Março 2026 archive

Grupo de Trabalho «Proibição do desenvolvimento de atividades contrárias aos fins visados pelas instituições educativas»

Cria o Grupo de Trabalho «Proibição do desenvolvimento de atividades contrárias aos fins visados pelas instituições educativas» para elaborar orientações aos diretores e aos restantes órgãos de direção, administração e gestão das escolas sobre a inadmissibilidade de atividades que colidam com a ética e os valores de uma cidadania democrática.

Despacho n.º 3317/2026, de 13 de março

 

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IA nos concursos de docentes…

O ministro da Educação defendeu hoje que o recurso à inteligência artificial na administração escolar vai permitir otimizar processos e “eliminar as desvantagens de um sistema altamente centralizado”, uma reforma que pretende concluir até final de 2027.

Ministro da Educação: IA ajudará a otimizar gestão do sistema educativo

Fazendo uma espécie de diagnóstico do sistema de administração escolar, que considerou “‘super’ ineficiente”, o governante entende que existe margem para ultrapassar as várias desvantagens que identifica num sistema centralizado, em particular no que respeita aos concursos de colocação de professores.

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O SIGRHE Apareceu Hoje de Cara Lavada

Hoje a plataforma SIGRHE apareceu com um novo layout, mais limpo e menos verde.

Quanto às funcionalidades elas parecem ser iguais e nada mais parece ter mudado do que a aparência visual.

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Estudante abusa de colega de 12 anos junto da escola

Não se ponham a rever o Estatuto do aluno, não…

 

Um jovem, de 18 anos, foi detido por suspeitas de abusar sexualmente e ameaçar uma colega, de 12 anos, nas imediações da escola que ambos frequentavam, em Portimão. O suspeito e a vítima conheceram-se no estabelecimento de ensino e começaram a trocar mensagens através das redes sociais.

Estudante abusa de colega de 12 anos junto da escola

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Os Serviços Mínimos nas Escolas Caíram na Negociação com a UGT

Governo deixou cair alargamento de serviços mínimos obrigatórios às escolas nas negociações do pacote laboral

 

Quando apresentou o pacote laboral, Governo não esclareceu a que estabelecimentos se aplicariam serviços mínimos obrigatórios propostos para o “cuidado de crianças”. Cedeu neste ponto nas negociações.

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A verdadeira história sobre o estado da educação

Esta é uma história sobre quatro pessoas: Toda a gente, Alguém, Qualquer um e Ninguém.

Havia um trabalho importante a ser feito e toda a gente foi convidada a fazê-lo. Toda a gente tinha a certeza de que alguém o faria. E qualquer um poderia tê-lo feito, mas ninguém o fez.

Alguém ficou zangado com isso porque era trabalho de toda a gente. Toda a gente pensou que qualquer um o podia fazer, e ninguém percebeu que toda a gente não o iria fazer.

No fim, toda a gente culpou alguém, quando na verdade ninguém pediu a qualquer um para o fazer.

A parte mais importante desta história não é toda a gente, alguém, qualquer um ou ninguém. É o trabalho que era suposto ter sido feito.

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Hoje Saíram Dois Ofícios Sob o Tema dos Influencers nas Escolas

Este primeiro da IGEC , feito com base neste parecer e este segundo do Conselho das Escolas.

Parece-me que se anda a perder demasiado tempo com este tema e que o enfoque dos problemas nas escolas deviam ser outros e não estes.

Um dos problemas nesta altura do ano letivo é a entrada no nosso sistema de ensino de muitos alunos provenientes do estrangeiro, que segundo as leis de quem as fazem, têm direito a estar matriculados numa escola e muitas vezes são colocados administrativamente em salas onde nem lugares para se sentarem têm. E as novas regras da portaria 29/2025/1 que alteram a Portaria n.º 223-A/2018 colocam os alunos numa posição mais vantajosa para transitarem de ano com um ou dois meses de aulas e coloca todo o trabalho nos professores e nas escolas para criar este sucesso artificial.

Vejamos:

A Portaria 223-A/2018 dizia:

Artigo 34.º

Situações especiais de classificação

11 – Sempre que, por ingresso tardio no sistema de ensino português, apenas existirem em qualquer disciplina não sujeita a prova final do ensino básico elementos de avaliação respeitantes ao terceiro período letivo, o professor titular, ouvido o conselho de docentes, no 2.º, 3.º e 4.º anos do 1.º ciclo, e o conselho de turma, nos 2.º e 3.º ciclos, decide pela:

a) Retenção do aluno;

b) Atribuição de classificação e realização da PEA.

 

Agora a Portaria 29/2025/1 diz:

 

Artigo 34.º

Situações especiais de classificação

12 – Sempre que, por ingresso tardio no sistema de ensino português, apenas existirem em qualquer disciplina não sujeita a prova final do ensino básico elementos de avaliação respeitantes ao terceiro período letivo, o professor titular, ouvido o conselho de docentes, no 2.º, no 3.º e no 4.º anos do 1.º ciclo, e o conselho de turma, no 2.º e no 3.º ciclos, decide pela:

a) Atribuição de classificação e realização da PEA;

b) Transição do aluno, nos anos intermédios de ciclo, desde que este revele competências e capacidades que lhe permitam a continuidade do seu percurso educativo, devendo a escola diligenciar no sentido de implementar respostas adequadas para que os alunos possam desenvolver as aprendizagens não realizadas.

 

Se até aqui o conselho de turma retia o aluno que tivesse um ou dois meses de aulas agora para o reter quase é preciso justificar o injustificável e se calhar fazer uma PEA a todas as disciplinas que comprove que o aluno não tem condições para transitar.

 

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Os focos de incendio que por aí andam…

Nas últimas semanas tem-se assistido, em algumas escolas e espaços informais de debate, a uma circulação de informações que geram mais ansiedade do que esclarecimento entre docentes. Fala-se de “carreira única”, de avaliação pelo SIADAP e até de um modelo em que o recrutamento passaria para diretores e municípios.

O problema não é discutir cenários, isso faz parte de qualquer processo de reforma. O problema é quando essas hipóteses são apresentadas como factos consumados, alimentando uma narrativa quase distópica que pouco tem a ver com o que, de facto, consta nos documentos já negociados e assinados.

Num contexto profissional já marcado por desgaste, burocracia e instabilidade, espalhar interpretações alarmistas sem verificação só contribui para dividir a classe e aumentar a desconfiança. Os professores precisam de debate sério, baseado em documentos, enquadramento legal e análise informada, não de rumores amplificados em reuniões apressadas ou nas redes.

A profissão docente merece mais rigor no discurso público. Antes de “incendiar” colegas com cenários extremos, convém ler os acordos, analisar as propostas e distinguir entre o que está em discussão e o que já foi efetivamente decidido.

Num momento em que a escola pública enfrenta desafios estruturais, a clareza e a responsabilidade na informação são tão importantes como a mobilização. Porque uma classe bem informada é sempre mais forte do que uma classe mobilizada pelo medo.

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Quem é que trouxe estes ídolos para o centro da vida dos adolescentes? – Alfredo Leite

Parece-me que há aqui uma pergunta central que muita gente evita porque dá mais jeito ter um alvo humano do que pensar com seriedade: uma diretora que fala de forma informal, com boa-fé, a sorrir como parte do seu modo de ser, deve ser crucificada em praça pública? Não. Isso não é justiça.

O caso dos influenciadores nas escolas é muito grave. A investigação tornada pública no início de março mostrou que, nos últimos dois anos letivos, dezenas de escolas receberam influenciadores associados a conteúdos sexualizados ou misóginos, no contexto de campanhas de associações de estudantes.

Depois disso, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência abriu inquérito a diretores citados, e o Ministério anunciou um grupo de trabalho para definir orientações mais claras para a entrada de entidades externas nas escolas.

O problema existe e que não é pequeno.

Mas uma coisa é reconhecer a gravidade do problema. Outra, muito diferente, é transformar alguém no bode expiatório perfeito para alguns que  adoram lavar as mãos depois de deixar a porta aberta durante anos.

Pergunto:
Quem é que trouxe estes ídolos para o centro da vida dos adolescentes?

Foi a diretora?

Foi ela que lhes ofereceu o primeiro smartphone sem preparação, sem filtro, sem literacia digital, sem supervisão?

Foi ela que construiu plataformas que recompensam choque, sexualização, provocação e estupidez rentável?

Foi ela que meteu a internet inteira no bolso de crianças e jovens e depois fingiu espanto quando esse mundo entrou pela escola dentro?

Não nos enganemos. Os jovens não começaram a consumir estes conteúdos no portão da escola. Chegam já impregnados deles, moldados por algoritmos, por cultura digital agressiva e por um mercado que lucra com atenção capturada cedo demais.

A escola, muitas vezes, não tem ferramentas suficientes para acompanhar a velocidade com que surgem novos “ídolos” digitais…

E isso não absolve erros de verificação!!

Mas ajuda a pensar como adultos em vez de reagir como uma multidão excitada.

Outra pergunta:

Uma conversa informal, fora do registo solene, deve ser tratada como confissão pública de culpa?

Uma pessoa que sorri enquanto fala deve ser lida como cúmplice entusiasmada?

Desde quando um sorriso habitual passou a ser prova de perversidade?

E há ainda uma questão ética que merece ser enfrentada: se alguém entrou numa escola, ganhou confiança numa conversa informal e depois usou gravações ou excertos fora desse contexto para fabricar escândalo público, isso é jornalismo de elevação? Ou, no mínimo, um método que levanta sérias dúvidas de ética profissional?

Usar boa-fé relacional como armadilha não dignifica quem informa. Rebaixa-o. E rebaixa ainda mais quando se escolhe uma pessoa concreta para concentrar uma culpa que é estrutural.

Porque o sistema inteiro falhou.

Falharam famílias que entregaram acesso total ao mundo digital demasiado cedo.

Falharam plataformas que monetizam degradação.

Falhou uma cultura que trocou autoridade adulta por medo de desagradar.

Falhou o Estado ao não antecipar, com orientações claras, um fenómeno que já andava à vista de todos.

Falharam também escolas, algumas delas, por não escrutinarem suficientemente quem entra.

Mas quando todos falham, é intelectualmente preguiçoso esmagar apenas a cara mais visível do momento.

Defender a Diretora  não é dizer que nas escolas deve entrar qualquer pessoa. Não é relativizar a proteção das crianças e dos jovens. Não é desculpar ingenuidades institucionais. É recusar a selvajaria mental de confundir erro, contexto, informalidade ou até eventual excesso de confiança com malícia ou indignidade pessoal.

Uma diretora é hoje uma figura quase masoquista, como foi bem dito: responde por tudo, carrega a pressão toda, faz triagem, resolve conflitos, apaga fogos, tenta proteger a escola, e muitas vezes só descobre a total dimensão do problema depois de ele rebentar cá fora. Exigir rigor faz sentido. Exigir omnisciência é delírio.

Queremos mesmo proteger os alunos?

Então paremos de fingir que isto começou numa conversa de corredor.

Começou muito antes. Começou no momento em que uma geração recebeu um ecrã antes de receber critério. Começou quando a sexualização passou a circular disfarçada de humor, sucesso e influência. Começou quando demasiados adultos desistiram de estudar a cultura digital dos filhos e dos alunos,

Se alguns entregam a formação afetiva e sexual dos jovens aos algoritmos, depois têm o direito de fingir surpresa quando o caos aparece na escola?

Alfredo Leite

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Interpretações

De acordo com esta notícia a Fenprof receia que o recrutamento passe a ser feito por entrevistas. ao que parece a Fenprof tem esta interpretação, mesmo não tendo estado presente na segunda reunião com o MECI onde poderia ter colocado esta questão se tivesse estado presente.

 

Fenprof receia que recrutamento passe a ser feito por entrevistas

 

Mas é fácil perceber de onde vem este sentido interpretativo numa notícia mais ao lado. “a Fenprof vai endurecer a contestação no 3.º período, avisa José Feliciano Costa. “Com todas as formas de luta que a lei permita, nada fica excluído”, assegura.”

Será que temos os professores disponíveis para endurecer esta luta?

Pois eu tenho dúvidas que se volte massivamente à rua.

 

 

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Datas dos Concursos Desde 2015

Este quadro apresenta as datas principais dos concursos de professores desde o ano 2015.

Em relação aos quadros anteriores coloquei na primeira linha (a amarelo) as datas em que abriu a fase de apuramento de vagas.

Com exceção dos anos 2017 e 2019 em mais nenhum ano o período entre o apuramento das vagas e a candidatura demorou menos de 30 dias.

Mantendo-se a norma o concurso deve abrir apenas na segunda quinzena de abril.

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Reserva de Recrutamento 42 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 4 – 2025/2026

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de quarta-feira, dia 11 de março, até às 23:59 horas de quinta-feira, dia 12 de março de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listas – Reserva de Recrutamento n.º 42

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Procedimentos concursais para Vogal do conselho diretivo da Agência para a Gestão do Sistema Educativo, I. P. (AGSE, I. P.).

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Isto tem de ser dito sem medo: educar não é agradar – Alfredo Leite

Sou pai de 3, licenciado em Psicologia, formador de professores e de pais.

E digo isto com clareza: há uma minoria que continua a cometer um erro grave. Confunde exigência com agressão. Confunde desconforto com injustiça. Confunde um adulto que pede mais com um adulto que está errado.

Não sou, nem quero ser, “adorado por todos os alunos”. Não sou o “gajo fixe”. Nem quero ser. Não vou à escola competir com o recreio, com o telemóvel ou com a lógica do entretenimento. Vou para trabalhar a sério com jovens. E trabalhar a sério implica, por vezes, pedir silêncio, postura, escuta, atenção e responsabilidade.

Isto tem de ser dito sem medo: educar não é agradar. Nunca foi. Um adulto que só procura ser aceite pelos alunos pode até sair aplaudido, mas não está necessariamente a formar ninguém. Há momentos em que crescer dói no ego. Há momentos em que pensar custa. Há momentos em que ouvir uma verdade, ou ser chamado à responsabilidade, incomoda. Isso não é violência. Isso é educação.

A psicologia do desenvolvimento explica isto muito bem. Crianças e adolescentes nem sempre relatam os acontecimentos com objetividade. Muitas vezes relatam-nos através do filtro emocional com que os viveram. Não contam apenas o que aconteceu. Contam o que sentiram sobre o que aconteceu. Isso não faz deles mentirosos. Faz deles jovens. E é precisamente por isso que o papel dos pais continua a ser tão importante.

Felizmente, a maioria dos pais percebe isso. Escuta os filhos, acolhe o que sentem, mas não transforma automaticamente a primeira versão numa sentença. Essa maioria merece respeito, porque sabe que educar também é filtrar, pensar, perguntar e distinguir entre “não gostei” e “foi realmente errado”.

Mas também é preciso ter coragem para pôr o dedo na ferida.

Há professores, coordenadores e equipas que organizam atividades, convidam profissionais, preparam sessões, tratam autorizações, horários, logística, articulação interna e riscos reputacionais. Fazem esse trabalho com esforço genuíno e quase nunca são protegidos como deviam quando surge a primeira queixa. E isso é profundamente injusto.

Quem organiza sabe o que isto custa. Sabe o trabalho invisível que está por trás de cada iniciativa. Sabe que basta uma frase retirada do contexto, um aluno contrariado ou um pai mais reativo para se instalar uma tempestade desproporcional. E, mesmo assim, continuam a tentar trazer qualidade às escolas. Continuam a tentar abrir horizontes aos alunos. Continuam a arriscar. Esses professores e organizadores merecem mais do que prudência institucional. Merecem respaldo moral.

Porque a verdade é esta: é muito fácil defender uma atividade quando ela é leve, simpática e consensual. Difícil é defender uma intervenção que exige, confronta e obriga a pensar. Mas é precisamente aí que se vê a fibra de uma escola.

E depois há o contraste embaraçoso com certos influencers. Muitos conseguem adesão imediata porque fazem exatamente o contrário do que um adulto formativo deve fazer. Baixam a fasquia. Dizem o que alguns alunos querem ouvir. Trocam exigência por aplauso rápido. Dão validação sem profundidade. E depois admiram-se que os jovens achem “brutal”. Claro que acham. Ser validado sem ser desafiado é sempre agradável. O problema é que isso pode entreter muito e formar muito pouco.

Nem tudo o que encanta educa. Nem tudo o que diverte estrutura. Nem tudo o que parece próximo faz crescer.

Por isso, quando se discute quem entra nas escolas, a conversa não pode ficar pela superfície. A responsabilidade não é só do profissional convidado. É também de quem convida, de quem autoriza, de quem avalia, de quem se cala e de quem só aparece para reagir quando há ruído. Direções, associações de pais, conselhos pedagógicos e famílias têm de assumir a sua parte. Uma comunidade educativa séria não pode funcionar apenas como central de gestão de queixas. Tem de ter critério. Tem de ter coluna vertebral.

A escola não pode tornar-se refém da popularidade. Se o critério para validar um adulto for o número de alunos que saem a dizer “foi brutal”, então desistimos da educação e ficamos só com performance.

A pergunta central é simples e ninguém devia fugir dela: queremos adultos que entretenham os jovens ou adultos que os ajudem a amadurecer?

Porque uma escola que só acolhe o que agrada pode acabar a rejeitar precisamente aquilo de que mais precisa: adultos consistentes, exigentes e suficientemente íntegros para não confundir ser aceite com ser útil.

No fim, o problema não é haver adultos que exigem. O problema é haver cada vez mais gente incapaz de tolerar que educar, às vezes, passa por pedir aos jovens mais do que eles tinham vontade de dar.

Alfredo Leite

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209 Milhões

…a dividir por todos aqueles que comentarem aqui no blog ou no FB do Blog.

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Formulário Sobre as VAGAS do Concurso Interno 2026

Amanhã termina o apuramento de vagas ao concurso interno de 2026 e para poder antecipar as vagas que serão abertas para este concurso criei este formulário para que sejam indicadas pelas escolas as vagas solicitadas na plataforma SIGRHE.

Bem sei que não terei a totalidade de vagas de todas as escolas, mas se a amostra for suficiente já sou capaz de perceber por aproximação o número de vagas em concurso.

Agradeço a vossa ajuda na divulgação deste formulário.

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De educação o presidente não falou

 

No seu discurso de tomada de posse como Presidente da República, António José Seguro falou de quase tudo o que costuma caber na liturgia presidencial: coesão social, desigualdades, necessidade de diálogo político, estabilidade institucional e até a promessa solene de representar “todos os portugueses”. Foi um discurso correto, equilibrado e cuidadosamente calibrado para não criar inimigos no primeiro dia de mandato. O problema é que, no meio de tanta prudência, houve uma ausência particularmente ruidosa: a educação.

Não é que o tema tenha sido frontalmente rejeitado ou criticado. Pior do que isso. Foi tratado como se costuma tratar aquilo que toda a gente diz ser importante mas que raramente entra na lista das prioridades reais. A educação apareceu diluída na habitual enumeração de valores genéricos sobre oportunidades, futuro e desenvolvimento do país. Palavras que cabem bem em qualquer discurso institucional, mas que também servem perfeitamente para não dizer nada de concreto.

É curioso porque a escola pública portuguesa atravessa um dos momentos mais delicados das últimas décadas. Falta de professores em várias regiões, envelhecimento acelerado da classe docente, precariedade persistente no ensino superior e desigualdades educativas que continuam a marcar profundamente o território. Não são problemas novos, mas são problemas cada vez mais visíveis. Ainda assim, no momento simbólico em que um novo Presidente define o tom do mandato, a educação acabou remetida para aquele espaço confortável onde vivem as ideias consensuais e politicamente inofensivas.

A tradição presidencial portuguesa ajuda a explicar esta prudência. Desde Mário Soares até Marcelo Rebelo de Sousa, passando por Aníbal Cavaco Silva, os discursos de posse raramente entram em terreno programático. O Presidente fala do país em termos amplos e deixa as políticas concretas para o Governo. É uma interpretação legítima do cargo, mas que tem um efeito curioso: a educação surge sempre como um valor moral absoluto e quase nunca como um problema político real.

O resultado é uma espécie de consenso vazio. Toda a gente concorda que a educação é fundamental. Toda a gente elogia os professores e o papel das escolas. Toda a gente afirma que o conhecimento é o futuro do país. Mas quando chega o momento de falar seriamente sobre o sistema educativo, a conversa evapora-se em abstrações.

No discurso de António José Seguro essa dinâmica repetiu-se com precisão quase académica. O Presidente apresentou um retrato geral de um país que precisa de combater desigualdades e reforçar oportunidades, mas evitou qualquer referência direta às tensões concretas do sistema educativo. Não houve uma palavra sobre a crise no recrutamento de professores, sobre o estado do ensino superior ou sobre o papel da ciência e da investigação no desenvolvimento nacional. Para um país que tantas vezes proclama que o seu maior recurso é o capital humano, a ausência é, no mínimo, curiosa.

Talvez seja apenas estratégia. Os discursos de posse são exercícios de equilíbrio e raramente momentos de confronto. Ainda assim, fica a sensação de que, numa época em que a educação deveria ocupar o centro do debate público, ela continua a ser tratada como cenário e não como protagonista.

No primeiro dia de mandato presidencial falou-se do país, da democracia, da esperança e da responsabilidade coletiva. Tudo temas importantes e respeitáveis. Mas, no meio de tantas palavras sobre o futuro, ficou a impressão de que uma das ferramentas mais decisivas para construí-lo ficou estranhamente fora da conversa.

De educação, afinal, o Presidente não falou

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PSP encontra faca de cozinha na mochila de aluno em Marvila. Jovem diz que era para se defender de bullying

 

A situação terá sido comunicada à CPCJ e ao Tribunal de Família e Menores de Lisboa.

PSP encontra faca de cozinha na mochila de aluno em Marvila. Jovem diz que era para se defender de bullying

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Sou um orgulhoso pai de três filhos… de 23, 19 e 11 anos – Alfredo Leite

Sou um orgulhoso pai de três filhos… de 23, 19 e 11 anos.

E há coisas na vida que não cabem bem em palavras…

O orgulho que sinto neles é uma delas.

Orgulho pela forma como cresceram… pela forma como pensam… pela maneira como, com falhas normais de quem está a crescer e a viver, foram aprendendo a estar no mundo com dignidade.

Mas há uma coisa, em concreto, que gosto mesmo de partilhar… porque hoje percebo cada vez mais o valor que isso tem.

Em todos estes anos de escola… nunca ouvi os meus filhos, diretamente a mim, entrarem naquela conversa fácil de dizer mal de um professor… de se queixarem por sistema… de alimentarem a crítica pequena, repetida, quase recreativa.

Nunca lhes dei essa abertura. Nunca achei saudável transformar a figura do professor numa espécie de alvo fácil para descarregar frustrações do dia.

É verdade que, aqui e ali, fui ouvindo pequenos desabafos… coisas soltas… comentários indiretos… um incómodo aqui, outro ali… como é normal. Mas nunca dei a isso uma importância exagerada. Nunca alimentei. Nunca peguei numa frase solta para fazer dela um drama. E isso, acredito, conta muito.

Claro que também reconheço uma coisa, talvez isto tenha a ver, em parte, com a sorte que tive.

A sorte nos professores que os meus filhos encontraram. E também, sem dúvida, com a sorte enorme que tenho na minha parceira de vida, no meu amor, na minha mulher… que me ajuda a educá-los assim: com responsabilidade, com critério, sem cultivar a queixinha, sem transformar qualquer desconforto num caso.

Isto não significa, evidentemente, calar problemas sérios! Não significa ensinar os filhos a engolir injustiças. Não significa submissão cega. Nada disso.

Os meus filhos sabem defender-se. E eu tenho a certeza de que, se houver um problema grave, real, importante… eles falam.

Falam porque sabem que serão escutados. Falam porque sabem que há uma diferença entre uma situação séria e a conversa banal de dizer mal por dizer mal.

E talvez seja precisamente aqui que está um ponto decisivo da educação… Um dos mais decisivos.

Quando uma criança ou um adolescente vive em carência afetiva… quando os pais trabalham demais… quando os avós estão longe… quando a casa vive em correria… quando as prioridades dos adultos estão trocadas… às vezes basta ela perceber uma coisa: que falar mal da escola ou de um professor acende imediatamente a atenção dos pais.

Os olhos levantam-se logo.

O tom muda. Há foco. Há escuta. Há energia. E a criança, muitas vezes sem maldade consciente, percebe que encontrou ali um filão, uma mina emocional… uma forma de captar presença, interesse, ligação.

E é aí que começam, por vezes, a crescer histórias… versões… ampliações… narrativas que não nascem necessariamente da gravidade do problema, mas da recompensa invisível que o problema dá. Atenção. Intensidade. Centralidade.

Eu sempre tentei fugir disso. Não por desvalorizar os meus filhos. Precisamente pelo contrário. Porque os levo a sério. Porque quero que cresçam com sentido de proporção. Porque quero que saibam distinguir o que é injustiça do que é incómodo… o que é gravidade do que é frustração… o que é um problema verdadeiro do que é apenas a vida a ensinar que nem tudo corre como queremos.

Talvez por isso… ou também por isso… nunca deixei que a escola fosse apresentada cá em casa como inimiga. E nunca permiti que um professor fosse reduzido, sem mais, à caricatura de um vilão só porque corrigiu, exigiu, contrariou ou não agradou.

Os meus filhos não são perfeitos, eu também não,…a nossa família também não. Mas há uma coisa em que acredito: uma casa que ensina respeito pelos professores está a proteger qualquer coisa de muito valioso na alma da criança… a noção de limite… de realidade… de autoridade séria… e até de gratidão.

Porque educar também é isto… não dar palco a tudo. Não transformar cada desconforto num espetáculo. E não deixar que a necessidade de atenção dos filhos se alimente à custa da erosão do respeito pelos adultos que os ajudam a crescer.

No fundo… muitas histórias sobre “maus professores” começam menos na escola do que na fome emocional com que certas crianças chegam a casa. E isso custa ouvir, mas custa ainda mais viver as consequências.

Alfredo Leite

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Influencers nas escolas? O problema maior está nos quartos dos vossos filhos

 

Nos últimos dias instalou-se uma pequena tempestade mediática porque algumas escolas receberam influenciadores digitais. A notícia levou o Ministério da Educação a criar um grupo de trabalho para produzir orientações que permitam aos diretores travar atividades “contrárias aos fins educativos”.

Confesso que olho para tudo isto com alguma perplexidade.

Não porque o tema não seja importante. É. Mas porque parece que estamos a olhar para o sítio errado.

A discussão pública tem girado em torno do que acontece dentro da escola: quem entra, quem fala, quem faz uma palestra ou aparece num auditório durante uma hora.

Mas a verdade é bem mais incómoda.

Pior do que ter influencers nas escolas é tê-los em casa. Nos quartos dos vossos filhos.

E esses não entram por convite do diretor.

Entram pela porta que muitos pais deixaram escancarada: o telemóvel.

Sempre que surge um problema com jovens, há um reflexo automático: culpar a escola.

Se os alunos dizem disparates, a escola falhou.

Se repetem ideias misóginas, a escola falhou.

Se seguem personagens duvidosas nas redes sociais, a escola falhou.

Entretanto, em casa, um adolescente pode passar quatro, cinco ou seis horas por dia mergulhado em plataformas como TikTok, Instagram ou YouTube — sem qualquer supervisão adulta.

Mas aparentemente o grande risco educativo é um convidado que entra numa escola durante 50 minutos.

Um influencer convidado para uma escola fala uma vez.

Um influencer nas redes sociais fala todos os dias.

Fala às duas da manhã.

Fala durante o jantar.

Fala quando os pais pensam que os filhos estão “a estudar no quarto”.

E fala de tudo: sexo, dinheiro fácil, humilhação pública, misoginia, exibicionismo, desafios absurdos e uma cultura permanente de espetáculo.

Não há projeto educativo.

Não há conselho pedagógico.

Não há regulamento interno.

Há apenas algoritmo.

Há um facto pouco elegante que raramente entra nestas discussões: para muitos adultos, o telemóvel tornou-se o novo babysitter digital.

É cómodo.

O filho está quieto.

Está no quarto.

Não faz perguntas.

Não interrompe.

E portanto está tudo bem.

Ou pelo menos parece.

Porque enquanto os pais descansam com a ilusão de tranquilidade doméstica, os filhos estão a receber uma torrente diária de conteúdos que nenhuma escola autorizaria.

Nenhuma.

Há aqui uma certa hipocrisia social.

Alguns pais ficam indignados se um influenciador aparecer numa escola.

Mas não fazem ideia de quem os filhos seguem, de que vídeos veem, de que discursos repetem ou de que ideias absorvem.

E quando finalmente descobrem, a culpa volta a ser… da escola.

A escola tem responsabilidades, evidentemente. Mas a educação dos jovens não se resume ao horário escolar.

Os pais continuam a ser os principais reguladores do ambiente cultural em que os filhos crescem.

Isso implica coisas pouco populares: saber que aplicações os filhos usam, conhecer os conteúdos que seguem, definir limites de tempo, conversar sobre o que veem e, imagine-se, dizer “não” de vez em quando.

Sim, dá trabalho.

Mas educar sempre deu.

Podemos criar todos os grupos de trabalho que quisermos. Podemos escrever orientações, circulares e recomendações.

Mas enquanto milhares de adolescentes tiverem influencers a viver permanentemente nos seus telemóveis, a discussão sobre quem fala numa escola durante uma hora é quase pitoresca.

O verdadeiro debate não é “que influencers entram na escola”.

É outro.

Que influencers vivem dentro da casa de cada família — e ninguém parece estar muito preocupado com isso.

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Procedimentos concursais para Presidente, Vice-presidente e Vogal do conselho diretivo da AGSE, I. P.

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As nossas crianças não podem ir no cavalinho – Carmen Garcia

“Sexualizar crianças tem riscos. Vejo constantemente vídeos gravados por pais e mães que acham engraçado ver as suas filhas a fazer coreografias eróticas copiadas de vídeos no YouTube.”

As nossas crianças não podem ir no cavalinho

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O ofício do cansaço: heróis do queixume e mártires silenciosos – José Manuel Alho

O cansaço verdadeiro é silencioso.
O falso cansaço é barulhento, teatral, dramático. O autovitimismo, chamemos-lhe assim, é uma forma muito conveniente de esconder a preguiça e a lei do menor esforço com um verniz de “sou tão dedicado que até fico exausto”.
Não são exaustos. São é pouco dados ao trabalho e muito dados à narrativa.

O ofício do cansaço: heróis do queixume e mártires silenciosos

A epidemia do cansaço performativo: quando o lamento suplanta o esforço

Há por aí uma nova epidemia, daquelas que não passa nos telejornais: a pandemia do cansaço performativo. Gente fresca, rosadinha, com ar de quem dorme oito horas, faz sestas ao fim de semana, vai ao brunch e ainda tem tempo para séries e ginásio, mas que abre a boca sempre com o mesmo refrão: “Estou tão cansado… Nem imagina…”

Cansadas de quê, exatamente? De mandar dois emails, ir a uma reunião e carregar no “enviar” do Teams? De terem um dia “cheio” porque tiveram de abrir três fichas em PDF e carregar num link? É um cansaço muito curioso: não lhes pesa no corpo, só no discurso. O cansaço virou credencial, crachá, cartão de visita. Não trabalham muito, mas cansam-se imenso… de falar sobre o quanto trabalham.

Depois há o outro lado. Os tipos que andam a funcionar à base de comprimidos para dormir, comprimidos para não desmaiar, cafés em série e uma agenda que não cabe em lado nenhum. Gente que trabalha até cair, que chega a casa arrastada, que passa noites a preparar coisas, a pensar em problemas, a resolver o que ninguém vê. Gente que, no dia seguinte, aparece: faz o que tem de ser feito, aguenta, segura o barco. Esses, regra geral, dizem só: “Vamos andando”.

É fascinante ver como o mundo aplaude os mártires de cartão. Os que dramatizam cada tarefa: “Foi um dia puxado…”, “Nem tive tempo para respirar…”, “Isto está impossível…”. Depois vamos a ver, e o “dia puxado” cabia num horário de part-time. A produtividade é baixa, o ruído é altíssimo. Trabalham pouco, mas cansam muito o ambiente à volta. Mas, curiosamente, são vistos como dedicados, empenhados, quase heróis do esforço.

O silêncio dos que seguram o mundo: os verdadeiramente exaustos não têm tempo para dramatizar

Já os que se levantam cedo, voltam tarde, vivem carregados de responsabilidades, carregam a casa às costas, a escola às costas, os miúdos às costas, o trabalho às costas, esses não têm tempo para espetáculo. Não se vendem como mártires, não se autofotografam em modo sofrimento, não fazem conferências de imprensa sobre o seu esgotamento. Engolem, em seco, tomam a medicação, respiram fundo e seguem. Sem medalha. Sem palmas. Sem post motivacional.

No fim, o que se vê é isto: o cansaço verdadeiro é silencioso.
O falso cansaço é barulhento, teatral, dramático. O autovitimismo, chamemos-lhe assim, é uma forma muito conveniente de esconder a preguiça e a lei do menor esforço com um verniz de “sou tão dedicado que até fico exausto”.
Não são exaustos. São é pouco dados ao trabalho e muito dados à narrativa.

Talvez um dia se aprenda a diferença entre estar cansado de fazer e estar cansado de existir.
Até lá, os que realmente se sacrificam vão continuar invisíveis, sem condecorações, sem discursos, sem palco.
Os outros continuarão a desfilar o seu cansaço cor de rosa, muito bem penteado, muito bem ensaiado.
E o mais irónico é isto: quando, um dia, os verdadeiramente cansados caírem, o mundo vai perguntar, muito surpreendido: “Mas estava assim tão mal?”

Estava. Só não andava aí a fazer disso profissão.

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A Hidra de Lerna entrou na escola – Carmen Garcia

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Feliz dia Internacional da Mulher

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A prisão de Verão – Alberto Veronesi

Há temas que regressam ciclicamente, como as marés teimosas. Um deles é o da escola que, em vez da casa de saber, se converte numa prisão de verão. Digo-o a propósito do prolongamento do calendário escolar para o pré-escolar e o 1.º ciclo até 30 de junho, essa ideia luminosa que talvez brilhe apenas à distância, lá onde o termómetro do real nunca toca o vidro da janela.
Escrevo, como sempre, a partir de quem esteve onde o quadro e a caneta se misturam com o bafo do calor. Foram mais de vinte e cinco anos ligados ao ensino, vinte deles em frente a uma turma. Há quem acredite que é fácil mitigar temperaturas quando as janelas, quando as há, não abrem, as cortinas, quando existem, não fecham e o sol de junho decide fazer da sala uma pequena estufa pedagógica. Para esses, deixo o convite. Venham experimentar uma tarde de 23 °C lá fora e 28 °C cá dentro, respirando o mesmo ar de vinte e quatro alunos. Talvez então compreendam o que é “ensinar com convicção”.
Mas admito! Compreende-se a leveza da opinião de quem fala sem o corpo presente, sem a pele no jogo. Quem nunca pisou uma sala de aula ou já dela se esqueceu tende a achar que o desconforto é detalhe. Mesmo quem mora em paragens mais frescas julga que o calor se vence com boa vontade, talvez com uma ventoinha e uma garrafa de água. O problema é que a realidade raramente se dobra à imaginação dos gabinetes.
Não falo por achismo, mesmo que queiram isso fazer entender. Há dados, estudos, evidências. Basta lê-los. O Parecer sobre organização do tempo escolar do Conselho Nacional de Educação (2017). O trabalho de Oliveira e colegas (2017) sobre condições térmicas em ambientes de ensino. Os relatórios da OCDE (Education at a Glance 2025) e o artigo de Cuartas et al. (2025) sobre o impacto do calor no desenvolvimento infantil. Até Gomes et al. (2012), no LNEC, mediram o óbvio e concluiram que o calor afeta o desempenho, a concentração, o bem-estar. Estes argumentos, para uns iluminados, é uma miséria intelectual. Para os que sofrem junho a dentro, miseráveis são os que comentam sem conhecimento de causa!
Por isso, se alguém se sente atingido por estas palavras, nada tema: é apenas porque a carapuça assentou.

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Sobre “influencers” e escolas – João André Costa

 

Há dias nos quais a escola mais parece o recreio de outros tempos, do meu tempo, quando o barulho das crianças subia pelas paredes como hera.

O barulho das crianças sobe pelas paredes como hera.

Isto porque agora é moda em Portugal termos as associações de estudantes a convidarem “influencers” digitais para animarem as eleições para as ditas associações.

E quando digo “influencers”, digo homens de corpo feito e, literalmente, tronco nu, cheios de música e abdominais diante de centenas de telemóveis mais milhares de seguidores, e uma biografia digital onde, entre muita dança e agitação, aparecem ligações para plataformas onde o corpo é para vender em parcelas, e quem diz parcelas, diz fatias, e fatias enormes devidamente iluminadas debaixo de néons duvidosos.

Imagino o pátio cheio, os adolescentes comprimidos junto ao palco improvisado, o eco das colunas a reverberar nas janelas da sala de História, e aquela figura ali em cima ainda ontem a filmar outro tipo de espectáculo para outro público, talvez num quarto alugado ou numa cozinha.

A escola, esta escola, em Portugal, mais parece uma casa com a porta escancarada por um sem número de tempestades, e com as tempestades, infelizmente, igual rasto de destruição.

A porta, meus caros, é para fechar a sete chaves e com uma palavra ao melhor estilo de um policial: DBS.

Disclosure and Barring Service, mais conhecido por DBS check, um organismo criado para verificar quem pode ou não trabalhar com crianças, um arquivo interminável de corredores e pastas cinzentas onde cada nome é sujeito às devidas perícias, desde o registo criminal à pegada digital.

Independentemente se quem entra é um putativo, literalmente, professor de matemática, um técnico de informática, um auxiliar de ação educativa, vulgo contínuo, ou um convidado da associação de estudantes.

A todos é requerido a apresentação do papel. Qual papel? O papel, o certificado, o requisito, a chave-mestra e invisível capaz de abrir esta porta, este emprego, esta sala, diante destas crianças.

Até porque sem o papel, a escola permanece fechada na serenidade obstinada de uma grande muralha, a da China de preferência.

Pode esta pessoa trabalhar com crianças?

Se o nome aparecer na lista de indivíduos impedidos de entrar em contacto com menores, a resposta é definitiva e óbvia. O mesmo quando a actividade digital é imprópria para menores.

Esta pessoa não pode ensinar, não pode organizar actividades nem fazer apresentações. Esta pessoa nem sequer pode estar à porta da escola.

Porque em primeiro lugar, e acima de tudo, está o bem estar físico e emocional das crianças com as quais trabalhamos todos os dias.

E para quem pode, e deve, trabalhar com os petizes, cabe a cada escola manter um registo destas averiguações, nomes de gente grande e séria com data, certificado e a autorização devidamente carimbada pela chefia.

Sejamos claros: o salário de um professor em Portugal é equivalente ao salário de um Teaching Assistant em Inglaterra. E em Inglaterra, não é preciso um curso universitário para se ser Teaching Assistant.

O custo de vida? É igual.

Nestes termos, exigir a um professor mil e uma tarefas administrativas e burocráticas não é apenas uma brincadeira de mau gosto. É um insulto. É uma bofetada todos os dias.

E até aqui, estamos todos de acordo.

A discordância surge quando o adulto diante destas crianças vem com o único propósito de angariar mais seguidores à custa de plataformas para maiores de 18 anos de idade.

E num repente os nossos alunos, jovens, influenciáveis, sequiosos de atenção, amigos, aceitação e seguidores, a emularem as mesmas actividades.

Só não vê quem não quer.

Ou quem não sabe.

Ou quem não quis saber.

E quem não quis saber tem a minha idade.

Peço desculpa pelo legado da minha geração.

Porque a fama não abre portas, o número de seguidores não é um certificado e a histeria juvenil não é um pretexto. É apenas histérica.

Ao mesmo tempo, a escola não se pode arrogar a abrir as janelas para deixar entrar o mundo inteiro quando o mundo inteiro são os algoritmos a dançar nos ecrãs.

É elementar.

E sim, em Inglaterra o mundo também entra, mas primeiro tem de mostrar a mala, confirmar a identidade, carimbar um papel.

Só depois se abre a porta.

E mesmo assim devagar, já sabemos bem a força do vento.

 

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Agora são 80.

Influenciador que lucra com sexualização de crianças volta a uma escola após denúncia
Um influenciador digital que faz negócio com a sexualização das crianças voltou a entrar numa escola portuguesa nesta segunda-feira. No dia anterior, uma investigação do PÚBLICO tinha denunciado que, nos dois últimos anos lectivos, 79 escolas receberam influenciadores misóginos e pornógrafos. Agora são 80.

 

Influenciador que lucra com sexualização de crianças volta a uma escola após denúncia

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Orientações? Influencers? NÃO, uma palavra com apenas três letras

Há qualquer coisa de curioso nesta ideia de que o Ministério da Educação precisa agora de criar um grupo de trabalho para ensinar os diretores de escola a dizer “não”.

Segundo notícia da Agência Lusa, o Ministério decidiu constituir um grupo coordenado pelo secretário de Estado da Educação, Alexandre Homem Cristo, para elaborar orientações que permitam aos diretores proibirem atividades contrárias aos fins educativos. A decisão, assinada pelo ministro Fernando Alexandre, surge depois de o jornal Público ter noticiado que 79 escolas receberam, nos últimos dois anos, influenciadores digitais que promovem conteúdos sexuais ou misóginos, muitas vezes convidados por associações de estudantes.

A pergunta que me ocorre é simples: será mesmo necessário?

Dirijo-me sobretudo aos colegas diretores. A esmagadora maioria de nós não precisa de um despacho, de um manual ou de um grupo de trabalho para perceber que a escola não é palco para qualquer tipo de espetáculo. Temos algo muito mais antigo e mais eficaz: bom senso.

Sempre existiram convites, propostas e iniciativas externas. Umas fazem sentido, outras nem por isso. Cabe a quem dirige a escola avaliar, ponderar e decidir. É exatamente para isso que existem diretores. Se um convidado ou uma atividade não tem enquadramento pedagógico, se pode pôr em causa a neutralidade da escola ou se simplesmente não contribui para a formação dos alunos, a resposta é simples: não entra.

Criar mais orientações para regular o que já devia ser decidido com autonomia e responsabilidade é um daqueles reflexos burocráticos que parecem assumir que os diretores precisam de autorização para pensar.

Felizmente, não é assim.

Na maior parte das escolas portuguesas existem diretores experientes, responsáveis e perfeitamente capazes de distinguir entre uma atividade educativa e um momento de entretenimento duvidoso. Não precisamos de um grupo de trabalho para nos lembrar disso.

Precisamos apenas de continuar a fazer aquilo que sempre fizemos: usar o bom senso.

E, até agora, a verdade é que ele tem funcionado bastante melhor do que muitos despachos

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NORMA 01/JNE/2026

INSTRUÇÕES PARA A INSCRIÇÃO NAS

PROVAS E EXAMES DO ENSINO BÁSICO E

DO ENSINO SECUNDÁRIO

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162 Docentes Aposentados em Abril de 2026

São 162 docentes que viram o seu nome publicado na listagem mensal de aposentados da CGA, da rede pública do MECI.

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Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE), I. P., assume competências do extinto Instituto de Gestão Financeira da Educação, I. P.

AGSE, I. P., assume competências do extinto Instituto de Gestão Financeira da Educação, I. P.   

A Agência para a Gestão do Sistema Educativo, I. P., assume, a partir de 1 de março de 2026, as competências anteriormente atribuídas ao Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGeFE) – Instituto de Gestão Financeira da Educação, I. P., na sequência da conclusão do processo de extinção deste organismo. 

A extinção do IGeFE, I. P., enquadra-se no processo de reorganização da Administração Pública e da reforma do setor da Educação, conforme estabelecido no Despacho n.º 919-A/2026, publicado em Diário da República a 27 de janeiro. 

Competências asseguradas pela AGSE, I. P. 

AGSE, I. P., sucede nas atribuições e competências, bem como nos direitos, obrigações e posições contratuais do IGeFE, I. P. – tal como definido no Decreto-Lei n.º 99/2025 Decreto-Lei n.º 99/2025 -, à exceção das matérias de gestão centralizada do processamento das remunerações e abonos devidos aos trabalhadores dos órgãos, serviços e organismos do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI)), incluindo o pessoal docente e técnico das escolas, de aquisição de bens e serviços que não sejam específicos da atividade do MECI, que transitam para a ESPAP, I. P. 

A assunção das funções pela AGSE, I. P., assegura a continuidade dos serviços e dos procedimentos em curso, pretendendo garantir um modelo de gestão mais integrado e desburocratizado. 

Contactos e acompanhamento

No âmbito desta transição, todos os contactos e comunicações relacionados com as áreas anteriormente asseguradas pelo IGeFE, I. P., deverão passar a ser realizados junto da AGSE, I. P., preferencialmente através dos canais oficiais disponibilizados para o efeito. 

Uma gestão mais integrada do sistema educativo

A criação da AGSE, I. P.tem como objetivo simplificar e centralizar a gestão do sistema educativo, promovendo uma maior eficiência administrativa, a redução da fragmentação institucional e a melhoria do serviço prestado às comunidades educativas, assegurando uma resposta mais eficaz e articulada às necessidades do sistema. 

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Aluno de 14 anos leva reprodução de arma de fogo para escola da Nazaré

Chegamos a este ponto? A Escola tem de ser um lugar seguro. a Lei 51/2012 tem que ser revista URGENTEMENTE e de forma a dar à escola a rapidez de atuação que necessita.

 

A PSP apreendeu uma reprodução de uma arma de fogo a um aluno de 14 anos. O adolescente levou o objeto para a escola, alegadamente, por se sentir inseguro, na sequência de episódios de bullying.

Aluno de 14 anos leva reprodução de arma de fogo para escola da Nazaré

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São Muitos Milhões

…a distribuir por todos os que aqui comentarem.

Mais precisamente 194.

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Renovar com 53,4 anos

Começou com a leitura de um artigo do Diário de Notícias, daqueles que se lê com café na mão e um suspiro de incredulidade. No último concurso extraordinário de professores, a idade média dos colocados no pré-escolar foi de 53,4 anos. Li outra vez, cinquenta e três vírgula quatro! No pré-escolar, ou seja, estamos a renovar o sistema com pessoas que já sabem quantos anos faltam para a reforma, como se trocássemos uma lâmpada fundida por outra que já pisca, tecnicamente nova, mas com sinais de fadiga.
Depois fui ver o resto, a idade média dos professores em Portugal ronda os 51 anos e, mais de metade tem 50 ou mais. Até ao final da década, uma fatia enorme poderá reformar-se. Não é dramatização, é matemática cruel, aquela que não deixa espaço para optimismo desmedido.
O curioso é que isto não acontece de um dia para o outro. Primeiro, deixa-se a profissão envelhecer devagar, depois torna-se pouco apelativa para quem está a começar, e por fim olha-se para os números com surpresa genuína, como se eles tivessem caído do céu enquanto todos dormiam.
Nas escolas, a modernização tem o seu próprio sentido de humor, a internet faz pausas dramáticas, cai em aulas importantes, desaparece em reuniões, suspende plataformas a meio das tarefas, como se estivesse a ensaiar para um retiro espiritual. Os computadores, alguns com idade suficiente para votar, continuam a resistir.
Mas não é só digital, faltam professores. Horários inteiros ficam por preencher, turmas esperam semanas por alguém que chegue, e, quando chega, muitas vezes já vem sobrecarregado, porque os que cá estão acumulam o que podem… e o que não podem. Depois há a disciplina nacional, a burocracia. Ensinar é uma parte da profissão, a outra é provar que se ensinou, justificar que se planeou, evidenciar que se avaliou, documentar que se reuniu e, se possível, anexar em triplicado. Se cada relatório desse um ano de vida, estávamos todos muito rejuvenescidos.
Dentro da sala, a realidade é ainda mais absurda. Há alunos brilhantes, há alunos perdidos, há turmas onde manter a concentração exige mais energia do que correr uma maratona, há carências constantes que baralham qualquer planeamento, contextos sociais difíceis que entram pela porta antes mesmo do professor, e no meio disto tudo ainda se fala em inovação: inovação com horários incompletos, equipas reduzidas e professores que fazem de psicólogos, mediadores, técnicos administrativos e, nos intervalos, docentes
Depois perguntam porque é que os jovens não entram na profissão. Talvez porque olham para professores experientes, competentes, dedicados, apaixonados, e os ouvem dizer, com um sorriso já não totalmente leve: “Se pudesse, reformava-me já.” Não é falta de vocação, é desgaste acumulado de anos a segurar um sistema que se mantém de pé muito mais por teimosia profissional do que por estratégia, um sistema que sobrevive de improvisos como quem constrói um avião em voo com fita-cola e esperança
O paradoxo é este: apesar de tudo, as aulas continuam a acontecer, os alunos aprendem, os projetos nascem, as escolas funcionam. Funcionam porque há uma geração inteira a segurá-las com heroísmo discreto, professores que fazem muito com pouco, às vezes com quase nada, transformam limitações em soluções e ainda encontram energia para perguntar no final do dia: “Correu bem?”
Mas heróis também envelhecem, e quando essa geração sair quase em bloco, não vai faltar apenas um docente aqui ou ali, vai faltar gente. Talvez nesse dia descubramos que modernizar não era anunciar plataformas nem multiplicar relatórios. Era investir seriamente nas condições, ouvir quem está no terreno, tornar a profissão desejável antes de a tornar desesperadamente necessária
Ou talvez façamos o que sabemos fazer melhor: abrir mais um concurso extraordinário, com média de idades de 60,1 e um cartaz optimista à porta das escolas: “Procura-se professor. Experiência valorizada. Juventude opcional”.
Entretanto amanhã de manhã a campainha vai tocar, nós estaremos lá, não porque o sistema seja exemplar, mas porque os alunos ainda merecem. Só que convinha alguém perceber uma coisa simples: a escola pública não é eterna, os professores também não, e quando todos desaparecerem, talvez a próxima geração descubra que o plano de modernização consistia essencialmente em computadores que respiram poeira, redes que entram em greve por capricho próprio, relatórios que se multiplicam sozinhos, e que os milagres eram sempre improvisados com paciência, coragem e uma capacidade de fazer parecer normal o que claramente não é! “
(Por Pedro Alexandre Franco, docente de Educação Musical no 2.º ciclo do Ensino Básico)

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Reserva de Recrutamento 41 / Reserva de Recrutamento Concurso Externo Extraordinário 3 – 2025/2026

Estão disponíveis para consulta as listas definitivas de colocação, não colocação e retirados da 41.ª Reserva de Recrutamento 2025/2026 e as listas definitivas de colocação e não colocação da 3.ª Reserva de Recrutamento do Concurso Externo Extraordinário 2025/2026.

Aplicação da aceitação disponível das 0:00 horas de sexta-feira, dia 6 de março, até às 23:59 horas de segunda-feira, dia 9 de março de 2026 (hora de Portugal continental).

SIGRHE – Aceitação da colocação pelo candidato

Listass – Reserva de Recrutamento n.º 41

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Ensinar Não É Substituir o Sistema: Professora no Seu Limite…

 

Os professores encontram-se, de forma generalizada, num estado profundo de cansaço físico, emocional e profissional. A exaustão acumulada resulta de um sistema educativo que, progressivamente, tem vindo a desvirtuar a essência da função docente, impondo aos professores responsabilidades que extravasam claramente o âmbito da sua formação e das suas competências profissionais.

Urge proceder a uma revisão séria, responsável e urgente do Estatuto da Carreira Docente. Os professores não podem continuar a ser chamados a desempenhar, em simultâneo, o papel de educadores, pais, mães, avós, psicólogos, assistentes sociais, secretárias e técnicos administrativos. A nossa missão central é ensinar, planear, avaliar e promover aprendizagens significativas — não substituir falhas estruturais de um sistema que insiste em transferir responsabilidades para quem já se encontra no limite.

A realidade das salas de aula é cada vez mais complexa. Não é humanamente sustentável exigir a um único professor a gestão pedagógica e emocional de turmas com 23 alunos, incluindo crianças com Perturbações do Espectro do Autismo e outras necessidades educativas específicas, sem os recursos humanos, técnicos e especializados adequados. A inclusão não se decreta; constrói-se com meios, com equipas multidisciplinares e com respeito pelo trabalho docente.

Escolhi esta profissão por vocação. Frequentei um curso superior para ser professora, não para assumir tarefas administrativas que não me competem, nem para desempenhar funções para as quais não fui formada. Se o sistema entende que estas tarefas fazem parte do nosso dever profissional, então devem ser claramente definidas, reconhecidas e devidamente remuneradas.

É igualmente inaceitável que se normalize a observação de aulas entre pares como instrumento de controlo e desconfiança. Não fui formada para fiscalizar o trabalho de outros docentes, nem me considero legitimada para interferir na prática pedagógica de colegas. Esta lógica fere a ética profissional, fragiliza as relações nas escolas e desrespeita a autonomia docente.

Se este caminho persistir, os senhores diretores e o próprio sistema educativo enfrentarão um problema gravíssimo: a ausência de professores. Ninguém aguenta indefinidamente um modelo assente na sobrecarga, na desvalorização e na falta de escuta. Os professores estão cansados de dizer sempre “ámen” a decisões que não os respeitam e que ignoram a realidade do terreno.

Este desabafo não nasce da falta de profissionalismo, mas do excesso dele. Nasce da indignação de quem dá tudo à escola e aos alunos e, ainda assim, sente que a sua voz é sistematicamente silenciada. É tempo de ouvir os professores. É tempo de agir.

Exausta

Sandra Porto Ferreira

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E as Vagas para o tal grupo de Educação Física do 1.º Ciclo?

No país das reformas educativas permanentes e das promessas sempre “já a seguir”, o apuramento de vagas para 2026/2027 chegou com a solenidade habitual, aquele ar de documento sério que decide destinos profissionais, vidas familiares e a estabilidade das escolas. Chegou, foi analisado e, como tantas vezes acontece na educação portuguesa, trouxe consigo uma pequena ausência que não é pequena coisa nenhuma. O grupo de recrutamento de Educação Física do 1.º ciclo simplesmente não está lá.

É uma ausência curiosa. Ainda há poucos meses o Orçamento do Estado para 2026 fazia eco de uma ideia que parecia finalmente entrar no domínio do bom senso. A Educação Física no 1.º ciclo, lecionada por docentes especializados. Uma medida que reconhece o óbvio. Que as crianças precisam de movimento, de aprendizagem motora estruturada, de hábitos saudáveis desde cedo e que isso, como tudo na escola, deve ser feito por quem tem formação para o fazer.

Parecia, portanto, que estávamos perante uma decisão política com tradução administrativa inevitável. Primeiro reconhece-se a necessidade, depois criam-se as condições. Primeiro escreve-se no orçamento, depois planeiam-se os recursos humanos. Uma sequência lógica, quase banal.

Mas a educação portuguesa tem um talento particular para baralhar a lógica mais elementar.

O apuramento de vagas surge e o novo grupo não aparece. Não há vagas, não há planeamento, não há sinal de que a medida esteja sequer a caminho da realidade. O que existe é o velho truque administrativo. Aprova-se a ideia, anuncia-se a intenção, aplaude-se a modernidade da política pública e depois, no momento em que o sistema precisa de a concretizar, instala-se um silêncio burocrático muito confortável.

Porque criar um grupo de recrutamento implica decisões concretas. Implica concursos, necessidades permanentes, integração no sistema. Implica assumir que a Educação Física no 1.º ciclo não é um adorno simpático nem uma atividade quando há tempo ou espaço no horário. Implica tratá-la como disciplina.

E isso, aparentemente, já é demasiado exigente.

Há algo quase fascinante na capacidade da administração educativa para produzir políticas que existem no papel mas não na realidade. É uma espécie de ficção legislativa. O país lê no Orçamento do Estado que haverá Educação Física especializada no 1.º ciclo. Os professores acreditam que o sistema vai preparar-se para isso. As escolas imaginam que finalmente haverá organização e coerência.

Depois chega o documento que deveria transformar a promessa em prática e… nada.

A Educação Física continua naquele limbo muito português em que todos dizem que é importante, mas o sistema age como se fosse dispensável. Discursa-se sobre obesidade infantil, saúde pública, desenvolvimento integral das crianças e estilos de vida ativos, mas quando chega o momento de estruturar a escola para responder a esses desafios, a prioridade evapora-se com uma facilidade impressionante.

Talvez alguém explique que ainda é cedo. Que está em estudo. Que será faseado. Que se trata de um processo gradual. São as palavras preferidas da burocracia quando o que existe, na verdade, é simplesmente adiamento.

Entretanto, o sistema educativo continua a produzir documentos impecáveis e decisões incompletas. Professores continuam à espera de concursos que correspondam às políticas anunciadas. Escolas continuam a gerir expectativas que não dependem delas. E o país continua a acreditar que a escola vai resolver problemas complexos com estruturas que raramente são pensadas até ao fim.

O curioso é que ninguém parece particularmente surpreendido. A educação em Portugal habituou-se a viver entre anúncios entusiasmados e execuções hesitantes. Entre reformas que começam antes de terminar as anteriores e medidas que aparecem no orçamento mas não aparecem nos concursos.

O apuramento de vagas para 2026/2027 é apenas mais um episódio dessa longa tradição.

No papel avança-se. Na prática espera-se. E no meio desta coreografia administrativa ficam, como sempre, as escolas, os professores e os alunos, a assistir a mais uma promessa que entrou no sistema educativo com grande entusiasmo e saiu pela porta discreta da realidade.

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Crianças em fralda, Pais em miniatura – José Manuel Alho

Crianças em fralda, Pais em miniatura

O mundo às avessas na cadeirinha

Na imagem, tal como no quotidiano de qualquer um de nós, já todos vimos, ainda que em sentido metafórico, um daqueles momentos em que um bebé de fralda domina a cena, enquanto a figura adulta encolhe, sentada na cadeirinha, como se fosse o brinquedo obediente que ele exige. É a analogia perfeita de uma parentalidade que abdicou da sua estatura moral. Quando os adultos trocam a autoridade pela ânsia de serem “melhores amigos” dos filhos, deixam de ser porto seguro para se tornarem reféns emocionais de pequenos estrategas, treinados num curso intensivo de chantagem afetiva e consumo imediato.​

De pequenos ditadores a grandes problemas

A psicologia já batizou o fenómeno: “síndrome do pequeno imperador”, crianças que crescem convencidas de que tudo gira à volta do seu umbigo, habituadas a negociar cada regra, incapazes de suportar a mínima frustração. Sem limites claros, não nascem cidadãos livres, nascem tiranetes domésticos, prontos a exportar o seu reinado de birras para a Escola, para o recreio, para a sala de aula (Fraiman, 2022; Zolet, 2017).​

Pais-democratas, filhos-autocratas

Muitos pais confundem respeito com medo de desagradar, diálogo com capitulação, escuta com ausência de critério. Transformam a casa numa assembleia permanente onde uma criança de seis anos tem direito de veto sobre tudo. Como lembrava Maria Montessori, educar é “ajudar a vida”, não é servi-la de bandeja (Montessori, 1983; Montessori, 2004). Quem abdica de orientar, em nome de uma falsa modernidade, condena o filho a um analfabetismo emocional que ele pagará caro, em todas as relações que vier a ter.​

Quando a Escola herda o caos

O problema é que estas crianças chegam à Escola munidas de um mandato de impunidade: falam por cima do Professor, desafiam funcionários, gravam, expõem, humilham, tudo isto sob o olhar cúmplice ou distraído de muitos adultos. O Professor, outrora referência incontestada, tornou-se personagem vulnerável, filmado, denunciado, processado, culpado à partida sempre que tenta exercer a mínima autoridade educativa (Machado, 2021; Dias & Barroso, 2023).​

A deserção política e o futuro em risco

O poder político, ocupado em legislar por cima das escolas e em prometer felicidade instantânea a famílias exaustas, tem contribuído ativamente para desautorizar quem ensina: relativiza regras, burocratiza sanções, desinveste em meios humanos e, sobretudo, recusa-se a dizer o óbvio: sem professores respeitados não há futuro coletivo minimamente decente. Num país que trata a Escola como depósito de crianças e os professores como serviço ao domicílio, o que esta fotografia anuncia não é uma graça inocente da infância. É o retrato antecipado de uma sociedade em que a infância comanda e os adultos, miniaturizados, se limitam a pedir desculpa por ainda existir.

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Foi fatal proletarizar os professores – Paulo Prudêncio

Sucederam-se diversas campanhas eleitorais sem uma linha substantiva sobre a falta estrutural de professores. No essencial, o tema da escola pública e dos seus professores não existe eleitoralmente há quase duas décadas. Estabeleceu-se um crescente desprezo pelo assunto, directamente proporcional à consolidação da fatal proletarização dos professores.

Foi fatal proletarizar os professores

E se um professor romper publicamente com o marasmo, a poderosa bolha político-mediática classificá-lo-á como corporativo e alarmista. Foi assim na recente recuperação do tempo de serviço, e mais atrás com os avisos de que um dia faltarão professores ou que os eleitores se radicalizarão.
Aliás, para além dessa justa recuperação não ter criado qualquer convulsão na função pública, repita-se que a percentagem para a Educação no Produto Interno Bruto (2026) baixará, pela primeira vez desde 1973, do limite mínimo democrático dos 3%. Portanto, foi sensata a opinião de Pep Guardiola a propósito da recente hiper-mediatização de um alegado acto racista num jogo de futebol: “o racismo está em todo o lado. Paguem mais aos professores. Os professores e os médicos devem ser, de longe, os profissionais mais bem pagos da sociedade”.
Na realidade, as gerações que têm governado – dos políticos aos académicos e passando pelos lobistas viciados no financiamento do orçamento do Estado – são responsáveis por este trágico legado. Além de se terem tornado numa espécie de confraria de “bullies” dos professores, tutelam e asfixiam a democracia escolar há quase duas décadas. E não degradaram apenas a carreira. Afastaram preconceituosamente os professores do centro do poder escolar, com resultados negativos estruturais e diários.
A bem dizer, desvalorizaram teimosamente um conjunto de princípios vitais, que se resume em tristes afirmações de governantes: perderam-se os professores, mas ganharam-se os pais; há professores a mais e os excedentes devem emigrar; os directores são os braços direitos do poder que resolverão a falta de professores.
Na verdade, quando Passos Coelho acusa a viciação de concursos públicos, é crucial sublinhar que não há sector da administração pública com a avaliação de profissionais mais viciada do que a Educação e com um concurso de dirigentes (nas escolas), seguido de eleição, mais contaminado por flagrantes irregularidades e parcialidades.
Efectivamente, as escolas são o último reduto do caudilhismo na administração pública, com dirigentes em funções durante quase duas, três ou quatro décadas, e com mandatos que podem chegar aos oito anos. E, a propósito, quem não se recorda dos dinossauros nas autarquias? Pois bem, a limitação de mandatos para cerca de uma década acabou com o flagelo e o recente comboio de tempestades evidenciou a importância desse princípio inalienável.
Mas o que se tornou mais surpreendente no desprezo pela escola como laboratório da democracia foi o desapreço pela aprendizagem. É que a democracia é uma aprendizagem diária, exigente e em permanente construção. Os adultos, a começar pelos professores, têm que ser sujeitos e objectos desse exercício. É crucial para a sua cidadania e um exemplo fundamental para os jovens e para os alunos como futuros eleitores.
Por essa razão, não foi surpreendente a declaração de Miguel Carvalho, autor do livro Dentro do Chega – A face oculta da extrema-direita em Portugal: “os ficheiros estão cheios de professores”. E a afirmação surgiu a propósito dos militantes, ou eleitores, desse partido não conhecerem a História, não acreditarem na ciência, serem seduzidos por desinformação ou protestarem pelo menosprezo profissional a que são votados.
Na mesma linha de erros imperdoáveis, a queda da democracia escolar também se espelha na desvalorização dos conselhos pedagógicos das escolas, com o argumento de que se perdia muito tempo a debater. Repare-se em três resultados:
1. há, no mínimo, 79 escolas que receberam influenciadores que fazem da sexualização das crianças “um negócio”;
2. há várias escolas e universidades que anglicizaram, naquilo que Paulo Guinote denomina por “Cosmoparolismo”, os nomes das actividades ou das organizações;
3. e como súmula dos pontos anteriores, o projecto Teach for Portugal, que não é sequer uma organização do ensino superior, entra nas escolas públicas e promete “carreiras” na linha da falhada e desqualificada privatização sueca da Educação na década de 1990 (os suecos concluíram, “muito tardiamente”, dizem eles, que o orçamento de Estado para a Educação não deve ser objecto de negócios que originem lucros privados).
Resumidamente, é notória a encruzilhada em que caiu a escola pública. Se está feito o diagnóstico da proletarização dos professores e a terapia exige coragem, é seguro que não se enfrentará a crise sem a sua mobilização. Para isso, é crucial devolver à escola o ambiente inteiro e limpo. Apesar do indisfarçável aumento dos custos com tantos anos de inacção, a mudança ainda está nas mãos das gerações que governam.

 

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