Cordão humano em Gaia contra agressão a professora e falta de segurança na escola

Cordão humano em Gaia contra agressão a professora e falta de segurança na escola

Vila Nova de Gaia, Porto, 17 mai 2019 (Lusa) – Cerca de 70 pessoas fizeram hoje um cordão humano em Vila Nova de Gaia em protesto pela agressão quarta-feira a uma professora da Escola Básica nº 2 de Campolinho, alertando também para a falta de segurança.

O incidente, segundo a coordenadora da escola, Manuela Castro, ocorreu às 15:50 de quarta-feira, altura em que “a mãe e a avó de uma aluna entraram sem autorização na escola”, dirigindo-se à sala de aula onde “agrediram e empurraram a professora pelas escadas abaixo”.

Dando conta que a professora agredida “não vai voltar à escola” devido a estar “física e psicologicamente muito debilitada”, a responsável informou que a partir de segunda-feira “vai regressar uma professora que estava noutra escola a dar apoio educativo”.

A coordenadora, que garantiu “apoio psicológico às 18 crianças” da turma do II ano letivo a partir de segunda-feira, sustentou não existirem “indícios que pudessem conduzir a esta situação”.

“A menina apenas se recusava a querer trabalhar na escola, chorava e não queria vir para as aulas. No recreio estava muito bem, mas quando tocava não queria voltar para a sala”, argumentou Manuel Castro, admitindo que a aluna pudesse não se sentir “motivada” para aprender, salientando que esta está no segundo ano na escola e que “até agora teve um comportamento normal”.

Argumentando que os “problemas começaram há duas semanas”, disse que a aluna começou a “a queixar-se de que lhe doía a barriga”, atribuindo-o “talvez devido à ansiedade” de ter de estar na sala de aula.

“A professora nunca foi violenta com ela nem com ninguém”, garantiu a coordenadora admitindo pertencer a aluna a uma “família desestruturada” que de “imediato pediu a transferência para outro agrupamento”.

Apesar de “já ter havido alguns antecedentes na escola”, a agressão, segundo o encarregado de educação Alfredo Pinto “não era fácil de adivinhar”, elogiando até, a forma “rigorosa” como a professora dava as aulas.

Afirmando não conhecer os agressores, mostrou-se “indignado” pelo ato ter ocorrido “diante dos filhos”, testemunhando a esposa, Elisabete Martins, que os gémeos “estavam em estado de choque” e que “tiveram dificuldade em adormecer”.

O rol de críticas estendeu-se “à falta de segurança” numa escola em que “qualquer encarregado de educação pode entrar”, ainda que neste caso “conste que a funcionária foi empurrada”, referiu Elisabete Martins.

Da parte do Sindicato de Professores do Norte (SPN), a presidente Manuela Mendonça, acusou “as campanhas públicas contra os professores, como no recente processo de recuperação de anos de serviço, de criarem um clima que põe em causa a sua imagem e debilita a sua autoridade”.

“Não temos dúvidas que há responsabilidade de todos quantos injustamente atacam os professores porque estão a pôr em causa a sua autoridade”, acrescentou a sindicalista, exigindo que os “agressores sejam exemplarmente punidos”.

Salientando que o sindicato “tem acompanhado vários casos e exigido medidas efetivas de segurança nas escolas”, referiu que em média, “o SPN acompanha 12 processos-crime por ano, e que corresponde aos professores que decidiram avançar para tribunal e não há totalidade das ocorrências”.

Segundo o Jornal de Notícias, a mãe da aluna alegou, junto da PSP, que a professora em questão “agredia a filha, dava puxões e atirava livros”.

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