… a uma carta dirigida por uma leitora do blog a pedir que a Universidade se pronunciasse sobre a obrigatoriedade da realização da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades para os docentes contratados.
Exma. Senhora Dra. MB,
No seguimento da sua mensagem, cujo conteúdo mereceu a nossa melhor atenção, informamos que a decisão de eventual obrigatoriedade de realização de uma prova habilitacional para o exercício da atividade docente ultrapassa o âmbito de atuação da Universidade. Com efeito, tal como acontece em relação a outras profissões em que igualmente é exigido, após a conclusão do percurso académico, o cumprimento de requisitos específicos (designadamente a realização de provas, por exemplo a ordens profissionais) para o exercício profissional respetivo, trata-se de uma decisão da exclusiva competência das entidades que titulam o exercício da profissão. A U.Porto está plenamente convencida que os seus diplomados têm conhecimentos e competências que lhes permitem um desempenho profissional de elevada qualidade.
Ficamos, no entanto, ao dispor para qualquer esclarecimento,
Com os melhores cumprimentos,
Mónica Pissarra
Formação e Organização Académica
Reitoria da Universidade do Porto
Praça Gomes Teixeira, s/n
4099-002 Porto – PORTUGAL
E-mail: [email protected]




17 comentários
Passar directamente para o formulário dos comentários,
Como ex aluno dessa universidade congratulo-me com o conteúdo desta resposta..
bem..eu sou da FCUL e também não tenho nenhum receio da dita prova, acho no entanto que a fazer-se,TODOS os docentes a deveriam realizar, e mais, acho que se deveria conhecer a instituição de onde provém os professores, bem como a sua nota na dita prova tendo isso consequências para as respectivas faculdades…mas neste pais de treta, confesso que não acredito…
“A U.Porto está plenamente convencida que os seus diplomados têm conhecimentos e competências que lhes permitem um desempenho profissional de elevada qualidade.”
Nunca frequentei e dificilmente frequentarei a UP. A resposta dada é excelente e reveladora de quem não tem medo e tem confiança nos licenciados que produz. A minha perspectiva é que a UP, juntamente com o Técnico, são de longe as melhores instituições de ensino superior que temos em Portugal. Se fosse licenciada pela UP, que não sou, ficaria inteiramente satisfeita com a resposta frontal e cordial dada pela universidade.
Desculpe dizer-lhe isto mas o Instituto Superior Técnico, vulgo Técnico é só fachada! Eu fui uma dos muitos que caíram na ilusão….Tirei lá uma licenciatura em Eng. Química, fiz 52 cadeiras (antes de Bolonha, era bem pior…), perdi os melhores anos da minha vida, a estudar, sempre com a esperança de vir a exercer na área para a qual me preparava. No final? Desemprego….nem um estágio nessa área. Não tive cunha!
Mais de 80% dos alunos de Eng,Química enveredaram pelo ensino… Eu e mais uns quantos ainda tivemos forças para tirar uma nova licenciatura em Ensino de Física e Química, desta vez na FCUL; pelo menos até ao ano passado tive sempre trabalho.
O Técnico é bom? É. Preparou-me para os pontapés da vida. Em relação ao trabalho? É bom, se tivermos uma cunha que nos arranje qualquer coisa de pois de formados.
Foi o meu grande erro!! Foi sempre a minha opção, sempre pensei ir para lá e tirar o curso. Esse sonho consegui realizar…
E a Universidade de Lisboa, Coimbra, Évora entre outras, para quando uma tomada posição semelhante?
“A U.Porto está plenamente convencida que os seus diplomados têm conhecimentos e competências que lhes permitem um desempenho profissional de elevada qualidade.”
Pois é mas isso estão TODOS plenamente convencidos de tal…. desde que lhes entre o guito das propinas é o que interessa!
Basta ver a publicidade que qualquer universidade/escola superior de esquina faz sobre o quão maravilhosas são.
Pois eu já trabalhei com colegas oriundos dessa instituição e … valha-me Deus… O dom de ensinar está acima de qualquer instituição!
A importância do dom depende das disciplinas! Numa disciplina científica e/ou técnica é necessário muito mais que dom. Para mim, quando vêm dizer que o dom é tudo na educação, desconfio logo. É preciso dom para cativar, para se saber estar, claro, mas é necessário ter bagagem técnica para se ser completo dentro de uma sala de aula. Ninguém é perfeito, muito menos eu, mas é possível ultrapassar os nossos limites quando a técnica, aliada ao esforço de atingir o dom, acompanha um docente. O dom, por si só, serve apenas para ser popular entre o meio estudantil. Este é o meu testemunho, baseado na minha ainda parca experiência. Agora uma coisa lhe digo, algumas universidades possuem muitas qualidades, e esta é uma delas! A se custa-lhe isto porque de certeza não vem de lá. Eu venho da UP, agradeço muito a preparação técnica e pedagógica que tive nessa universidade e termino com o pedido de divulgar qual é a sua universidade de origem para podermos dialogar.
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/coimbra-entra-no-ranking-mundial-das-500-melhores-universidades-1603167
Os números falam por si.
Eu não estranho que qualquer universidade esteja plenamente convencida e grata por aparecer esta prova uma vez que, muito provavelmente, esta irá dar mais trabalho aos docentes universitários, trabalho esse que começa a escassear nos cursos ligados ao ensino.
E aquela comparação entre ordens e o estado é, no mínimo, muito infeliz. Façam uma ordem dos professores e reconheçam as universidades boas! Há universidades em que os alunos dos cursos que são reconhecidos pela Ordem dos Engenheiros não necessitam de fazer exame para a ordem. Pelos vistos, se as coisas são assim tão parecidas, podemos concluir que o estado não confia em nenhuma universidade, estando a do Porto incluída… E sendo assim, como contribuinte, sinto-me lesado porque estamos a pagar cursos em Universidades Públicas em que o Estado não confia. Acabem com esses cursos já. Para quê financiar os estudos de alguém que afinal só pode exercer quando fizer um exame aplicado pelo Estado? Se afinal é só essa prova que manda, nem se tem em conta a nota final de curso, nem se alguém tem mestrados ou doutoramentos, então até podiam deixar toda a gente fazê-la.. quem sabe se não teríamos um jardineiro a ensinar português ou um trolha a ensinar matemática ou um padeiro a ensinar química…
Boa noite. Fui aluna da FLUP (licenciatura e mestrado) e a resposta da UP à nossa colega é, no mínimo, um sacudir a água do capote. Avaliar-nos com uma prova de 2 horas é vergonhoso!!! Para não me alongar e ser indelicadamente indelicada, aconselho-vos apenas a reflectir no que Mónica Pissarra escreveu: ” Com efeito, tal como acontece em relação a outras profissões em que igualmente é exigido, após a conclusão do percurso académico, o cumprimento de requisitos específicos…”
Não olhem aos restantes disparates, só ao “…após a conclusão do percurso académico…”. Já não fizemos isso? O estágio foi o quê?
Avaliem-nos, mas avaliem-nos decentemente.
E pelos comentários que aqui tenho lido há muitos colegas que demonstram grande vontade em fazer a prova… enfim, nem para nós somos bons… como é possível aceitar tão prontamente esta armadilha, é que até os “bons” vão cair nela 🙁
Pois, mais um tiro no pé!
A colega que enviou a carta estava à espera de que resposta? Eu estou contra a prova porque acho uma afronta apresenta-la a contratados que leccionam há 5, 10, 15 anos, pois a obrigação do estado é cumprir a lei e vinculados. Agora, ir pedir opinião às universidades quando qualquer diplomado, por exemplo, candidato a técnico superior é quase sempre obrigado à realização de uma prova.
Lavar as mãos à moda de Pilatos. Mas quando toca ao financiamento não os vejo tão desinteressados e sossegados.
A universidade basicamente não deu resposta nenhuma e até justifica a existência da prova fazendo comparações ridiculas.
Sem querer proceder a nenhum juízo de valor sobre a instituição, tem, neste caso, o trabalho de casa muito mal feito, ou de outra forma jamais poderia esquecer que: ninguém fica impedido de pertencer à Ordem dos Médicos tendo 0 (Zero valores) no dito Exame de Especialidade; apenas alguns candidatos têm de fazer um exame para pertencerem a outras ordens; no caso dos médicos, não existe uma relação directa entre a qualidade do profissional e a nota obtida no exame realizado.
Se existiram instituições, sem idoniedade para tal, que formaram professores e outros profissionais? Julgo que sim, mas não me alongo!