O secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, disse esta quinta-feira que vai encaminhar para a Polícia Judiciária uma carta endereçada por um grupo de professores que denuncia perseguições e ameaças num colégio de Fátima.
“Temos uma carta de professores de um colégio de Fátima a relatar abusos absolutamente inadmissíveis nos horários de trabalho e nos direitos das pessoas, que irá ser entregue na Judiciária”, frisou o dirigente aos jornalistas, no protesto que decorreu esta quinta-feira, em Coimbra, em defesa da escola pública.
(clicar na imagem) in Público




6 comentários
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A FENPROF, numa manifestação de apoio à escola pública, descobriu, que existem professores nas escolas privadas. Mais vale tarde do que nunca.
É sempre positivo que as irregularidades sejam denunciadas. Será talvez menos positivo serem instrumentalizadas para confundir um pouco mais uma questão de fundo.
Do mesmo modo, sendo fundamental a defesa da escola pública estatal, a manifestação de ontem teria um significado diferente se tivesse sido feita em outro tempo. Assim, como reação a uma outra manifestação, soa a falso.
Não se tratou de agradecer ao ministro da educação medidas inovadoras ao nível da liberdade de gestão das escolas estatais, ou critérios mais justos para a contratação de pessoal, ou uma formação profissional de maior qualidade, porque isto este ministro ainda não fez. Não se tratou tão pouco de revindicar seja o que for para a escola pública. Serviu então para o quê?
Soou a frete politico ou, quando muito, um agradecimento da escola estatal, pela eliminação da concorrência. Pareceu uma assunção pública de que, “já que não os conseguimos vencer pela qualidade, vençamo-los pelo financiamento”.
Não foi um bom serviço à escola pública.
“escola pública estatal”? Desculpe, existe, na legislação (Constituição e Lei de Bases) essa denominação? Não creio. Existem escolas públicas e escolas privadas. Ponto. Ainda que a terminologia dê jeito para interpretações manhosas da lei, não venhamos agora com subterfúgios semânticos para levar a água ao nosso (vosso) porto. Ponto.
Cara Cristina Lopes,
Em primeiro lugar, peço desculpa se usei inadvertidamente um pleonasmo. Se preferir leia apenas “estatal”, ou leia apenas “pública” onde eu escrevi “pública estatal”. Mas peço-lhe o favor de não atribuir intenções malévolas ao que para mim é um mero pormenor. Aliás, o pleonasmo, se existe, tem a vantagem de não deixar dúvidas a quem lê.
Em segundo lugar, muito embora não deva satisfações, quero dizer-lhe que não sou dono de qualquer “moinho”. Não tenho filhos em escolas com contrato de associação, não trabalho em escolas com contrato de associação e muito e menos tenho qualquer interesse económico nesse tipo de instituições. Sou professor dos quadros do ministério da educação e o meu interesse poderia ser simplesmente defender o meu “lugarzinho” mas, em vez disso, milito na verdadeira defesa da escola (apetece-me agora dizer “ponto”). A defesa da escola pública (e/ou estatal) onde trabalho faço-a no meu dia-a-dia, dando o meu melhor para que ela preste um bom serviço. Se ela o fizer não precisará de temer a concorrência de qualquer outra.
E não tenho nada contra os que se manifestam em defesa seja do que for. Mas acho que não são os contratos de associação que ameaçam a escola pública. O que prejudica a escola pública é a sua ausência de autonomia, é o excesso de burocracia, é a baralhada no recrutamento de professores, a irracionalidade na gestão de equipamentos, a fantochada da avaliação do pessoal e das próprias escolas… Estas questões, sim, far-me-iam sair à rua.
Já agora, não se esqueçam dos abusos sobre os professores das escolas públicas…. Dois em um dava jeito…
…qual é a admiração, se na escola publica também o fazem e não denunciam?!…
Pois. Ninguém percebe esse súbito interesse pelas perseguições que acontecem nos colégios assim como ninguém entende a preocupação dos sindicatos pelo desemprego dos docentes das escolas com contrato de associação. Essas realidades SEMPRE EXISTIRAM na escola pública e os sindicatos nunca as denunciaram…
Estranho, muito estranho.