Batemos no fundo e já vale tudo?

Um dos problemas mais reportados pelos Professores Classificadores tem sido a ausência de folhas de continuação em muitos Exames, afectando praticamente todas as Disciplinas

 

Acresce-se, também, a existência, muitas vezes relatada, de folhas de resposta com caligrafias diferentes, o que indicia que esses manuscritos não pertencerão ao mesmo aluno, em certos Exames

 

O problema da falta de folhas de continuação foi, aliás, assinalado logo no início do processo de classificação dos Exames, mas, por inacreditável que pareça, ainda não foi resolvido, nem sequer apresentada qualquer explicação oficial para esta ocorrência…

 

Entretanto, fazendo fé em alguns testemunhos, o EduQA e o JNE terão comunicado que se prevêem duas actualizaçõesque, alegadamente, resolverão o constrangimento da falta de folhas de continuação, sem, contudo, adiantarem qualquer explicação para esse “desaparecimento”

 

Por outro lado, fazendo também fé noutros testemunhos, terá havido a indicação para classificar com os dados disponíveis, mesmo que o Professor Classificador não tenha recebido as folhas em falta…

 

Batemos no fundo e já vale tudo?

 

Se se confirmar a classificação de Exames, mesmo que o Professor Classificador não tenha recebido as folhas em falta, será, de facto, impossível proceder à reapreciação dos Exames Nacionais, uma vez que o processo estará inquinado pelos mais variados vícios e adulterado na sua essência…

 

Se se confirmar o anterior, estaremos, sem qualquer dúvida, perante o maior embuste que alguma vez aconteceu na História da Educação em Portugal…

 

Pergunta-se:

 

– Afinal, onde estão as folhas de continuação de muitos Exames?

 

– Se o paradeiro das folhas de continuação for conhecidodesde o início deste processo pelos respectivos responsáveisporque motivo não foram as mesmas agregadas aoscorrespondentes Exames?

 

– Se o paradeiro das folhas de continuação for conhecido desde o início deste processo pelos respectivos responsáveis porque motivo existem caligrafias diferentes em folhas atribuídas ao mesmo Exame?

 

– Que explicação poderá existir para o “mistério” da falta e da troca de folhas de continuação?

 

Neste imbróglio da ausência das folhas de continuação, só poderão existir dois cenários:

 

– Ou essas folhas são juntas ao respectivo Exame em tempo útil;

 

– Ou essas folhas não são juntas ao respectivo Exame em tempo útil…

 

Se não forem juntas ao respectivo Exame em tempo útil, a actual classificação dos Exames Nacionais morre definitivamente ali, sem qualquer hipótese de reanimação… Qualquer tentativa de lhe conferir credibilidade será completamente infrutífera…

 

Sem qualquer dúvida ou reserva, a classificação dos Exames Nacionais já atingiu a categoria de filme surrealista, repleto de cenas nonsense, onde o absurdo, o inconcebível, a bizarria, a confusão e o descrédito se tornaram partes integrantes…

 

E o anterior ainda se acentua mais, tornando-se ainda maisinaceitável, se lembrarmos todo o rigor e seriedade colocados no trabalho dos Secretariados de Exames dos Agrupamentos de Escolas, de Norte a Sul do país…

 

Se algum Secretariado de Exames, de algum Agrupamento de Escolas, agisse de forma semelhante ao EduQA/JNE no presente processo de classificação dos Exames Nacionais, que consequências recairiam sobre os Professores que compõem esse órgão, localmente responsável pela coordenação da avaliação externa?

 

De certeza, que não existiria qualquer complacência face aos Secretariados de Exames…

 

A acção governativa do Ministro da Educação não pode deixar de ser devidamente “monitorizada” pelos seus concidadãos, a quem continua a dever muitas explicações que, de resto, não conseguiu dar nos últimos dias, em périplo pelos canais televisivos

 

Por tudo o que já se conhece acerca da acção governativa de Fernando Alexandre, dirigente máximo do MECI e principal responsável político dessa entidade, o mínimo que se poderá concluir é que o seu desempenho relativo à classificação dos Exames Nacionais tem sido pautado por uma manifesta“imprudência”

 

Não resta ao Ministro outra alternativa que não seja a demissão e assumir, dessa forma, a respectiva responsabilidade política, enquanto dirigente máximo do MECI

 

Nos países efectivamente desenvolvidos, por muito menos, é isso que costuma acontecer quando algo corre mal em certos mandatos, levando os titulares de cargos governativos a assumir a responsabilidade política pelo sucedido…

 

É assim que deve ser numa Democracia que escrutina os seusGovernantes

 

É assim que deve ser numa Democracia em que os Governantes prestam contas aos seus concidadãos e assumem, sem subterfúgios e sem manigâncias, as suas próprias responsabilidades e obrigações éticas…

 

Batemos no fundo e já vale tudo? Sim, parece que sim…

 

Estaremos perante o maior embuste que alguma vez aconteceu na História da Educação em Portugal? Sim, parece que sim…

 

Lamentavelmente… Lamentavelmente, com um sentimento de tristeza e de vergonha alheia…

 

Paula Dias

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4 comentários

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    • Deve ser da proximidade do mar: tornaram se lapas! on 11 de Julho de 2026 at 9:48
    • Responder

    Completamente de acordo com este texto!
    O que está a acontecer é surreal!
    Coitados dos alunos sujeitos a esta trapalhada que vêem a sua escolaridade de 12 anos terminar desta forma…ou não. E para muitos, pior ainda, a sua vida universitária depende do resultado destes exames.
    E os professores corretores e dos secretariados de exames sujeitos a esta ignomínia.
    Como a autora do texto diz: em qualquer país civilizado e democrático, como os do norte da Europa, o parlamento já tinha exigido a demissão do ministro que tutela a pasta. Aqui nada!
    Mais: a cultura de cidadania, em qualquer desses países, já tinha levado o presidente do IAVE e o ministro da educação a demitirem se.
    Triste país este, onde os responsáveis políticos estão agarrados aos lugares como lapas, e não assumem os seus erros ou dos subordinados que tutelam. Deve ser da proximidade do mar: tornaram se lapas!

    • MariaQueNãoVaiComAsOutras on 11 de Julho de 2026 at 12:13
    • Responder

    … mas estamos perante uma grande inovação tecnológica do séc. 21! 🤣

    • Dejá vu on 11 de Julho de 2026 at 12:17
    • Responder

    Onde está o comentário que submeti aqui há 2 horas?
    Ou esta plataforma também está com problemas como a da classificação dos exames?

  1. Existirão duas caligrafias diferentes porque aquando da entrega dos exames aos colegas do secretariado de exames, se deve ter notado que os alunos responderam numa folha que estaria adstrita a outra questão e por castigo, estando o aluno já em parte incerta, foi necessário copiar a resposta para o “sítio certo” – não aconteceu comigo, mas aconteceu no meu agrupamento (algo que não entendo como isso foi pedido ou como nem sequer se anteviu que era parvo – em última análise, o alerta para uma putativa fraude era mais que plausível).
    As regras indicavam que os alunos teriam que ser alertados para o facto das folhas, tirando as de continuação, terem prevista qual o item em que deviam ser usadas.
    Aqui, deveria o “iluminado” que pensou neste sistema, ter pensado: será que faz sentido que um aluno que está a realizar um exame deveria apenas estar preocupado com o exame ou também com as regras para poder resolver o mesmo?
    A alteração para a digitalização pretendia duas coisas, acho: poupar papel; permitir a correcção sem as deslocações para recolha e entrega dos exames.
    Poupança de papel, não acontece. Todos os exames que vigiei tinham “n” folhas e, em muitos casos, os alunos não usaram a maior parte do espaço disponível. No caso da deslocação, sim é uma mais valia. O processo de correcção no computador é, no entanto, bastante mais cansativo (já passei por ele).

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