Rui Cardoso

Author's posts

Mobilidade dos professores. Provedora ausculta Governo sobre necessidade de articulação com um regime adequado de proteção na doença

 

Iniciado o ano letivo e decorrido o procedimento de colocação que aplicou o novo regime de mobilidade por doença dos professores, a Provedora de Justiça endereçou ao Ministro da Educação uma primeira apreciação deste regime, solicitando-lhe que se pronuncie, designadamente, sobre a conveniência de este ser integrado num quadro geral adequado de proteção dos docentes em situação de doença.

Esta sugestão decorre da verificação da inexistência de um regime geral de proteção na doença adaptado às especiais exigências da função, que tem levado a que docentes recorram à mobilidade por doença porque apenas por esta via podem eventualmente vir a obter uma adequação da carga letiva ao seu estado de saúde.

Quanto ao regime de mobilidade, e no pressuposto da sua aplicação futura, a Provedora de Justiça aponta, no mesmo pedido de pronúncia, alguns aspetos que suscitam especial preocupação. Em particular, a exigência de apresentação de atestado médico de incapacidade multiuso (AMIM) para efeitos de ordenação no concurso com base no grau de incapacidade e a desatualização da lista de doenças a que se aplica o regime de mobilidade.

Relativamente a estes dois pontos, a Provedora salienta que são bem conhecidos os persistentes atrasos da Administração na concessão dos AMIM e que a lista de doenças elegíveis data de 1989, tendo sido então elaborada para fins completamente diversos.

O novo regime de mobilidade por doença entrou em vigor em junho, tendo motivado o recebimento de um número superior a uma centena de queixas de docentes e de associações representativas deste grupo profissional.

Para ler o pedido de pronúncia enviado ao Ministro da Educação clique aqui.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/mobilidade-dos-professores-provedora-ausculta-governo-sobre-necessidade-de-articulacao-com-um-regime-adequado-de-protecao-na-doenca/

Reserva de recrutamento n.º 09

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 9.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 31 de outubro, até às 23:59 horas de quarta-feira dia 2 de novembro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 09

Listas – Reserva de recrutamento n.º 09

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/reserva-de-recrutamento-n-o-09-2/

Quem quer ser professor quando pode trabalhar no Mercadona?

A carreira é mais curta ao nível da progressão, não implica mudança de local de residência, nem de deslocações de centenas de Km diários. Pode-se ficar junto da família, ter tempo para ela e não se traz preocupações nem trabalho para casa. Não exige curso superior e o gasto de pestanas em cinco anos de estudos, para não falar os custos que isso implica. Não tem travões na vinculação nem na progressão. Não se gasta dinheiro em formação para que o empregador se aproveite dela descaradamente… é só vantagens…

Valham’ adeus que eu tinha razão quando dizia que este país anda a gastar dinheiro com o ensino superior para depois não aproveitar os recursos que têm, isto o que outros países não aproveitam sem os custos inerentes…

A Mercadona anunciou que vai aumentar em 11% o salário de entrada dos seus trabalhadores em Portugal, adiantando que, a partir de janeiro de 2023, o vencimento mínimo será de 1.034 euros brutos mensais, “o que representa uma diferença de 147 euros em relação ao salário mínimo nacional (com duodécimos incluídos)”, realça a empresa.

De acordo com a Mercadona, além deste incremento salarial, os seus trabalhadores “beneficiam da política de progressão salarial da empresa”, que se traduz num “aumento de 11% anual que permite atingir um salário no valor de 1.414 euros brutos mensais (com duodécimos) num máximo de quatro anos de antiguidade”.

Adicionalmente, recebem também um prémio anual por objetivos que corresponde a um salário extra, nos primeiros quatro anos, e dois salários extra nos anos seguintes.

“A Mercadona pretende continuar a crescer em Portugal e o nosso objetivo é promover condições laborais competitivas, tanto a nível económico como na conciliação ou no desenvolvimento profissional.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/quem-quer-ser-professor-quando-pode-trabalhar-no-mercadona/

Professores em monodocência sentem abandono político e injustiça no estatuto

Os professores do primeiro ciclo e os educadores de infância reclamam igualdade de estatutos, em relação a colegas de outros ciclos de ensino. Querem a redução da carga horária semanal, à medida que a idade de serviço avança.

Professores em monodocência sentem abandono político e injustiça no estatuto

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/professores-em-monodocencia-sentem-abandono-politico-e-injustica-no-estatuto/

Violência nas escolas contra professores – Dinis Salgado

Agora, a palavra de ordem é: que as entidades governativas tomem urgentes medidas que ponham cobro a estes desmandos vergonhosos; e o que passa primeiramente pela criação de legislação que proíba e puna tais manifestações de violência e de maus tratos sobre os professores, vindos de pais, encarregados de educação e de alunos; depois, porque o bullying entre alunos tem aumentado assustadoramente, crie-se igualmente legislação que desincentive e proíba estes comportamentos, psicológica e fisicamente reprováveis, para que reine nas escolas a desejada colaboração e paz entre todos.

Violência nas escolas contra professores

Cresce nas nossas escolas a violência contra professores; e, quer exercida por alunos, quer por pais e encarregados de educação, toma geralmente a forma de agressão física ou verbal.

Frequentemente os meios de comunicação social dão conta desta anómala situação a que os sucessivos governos têm dado pouca ou nenhuma importância; e se nem ao comum dos cidadãos esta triste e vergonhosa realidade escapa, pasma-se como aos governantes sobram alheamento e orelhas moucas necessários para deitar o assunto para trás das costas.

Ainda, há tempos, li num órgão de comunicação social que uma mãe, através das redes sociais, mobilizou os pais com filhos na mesma turma do seu para, em grupo, se dirigirem à escola a fim de pedirem contas à professora sobre a reprimenda que exerceu sobre o seu filho; claro que, embora não ocorressem todos os convocados à chamada, o ajuste de contas aconteceu e não correu minimamente pacífico, pois os avisos, as admoestações e as ameaças à professora foram mais do que muitas e de elevada insolência.

Ora, a escola é um local onde o mais importante e prioritário é a educação e aprendizagem; e para que o ato educativo resulte em absoluto é fundamentalmente necessária a colaboração estreita e confiante entre professores e pais e nunca o virar de costas ou, mais grave ainda, a agressão e obstrução de qualquer forma e jeito.

O professor sempre foi considerado e reconhecido como um agente, um promotor de ações educativas e pedagógicas para cujo êxito converge a colaboração, franca e leal, de todos: professores, pais, encarregados e educação e comunidade local; e, se assim não for, comprometido está o futuro das novas gerações e, consequentemente, do país.

Sei, por experiência própria, que ser professor, hoje, não é tarefa fácil e isenta de controvérsia, uma vez que a execução e valorização do ato educativo nem sempre é reconhecido nem aceite por muitos pais e encarregados de educação; e, até, porque, demitindo-se da função de serem os primeiros educadores, não querem passar essa prerrogativa para as escolas e seus diretos agentes – os professores; e esta negativa demissão no acompanhamento e compromisso da formação académica, psicológica e social dos filhos pode estar na base da comprovada rejeição do papel educativo dos professores e, consequentemente, destes atos de agressão e confrontação.

Pois bem, nestes quarenta e oito anos que já levamos de vida democrática o sistema educativo não tem passado de cepa torta e frequentes têm sido avanços e recuos, frustradas experiências laboratoriais, ausência de consensos partidários e de vontade política para lançamento e execução das reformas necessárias que tracem o rumo desejado, certo e seguro para o seu futuro; e, por aqui, passa inevitavelmente a instalação nas escolas da insegurança, da indisciplina, do desinteresse, do abandono e do indesejado conflito de interesses entre os agentes e intervenientes no ato educativo.

Penso que muitos pais ainda vivem obcecados pela figura do professor do antigamente que se consumia a impor a disciplina, a imobilidade e o silêncio dos alunos na sala de aula para que o escutassem na transmissão de um reportório de ideias, de comportamentos e conceitos teóricos; e, assim, alheios continuam à imagem moderna do professor que é mestre-tutor que acompanha silenciosamente e, em muitos momentos, o trabalho ativo dos alunos, individual ou em grupo, com espírito observador, colaborante e autónomo

E, assim deste jeito, o professor passa a ser sujeito criativo, impulsionador e implicativo no progressivo desenvolvimento do conhecimento, da inteligência e das emoções dos seus alunos; e a sala de aula já não é mais um local inerte, sorumbático e ameaçador, onde o aluno detesta estar, mudo e alheio aos estímulos, propostas e ensinamentos do professor que agora ouve mais e fala menos, pouco dirige e mais orienta e estimula.

Por isso, não cabe na escola de hoje a agressão, a violência, a intolerância contra o professor, seja vinda dos pais, seja desencadeada pelos alunos; e, a existir, só se compreende por desconhecimento, alheamento e virar de costas ao envolvimento que realmente nela acontece.

Agora, a palavra de ordem é: que as entidades governativas tomem urgentes medidas que ponham cobro a estes desmandos vergonhosos; e o que passa primeiramente pela criação de legislação que proíba e puna tais manifestações de violência e de maus tratos sobre os professores, vindos de pais, encarregados de educação e de alunos; depois, porque o bullying entre alunos tem aumentado assustadoramente, crie-se igualmente legislação que desincentive e proíba estes comportamentos, psicológica e fisicamente reprováveis, para que reine nas escolas a desejada colaboração e paz entre todos.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/violencia-nas-escolas-contra-professores-dinis-salgado/

Professora agredida à bofetada por mãe de aluno em Vila Nova de Famalicão

Encarregada de educação terá pedido para falar por causa de alguns cromos que tinham sido tirados ao menino.

Professora agredida à bofetada por mãe de aluno em Vila Nova de Famalicão

Uma professora do ensino básico foi agredida, esta tarde de quarta-feira, em Vila Nova de Famalicão, pela mãe de um aluno.

O caso aconteceu na escola primária de Mogege. A encarregada de educação pediu para falar por causa de alguns cromos que tinham sido tirados ao menino durante o horário escolar. Durante a conversa, a mãe da criança deu duas bofetadas à professora.

A GNR de Famalicão foi chamada mas ainda não identificou a agressora. Professora foi encaminhada para o instituto de medicina legal de Braga e deverá apresentar queixa, na GNR, pelo crime de ofensas à integridade física.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/professora-agredida-a-bofetada-por-mae-de-aluno-em-vila-nova-de-famalicao/

Aluna agredida por colega enquanto outros filmavam

Uma aluna da Escol Básica Poeta Emiliano da Costa, em Estoi, no concelho de Faro, foi agredida por uma colega enquanto um grupo de jovens assistia, filmava e incitava à violência.

Aluna agredida por colega enquanto outros filmavam

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/aluna-agredida-por-colega-enquanto-outros-filmavam/

OE penaliza quadros técnicos especializados e carreiras docentes

 Atitude que o corpo docente perceciona como profundamente injusta, agrava o mal-estar nas escolas e pode dar lugar a movimentos “sindicais” inorgânicos radicalizados e extremistas, sob o anonimato descontrolável das redes sociais.

 

OE penaliza quadros técnicos especializados e carreiras docentes

 

  

 A inflação tem vindo a subir de forma galopante, cada vez que renovamos o nosso cabaz de compras sentimo-lo na “pele” e principalmente na carteira! Isto para já não falar da compra de combustível automóvel indispensável a grande parte dos professores, por esse país fora, de modo a poderem cumprir quotidianamente os seus horários letivos e outros em escolas mais ou menos distantes, não raro em lugares recônditos.

 

Sempre sem direito a qualquer ajuda de custo ou subsídio de renda, como, neste caso, acontece com os agentes do Ministério Público e com outros magistrados.

 

Lamentavelmente, a proposta de OE – Orçamento de Estado previsto para o próximo ano prevê a penalização de grande parte das classes médias assalariadas, que, devido ao facto de tereminvestido muitos recursos na sua formação inicial e contínua desempenham funções científicas e técnicas especializadas, como é o caso de engenheiros, médicos, inspetores, enfermeiros, investigadores e professores, entre outros. Para estes quadros e técnicos superiores mais especializados, que integram carreiras do regime especial, o Governo propõe atualizações salariais de apenas 2% a 3%, quando, por ex. para os assistentes operacionais propõe aumentos até aos 8%…

 

Com a agravante de que, no caso dos professores,o Governo não quer ouvir falar na recuperação dos 6 anos, 6 meses e 23 dias do tempo de serviço congelado e que ainda falta ser recuperado. Atitude que o corpo docente perceciona como profundamente injusta, agrava o mal-estar nas escolas e pode dar lugar a movimentos “sindicais” inorgânicos radicalizados e extremistas, sob o anonimato descontrolável das redes sociais, idênticos ao “movimento zero” das forças e serviços de segurança.    

 

Em sede de IRS, segundo as melhores expectativas, apenas haverá atualizações de escalões em linha com a inflação ou, porventura, alguma baixa mas apenas nos escalões iniciais. Também aqui excluindo uma boa parte das classes médias assalariadas, as quais, no fundo, são quem mais paga impostos na nossa terra, já que grande parte das micro, pequenas e médias empresas,porque não apresentam muitos lucros no final de cada exercício, pouco ou nada acabam por entregar ao fisco.

 

Os vencimentos brutos das carreiras docentes (do básico, secundário, politécnico e universitário) em Portugal até nem comparam muito mal com os vencimentos dos professores dos países da OCDE, o problema são os vencimentos líquidos, pois o fisco retem na fonte um quinhão demasiado grande. Quinhão esse que fica a fazer falta às famílias!

 

Refiro-me às famílias das classes médias assalariadas que, fruto de políticas públicas como a dos vistos Gold quando desproporcionados (atualmente a carecerem de revisitação por  partedo legislador) e agora das relativas aos dos chamados nómados digitais foram sendo relegadas para territórios urbanos  cada vez mais periféricos, e que, não obstante, se encontram sobrecarregadas com a subida dos juros relativos às prestações da casa e do carro. Nuns casos sem acesso a vaga em creches gratuitas por perto e noutros a terem de custear os estudos universitários dos filhos mais velhos.

 

Ainda se o “Leviatã que absorve os nossos réditos nos proporcionasse um serviço nacional de saúde minimamente satisfatório (por ex. dispondo de médicos dentistas, sem filas de espera desmesurada para consultas de especialidade ou para atos cirúrgicos urgentes e sem maternidades inesperadamente encerradas à tão necessárianatalidade…)  e com padrões de qualidade de um país europeu não teríamos necessidade de descontar para a facultativa ADSE e/ou também para seguros de saúde privados.

 

Não é desvalorizando salarialmente os quadros das carreiras especiais, com maior formaçãotécnica e científica (note-se por ex. que para o ingresso na carreira docente dos ensinos básico e secundário passou a ser exigido como habilitação de ingresso o grau de Mestre, desde 2008) que se aplica o princípio da equidade ou que se evita o aproveitamento por parte de países  estrangeiros da nossa geração mais qualificada de sempre, como o governo gosta de a designar, mas que, como aqui se constata,  pouco ou nada faz para que ela fique ao serviço do desenvolvimento económico e social de um país cada vez mais envelhecido.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/oe-penaliza-quadros-tecnicos-especializados-e-carreiras-docentes/

Torrar dinheiro, maltratar pessoas – Santana Castilho

 

1. Sim, eu sei que o OE para 2023 assenta num cenário circunstancial complexo, onde as incertezas dominam. Mas a estagnação que representa relativamente à despesa já consolidada de 2022, tomando por boa a justificação que a redução nominal de 569,1 milhões de euros se deve a transferências para os municípios, tem um inequívoco significado político, qual seja o de não haver um só euro para financiar os problemas mais prementes. Com efeito, com este orçamento é indesmentível que: os professores perderão poder de compra; os professores do continente continuarão à espera de serem ressarcidos do tempo de serviço sonegado (enquanto os colegas da Madeira e dos Açores já o recuperaram); os professores dos quadros continuarão à espera da abolição das iníquas quotas para progressão na carreira; os professores contratados continuarão vítimas da precariedade; o país continuará a ver crescer o número de alunos sem todos os professores (40 mil, um mês depois do início deste ano lectivo), porque este OE é vazio de incentivos à colocação de docentes nas zonas críticas e à atracção dos jovens para a profissão. Em contraponto, são abundantes os sinais de que se continuará a torrar dinheiro com programas de desmaterialização e digitalização, que alimentam o polvo das plataformas informáticas, corroendo, inutilmente, tempo e miolos de quantos trabalham nas escolas.
2. A Portaria n.º 723/2022 autoriza que se torrem 408.906,80€ na contratação de 7.496 juntas médicas, para fiscalizar os professores que pediram mobilidade por doença. Trata-se de uma tarefa impossível, segundo o vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, que tem por único objetivo lançar lama sobre médicos e professores. Mas, para além disso, o controlo previsto na lei só faria sentido se fosse antes dos processos apreciados. É inútil relativamente aos 4.268 docentes que lograram a mobilidade e é inútil relativamente aos 2.876 que ficaram de fora. Sem falar da total falta de seriedade que a manobra deixa antever e do historial de fraude e falsificação, que aqui denunciei, quando estas juntas já existiram no passado, no direito administrativo isto tem um nome: superveniência da inutilidade do acto.
Ainda a propósito deste processo grotesco, relembro que João Costa disse haver, por semana, mil baixas por doença, apresentadas por professores. Manhosamente, não as reduziu a termos percentuais. Se o tivesse feito, teria falado de 0,76% dos professores. Ora, há dias, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público revelou que quase um quarto dos magistrados, mais precisamente 23,1%, não está ao serviço. De entre as causas destacam-se as baixas médicas, que se cifram em 37,3% daquele número global. Será que o ministro da Educação vai sugerir à colega da Justiça que contrate juntas médicas para fiscalizar os magistrados?
3. Igualmente exemplo duma gestão desumanizada de pessoas é a situação dos técnicos superiores do Ministério da Educação (psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais, entre outros) que, após anos de precariedade, conseguiram um vínculo através do programa PREVPAP. A efectivação em análise foi obtida em 2020, no agrupamento ou na escola onde exerceram funções em 2017, aquando da candidatura ao referido programa. Sucede que muitos destes técnicos ficaram colocados a centenas de quilómetros da sua residência, por isso impedidos de conciliar a vida familiar com a vida laboral e prestar apoio e cuidados a terceiros dependentes (filhos menores e ascendentes doentes), para além de confrontados com a duplicação das despesas de alojamento.
Dir-se-á, e é verdade, que o vínculo assentou num acto volitivo e livre do interessado. Mas não menos verdade é que existem pedidos de mobilidade, consignada na lei, por parte de agrupamentos ou escolas não agrupadas, com necessidades prementes e inquestionáveis, que conciliariam os interesses das instituições e dos técnicos, com os inerentes ganhos de ambas as partes, que estão a ser indeferidos pela Direção-Geral da Administração Escolar, sem critério outro que não seja a gestão irracional dos recursos humanos em apreço.

In “Público” de 26.10.22

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/torrar-dinheiro-maltratar-pessoas-santana-castilho/

Este diretor já foi demitido pelo Conselho Geral? – Luís Sottomaior Braga

Fui diretor de uma TEIP 6 anos e sou subdiretor com competências delegadas.
A primeira vez que topei um concurso assim foi ao sair da faculdade.
O trabalho era num arquivo e implicava 3 requisitos: 1.ser licenciado em História, 2.ter feito a cadeira de Paleografia e 3. ter “latim universitário”.
1 e 2 cumpridos e com boas notas.
O 3 tinha uma formulação estranha: nessa altura ninguém ía para História sem a opção de Latim no secundário (eu fiz latim no secundário 2 anos e tive 20). Quem fazia latim na universidade, era só a iniciação e aprendia o rosa, rosae e mais umas coisinhas. Tinha menos horas num ano que um semestre do secundário.
Era assim possível determinar muito bem os que só tinham feito o ano de iniciação de latim na faculdade e excluir com o adjetivo universitário os que “só” tinham os anos de secundário.
Com menos nota, menos prática de Paleografia e um latim residual, ficou no lugar o filho de uma dirigente do arquivo. E eu fui trabalhar para a produtora do Amiga Olga…..
E fui livreiro, produtor de espetáculos e locutor. E fiquei com tanto nojo de concursos públicos que só depois de anos concorri à docência.
A única frustração funda que tenho na vida foi não ter sido medievalista. E foi esse odioso episódio que, pela injustiça, me fez afastar.
Acho mal ver colegas dirigentes de escolas a defender o que este senhor fez. Tive um debate acalorado com o senhor diretor da José Saramago há uns tempos em que me destratou.
Mas sou destratado por tanta gente…. (ainda hoje um pai entrou na escola para me ameaçar e chamar “bode terminado em ão” porque não deixamos o filho faltar às aulas com justificações marteladas).
Por isso o meu protesto não é preconceito é hábito.
Há muito que reclamo de concursos com fotografia. Nunca selecionei ninguém em ofertas de escolas docente sem ser pela graduação. Recusei entrevistar docentes nos concursos de oferta de escola e quadro TEIP.
Há uns anos obriguei a repetir umas dezenas de concursos na Câmara de Barcelos ao queixar-me nos jornais e, entre outros, um outro em Loulé, aí com o argumento de que a licenciatura exigida era ciências religiosas (😁) e isso violava a minha liberdade de ser ateu e poder concorrer (e não sou ateu, mas agnóstico).
Anulei no supremo tribunal administrativo uma eleição para Conselho Executivo de um agrupamento por falta de requisitos da candidata que a DREN do tempo empurrava contra mim (favorita por ser ex-funcionária de um CAE da mesma DREN).
E isto que se passou na José Saramago é só uma vergonha para todos os que gerem escolas em Portugal.
Da mesma forma que as vigarices na MPD envergonham a classe docente toda e devem ser repudiadas pelos pares, esta vigarice envergonha todos as equipas diretivas de escolas.
Os professores e pais da escola já convocaram o conselho geral para analisar a demissão do diretor em causa?

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/este-diretor-ja-foi-demitido-pelo-conselho-geral-luis-sottomaior-braga/

Vamos lá imaginar os novos QZP que aí vêm…

 

Mais pequenos, mais aconchegantes, mais…

Mas mais o quê?

Mais QZP significa menos professores por região. Ou pensam que vão ficar à porta de casa?

Vamos lá ver.

Um professor do atual QZP1 vê o respetivo ser dividido em dois, em qual deles ficará afeto? Tem que concorrer. Sim, concorre, mas poderá só concorrer a esses dois? Duvido.

Haverá um número mínimo de QZP a que terá de concorrer? Ou terá que voltar a concorrer a nível nacional para poder obter vaga? Quem sabe…

A questão de diminuição das áreas geográficas dos QZP não será tão simples como foi o seu aumento. Na altura fundiram-se QZP’s e que estava neles apenas viu a sua área aumentar. Na diminuição das áreas não voltarão ao seu QZP inicial, que pode nem voltar a existir, terão de voltar a concorrer para “entrar” num novo QZP.

A entrada em novo QZP vai depender de vagas a abrir dependendo da necessidade de professores em cada área. Como sabemos as áreas com maior necessidade de professores são no em Lisboa, Setúbal e Algarve. Tenho a impressão de que vai haver professores a ser “atirados” para as zonas onde há mais falta de professores por falta de vaga nos novos QZP da área geográfica onde hoje estão afetos. Podemos ter um residente na Guarda, hoje pertencente ao QZP que abrange os distritos da Guarda e Castelo Branco, a ir parar ao futuro QZP que abrangerá o distrito de Portalegre. E os que hoje estão em Portalegre a ir desaguar em Cascais…

Isto vai trazer muitos problemas e injustiças, já para não falar do desrespeito pela vida pessoal de cada professor que ainda não conseguiu ser QA perto da sua área de residência e da sua família.

Não me venham com a conversa de acabar com a casa às costas e de novos QZP sem primeiro definir novas regras para abrir vagas de QA.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/vamos-la-imaginar-os-novos-qzp-que-ai-vem/

Novos QZP conhecidos a 7 de novembro?

Foi convocada para uma reunião entre ME e os Sindicatos, a realizar-se no dia 7 novembro, com a seguinte ordem de trabalhos:
– 𝗔𝗹𝘁𝗲𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗼𝘀 𝗮𝘁𝘂𝗮𝗶𝘀 𝗤𝘂𝗮𝗱𝗿𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗭𝗼𝗻𝗮 𝗣𝗲𝗱𝗮𝗴𝗼́𝗴𝗶𝗰𝗮
– 𝗣𝗿𝗼𝗰𝗲𝗱𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗮𝗽𝘂𝗿𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗻𝗲𝗰𝗲𝘀𝘀𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 𝗰𝗼𝗺 𝘃𝗶𝘀𝘁𝗮 𝗮̀ 𝗮𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗿𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗴𝗲𝘀𝘁𝗮̃𝗼 𝗲 𝗿𝗲𝗴𝗿𝗮𝘀 𝗱𝗼 𝗻𝗼𝘃𝗼 𝗽𝗿𝗼𝗰𝗲𝘀𝘀𝗼 𝗱𝗲 𝗿𝗲𝗰𝗿𝘂𝘁𝗮𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗼𝗰𝗲𝗻𝘁𝗲.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/novos-qzp-conhecidos-a-7-de-novembro/

PRUs: ninguém quer lá entrar, ninguém quer sair – João André Costa

 

Ninguém quer ir para a Pupil Referral Unit, mais comummente designada por PRU ou “centre”, como se estivéssemos a falar de um centro de correcção juvenil à antiga.
Porque o estigma ficou. Porque o medo persiste nas mentes, e tantas vezes nos corpos, dos pais e avós, dos tios, primos e vizinhos, obrigados a crescer sob o signo da violência do mais forte sempre que a desobediência o justificasse e nenhum adolescente é obediente.
É uma questão de tempo.
O medo sente-se no cheiro de quem tantas vezes nos entra pela porta. No olhar inquieto, suado, vigilante, à espera de algo, de um castigo como se já não fosse castigo suficiente a expulsão da escola secundária.
Mas não, não há castigo nenhum nem podia haver. Os castigos, as consequências, inúmeras e repetidas ao infinito como numa cacofonia, não fazem senão aumentar o descrédito de uma criança, e com a criança a sua família, pela escola, pelo ensino, pela educação.
Por isso o sorriso à chegada, os braços abertos, a oferta de um aconchego como um chá ou um café, um sumo ou apenas um copo de água.
A mensagem é simples: cuidar do outro, o nosso igual.
A escola é pequena e as turmas também, com 6 alunos no máximo, um professor e um assistente e todo o tempo para o aluno, todo o tempo necessário, todo o tempo preciso.
O resultado é imediato: a seguir aos pais, somos nós quem melhor conhece o aluno, se não for o inverso dada o tamanho da atenção e afectos na escola, tantas vezes em falta, sempre em falta quando se está a crescer.
Rejeitado, ferido e excluído, o aluno, a criança, procura rejeitar quem agora se aproxima entre empurrões, insultos e ameaças.
Sem conhecimento de outra realidade, a criança procura o familiar e o familiar é o abandono, é a partida de quem à sua volta está, a orfandade de pais e amigos numa luta desigual e há muito perdida.
Mas como não nos vamos embora e na ausência de resposta aos mesmos empurrões, insultos e ameaças, cedo a criança cede, cedo se aborrece, mesmo quando o cedo são dias ou semanas e a paciência de quem todos os dias procura fazer a diferença não é apenas uma virtude mas um requerimento essencial.
E na ausência de resposta a criança lá vai a desbravar outros horizontes que não a dor, o sofrimento, a perda, o luto, a dependência, a insegurança.
A dor é efémera e a memória curta quando o mundo está por descobrir e a curiosidade, a alegria, a confiança para seguir em frente, mão na mão, não mais sozinhos, é sempre mais forte.
Com a ajuda de mentores, os alunos têm acesso a apoio individualizado numa abordagem cognitivo comportamental no guiar da criança às origens do medo, do comportamento, tantos receios, como pedir ajuda, o porquê desta ansiedade, o controlo da respiração, um lugar seguro sempre que preciso.
A presença constante de professores e assistentes ao longo de todo o dia nos corredores e recreio significa uma voz amiga quando os problemas e anseios não cabem nas quatro paredes de uma sala.
Nem podem caber, fruto das redes e do universo na ponta dos dedos e a mediação entre alunos é recorrente.
O contacto com os pais é diário para não dizer horário e já faltou mais para fazer da escola uma imensa camarata para não dizer comuna onde todos se conhecem e entreajudam. Ou nem por isso. Ainda não estamos lá e se lá estivéssemos esta escola não teria lugar, não seria precisa e esta missão cumprida.
À procura dos interesses da nossa população escolar temos desde boxe a dança, desde culinária a desporto e expressão artística sem esquecer cursos profissionais nas áreas de mecânica, construção civil ou estética e abrir janelas onde antes havia portas fechadas.
O dia tem dois momentos com o Director de Turma, de manhã antes do primeiro tempo e a seguir ao almoço, com a partilha do horário e das actividades previstas, revisão de objectivos e discussão de quaisquer assuntos prementes de modo a preparar o aluno para as horas seguintes mas também garantir o sorriso nesta criança quando o dia chega ao fim.
As aulas são de 45 minutos cada durante a manhã, 4 tempos ao todo, e uma aula de 55 minutos a seguir ao almoço. Os tempos lectivos são efectivamente mais curtos e ao encontro das necessidades de crianças há muito distantes do ensino regular e à procura do mesmo.
A hora de almoço não é uma hora mas 30 minutos durante os quais professores e alunos partilham a refeição ainda por partilhar quando se chega a casa, o desporto está sempre presente e o despender de energias vital quando se traz uma cicatriz para a escola.
Os tempos lectivos são os mesmos de dia para dia, a certeza e a segurança, a estabilidade, a rotina, a constância para quem só conheceu a inconstância.
A certeza de como pelo menos um dia corre bem seguido da “positive phone call” do professor para casa, a mesma “positive phone call” que o aluno nunca recebeu mas recebe agora são, por norma, o primeiro passo em direção à esperança.
A esperança num futuro, a esperança de dias melhores, a esperança na vida, nos professores e na escola, deste modo explicando o porquê de lá não quererem sair de volta ao ensino regular.
Nem alunos, nem pais. Aqui chegados e vítimas do nosso sucesso, a verdade é a de ainda não termos resposta à vista, cada vez com mais alunos e agora uma lista de espera.
“Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”, dizia Saramago, mesmo quando não queremos chegar, e quando chegados não queremos sair. Nós esperamos por todas os alunos, só tenho pena da falta de braços para a todos acudir.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/prus-ninguem-quer-la-entrar-ninguem-quer-sair-joao-andre-costa/

Os salários dos professores das AEC? Uma miséria…

 

Ontem ouvi um Professor de AEC, sim, Professor, porque os profissionais que dinamizam AEC devem possuir formação profissional ou especializada adequada ao desenvolvimento das atividades programadas e ao escalão etário do público -alvo ou curriculum vitae relevante para o efeito, como refere o perfil profissional que regula as AEC, queixar-se que ganhava MUITO MAL.

Não admira que o Professor tenha dito tal coisa, os valores praticados, hoje, através de contratos programa com as autarquias não são alterados desde 2015. A Portaria n.º 644-A/2015, fixou valores que, passados 7 anos ainda estão a ser praticados. A vida destes Professores não encareceu, são imunes a qualquer inflação.

Artigo 20º

3 — O valor máximo da comparticipação financeira anual será de 150 euros por aluno dos 1.º e 2.º anos de escolaridade, e de 90 euros por aluno dos 3.º e 4.º anos de escolaridade.

No Orçamento de Estado, não se lê nem uma vez a expressão Atividades de Enriquecimento Curricular, ou AEC como é comummente apelidada. Não se vislumbra uma alteração dos valores praticados e da valorização financeira destes profissionais. E há quem estranhe a falta deles…

Os Professores das AEC são uma peça chave para a escola a tempo inteiro, mas mais vale exercer a profissão de caixa de um qualquer hipermercado para se auferir mais e ter estabilidade profissional.

Também há falta de professores nas AEC, mas disso ninguém fala…

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/os-salarios-dos-professores-das-aec-uma-miseria/

Os Professores pertencem a uma “carreira especial”, até no momento de receberem aumentos…

 

Que fique bem claro. Se é para este tipo de diferenciação, não queremos ser “especiais”., queremos o aumento equivalente a técnicos superiores a prestar funções na função pública.

Os Professores, “carreira especial” da função pública, vão ser aumentados em 52€, enquanto os Técnicos Superiores receberão um aumento de 104€, ou seja, o dobro dos professores. (nada contra os Técnicos Superiores, nem contra o seu aumento, mais do que merecido)

Equidade, justiça,… não existe. O que existe é uma “terraplanagem” salarial dentro da função pública.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/os-professores-pertencem-a-uma-carreira-especial-ate-no-momento-de-receberem-aumentos/

Falta de professores no Algarve

Esta história é verdadeira, é minha, contudo podia ser, de qualquer pessoa que queira ir trabalhar para Faro. Sou professor e fiquei colocado numa escola de Faro, para lecionar apenas 14 horas.

Falta de professores no Algarve

Desde do momento da colocação, iniciei diversos contactos, para alugar um apartamento T0 ou T1, só que não existe para arrendar, decidi arriscar e realizar mais de 600 quilómetros, para contactar agências imobiliárias presencialmente, contactei as pessoas na rua, para saber se conheciam alguém, disseram que em Faro, porém, existe mais procura do que oferta, por isso, os valores das rendas, atingem preços estratosféricos, impossível de pagar, para quem recebe o ordenado mínimo ou pouco mais que isso, os valores em alguns apartamentos T0 ou T1, ultrapassam os 700€.

Depois de perceber que era impossível alugar casas/apartamentos em Faro ou nos arredores, tentei alugar quartos, pensei que fosse mais fácil, uma vez que possui a Universidade do Algarve, os estudantes precisam de alojamento. Passado poucas horas de muitos contactos, percebi que existe mais procura do que oferta, por isso, alguns quartos atingem valores de prestação de renda de uma casa, em outras cidades do Algarve.

Infelizmente, o turismo representa uma atividade muito benéfica para o nosso país, acaba por estrangular o mercado imobiliário, os apartamentos para alojamento locais, as pessoas que desejam trabalhar ou estudar em Faro, não conseguem, contudo, lembrem-se sempre, os turistas vão e vêm, neste momento, o turismo é um chão que dá muitas uvas, porém, não será eterno. Depois Faro, ficará sem estudantes, sem pessoas para trabalhar, sem médicos, enfermeiros, todos conhecemos as dificuldades das pessoas em vir para o Algarve, quem está disposto a vir para o Algarve, não consegue ficar, é obrigado a regressar ao ponto de partida.

Quem pode alterar esta situação? As câmaras municipais, têm o dever de criar habitação, com arrendamento acessível, existem inúmeros programas, para reabilitar casas antigas, e arrendar a preço controlado.

Com estas dificuldades todas, a falta de professores do Algarve, começa-se a compreender e a perceber o porquê, mas nunca se esqueçam, que os maiores prejudicados, são sempre os alunos. Espero um dia, poder voltar à escola, onde fiquei colocado, para agradecer toda a simpatia e amabilidade.

Até um dia Faro,

* Professor

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/falta-de-professores-no-algarve/

“A greve, no fundo, é a linguagem dos que não são ouvidos”…

 

 Admitindo como verdadeira a anterior afirmação, atribuída a Martin Luther King, porque não é ouvida a Classe Docente?

Não é ouvida porque talvez se tenha acomodado e enclausurado numa espécie de “desânimo aprendido” (Seligman, 1967) e permanente…

Não é ouvida porque, ao invés de agir, talvez se tenha deixado enredar num círculo vicioso de autosabotagem, dominado pela vitimização e pela frustração…

Não é ouvida porque, ao invés de agir, espera que outros, miraculosamente, consigam resolver os seus problemas…

Não é ouvida porque as principais organizações sindicais que, expectavelmente, a deveriam representar de forma isenta e coerente parecem, muitas vezes, mais empenhadas em cumprir determinadas agendas partidárias do que em encetar acções de efectiva reivindicação junto da Tutela…

Resumindo, má sorte para quem é Professor em Portugal: ter que contestar, além da Tutela, muitas vezes também, os próprios Sindicatos…

Mas, e apesar de tudo o anterior, será possível:

Continuar a tolerar o cinismo, pretensamente afectuoso, que é o pior dos cinismos, frequentemente evidenciado pela actual Tutela?

Continuar a assistir à hecatombe da Classe Docente, que começou a desenhar-se, sobretudo, a partir de 2005, acabando por aceitar como “novos normais” todos os atropelos contra si cometidos ao longo dos últimos 17 anos?

Fazer ou não fazer greve não pode deixar de ser uma decisão individual…

Apesar disso, uma coisa parece certa no momento actual:

Independentemente dos motivos que possam ser advogados por cada um, optar por não fazer greve no próximo dia 2 de Novembro não deixará de ser, ardilosamente, interpretado e apregoado pela Tutela como um “voto de confiança”, dado por Educadores e Professores…

Decorrente do anterior, a opinião pública será obviamente intoxicada com a ideia de que na Educação tudo está bem, tudo corre bem e que os Professores não têm, afinal, motivos para fazer greve…

Cada um decida se está disposto a agraciar o Ministério da Educação com essa “comenda”…

Por outro lado, se a greve vier a ter uma adesão significativa, convirá, talvez, que os Sindicatos, em respeito pela honestidade intelectual e pelo conhecimento da realidade, que é suposto terem, não aproveitem para “embandeirar em arco”, tentando, por essa via, dissimular e escamotear a descredibilização de que têm vindo a ser alvo nos últimos anos, assim como os motivos que a isso têm conduzido…

Sobretudo pela inacção sindical que tem vindo a ser observada há mais de seis anos, apesar dos sucessivos e graves ataques à dignidade profissional dos Docentes, cometidos pela Tutela durante esse período de tempo, a eventual adesão expressiva à greve não se deverá, por certo, em primeira instância, à confiança depositada nas principais estruturas sindicais ou ao crédito de que possam gozar junto dos seus supostos representados…

As associações sindicais têm a competência legal para declarar greves, mas isso não significará, necessariamente, que quem adira a uma determinada greve deposite uma significativa ou inabalável confiança na estrutura sindical que a convocou…

E, no momento actual, não parece que exista essa prerrogativa, face aos principais Sindicatos…

A crença na ineficácia dos Sindicatos da Educação, traduzida, muitas vezes, pela ideia de que os mesmos não passam de “um mal necessário” é perigosa para a Democracia e não pode deixar de ser combatida, em primeiro lugar, pelos próprios…

Não por palavras, mas por acções idóneas, livres do facciosismo partidário, do apego a agendas partidárias e dos fretes partidários…

A credibilidade dos Sindicatos subordina-se, cada vez mais, à respectiva capacidade de independência partidária, algo que o“velho” Sindicalismo parece ignorar…

Sem independência partidária, também a união da Classe Docente se tornará numa absoluta e inultrapassável quimera…

(Matilde)

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/a-greve-no-fundo-e-a-linguagem-dos-que-nao-sao-ouvidos/

Reflexões sobre o projeto Maia – Rui Ferreira

O que é o projeto Maia, uma forma de reduzir o insucesso? Será uma inovação pedagógica?

O projeto Maia está, ao promover o feedback (comunicar aos alunos, não de forma quantitativa, o seu nível de desempenho) ao trabalho realizado pelos alunos através de uma avaliação formativa, a promover uma alteração pedagógica, em relação ao que existia antes. Este elemento é positivo, mas acrescenta bastante trabalho aos professores porque em vez de o professor dar uma classificação quantitativa, tem de elaborar textos formativos com as lacunas detetadas em cada aluno, que levam entre 10 a 20 minutos, que numa turma de 25 alunos, levará 3 a 5 a mais horas de trabalho, por cada avaliação que o professor faça, além do que já tinha de fazer, como corrigir as avaliações, que passam a ser o dobro porque agora deve promover as avaliações formativas.

Ora, é preciso não esquecer que o professor está sobrecarregado de trabalho administrativo, com base na presunção de desconfiança que sobre ele paira que o obriga a tudo justificar e se neste tema até pode fazer sentido, juntando à burocracia que já existia em excesso, o trabalho fica excessivo (o grupo de trabalho para a desboracratização do trabalho dos DT é em parte o reconhecimento deste problema).

O projeto Maia ao desdobrar a avaliação em rubricas, que podem e devem ter especificidades conforme as disciplinas, também alterou a forma de avaliação, ao promover avaliações por rubricas, o que obriga os professores a variarem o tipo de avaliação, deixando o teste de ser a avaliação padrão, aparecendo o trabalho, individual ou de grupo, a oralidade (já introduzida nas línguas, mas agora estendida a qualquer disciplina),  e outros (como trabalho experimental em certas disciplinas). Esta também é uma melhoria, mas deve ser aplicada com parcimónia, sendo 3 o número ideal de rubricas, para que o trabalho do professor esteja dentrodo razoável e não aumente exponencialmente. No primeiro ano de aplicação o meu departamento exagerou nas rubricas, por falta de experiência, pelo que houve um acréscimo acentuado de trabalho. 

Estes dois aspetos são positivos, existindo portanto uma inovação pedagógica, desde que aplicadas com parcimónia. 

O problema deste projeto é ser usado para acabar com o insucesso, ou seja, se o aluno não tem aproveitamento, é porque o professor não fez o feedback, ou não encontrou formas de avaliação que tirasse rendimento do aluno. Será assim? Não podemos passar de uma escola «capturada pelos professores» para uma escola «capturada pelos alunos», pois há alunos que não reagem aos estímulos e estão na escola porque têm de estar, devido à escolaridade obrigatória. Para os alunos interessados, a diversidade de instrumentos formativos e avaliativos introduzidos permitiu motivar mais o aluno e melhorar o seu rendimento. Para os outros é indiferente haver projeto Maia ou não.

Mas o mais grave na aplicação do projeto Maia é a regra instituída, pelo menos na minha escola, que obriga a retirar a nota mais baixa em cada rubrica aos alunos. Estamos perante um inflacionar de notas e mesmo do total alheamento da escola no terceiro período, por parte de alguns alunos, que ao terem aproveitamento no 2º período desligam completamente do trabalho escolar, aumentando a indisciplina na sala de aula. Em departamento foi pedido o fim desta norma, mas manteve-se para este ano letivo.

Concluindo, o projeto Maia introduziu inovações pedagógicas positivas, mas infelizmente está ser usado, à margem da lei, sem intervenção da IGE, como o faz nos colégios, para promover a não retenção dos alunos, a inflação de notas e a desmotivação do trabalho dos alunos no 3º período. A inflação de notas não é só um problema dos colégios particulares que agora parece estender-se ao público a coberto deste projeto e com o ME a alhear-se.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/reflexoes-sobre-o-projeto-maia-rui-ferreira/

Viseu: Professores reúnem-se, esta noite, numa vigília pela educação

 

O insatisfação da classe docente volta a destacar-se, em mais uma vigília, agendada para a noite desta sexta-feira, dia 21, no antigo Mercado Municipal.

 Professores reúnem-se, esta noite, numa vigília pela educação

«A organização deste movimento surge da união de professores descontentes com a forma como têm sido tratados pelos sucessivos governos e da ineficácia dos sindicatos que nos representam», refere, em entrevista ao portal Viseu Now, Paulo Soeiro, professor de informática, na Escola Secundária D. Dinis, em Coimbra.

«Os professores têm discutido os problemas de que a profissão padece e chegaram a um ponto em que não estão dispostos a continuar a ser desvalorizados. As condições de trabalho, o excesso do mesmo, apesar da retórica da desburocratização, a sonegação de 6 anos, 6 meses e 23 dias de serviço para efeitos de carreira, as ultrapassagens na carreira, que os governos provocaram, os entraves à progressão na carreira, a falta de apoios aos professores colocados a muitos quilómetros das suas residências, estão em cima da mesa e são algumas das razões que levam os professores à rua pelas cidades do país», aponta Paulo Soeiro.

Está é a terceira vez que professores do pré-escolar ao ensino secundário se juntam pela causa em Viseu. O primeiro encontro contou com 40 particiopantes, número que subiu para quase 130, no segundo. O pontapé de saída desde movimento reivindicativo foi dado em Viana do Castelo, seguindo-se Aveiro, Vila Real e, por fim, Viseu.

O docente acrescenta que «a singularidade destas vigílias/manifestações é não serem organizadas por sindicatos, mas sim por docentes e educadores sem vínculo sindical. Até agora, só um sindicato se manifestou, favoravelmente, a estas iniciativas, que têm como objetivo espicaçá-los. Mas a independência destas vigílias têm trazido ao de cima o descontentamento, a força que os professores podem ter e a união que se começa a ver, numa classe que tem como membros mais de 100 mil trabalhadores».

Numa altura em que muito se discute a falta de professores e a redução do número de candidatos em cursos para a docência, a luta continua a centrar-se na valorização da profissão e, consequentemente, na melhoria do estado da educação em Portugal. Para Paulo Soeiro, isso passa por algumas medidas como a «recuperação do tempo de serviço que foi congelado, o fim do sistema de quotas e das vagas para progressão aos 5.º e 7.º escalões da carreira, a concessão da mobilidade por doença para as pessoas que estão efetivamente doentes, a vinculação dos professores contratados com mais de três anos de serviço, a revisão dos horários de trabalho, a atribuição de apoio financeiro aos professores deslocados para longe das residências, o fim do excesso da burocracia e de projetos».

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/viseu-professores-reunem-se-esta-noite-numa-vigilia-pela-educacao/

Respeite os professores, sr. ministro!

 

O respeito pelo próximo passa poucas vezes por declarações vãs. O respeito por alguém demonstra-se com ações concretas. E estas têm faltado ao atual ministro e aos próprios governos do PS!

Respeite os professores, sr. ministro!

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/respeite-os-professores-sr-ministro/

Reserva de Recrutamento n.º 08

Publicitação das listas definitivas de Colocação, Não Colocação, Retirados e Listas de Colocação Administrativa – 8.ª Reserva de Recrutamento 2022/2023.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de segunda-feira dia 24 de outubro, até às 23:59 horas de terça-feira dia 25 de outubro de 2022 (hora de Portugal continental).

Consulte a nota informativa.

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Nota informativa – Reserva de recrutamento n.º 08

Listas – Reserva de recrutamento n.º 08

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/reserva-de-recrutamento-n-o-08-3/

Vigília Pela Educação- Viseu

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/vigilia-pela-educacao-viseu/

Aluna agrediu colega com martelo em escola

Jovem terá destruído telemóvel de colega com martelo, que depois foi usado para o agredir.

Aluna agrediu colega com martelo em escola na Figueira da Foz

A PSP identificou três jovens na Figueira da Foz após um episódio de agressões, com recurso a um martelo, junto à escola que frequentam.

As agressões ocorreram esta quinta-feira à tarde, quando um dos jovens terá destruído um telemóvel com um martelo, que depois foi usado pela proprietária do telefone para agredir o causador dos estragos naquele objeto.

Quando os agentes chegaram ao local já só estava o jovem que tinha sido atacado com o martelo e que foi transportado para o Hospital da Figueira da Foz para receber tratamento médico.

Os três jovens envolvidos estão já identificados, “mantendo-se a PSP atenta a eventuais desenvolvimentos, nomeadamente através do Programa Escola Segura”.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/aluna-agrediu-colega-com-martelo-em-escola/

Greve de Professores e Educadores, 2 de novembro

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/greve-de-professores-e-educadores-2-de-novembro/

Professores em monodocência: trabalham mais horas e têm menos regalias

Movimento criado nas redes sociais vai pedir a fiscalização do Estatuto da Carreira Docente por considerarem que este viola o princípio da igualdade estipulado na Constituição. António Costa já reconheceu que educadores de infância e professores do 1.º ciclo vivem numa situação de “efectiva discriminação”.

A vida dos professores em monodocência: trabalham mais horas e têm menos regalias

 

Variados estudos e inquéritos têm mostrado que muitos professores vivem em estado de cansaço crónico. Como se sentirá então uma educadora de infância de 57 anos que continua a ter de acompanhar crianças dos três aos cinco anos todos os dias, ao ritmo de cinco horas diárias? “Exausta”, confessa Paula Gomes, que se iniciou na profissão em 1985 e que continua hoje a ter as mesmas obrigações lectivas que tinha há quase 40 anos. Ou seja, 25 horas semanais de aulas.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/professores-em-monodocencia-trabalham-mais-horas-e-tem-menos-regalias/

Professores vigiam alunos no recreio devido à falta de assistentes operacionais

 

Isto já acontece há muito tempo… lembraram-se agora…

Professores vigiam alunos no recreio devido à falta de assistentes operacionais

A falta de assistentes operacionais está a obrigar as escolas a colocar os professores a vigiar os alunos nos recreios no 1º ciclo. A denúncia foi feita esta terça-feira pela Federação Nacional dos Professores, que acusou algumas direções das escolas e agrupamentos de retirar aos professores “o direito às pausas que integram a componente letiva e obrigando-os, ilegalmente, a substituir os assistentes operacionais em falta e a vigiar os alunos nos recreios”.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/professores-vigiam-alunos-no-recreio-devido-a-falta-de-assistentes-operacionais/

Educadoras de infância não vão trabalhar com medo de serem agredidas

As educadoras de infância do centro escolar de Vila Verde, na Figueira da Foz não foram esta terça-feira trabalhar e os pais tiveram de ir buscar os filhos e levá-los para casa.  

Educadoras de infância de Vila Verde não vão trabalhar com medo de serem agredidas

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/educadoras-de-infancia-nao-vao-trabalhar-com-medo-de-serem-agredidas/

Alunos sem abrigo – João André Costa

 

Já nem falo dos dias sem tomar banho ou da falta de uniforme, mesmo se básico na nossa escola, calças pretas, camisa branca e pouco mais, ou do mau humor constante, as respostas tortas para não dizer insultos ou as inúmeras vezes em que saiu da escola por já não aguentar mais, por já não aguentar a fome apesar da comida na escola, por já não aguentar a humilhação de ter de pedir para repetir por não comer nada desde que saiu ontem da escola para parte incerta, longe da mãe igualmente em parte incerta porque separados, ele num hostel, sozinho aos 14 anos de idade, a mãe em casa de amigos.
Dos serviços sociais dizem ser a melhor solução “derivado” das discussões no seio familiar e a atitude da mãe para com o filho. Visitam-no de 2 em 2 dias.
Mas se entre o equivalente ao rendimento mínimo e a renda da casa, por falta crónica de habitação social nesta terra, sobram 200 libras ao fim do mês para tudo o resto e tudo o resto é suposto ser a vida do dia-a-dia, não acredito haver outra solução entre esta mãe e este filho senão gritar para enganar a fome até adormecerem os dois de cansaço no mesmo sofá-cama no meio da sala onde a cozinha é um micro-ondas e uma torradeira, as paredes já há muito perderam a batalha contra o bolor e a asma da mãe não se compadece.
Obviamente, o miúdo falta à escola, e muito.
E, infelizmente, não é caso único, sendo as faltas consecutivas de outros alunos o prenúncio e a visita procedente a confirmação de já não estar ninguém em casa. Mudaram-se para Birmingham, diz um vizinho, para casa de familiares, acrescenta.
Telefonamos, dá sinal de chamada, deixamos uma mensagem, enviamos uma mensagem de texto porque para ouvir a mensagem também se paga ou então a bateria nem chega para isso. Ou talvez a mãe nem saiba em que tecla carregar para ouvir a mensagem e se calhar entre pombos-correio ou sinais de fumo a mensagem chegaria mais rapidamente, mais facilmente, mas tentamos, uma e outra vez, notificamos os serviços sociais e a polícia, uma mãe e duas filhas, a mais velha com 12 e a mais nova com 7 e ninguém sabe do seu paradeiro.
Mas com a falta de meios, igualmente crónicos e fruto de cortes sucessivos desde 2008, estando a família fora da cidade a conclusão é célere: longe da vista, longe do coração, preocupemo-nos com os nossos e com quem está mais próximo até que venham as notícias nos jornais.
E quando vêm as notícias nos jornais, quem não preencheu os papéis e quem não notificou as autoridades é o primeiro a ir.
E portanto passamos agora horas sem fim em verdadeiro trabalho de detective ao fim do dia, pois claro, quando os miúdos faltam à escola e ninguém sabe porquê e agora já perdemos a conta ao número de miúdos a quem não sabemos porquê e o que vale é ainda não se terem lembrado de nos pôr a trabalhar aos fins-de-semana mas pouco deve faltar quando a semana só tem 5 dias, e a minha equipa sou eu e uma bicicleta e se tiver algum problema dizem-me para telefonar para a polícia, mas como se eu tiver algum problema já tenho os pedais debaixo dos pés não me parece que vá ter tempo para chamar quem quer que seja. Os dias começam às 5 da manhã na escola e terminam depois das 7 da tarde e não é nada mau já que chego a casa ainda a tempo de jantar. Em Portugal, por norma, a esta hora ainda há muitos, demais, professores na escola.
Se em meados dos anos 80 o universo da habitação social britânica, um universo onde todos, independentemente da nossa origem, raça, credo, género ou orientação sexual, teriam direito a uma habitação condigna, compreendia quase 7 milhões de casas, as políticas de Thatcher, já adivinham, abriram as portas à privatização e consequente venda de 2 milhões de propriedades sem que as mesmas fossem substituídas por igual número de habitações sociais.
Hoje, com mais de 1 milhão de pessoas em lista de espera, entre as quais 300 mil esperam por casa há mais de 10 anos, famílias inteiras vêem-se obrigadas a viver em casas sobrelotadas, obrigadas a mudar de cidade, região e vida, obrigadas a recorrer aos bancos alimentares, bancos esses com cada vez menos mãos a medir, ou pura e simplesmente obrigadas a viver na rua num número cada vez maior de tendas à vista de todos.
Basta visitar Londres.
As crianças, os nossos alunos, não saem incólumes. Com a educação e o futuro interrompidos não são senão o reflexo de uma sociedade cada vez mais desigual.
E se ainda pudéssemos educá-los, talvez houvesse esperança. Mas os nossos alunos já não moram aqui… os nossos alunos já nem sequer têm onde morar.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/alunos-sem-abrigo-joao-andre-costa/

Período Probatório 2022/2023– publicação listas

Encontra-se publicada a Nota Informativa Período Probatório 2022/2023, bem como a lista de docentes que realizam o Período Probatório e a Lista de docentes dispensados do Período Probatório

Consulte a nota informativa e as listas:

Nota Informativa Período Probatório 2022/2023 – Listas dos docentes que dispensam e dos docentes que realizam o período probatório

Lista de docentes que realizam o Período Probatório – 2022/2023

Lista de docentes dispensados do Período Probatório – 2022/2023

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/periodo-probatorio-2022-2023-publicacao-listas/

Um retrato do primeiro mês do ano letivo

 

Um mês depois do início oficial do ano letivo, os problemas de outros anos repetem-se. E se as regras adotadas com a pandemia caíram, continuam as queixas dos refeitórios, que agora são geridos pelas autarquias, e somam-se as reclamações dos pais impedidos de entrar no recinto escolar. Os professores também continuam a faltar, as turmas não estão mais pequenas e há docentes com 500 estudantes para avaliar

Má comida nas cantinas, pais ao portão, alunos sem professores, um professor com 500 alunos: um retrato do primeiro mês do ano letivo

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/um-retrato-do-primeiro-mes-do-ano-letivo/

Correção em relação ao texto publicado no blog e no Publico

 

Quando foi citado que os docentes voltaram á rua sem os sindicatos foi referido que apenas um teria apoiado as vigílias de professores. Em abono da verdade, fica aqui referido que esse sindicato é o S.TO.P, que tem apoiado os colegas organizadores das vigílias e a manifestação que teve lugar no dia 5 de outubro em Lisboa aquando das comemorações da Implantação da República.

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/correcao-em-relacao-ao-texto-publicado-no-blog-e-no-publico/

Os professores voltaram à rua sem os sindicatos

Viana do Castelo deu o pontapé de saída, seguiu-se Aveiro, Vila Real, Viseu… Em Viana do Castelo já vão para a quarta vigília, em Aveiro também, em Viseu a terceira vigília está marcada para dia 21.

Os professores voltaram à rua sem os sindicatos

 

No dia 5 de outubro, um grupo de professores fez-se ouvir nas comemorações do dia da Implantação da República que partilha a data com o Dia do Professor. A responsabilidade foi do Movimento de Professores Monodocentes para reivindicar equidade, justiça e direitos perdidos para os dois grupos de docência que exercem em monodocência, horários de trabalho letivo iguais aos outros docentes de outros ciclos de ensino.

Mas esta manifestação não está isolada. Outros grupos de docentes de todos os grupos de docência
têm organizado vigílias pelo país a fora, predominantemente no norte e centro os professores têm
saído à rua em luta e discutido os problemas de que a profissão padece.

Viana do Castelo deu o pontapé de saída, seguiu-se Aveiro, Vila Real, Viseu… em Viana do Castelo já
vão para a quarta vigília, em Aveiro também, em Viseu a terceira vigília está marcada para dia 21
deste mês, onde na primeira estiveram presentes 40 docentes, na segunda mais de 120.
A singularidade destas vigílias/manifestações é não serem organizadas por sindicatos, mas, sim, por
grupos ou docentes sem vínculo sindical. Até agora, só um sindicato se manifestou, favoravelmente,
a estas iniciativas que têm como objetivo espicaçá-los. Mas a independência destas vigílias tem
trazido ao de cima o descontentamento, a força que os professores podem ter e a união que começa
a ver-se, numa classe que tem como membros mais de 100 mil trabalhadores.

Em tempos idos, este tipo de movimento aconteceu entre 2007 e 2008, com vigílias, assembleias
improvisadas nas escolas e que levou á grande manifestação de março de 2008 onde estiveram
presentes 100 mil. Na altura, o governo viu-se obrigado a ceder em algumas das reivindicações o
que levou a nova alteração do Estatuto da Carreira Docente e, principalmente, à extinção da divisão
da carreira em dois tipos de professores.

Os professores chegaram a um ponto em que não estão dispostos a continuar a ser desvalorizados.
As condições de trabalho, o excesso do mesmo, apesar da retórica da desburocratização, a
sonegação de 6 anos, 6 meses e 23 dias de serviço para efeitos de carreira, as ultrapassagens na
carreira, que os governos provocaram, os entraves à progressão na carreira, estão em cima da mesa
e são algumas das razões que levam os professores à rua pelas cidades do país.

A falta de professores que assola Portugal, e que podia ter sido evitada, é uma vantagem que, neste
momento, os professores podem usar a seu favor nesta luta, apesar dos esforços, tardios, do
governo para a tentar resolver e, que na prática, vai fazer a educação recuar décadas na qualidade
de ensino e a sociedade na equidade de oportunidades.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/os-professores-voltaram-a-rua-sem-os-sindicatos/

Recado aos pais sobre a educação dos filhos

Em certo debate, um pai me perguntou o seguinte: “Professor, o que a família pode fazer para ajudar a escola na educação dos nossos filhos?”. Eu respondi: “Há uma inversão na sua questão. Não é a família que ajuda a escola na educação dos próprios filhos, é o contrário, é a escola que ajuda a família na educação de seus filhos através da escolarização. Você tem um ou dois filhos por praticamente 24 horas por dia, enquanto nós, professores, dispomos de quatro horas diárias com um conjunto de trinta ou quarenta crianças. Se você tem dificuldade para educar duas crianças, imagine se nós vamos conseguir substituir o papel de educação que é da família!”.

A tarefa de educação dos filhos é, primeiramente, da família e, em segundo lugar, do Poder Público. Portanto, se a família não cumpre o que ela precisa cumprir, a escola também não conseguirá.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/recado-aos-pais-sobre-a-educacao-dos-filhos/

Menina de 14 anos espancada por colegas numa escola

PSP e os Bombeiros de Camarate transportaram a menor ao Hospital Beatriz Ângelo.

Menina de 14 anos espancada por colegas numa escola em Loures

Uma menina de 14 anos foi espancada por colegas numa escola de Camarate, Loures, e teve de ser hospitalizada com lesões por todo o corpo.

Fonte policial disse ao CM que o ataque ocorreu a meio da tarde de sexta-feira. A vítima, que já terá sido alvo de outras agressões, foi rodeada por colegas (a maioria do sexo feminino) e espancada a murro e pontapé.

A PSP e os Bombeiros de Camarate transportaram a menor ao Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/menina-de-14-anos-espancada-por-colegas-numa-escola/

Para que raio continuo a ser professor?

Triste por ser professor
Sou desrespeitado por todos, agredido em pequenas e grandes coisas. Transformaram-me numa espécie de papel higiénico que recebe palpites de pais, diretores, presidentes de câmara, alunos, funcionários…ninguém valoriza as pestanas que queimei, a minha criatividade na construção das aulas. Todos querem que eu lhes satisfaça as vontades e de imediato. Não me deixam ensinar e partilhar o que sei. Acham que só sirvo para entreter meninos, que os devo guardar durante 24 horas, fazendo-lhes as vontades e nada exigindo. Tenho um ministro que, em conjunto com os média, destrói a minha imagem, a minha autonomia, o meu saber e a minha liberdade.
Tenho colegas que lambem as botas ao poder e que se vendem por tuta e meia. Invejam e passam a pente fino tudo que lhes possa fazer sombra na luta de uns tostões para subir de escalão. Tenho frio no inverno e calor no verão, mal respiro nos cubículos a abarrotar com 30 alunos. Ando a toque de campainhas todos os dias, tal como o cão de Pavlov. Ganho mal, trabalho ao fim de semana. Mesmo assim um monte de colegas que só sabe sorrir à subserviência, aos pais superprotetores e aos pseudo pedagogos, teóricos da treta. Ganho mal, não tenho tempo para mim e para os meus.
Para que raio continuo a ser professor? Só por ter acreditado que podia ajudar a deixar o mundo melhor. Não, não deixo porque não me deixam!
Desisto!

Retirado da caixa de comentários em “O Meu Quintal”

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/para-que-raio-continuo-a-ser-professor/

Mãe bateu em professora do filho, instigada por cunhada

 

Duas mulheres estão a ser julgadas, no Tribunal de Setúbal, pela agressão de uma professora, dentro de uma escola básica do concelho. A mãe de um aluno do estabelecimento de ensino foi acusada de agredir a docente com uma bofetada e um pontapé, quando instigada pela outra arguida, sua cunhada.

Dá-lhe agora”. Mãe bateu em professora do filho, instigada por cunhada

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), na manhã de 14 de dezembro de 2020, na Escola Básica da Bela Vista, uma docente separou dois alunos que andavam à bulha no recreio. Um deles, com dez anos, pisava o outro, de seis. Não obedecendo à ordem da docente para parar, o aluno foi agarrado pelo braço e levado para a sala de aula pela professora. À hora de almoço, foi para casa e queixou-se de ter sido agredido pela professora, o que levou a mãe, Soraia, e a tia, Lília, a dirigirem-se à escola, nessa tarde, para pedir satisfações.
Acompanhadas do rapaz, as mulheres entraram na escola e foram à procura da docente, que estava na sala de professores. Aqui, pediram a uma funcionária que a chamasse, o que foi feito. “Foi esta que te bateu?”, perguntou a mãe ao rapaz, quando a professora apareceu. A criança de dez anos disse que sim.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/mae-bateu-em-professora-do-filho-instigada-por-cunhada/

A morte dos professores

Falhámos por omissão e conivência. O resultado? Uma classe desmotivada, revoltada e humilhada.

A morte dos professores

Ensino faz-se, acredito, por vocação. Há no professor a génese da sociedade livre, por meio da Educação, que nos liberta da sombra da ignorância, como diria Platão. Negar a sua importância é retirar-lhe a dignidade no exercício da sua profissão, dentro e fora de aula, culminando com a escalada do desrespeito, da desautorização e da negação da sua presença como mais alta figura dentro da academia. Passámos de questionar a conduta do discente para questionar a razão do docente.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/a-morte-dos-professores/

Listas Provisórias dos candidatos admitidos e excluídos no Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste

 

Publicam-se as listas provisórias dos candidatos admitidos e excluídos ao Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto Centros de Aprendizagem e Formação Escolar em Timor-Leste, em 2023.

Listas Provisórias de admissão e exclusão

 

 

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/listas-provisorias-dos-candidatos-admitidos-e-excluidos-no-projeto-c-a-f-e-em-timor-leste/

E se fosse consigo?

Braga. Dia 2 de junho. Duas docentes e uma funcionária foram agredidas por duas mulheres numa escola.

E se fosse consigo?

Matosinhos. Dia 22 de setembro. Um professor foi agredido por um aluno de 16 anos, na Escola Secundária do Padrão da Légua. O docente teve de receber tratamento hospitalar. Vila Verde. Dia 7 de outubro. Uma professora foi agredida à bofetada por um estudante.

Figueira da Foz. Anteontem. Uma professora de 40 anos, no Centro Escolar de Vila Verde, foi agredida por dez mulheres com murros e pontapés e arrastada pelos cabelos pelas agressoras, enquanto era ameaçada de morte. Ficou ferida com gravidade e teve de ser hospitalizada.

São quatro casos só este ano. Há mais. Nos anos anteriores, ainda mais.

Em 2020, a plataforma do Sindicato Independente dos Professores e Educadores recebia uma denúncia de agressão a professores a cada três dias, a maioria dizia respeito a agressões físicas cometidas por alunos (56%).

Passaram dois anos. Ontem, o ministro da Educação, ex-secretário de Estado da mesma pasta, manifestou o seu apoio e solidariedade à professora que foi agredida na Figueira da Foz. Além da mensagem, João Costa pediu a todas as famílias e comunidades que respeitem os professores!

Será certamente correspondido no apelo. Foi sempre assim entre milhares de encarregados de educação, membros de associações de pais e de outras partes integrantes das comunidades escolares. Os mesmos que, sucessivamente, têm vindo a pedir aos governos que garantam as condições necessárias, incluindo segurança, para que a função seja valorizada e respeitada. Para que os professores possam ser professores.

O Orçamento do Estado para a Educação diminui 7,6%. A redução é explicada pelo Governo com a transferência de verbas para as autarquias devido à descentralização. Esperemos pelos resultados.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/e-se-fosse-consigo/

Os professores do 1.º ciclo estão esgotados e a idade não ajuda…

 

Os professores do 1.º ciclo continuam a liderar o movimento de substituições de docentes nas escolas que é operado pelas reservas de recrutamento, que se efectivam todas as sextas-feiras. No concurso desta sexta-feira foram colocados 192 professores do 1.º ciclo, a grande maioria para substituírem docentes que entraram de baixa médica.

Quando se tem uma carga horária superior a outros docentes, se trabalha com crianças mais pequenas, quando se tem tarefas que mais nenhum docente tem, se é titular de turma, coordenador de estabelecimento, se tem dentro da sala de aula 25 horas por semana a inclusão, se vigia intervalos, se coordena Assistentes Operacionais, se supervisiona AEC, se trata de colaborar com Juntas de Freguesia para assegurar todo o tipo de manutenção, com empresas de refeições os almoços, se programa projetos da fruta, do leite e tudo mais que é saudável… estavam à espera que o desgaste de anos e anos fosse o mesmo que outros e os monodocentes, abandonados nas milhares de pequenas escolas e centros escolares, não ficassem doentes e o físico não desse de si?

Tenham mas é juízo e reconheçam que têm de olhar para estes docentes como monodocentes e devolver-lhes as diferenças que lhes tiraram.

Link permanente para este artigo: https://www.arlindovsky.net/2022/10/os-professores-do-1-o-ciclo-estao-esgotados-e-a-idade-nao-ajuda/

Load more