Rui Cardoso

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André Pestana do S.TO.P avança para a justiça por causa das declarações do ministro

 

André Pestana não gostou das declarações do ministro da educação e vai avançar para a justiça. Exige as atas das reuniões em que o ministro esteve presente. Acusando o ministro de infantilizar os professores.

A Fenprof deu um passo atrás e solidarizou-se com a luta dos professores nas ultimas semanas.

 

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As quotas…

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Foi só a gota de água…

Tenata-se centralizar a luta dos professores no futuro diploma de concursos, mas isso foi só a gota de água que fez transbordar um balde cheio de injustiças.

O descontentamento já se faz sentir há muito tempo. Os professores sentem-se desmotivados, injustiçados, desprezados, desvalorizamos… há mais de 17 anos.

Não me parece que se vá conseguir tirar os professores da rua com um “chupa-chupa” como das outras vezes. Não se pode, ninguém pode, achar que manipula os professores sem que eles dêem conta, afinal são a classe, academicamente, mais capaz do país.

 

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Os “exames de cruzinhas” vieram para ficar

O IAVE tem vindo a criar um modelo de avaliação em que as questões abertas ao desenvolvimento da escrita são cada vez menos, assim comprometendo o grande objetivo da avaliação.


Os “exames de cruzinhas” vieram para ficar

 

No passado dia 5 de novembro, Bárbara Reis manifestou, aqui no PÚBLICO, o seu desagrado face ao predomínio das questões de escolha múltipla no exame de Filosofia, uma disciplina em que se espera a valorização da capacidade de argumentar através da expressão escrita. E se a Bárbara Reis considera, e muito bem, que aqueles exames servem mal a Filosofia e os seus alunos, lamentavelmente não são de esperar alterações de fundo num futuro próximo. Na realidade, os alunos ainda não fazem “exames de cr…

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Comunicação de Santana Castilho na manifestação de 17/12/2022

A minha comunicação aos Colegas no início da memorável manifestação de 17.12.22

Estimados Colegas:
Que privilégio, sentir-me parte desta verdadeira epifania, que hoje vivemos, porque nós, professores livres, começámos a demonstrar que há muros que podem ser derrubados, para melhorar o nosso presente e o futuro dos nossos alunos.
Do meu posto de observação sigo, há 17 anos (13 da responsabilidade do PS, 4 da responsabilidade do PSD), as decisões da política educacional mais rasteira que me foi dado conhecer depois de Abril.
E porque é mau que percamos a memória colectiva, permitam-me que faça uma breve síntese destes anos de desespero:
– Instalou-se um desrespeito galopante pela actividade docente, eminentemente intelectual e livre, como se ela pudesse ser exercida por operários vergados a obediências de pacotilha e aos desmandos de quem manda.
– Perdeu-se a generosidade com que tantos professores se entregavam voluntariamente a actividades, fora dos seus horários profissionais, porque nelas reconheciam transferências reais para a educação dos seus alunos e para a resolução dos problemas sociais.
– Destrui-se tempo livre, tempo para estudar e pensar, para acolher o monstro da burocracia escravizante, personificada por plataformas e protocolos administrativos, paridos por pequenos déspotas, verdadeiros tiranos acéfalos, com pedras onde os outros têm coração.
– Fecharam-se escolas aos milhares, Portugal interior fora.
– A gestão das escolas, que antes era verdadeiramente eleita e por isso democrática, deu lugar a uma gestão predominantemente autocrática, onde o medo das represálias que as discordâncias acarretam se tornou o clima organizacional dominante.
– A natureza axiológica da Educação foi paulatinamente substituída por regras de mercado, cada vez mais circunscritas a objectivos utilitários e instrumentais.
Nos nossos dias, o discurso de João Costa e prosélitos assenta na retórica provinciana do “aluno do século XXI”, do “trabalho de projecto”, do “trabalho em rede” e dos “nados digitais”. Quando se juntam hoje as “aprendizagens essenciais” ao estribilho da “flexibilidade pedagógica”, vemos o que a música de João Costa deu: um desconcerto nacional, particularmente para os que já chegam à Escola marcados pela sorte madrasta de terem nascido em meios desfavorecidos. Porque a inovação pedagógica do aprender menos não remove o insucesso. Mascara-o. Porque os experimentalismos assentes no abaixamento de fasquias não puxam pelos que ficam para trás. Afundam-nos.
Das celebrações fátuas de João Costa sobressai o decantado tema da educação inclusiva. Ter todos dentro da mesma escola é um excelente princípio, que nenhum civilizado contesta. Mas não o concretizamos fingindo que determinados alunos podem dar respostas que sabemos que nunca poderão dar, pedindo do mesmo passo aos restantes que fiquem parados. É isto que João Costa tem promovido: uma exclusão dupla, mais gravosa ainda para os que nasceram diferentes. Aproximadamente metade dos alunos sinalizados como carentes de “medidas selectivas ou adicionais” (novilíngua oficial) não tem apoio directo de professor especializado. Para satisfazer o falso conceito de inclusão vigente, basta que passem mais de 60% do tempo lectivo numa sala de aula, com os colegas de turma. Pouco importa que nada entendam do que lá é dito ou feito. A ordem para que passem de ano atira as suas taxas de sucesso para cima dos 90%. Falta medir os seus índices de sofrimento e de impreparação para a vida.
Temos hoje, convenientemente, já se vê, um processo de formação contínua de professores, cuja característica distintiva é torná-los radicalmente cegos para tudo o que se oponha à narrativa da pedagogia religiosa do pequeno ministro e dos seus lobitos. As crenças substituíram o conhecimento e o poder decisório está nas mãos de uma seita. Fanáticos que são, estigmatizam e eliminam os que recusam juntar-se ao rebanho.
João Costa está, há 7 anos, laboriosamente, a desregular todo o mecanismo de avaliação do sistema de ensino, anulando a comparabilidade dos dados recolhidos ao longo dos tempos, a desconstruir a estrutura curricular e a produzir normativos sobre o que deve ser feito no âmbito da autonomia das escolas, promovendo, assim, o mais hipócrita homicídio, à nascença, dessa mesma autonomia. As fotos que o representam vestido de escuteiro e uns números giros de filosofia Ubuntu e avaliação MAIA dão-lhe a credibilidade dos vendilhões do Templo. Falta agarrar no chicote para expulsar este sacrista do nosso convívio.
Como permitimos tudo isto?
Em minha opinião porque os professores mergulharam num limbo, onde cresceu o cansaço e a resignação. O desânimo que os assolou radicou na impotência dos sindicatos para os defender das decisões tirânicas do Governo. Com efeito, os sindicatos têm persistido na representação do papel de lamuriosas vítimas enganadas e as lutas sindicais têm sido cada vez mais aprisionadas pelos interesses das conjunturas partidárias e cada vez menos centradas na eficácia da defesa dos interesses profissionais dos seus representados. Os sindicatos têm sistematicamente fugido das lutas que provocariam mudanças nas relações de poder. Por acomodação, medo reverencial e iniciativa nula.
Em minha opinião porque as nossas organizações sindicais se foram transformando em albergues de inutilidades, enquanto o quotidiano dos professores se foi tornando cada vez mais penoso. Porque em lugar de promover avanços nas condições de trabalho dos professores, os sindicatos do sistema se foram contentando, apenas, com atrasar os retrocessos.
Porque se instituiu um modus operandi que se repetiu ao longo dos anos. Primeiro apresentam-se cenários horríveis. Depois vive-se um ritual hipócrita de prolongadas e falsas negociações e caricaturais protestos (abaixo-assinados, cordões humanos, marchas, vigílias e demais diletâncias). No fim, o ministério ganha e os sindicatos também: o primeiro por ter pregado mais um prego no nosso caixão; os segundos por terem “evitado o pior”, expressão laudatória das suas sucessivas vitórias de Pirro. Só os professores têm perdido. Perdido sempre, desde 2005!
E sendo a gestão da percepção pública um importante instrumento político, João Costa tem tido, nesta ineficaz oposição sindical, um instrumento importante para disfarçar a mediocridade da sua acção e manipular à vontade a opinião pública. Quando lhe ouvi o topete, na última sexta-feira, de acusar o nosso Colega André Pestana de não dizer a verdade, o meu pensamento voou para Alexander Solzhenitsyn, que magistralmente caracterizou, assim, situações idênticas à que ora vivemos:
“Sabemos que nos mentem. Eles sabem que nos mentem. Eles sabem que nós sabemos que nos mentem. Nós sabemos que eles sabem que nós sabemos que eles nos mentem. E, mesmo assim, eles continuam a mentir.”
Mas aqui estamos, finalmente a resistir, a levantar-nos do chão e a dizer não!
Não à proposta ministerial para alterar o regime de recrutamento e mobilidade dos professores!
Não à selecção de professores por conselhos locais de directores!
Não à substituição de quadros por mapas!
Não às 23 comunidades intermunicipais!
Não ao desaparecimento da natureza nacional dos concursos e da mobilidade interna dos professores!
Não à remoção da habilitação profissional para o desempenho da actividade docente!
Não à perda do direito inaliável de escolher o local onde se trabalha!
Não a uma engenharia de gestão, que subordina os mais elementares direitos, humanos dos professores e à educação dos alunos, aos mais mesquinhos interesses da austeridade da página virada.
Não à transformação do regime da Mobilidade por Doença num concurso canalha e desumano, que atirou para a sargeta da vida os professores mais frágeis e as suas famílias, negando-lhes direitos constitucionalmente protegidos!
Não ao roubo do tempo de serviço efectivamente prestado!
Não à desregulação sistemática dos horários de trabalho!
Não às vagas e quotas para progressão na carreira!
Não à iniquidade da Avaliação do Desempenho!
Não à precariedade!
Não à recusa de instituir um regime específico de aposentação, que permita o rejuvenescimento da profissão!
Não à substituição de pessoas por algoritmos!
Apaziguada que está a raiva que me foi crescendo nos dentes ao longo destes 17 anos de magistratura de ministros ignorantes, deixem-me terminar, abraçando-vos com palavras. Palavras que vêm do fundo do meu coração. Palavras de reconhecimento e gratidão pela obra que os professores portugueses ergueram em 48 anos de democracia.
Olha, Professor ofendido:
Se eu fosse músico, apanhava todos os sons do riso das crianças, mais os gritos de raiva que abalam a injustiça, o bater do coração que finalmente alcança, juntava tudo num cantar de esperança e, neste dia, enchia com ele o ar à tua volta.
Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um…
Podia ser pintor e agarrar o Sol, o Mar e o Voo, meter-lhes dentro a alma da tua Escola, marcá-los com o brilho dum olhar – claro como gelo ao sol do despertar, quente como fogo a arder no peito de quem vive – e encher com as suas cores o espaço do teu mundo.
Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um…
Se eu fosse escritor, sim! Inventava as palavras que dizem a Justiça por que anseias – desde a raiz da Vida até ao fim do Tempo –, as mesmas palavras que dizem Liberdade e Razão, e com essas palavras que inventasse, fazia da Vida que constróis o teu Poema.
Mas, sabes bem, eu sou apenas mais um…
Mais um que resiste! Mais um que não desiste! Mais um que está convosco até ao fim! Até vencermos!
Vivam os Professores!
Vivam os nossos alunos!

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A revolta dos professores na capa dos jornais

 

 

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Escola Pública: processo de destruição em curso…

 Com a publicação da Resolução nº 123/2022 do Conselho de Ministros, em 14 de Dezembro de 2022, que prevê o reforço da capacidade de intervenção das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), e pelo expresso nessa deliberação no domínio da Educação, parece ter começado, oficialmente, o processo de desmantelamento da Escola Pública…

Adivinha-se que a prevista descentralização administrativa, alegadamente realizada através da transferência de competências para as CCDR, conferindo a essas entidades novas atribuições e poderes, possa, com grande probabilidade, conduzir a Escola Pública ao desastre e à respectiva destruição…

Na prática, esta nova jurisdição concedida às CCDR poderá significar a entrega de parte significativa da Escola Pública ao Poder Regional ou Local, designadamente a competência da gestão dos respectivos recursos humanos e materiais, que passará a ser partilhada entre a DGEsTE e as referidas Comissões, conforme consta na mencionada Resolução:

“Acompanhar, coordenar e apoiar a organização e funcionamento das escolas e a gestão dos respectivos recursos humanos e materiais, promovendo o desenvolvimento e consolidação da sua autonomia”…

Perante o anterior, e por ser praticamente impossível desligar a concepção de Poder Regional da de Poder Local, ou ignorar as plausíveis relações de reciprocidade entre ambos, emergem algumas perplexidades, decorrentes de alguns dados preocupantes e inquietantes…

– Num artigo publicado em 9 de Junho de 2019 pelo Jornal Diário de Notícias, intitulado “Metade dos casos de corrupção tem origem em autarquias”, referia-se que o Conselho de Prevenção da Corrupção (CPC, entidade administrativa independente que funciona junto do Tribunal de Contas) analisou em 2018 um total de 604 casos relacionados com essa criminalidade:

– 48% ocorreram em autarquias, o que representava a maior percentagem de sempre, constatando-se também que os casos reportados relacionados com os municípios tinham vindo a subir: 32.9% em 2015, 35% em 2016, 44.6% em 2017 e 48% em 2018;

 – Também de acordo com o referido artigo: “48% (num total de 288) estão relacionados com autarquias, a maioria provenientes de câmaras municipais (223), seguidos de juntas de freguesia (56) e de empresas municipais (9)”;

– Por outro lado, em notícia veiculada pelo Jornal Expresso em 16 de Março de 2021, referia-se que o Relatório do mesmo CPC, relativo aos dados reportados em 2020, “enfatiza que a área da Administração Local é, uma vez mais, a que surge mais representada, estando associada a mais de metade (51,8%) dos reportes judiciais”;

– Mais se afirmava que: as “autarquias lideram as queixas, mas mais de metade acabam em arquivamento. Corrupção e peculato dominam os motivos para abertura de Processos.”

– Na mesma notícia, referia-se ainda que a ausência de indícios ou elementos probatórios e as dificuldades na realização da investigação criminal para a recolha de indícios e provas nestes crimes económico-financeiros, foi a explicação dada pelo CPC para o arquivamento de 52% das queixas e para a condenação apenas de 10 processos abertos em tribunal…

Em resumo, não pode deixar de causar muita apreensão a possibilidade de a descentralização administrativa da Escola Pública, agora anunciada, venha a ser dominada pelosdesígnios de potenciais caciques políticos, quase sempre muito ávidos de poderem exercer a respectiva influência e sobre os quais recaem, muitas vezes, as mais variadas suspeitas da prática de actos ilícitos…

Num país onde falta “maturidade democrática” e onde o lobbying raramente é assumido de forma transparente e lícita, o mais comum é criarem-se teias de interesses, de influências e de pressões, quase sempre exercidas na tentativa de interferir na tomada de determinadas decisões, com o intuito previsível de conseguir obter vantagens ou benefícios, individuais ou de grupo, muitas vezes ilegais e clandestinos…

Num país de “comadres e de compadres”, costuma ser muito fácil resvalar para o estabelecimento de relações duvidosas, obscuras e “perigosas”, frequentemente dominadas por interesses do clientelismo partidário…

– Nos termos anteriores, será possível, à partida e de forma generalizada, confiar na idoneidade, nos princípios éticos e morais, na credibilidade e na boa-fé dos dirigentes do Poder Regional e Local, qualidades imprescindíveis ao desempenho dos respectivos cargos?

– Ainda que as condenações em Tribunal apresentem uma baixa percentagem, pelos motivos apontados no Relatório do Conselho de Prevenção da Corrupção publicado em 2021, será possível ignorar as muitas suspeitas de corrupção, peculato, participação económica em negócio ou abuso de autoridade/poder, que recorrentemente são dadas a conhecer pelos meios de comunicação social, envolvendo titulares de cargos do Poder Local?

– As CCDR, agora investidas de novos poderes e de uma renovada orgânica, conseguirão resistir e não ceder à tentação de se servirem da Escola Pública, em prol de determinados interesses e directrizes partidários?

Todas as reservas anteriores, relativas ao funcionamento futuro das CCDR, aliadas à sobranceria e arrogância políticas, bem visíveis no 1º Ministro António Costa à data presente, talvez excessivamente confiante na maioria absoluta em termos parlamentares, permitirão prever o pior para a Escola Pública até ao final da presente Legislatura…

Bastará atentar no teor da entrevista concedida por António Costa à Revista Visão, publicada em 14 de Dezembro de 2022: “Vão ser quatro anos, habituem-se!”, para se perceber o actual retrato político do 1º Ministro e o que isso poderá significar, designadamente para a Escola Pública…

O actual movimento de contestação às Políticas Educativas, desarrazoadas, obstinadas e alheadas da realidade que se vive nas escolas, impostas pelo Ministro da Educação João Costa, não pode parar, sob pena de a Escola Pública ficar “reduzida a cinzas” e de, irremediavelmente, se cumprir o que começou a ser desenhado por Maria de Lurdes Rodrigues entre 2005 e 2009…

Os profissionais de Educação não podem continuar a “pagar a factura” da incompetência alheia…

Nota final: “Foi bonita a festa, pá” (Chico Buarque)

Na Manifestação deste Sábado em Lisboa, o que eu senti foi essencialmente isto:

Um verdadeiro “mar de gente” unida, como há muito tempo não se via!

(Paula Dias)

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Milhares de professores na rua: “É incrível esta adesão. A classe despertou”

O líder do Stop diz-se surpreendido com a adesão à manifestação de professores. Pré-avisos de greve mantêm-se. Encontro nacional marcado para 27 de Dezembro.

Milhares de professores na rua: “É incrível esta adesão. A classe despertou”

 

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Os professores devem ser os primeiros a alterar as expressões com animais

 

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Ministro surpreendido com greve de professores enquanto decorrem negociações

O ministro da Educação, João Costa, mostrou-se esta sexta-feira surpreendido com a greve de professores em curso, argumentando que estão a decorrer negociações com os sindicatos, nas quais o executivo está de boa-fé.

Ministro surpreendido com greve de professores enquanto decorrem negociações

Em declarações aos jornalistas após ter sido vaiado por dezenas de professores ao chegar à Escola Secundaria Marques de Castilho, em Águeda, distrito de Aveiro, o governante referiu-se a uma “guerra de sindicatos” para alegar que os representantes dos professores não estão todos unidos nos protestos.

Referindo-se à greve em curso desde 09 de dezembro, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores (STOP.), o ministro acusou o dirigente sindical André Pestana de mentir, garantindo que não há qualquer processo de municipalização da contratação de professores.

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Avaliação por quotas explicada aos pais e Enc. de Educação – António Costa

É isto, explicado aos pais, de forma pedagógica, o que seria o método de avaliação e colocação de professores aplicado aos alunos.
“Estimado(a) Encarregado(a) de Educação:
Em linha com a política de avaliação do Ministério da Educação (ME), comunico a V. Exa. que neste período/semestre apenas poderei atribuir uma classificação 5 e três classificações 4 na turma do/da seu/sua educando(a), dado que para o ministério não é legítimo vulgarizar a excelência ou considerar que muitos alunos são muito bons. Alerto que este número de 5s e de 4s pode ainda diminuir caso haja demasiados 5s e 4s na Escola, pois isso passaria uma indesejável imagem de facilitismo.
Aproveito para informar que o/a seu/sua educando(a) tem algumas faltas contabilizadas. Não por não ter estado presente, mas porque o ME considera que uma parte das presenças na escola não deve ser contabilizada. Daqui decorre que mesmo que o/a seu/sua educando(a) tenha estado permanentemente nas aulas, só se pode contabilizar uma parte dessas presenças, com efeitos na progressão.
Por fim, quero adverti-lo(a) que não fica garantida a inclusão do/da seu/sua educando(a) nesta turma no próximo ano, dado que a inclusão na turma dependerá de um perfil adequado de competências que será avaliado por peritos da Comunidade Intermunicipal ou da CCDR a que pertencemos (de acordo com a Resolução nº 123/2022 do Conselho de Ministros, de 14 de dezembro). Deve, pois, regularizar com brevidade a marquise fechada nas traseiras ou o anexo do fundo do jardim, bem como ter em dia o seu IMI, sob pena de não ser garantido o acesso do/da seu/sua educando(a) à turma. Seria indesejável ver o/a _________ empurrado(a) para um mapa de alunos itinerantes do qual poderá resultar uma colocação noutro local da nossa CIM, no qual encaixe melhor o seu perfil. Neste caso, deve V. Exa. providenciar para que a família, os respetivos empregos e os dependentes mudem também para esse local, dado que o/a aluno(a) menor deve viver onde estuda e não estudar onde vive.
Caso esta missiva o/a surpreenda, queira juntar-se-me, ou aos restantes professores que comigo têm estado à chuva à porta da escola. Esclarecê-lo(a)-emos com maior detalhe sobre o teor da mesma.
Com os melhores cumprimentos,
O/A DT”

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Mais uma batalha ganha nesta Greve

 

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Professores em greve todo o mês de janeiro

Protesto é agendado pelo sindicato STOP, dando continuidade à paralisação que já cumpriram entre 9 e 16 de dezembro.

Professores em greve todo o mês de janeiro

O Sindicato de Todos os Professores (STOP) agendou nova greve para todo mês de janeiro. A notícia foi confirmada à Renascença por fonte sindical.

O protesto dá continuidade à greve que começou a 9 de dezembro e prolonga-se até dia 16, sexta-feira, último dia do primeiro período.

Entre as principais reivindicações, o STOP aponta “questões fundamentais do passado não resolvidas”, defendendo, desde logo, a contabilização de todo o tempo de serviço, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões e a possibilidade de aposentação sem penalização após 36 anos de serviço.

O coordenador do STOP, André Pestana, avisa que os docentes estão determinados na defesa da profissão.

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Apelo à mobilização dos professores: manifestem-se!

O que está em causa é demasiado grave para que continuemos na apatia, amarrados a um sindicalismo bacoco. Felizmente são cada vez mais aqueles que publicamente demonstram o seu apoio aos professores.

Apelo à mobilização dos professores: manifestem-se!

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Professor do Ano 2022 ensina Biologia e Geologia em Peniche

Francisco Félix Dias é professor de Biologia e Geologia na Escola Secundária de Peniche e o facto de levar os alunos a visitar a natureza terá sido uma das razões que o levou a ganhar o prémio Professor do Ano 2022 da Casa das Ciências. “Como a minha escola está muito próxima da zona litoral, tudo o que for possível fazer em aula de campo, nomeadamente no que respeita à geologia, é a principal estratégia”, contou o premiado ao JN.

Professor do Ano 2022 ensina Biologia e Geologia em Peniche

 

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Há cada vez mais professores em greve por todo o país, garante sindicato

Adesão à greve por tempo indeterminado convocada pelo Stop tem sido particularmente forte nas regiões do Grande Porto, Grande Lisboa e Algarve, informa dirigente sindical.

Há cada vez mais professores em greve por todo o país, garante sindicato

“Não aceitamos que nos atropelem mais.” O desabafo é de uma professora da Escola Secundária de Alpendurada, Estela Freitas, que cumpre nesta quarta-feira o seu quarto dia de greve, em conjunto com muitos dos docentes do agrupamento situado no concelho de Marco de Canaveses.

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Listas Definitivas – Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste

 

Publicam-se as Listas Definitivas dos candidatos admitidos, excluídos e selecionados referentes ao Procedimento Concursal com vista à constituição de uma bolsa anual de docentes para o exercício de funções no Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste, em 2023.

Listas Definitivas dos candidatos admitidos, excluídos e selecionados – Projeto C.A.F.E. em Timor-Leste em 2023

 

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Professores, por vós, não sejais “anjinhos”!

 

O Ministro da Educação, quiçá, deveras preocupado com os Professores, indivíduos, plausivelmente, tidos por si como influenciáveis, vulneráveis, indefesos e tolos, afirmou recentemente que:

“Os professores estão a ser vítimas de uma campanha de manipulação por parte dos sindicatos que nós obviamente rejeitamos!” (João Costa no Twitter, em 12 de Dezembro de 2022)…

Professores, confiais nas palavras do Ministro que tutela a vossa actividade profissional?

Professores, acreditais na pretensa preocupação do Ministro que tutela a vossa actividade profissional?

Professores, considerais esta afirmação do Ministro que tutela a vossa actividade profissional como genuína e sincera ou, até mesmo, como comovente e enternecedora?

Professores, conseguistes evitar um esgar sarcástico ou um sorrisinho maroto, após a leitura da referida afirmação do Ministro que tutela a vossa actividade profissional?

Os Professores que, em remota hipótese, possam ter respondido “Sim” a todas as questões anteriores, correrão o risco sério de serem considerados como uns “anjinhos” e não se espera deles que façam qualquer tipo de Greve, nem que contestem o que quer que seja que o Ministro decrete…

Os Professores que tenham respondido “Não” a todas as questões anteriores, não poderão ser considerados como “vítimas” por ninguém, estarão bem “acordados” e parecem dispostos a lutar por aquilo em que acreditam, nomeadamente através da adesão à Greve por tempo indeterminado…

Os Professores que tenham respondido “Não” a todas as questões anteriores, acreditarão na luta pelos seus direitos e pretensões e não vão em balelas, destinadas a disfarçar o medo da contestação e o seu êxito…

Os Professores que tenham respondido “Não” a todas as questões anteriores, não “atiram a toalha ao chão”, não desistem da luta e não se resignam…

Professores, por vós, não sejais “anjinhos”!

 

(Paula Dias)

 

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Comunicado de Pedro Abrunhosa sobre a Luta dos Professores

 

 

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Não tirem a Cor à Educação

 

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Escolas “forçadas” a cortar aulas práticas

 

Desdobramento de turmas só é possível se as unidades tiverem um parecer favorável da Anqep. Diretores criticam documento enviado já depois da aprovação de horários.

Escolas “forçadas” a cortar aulas práticas

Há diretores e professores aflitos por considerarem não ter outra solução senão cortar nas aulas práticas dos cursos profissionais. Alertam que os milhões da “bazuca” destinados aos centros tecnológicos vão acabar por não ser devidamente aproveitados pelos alunos, que passarão a ter mais horas teóricas em salas normais por muitas unidades não terem desdobramento de turma. É uma troca de acusações entre escolas e tutela, que já levou um grupo de pais a lançar uma carta de repúdio.

O Ministério da Educação garante que não aprovou novas regras. Até ao ano letivo anterior, as escolas tinham de indicar e solicitar autorização para as disciplinas que queriam lecionar com as turmas divididas, mas, em agosto passado, receberam um documento que já lista as unidades com parecer favorável para o desdobramento e só algumas obtiveram esse aval.

A intenção era “agilizar” o processo e evitar que os diretores pedissem desdobramentos para unidades com parecer desfavorável, depois de, no ano letivo passado, o número de pedidos ter “disparado”, explicou o ministério ao JN, sem revelar valores. Diretores e professores garantem que a avaliação feita pela Agência Nacional de Qualificação (Anqep) é “incoerente” e vai ter consequências na qualidade do ensino.

“O vólei tem parecer favorável, mas o basquetebol não; o futebol tem, o râguebi não. Não faz sentido e há exemplos em todas as áreas”, aponta Luís Samuel Fabião, subdiretor da Secundária Rocha Peixoto, na Póvoa do Varzim, que tem 17 turmas em cursos profissionais. “Como é possível Higiene e Segurança no Trabalho, uma unidade teórica, ter parecer favorável [para desdobramento] e todas as unidades de Eletrónica Digital, que são aulas práticas, não? Máquinas Elétricas de Corrente Contínua não têm e de Corrente Alternada sim”, critica Ricardo Pereira. Para o professor de Eletrónica, o objetivo é a “redução” de docentes.

 

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Não são os professores que devem ser escolhidos pelos “notáveis”,

Há uns anos a professora de matemática dos meus filhos (com a qual ninguém na turma precisava de explicações privadas ) encontrou-me no supermercado e disse-me que tinha pedido a reforma antecipada. Não se podia fazer nada inovador, “interessante com os miúdos”, não por causa dos miúdos! – ela tinha sido transformada numa “máquina de preparação para exames”, “deixou de ter pachorra” – “o director até me chamou para perguntar porque eu tinha ido para o pátio, onde havia um pequeno lago redondo”, explicar, se me lembro bem, algo como cálculo de formas geométricas. Com cada vez menos autonomia, imposta pelos directores nomeados e pela padronização “por baixo” dos exames, ela, cuja função era ensinar matemática a toda a turma, de forma apaixonante, desistiu.

Estávamos então a fazer o inquérito às condições de trabalho dos professores, em que 19 mil responderam a 158 questões (uma taxa muito superior a qualquer sondagem realizada em Portugal), a taxa dos que desejavam reformar-se era mais de 80% bem como de exaustão emocional – mais de 70%. Uma professora escreveu-nos, está publicado no livro do estudo, que saiu há 2 meses, que se sentiu mais acarinhada no IPO, onde tratava um cancro, do que na escola…Temos dezenas de testemunhos de professores que preferiram sair com menos dinheiro do que continuar a exercer “uma mentira”, em péssimas condições, depois das reformas Crato/Lurdes Rodrigues. Uma delas foi minha professora de história, cuja paixão e seriedade com que ensinou na escola pública foram determinantes para a minha vida. Agradeço-lhe, para sempre.

Não há progressão na carreira e isso acabou com a carreira – os professores de facto ficam toda a vida a ganhar o mesmo (1200 ou 1400 euros, hoje um salário mínimo em Lisboa ou Porto), porque através da avaliação individual de desempenho com quotas apenas um ou dois – e de acordo com a pontuação da escola ( o que inflaciona as notas, obrigando-os a mentir nas avaliações, segundo os testemunhos que recolhemos) – progredirem. Pode haver 20 excelentes, mas só um pode passar. Imaginem eu dizer isto aos meus alunos, vão fazer um teste, todos podem ter 20, mas só um terá direito a passar com 20. Uma criança de 6 anos acharia uma injustiça, o Ministério e o Governo não.
Acresce que a reforma agora é calculada de acordo com média dos 14 melhores anos – ou seja, vão ter uma vida triste sem acesso a bens de lazer na reforma.

À falta de autonomia, aos directores nomeados em vez de eleitos pelos pares, à ausência de cooperação imposta pela avaliação de desempenho, aos programas de “aprendizagens essenciais” (pressionados pelos empresários que querem trabalho barato) que retiram toda a paixão do conhecimento, ficando “tarefas” e “competências” desinteressantes, para alunos e professores, que aumentam a indisciplina, junta-se a cereja no bolo – a municipalização das escolas, em que deixa de haver um concurso onde são colocados pelas notas e passam a ser escolhidos, por um grupo de “notáveis” – sabe-se o futuro, a passar esta lei, os municípios mais ricos vão escolher e pagar mais a alguns professores, os outros vão sendo colocados em escolas piores, no fundo aquilo que já se fazia com as turmas – A para os melhores até ao J – para os desgraçados – passar a ser o modelo nacional. A isto vai-se juntar o apadrinhamento político, a perseguição, os favores, o assédio, como vão estes professores, na mão de empresários/municípios, que decidem os seus destinos, fazer greve ou contestar seja o que for?

O que está em causa nas escolas não é mais um retrocesso social imposto aos professores. É a destruição completa do que resta da escola pública onde ainda havia nichos de qualidade – os professores serão uma espécie de ubers da educação, levados de vila para vila, serão prestadores de serviços. Daí a importância, para todos nós, desta greve. Como mãe usei todas as estratégias individuais e privadas para dar a melhor educação aos meus filhos e “safei-os”, em parte, da degradação a que fui assistindo como investigadora. Mas como cidadã deste país digo-vos que as nossas soluções individuais – recorrer as explicações ou colocá-los em escolas privadas muito boas – além de caríssimas, não resolvem a questão fundamental do país. E por isso não resolvem os problemas dos nossos filhos. Que país queremos para eles?

A escola precisa de olhar os professores como intelectuais (sim, é uma profissão intelectual), com autonomia, recuperar a noção de currículo contra as “competências”, dar espaço pedagógico para que as aulas sejam apaixonantes, isso só se faz com conhecimento denso e profundo, precisa de ser uma escola que não desiste nem nivela por baixo, mas que ensina o melhor de tudo a todos (qualidade massificada, sim!); precisa de voltar a ter gestão democrática, eleição entre pares, avaliação colectiva, progressão sem quotas, cursos superiores com componente científica de 5 anos (e não de 3), e é preciso discutir de uma vez por todas se queremos ou não dar o melhor de qualidade a todos ou nivelamos sempre por baixo adaptando o currículo ao mercado de trabalho, pobre e desinteressante. Os notáveis, e os municípios, na sua maioria, são empresários que querem trabalho barato e pouco qualificado e os professores, com a municipalização, são uma peça deste jogo.
A escola tem que debater e combater (é isso que esta greve faz!) a transformação dos professores em ubers digitais que formam alunos ubers digitais. A escola, afirmou-se, contra Deus e o Mercado, em defesa do Conhecimento, não pode servir o Mercado, tem que servir o conhecimento.

Este é um debate por se fazer em Portugal, a greve que está em curso coloca o dedo na ferida de algumas destas questões e demonstra que, ao contrário de uma parte do país dirigente, contente com este rumo, os professores querem transformar e questionar decisões, tomadas sem os ouvir, sem os compreender, sem os escutar. Têm o meu apoio. A escola serve para dar aos alunos o melhor do conhecimento produzido pela humanidade, não serve, não pode servir, o Mercado. O Mercado tem que ser dominado pela democracia e pelo conhecimento.

Não são os professores que devem ser escolhidos pelos “notáveis”, são os notáveis que devem ser escolhidos pelos professores. E assim deixariam de ser notáveis, que no fundo, é a Democracia.

 

Raquel Varela

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Da caminhada dos professores e das palavras vãs – Paulo Prudêncio

 

Da caminhada dos professores e das palavras vãs

Os professores têm quase duas décadas de devassa mediática da sua profissionalidade e de acção contra as políticas aplicadas pela primeira maioria do PS (2006) com consequências graves e indesmentíveis. E estão também cansados de palavras inconsequentes.

Para além disso, a repetida crítica a blogues e movimentos já tem história desde 2008; e olhe-se para onde estão agora os diversos protagonistas para se perceber como eram infundadas a maioria das críticas à cidadania dos professores.

Por outro lado, depois da tal maioria do PS governou uma coligação PSD e CDS (com muitos dos novos partidos mais à direita como dirigentes ou fervorosos apoiantes), seguiu-se uma coligação PS, BE e PCP e voltámos a outra maioria PS. E nada mudou: pelo contrário.

Por isso, é crucial a resposta à interrogação: onde estavas em 2009, 2013, 2018 e 2022? Depois, a objectividade exige a publicação de opinião sobre a recuperação do tempo de serviço, a carreira, a avaliação, a gestão das escolas e os concursos.

 

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Isto está mesmo mal… já chegamos ao ponto de termos rusgas nas escolas.

Estão envolvidas nas buscas equipas de investigação criminal, patrulhas cinotécnicas e Escola Segura.

GNR realiza buscas em escola de Águeda para detetar armas ilegais na posse de alunos

A GNR realizou buscas, no âmbito da fiscalização e prevenção de crimes, na escola Adolfo Portela, em Águeda, desde o início desta manhã de segunda-feira.

A operação teve como objetivo principal a deteção de armas ilegais na posse de alunos.

Estiveram envolvidos nas buscas 24 operacionais e oito binómios, conjunto formado por dois elementos, neste caso o homem e o cão. 

Não foram detetadas armas nas buscas.  Um aluno tinha na sua posse 10 gramas de estupefacientes, uma quantidade que não é considerada crime, pelo que o aluno foi, apenas, identificado. 

 

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Professores queixam-se muitas vezes com razão das suas condições

 

 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou hoje que os professores se queixam “muitas vezes com razão das suas condições”, ao ser recebido em Ourém com um protesto de docentes.

Professores queixam-se muitas vezes com razão das suas condições

“Eles são fundamentais e queixam-se e queixam-se e queixam-se muitas vezes com razão das suas condições. E, naturalmente, que essa é uma preocupação que eu, como professor, acompanho desde sempre”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em Ourém, onde hoje foi recebido junto à Escola Básica e Secundária por professores em protesto no segundo dia de greve por tempo indeterminado convocada pelo Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.).

O chefe de Estado adiantou que os docentes “estão a pensar, sobretudo nos professores do básico e do secundário”, mas o problema é geral “a todos os graus de ensino”.

“É uma preocupação, em muitos casos, muito justa”, declarou, considerando que “os professores são do mais importante” que o país tem, “conjuntamente com o pessoal de saúde, dentro da função pública, porque tudo começa na saúde e depois continua na educação”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, as duas áreas “estão muito ligadas e são fundamentais para garantir a justiça, a igualdade e o progresso do país”.

À chegada, professores e alunos cantaram os parabéns ao Presidente da República, que completa hoje 74 anos, e uma professora em protesto entregou ao Presidente da República livros escritos por um aluno da escola.

“Esses são os méritos da escola”, declarou a docente ao chefe de Estado, ao que Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou: “Em particular da escola pública”.

Sobre a oferta, disse que “é o melhor presente” que lhe podiam dar.

“Eu adoro livros, sou professor, e um livro de um aluno quer dizer muito sobre aquilo que os professores fazem todos os dias e, muitas vezes, em condições dificílimas”, referiu, apontando, por exemplo, a pandemia de covid-19 ou os problemas que têm no seu estatuto.

Cerca de 40 professores concentraram-se hoje junto à Escola Básica e Secundária de Ourém, no distrito de Santarém, onde o Presidente da República está a dar uma aula debate.

O S.TO.P. convocou uma greve por tempo indeterminado, desde 09 de dezembro, em protesto contra as propostas de alteração aos concursos e para exigir respostas a problemas antigos.

Em comunicado, o sindicato, que representa cerca de 1.300 docentes, refere que a “forma de luta inédita” resulta de uma sondagem realizada no blogue ArLindo, em que 1.720 pessoas apoiaram a realização de uma greve por tempo indeterminado.

Entre as principais reivindicações, o S.TO.P. aponta “questões fundamentais do passado não resolvidas”, defendendo, desde logo, a contabilização de todo o tempo de serviço, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões e a possibilidade de aposentação sem penalização após 36 anos de serviço.

Critica também as alterações recentes ao regime de mobilidade por doença, as ultrapassagens na progressão da carreira docente e reivindica soluções para os professores em monodocência e uma avaliação sem quotas.

A greve é igualmente uma resposta às propostas do Ministério da Educação para a revisão do regime de recrutamento e mobilidade do pessoal docente, que está a ser negociada entre a tutela e os sindicatos do setor.

 

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Marcelo também foi presenteado com uma manifestação de professores

 

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MINISTRO recebido ruidosamente no Fórum Cultural de Alcochete

 

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Os Técnicos do Ministério da Educação continuam em luta!

 Os técnicos especializados da educação que exercem funções nas escolas, sob alçada do Ministério da Educação, continuam a exercer as suas intervenções em condições precárias, sujeitos a mecanismos de contratação completamente desajustadas das reais necessidades das escolas.Por sua vez, centenas de técnicos superioresficaram vinculados em escolas muito distantes da sua residência e família, estando também sujeitos a condições de trabalho e vida ainda muito difíceis, sendo mesmo considerado um atentado aos direitos fundamentais contemplados na diretiva comunitária de 2 de agosto, que promove a conciliação entre a vida familiar e profissional.  

Apesar das inúmeras tentativas de comunicação com as várias entidades responsáveis, apelando ao bom senso, e mesmo depois de os técnicos manifestarem ao Ministério da Educação a sua abertura para a negociação de formas de contratação e vinculação e para a possibilidade de consolidarem mais perto da área de residência, continuam a ser ignorados e maltratados por um ministro que se diz preocupado com a saúde mental dos alunos e da comunidade educativa.

Como forma de demonstrar o seu descontentamento, os técnicos da educação,  nomeadamente psicólogos, terapeutas da fala, assistentes sociais, intérpretes de língua gestual portuguesa, educadores sociais, entre outros, agendaram uma manifestação para dia 17 de dezembro, às 11h00 , em frente à câmara municipal do Porto, tendo subjacente o fim da precariedade, a conclusão do PREVPAP, o direito à consolidação perto da zona de residência, o direito a uma mais rápida progressão e à criação de uma carreira especial na qual esteja salvaguardada o acesso a uma profissão condigna.

Para além disso, são autores de duas petições públicas nas quais podem ser percebidas as verdadeiras razões pelas quais os técnicos estão insatisfeitos, começando a verificar-se a sua saída do Ministério da Educação para outros ministérios, ficando os alunos com graves lacunas a nível da intervenção especializada.

Apelamos à solidariedade de toda a comunidade educativa para que assine as petições e para que nos ajudem a divulgá-las.

 

Para o Direito à Consolidação da Mobilidade Geográfica

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114380

 

Pela não inclusão dos técnicos no processo de municipalização

https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT114381

Juntos podemos contribuir para mudar o rumo do estado atual da Educação em Portugal.

 

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O silêncio costumava ser de ouro

Fenprof contra paralisação por tempo indeterminado e táticas utilizadas nesta paralização.

Greve dos professores abre conflito entre sindicatos

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) está a contestar a opção pela greve por tempo indeterminado, marcada pelo Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P.) e em vigor desde quinta-feira. 

“Não chegámos a um ponto de rutura para fazer greve por tempo indeterminado. Não contestamos a legitimidade da greve e percebemos quem adere, porque há muita insatisfação, mas a forma como está a ser concretizada.

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Professores, temos e teremos aquilo que merecemos! – Alberto Veronesi

A classe docente tem sido, sucessivamente, sobretudo durante as duas últimas décadas, altamente atacada e desprestigiada, pelos diversos governos, sem que tenha podido contar com ajuda significativa dos sindicatos na defesa dos seus interesses. Nas grandes manifestações de 2008, os sindicatos foram apenas arrastados , pois foram incapazes de, com firmeza, indicar o caminho. Bem sabemos que o core da sua existência são os problemas não resolvidos. Mas é demasiado evidente a letargia em que caíram, que visa garantir os próprios lugares atuais dos seus dirigentes e as suas possíveis ambições futuras.

O último trimestre de 2022 será recordado para sempre como sendo o período em que, mais uma vez, os professores se acobardaram, por serem seguidistas dos sindicatos do sistema, manietados aos partidos.

Mais do que falar das atitudes do ministro, que num dia diz uma coisa e no outro o seu contrário, quero focar-me na atitude dos meus colegas professores.

Sobre a gravidade da situação já aqui comentei, sobre a postura dos professores fá-lo-ei nas próximas linhas, como forma de autocrítica e dando conta de que de uma maneira geral cada um tem aquilo que merece.

O enraizamento na classe docente à postura a que costuma chamar de “professor missionário” tem ajudado à degradação e ao próprio desprestígio da classe docente. A transformação profissional que nos foi sendo incutida com as políticas públicas da escola a tempo inteiro, da escola como suporte socioeconómico, como cuidadora ou mesmo guardadora dos alunos, têm-nos feito caminhar para a proletarização da profissão. Deixámos de ser professores para ser missionários, deixámos de ser intelectuais para sermos executadores de fim de linha. Uma transformação consumada, sem que tivesse havido sobressaltos de estranheza e resistência.

Quando o ministro da Educação tem afirmações que colocam em causa a idoneidade e seriedade dos professores, numa ação concertada para os espezinhar, poucos são os que se revoltam, poucos são os que chegam a sentir. E como diz o ditado, quem não sente não é filho de boa gente. Perante tal apatia, cresce a arrogância e a prepotência em forma de continuadas afirmações, que diminuem a nossa imagem social. Como dizia a malograda Maria de Lurdes Rodrigues, perdendo os professores mas ganhando os pais, para, enfim, poder delapidar a profissão.

Perante as atrocidades que o ministro pretende fazer à carreira docente, com consequências de gravidade máxima na vida de milhares de professores, e constatando que os sindicatos do sistema se acobardam de agir assertivamente, o que fazem os professores?

Acobardam-se igualmente! Ao invés de, corajosamente, agirem em concordância com tamanhas intenções maliciosas, ajudados pelos pré-avisos de greve por tempo indeterminado do irreverente e menosprezado sindicato S.TO.P, preferem fingir que o problema não é deles. Descosem-se em desculpas do mais caricato que possa existir e ainda acusam os sindicatos de nada fazerem.

Todos os governos percecionam esta apatia globalizada na classe e só por isso se sentem poderosos o suficiente para fazerem de nós aquilo que quiserem. Mal sabemos a força que poderíamos ter se assim quiséssemos, se conseguíssemos ser livres e informados, como convinha que fossemos. Pela profissão que desempenhamos, poderíamos parar o país e obrigar qualquer governo, com ou sem maioria, a ouvir e atender as nossas reivindicações.

Deixemos as missões para os missionários, assumamos a nossa condição de professor, encaremos a nobreza da nossa profissão, respeitando-a.

Durante décadas, a ideia de professor missionário foi passando e agora até temos colegas que vêem com algum desdém aqueles que tentam, aqui ou ali, acordá-los da letargia em que se encontram e com eles todo o ensino!

O prestígio de uma classe constrói-se mostrando caráter. Constrói-se de dentro para fora, somos nós que temos de mostrar que respeitamos a profissão e por isso exigimos ter uma palavra a dizer. Mesmo que o caráter tenha faltado vezes de mais aos dirigentes sindicais, que deram por estes dias mais um sinal disso mesmo, exceção feita ao S.TO.P., que tem tentado fazer aquilo que ainda não foi feito, mas que se vê boicotado pelos demais, devemos ser nós a agir. Não podemos ser carneiros seguidistas de um qualquer sindicalista manietado.

Soltemo-nos, libertemo-nos das amarras que tão pouco ou nada têm feito por nós.

Custa-me muito perceber que a culpa de estarmos onde estamos é sobretudo nossa, dos professores. Dos apáticos, dos que se descosem em desculpas para se manterem inertes, dos missionários, dos executadores.

É de forma consciente que afirmo que a culpa de estarmos nesta situação é dos professores. Porque acham que, dando um exemplo, somos a única classe profissional que não viu recuperado o tempo de serviço? A hora de agir é agora, não em março, numa qualquer manifestação primaveril, com o folclore habitual.

Se não agirmos agora, se não mostrarmos que estamos efetivamente contra todas as alterações que o ministro quer impor, teremos aquilo que merecemos.

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TODOS, PROFESSORES E SINDICATOS, A UMA SÓ VOZ!

 

TODOS, PROFESSORES E SINDICATOS, A UMA SÓ VOZ!

Para: Todos os Sindicatos de Professores

Atendendo às novas propostas apresentadas pelo atual Ministério da Educação que atentam, mais uma vez, contra os direitos dos professores, pondo em causa uma EDUCAÇÃO DE QUALIDADE, os Professores exigem a intervenção, musculada, célere e conjunta, de todos os Sindicatos pela defesa da Escola Pública e da Educação.

“Educação não transforma o mundo. Educação muda Pessoas. Pessoas transformam o mundo.” (Paulo Freire)

“É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.” (José Saramago)

 

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A Educação DEU À(O) COSTA

 

 

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Governo admite partilha de QA entre escolas

 

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Greve de professores com adesão elevada

A greve de professores que teve início, esta sexta-feira, por melhores condições de trabalho está a ter uma adesão elevada, disse fonte do Sindicato de Todos os Professores (S.TO.P), que decretou esta paralisação, que durará por tempo indeterminado.

Greve de professores com adesão elevada

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A educação está novamente num impasse que anuncia uma convulsão com resultados imprevisíveis

 

A educação está novamente num impasse que anuncia uma convulsão com resultados imprevisíveis

O poder de influenciar mudou de instituições estabelecidas para redes dispersas. As redes sociais permitem que se influencie de um modo que seria impensável na entrada do milénio.

É notório que a educação está novamente num impasse que anuncia uma convulsão com resultados imprevisíveis. O Governo terá de recuperar o tempo de serviço dos professores e a plataforma sindical não poderá assinar uma versão que não o contemple. E se a mesa negocial voltou a não valorizar (como em 2008) as redes sociais e a saturação dos profissionais, o executivo adiou o inadiável. Agravar-se-á se a entrada no quadro de professores não continuar a obedecer a um concurso nacional por lista graduada.

Para além disso, há quem pense erradamente que é suficiente esperar pela reforma da geração que está nos últimos 3 a 7 anos de exercício. Se essa geração trabalhou mais 10 a 15 anos que a anterior, e sofreu tantos outros efeitos austeros ou de excessos ideológicos, a geração que tem que percorrer 10, 15 ou mais anos foi também alvo da não contagem do tempo de serviço, das cotas e vagas na avaliação kafkiana, de outros travões na carreira, da condição de contratado anos a fio e de um impensável clima de parcialidade.

 

 

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O momento é agora

É assustador que – à imagem do que aconteceu no passado, quando só em 2008 os professores despertaram para o que já se anunciava antes – também agora uma parte da classe profissional ande adormecida desconhecendo o risco de vir a acordar quando já for demasiado tarde.
Dir-se-ia que nenhum de nós poderá negar o efeito devastador que as políticas dos últimos 17 anos contra os professores tiveram nas nossas vidas. Governos que, sem subtileza no seu desprezo pela nossa profissão, atropelaram aquilo que é o desejo último de qualquer ser humano – a busca pela felicidade. Menosprezaram a importância do nosso ofício, sobrecarregaram-nos de burocracia e trabalho, retiraram-nos autoridade, injuriaram o nosso profissionalismo, roubaram-nos direitos, a carreira, estabilidade profissional e emocional e o nosso-ganha-pão. Em suma, dificultaram as nossas vidas tornando-as num inferno, espalhando sobre nós infelicidade.
Face à nossa passividade, à imagem do que aconteceu em 2008 que queriam acabar com a carreira dos professores, agora o governo está a propor acabar, não só com o Estatuto da Carreira Docente, como os vínculos e a estabilidade profissionais e empurrar-nos para longe das nossas famílias, independentemente da idade ou situação profissional de cada um de nós.
Que não restem dúvidas, ninguém está a salvo! A concretizar-se esta proposta do MEC, este será o último prego no caixão da carreira de professor e da Escola Pública.
Assim, em rigor, face a este golpe final na vida profissional e privada de cada um de nós, nada tenho de mais importante do que vir aqui falar-vos de algo que já é hora de ser dito: chegou o momento de deitar abaixo todos os muros que levantaram entre nós e de nos unirmos a uma só voz; uma voz uníssona que fale por todos, mais novos e mais velhos, vinculados e contratados, que trabalham perto ou longe da família, de todos os níveis de ensino e de todos os grupos disciplinares, porque, no fundo, todos fomos e vamos ser vítimas do mesmo ataque; porque, no fundo, na angústia e nos sonhos somos todos iguais, somos todos professores, alvos de políticas destruidoras da dignidade profissional e humana.
Chegou agora o momento pelo qual tantos clamavam e há muito esperávamos; o momento em que, não havendo professor que esteja satisfeito por tudo o que nos tiraram, para lá das nossas diferenças, reconhecermos ser muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa; o momento de, mais do que nunca, fazermos esta luta juntos, como uma só classe enquanto ainda é tempo, pois, pelo que já foi anunciado, em breve deixaremos de ser uma classe e de termos oportunidade de lutarmos pelos nossos direitos.
Caros colegas, não fomos nós quem escolheu este caminho. Fomos encurralados e empurrados até este momento desesperado, até este acontecimento inevitável de contenda que se avizinha, por não nos ter sido dada outra saída. Ignoraram as nossas palavras, os nossos argumentos, as nossas súplicas, os nossos motivos, a nossa existência. Já não somos consultados, não somos respeitados, não somos considerados, não somos ninguém aos olhos de quem nos reduziu à insignificância de um número. Reduzidos à categoria de restos da sociedade, atiraram-nos para o canto encostados a um muro de indiferença onde se encontram despedaçados os nossos sonhos aos quais nos querem juntar quando silvar a última salva mortal de desprezo que destruirá para sempre uma classe a que, outrora, orgulhosamente se denominava por «Professores».
Mas ainda há uma esperança antes do último sonho morrer… e essa esperança tem um nome invencível: vontade. Se todos os que estamos encurralados neste lugar de segregação vestirmos a mesma vontade, tornaremos impossível matar os nossos sonhos e invencível a nossa razão.
Contrariamente a algumas vozes conformadas que desconhecem que só estão derrotados os que desistem antes sequer de ir à luta, eu acredito em nós; eu acredito que, se fomos capazes de tirar o país de um analfabetismo ancestral e formar alguns dos melhores entre os melhores, também iremos ser capazes de nos superar e alcançar o direito a uma carreira que seja digna e justa para todos. Que compreendamos que, independentemente das nossas diferenças, se há momento para estarmos unidos e juntos, esse momento é agora. Se a nossa força for igual à frustração pelo tratamento que temos vindo a receber por parte da tutela, então, pode acontecer que ninguém nos possa parar.
Sabemos que só seremos uma classe quando todos estivermos bem e todos nós formos respeitados. Nós, os professores. «Nós», uma palavra que daqui em diante nos irá definir num combate que vai ser de todos, para todos e por todos, pois uma coisa vos garanto, esta será uma luta que vamos fazer juntos e da qual ninguém irá ficar de fora. Esta será a luta das nossas vidas! O momento era ontem e foi desperdiçado, hoje será a nossa última oportunidade e amanhã já será demasiado tarde, pelo que, em muito me surpreende o movimento sindical do sistema que, face às propostas devastadoras que o ministério anunciou, se limitou a agendar possíveis formas de luta para – veja-se só – daqui a 3 meses… quando já for demasiado tarde e as propostas já tiverem sido aprovadas em lei; lei que será a sentença final na vida de cada um de nós.
Dirigindo-me à sociedade, digo-vos, que não haja qualquer equívoco sobre a grande luta que irá unir os professores: esta luta não é só pelos professores; é pelo futuro dos vossos filhos, é pela qualidade do ensino e da escola pública, é pela prosperidade do país. Não foram os professores que deterioraram a escola pública, mas os governos. Os professores são o último bastião que tem zelado pela qualidade do ensino em Portugal. É, também, pelos alunos que os professores fazem greve sabendo perder parte do seu ganha-pão nessa luta!
É verdade, colegas, nesta exigente jornada que se aproxima, não estão em causa apenas os nossos direitos, está também em causa o futuro da nação. Esta nossa luta, mais do que pelos direitos de uma classe, é a celebração do direito universal a uma educação de qualidade, do acesso igualitário à cultura e ao conhecimento, de uma oportunidade de futuro para as novas gerações. Temos de ter consciência de que, ao não fazermos este combate, estaríamos não só a trair-nos a nós próprios e a tudo aquilo em que acreditamos, mas também prejudicaríamos os nossos filhos e as gerações vindouras. Seria bom que os pais tomassem consciência de que é preciso toda uma aldeia para educar uma criança e que se incluíssem neste protesto e nesta responsabilidade que não é só nossa, mas de todos.
A este propósito não podemos, evidentemente, alimentar falsas esperanças de que iremos conseguir tudo aquilo que pretendemos, que todos os problemas irão acabar, mas termos a consciência de que conseguiremos muito mais do que se continuássemos de braços caídos. Mas estejam certos de que nunca iremos ficar satisfeitos nem aceitaremos se nos derem as mesmas migalhas que foram acolhidas pelos nossos representantes nas últimas vezes em que empreendemos grandes lutas. Não iremos ficar satisfeitos se mantiverem a proposta de recrutamento de professores mediante critérios pouco transparentes e injustos, enquanto não nos devolverem o tempo de serviço que nos roubaram, não nos reduzirem o tempo de carreira que nos aumentaram e não acabarem com as cotas no acesso ao 5º e 7º escalões. Não iremos ficar satisfeitos se não abrirem vagas e condições de vinculação, não reduzirem quadros de zona, não criarem ajudas de custo para estadias e deslocações e não reduzirem o número de alunos por turma. Não iremos ficar satisfeitos se não reforçarem a autoridade e segurança dos professores, não reduzirem a burocracia e a sobrecarga de trabalho.
Mas, para enfrentar o MEC, o primeiro obstáculo que os professores precisam de vencer é esta passividade dos sindicatos. Temos de lhes exigir que deixem de lado as suas quezílias, os seus interesses particulares e políticos e que façam qualquer coisa de prestável, como se unirem numa luta pelos professores; uma luta forte e para agora. E que fique bem claro que os professores precisam dos sindicatos para os representarem, mas os sindicatos sem os professores simplesmente deixariam de existir.
Em mais uma greve de um dia, em que também eu participei, tanto quanto me pude aperceber, são greves inconsequentes que só servem para perdermos ordenado e encher os cofres do estado (o governo agradece) e nem os noticiários fazem qualquer cobertura anulando o nosso esforço.
É hora de uma luta que só pode dar resultado se acompanhar a estratégia que outras classes profissionais adotaram e que deram excelentes resultados, como os enfermeiros que há bem pouco tempo conseguiram contagem de todo o tempo de serviço para efeitos de progressão de carreira, seja qual for o vínculo.
Só nos resta uma forma de luta dura para, finalmente, sermos ouvidos. Tal como fazem organizações sindicais além-fronteiras, em vez de estarem a gastar dinheiro dos sócios em folhetos, revistas e passeios turísticos de pouco préstimo, durante o tempo de reivindicação deveriam cancelar esses dispêndios e empregar a poupança num fundo de greve para apoiar os professores mais necessitados que estejam em greve. Contudo, tenhamos a noção de que numa greve, por mais difícil que seja, não irá deixar ninguém morrer de fome por perder alguns dias de salário. Tenhamos consciência de que, caso fiquemos doentes, perdemos a mesma quantidade de dinheiro com a agravante de não recebermos nada em troca.
Com uma greve com impacto, estejamos certos de que ao fim de alguns dias causando transtornos aos pais, todos seriam obrigados a nos dar atenção; seriam obrigados a ouvir os professores e o governo obrigado a negociar com os seus representantes.
Todavia, aos sindicatos, não lhes permitiremos que se atrevam a assinar seja o que for sem o consentimento dos professores, como o terão feito no passado traindo os professores e o sacrifício que entregaram à reivindicação.
Estejamos, pois, preparados para sentir toda a espécie de pressão, desde sindicatos, além de alguns pais que virão para a rua, para a frente das escolas e para a comunicação social queixarem-se e fazerem de nós uns irresponsáveis. Iremos sentir a pressão da comunicação social até que, por via das circunstâncias que afetam tudo, começarem a nos ouvir e a fazer uma cobertura constante e debates sobre o que realmente nos afeta a nós e ao ensino. Iremos sentir pressão do governo que usará todos os meios para nos descredibilizar, nos dividir, nos atemorizar e tentar desbaratar a nossa reivindicação, nem que seja com ultimatos como a do primeiro-ministro que em 2018 ameaçou com a sua demissão caso não desmobilizássemos e tivesse de devolver o tempo de serviço roubado aos professores. Iremos sentir pressão de algumas direções das escolas e de alguns colegas. Iremos sentir pressão dentro das nossas próprias casas devido ao esforço financeiro exigido. Mas lembrem-se que ninguém irá fazer esta caminhada sozinho; estarão mil ao vosso lado, a fazer o mesmo esforço, na mesma luta e com a mesma determinação de que, desta vez, ninguém nos irá vergar, ninguém nos voltará a intimidar, ninguém nos voltará a humilhar, ninguém nos irá derrotar.
É compreensível que, com o baixo salário e avultadas despesas dos professores inerentes ao seu trabalho, não irá ser fácil uma greve prolongada, mas sei que só quem se esforça por subir à montanha mais alta terá o privilégio de poder contemplar a melhor paisagem. Por isso, só um combate duro nos poderá trazer uma grande vitória, aquela que há tanto almejamos, aquela que irá definir a nossa carreira profissional, aquela que nos irá definir enquanto professores e definirá o futuro das nossas vidas.
Muitos, antes de nós, há mais de 3 décadas, lutaram e tornaram possível aquilo que tantos julgavam impossível; conquistaram direitos e uma carreira que, na última década e meia, a classe política governativa destruiu. Cabe-nos, agora, a nós, reavermos tudo aquilo que nos tiraram; cabe-nos a nós demonstrar que esses nossos colegas não se sacrificaram em vão, que as suas causas voltarão a ser as nossas causas, que iremos voltar a ser professores de cabeça erguida. Iremos ser o testemunho vivo de que a força da razão vencerá a razão da força.
Tarde de mais, o poder político compreenderá que aquilo que nos une não é o nosso local de trabalho, nem a nossa formação, nem os nossos interesses pessoais que tentaram usar para minar a nossa coesão; irão descobrir que o que nos une é a nossa vontade, uma vontade férrea de vermos devolvido o respeito que a profissão de professor merece; irão descobrir que o seu maior erro foi terem ferido o nosso orgulho e a nossa dignidade profissional e humana.
De boamente, doravante devemos recusar-nos a aceitar que os professores se sintam felizes enquanto houver um professor injustiçado, um docente prejudicado, um colega agredido, vilipendiado ou desrespeitado. Que no futuro, quem ofender um professor saiba que estará a afrontar todos os professores.
Neste momento, o maior medo que tenho é o de me olhar ao espelho e sentir vergonha daquilo que irei ver se me conformar e me mantiver passivo sem fazer nada; vergonha de ter de encarar o rosto da cobardia, da humilhação consentida, da resignação, da falta de carácter, da falta de coragem, da falta de amor por mim e por todos quanto amo e pelos quais vale a pena lutar, pelos quais vale a pena escalar aquela íngreme montanha de insatisfação.
Sem receio, aceitemos que o momento é agora… e já vai tarde.
Que cada um de nós tenha a perfeita consciência de que pessoa alguma fará esta luta por nós.
Assim nós queiramos, poderemos declarar hoje o início da caminhada de luta pela reconquista do orgulho em ser professor. Possamos fazer deste um momento de mudança na história dos professores, na história da educação em Portugal, na história deste país.
Para nós, este confronto não representará um fim, mas o princípio. Irá marcar o início de uma nova era; um tempo em que nenhum governo ousará voltar a infligir maus-tratos aos professores; em que pensarão duas vezes antes de nos atacarem e desprezarem; em que voltaremos a ser ouvidos; em que voltaremos a ser respeitados; em que voltaremos novamente a ser a prestigiada e respeitada classe dos Professores.
Eu tenho um desejo… um desejo não, uma certeza; a certeza de que um dia as pessoas deste país voltarão a perceber a importância desta causa e nos reconheçam aquilo que fizemos por eles e, principalmente, pelos seus filhos e netos.
Eu e todos nós temos a oportunidade de conseguirmos ver devolvido aquilo a que temos direito e nos foi roubado e de melhorar a Educação em Portugal, não mais pelas meras palavras de lamento, mas pela ação.
Que cada um de nós se junte a este sentimento comum e abrace esta causa por todos.
Que a partir de amanhã sejamos uma imensa multidão de mais de cem mil vozes a serem ouvidas em todo o país numa luta que só terá fim quando nos devolverem tudo aquilo que nos roubaram, a dignidade, o respeito e a estabilidade profissional e o pão da nossa mesa.
(Carlos Santos)

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O seu Filho tem direito a…

 

 

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Vigílias da Plataforma Sindical

 

 

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Manifestação de Professores dia 17 de dezembro

 

André Pestana acaba de anunciar, durante uma sessão de esclarecimentos sobre a greve por tempo indeterminado, a organização de uma manifestação, em Lisboa, dia 17 de dezembro.

Para dia 12 de dezembro, já estão marcadas manifestações em frente às Câmaras Municipais de vários municípios.

Já corre nas redes sociais um formulário para a Manifestação Nacional de 17 Dezembro: https://forms.gle/c5JyGx2yTDVyw2c48

 

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O “Conselho de Diretores” ou seja lá o que isso for…

 

Pelo que tenho lido e ouvido, vamos ter uma nova figura com alguma intervenção no concurso docente, o “Conselho local de Diretores”.

Ao contrário do que, também, já ouvi, ainda não questionaram os Diretores sobre mais esta função que lhes querem impingir e atirar para as costas.

A função que terá, já entendi. Terão a responsabilidade de criar um perfil “local” , partindo do princípio das diferentes características de cada Escola, das populações diferenciadas que albergam e das diferentes necessidades e perspetivas educativas.

Isto, na minha perspetiva, significa que será necessária uma maior supervisão, bem como será de primordial importância que haja clareza de objetivos e imparcialidade de atuação por parte do “conselho” num concurso deste tipo, sob pena de subversão de todo o sistema através de práticas de injustiça. Mas isto sou eu a pensar…

Algo que ainda não foi esclarecido é como serão constituídos estes “Conselhos”. Serão ao nível local? Se assim for, no interior do país muitos Diretores reunirão sós, uma vez que na sua localidade só existe um Diretor. Se for ao nível das CIM, será parecido com uma reunião em que todos falam e ninguém se entende. Vamos dar o exemplo da CIM Viseu Dão Lafões. Catorze concelhos, 14 realidades diferentes, 14 populações com perspetivas educativas diferentes. Vinte e quatro AE/ENA, 24 Diretores, 24 Projetos Educativos, muito mais do que 24 perfis diferentes, porque cada escola tem necessidade de diferentes perfis para cada grupo de recrutamento. Ainda temos os perfis para o Ensino Profissional que acrescenta mais uns poucos de perfis à “coisa”.

Isto vai ser uma grande reunião. Mais vale, aos Diretores, começar já a reunir, para, em 2030, se conseguir chegar a um perfil ou pelo menos à conclusão que “não lhes pagam para isto”!!!

Quanto à tal proposta de dividir professores entre vários AE/ENA, Basta deixarem de utilizar os vossos meios de transporte e exigirem horários de acordo com os transportes públicos. Sempre quero ver quem consegue fazer esses horários.

 

 

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