempre estavam devidamente preparados e orientados.

Posto isto, quando lemos alguma opinião publicada, parece que todos os males das escolas, dos alunos e dos professores se podem resolver acabando com estes projetos! Se fosse assim tão fácil, seria o primeiro a dizer: acabe-se com o MAIA! Mais uma vez estamos a minar a capacidade de iniciativa e destruir confiança dentro das escolas.

Atrevo-me a enumerar uma lista de situações que requerem a nossa atenção e merecem um debate mais aceso:

A forma centralizada e ineficiente como são geridos os fundos europeus que merecem todo o nosso respeito: os computadores adquiridos para os alunos demoraram e não têm qualidade suficiente, os pais não aceitam o processo de entrega, as escolas não estão a receber equipamentos suficientes e não participaram nas escolhas, …. Vejam o que foi proposto às escolas como alegados LED- Laboratórios de Educação Digital!
A forma centralizada como a DGE e ministério decidem a formação dos professores: na antepenúltima candidatura a formação, paga pelo financiamento europeu, as escolas ainda tomaram decisões sobre áreas, formadores e operacionalização(foi o PNPSE), na última candidatura já só puderam decidir 20% das ações, desde que relacionadas com o digital (PADDE). Na candidatura que irá abrir os Centros de Formação vão executar o que foi decididoem Lisboa. Querem apostar que este será um dospróximos bodes expiatórios autodestrutivo?
Foram gastos milhões em projetos como o E360 ou mais recentemente nos RED como o “Periscópio” que apresentam problemas de funcionalidade e não se conseguem adequar às necessidades.Responsabilidades?

Não me atrevo a fazer uma lista exaustiva pois de certeza iria falhar: se entramos no campo da gestão da “transferência de competências”, da forma “aleatória” como o IGEFE liberta verbas que “virtualmente” são das escolas, da ausência de pagamento de horas extraordinárias nas escolas portuguesas,… não faltam problemas!

Não podemos, no entanto, esquecer alguns problemas que insistimos em “varrer para debaixo do tapete e que são,na realidade, “autodestrutivos”:

Não fomos capazes de usar a figura jurídica da mobilidade por doença de forma equilibrada, ninguém quis corrigir atempadamente o problema e agora está a ser o que se vê….
Uma percentagem de alunos muito elevada tem explicações, muita dela paga sem impostos, muita dela por professores da própria escola… Vai ser outra situação que nos vai “manchar a todos”…
A forma como a iniciativa económica das editoras se conjuga com a necessidade de serviço público de educação de qualidade (escolas públicas e privadas incluídas) e a atualização do currículo

Paro por aqui para não arranjar mais problemas… Mas sem deixar de apelar ao sentido ético e cívico de cada um!

Deixo então o meu sincero apelo ao espírito crítico, que se diversifiquem os “bodes expiatórios” e que o debate livre e participado continue a contribuir para melhorarmos a nossa escola e obviamente a sociedade! E todos sabemos que bem precisamos! Isto está muito difícil!

Em Portugal até a “ditadura teve de cair de podre”,porque, reina a pequena, média e grande corrupção (vejam a transposição das diretivas europeias neste campo queforam e extremamente mal preparada). Fica uma dúvida: o Decreto-Lei n.º 109-E/2021, de 9 de dezembro, a MENAC e RGPC também se aplicam às instituições públicas?Também as escolas devem criar canais de denuncia da corrupção?

Infelizmente, as pequenas, médias e grandes reformasestão sempre atrasadas e são quase sempre indesejadas e enjeitadas!

Armando da Silva

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MAIA (Monitorização, Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica) – Luís Filipe Torgal

 

Nos dias 4 e 5 de junho, foi publicado no Observador, no Blog deAr Lindo e no site da Rádio Boa Nova (Oliveira do Hospital) um texto meu com apreciações críticas e interrogações sobre o projeto educativo MAIA. Pelas reações que recebi, nos dias seguintes à edição do texto, confirmei que muitíssimos colegas e outros cidadãos não docentes subscrevem as mesmas preocupações e dúvidas. A este propósito, leiam o artigo sério e clarividente de Paulo Guinote intitulado «Uma educação distópica», publicado no último número do Jornal de Letras (15-06-2022). Percebi também que o meu texto foi rececionado de forma virulenta pelos mentores do MAIA e por alguns dos seus discípulos, os quais preferiram injuriar aqueles que pensam como o autor, em vez de responderem às suas questões e contraditarem os seus argumentos. Nos sacrossantos grupúsculos do poder, os que questionam os enredos labirínticos destas pedagogias são acoimados de mentirosos, ignorantes e retrógrados. (Se vivêssemos no Estado Novo de Salazar ou Caetano, acusá-los-iam de «subversivos», «comunistas», perigosos «antissituacionistas» e haveriam de os sanear, prender ou degredar).

Os «cientistas» da educação instigadores do MAIA inculcaram nas suas mentes eruditas o dogma de que somente as suas teses educativas habilitam os alunos a pensarem e a desenvolverem o espírito crítico e que essas teorias têm a mesmíssima unanimidade e fiabilidade das leis produzidas pelas ciências exatas.

(Por exemplo, rejeitam que as suas práticas pedagógicas ampliem a burocratização da escola para níveis insuportáveis, corram sérios riscos de desvalorizarem o conhecimento científico estruturado e ousem transformar alunos e professores em «vendedores de banha da cobra», capazes de obrarem discursos persuasivos mas vazios e espúrios. E, num outro registo, não se pronunciam sobre as provas de aferição ou os exames nacionais dos últimos anos, cujas questões se tornaram demasiado básicas e, afinal, estão longe de apelar ao conhecimento e espírito crítico dos alunos, bem como à sua capacidade para produzirem textos bem escritos, fundamentados e estruturados).

Partindo desta premissa, concluíram que as teorias de avaliação / classificação que estão a impor, de modo estandardizado, aos professores de todos os cursos e níveis de ensino básico e secundário da escola de massas são tão absolutas e credíveis como as teses sobre a esfericidade da Terra.

Aos professores, alunos e pais resta aceitarem estas alegadas «verdades científicas» com servilismo, pois foram concebidas por luzeiros que (alegadamente) conhecem as comunidades educativas como ninguém e por isso engendraram ardilosos expedientes para erradicar o insucesso dos alunos.

Só lamento que apesar de tantas leis, portarias e circulares emitidas, apesar de tantas comunicações, congressos, centros de estudo e ações de formação realizados, apesar de tantos documentos de orientação elaborados, apesar das persistentes pressões exercidas sobre as direções dos agrupamentos, apesar de tanto dinheiro do erário público prodigalizado, estes «cientistas» e os seus apparatchiks ainda não tenham conseguido persuadir a maioria dos professores que as suas teses são puras, justas, inteligíveis, originais, infalíveis, imprescindíveis e exequíveis, e que estão a transformar a escola num lugar mais inclusivo, fraterno e promotor de uma formação e educação de excelência.

Felizmente para eles que a festa não terminou. Nos próximos quatro anos, o Ministério da Educação (cuja máquina está, talvez como nunca, capturada por estes «cientistas», que também já presidem ao «independente» Conselho Nacional da Educação) tutelado por um governo de maioria absoluta vai continuar a subestimar a formação científica dos professores e a «investir» ainda mais dinheiro em formações técnicas (catequizadoras) nas áreas da Avaliação, bem como da «Capacitação Digital» e, agora, dos «Mindfulness» (!). Ainda que mal pergunte: o que pensam os sindicatos e as associações de professores sobre o assunto?

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Matrículas/Renovação de Matrículas | 8.º ao 12.º ano(s)

Arranca dia 17 de junho a 2.ª Fase do processo de matrículas ou renovação de matrículas até ao dia 01 de julho, para os alunos que transitam para o 8.º, 9.º, 10.º, 11.º ou 12.º anos.

Caso o seu educando transite para o 10.º ou 12.º ano, deve efetuar a matrícula no Portal das Matrículas em: Portal das Matrículas (edu.gov.pt).

Caso o seu educando transite para o 8.º, 9.º ou 11.º anos, este processo é feito automaticamente pela escola, a não ser que tenha de realizar as situações descritas a seguir:
– A mudança de estabelecimento de educação ou de ensino;
– A alteração de encarregado de educação;
– A mudança de curso ou de percurso formativo;
– A escolha de disciplinas.
Antes de iniciar o ato da matrícula ou renovação deve garantir que tem consigo:
  • O seu documento de identificação
  • O documento de identificação do seu educando
  • Uma fotografia em formato digital do seu educando
  • O seu Número de Identificação Fiscal eo do seu educando
  • O seu Número de Identificação da Segurança Social e o do seu educando
Recomendo ainda, a leitura do Despacho Normativo n.º 6/2018 | DRE, com as respetivas alterações que lhe foram introduzidas pelo Despacho Normativo n.º 5/2020 | DREDespacho Normativo n.º 10-B/2021 | DRE, e Despacho n.º 4209-A/2022 | DRE;
Caso surjam duvidas durante o processo de matrícula ou renovação pode visualizar a apresentação que fiz ou a apresentação divulgada pela DGEstE:

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Porque deixou de ser atractivo dar aulas?

Laura, aluna do secundário, quis saber o que pensam os docentes da profissão. Ontem levou os resultados para a cerimónia de entrega dos prémios “Inspira o teu Professor”.

Porque deixou de ser atractivo dar aulas? Professores queixam-se de baixos salários e desvalorização social

Um professor inspirador? Diogo Moura, que é actualmente vereador da Câmara de Lisboa, foi um dos desafiados nesta quarta-feira, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, a contar uma história. E falou da irmã Mercedes, uma das professoras que mais o inspiraram. Aos sete, oito anos”, contou, frequentava um externato, era uma criança tímida e não tinha a certeza de ser capaz de vir a fazer as mesmas coisas que os colegas, com mais meios económicos do que ele, fariam. A irmã Mercedes era o oposto: uma professora comunicativa que tocava castanholas nos intervalos” das aulas e que, aos poucos, lhe incutiu o gosto pela música. Mas fez mais do que isso. Ela dizia-me: ‘Tu és capaz de ser quem tu quiseres e estou aqui para te ajudar. E eu acreditei.”

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A Educação Inclusiva passa 90% dos alunos

A taxa de transição e conclusão dos alunos abrangidos pela Educação Inclusiva que beneficiam de medidas e apoios especializados é superior a 90% em todos os ciclos de ensino. E a distância para as taxas globais atingidas por todos os alunos vai esbatendo-se durante o percurso.

Mais de 90% dos alunos com apoios à aprendizagem passam de ano

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Uma educação distópica – Paulo Guinote

 

 

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Diretores elogiam “comportamento louvável” de toda a comunidade num “ano letivo nunca visto”

 

Termina esta quarta-feira, dia 15 de junho, o terceiro período do Ano letivo 2021/2022 para os alunos do ensino básico e secundário, do 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade.

Esta etapa termina em datas diferentes consoante os anos de escolaridade: 9.º, 11.º e 12.º – que realizam provas e exames nacionais – terminaram a 7 de junho; 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos terminam hoje; pré-escolar e primeiro ciclo terminam a 30 de junho.

Em declarações à Multinews, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), fez um balanço do ano que passou, considerando-o “um ano letivo sui generis“.

“Metade foi praticamente a gerir o Covid. Até finais de janeiro, inícios de fevereiro era um entra e sai de alunos casa-escola, escola-casa e tivemos de conviver com esta nova realidade”, sublinhou referindo-se aos surtos, que obrigaram a comunidade a isolar-se em casa.

A par disso, acrescentou o responsável, “nas últimas semanas também se assistiu a um avolumar de situações de Covid, desta vez sobretudo junto dos adultos, professores e funcionários”.

“Nesta perspetiva, acho que apesar de tudo, toda a comunidade escolar teve um comportamento louvável, para um ano letivo nunca visto, em virtude da Covid-19”, reiterou Filinto Lima.

Quanto ao futuro, o presidente da ANDAEP diz esperar “que o próximo ano letivo seja mais tranquilo e generoso para os atores educativos e que as aprendizagens que ficaram por realizar sejam recuperadas”.

“O grande desafio é mesmo esse: a recuperação das aprendizagens. Este ano estava prevista essa recuperação, mas como disse metade foi num vai e vem de alunos e professores, o que dificultou esse processo”, referiu.

Outro desafio, aponta Filinto Lima, “tem que ver com o uso efetivo dos computadores. Neste momento todos têm computador do ministério da Educação e eu acho que há que dar uso a esta ferramenta de trabalho que é essencial”.

“Não queria que este investimento tivesse o triste fim que tiveram os computadores Magalhães e, nesse sentido, faço votos para que no próximo ano letivo as escolas, sempre que possível, recorram mais a esta ferramenta de trabalho”, concluiu.

3.º período termina hoje para milhares de alunos do básico e secundário. Diretores elogiam “comportamento louvável” de toda a comunidade num “ano letivo nunca visto”

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A passagem de ano e os “milagres” de verão

Todos os anos por esta altura são denunciados fenómenos anómalos nas escolas portuguesas. A dias de terminar mais um ano letivo, não é difícil começarmos a ler nas diversas redes sociais a indignação de muitos, a conivência de outros tantos e o conformismo dos restantes perante as avaliações.

A passagem de ano e os “milagres” de verão

 

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#vamosimprimirumaescola – João Costa

Não é difícil amar a escola. Basta ter tido bons professores, professores esses com tanto gosto em ensinar como aprender, com tanto gosto em ensinar como cuidar, professores a olhar por nós mas também pelos nossos amigos e irmãos, pelas nossas famílias, tantas vezes extravasando o dever até à porta de casa, só para saber se está tudo bem, estabelecendo relações para a vida e, sem querer, mas talvez querendo, dando continuidade à escola, eternizando-a. Este terá sido, estou certo, a vivência de Maggie Grout, que com apenas 15 anos de idade fundou a ONG Thinking Huts para hoje, 7 anos depois, se dedicar à impressão de escolas em 3D na ilha de Madagáscar. Sim, leram bem, é possível, para não dizer desejável, imprimir uma escola em 3D. O objectivo? Garantir a todos o acesso a uma escola, ainda para mais onde a mesma não existe neste que é um dos países mais pobres do mundo e onde a falta de infra-estruturas significa salas de aula sobrelotadas, escolas demasiado distantes, abandono escolar e o ciclo sem fim de pobreza consequente. E graças a tantos donativos recolhidos através do site da Thinking Huts e respectivas redes sociais, as primeiras salas de aula aqui estão, para já no campus de uma universidade. Construídas em forma de favo, as salas de aula procuram não só unir a escola mas também a sociedade em redor através da contratação e formação de trabalhadores a nível local, os quais darão continuidade a este projecto. O tempo necessário à impressão das paredes? 18 horas. Assim pouco mais há a dizer diante da óbvia redução de custos económicos, ambientais e sociais quando se procura educar uma comunidade. A forma de favor promove a expansão dos edifícios sendo que entre acabamentos a construção de uma escola leva pouco mais de uma semana. Ao todo, Maggie Grout e a sua Thinking Huts procuram construir escolas em 7 países e 7 países é apenas o começo. Os meus parabéns a esta iniciativa nunca serão suficientes e o meu contributo aqui segue em nome da educação universal. Basta a vontade , a vontade de todos para imprimir uma escola. A vontade de todos para garantir o acesso à educação, a um futuro, melhores empregos e salários, igualdade social, justiça, equidade, uma sociedade mais salutar, mais feliz, a fluir como um rio onde a nascente é, e será sempre, a educação.

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Mobilidade Estatutária 2022/23

 

Informa-se que o processo de mobilidade do pessoal docente para o ano escolar de 2022/2023, decorrerá obrigatoriamente através de aplicação informática a disponibilizar no portal da DGAE, de acordo com os prazos indicados.

A submissão da(s) proposta(s) de mobilidade estatutária de docentes, nos termos previstos nos artigos 67.º e 68.º do Estatuto da Carreira Docente dos Educadores de Infância e dos Professores do Ensino Básico e Secundário, decorrerá de 09 de junho a 27 de junho, impreterivelmente.

 O prazo para a aceitação por parte do(s) docente(s) decorrerá de 09 de junho a 28 de junho, impreterivelmente.

 

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Falta de professores será pior na região Centro

Não é de admirar. A classe docente está extremamente envelhecida nesta região, há agrupamentos de escolas que têm grupos de docência com os seus membros, todos, com mais de 60 anos.

Os remendos que por aí vêm de nada vão servir…

Falta de professores será pior na região Centro

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Nos Açores já há calendário escolar para 2022/23

 

As aulas arrancam entre 12 e 14 de setembro, terminando a 16 de dezembro para a interrupção de Natal.

O segundo período tem início no dia 03 de janeiro, prolongando-se até 31 de março, altura em que ocorrerá a interrupção da Páscoa.

A interrupção para o Carnaval decorre de 20 a 22 de fevereiro.

O terceiro período arranca no dia 17 de abril, terminando a 07 de junho para os alunos do 9.º, 11.º e 12.º anos.

Os alunos do 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos concluem as aulas a 16 de junho.

A atividade letiva termina entre 16 e 23 de junho para os alunos do primeiro ciclo de ensino básico e do pré-escolar.

 

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As agressões infligidas pela Esquerda não são metafóricas…

No geral, a Classe Docente tende a “santificar” e a “endeusar” a Esquerda, evidenciando um notório preconceito positivo face a essa concepção ideológica, e a “demonizar” a Direita, vista muitas vezes como um “bicho-papão” ou como um arqui-inimigo…

Em resumo, e a priori, tende a acreditar-se que o que vem da Esquerda será bom e o que vem da Direita será mau…

Ao longo dos últimos anos, a Classe Docente não tem conseguido opor-se, de forma consequente e eficaz, à maior parte dos atentados e maldades que têm sido perpetrados contra si, por parte de sucessivos Governos, tanto de Esquerda como de Direita, e isso parece óbvio…

A discórdia e a polémica costumam instalar-se quando, a propósito da análise e da crítica a determinadas acções governativas no âmbito da Educação, se envereda pelo maniqueísmo ideológico, assente na concepção dualista de Direita/Esquerda e em alguns estereótipos que parecem profundamente enraizados:

– As políticas e as medidas educativas provenientes da Direita são sempre concebidas por burgessos e matarruanos, aqueles indivíduos tidos como rudes, provincianos, grosseiros e intratáveis, e as eventuais agressões à Classe Docente costumam ser julgadas como inaceitáveis e indesculpáveis;

– As políticas e as medidas educativas provenientes da Esquerda são sempre concebidas por “intelectuais” e “ungidos da intelligentsia (conceito da autoria de Thomas Sowell,) aqueles indivíduos tidos como civilizados, educados, polidos e urbanos, e as eventuais agressões à Classe Docente costumam ser julgadas como aceitáveis e desculpáveis…

Ora acontece que uma agressão será sempre um acto hostil e desrespeitoso para com alguém e um agressor também será sempre um malfeitor, independentemente de ser oriundo da Esquerda ou da Direita…

Não há agressões “relativas”, nem agressões “benignas”. Ou há ou não há agressões. E, havendo, não pode deixar de se condenar qualquer tipo ou forma de agressão, quer seja infligida pela Esquerda ou pela Direita…

Considerar que as ofensas e agressões provenientes da Esquerda são menos dolorosas e menos absurdas do que as da Direita ou procurar as mais variadas desculpas ou justificações para essas agressões, considerando-as aceitáveis ou desculpáveis, não passa de uma crendice e de uma falácia…

Queira-se ou não, a Esquerda tem sido, e continua a ser, absolutamente cínica, hipócrita e tóxica em relação à Classe Docente… E nem vale a pena enumerar aqui todas essas malfeitorias, desde as mais recentes até às dos últimos anos, pois que as mesmas são sobejamente conhecidas de todos…

As agressões infligidas pela Esquerda não são metafóricas. As sucessivas bordoadas dadas pela Esquerda têm sido muito reais e concretas, com consequências desastrosas e danos irreparáveis para a Classe Docente e prejuízos definitivos a vários níveis…

No momento actual, parece que analisar e criticar a política educativa dos Governos chefiados por José Sócrates e António Costa pode ser considerado como uma “blasfémia” ou um “sacrilégio” para alguns, que põem em causa a credibilidade dessa crítica, considerando que a Direita teria feito ou faria muito pior…

Com toda a honestidade, não sei se a Direita faria muito pior, muito melhor ou muito parecido…

Mas sei que, nos últimos anos, a Classe Docente tem vindo a ser agredida e desconsiderada por sucessivos Governos, tanto de Esquerda como de Direita, pelo que não pode deixar de se imputar à Esquerda e à Direita a co-responsabilidade pelo estado caótico e calamitoso em que se encontra a Educação no momento actual…

Apesar disso, também sei que em 2008 (instauração da Ditadura nas escolas) e em 2017 (subtracção de mais de 9 anos de tempo de serviço à Classe Docente) se encontravam em funções Governos apoiados pelo PS, supostamente de Esquerda, ambos pautados pela obstinação, arrogância e prepotência políticas. E aqui não há lugar para interpretações subjectivas, trata-se de uma constatação factual…

E também sei que a Classe Docente, nunca, como nesses Governos, foi tão desprezada, vilipendiada ou acossada…

A isenção não é fazer de conta que não existe qualquer interdependência entre Educação e Política. A isenção é conseguir analisar e discutir as políticas e as medidas educativas, assumindo e reconhecendo as suas des(virtudes), sem o apego redutor a ideologias, ainda que as convicções políticas de cada um sejam um direito inalienável…

As políticas e as medidas educativas podem ser boas ou más, independentemente das ideologias que lhes estão associadas. Fazer depender a avaliação dessa qualidade exclusivamente das convicções ideológicas de cada um, é propiciar o enviesamento e a deturpação desse juízo e, sobretudo, evitar reconhecer as eventuais deformidades…

Enquanto a Classe Docente não conseguir abstrair-se de concepções dualistas, de dicotomias artificiais e de categorizações falíveis, não conseguirá ver para além disso e ficará impedida de alcançar consensos que conduzam à tão almejada união e de lutar pelo bem comum…

Enquanto a Classe Docente continuar refém dessa divisão e entretida a discuti-la, sem hipótese de chegar a qualquer conclusão unânime, não haverá a menor possibilidade de serem atendidas as suas principais reivindicações porque o conflito “auto-fágico” enfraquecerá qualquer forma de luta…

Não tenho qualquer filiação Partidária e, por convicção, não sou nem de Esquerda nem de Direita. Sem apego a devoções ou a credos políticos, umas vezes talvez seja tendencialmente de Esquerda, outras tendencialmente de Direita…

E recuso, na maior parte das vezes, enveredar pela via do politicamente correcto, por considerar que essa suposta “neutralidade do discurso” não passa de uma forma hipocritamente “asséptica” e absurda de não comprometimento, que não partilho…

A todos aqueles que consideram que as agressões da Esquerda não aleijam, são sempre bem intencionadas e infligidas com muito carinho, afirmo apenas mais isto:

Por muito que se queira, não é possível “pegar num pedaço de excremento pelo lado limpo”…

(A anterior afirmação foi inspirada na definição de “politicamente correcto” dada por um Aluno da Griffith University, Austrália).

No que à Educação respeita, afinal, o que tem distinguido a acção da Esquerda e da Direita autóctones? Sinceramente, não vislumbro nenhuma diferença significativa: ambas têm sido igualmente más e perversas…

E o principal problema da Educação, e de todos os profissionais que nela trabalham, é justamente esse…

(Matilde)

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Ultrapassagens na Comissão de Educação

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Ensaio sobre um futuro próximo

Primeiro alteraram as condições da mobilidade por doença.
Mas não me importei com isso.
Eu não recorria à mobilidade por doença.
De seguida alteraram as condições de renovação dos
contratos.
Mas não me importei com isso. Eu não era contratado.
Quando reduziram a mobilidade estatutária, também não me importei com isso.
Eu não recorria à mobilidade estatutária.
Quando limitaram a mobilidade interna, também não me importei com isso.
Eu não concorria à mobilidade interna.
Por fim alteraram o diploma dos concursos e fixaram-me onde
queriam.
Era tarde demais.
Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importou comigo.

In “Ensaio sobre um futuro próximo, num presente em que tudo
se lê, mas o que se deixar escrito só depende de todos e de cada um”

in Professor Rascunho

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Novo Ministro Esperança Renovada

 

Um novo ministro é sempre uma nova esperança, e mais ainda quando é um especialista das ciências da educação com um respeitável know how no mundo das escolas.
Nos meus 60 anos de profissão conheci muitos ministros. Excelentes alguns, outros meros comissários políticos para a educação, outros ainda que foram nomeados por engano.
Tiveram todos um denominador comum: nenhum conseguiu inverter a lógica centralista e burocrática do ministério da educação, nenhum confiou suficientemente nos professores e nos pais para uma gestão autónoma e responsável das escolas, nenhum conseguiu construir a escola de todos e para todos num verdadeiro clima de igualdade, de inclusão e de qualidade. O défice continua enorme e tende a aumentar.
Veiga Simão, apesar do tempo e das circunstâncias, deu talvez os passos mais destemidos, ao sair da escolaridade mínima para a escolaridade de longa duração e ao expandir as universidades públicas para além de Coimbra, Lisboa e Porto, contra o monopólio e a resistência que enfrentou com grande coragem. Aveiro, Braga, Évora, Beira Interior, Faro, foram algumas das respostas que contiveram a avalanche de universidades privadas que, salvo honrosas exceções, comprometeram o nível e dignidade do ensino superior.
Alguns ministros tiveram boas ideias e bons planos de mudança, mas não conseguiram demolir o “monstro”, leia-se ministério, que se vai mudando de esquina em esquina, mas leva consigo toda a bagagem herdada ao longo de séculos e mais aquela que acrescentou. Um baú cheio de antiguidades e memórias dos nossos bisavós. O ministério da educação que ainda temos é uma aberração, não pelas pessoas que aí trabalham e dão o seu melhor, muitas exemplares, mas pelo modelo organizacional centralista e vertical, pelo gigantismo que estagna e estrangula qualquer iniciativa local, que retira aos pais, aos professores e aos alunos toda a iniciativa, que anula toda a hipótese de participação dos principais atores das escolas na condução dos seus próprios destinos. O nosso ME herdou um instinto paralítico, paralisa tudo o que está à sua volta, com a pressão e aval de forças que agem de fora para dentro do ME. Forças ultrapassadas e anquilosantes que não vejo nos países democráticos desenvolvidos. Os alegados defensores dos professores podem ser lobos com pele de cordeiros. O ME tem de ser firme na defesa da qualidade das escolas e de quem a promove.
Hoje, a imagem mais degradante que emana do ME tem a ver com o desprezo e desprestígio dos professores, uma classe minada e gasta por muitos fatores, mas onde se salienta um genocídio de talentos, de vocações, de entregas, de profissionalismo, que morrem com a extradição para fora das suas áreas de residência, das suas casas, das suas famílias, dos seus filhos, todos votados ao abandono. Famílias desfeitas, filhos “órfãos”, pais idosos assistindo ao desmoronar da própria família e sofrendo um envelhecimento sem qualidade e sobretudo sem tranquilidade de espírito. Exagero? Ponham-se na pele de um casal de professores de Viseu com dois filhos de 2 e 4 anos, com os pais a caminhar para a idade da doença e da invalidez, ela colocada em Bragança e ele em Portimão, cada um tendo de garantir residência provisória por não terem futuro previsível, cada um tendo de fazer centenas de quilómetros para ver os filhos e os pais de fugida, com os salários insuficientes para fazer face a esta vida de andarilho. Haverá maior castigo? Os nossos tribunais, se lhes faltarem ideias para condenar os maiores criminosos, basta nomeá-los professores.
O atual ministro conhece bem o problema e parece determinado a resolvê-lo. A única maneira de resolver bem é passar a colocação dos professores para a esfera de competências das escolas. Tudo o que possa ser resolvido nas escolas é aí a sede própria. Medo do compadrio e das pressões partidárias? Há países onde um CD que recrute um professor por razões de compadrio, de partido ou outros interesses privados, é automaticamente despedido. Em Portugal o problema é melindroso porque o exemplo vem de cima. Uma grande parte do pessoal dos gabinetes ministeriais, da administração pública e das autarquias são familiares dos dirigentes ou membros do respetivo partido.
Há países onde a equipa do ME e respetivos serviços se limita a 3 ou 4 dezenas de pessoas, ou menos, porque são delegadas nas escolas todas as competências que aí podem ser geridas com melhor conhecimento das necessidades concretas. Há uns anos atrás, os serviços centrais e desconcentrados do ME ultrapassavam as 10 mil pessoas. Muitos dos “funcionários” que temos a mais são professores, davam bom jeito nas escolas. Com esta massa de administrativos concentrados no ME, as escolas perderam a iniciativa, todas as decisões são tomadas a montante. As escolas têm de pedir autorização para tudo, até para cumprir a lei. Quem manda é quem está no seu gabinete em Lisboa muitas vezes com total desconhecimento das situações concretas das escolas e de quem aí trabalha.
Não se afigura fácil a tarefa do novo ministro. Espero que tenha a mesma coragem e os apoios que teve Veiga Simão para combater o monopólio das universidades. Espero que seja o novo ministro a conseguir a libertação dos professores agrilhoados e a dar-lhes o conforto de exercer uma profissão tão desafiante e gratificante. Ainda há quem seja professor por vocação. Por quanto tempo?

diário as beiras | 09-06-2022

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MOBILIDADE EXTERNA – RAM – 2022/2023

 

Informamos que se encontram abertos, até ao dia 13 de junho de 2022, os procedimentos relativos à mobilidade externa de docentes para o ano escolar 2022/2023.

A mobilidade externa de docentes destina-se ao exercício temporário de funções de natureza técnico-pedagógica que, pela sua especialização, especificidade ou especial relação com o sistema educativo regional, requerem como condição para o respetivo exercício, as qualificações e exigências de formação próprias da carreira docente.

A formalização dos pedidos de mobilidade externa é efetuada pela entidade interessada, através dos modelos disponibilizados na página eletrónica da DRAE, devendo ser remetidos para o correio eletrónico: [email protected]

Poderá consultar toda a informação em:

https://www.madeira.gov.pt/draescolar/Estrutura/DRAE/Circulares/Of%c3%adcios-Circulares-2021/ctl/Read/mid/11064/InformacaoId/149419/UnidadeOrganicaId/26/CatalogoId/0

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