Da minha escola vê-se o mundo a mudar
Está situada no espaço do sonho e lá bem no fundo da imaginação. Foi observada a olhar e a repensar o ser humano desde as suas origens até ao fim incerto e temeroso que nos espera e o que a história nos ensina sobre aquilo que somos! Sabemos de onde vimos, não sabemos para onde vamos. Temos de olhar para dentro de nós, temos de olhar à nossa volta, ver as reviravoltas que o mundo deu, as barbaridades do homem ontem e as desumanidades do homem hoje, e esperar que as crianças e os jovens tenham mais juízo que os adultos. A nossa esperança temos de situá-la na pureza inicial e não na crueldade dos megalómanos que dominam o território, que seduzem, no seu egoísmo atroz, os ingénuos que aspiram segui-los, apoiá-los e trepar pelos mesmos degraus da insanidade e da ganância. Gente reles!
A melhor escola está dentro de cada um de nós. O que a escola tem de fazer não é sufocar os nossos talentos ou as nossas ambições, é ir ao seu encontro, conhecer, esclarecer, desenvolver, aprofundar, superar. Dentro de nós estão desenhos com formas e cores tão diferentes, jardins floridos, paisagens coloridas, notas musicais, campos de jogos, campos agrícolas, motores de aviões, tudo o que o imaginário pode conceber está nas nossas mentes à espera de oportunidades que nos realizem, nos façam crescer. Dentro de nós está o mar imenso e o céu infinito. O maior vício da escola foi apagar tudo isso, foi afogar visões tão puras e diferenciadas eliminando os desígnios pessoais e todo o seu potencial. Numa imagem grosseira e agressiva, foi deitar o lixo imundo num vaso de flores coloridas e perfumadas. Retiramos de nós o que há de puro e original, a nossa idiossincrasia, e substituímos por uma pilha elétrica uniforme, de fraca intensidade, que não ilumina o caminho. Temos de inventar uma nova escola!
Muitos professores, desiludidos, continuam a desistir, a desertar. A capacidade de atração é mínima. Temos de inventar novos professores e de valorizar os que resistem. Temos de definir o perfil ótimo do professor em três vertentes-chave: 1) a vertente científica, com o foco na metodologia da investigação em todos os ciclos da docência; 2) a tecnológica, incluindo a IA, como repositório e suporte de todo o saber acumulado ao longo dos séculos; 3) a pedagógica, centrada na autonomia e individualização das aprendizagens, suportadas por uma plataforma digital que identifique e acompanhe cada aluno desde a primeira infância, analisando forças e fraquezas como marcos para a sua avaliação e orientação. Os professores merecem ter objetivos e incentivos fortes, um itinerário preciso para a sua promoção e ascensão. As escolas precisam de todos.
Os docentes que cumpram estes objetivos até aos mais elevados graus académicos deverão triplicar o vencimento. O seu número reduzido será compatível com o orçamento. Aos outros docentes em serviço deverão ser dados incentivos para poderem atingir os requisitos enunciados, garantido os custos da sua formação em serviço, sempre com a possibilidade de subir ao primeiro escalão.
Os professores em falta poderão ser substituídos por professores virtuais, programados para desempenhar todas as funções rotineiras e burocráticas: corrigir os erros, prestar esclarecimentos, avaliar os trabalhos, sugerir caminhos adequados às motivações e necessidades dos alunos. A IA permite cumprir com grande eficácia todas estas e outras tarefas, libertando os professores humanos para as funções inacessíveis às máquinas.
Face a este quadro, para que servem afinal os professores humanos? No essencial: 1) Para programar e reformular os professores virtuais de acordo com o perfil de cada aluno: 2) Para desempenhar as funções humanas inacessíveis às máquinas: as relações humanas, o trabalho de grupos, a empatia, a cooperação, a criatividade, os valores, a personalidade, o caráter, as dúvidas, enfim, um largo espetro de variáveis só acessíveis aos humanos.
Os professores virtuais podem completar os humanos com algumas vantagens: não se cansam, não têm horários, podem assistir os alunos aos sábados, aos domingos e feriados, a qualquer hora, na escola ou em casa. Neste cenário não há alunos inativos. Cada aluno pode ter um professor virtual, adaptado ao seu perfil, com capacidade para acompanhar e estimular no sentido desejado, para corrigir os erros comuns, para dar respostas a dúvidas, inclusive para gerir os conhecimentos necessários. A IA é o salto para a individualização das aprendizagens, proporcionando a cada aluno um tutor individual.
A escola de hoje assenta no computador e na IA. Reside aqui o maior repositório do conhecimento de todos os tempos, igualmente acessível a professores e alunos, abrindo portas à autonomia e à individualização das aprendizagens, estimulando a iniciativa e o espírito crítico. O computador que fornece todo o tipo de conhecimento e de informação também recolhe e organiza as atividades dos alunos. São os dados que nos permitem ver o caminho percorrido e definir as orientações para o caminho a percorrer. O sistema informático da escola e da educação a nível nacional deve dispor de uma plataforma digital, como existe na saúde, que receba e organize toda a informação de cada aluno, todas as produções e iniciativas individuais, desde o pré-escolar até ao superior. O diagnóstico e o percurso são a fonte mais segura para a avaliação e orientação de cada aluno.
O sistema educativo tem de ter uma base de dados fiável e atual que seja o retrato vivo da sua ação, da sua eficácia, dos seus pontos críticos, das suas forças e fraquezas. O professor que chega de novo tem de ter a porta aberta para ver e analisar o rumo a seguir.
Conclusão: o computador é hoje o melhor suporte das aprendizagens, da escola e da vida. Quanto mais cedo começar, melhor, e a alfabetização deve começar por aí. Mas não podemos esquecer a outra face do crescimento: brincar, conviver, jogar, praticar desporto, conhecer o mundo das artes, dar oportunidade à liberdade de cada um para realizar os seus sonhos. Este é o espaço que deve ser articulado com o computador e as aprendizagens tradicionais da escola. É preciso equilibrar bem a balança entre os dois polos da vida.
diário as beiras | 27-02-2025




12 comentários
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Afinal defende o domínio da máquina sobre o homem. Não se preocupe que embora deseje ser dominado por ela, tal nunca sucederá. Parece que sim, mas a máquina não pode sentir como o homem. E alunos não são máquinas, são humanos. Parece triste a sua intenção e muito pouco inteligente para a evolução humana em si, tendo em conta o ser humano. Procure soluções dentro dos homens e não nas máquinas. É possível encontrá- las. No mínimo respeite a sua inteligência e a dos outros, assim como a sua autonomia.
Da minha escola o que se vê é o mundo a mudar para pior.
Cheira muito a congelamento encapotado e a capos que chegam com altas notas inflacionadas, com mestrados via ensino da treta, a pensarem que são mais do que os que andam há 20 e 30 anos na miséria e a dar o litro para que esta p******* funcione.
Já para não falar dos capos que estão cá há décadas a mamar à conta e a querer que os que chegaram há 20 anos lhes façam tudo e a serem chicoteados.
A todos esses, vão-se f…
Este artigo é estranho.
Querem tecnologia e alunos a aprenderem tecnologia. Mas qualquer um vai para professor de Informática. Basta ter umas cadeirinhas de word e powerpoint que entram num qualquer mestrado via ensino e pronto.
Os cursos de Informática ou relacionados vão fechando nos grandes centros urbanos, como é o caso de Lisboa. ficam apenas uma minoria.
Há escolas que se dão ao luxo de colocar dois professores de Informática a dar aulas à mesma turma na mesma disciplina. Ás vezes até ao mesmo tempo (escolas em Lisboa).
É o regabofe total. E a degradação do ensino da Informática.
Mas depois achamos que está tudo bem e somos os melhores.
Pura fantasia. Andamos a enganar alunos, pais e os próprios professores.
A loucura chega a todas as áreas do conhecimento. Sei bem do que fala porque vejo isso acontecer na minha escola.
Já agora, trabalho em Lisboa.
Loucura neocapitalista, como parece ser apanágio de muitos. E estou à vontade para dizer isto, porque não me reconheço na esquerda.
O que aqui vem sendo dito é que, quem não concordar com a aplicação de IA e outros meios com os alunos, reduzindo-os a palermas não pensantes, fica a nadar num escalão de treta a ganhar uma miséria.
Os outros, que entram em ondas ditas “inovadoras”, mesmo que pedagogicamente muito duvidosas, serão recompensados e conseguirão ganhar mais umas migalhas.
Um nojo de ideia.
Usar as Tecnologias de Informação para algo produtivo, sim, mas exigir que isso seja o cerne de tudo o que é aprendizagem é uma utopia perigosa e castrante da inovação.
Espero bem que quem anda nesta profissão a sério não se deixa amachucar por estas ideias loucas.
Loucura total neste “MUNDO LOUCO”! 😡😡
Este artigo é completamente irrealista e celebra a vontade da tecnologia sobre a espontaneidade do ser humano. A vida tem um percurso e esta, na minha modesta opinião, deveria ser uma aventura, com os seus altos e baixos naturais, e não um programa informático. De boas intenções e anormais está o inferno cheio!
Muito Bem! Respeito pelo Homem!
Este idiota saiu do armário, e pela forma eufórica como escreve, está intoxicado pela “liberdade”!
Este fulano e a sua ligação sensual (ou sensasualista….) com os computadores é um caso sério. Li as primeiras linhas (porque faço questão de não perder tempo com tanto disparate…) e os meus olhos auto direcionaram -se para o fim. Ali estava. O mesmo de sempre. Só a psiquiatra poderá, efectivamente, resolver um caso destes.