Orientações? Influencers? NÃO, uma palavra com apenas três letras

Há qualquer coisa de curioso nesta ideia de que o Ministério da Educação precisa agora de criar um grupo de trabalho para ensinar os diretores de escola a dizer “não”.

Segundo notícia da Agência Lusa, o Ministério decidiu constituir um grupo coordenado pelo secretário de Estado da Educação, Alexandre Homem Cristo, para elaborar orientações que permitam aos diretores proibirem atividades contrárias aos fins educativos. A decisão, assinada pelo ministro Fernando Alexandre, surge depois de o jornal Público ter noticiado que 79 escolas receberam, nos últimos dois anos, influenciadores digitais que promovem conteúdos sexuais ou misóginos, muitas vezes convidados por associações de estudantes.

A pergunta que me ocorre é simples: será mesmo necessário?

Dirijo-me sobretudo aos colegas diretores. A esmagadora maioria de nós não precisa de um despacho, de um manual ou de um grupo de trabalho para perceber que a escola não é palco para qualquer tipo de espetáculo. Temos algo muito mais antigo e mais eficaz: bom senso.

Sempre existiram convites, propostas e iniciativas externas. Umas fazem sentido, outras nem por isso. Cabe a quem dirige a escola avaliar, ponderar e decidir. É exatamente para isso que existem diretores. Se um convidado ou uma atividade não tem enquadramento pedagógico, se pode pôr em causa a neutralidade da escola ou se simplesmente não contribui para a formação dos alunos, a resposta é simples: não entra.

Criar mais orientações para regular o que já devia ser decidido com autonomia e responsabilidade é um daqueles reflexos burocráticos que parecem assumir que os diretores precisam de autorização para pensar.

Felizmente, não é assim.

Na maior parte das escolas portuguesas existem diretores experientes, responsáveis e perfeitamente capazes de distinguir entre uma atividade educativa e um momento de entretenimento duvidoso. Não precisamos de um grupo de trabalho para nos lembrar disso.

Precisamos apenas de continuar a fazer aquilo que sempre fizemos: usar o bom senso.

E, até agora, a verdade é que ele tem funcionado bastante melhor do que muitos despachos

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