Os Professores e a “conversa” que a classe dominante tem utilizado

Os Professores e a “conversa” que a classe dominante tem utilizado

 

 

Não acham que os nossos impostos são mais bem aplicados para pagar aos professores (aquilo a que têm direito), “ e paguem a educação a que todos merecemos, financiem o sistema de educação do que todos os desperdícios que a má gestão do erário público, a corrupção, o tráfico de influências e o nepotismo têm gerado? Não falo só da banca e do “regabofe” a que temos assistido”.

Reparem no truque dos comentadores do sistema a propósito das eleições europeias. Claro que este discurso é desmascarado e contestado pela realidade. Portugal registava, em 2000, data da adesão ao euro, uma dívida pública de 48,6% do PIB – inferior aos critérios de Maastricht que impõem 60% – que, em finais de 2018, quase triplicou – situando-se nos 121,5% do PIB -, agora ensaia-se outro tipo de discurso, para complementar este.

Por exemplo o discurso que Carlos Moedas, o comissário europeu português, ensaia num artigo que agora publicou na edição do jornal Expresso do passado dia 11.05.2019 e onde afirma ser necessário que os europeus se empenhem em 3 frentes de ação política: identidade, desigualdade e governança que, ademais e segundo ele, estarão interligadas.

É óbvio que, a ser necessário este empenhamento, isso quer dizer que o projeto europeu, consubstanciado na UE, faliu. Não conseguiu a identidade que propalava, cavou ainda mais as desigualdades e agravou as condições de pobreza o que torna o projeto ingovernável e insustentável.

 

Voltemos aos professores, reparem na pornografia da corrupção em Portugal: Caso “Fax de Macau”, Caso “Paquetes da Expo”, Caso “Tecnoforma”, Caso “Bragaparques”, Caso “Freeport”, Caso “Vistos Gold” etc.

Pasme-se com o que se passa com os Srs. Deputados, teve de ser, Ferro Rodrigues a pedir em dezembro “máxima urgência” para resolver as viagens e as moradas dos deputados.

Para já, há uma certeza: o grupo de trabalho que está a preparar propostas de alteração à resolução que regulamenta os “princípios gerais de atribuição de despesas de transporte e alojamento e de ajudas de custo aos deputados” defende que só sejam pagas as viagens que forem mesmo feitas e declaradas.

Reparem no pormenor “as viagens que forem mesmo feitas e declaradas” que “mimo”!

Relativamente aos professores, a linguagem é de ódio, por um lado estes “opinadores” não reconhecem que “todos os trabalhadores têm o direito de lutar por melhores salários, carreiras e condições de trabalho. E o facto de uns trabalhadores “não terem” o que outros reivindicam não retira legitimidade a estes para exigirem para si o que consideram justo,” por outro lado esquece o ameaçador 1.º Ministro Costa que fez “acordos políticos com o BE e o PCP para dar suporte parlamentar a um governo socialista, mas isso nunca impediu o PS de procurar e conseguir entendimentos pontuais com o PSD para fazer passar iniciativas políticas a que se opunham os partidos à sua esquerda. Então por que razão, numa matéria como o tempo de serviço dos professores, em que o governo se entrincheirou numa posição fechada, insensata e intransigente, deveriam estar os restantes partidos impedidos de dialogar, procurando uma base comum de entendimento?”

 

Ricardo Basoalto

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