28 de Março de 2026 archive

Consulta pública | Revisão das Aprendizagens Essenciais

Consulta pública | Revisão das Aprendizagens Essenciais

 

 

Encontra-se em consulta pública a proposta de revisão das Aprendizagens Essenciais do ensino básico e do ensino secundário.

Este processo resulta do trabalho desenvolvido ao longo de 2025, com a participação de associações profissionais, sociedades científicas e peritos, sendo agora disponibilizado pelo EduQA para auscultação dos interessados.

A revisão tem como objetivo reforçar a clareza, a coerência e o carácter orientador das Aprendizagens Essenciais, integrando a experiência de implementação nas escolas.

Destacam-se, entre as principais alterações, a harmonização dos documentos, a explicitação da avaliação, com a introdução de descritores de desempenho, e a articulação com a Cidadania e Desenvolvimento.

Leia Mais

 

Consulte os documentos e participe na consulta pública, até 28 de abril.

Documento de enquadramento

Aprendizagens Essenciais do Ensino Básico

Aprendizagens Essenciais do Ensino Secundário

 

Consulta Pública – Aprendizagens Essenciais Ensino Básico

 

Português | 1.º Ano | 2.º Ano | 3.º Ano | 4.º Ano | 5.º Ano | 6.º Ano | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Matemática | 1.º Ano | 2.º Ano | 3.º Ano | 4.º Ano | 5.º Ano | 6.º Ano | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Estudo do Meio | 1.º Ano | 2.º Ano | 3.º Ano | 4.º Ano

Educação Artística – Artes Visuais | 1.º ciclo

Educação Artística – Expressão Dramática/Teatro | 1.º ciclo

Educação Artística – Dança | 1.º ciclo

Educação Artística – Música | 1.º ciclo

Cidadania e Desenvolvimento | 1.º, 2.º e 3.º  ciclo

Educação Física | 1.º Ano | 2.º Ano | 3.º Ano | 4.º Ano | 5.º Ano | 6.º Ano | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano | Anexo 1 | Anexo 2 | Anexo 3

Inglês | 3.º Ano | 4.º Ano | 5.º Ano | 6.º Ano | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

TIC | 1.º ciclo | 5.º Ano | 6.º Ano | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

História e Geografia de Portugal | 5.º Ano | 6.º Ano

Ciências Naturais | 5.º Ano | 6.º Ano | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Educação Visual | 2.º ciclo | 3.º ciclo

Educação Tecnológica | 2.º ciclo | 3.º ciclo

Educação Musical | 2.º ciclo | 3.º ciclo

Língua Estrangeira II – Alemão | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Língua Estrangeira II – Espanhol | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Língua Estrangeira II – Francês | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

História | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Geografia | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Físico-Química | 7.º Ano | 8.º Ano | 9.º Ano

Português Língua Não Materna | Nível A1 Nível A2 | Nível B1

 

Consulta Pública – Aprendizagens Essenciais Ensino Secundário

 

Formação Geral

Português | 10.º Ano | 11.º Ano | 12.º Ano

Filosofia | 10.º Ano | 11.º Ano

Inglês Continuação | 10.º Ano 11.º Ano

Alemão Iniciação | 10.º Ano | 11.º Ano

Alemão Continuação | 10.º Ano | 11.º Ano

Espanhol Iniciação | 10.º Ano | 11.º Ano

Espanhol Continuação | 10.º Ano | 11.º Ano

Francês Iniciação | 10.º Ano | 11.º Ano

Francês Continuação | 10.º Ano | 11.º Ano

Educação Física | 10.º Ano | 11.º Ano | 12.º Ano | Anexo 4

Português Língua Não Materna | Nível A1 | Nível A2 | Nível B1

 

Formação Específica

Desenho A | 10.º Ano | 11.º Ano | 12.º Ano

História A | 10.º Ano | 11.º Ano | 12.º Ano

Matemática A | 10.º Ano | 11.º Ano | 12.º Ano

Biologia e Geologia | 10.º Ano | 11.º Ano

Economia A | 10.º Ano | 11.º Ano

Física e Química A | 10.º Ano | 11.º Ano

Geografia A | 10.º Ano | 11.º Ano

Geometria Descritiva A | 10.º Ano | 11.º Ano

História B | 10.º Ano | 11.º Ano

História da Cultura e das Artes | 10.º Ano | 11.º Ano

Alemão Iniciação | 10.º Ano | 11.º Ano

Alemão Continuação | 10.º Ano | 11.º Ano

Espanhol Iniciação | 10.º Ano | 11.º Ano

Espanhol Continuação | 10.º Ano | 11.º Ano

Francês Iniciação | 10.º Ano | 11.º Ano

Francês Continuação | 10.º Ano | 11.º Ano

Latim A | 10.º Ano | 11.º Ano

Literatura Portuguesa | 10.º Ano | 11.º Ano

Matemática Aplicada às Ciências Sociais | 10.º Ano | 11.º Ano

Matemática B | 10.º Ano | 11.º Ano

Antropologia | 12.º Ano

Biologia | 12.º Ano

Ciência Política | 12.º Ano

Clássicos da Literatura | 12.º Ano

Direito | 12.º Ano

Economia C | 12.º Ano

Filosofia A | 12.º Ano

Física | 12.º Ano

Geografia C | 12.º Ano

Geologia | 12.º Ano

Grego | 12.º Ano

Inglês Continuação | 12.º Ano

Alemão Iniciação | 12.º Ano

Alemão Continuação | 12.º Ano

Espanhol Iniciação | 12.º Ano

Espanhol Continuação | 12.º Ano

Francês Iniciação | 12.º Ano

Francês Continuação | 12.º Ano

Latim B | 12.º Ano

Literaturas de Língua Portuguesa | 12.º Ano

Materiais e Tecnologias | 12.º Ano

Oficina de Artes | 12.º Ano

Oficina de Multimédia B | 12.º Ano

Psicologia B | 12.º Ano

Química | 12.º Ano

Sociologia | 12.º Ano

Aplicações Informáticas B | 12.º Ano

Oficina de Design | 12.º Ano

Teatro | 12.º Ano

Cidadania e Desenvolvimento | Ensino Secundário

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1ª Fase da revisão das Aprendizagens Essenciais e modernização do currículo

O XXV Governo Constitucional assumiu, no seu Programa, o compromisso de melhorar a aprendizagem dos alunos através de um currículo mais exigente, mais claro, mais coerente e mais preparado para responder aos desafios do presente e do futuro, nomeadamente os relacionados com a digitalização e a Inteligência Artificial. No mesmo sentido, o XXV Governo Constitucional comprometeu-se com a revisão da matriz curricular e com a reestruturação dos ciclos do ensino básico, alinhando-o com as tendências internacionais, com vista a um melhor desenvolvimento integral dos alunos.

A primeira fase do processo promovido pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação culmina com a presente consulta pública da versão preliminar das Aprendizagens Essenciais (AE) revistas. Após a conclusão deste período de consulta pública, esta versão será objeto de consolidação, integrando os contributos recebidos, incorporando as dimensões do digital e da Inteligência Artificial, bem como ajustando-se à revisão da matriz curricular. Desta consolidação resultará uma nova versão, a qual será submetida a nova consulta pública, prevista para o ano de 2027.

 

Continuar a ler o documento aqui

 

 

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Onde estão a errar os pais na educação dos filhos?

 

Há uma ideia perigosamente romântica a infiltrar-se na educação contemporânea, a de que uma infância sem frustração é sinónimo de amor bem dado. Não é. É, muitas vezes, o primeiro passo para formar jovens emocionalmente frágeis, incapazes de lidar com o mundo real,  esse lugar pouco dado a negociações, onde ninguém está particularmente interessado em saber se o “menino ficou triste”.

Frustrar uma criança não é maltratá-la. É, pelo contrário, um dos atos mais responsáveis e estruturantes que um pai ou mãe pode ter. Mas atenção, falamos de frustração com intenção, com medida e, acima de tudo, com afeto. Não se trata de negar por negar, mas de ensinar que o “não” existe e que não é o fim do mundo.

Hoje, muitos pais confundem proteção com permissividade. Evitam o conflito, antecipam desejos, removem obstáculos. Resultado? Crianças que crescem convencidas de que o mundo funciona à sua medida.  Não funciona. E quando esse choque acontece, na escola, no primeiro “não” de um professor, na rejeição de um grupo, na exigência de um chefe, o impacto é brutal.

A frustração precoce é, na verdade, um treino para a vida. Ensina tolerância ao erro, resiliência, paciência, capacidade de adiar recompensas. Ensina, no fundo, a sobreviver. Porque ao contrário do que alguns parecem acreditar, nenhuma criança nasce equipada com estas competências. Elas constroem-se. E constroem-se, inevitavelmente, no desconforto.

A escola é o primeiro grande teste. Não é perfeita, longe disso, mas tem uma característica que a casa muitas vezes perdeu, regras que não são negociáveis. Uma criança que chega à escola sem nunca ter ouvido um “não” consistente, sem nunca ter esperado pela sua vez, sem nunca ter lidado com a frustração de não ser o centro do universo… está condenada a sofrer. E, pior, a falhar onde poderia ter sucesso.

E depois há o discurso, ingénuo ou conveniente, de que “cada criança tem o seu tempo” para tudo. Tem, claro. Mas não tem o direito de crescer à margem da realidade. O mundo não abranda para esperar que alguém desenvolva maturidade emocional aos 25 anos porque em casa nunca foi contrariado.

Pais que evitam frustrar os filhos não estão a poupá-los nem a protegê-los. Estão a adiar um embate que será mais duro, mais injusto e, muitas vezes, irreversível. A sociedade não educa com carinho. Não explica duas vezes. Não adapta regras porque alguém “não gostou”. E quando essa função passa dos pais para o mundo, o mundo ganha sempre.

Educar é preparar para a vida fora de casa, não criar uma bolha confortável onde tudo corre bem. É dizer “não” quando é mais fácil dizer “sim”. É permitir que a criança sinta desconforto, que falhe, que espere, que perca. Sempre com presença, sempre com afeto, mas sem ceder ao facilitismo.

Porque no fim, o objetivo não é criar crianças felizes a qualquer custo. É criar adultos capazes. E isso, goste-se ou não, começa com a arte, cada vez mais rara, de frustrar bem.

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E Bunkers, Não?

Pelo andar dos últimos tempos também seria uma boa ideia.

 

Reconstrução de escolas assentará em modelo que suporte ventos ciclónicos, diz ministro

 

 

Fernando Alexandre garante que as escolas reconstruídas terão de resistir a sismos, incêndios e ventos extremos — e poderão funcionar como abrigos em caso de calamidade.

 

O Governo revelou esta sexta-feira, em Leiria, que a reconstrução das escolas assentará num modelo comum de construção, sustentado no exemplo de países expostos a ventos de 200 quilómetros, garantindo a sua resistência.

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Suspeito Que Isto Não Venha a Acontecer

Porque o MECI/IAVE irão forçar as provas de monitorização e finais em qualquer solução que venha a ser encontrada para o novo ciclo de estudos que vai ser criado.

 

Proposta avaliação sem notas quantitativas até ao 6.º ano

 

Além de um primeiro ciclo de seis anos e do fim da monodocência, o Conselho Nacional de Educação (CNE) defende alterações profundas na avaliação, predominantemente formativa, centrada nas aprendizagens e sem notas quantitativas até ao 6.º ano.

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A filha da Isabel vai para o estrangeiro – João André Costa

 

A Isabel apareceu-me no ecrã como quem bate à porta sem avisar, um rectângulo luminoso a abrir-se ao fim do dia, e lá estava a fotografia: a filha, ainda com aquele ar de quem não decidiu se é criança ou já outra coisa qualquer, encostada a um balcão cheio de folhetos coloridos, bandeiras minúsculas espetadas em mapas a prometer mundos e fundos.

E a legenda: treze anos e já a aprender a partir.

Lembro-me da Isabel na escola secundária, o cabelo preso com uma caneta, os cadernos desarrumados, a rir-se de tudo como se o futuro fosse uma coisa vaga, um rumor demasiado distante para incomodar.

Se nenhum de nós pensava em cursos, escolhas, decisões, preocupações, universidades, responsabilidades, muito menos pensávamos em países cujos nomes nem sequer sabíamos pronunciar.

Para quê? Os pais estavam presentes, a família providenciaria e o futuro não era apenas risonho, era confortável e tranquilo.

E a vida, um descanso.

Um regalo.

Era bom viver.

E agora a filha, com treze anos apenas e já a percorrer corredores de luz branca, a aceitar panfletos de universidades com nomes em inglês, alemão, nomes para dizer com a boca cheia num trava-línguas.

Imagino-a a pegar nos papéis com cuidado, como quem recolhe provas de uma vida possível, dobrando-os depois na mochila ao lado do estojo e dos cadernos de matemática. Uma infância de panfletos, uma adolescência de mapas.

E a Isabel, do outro lado da fotografia, fora do enquadramento, a olhar para a filha como quem vê um comboio a partir devagar enquanto diz para si mesma ainda haver tempo.

Tempo para um último beijo.

Tempo para um último abraço.

O último abraço.

Quando voltares, já não serás a minha filha, dizes.

E nada disto está a acontecer, nada disto vai acontecer, isto é uma grande patranha, a última patranha.

Um país sem vergonha nenhuma de ver os filhos partir. Os nossos filhos, não os filhos dos outros, entenda-se.

Sempre os nossos filhos, os primeiros na linha da frente contra os canhões, marchar.

E os canhões ficam na mesma…

Uma mãe a ver a casa esvaziar-se por antecipação, e a distância já não é uma hipótese, mas uma disciplina.

Talvez haja um orgulho tímido, envergonhado até, a crescer no meio do peito, misturado com um medo incapaz de confessar nas redes.

Porque a minha filha vai para o estrangeiro, a minha filha vai ser alguém na vida e o sucesso é para partilhar.

Ao contrário do silêncio de um quarto intacto, incólume, parado no tempo, e o silêncio ninguém fotografa, a solidão ninguém partilha.

Penso na rapariga, na filha da Isabel, a atravessar stands como quem atravessa fronteiras invisíveis. Há ali uma curiosidade, claro, um fascínio quase turístico: as imagens de cidades limpas, bibliotecas infinitas, campus a parecerem jardins.

Mas também há uma aprendizagem discreta da ausência, uma preparação para não pertencer completamente a lado nenhum. Nem daqui, nem de lá.

A Isabel partilhou a publicação com um coração e um emoji sorridente no fim, como quem procura simplificar não apenas palavras, mas emoções.

A Isabel a reduzir o mundo a um par de símbolos enquanto se engana a si mesma e está tudo bem, mesmo quando não está completamente.

Porque o verdadeiro estrangeiro começa muito antes da viagem, começa ali, naquele instante no qual uma rapariga de treze anos aprende a imaginar-se longe.

E o difícil não é partir, até porque partir é inevitável. O difícil é o ensaio para a partida. O difícil é este primeiro panfleto guardado na mochila, seguido de tantos outros.

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